33. ᴅᴏɴ'ᴛ ʟᴇᴛ ʏᴏᴜʀ ɢᴜᴀʀᴅ ᴅᴏᴡɴ
JÚLIA PARKER
Não trocamos uma palavra sequer enquanto estávamos no carro. Ao chegar lá, me dei conta de que aquele baile era muito mais do que eu havia imaginado. A visão de um casarão branco e cheio de luzes, com uma música ambiente de violinos e piano que chegava até o exterior do local. O que eu queria saber era o que de fato eu estava fazendo lá? Ao olhar a imensidão de coisas fora da minha realidade, eu me esqueci por um breve momento de que estava lá por quê havia sido convidada.
Jimin encarou-me com um sorriso que iluminou todo seu rosto, e passou minha mão sobre seu braço, enquanto eu segurava a barra do vestido, ao passar pela fina camada de grama.
Muitos olhares, de toda parte, direcionados a nós. Não, direcionados a ele, Park Jimin, filho de Park Jihoon, futuro CEO da PARK'S. Jimin, estava sendo simpático em um nível que eu nunca presenciei antes, como se estivesse atuando tanto quanto eu, vestida de pedrarias. Ele parou algumas vezes para conversar com algumas pessoas, mas não ficava na conversar quando tocavam no assunto de negócios, como se fugisse. Eu estava um pouco desconfortável com os olhares, e cochichos, e mesmo que por diversas vezes Jimin tivesse parado para me tranquilizar com seu singelo sorriso.
Isso era tudo que ele podia oferecer naquele momento, repleto de pessoas para falar "Olá, como vai os negócios?". Ele havia me preparado na tarde anterior para esses episódios e eu tinha concordado por alto, mas, na prática era outra coisa. Nem havíamos entrado direito no estabelecimento, e Jimin já tinha falado com uma dúzia de pessoas, nem queria imaginar quando entrássemos.
Finalmente adentramos o salão brilhante, com as paredes cor creme e um lustre enorme no meio dele. Era como estar num filme de época, e atuar em uma personagem que eu não reconhecia. Meus olhos brilhavam com cada detalhe, cada quadro pendurado nas paredes, cada pessoa vestida com modelos que eu só tinha visto na televisão. Podia tentar me disfarçar com um vestido champanhe, cravejado de pedraria, mas jamais seria como aquelas pessoas.
Após Jimin falar com mais algumas pessoas, enquanto eu apenas sorria e concordava, fomos em direção a outro cômodo da casa. Uma porta dupla de madeira escura, guardava outro salão, mas era diferente do outro. Parecia mais normal. Uma música pop tocava em uma altura boa, e as luzes meio baixas trazia aconchego ao local. Mas o meu real aconchego foi quando vi minhas amigas em uma mesa.
Ainda de braços dados com Jimin, andamos até a mesa onde eu era encarada por Jungkook e os outros. Jennie virou a taça de champagne rapidamente, alternando o olhar para mim e para trás e assim que retirou a taça da boca, sibilou:
— Ela está vindo, pessoal.
Minha respiração falhou quando senti Jimin retirar suavemente minha mão de seu braço. Não precisei me virar para saber quem era pelo cheiro do perfume.
— Olá, querido! — Nayeon estava radiante. O batom vermelho vivo e um sorriso que eu nunca tinha visto em seu rosto. — Sejam bem-vindos! — falou para os outros.
A mão da mulher perpassou o blazer de Jimin, com um sorriso descarado no rosto, e senti minha cara esquentar. Se ela tocasse mais uma vez nele, o encarando daquela forma, eu seria capaz de atuar a própria Teresa.
Jennie aproximou-se de mim, e fui forçada a olhar para ela e me acalmar.
— Você é a mais linda desse salão. — Minha amiga sorriu, e logo no outro braço, Rosé agarrou-se e ajustou alguns fios dos meus cachos.
— A mais bela de todas. — A loira falou e eu sorri, envergonhada.
Agradeci beijando a testa das duas.
— Júlia está realmente linda — A voz de Nayeon fora poucas vezes pronunciada a mim, e meu nome saindo de sua boca mais parecia um xingamento, ainda mais quando ela sorria daquela forma assustadora. Concordei com a cabeça e ela continuou — Não é todo mundo que combina com esse tom. — Era gentileza demais. De se estranhar.
— Obrigada, Nayeon. Você está muito bonita também.
Minha voz saiu sem animação, e tive que me forçar a sorrir.
Jimin continuou a fazer o que tinha ido fazer, — promover a si mesmo — e deixou-me finalmente aos cuidados de Jennie e Rosé. Depois de alguns goles de drinks, permiti-me sentar em um dos sofás de luxo daquele lugar grandioso demais para minha presença.
Espiei todo o salão meramente iluminado, e no canto de uma porta que eu não tinha reparado antes, estava Jimin, sorrindo com as mãos nos bolsos. Eu teria rido se não estivesse tão nervosa. O guitarrista, me chamou com a mão, e disfarçadamente caminhei em sua direção.
Quando aquela porta se abriu, foi como entrar no jardim encantado. Como se eu estivesse me espatifado e caído no mundo do país das maravilhas.
O enorme salão revelou enormes prateleiras de livros, que chegavam a tocar o teto. Todos os moveis pareciam casar-se entre si, como se fossem antigos garimpos de família. Uma foto de uma mulher de idade tinha sido pendurada em uma parede livre, com o nome de "Nona Moon".
— Ela é a minha avó postiça. Mãe da minha madrasta. — Senti ele ocupar o espaço ao meu lado. — Ela lia para mim aqui antes de falecer. Não era assim quando vim morar aqui, mas ela transformou esse cômodo no que para ela era o paraíso.
Passei meu dedo sob a moldura.
— Você lia aqui?
— Desde o primeiro mês que vim parar nesse lugar. Ela adorava romance, e lia eles para mim. — Riu ele. — Não tinha muita escolha, mas era bom ficar com ela.
Queria conseguir dizer algo, mas só consegui encará-lo.
— Por que me trouxe aqui?
— Acho que é porque eu queria te beijar.
— Acha? — elevei o tom de voz, e ele sorriu ladino.
Jimin aproximou-se e selou rapidamente seus lábios aos meus, e olhou no fundo dos meus olhos.
— Desculpa, eu tinha que ter modos e pedir. — Mordi meus lábios tentando não sorrir. — Posso?
Assim que eu assenti, Jimin veio com tudo. O beijo não era suave como o anterior. Era feroz, ardente e puta que pariu! O interior das minhas pernas latejava cada vez mais. Estávamos loucos e desajeitados e cheios de vontade de — não acreditava que seria possível pensar aquilo — foder naquele lugar inteiro. Empurrei-o no sofá vitoriano, e montei sobre ele.
Os dedos de Jimin estavam entrelaçados aos cachos da minha nuca, e ele fez questão de parar para me ver daquele jeito. Mas um frio percorreu as minhas costas, e o som abrupto da porta fez-me enrijecer. Jimin virou levemente a cabeça e quando olhou revirou os olhos.
— Eu imaginei que estivesse aqui. — A voz sínica de Nayeon falou baixo. Sentei-me corretamente, ajustando minha postura. — Parecem um casal de coelhos, tenham modos!
— Quem é você para falar de modos? — rebateu ele.
Ela lançou um olhar e um riso, que eu jurei ter visto Jimin engoli em seco. Jimin não costumava baixar a guardar, eu faria o mesmo. Foi o que ele me disse antes de sair de casa.
"Não abaixe a guarda"
— Seu pai está procurando você para falar suas palavras bonitas para os nossos convidados. Vá lá antes que ele mande o segurança achar você.
Ele se levantou e eu fiz o mesmo, mas assim que dei o primeiro passo ela continuou:
— Júlia, é melhor você não sair agora. — Virei-me para o loiro indignada, mas ele assentiu com a cabeça, concordando.
Era uma merda não saber o que fazer, e nem o que falar para ela, que só sabia me olhar com desprezo. Adoraria saber o que eu tinha feito para ela agir daquela forma passivo agressivo.
A garota respirou fundo assim que ele saiu, parecendo aliviada. A expressão séria sumiu de seu rosto, dando lugar a uma que parecia mais de preocupação do que repulsa. Ela andou até o sofá que antes eu e Jimin trocávamos uns amassos, e deu duas batidinhas para que eu me sentasse ao seu lado.
Bem estranho.
— Ninguém consegue ter moral com ele se não tiver punho forte — arfou ela novamente, virando-se para mim. — Imagino que queira entender por que eu fiz isso? — acho que ela conseguiu ler na minha cara a resposta, então continuou: — Jimin é sucessor da Parks, e tem um velho caindo aos pedaços lá fora, que está doido para fazer a vida do Jimin um inferno se ele não quiser a sucessão.
— Por que está me falando isso, Nayeon?
— Por quê? — ajustou a postura. — Você não sabe de nada? Ele... — gaguejou — Ele não te contou?
— Não me contou o que?
A garota levantou-se arrumando o vestido.
— Eu achava que você tinha alguma ideia do que tinha acabado de fazer quando decidiu vir. Mas não, Júlia, você acabou de entrar em uma briga que não faz ideia da proporção do desastre e Jimin nem ao menos te falou o porquê de ele estar aqui.
Levantei-me e cruzei os braços. Claro que eu sabia.
— Uma reunião de negócios. Por esse ser o sucessor. Eu sei por que ele está aqui, e sei por que estou aqui. Para acompanhar ele. — falei.
Não soube distinguir que tipo de expressão era aquela que Nayeon estava emitindo, parecia um susto. Ela aproximou-se de mim e disse baixo, e estranhamente amigável.
— Me escute, saia daqui. O mais rápido que pode. Não conheça o Jihoon, e não olhe para ele. Júlia, — balançou negativamente a cabeça antes de continuar. — Ele já faz mal o suficiente para o Jimin, se souber que o filho gosta de você, ele vai fazer da vida dos dois um verdadeiro infernos. A última coisa que Jihoon vai querer é uma mulher tirando o foco do seu filho.
Fiquei lá, paralisada, por longos minutos pensando o que faria. Minha cabeça estava tão confusa que comecei a pensar na possibilidade de pegar a primeira porta dos fundos que visse. Mas, eu estava revoltada, revoltada com o fato de um pai ver seu filho de um jeito tão ruim, de pensar tão ruim. Como era capaz? E sem tirar a parte de que, tinha alguma coisa que eu não sabia, algo que não tinha sido me contado, e isso influenciava ainda mais a minha vontade de sair daquele lugar.
Será que eu estaria preparada para enfrentar aquele tão "Inferno na minha vida" simplesmente escolhi está com a pessoa que me fazia bem?
Abri a porta e andei até o salão que estávamos antes, e estava vazio. Continuei até achar o salão principal e quando cheguei todos estavam em pé, admirando as palavras de Jimin sobre a iniciativa de arrecadação. Sorri, dando passos para frente, para enxergá-lo melhor, para admirá-lo melhor, quando uma mão gelada e áspera puxou meu braço.
— É um grande prazer em conhecê-la, Júlia Parker. — Jihoon soltou meu braço, mas ainda conseguia sentir doer com a puxada. O velho tentou sorrir, mas era de um desprezo tão grande que foi quase impossível. — O gato comeu sua língua?
Naquela hora eu poderia dizer que sim.
— Olá, senhor Park, um prazer conhecê-lo também. — Sorri falsamente sentindo cada membro do meu corpo estremecer com a presença do homem. A frieza dele evaporava do corpo, e seu rosto estava pouco inchado, como se ele estivesse lutando para viver e resistindo ainda em pé. — Não quer se sentar, senhor Park? — E ele assentiu e chamou-me para acompanhá-lo.
Eu estava sentada ao lado do homem que tinha saído na Forbes no ano passado e que tinha a pior fama possível de um pai. Eu estava tremendo.
— Não vou me estender aqui, querida — a cara que ele mudou. O que eu achava que era a pior expressão do velho, era a que ele usava apara ser simpático. Céus! — Soube algumas coisas sobre você, senhorita: Você faz psicologia, filha de Bioquímicos, e seu endereço é... — Àquela altura eu não conseguia ouvir mais nada, além de um zumbido assustador e ensurdecedor na minha cabeça. Como que ele sabia... "Ele já faz mal o suficiente para o filho, se souber que Jimin gosta de você, ele vai fazer da vida dos dois um verdadeiro infernos"
— Onde achou essas informações, senhor Park?
— Isso é para você entender quem tem o poder aqui. — Rebateu rapidamente — Acha que se eu não pudesse saberia bem mais?
— O que pretende fazer com essas informações senhor Park? — saiu mais ríspido. Ele riu, em um tom maldoso.
— Seja lá o que pretende com meu filho, desista. Ele tem coisas mais importantes para lidar do que uma garota que não faz a menor ideia do que quer fazer da vida. Contou a ele que pretende estudar em Jeju?
— Isso foi apenas uma tentativa. O senhor não tem nada a ver com isso.
—... então não vai se importar em sair da vida do meu filho. — Respirei fundo. — Se for uma sanguessuga de dinheiro, eu te dou a quantia que quiser, mas largue o meu filho. — Ri virando o rosto.
Não era possível! Ele nem ao menos era um pai.
— Ainda é sem educação. Deve ter sido por falta da sua mãe.
Levantei-me mediatamente.
— Não preciso do seu dinheiro, nem do dinheiro de Jimin. E posso fazer a faculdade que quiser, na porra do lugar que eu quiser. E não permito que fale dessa forma comigo, e nem sobre a minha mãe. — Respirei fundo, olhando a alma vazia daquele corpo. — Se tentar continuar procurando informações sobre mim, eu juro que te denuncio e ainda faço questão que todos conheçam essa sua face, senhor Park.
Senti meus olhos queimarem e as lagrimas rolarem meu rosto. Aquele homem era cruel.
— Vou ficar com Jimin até quando ele quiser ficar comigo. E o senhor não poderá fazer nada para mudar isso. Sabe por que, senhor Park? — meu tom de voz tornou-se frio, e semelhante ao que ele usou comigo. Se ele podia me ferir, eu também tinha brecha para fazer o mesmo. — Porque o senhor o não conhece o Jimin, e não conhece o amor de um pai com o filho. Se conhecesse, nunca teria feito o que fez.
— Sua vadia... — o velho pegou a taça de vinho e jogou o líquido sobre mim, sem nenhuma vergonha. E uma pequena roda de pessoas se abriu em nossa volta, com olhares e cochichos.
Olhei para o vestido alugado, e a mágoa subiu meus olhos. Voltei meu olhar para o velho, antes de sair pela porta da frente, e exibi o sorriso quase que imperceptível.
O sorriso de que havia conseguido o que eu queria. Irritar Park Jihoon e fazer todas aquelas pessoas verem que eu não estaria disposta a abaixar a guarda para um homem tão desrespeitoso como aquele. O que no fim, todos daquele salão estavam fazendo.
Rindo e abraçando o próprio tormento.
Talvez não tivesse sido o melhor a se fazer, mas eu tinha adorado.
❉
As lágrimas caiam enquanto eu tentava remover aquela maldita mancha de vinho do vestido. Eu queria tanto gritar e xingar aquele velho aos montes, mas eu não podia, tinha estourado a cota de ofensas para aquele dia, e ainda tinha Jimin, que não sabia de nada e que eu faria questão de que não soubesse.
Algumas pessoas ainda olhavam para fora para entender o que eu estava fazendo naquela fonte podre de rica, para minha sorte não eram muitas, então eu poderia passar vergonha tranquila, em algumas horas eles esqueceriam a minha cara.
— Saia dessa fonte, Julia. — Jimin aproximou-se, e o olhei feio, esfregando mais forte o vestido. — Me desculpe.
— Está se desculpando pelo que exatamente? Eu que manchei seu vestido.
Ainda agachada vi os pés bem calçados de Jimin mergulharem na fonte. E eu o olhei indignada.
— NÃO! Por que fez isso?!
— Porque você estava dentro dessa fonte, e eu sou o seu parceiro. — Ele me olhou com os olhos gentis que raramente usava. — Vamos sair dessa fonte e ir para casa. — Ele selou os lábios aos meus. — Me contaram o que aconteceu, Júlia.
Tentei formular uma resposta rápida, mas antes que eu fosse capaz de falar qualquer coisa, ele pegou-me no colo e tirou-me da fonte.
— Vamos para casa. — falou com uma tristeza na voz. — Acho que já deu de brigas por hoje.
Foi naquele momento que eu me dei conta do tamanho da merda que eu tinha acabado de me meter.
NOTA DA AUTORA
Olá, minhas preciosidades! Estavam com saudade?
Voltei com capítulo novo para vocês.
Foi um porre escrever essa cap, porque como na versão antiga, ele é bem pesado, e tive que alivia e deixar as coisas coerentes (o que não fiz na primeira versão de BI). Assim como vocês, eu também odeio o Jihoon, e também tenho minhas questões com a Nayeon, mas fazer o quê? Se eles têm que viver com eles.
Estamos caminhando para a reta final de Bad Idea e estou super ansiosa para saber como vai ser a reação de vocês.
O próximo capítulo vai ser uma novidade para os novos leitores e para os antigos, já que é um capitulo totalmente inédito, com uma nova cena no enredo. E vou precisar de vocês comentando bastante para eu ver se estão ai ainda, aguardando os caps.
Agora tenho mais dois pontos para avisar a vocês:
Semana que vêm vou publicar a minha nova shot-fic "Babá, Baby!", se vocês quiserem me apoiar nessa nova obra também, me sigam para acompanhar as atualizações (Isso para todos, hein!).
Segundo ponto é, eu quero publicar Bad Idea independente (Físico e na Amazon Ebook), mas preciso entender se vocês iriam querer um exemplar. Como é um processo caro para mim, eu adoraria saber quem estaria disposto a comprar, por isso eu criei um formulário na minha bio, para saber quanto vocês estão dispostos a pagara e o que querem receber. Quem não puder responder o formulário. Deixe aqui o seu "Eu quero, para eu ter noção, e mais para frente atualizarei vocês.
Beijos amores, e encontro vocês em breve!
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