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[32] Ao seu favor

Jisung aguardou durante algum tempo até pedir ao irmão que ele tentasse desatar os nós que prendiam suas mãos.

— Tá muito apertado. — Jimin desistiu após passar vários minutos tentando desfazer o nó que o caçador fez com o cinto. — Desculpa, eu não consigo.

— Tudo bem.

— Ah! Seu aniversário! Eu pensei em você o dia todo e dormi no seu quarto, para me sentir pertinho de você.

— Me dá um abraço! Eu não consigo.

Jimin sorriu e envolveu o irmão com os braços, abraçando-o apertado.

— Eu tive tanto medo de nunca mais te ver.

— Eu também. Aconteceram tantas coisas comigo...

Jisung contou para seu irmão, todas as aventuras que ele havia passado. Desde a última vez que o viu, até o presente momento.

— Como eles são? Os piratas

— Como eu sempre te falei, são bárbaros e cruéis. Eu vi coisas que... — Jisung lembrou-se do homem crucificado no Forte de Nabuco, os ômegas presos no quarto de Barba-Ruiva, os que seriam vendidos no leilão e outras coisas. —... mas também há Alfas e Betas bons. Como o Capitão Lee e sua tripulação.

— Eu não sei, Jisung. Aquele alfa da cicatriz me pareceu muito mau.

— Ah, ele me dá medo as vezes, também. — Jisung confessou. —, mas é apenas o jeitinho dele.

— Jeitinho? Eu tive pesadelos com ele.

— É sério, depois que você conhece cada um deles, percebe como são de verdade. — Jimin deu de ombros, mas para ele, o alfa da cicatriz ainda era muito assustador. — E esse tal caçador, ele não te fez nenhum mal, não é?

— Não, não. Ele me protegeu do Tenente Jo.

— Acho que sei quem ele é. Amigo do Comodoro? — o mais novo assentiu. — Por que ele precisou proteger você do Tenente?

— O papai escolheu ele para ser meu noivo. Ele tentou me tomar à força. — notando o semblante chocado do irmão, jimin apressou-se em explicar: — Mas eu estou bem, ele não conseguiu... e então o Jungkook vem me protegendo esse tempo todo.

— Nosso pai sabe disso?

— Não. Aconteceu no navio.

— Eu vou matar esse desgraçado! — Jisung rosnou imaginando diversas formas de como torturar um alfa. — Mas ainda não entendi como ele deixou você viajar sozinho no meio de tantos alfas.

— Então... — Jimin sorriu amarelo. — Ele não sabe. Eu fugi para te encontrar e ficar com você. Mas agora nós vamos ser levados de volta...

Jisung admirou o irmão em silêncio por um tempo. Jimin sempre foi medroso e chorão. Mesmo que sua vontade de viver uma aventura fosse gigantesca, se um pirata bater o pé no chão ele se encolhe todo. E no entanto, ele estava ali. Havia fugido sozinho e estava disposto a continuar para viver uma vida livre, sem as obrigações matrimoniais impostas pelo pai.

— Não se preocupe, não voltaremos para casa nem tão cedo.

— Mas como...?

— Vamos fugir daqui. Procura por uma garrafa de vidro, um espelho, qualquer coisa cortante.

Jimin anuiu e se levantou a procura de algum objeto que pudesse cortar as amarras do irmão. Ele vasculhou nas coisas do caçador, nas gavetas e baús. No banheiro, ele encontrou um espelho sobre a pia.

— Pega aquele castiçal, enrola um pano para não fazer barulho e joga nele. Mas fica longe para não se machucar. — Jisung o instruiu e seu irmão fez assim como ele disse.

O barulho do vidro se quebrando foi abafado pelo tecido de uma roupa, e com cuidado, Jimin pegou um dos pedaços que se espalharam. Jisung virou de costas e o mais novo começou a cortar o pano como podia. Assim que a porta foi aberta, ele se assustou e deixou o caco de vidro cair no colchão.

— O que estão fazendo? - O caçador perguntou, olhando desconfiado.

— Nada. Nadinha. Só conversando sobre coisas de irmãos. — o mais jovem disse, tentando disfarçar. Jungkook estudou o ômega lúpus que a essa altura, já havia escondido o pedaço de vidro entre as mãos. — Já vai nos levar de volta?

— Não. Ainda falta matar o Capitão Lee.

Mesmo sabendo que era esse o trabalho do caçador, Jimin não pode deixar de fitá-lo  choque. Já o seu irmão, começou a rir alto.

— Jisung?!

— O quê? Ué, foi engraçado. — deu de ombros. — Esse palhaço realmente acha que vai conseguir matar o Capitão.

Jungkook ergue os olhos para encará-lo, e jimin temeu que ele pudesse fazer algo contra seu irmão, quando este se aproximou de ambos. O alfa curvou o corpo até ter o rosto próximo ao do lúpus. Havia um pequeno sorriso em seu rosto.

— Não só vou matar, como entregarei o resto do corpo aos cães. Porque seu papai só quer a cabeça. — Instintivamente, Jungkook fechou os olhos quando Jisung cuspiu em seu rosto. Com paciência, o caçador passou a mão no rosto e o limpou. — O Comodoro vai ficar muito feliz em vê-lo.

Já sem nenhum traço do sorriso de alguns segundos atrás, Jungkook agarrou o braço de Jisung e o levou para fora do quarto. Jimin tentou ir atrás mas a porta foi trancada antes que ele pudesse sair.

Jungkook bateu na porta do Comodoro, assim que ele abriu, o caçador nada disse quando empurrou o ômega para dentro. Choi olhou para Jisung, que caiu no chão de seu quarto, e novamente para o caçador, sem entender.

— Aí está seu ômega. — E voltou para seu próprio quarto.

Choi ficou aturdido por alguns segundos, mas logo fechou a porta e girou para encarar Jisung, que já estava de pé. Ele se aproximou do ômega e o atingiu com um tapa no rosto, fazendo-o tropeçar para o lado.

— Isto foi por ter quebrado um vaso em minha cabeça.

— Pena que foi o vaso que quebrou. — Jisung afirmou, agora com uma das maçãs do rosto avermelhada. — Onde está sua dignidade, Comodoro? Mesmo depois de tudo ainda cruza oceanos atrás de mim.

— Como se eu quisesse me casar com um ômega desonrado. Seu pai ameaçou tomar minha posição na Marinha se eu não me casar com você.

— E você é um covarde que não sabe se impor.

Pense o que quiser, Jisung. Seu pai é poderoso o suficiente para acabar comigo. Você é belo, posso me casar com você, mesmo que não seja mais puro, ainda vou sair ganhando tendo você como meu esposo. Isso, se não pegou nenhuma doença com aquele pirata. — Jisung tentou chutá-lo no meio das pernas, mas o Comodoro agarrou seu joelho. — Agora estou preparado.

— Pode conseguir um outro emprego, talvez possa trabalhar testando a durabilidade dos vasos usando sua cabeça.

— Eu poderia até soltá-lo, mas só por causa dessa gracinha você vai permanecer assim. — Jisung deu de ombros, sem se importar. — Por que não se salva agora, hm? Hum... vou contar a bela novidade ao Jo.

Assim que o alfa saiu do quarto, Jisung moveu o pedaço de espelho com cuidado, tentando terminar de cortar o tecido que o prendia.

Enquanto isso, no quarto ao lado, Jimin estava sentado de costas para o caçador, como um ato de protesto, depois de ter insistido para ele ajudar quando Jungkook voltou ao cômodo, e ter seus pedidos negados friamente.

A princípio Jungkook não se importou, até achou fofa aquela atitude. O deixaria quieto em seu pequeno momento de fúria, mas reparou que algumas coisas estavam fora do lugar.

— Você mexeu nas minhas coisas? — Ele indagou mas Jimin não respondeu. — Lembra de quando eu te falei que minha paciência é quase inexistente?

— Hum, humhum... Hum, hum, humhum. — O ômega começou a cantarolar, ainda o ignorando.

— O mar não é lugar para ômegas.

— O lugar de um ômega é aonde ele quiser. O Jisung estava feliz com o Capitão Lee. Eles se apaixonaram e estavam caçando o Imperium juntos. Mas você tinha q-...

— Imperium?

— Tesouro do Francis Bonny, nunca ouviu falar?

— Já... mas sobre caçar o Imperium, isso é mentira. Ninguém jamais conseguiu decifrar um fragmento sequer.

— Mas acontece que Jisung é um ômega lúpus, o único que consegue ler as runas.

— Espere um instante. — Jungkook saiu do cômodo deixando um ômega confuso para trás.

E quando ele entrou no quarto do Comodoro, quem se encontrou confuso foi ele, quando viu Jisung livre de suas amarras.

— Larga esse vidro. — o alfa ordenou, mas seu tom era calmo. Jisung negou, ficando em posição de defesa. — Ok, já sei como sua mente funciona, então vamos pular a parte em que eu pego minha espada e vou até seu irmãozinho e-...

Ele parou de falar no mesmo instante em que Jisung jogou a parte do espelho no chão.

— Bom garoto, agora venha comigo. - Jisung hesitou por um momento, mas quanto o viu entrar no quarto em que estava com Jimin, ele correu para encontrar o irmão novamente.

— Ele te machucou? — Jisung perguntou examinando o menor.

— Não, eu já te disse. Ele não faria nada para me machucar. Ele mesmo prometeu.

Jisung olhou para o alfa sentindo-se um tolo por ter caído em sua manipulação. Jungkook foi até a suas coisas e tirou de dentro um pergaminho, abriu-o e mostrou para o lúpus.

— O que tem escrito aqui?

Aquele era de fato um dos fragmentos. As pupilas de Jisung dilatarem-se, assim como sempre acontecia quando lia uma daquelas escritas.

— Nada.

Jungkook riu baixinho.

— Não precisa mentir, seu irmão já me contou.

Jisung olhou para seu irmão, apenas para confirmar, e Jimin murmurou a palavra "desculpa" com os lábios sem produzir som.

— Não entendo o idioma.

— Imaginei que não. É uma língua morta, ninguém mais fala. Mas como sabemos, você conseguiu traduzir as outras partes com a ajuda dos livros.

— Por que ficou interessado no tesouro? Você não é um pirata.

— Não é no tesouro que estou interessado.

— É em quê, então?

Jungkook hesitou, mudando de assunto:

— Vamos fazer uma visita a tripulação do Black Swan. Tenho uma proposta irrecusável para seu capitão.

Continua.

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