Capítulo 19: Arco do Destino!
Enquanto diversas batalhas ocorriam pela cidade, Ishida e Army entravam numa disputa acirrada. Com movimentos rápidos ambos percorriam boa parte da cidade disparando suas flechas com precisão. Muitas eram evitadas pela agilidade de seus movimentos detonando em prédios ou casas ao redor, porém outras se chocavam no ar causando pequenas explosões.
Ishida sabia que uma batalha dessa forma não levaria a lugar algum, as habilidades com o arco e flecha de sua oponente eram equivalentes as suas ou talvez até um pouco melhores. Porém o Quincy já começava a montar uma estratégia no meio da batalha, algo que poderia funcionar contra Army.
Ambos chegaram à região do parque onde novamente se encaravam friamente. Army sorria enquanto Ishida começava a se preparar. Rapidamente o Quincy disparou novamente, porém Army desviou indo para o lado. Ishida continuou a disparar apenas uma flecha por vez sem que saísse do lugar.
- É só isso que você tem? – questionava Army enquanto se movia de um lugar ao outro circulando Ishida.
Army estava confiante, afinal Ishida não havia lhe acertado ainda, porém aqueles movimentos chamaram sua atenção. Não era normal Army ver um inimigo tão calmo no campo de batalha. Após desviar da décima flecha, Army resolveu disparar com força máxima, porém foi nessa hora que Ishida sorriu.
O Quincy foi ao ataque simulando um chute giratório, quando Army desviou com um mortal se afastando de Ishida, a garota se viu em uma posição do qual a sua volta, havia oito flechas formando um circulo. De repente ao ativar seu poder, Army ficou paralisada por uma densa barreira de energia formada pelas flechas de Ishida.
- Você ficou tão concentrada que não notou minha estratégia... Essa é uma barreira que reage a Reiatsu de quem esta dentro formando uma espécie de prisão. Daí você não sai. – dizia Ishida preparando mais uma flecha.
- Acha que é o suficiente? – perguntou Army liberando ainda mais energia espiritual.
De repente a barreira de Ishida explodiu devido à sobrecarga de energia criado por Army. Após a fumaça abaixar, Ishida rapidamente se moveu desviando de um ataque cruzado da garota, a Fullbringer estava com uma flecha em mãos usando-a como espada. Ishida notou que em seu rosto havia um pequeno ferimento decorrente do golpe de sua oponente.
Ao olhar para a garota o Quincy viu que suas roupas estavam diferentes, Army estava usando uma espécie de uniforme tático de combate, por onde sua Reiatsu circulava como veias por fora.
- O que é isso? – se perguntava Ishida.
- Não é nada demais... É só a forma final do meu poder... Do meu Archway Boots... – respondia Army olhando tristemente para seu arco.
- Vejo que o arco é a origem de sua força. – comentou Ishida.
- Está correto, ele é meu catalisador para usar o poder Fullbringer... Mas você não precisa saber mais do que isso. – dizia Army enquanto seu arco mudava de forma.
Ishida desviou de um tiro que quase o atingiu, o disparo acertou o lugar onde estava causando uma pequena explosão maior que as anteriores, de repente Army estava um pouco mais rápida confundindo a percepção de Ishida, foi então que outra flecha passou de raspão no ombro do Quincy que não teve tempo de pensar, pois outra vinha em sua direção.
Ishida se moveu pegando sua espada de Reishi e assim cortando a flecha inimiga ao meio, em seguida o jovem guardou a lâmina e disparou uma sequência enorme de flechas em sua oponente. Que rapidamente desviava de todas. Logo depois Ishida mudou de lugar e apontou seu arco para os céus disparando algumas flechas.
Army achou estranho pensando que era apenas um meio do Quincy de pedir ajuda, sem se importar muito a mulher se aproximou de Ishida pela esquerda disparando outra super flecha.
Porém o Quincy desviou rapidamente lançando uma pequena esfera na direção de Army que foi pega de surpresa. A esfera liberou uma pequena reação de Reishi que a paralisou por alguns instantes, tempo o suficiente para o plano de Ishida funcionar, onde inúmeras flechas começaram a cair do céu em direção a Army como uma chuva de luz.
- Licht Rengen! – gritou Ishida.
As flechas causaram um forte impacto ao tocar o solo como se fossem mini explosivos vindos direto dos céus. Uma densa nuvem de fumaça se formou no local onde antes estava Army, após as explosões cessarem, Army saiu da nuvem de fumaça com alguns ferimentos e sangramentos pelo corpo. A mulher se aproximou de Ishida com seu arco modificado o golpeando como se fosse uma espada.
- Quincy! – gritava Army enquanto atacava.
Ishida reagiu usando novamente sua lâmina de Reishi iniciando uma breve luta corpo a corpo.
Army era rápida em seus golpes, Ishida já começava a sofrer mais alguns danos, porém a mulher notou que o Quincy também era habilidoso em combates físicos. Ambos tomaram distância um do outro, e voltaram a trocar tiros pelo parque.
- "Meu Licht Rengen causou danos naquela armadura dela, aposto que foi pela quantidade de projeteis que disparei, mas parece que aquilo tem um limite, isso sem contar a forma como ela escapou da minha primeira barreira... Acho que tenho uma ideia..." – pensava Ishida consigo mesmo enquanto tentava desviar dos potentes ataques de Army.
- "Eu não posso perder... Não posso perder! Eu vou derrota-lo! E mostrar a ele... Que sou a melhor... A melhor...". – pensava Army enquanto atacava.
Alguns anos atrás. Japão.
O local era um estádio pequeno, havia algumas câmeras e repórteres em volta, apenas aguardando o momento pelo qual aquelas três garotas disputariam uma final de campeonato de arco e flecha. O pai de Army, um homem sério e rigoroso acompanhava a filha torcendo pelo titulo. Porém quando a competição se iniciou Army com seus quinze anos não conseguiu disparar efetivamente. A garota sentiu febre, seus músculos se enfraqueceram, Army ficou em terceiro lugar naquele dia devido a sua fraqueza.
Logo depois já em sua casa, Army apanhava de seu pai que reclamava novamente do desastre que foi a competição. O homem bêbado gritava sobre como Army tinha que ser mais rápida, mais precisa, mais forte e decisiva que seus oponentes.
A garota amava arco e flecha graças a sua falecida mãe que a ensinou o básico antes de falecer num acidente de carro. Army sonhava em um dia ser uma grande competidora como ela e se divertir, porém seu pai era o oposto. Ele intensificava seus treinos, a obrigava a passar dias e noites disparando flechas até cansar, e quando Army não conseguia, o homem bebia e se irritava a ponto de batê-la.
Sempre que uma competição terminava daquela forma, Army passava vários dias trancada no quarto agarrada ao arco que antes era de sua mãe, desejando que ela ainda estivesse viva para lhe proteger das maldades que sofria no mundo, aquele arco era a única coisa que possuía de sua mãe, sua única ligação com quem realmente queria seu bem.
Certo dia a garota presenciou algo que a fez despertar. Uma gangue que vivia pelos subúrbios de seu bairro veio a sua casa para cobrar seu pai, o homem devia muito dinheiro, e consequentemente fez com que as condições de moradia se tornassem precárias, impossibilitando até mesmo a ida de Army em competições.
A garota presenciou ali em sua casa a morte de seu pai, quando os homens da gangue notaram que havia mais alguém na casa, o líder deles logo indicou para eliminar as testemunhas. Aquele momento foi o despertar de suas habilidades, Army desejou do fundo do coração que sua mãe a protegesse daqueles homens, desejou que sua graciosa e bondosa mãe estivesse ali para livra-la do que viria, e como num piscar de olhos o arco reagiu, em suas mãos uma energia ressoava como flechas.
Army sentiu aquele poder crescendo dentro de si, para a garota era como se sua mãe tivesse atendido ao seu chamado e lhe dado um dom para que pudesse se proteger pelo mundo afora, Army então usou suas habilidades disparando em todos os membros da gangue sem hesitar.
Após o ocorrido, Army fugiu de casa indo morar sozinha nas ruas do Japão tendo que algumas vezes roubar para poder sobreviver, sempre durante a noite a garota treinava suas habilidades na floresta para melhorar ainda mais. Army desejava ser a melhor arqueira, não pelos desejos egoístas de seu pai, mas para honrar a memória de sua mãe.
Anos depois, seus treinos não passaram despercebidos por Kugo Ginjo, o líder da Xcution queria que Army fizesse parte de sua organização. Porém Army recusou afirmando que trabalhava bem sozinha e que não precisava de mais ninguém lhe dando ordens.
Mas, tudo isso mudou ao conhecer Oliver. Após ouvir a história daquele homem e se sentir no lugar dele, Army aceitou fazer parte do grupo que segundo Oliver, iria mudar os rumos da história na Soul Society, pela primeira vez desde a convivência com sua mãe, Army se sentia novamente em paz ao lado de Oliver.
Presente.
Ishida e Army estavam ofegantes se encarando friamente, após trocarem intensos golpes com suas flechas ambos se preparavam para encerrar aquela disputa. Ishida já possuía um plano para parar a velocidade de Army, mas para isso teria que ser experto e disfarçar bem seus movimentos. Ao invés de usar suas flechas de energia, Ishida começou a preparar suas lâminas como se fossem flechas.
- Está desesperado Quincy? Acha que esse seu brinquedinho de Star Wars irá me deter? – questionava Army enquanto seu arco era carregado com uma densa energia.
- O nome desta lâmina energizada é Seele Schneider... E eu não acho... Tenho certeza disso... Desculpe-me, mas não posso deixar você vencer aqui. O que estão fazendo com essa cidade não é o certo. – respondia Ishida.
- Poupe-me do seu papinho... Esse mundo recusou a nós, ele nos fez sentir a dor de querer desistir, tudo o que estamos fazendo é devolver a nossa dor e o nosso sofrimento para eles. – retrucou Army.
- E para isso pessoas inocentes merecem morrer aqui? – perguntou Ishida.
- Isso é só uma infeliz coincidência... Eu também era inocente quando tudo aquilo aconteceu comigo, uma menina que sonhava em seguir os passos da mãe, e foi usada por um pai bêbado e irresponsável... Aquela dor me fez mais forte... Forte a ponto de estar a um passo de acabar com você. – gritava Army preparando um tiro.
Ishida se movimentou usando uma de suas habilidades, o HirenKyaku, que o permitia se mover em alta velocidade. Ishida atirou todas as suas cinco lâminas de energia uma de cada vez, cobrindo uma distância especifica a cada tiro dado. As flechas foram em direção a Army que se moveu desviando de todas com facilidade.
Porém Ishida usava seu HirenKyaku durante um ataque ou outro, escolhendo pontos específicos da área para disparar. Quando o último disparo foi feito pelo Quincy que em seguida, recuou preparando outro movimento de ataque, Ishida notou a mulher surgindo as suas costas.
- O mesmo golpe não funciona duas vezes! Storm... Destiny! – gritou lançando uma densa rajada de energia do arco.
Uma grande explosão aconteceu onde antes estava Ishida, aquela densa flecha de pura energia havia destruído boa parte do parque mais a frente como consequência. Army sorriu maléficamente não vendo mais a presença de Ishida a sua frente, sua energia estava acabando e a mulher sabia que o modo final de seu Fullbringer não duraria mais tempo.
De repente Army sentiu algo preso a sua perna e subindo pelo seu corpo como correntes. Quando percebeu, Army estava presa no centro de um pentágono formado pelas espadas de luz disparadas por Ishida anteriormente.
- C-como? – perguntou Army.
- Primeiro não é o mesmo golpe, segundo, eu notei com minha última barreira e com o Licht Rengen que seu Fullbringer não possuía uma capacidade defensiva tão grande, acredito que você tenha um limite do quanto de energia possa usar, notei isso conforme você foi disparando, cada flecha era mais forte que a outra, o que me deu a entender seu padrão de ataque. – respondia Ishida.
- Como analisou tudo isso enquanto lutávamos? – questionou Army liberando energia pelo corpo para se soltar.
- Para um Quincy... Ler, sentir e absorver partículas de Reishi da natureza é uma tarefa simples. Tudo que fiz foi observar sua posição de ataque. Sempre que se preparava para disparar uma energia percorria seu corpo vindo de seus pés, foi então que percebi que você sutilmente absorvia o Reishi da natureza pelos pés, aumentando não só sua velocidade como sua força também, porém ao se dedicar nesses dois pontos, você criou uma brecha em sua defesa. – analisava Ishida enquanto segurava um de seus braços.
O último golpe de Army havia causado alguns grandes danos no Quincy que sangrava em algumas partes do corpo. Ishida via que Army tentava se libertar, porém sem sucesso, era com se sua Reiatsu estivesse sendo sugada pelo pentágono.
- Que merda é essa? – se perguntava Army.
- Essa é uma habilidade que eu desenvolvi. Uma barreira explosiva que prende quem está dentro absorvendo sua energia lentamente... Tive que adaptar sua ativação tendo em vista suas habilidades, confesso que foi difícil fazer isso no meio da batalha, mas meu último movimento com a Seele Schneider deu certo, tive que escolher precisamente onde disparar e te atrair para o centro do circulo de maneira que você não percebesse... Mas não se preocupe, não irei mata-la. – respondia Ishida se aproximando de uma das pontas.
- Seu... – dizia Army irritada.
- Desculpe... Mas aqui você perde... Sprenger! – disse Ishida canalizando sua energia espiritual em uma das lâminas.
De repente uma tormenta de energia surgiu dentro do pentágono cobrindo por inteiro o corpo de Army que gritava de dor. Após alguns segundos uma pequena explosão aconteceu deixando uma grande nuvem de fumaça na área. Quando a fumaça se dissipou Ishida viu o corpo caído de Army no centro de uma pequena cratera, Ishida se aproximou lentamente parando perto da garota que ainda respirava em meio a várias queimaduras.
- M-me mate... Acabe logo... Com a minha dor... – dizia Army implorando para Ishida.
- Desculpe, mas como eu disse, não vou mata-la. – afirmou Ishida.
- P-por quê? – perguntou a garota.
- Por mais que você tenha feito tudo isso, eu acredito que você não seja uma pessoa totalmente má, só acho que não teve alguém que te guiasse pelo caminho certo, não sei sobre seu passado ou como você adquiriu esse poder, mas acho que você ao menos mereça uma chance para pagar por seus pecados vivas, e quem sabe recomeçar sua vida. – afirmava Ishida olhando para o arco ainda nas mãos de Army que aos poucos se estilhaçava sobrando só uma parte. – Seu arco, ele era importante para você? – questionou.
- Ele foi da minha mãe... Minha única lembrança dela... É por conta dele que hoje eu estou viva. Quando estou com ele, sinto que ela está ao meu lado me protegendo... – dizia Army indo às lágrimas.
- Então viva, não só por você, mas por ela também... Até mais... – dizia Ishida se afastando aos poucos.
Porém em meio às dores e ferimentos que possuía Ishida acabou cambaleando e ficando de joelhos, a luta exigiu muito mais do que o Quincy podia imaginar.
Lentamente Ishida seguiu seu caminho se afastando do parque, já Army apenas abraçou o pedaço do arco de sua mãe que sobrou, e em seguida a garota desmaiou com um sorriso no rosto.
To be continued...
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