twenty-three and a beat!
PARK DANBI
— Não acho que alguém mereça ficar num relacionamento onde os dois não estão dispostos a tentar.
Essas são as palavras que ouço de Kangseo, logo após a longa explicação sobre meu relacionamento amoroso — onde ele não fazia ideia que eu estava falando de Jungkook. Meu amigo solta a fumaça do cigarro pela boca e logo trata de apagá-lo na parede em que estava encostado.
— O porteiro vai te matar se ver você fazendo isso.
— Ele deve tá é dormindo uma hora dessas — dá de ombros. — Enfim, você entendeu o que eu quis dizer, Danbi? Não é só porque você ama esse menino que você tem que passar por cima daquilo que você aguenta ou não. Na real, acho que é pra isso que serve namorar, entende? É um teste-drive pra ver se você vai conseguir ficar com aquela pessoa por muitos anos. Eu nunca namorei — dou uma risada —, mas observando o namoro dos outros sei que é mais ou menos assim: vocês se conhecem melhor dentro daquela rotina do relacionamento, você conhece os defeitos e as qualidades do seu companheiro e com o dia a dia você vai colocando numa balança tudo aquilo que você tá disposta a aceitar, mesmo que não concorde.
— Tipo eu odiar esse relacionamento a distância?
— Exato! — Kangseo bate as palmas — Você odeia namorar a distância, mas por ele conseguiria ficar de boa sabendo que isso é uma situação recorrente? São essas coisas, pequenas ou grandes, que você tem que imaginar se dá pra aceitar que são assim, sem interferir ou te fazer duvidar do que sente, entendeu?
Concordo, digerindo toda a nossa conversa. Acho que foi bom eu ter conversado com alguém além de Sooah, alguém que não sabia que era de Jungkook que eu estava falando. Eu andava tão confusa em relação a tudo, ainda mais com toda as confusões que aconteceram nas últimas semanas. Minha chefe descobriu sobre nós dois, uma foto nossa se beijando parou na Internet, e eu não sei nem como eu tive a sorte de não terem descoberto quem eu era.
Jungkook tinha me dito que iria voltar para Coréia hoje à noite, mas quem disse que eu tinha coragem suficiente para vê-lo? Eu não conseguia nem responder às suas mensagens, quem diria encará-lo... Mas eu sabia que eu devia fazer isso assim que ele colocasse os pés no país, pois não era justo com ele e nem comigo toda essa situação estranha.
O problema é que eu não sabia o que fazer, não sabia o que eu deveria falar, não sabia se devia me desculpar por estar pensando em terminar nosso namoro por ter medo de me comprometer com a vida dele.
Mas que culpa tenho se é assim que me sinto? Se durante essa semana quase não saí na rua ou abri as redes sociais com medo de meu nome estar por todos os sites e ver pessoas falando coisas tão ruins de mim? E o pior, ver todas aquelas pessoas falando coisas horríveis dele, que não teve culpa de nada e apenas foi na minha onda de irresponsabilidade.
Depois de mais alguns conselhos e frases filosóficas de Kangseo, me despeço de meu amigo, inventando uma desculpa qualquer pra poder voltar pra minha casa e me enfiar debaixo das cobertas e quem sabe sonhar com alguma solução que não machuque nenhum de nós dois. Infelizmente a solução que eu tanto pedi não veio e o dia seguinte amanheceu nublado e chuvoso, parecendo uma piada de mal gosto do Universo pra me fazer sentir pior.
A primeira coisa que faço quando me levanto é abrir minhas mensagens, pois sabia que ele estaria lá. Suspiro, sentindo meu coração apertado.
10 mensagens de Jungkook
3 Ligações perdidas de Jungkook
[jungkook]: cheguei em seul...
[jungkook]: será q a gente pode se ver ainda hj?
[jungkook]: acho q vc já foi dormir, mas vou te ligar só por precaução
[jungkook]: desculpa, acho q liguei demais... espero q vc n tenha acordado
[jungkook]: quero tanto te ver e conversar com vc... só quero q a gente fique bem
[jungkook]: te amo bastante
[jungkook]: amanhã vou resolver algumas coisas na empresa, mas vc pode ir lá em casa pra gente almoçar juntos? por favor
[jungkook]: me responed quando acordar
[jungkook]: responde*
[jungkook]: te amo, dorme bem
É inevitável sentir meu estômago revirar de nervoso. Por que ele sempre me deixa assim?
Como vou ter coragem de falar tudo o que sinto quando sei que isso pode magoar ele?
Quero me enfiar num buraco e ficar lá até que todos se esqueçam da minha existência e todos os meus problemas se acabem sozinhos, mas não vai rolar. Preciso tirar forças sabe se lá de onde pra poder conversar com Jungkook e dizer que não consigo carregar tudo isso que vem junto com ele, mas que tentei e tentei muito passar por cima de tudo aquilo por nós dois.
[danbi]: pode ser, te vejo no almoço
As horas parecem passar rápidas demais e quando vejo, estou de frente à sua porta, parada há quase 10 minutos tentando criar coragem para tocar a campainha — mesmo sabendo o código da fechadura digital. Estou trêmula, com uma dor quase insuportável na barriga que quase me faz voltar pra trás e ir embora. Penso em diversas desculpas, diversos motivos pra fugir de Jungkook, mas ao mesmo tempo que quero correr dali, quero vê-lo. Tanto, tanto, tanto. Queria tanto matar a saudade que sentia dele, queria beijá-lo e sentir que tudo ficaria bem de novo, mas eu sabia que as coisas não aconteceriam tão simples assim.
Por mais que eu ame Jungkook, eu precisava ser honesta com nós dois.
Toco a campainha num gesto rápido demais e sinto como se meu coração fosse pular para fora de mim a qualquer momento. Acho que nunca em minha vida me senti tão nervosa, tão aflita, com tanto medo.
A porta se abre depois de alguns segundos demorados, me pergunto se do outro lado ele também se sentia com medo de encarar aquilo. Quando o vejo, sinto uma pontada no pé da barriga. Jungkook estava com os cabelos grandes, na altura do nariz. As orelhas carregadas de brincos e piercings da maneira que ele tanto gostava. Ele estava lindo, como sempre o achei, mas seu semblante estava tão diferente do usual. Triste.
— Oi, Jungkook — dou um passo a frente e me surpreendo quando sinto-o me puxar para um abraço apertado. Retribuo enroscando meus braços na sua cintura, sentindo seu cheiro suave.
— Tava com tanta saudade de você, precisando tanto te ver... — ele sussurra e sinto mais vontade de chorar.
Ficamos assim por um tempo, em silêncio. Tento colocar meus pensamentos em ordem, pensar no que e como irei falar as coisas que vim aqui para falar. Mas seu abraço é tão confortável e me sinto tão segura que penso em desistir de tudo. Me afastar dele era a última coisa que eu queria e me via tão sem alternativas que cheguei nessa minha última opção. Mas ainda sim, seu cheiro me faz procurar saídas naqueles poucos minutos e, novamente, me vejo buscando novas possibilidades enquanto me encaixo no seu abraço tão macio e apertado.
Parecia não importar onde estávamos e nem como tínhamos nos distanciado, sempre que o sentia por perto, sempre que eu o abraçava, ele me levava para quando nos conhecemos naquela primeira festa, me transportava para toda aquela química inegável, flertes e desculpas escancaradas para nos beijarmos escondido no banheiro ou no quarto.
Não sei em que momento me deixei levar pela situação e pelos pensamentos intrusivos, pelo sentimento de nostalgia que ele me trouxe, mas nos beijamos sem muitas palavras trocadas e o gosto que senti era de despedida; e ele sabia disso.
Mas não nos importamos, não pensamos muito antes de agir. Jungkook fecha a porta atrás de mim e me junta ao seu corpo enquanto nossas bocas dançam juntas um ritmo frenético. Só que perto não parece o suficiente para nós dois naquele momento. O ar-condicionado está ligado e quando ele tira minhas roupas, peça por peça enquanto caminhamos cegos até o sofá da sala, sinto-me estremecer inteira, não apenas pelo ar gelado do ambiente, mas pelo toque de suas mãos na minha pele.
Ele estava tão diferente desde que o vi pela última vez, não sei se o desconheço ou se estou conhecendo uma nova versão, mas seu beijo não muda; o sabor de sua boca não muda. Me sinto hipnotizada como da primeira vez que o beijei, anestesiada. Como ainda me choco com quão excitada ele sempre me deixava?
Deitados no estofado do sofá, sinto cada polegada do meu corpo se enrijecer à medida em que Jungkook espalha beijos molhados pelo meu pescoço, fazendo seu caminho lascivo pelos meus seios e barriga. Me sinto quente, agitada. A saudade que senti durante esse tempo pareceu se dissipar quando finalmente o senti dentro de mim. Ele murmura algumas palavras que não consigo distinguir na afobação dos nossos atos, mas ouço sua voz, seus gemidos se misturando com os meus e me perco naquela realidade volúpia.
Fecho os olhos, sinto seu cheiro impregnado nas minhas narinas, a sensação das suas mãos em volta da minha garganta me apertando voluptuosamente. Minhas pernas tremem ao redor do seu corpo, meus dedos arranham suas costas nuas e sinto que está quase no fim, mas por alguns segundos desejo que aquilo nunca acabe, que as sensações que ele me causa fiquem em mim para sempre.
Seu corpo caí sobre o meu quando tudo fica mais calmo, mas nossas respirações ainda são as únicas coisas audíveis na sala: ofegantes e altas. Quero ficar presa naquele momento, enquanto nos abraçamos, pele com pele, tão íntimos e tão perto um do outro. Não quero voltar a realidade, mas sei que daqui alguns minutos ela vai aparecer e fazer com que nós dois voltemos a encarar aquilo que realmente precisamos.
Aperto-o mais contra mim, querendo lutar contra o desejo de ter uma conversa desagradável depois de me sentir tão dele novamente.
Penso em desistir de tudo e passar uma borracha por cima de tudo o que aconteceu, por cima de toda a minha insegurança e meu medo. Mas quem eu estou enganando? Como vou apagar tudo o que senti nos últimos meses, como vou fingir que nunca mais irei me sentir assim novamente? Não é justo com ele, não é justo comigo.
Apenas quero ficar em seus braços por mais algum tempo, quem sabe algumas horas ou o resto do dia. Quero evitar que ele se levante e vista suas roupas, mas é inevitável quando isso acontece. E sigo seus passos, me vestindo num silêncio torturante entre nós dois. Estamos caminhando em quietude até o final do nosso amor, consigo sentir isso quando vejo seus olhos lacrimejando levemente.
E pela milésima vez naquele dia, me faço a mesma pergunta que fiz durante as últimas semanas: como vou ter coragem de falar-lhe a verdade?
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oie!
certeza que vcs n esperavam esse final, acertei?
mas calma que ainda tem algum chão pela frente, mas estou avisando que baab está na sua reta final! to muito feliz de estar conseguindo terminar essa história que tenho tanto carinho.
o capítulo de hoje me fez refletir muitas coisas e acredito que essa visão sobre o amor possa ser o que alguns de vcs pensam também! de qualquer maneira, espero que entendam os motivos de tantas dúvidas que a Danbi sente e que não fiquem com raiva dela apenas por se sentir assim (e também pq eh um personagem fictício!.)
eu também não queria escrever algo tão erótico pra essa cena, pois acho que não cabia dentro da situação em que os dois estão, mas espero que tenham gostado desse momento de reencontro deles. eu demorei a escrever de uma maneira que me agradasse, mas acho que fiz um bom trabalho em fazer essa cena sem tantos detalhes eróticos. gosto muito de cenas assim, pra falar a verdade, me sinto menos envergonhada escrevendo kkkkk
enfim, será que ela vai ter coragem de falar o que realmente está sentindo pro jungkook? ser honesta as vezes é difícil pra caramba e requer muita coragem, principalmente quando se trata de quem a gente ama, né?
vejo vocês em breve, obrigada obrigada!
obs: fiz uma playlist pra fanfic :) músicas que me lembram os dois <3 se alguém tiver indicação de música que lembra a fanfic, pode me mandar nesse comentário que irei colocar!! ouçam e curtam bjos
o link tá no meu perfil e na minha bio! (pq n sei como colocar no capítulo kkk sou velha?)
obs 2: se você não lembra quem é Kangseo, ele é um amigo de Danbi, o que fez a festa à fantasia no começo da fanfic :)
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