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25. ᴛʀᴜᴇ

"O que você está disposta a fazer? Ah, me diga o que está disposta a fazer?"

Kiss It Better - Rihanna


NOTA DA AUTORA:

Oi, meus amores! Tudo bem com você?

Estou aparecendo bem no início do capítulo para pedir desculpas pela demora. Esse capítulo tem 8.096 palavras, então, hoje tem coisa para ler...

Queria por tudo que eu imaginava nesse capítulo, exatamente do jeitinho que eu imaginei, e isso resultou nesse tanto de palavras kkkkk Nesse meio tempo, aconteceram muitas coisa que, acabaram dificultando minha criatividade, e essas coisas acabaram com a minha pouca autoestima.

Quero que aproveitem bastante! E se puderem, votem, e comentem bastante! Eu estou morrendo de saudades dos comentários.

Dedico esse capítulo a todas as minhas leitoras, mas hoje em especifico, dedico a Elizabeth que se formou a um tempo(inclusive, amei todas as suas fotos de formatura), e, dedico também a Raquelzinha("De luz" como apelidei ela secretamente). Duas mulheres incríveis, poderosas, e cheias de luz. Vocês são inesquecíveis, e me inspiram a ser uma pessoa melhor <3

Amo vocês infinitamente...

Com todo amor infinito...

Aproveitem o capítulo!

[ P A R T E   F I N A L ]

JÚLIA PARKER


     Como Sigmund Freud já disse um dia "Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos". Eu, em minha sã consciência — talvez nem tão sã assim, conseguia seguir todos os caminhos errados, para entender a confusão que havia me metido.

Cruzar o caminho de Park Jimin, na noite anterior, teve um efeito muito pior que os dias anteriores. Fiz a pergunta mais idiota de toda a humanidade, e recebi a resposta que já imaginava: seu silêncio e relutância.

Alguma parte de mim, no fundo, queria que o guitarrista falasse algo, qualquer coisa que fosse melhor ou diferente de um silêncio ensurdecedor.  Cada parte do meu corpo, ansiava uma resposta para todas as minhas dúvidas interiores, como se ele fosse capaz de respondê-las tão facilmente.

Lembrei-me de todas as coisas que fizera quando o conheci, e ele não tinha sido lá uma pessoa muito receptiva. Jimin tinha uma personalidade diferente da minha, isso não dava para negar, mas nada justificava a maneira que me tratara todo aquele tempo. Bom, até onde eu sabia, não tinha justificativa.

Jimin era cheio de si, sarcástico, irritante, e incrivelmente lindo — algo que eu queria negar o tempo todo. No entanto, em todos aqueles meses, ele não era irritante o tempo inteiro, não era egocêntrico e egoísta como eu achava que fosse no começo. Ele tinha o que eu chamava de magia, de força e dualidade.

Quando eu achava que ele finalmente tinha ganho minha confiança, Jimin ia lá e provava que nunca havia sequer tentado ganhar ela. Quando achei que o conhecia, cai na minha própria armadilha.

Ele deixava que eu visse, somente a superfície dele — somente o que queria mostrar.

Podia chamá-lo de idiota o tanto que fosse, mas aquela palavra nunca seria verdadeira, baseando-a nas coisas que eu pensava sobre ele. E isso sim, me fazia xingá-lo mentalmente.

Jimin não tinha o título de idiota porquê havia sido um babaca comigo, e nem por falar as coisas que viam a sua mente quando calhava. Era um idiota por fazer de todas as outras coisas servirem de máscara, cobrindo a verdadeira face de quem era. É, eu também não podia dizer com tanta propriedade, como Jimin seria.

Protetor, amigável, inteligente, e, um tanto territorial. Essas eram algumas das características que eu tinha notado bem nele, além de bonitão.

Tudo que Jimin havia feito desde o baile, só beneficiava uma pessoa: eu. Não havia nada que ele pudesse ganhar com aquilo, a não ser, uma rixa com seu próprio amigo. Mas tinha algo pior nisso tudo.

Eu, Júlia Parker, que nunca aceitaria dizer isso em voz alta, e sentia-me extremamente envergonhada só de pensar, tinha gostado de tudo que tinha feito. Tudo mesmo. Isso incluía subir numa moto em alta velocidade.

Cruel e egoísta da minha parte.

Mas, eu tinha caído na real. O único motivo para eu estar naquela situação, parada no primeiro degrau de uma escada, encarando-o, com meus olhos fervendo em lágrimas, era angústia.

Só conseguia pensar em quão perdidamente triste eu ficaria, se ele me ignorasse — se não me desse oportunidade para dizer aquilo que me assombrava. Céus! Jimin me deu todas as oportunidades possíveis, e eu... não conseguia dizer.

Não consegui dizer nada, porque estava com medo. Muito medo, na verdade. Medo de...

Que droga! Nem ao menos consegui pensar em dizer.

Respiração falha, pulsação mais forte que um tambor. Isso tudo porque estava perto dele, guardando uma verdade que mexia com meu orgulho, e com tudo que havia dito antes.

Tinha medo de sentir sua falta, como todos aqueles dias. Ou até pior, passar pelos corredores, e não falar com ele depois de tudo que fez por mim. Eu o detestava, mas conseguiria ser pior se, assim como todos aqueles dias, ele ignorasse minha existência.

O medo de ter a infeliz capacidade de afastá-lo.

Eu queria sim, ser mais que sua inimiga. Queria que Jimin sentisse vontade de ficar. E mais do que tudo, queria que ele não me odiasse tanto.

— O que quer que eu fale? — Sua voz saiu calma e baixa, com o arfar que dera, ainda de costas. — Não tem nada acontecendo.

— Na verdade tem. — Dei mais um passo, ficando ao lado dele, no mesmo degrau. — Eu...

— Você deveria dormir — disse rápido, interrompendo-me, sério. — Tem aquele exame amanhã. Vá dormir.

Jimin deu mais alguns passos, prestes a seguir o caminho, mas logo rebati.

— Vai fingir ser um idiota de novo? Não pode simplesmente ouvir o que tenho a dizer?

Ele parou, mas disse brevemente, olhando-me por cima do ombro.

— Eu acho que você ainda não entendeu... — virou seu corpo mais um pouco de lado, sendo capaz de me olhar bem no fundo dos olhos, antes de sair andando. — Eu não quero ouvir o que tem a dizer. Nem agora. E nem depois.

A única coisa que ouvi depois disso, foi o barulho da porta do quarto bater, e meus pensamentos gritarem.

Nem agora. Nem depois.

— Obrigada por me esperarem — agradeci, finalmente saindo pelos portões de ferro da Academia.

Era um lugar lindo, cheio de plantas e prédios bem arquitetados. O campus em si era gigantesco, ousava dizer que era maior que a KIU. O local dava vontade de rolar na grama como se fosse um golden feliz, correndo e saltando.

— Achei que nunca mais sairia daí! — Jennie levantou-se rapidamente do banco de madeira, que ficava perto dos arbustos cortados milimetricamente em um cubo.

De manhã, quando eu e Jennie estávamos prestes a sair, Jungkook, surgiu magicamente com uma proposta tentadora: nos levar de carro para a academia. Como eu já tinha dito, era "uma proposta tentadora" para duas mulheres que passariam mais de uma hora e meia, tentando pegar um ônibus que tinha 10% de chance de aparecer.

Não parecia uma ideia tão horripilante. O carro — alugado — do baterista era um lindo Jeep branco com quatro lugares, limpo e cheirava a óleo de peroba. A ideia antes não parecia tão horripilante porque, eu não tinha levado em consideração o relacionamento do ex-casal — e o grande problema de comunicação entre eles —, o que resultou em uma viagem longa e perturbadora. Só para ter uma ideia, eles vieram o caminho todo — de uma hora e meia — discutindo por causa da playlist. Aquela coisa toda nem ao menos fazia sentido. Era um troca-troca para lá, um bate-boca para cá, que, chegou um momento que tive que gritar com os dois.

O resto do caminho foi calmo e silencioso. Claro, depois do esporro, tinha que ter sido mesmo.

A universidade já era grande vista por fora — o que já me assustou —, imaginei como seria um labirinto por dentro. Quando viramos para o estacionamento, podemos ouvir de longe a voz de Hoseok, instruindo os dançarinos no ensaio. Jungkook disse que por causa da demora do ônibus do pessoal, Hoseok teve que virar a noite com eles, treinando, exaustivamente. Senti uma ponta de pena por eles, pois, de todos nós, os dançarinos foram os que mais tiveram trabalho corporal.

— Vamos logo para eu ter que me livrar desse bunda mole? — soltou Jennie, recebendo o olhar confuso de Jungkook, que balançou a cabeça negativamente, rindo.

— Eu já pedi desculpas, tem como me dar essa moral?

Desci os degraus da entrada, rindo, ainda observando os dois um do lado do outro, com aquele humor de antes — de quando discutiam no carro.

— Jungkook, você vai ter que fazer bem mais do que me pedir desculpas — rebateu, e eu tapei a boca surpresa.

O baterista franziu a testa, sorrindo, e em seguida, arrumou sua camisa, emanando um charme malicioso.

— O que eu posso fazer por você então, Lilith? Massagem nos pés? Ou um abraço? — brincou ele, recebendo um tapa no braço direito.

Ri, balançando a cabeça. Onde eu tinha me metido?

— SAIA DE PERTO DE MIM, SEU IMBECIL! berrou Jennie, puxando-me pelo braço, para um dos caminhos de pedra, oposto ao que Jungkook estava. — Eu sei o caminho, não precisa ir na frente.

— Você sabe que não é pra esse lado, né?

— Claro que eu sei! — Jennie bateu seu lindo tênis branco nos cascalhos, irritada. —  Filho da puta! — Ela me puxou novamente.

Gargalhei vendo a cara confusa de Jungkook, quando a morena esbarrou nele propositalmente.

— Jennie! Espera! — o baterista falou alto, mas minha amiga não estava nem um pouco afim de conversar.

Quando chegamos no ensaio, fiquei impressionada com o tamanho do palco e o tamanho do espaço que tínhamos para o show. Nunca tinha imaginado cantar num palco daquele tamanho, e era assustador a sensação de saber que ia fazer isso no dia seguinte.

Jennie não demorou muito para subir, e logo engatar uma conversa com o capeta, que de longe me encarava sério, com a expressão da noite anterior. Minha nossa... Aquilo não ia sair da minha cabeça nunca? Encarei-o da mesma forma, até que ele desviasse, e aquilo foi a minha deixa. A deixa para sumir de seu alcance, pelo menos até o ensaio.

Indo para qualquer lugar que eu julgava confortável, acabei parando perto de uma roda de dançarinos, que conversavam sobre todas as coisas que eu não sabia. Eu estava igual uma múmia, até bater os olhos em Lalisa.

Eu poderia me arrepender daquilo depois? Poderia. Mas eu queria fazer. Queria ir até ela. Não era só porque eu estava no meio de um monte de desconhecidos em questão, era porque eu queria resolver as coisas entre a gente.

Jennie julgaria minha situação como perda de tempo ou burrice aguda, pois, aquela não era uma escolha que ela tomaria depois de tudo que aconteceu. E tudo bem, mas aquela era a minha escolha.

Andei até Lalisa, timidamente, analisando seus fios pretos azulados saírem do coque. Ela continuava linda, e com uma aparência forte e delicada. Lisa não estava tão arrumada como de costume, quando a via passando pelos corredores. Estava definitivamente cansada, e suas olheiras arroxeadas entregavam isso.

— O que faz aqui? — perguntou ela, como se estivesse assustada. Lisa procurou algo atrás de mim, enquanto guardava o celular no bolso. — Você não deveria estar no ensaio?

Sorri para ela.

— Ah, meu ensaio é mais tarde. Mudaram o horário por causa do problema que teve com o baterista da AP Dream. O cara quebrou o braço ontem à noite — a azulada cruzou os braços, boquiaberta. — É, agora a Jennie vai ter que pegar as músicas para tocar amanhã. A minha e a da galera da Dream. Foda.

— Nossa... — Soltou. — Mas e você, está bem? Está procurando o Hoseok?

Neguei.

— Eu estava fugindo, aí parei aqui — ela riu. — Foi um milagre te encontrar. Eu não sou boa em lidar com tanto desconhecido reunido.

Ri desesperada, apontando para o grupo atrás de mim.

— Entendi...

Lisa ficou em silêncio, e eu busquei qualquer outro assunto para puxar, mas estava com fome de mais para pensar.

— Estou morrendo de fome. Sabe algum lugar bom por aqui?

— Tem uma cafeteria perto do prédio cinco, que tem um capuccino ótimo — ela se pôs ao meu lado. — O bolo Red Velvet deles é uma maravilha!

A caminhada foi longa, e silenciosa nos primeiros minutos. Lisa estava de braços cruzados, olhando diretamente para frente, ou para o chão, dando-me a entender que estava nervosa pela situação.

Eu também estava nervosa, com a aproximação. Sabia o quanto aquilo ia exigir de mim — de nós —, e não parecia nada fácil.

Reuni toda coragem que tinha virando o rosto em sua direção, mas ela logo soltou:

— Olha, se quer conversar sobre o que eu fiz com você... — parou no meio do caminho — Sei que fui uma péssima amiga.

— Ei! — interrompi, rindo de nervoso, enquanto ela parecia desesperada. —  Não quero conversar sobre isso assim. Não desse jeito.

Lisa assentiu, retornando ao meu lado.

Entramos em mais um dos caminhos de pedras, próximo ao campus. Então, continuei:

— Faz um tempo desde que paramos de nos falar, né? — ela ficou em silêncio, meio cabisbaixa. — Quando aquilo aconteceu, eu fiquei bem mal, acho que você sabe. Fiquei com ódio do Jungkook, com ódio de você, e com ódio de mim. — Ri, focando meus olhos num cara vestido de urso, provavelmente um mascote de time. — Tentei entender Jungkook, e todos os motivos para tê-lo levado aquilo. Percebi que nunca tentei entender os seus motivos. As suas razões para me trair.

Tá. Eu estava muito bolada para isso. Mas, era verdade. Eu nunca tinha me dado o esforço de entender Lisa. Mesmo que me machucasse.

— O que quer entender? — nos encaramos. — Quer saber mesmo os motivos? Mesmo que te machuque?

Concordei.

— Desde quando estava com Jungkook? Soube que ele cortou o lance entre vocês. Imagino que deva estar triste com isso.

Empertigou-se assim que eu disse, tornando o olhar para frente.

— Estou bem. Aliás, nós só estávamos evitando o inevitável. — Inspirou fundo. — Respondendo sua pergunta. Eu e Jungkook estávamos ficando desde o ano retrasado, acho que um tempo depois dele terminar com a Jennie. Era algo bem casual. Foi oque combinamos, e o que deu certo no começo.

— No começo?

— É. Até eu começar a nutrir sentimentos por ele. — Senti uma pontada de pena por ela. — Sinceramente, eu gostaria que isso nunca tivesse acontecido. Era impossível viver aquilo sem sentir nada romântico. Era perfeito. — Lalisa olhou para o céu alaranjado, que se preparava para se pôr. A mulher sorriu e continuou: — Em minha defesa, eu só comecei a gostar dele de verdade esse ano. Bem quando você apareceu.

Uma culpa pesou sobre mim — uma que talvez nem fosse minha, ou fosse. Eu tinha sido a mais prejudicada daquela situação? Será que era eu a intrusa? Eu tinha sido a culpada?

Engoli em seco, tentando fazer o desconforto repentino ir embora.

— Sinto muito pelo que aconteceu.

— Ah, eu que sinto! — pigarreou — Eu percebi quando vocês estavam se aproximando, e fui uma escrota. Para piorar, ainda me submeti a ser segunda opção. — Ela riu timidamente.

Suas palavras soavam pesadas mesmo que ela tentasse trazer leveza a elas. Sentir-me uma segunda vítima, ou uma antagonista de sua história com Jungkook, nunca quis que fosse assim para ela. Nem para nenhuma de nós.

Pelo santo universo... eu me sentia mal por ela.

Lisa continuou a dizer, tentando parecer forte, mesmo com sua voz embargada entregando a mentira.

— Ele contava sobre você. Falava sobre sua voz e sua gentileza. Como sua amiga... digo... ex-amiga, eu sabia que era a mais pura verdade. Você é gentil, talentosa e outras milhares de coisas — encarou-me com um sorriso gentil no rosto. — No fundo eu entendia que ele gostava de você. Sabia que nada mais podia ser feito.

— Lisa, Jungkook fez alguma coisa com você? Te traiu? Brincou com seus sentimentos? Eu juro que se ele...

Ela negou com um sorriso, me acalmando.

— Júlia, em momento algum, ele agiu de má forma. —  Virou o rosto para o outro lado baixando o tom de voz. — Eu implorei para ele ficar comigo de verdade. Talvez seja culpa minha vocês não terem feito um casal. Ele sentia pena de mim. Por isso estava comigo. — Lalisa pôs uma mecha de seus fios escuros para trás da orelha. — Você sabe como é ver a pessoa que você gosta, olhar com desejo e carinho para sua própria amiga?

— Lisa... — tentei dizer alguma coisa, mas nada saiu.

— Sinto muito pelo que fiz a você. Desrespeitei você e seus amigos, e levei a pessoa que eu gosto a me odiar. Vai por mim... eu sinto muito por isso.

Olhei para frente sem dizer mais nada. Senti que naquele momento era o momento de ficar calada, então fiquei, pois, sabia que independente do que eu fizesse ou falasse, nada mais podia ser feito para mudar o passado.

No fim, era só mais uma certeza.

Não havia vilão na história, só havia pessoas quebradas tentando consertar suas confusões.

Poderia — com certeza — ter algo melhor que, presenciar meu guitarrista flertando com uma morena de cabelos longo, na primeira fileira do palco.

Eles não poderiam fazer aquilo outra hora? Tinha que ser justo na minha hora de cantar?

A mulher era bonita pra caramba e, olhava para Jimin com uma cara de possessão quase tão imensurável quanto à vontade que eu tinha de jogar o microfone na cara dele. A desconhecida, que até então não se dera o trabalho de se apresentar, estava sentada na primeira cadeira, bem na minha frente no palco — mas não olhava para mim.

Todos pareciam evitar as piscadelas, e as mordidas que ela mandava para Jimin, mas eu não aguentava mais ver aquela cena perturbadora. Era como se eu visse um curta metragem de vergonha alheia.

— ...i've wasted my nights, you turned out the lights, now i'm paralyzed. Still stuck in that time — Cantei, revirando os olhos, quando ela pôs o dedo indicador entre os dentes.

Era uma e meia da manhã, e só tinha eu, Tae, Jungkook, e Jimin por lá. Nada deveria me incomodar mais que aquela música, mas adivinha? Algo superou a música repetitiva na minha cabeça.

O simples e incômodo olhar que Jimin lançava para a mulher, dava-me a entender que, se ficassem mais algum tempo naquela, o guitarrista arrancaria a camiseta e começaria um strip-tease no palco.

Bom, seria sexy? Sim. Talvez. Mas só de imaginar como seria constrangedor ver aquela cena ao vivo, um arrepio percorreu meu corpo.

Tentei prestar a atenção puramente no que estava fazendo, mas conseguia ser mais difícil ainda quando tentava evitar. Minha cara estava queimando, e minha garganta só faltava soltar fogo. O sentimento era parecido com vergonha, irritação e outra coisa que não sabia o nome?

Eles deviam se conhecer. Nenhuma pessoa olharia para ele daquele jeito se não o conhecesse. Será que eles eram amigos... coloridos?

Esquece isso, Júlia! Foca! — pensei, balançando a cabeça minimamente.

Where have the times gone? Baby, it's all wrong, where are the plans we made for two? — a desconhecida piscou para Jimin, e seguindo todos os meus instintos de raiva desconhecida, parei de cantar, batendo o microfone na coxa direita, causando um som estridente nas caixas de som.

Para quem mais seria aquela piscada? Para mim? Melhor se fosse.

— Júlia! — reclamou Tae, parando de tocar o baixo.

— Olha, não dá para fazer isso com ela nos encarando daquele jeito! —  Enfatizei o ela, sussurrando.

Não seria besta em dizer que ela estava encarando Jimin, eles não eram cegos a nível de não perceber. Mas, enfatizar esse fato, só causaria em suas mentes infantis uma teoria de que, eu estivesse com ciúmes dele — o que com toda a absoluta certeza, eu não estava.

— Não acredito — murmurou Jimin, revirando os olhos quando o olhei feio. — Vai fazer o que agora? Vai mandar ela embora para a princesa cantar? — O loiro me encarou feio, soltando aquele veneno de sempre. — Tá ligada que vai cantar em um show, né? Uma pessoa não deveria te deixar com medo.

— Com medo? — soltei indignada. — Você sabe que só é permitido telespectadores durante o show. E também parece que ela não está interessada na música.

Medo? Eu não estava com medo. Estava puta. Indignada. Mas com medo? Não. Isso não.

— E o que isso tem a ver com o ensaio?

"Ah! Me desculpa atrapalhar sua transa telepática com a miss jeju. Eu só estava tentando me concentrar no meu ensaio!" — eu diria isso se tivesse coragem suficiente.

— Se tão interessado em se exibir para ela, faça isso depois do meu ensaio. Você teve tempo o suficiente antes para fazer isso, e quer fazer justo agora? — Soltei as palavras com toda a raiva que sentia. — Não sou obrigada a ver vocês dois se comerem com os olhos!

— Eita! — ouvi Taehyung rir, atrás de mim. — Vai deixar Jimin?

Aquilo era por todos os momentos que ele havia agido de forma arrogante comigo, e iria piorar se ele falasse mais alguma coisa. Eu já estava indo ao meu limite com aquela palhaçada.

Jimin olhou feio para o amigo, contraindo o maxilar, e depois, olhou-me sorrindo como o libertino que era.

— Ótimo. Agora que acabou com o seu showzinho, eu vou dar o meu. Exclusivamente para ela. — Jimin sorriu ladino para mim, enquanto retirava a guitarra do ombro.

Os meninos riram atrás de mim, mas pareciam não entender o peso maléfico que ele soltara para mim, provocando todos os meus sentidos. E era isso que ele fazia, provocava até o último fio de sossego que me restava.

— Que safado! — O baixista disse, enquanto ria com Jungkook. — Ele gostou dessa.

Jimin desceu do palco em um pulo, indo de encontro a morena charmosa. Antes de ir com a mulher, Jimin ainda fez questão de sair, deixando um beijo no dedo do meio e mandando para mim.

— Tomara que broxe! — soltei alto o suficiente, para os meninos atrás de mim caírem na gargalhada.

Meu ensaio havia sido arruinado por Park Jimin e seu temperamento confuso. Se eu tivesse de fato aprendido algo nesses meses de psicologia, provavelmente não estaria passando por esses perrengues para compreendê-lo. E ainda tinha Jungkook, que por deus, não parava de tentar se aproximar de mim, sem parecer "invasivo". Qualquer coisa que Jungkook tentasse fazer àquela altura do campeonato, era invasivo.

Eu ainda não sabia como me sentia a respeito da aproximação do J.K. Sabia que era amigável, e muito dedicado de sua parte, mas eu simplesmente não conseguia ter a mesma desenvoltura para conversas, não depois do nosso afastamento. Era mentira dizer que ele não estava se esforçando, quando eu mesma negava todas as suas investidas.

Quando cheguei no quarto, encontrei minhas amigas já no quarto, ambas conversando. Tomei um banho quente e pus uma roupa confortável antes de juntar a elas no grande colchão.

— Com certeza há mais coisas a acrescentar quando um cara está afim de você, por exemplo — começou Rosé, deitada de bruços, entre Jennie e eu. — Quando o cara em específico tem uma medusa tatuada na mão esquerda, e toca guitarra...

Seu tom de voz foi descendo gradativamente, quanto eu a encarei feio.

— Perguntei uma coisa sobre os homens em geral, não sobre o Jimin. Ele eu tenho certeza que não está afim de mim.

Tinha concluído aquilo no ensaio.

— Sério? — questionou Jennie, franzindo a testa e olhando para Rosé, indignada. — Você acha mesmo isso?

— Vocês nem ao menos viram o que ele me fez passar hoje! — rebati. — Eu não duvido que ele esteja afim de mim. Eu tenho certeza.

Roseanne revirou os olhos.

— Não é porque um cara está pegando outra que signifique que ele não gosta de você. — Fiz uma cara feia para Jennie. — É sério. Os caras não agem como se fossem Príncipe Encantado. Eles agem na base do "Se você não quer, tem quem queira" — Jennie finalizou. —  Não é porque sou amiga dele, que vou passar pano. O Jimin é exatamente assim.

Semicerrei os olhos, olhando para as duas deitadas.

— Como ela falou: "Se você não quer, tem quem queira" — Ressaltou a loirinha, rindo de mim.

Depois do que tinha acontecido, eu não conseguia pensar na possibilidade de ele estar afim de mim. O guitarrista tinha voltado a agir como um completo idiota, e agora falava menos que o normal comigo.

Não. Ele não estava afim de mim. E suas ações provaram isso.

Fiquei calada, pois, nada que eu dissesse sobre faria diferença.

Jennie levantou-se e foi para o canto do quarto, voltando com uma sacola branca bem grande.

— Acho bom você desfazer essa cara de paisagem e ver o que a Jessi mandou pra você.

Para mim? Da... da Jessi?

Sentei-me rapidamente na cama, retirando as duas caixas brancas texturizadas de couro, com lindos detalhes dourados na logo. Apressei-me em abrir a primeira caixa, e lá tinha lindos acessórios prateados, de alta qualidade.

Jennie ficou surpresa.

Abrindo a outra caixa, maior que a primeira, vi um lindo vestido preto dobrado com muito cuidado. Eu queria gritar de alegria. Então, a primeira coisa que fiz foi me levantar para vestir.

— Olha esses recortes! — Rosé cobriu a boca vindo me ajudar.

Tinha tantos recortes que, foi difícil saber onde exatamente era o lugar de pôr a cabeça. Roseanne, a experiente, ajudou-me a vesti-lo sem estragá-lo de primeira — eu morreria se fizesse isso.

O vestido era justo e curto, tinha manga longa e gola alta, mas o diferencial era os recortes do busto e das mangas, com um pedaço de tecido que prendia na perna direita.

Era o vestido mais lindo que eu já usara. Mas não sabia se fazia jus a mim.

— Eu pegava! — falou Jennie sorrindo ladino.

— Toma vergonha na cara, Jennie Kim! — Rosé logo rebateu, e nós rimos.

Durante o café da manhã do dia seguinte, Jessi carinhosamente nos levou para um dia de Spa, só entre as garotas. Eu mal consegui agradecer a ela pelo presente, e toda vez que tentava, ela magicamente mudava de assunto — parecendo irmão.

Os outros foram conferir se estava tudo certo para o show, disseram a Jessi que ficariam em um hotel, para se arrumarem, já que a Academia ficava um pouco longe.

Jessi contou que Jimin havia planejado um pós-show na mansão, mais especificamente no seu quintal — ao ar livre —, com tudo que tinha direito. Foi uma decisão de última hora, que Jessi ficou arrependida de aceitar — ela fez questão de enfatizar.

Fiquei feliz em saber que a festa seria perto da praia, assim eu poderia fugir para lá quando me cansasse de socializar.

Então, já que tudo naquele dia estava propício a mudanças, eu fiz a minha. Mudei o cabelo. E já adianto que não foi nada muito revolucionário. Um corte aqui, uma tintura ali...

— Não ficou tão curto. — Jessi sorriu, olhando para o meu reflexo no espelho. — Esse tom de mel combinou muito com você!

As três mulheres, já arrumadas, encaravam-me com a expressão atônita — a mesma que eu tive quando me olhei para o espelho.

— Eu estou...

— Perfeita! — Completou as três em um uníssono.

A mudança repentina de cabelo realmente tinha me dado um up. Como se o pedaço de cabelo que eu tivesse cortado, fosse também um peso arrancado das minhas costas. Uma terapia não indicada.

Não queria chorar na frente delas, mas eu quase chorei.

Sorri para meu próprio reflexo, admirando meu cabelo preso em um meio rabo de cavalo e, descendo um pouco mais pelo meu corpo, admirei as tatuagens falsas nas minhas pernas com o coturno preto de costume.

Eu mal conseguia acreditar que aquela era eu.

— Puta que pariu! — Tae segurou minha mão, virando-me para conferir. — Tá gatona, hein! Só perde para uma pessoa... — o moreno soltou minha mão, puxando Rosé pela cintura. — Minha namorada está mais! — Taehyung selou seus lábios ao de minha amiga rapidamente, me deixando boquiaberta.

Namorada? Olhei para Jennie, que estava com os braços cruzados e a sobrancelha erguida, em uma silenciosa advertência.

— Não tô vendo nada no dedo dela, Mr. Lindo? — soltou Jennie, e como eu imaginava, Taehyung brincou, distribuindo vários beijos no rosto de Rosé. — Podem deixar o acasalamento para depois? Estamos em público!                 

Gargalhei com Taehyung e Rosé, deixando Jennie irritada.

Minhas duas amigas estavam deslumbrantes, como sempre costumavam estar. Jennie preferiu usar um macacão longo, preto e justo, com algumas transparências localizadas, que deixavam o seu look sexy e impactante, ainda mais com a bota vermelha envernizada que ia até o início de sua coxa. Rosé, tinha escolhido um vestido preto longo e solto de tule, acompanhado por um all star branco Ambas encantadoras.

— Eu ouvi "namoro"? — Jungkook aproximou-se de mim, abraçando-me rapidamente. — Nossa, você tá uma... — encarou-me de cima a baixo. — Não tenho palavras.

Sei...

Sorri em agradecimento, mas só conseguia pensar em uma coisa. Onde ele estava? Como ele estava?

— Onde estão os outros? Aqui está tão cheio.

— Eles estão atrás das cortinas. Vão sair daqui a pouco, quando o sol se pôr por completo. — Respondeu Jungkook, fitava meu rosto com tanta intensidade que, senti minha vitalidade ser sugada aos poucos.

O baterista estava muito bem arrumado, jaqueta preta, blusa branca por baixo e uma jeans clara. Parecia ter sido puxado de um filme dos anos noventa. Até o cabelo estava lambido para trás, exibindo a testa e o piercing da sobrancelha. Lembrei-me de quando era apaixonadinha por ele, com certeza, a Júlia de antes teria tremido ao vê-lo chegar.

Para desviar do olhar, fiquei na ponta dos pés, buscando qualquer rosto familiar, atrás do corpo grande do baterista. Mas nada havia roubado a minha atenção dos longos cabelos escuros e esvoaçantes, da mulher sentada na primeira fileira do palco. Sim, ela tinha voltado.

Inspirei fundo, voltando a baixar meus calcanhares, virando o rosto para Jennie, que rapidamente, olhou para o mesmo lugar. Os outros três fizeram o mesmo, já que Jennie, minha amiga, não era tão boa em disfarçar o interesse na mulher.

— É aquela? — perguntou a morena, e eu fechei os olhos com força envergonhada. — Muito bonita!

Como se eu já não tivesse notado...

— Estão falando da foguinho? — perguntou Taehyung, despertando até o interesse de sua namorada. — A Soyeon é a garota que o Jimin tá saindo. Ela é muito gente boa.

Tae olhou para Jungkook buscando algum tipo de ajuda, já que nós três parecíamos as três espiãs demais, preste a interrogá-lo.

— É verdade. A ela é legal e cheia de atitude, aposto que vocês vão gostar dela. Passou o dia inteiro com a gente hoje.

Rosé franziu o cenho, e tive a impressão de ver Taehyung estremecer. O cacheado, virou o rosto para Jungkook, o encarando sério.

Um silêncio constrangedor pairou no ar, enquanto eu chutava algumas pedrinhas no chão, a fim de esquecer a frase que martelava na minha cabeça. "A garota que o Jimin tá saindo"

— Mas... — O baterista voltou-se a mim. — Você deve estar feliz, né? — pigarreou ele, arrumando a postura. — Quero dizer... o Jimin me contou que você o dispensou por ser um idiota...

Dispensou? — perguntou os outros em um uníssono, com os olhos arregalados.

Quis entrar num buraco sem fundo. Dispensei? Ótima desculpa.

Os três não precisaram falar para eu entender a confusão e desapontamento que sentiam por mim. Bom, se aquele sorriso de Jennie Kim significasse mesmo desapontamento, eu ficaria assustada. Aterrorizada na verdade.

— Antes que comecem a me julgar... — Tentei me defender, mas Jennie me interrompeu.

— Julgar? Garota! por que não contou essa maravilhosidade para nós? — A morena sorriu, passando o braço pelo meu pescoço. — E por que dispensou ele? Jimin só finge ser um idiota, mas não é. Não totalmente.

Olhei para Jeon, que engoliu em seco, parecendo desconfortável. Senti uma pontada de pena por vê-lo daquele jeito, sabendo de seus sentimentos. Mas, honestamente, uma parte de mim lá no fundo, não ligava.

Alguns minutos antes do palco abrir, Jungkook e Taehyung tiveram que subir, para serem entrevistados pelo jornal local de Jeju, junto aos outros administradores do projeto.

E como o previsto, o palco abriu às sete horas da noite, tocando primeiramente as bandas da Academia. Encontrei os outros na multidão, Namjoon, Hoseok e Yoongi estavam lindos, vestidos de preto. Se juntássemos todos os membros do nosso projeto naquela noite, seríamos comparados aos cavalheiros do apocalipse — ou aos Homens de preto.

Às oito e meia, o Bangtan entrou no palco, e eu quase chorei por lugares impossíveis.

O guitarrista usava uma calça preta de alfaiataria com um cinto, e uma camisa de botões listrada — por dentro da calça —, exibindo um pouco de seu peitoral tatuado e seus cordões prateados.

— Como ele consegue ser tão gostoso? — murmurei baixo, vendo-o arrumar os fios loiros para trás, com a guitarra suspensa no ombro.

Subiu um calor imensurável no meu corpo. Suas tatuagens, seu cabelo e todo o resto, causava aquilo em mim. Comecei a pensar que poderia estar delirando, ou passando mal. Bebi tanta água que, fui ao banheiro umas três vezes, e, aquilo não passava.

Jimin não tinha me visto, fiquei encarregada de me esconder pelos cantos, para ofuscar a minha nova aparência, e mesmo assim, não adiantava. As pessoas ao redor me encaravam como se eu fosse uma espécie rara de um pássaro, um pavão ou sei lá, uma avestruz? Quanto mais eu queria me afastar, me esconder, mais as pessoas pareciam abrir uma roda ao meu redor. Podia ser coisa da minha cabeça? Podia. E era.

O nervosismo tomou conta de mim, até Jessi segurar a minha mão, alguns minutos antes da minha música começar.

— Não tenha medo de nada. Nós estaremos com você! — A mais velha me abraçou com um carinho aconchegante, que quase não quis sair de seus braços. — Agora vá!

Era a hora.

Respirei fundo, e subi ao palco sentindo todos os olhares sobre mim. Direcionei meu rosto na direção de Jimin, que por acaso, estendia seu microfone para mim, encarando-me de cima a baixo. Assumi uma postura que nunca tive na minha vida, tomando o microfone de sua mão, com um sorriso preguiçoso.

Essa é a animação de Jeju? — perguntei no microfone, recebendo os gritos ensurdecedores. Mesmo assim, tornei a brincar: — É SÓ ISSO MESMO?

A plateia gritou mais alto que antes, e eu tive que rir, assumindo a minha postura de estrela. Estrela da última música.

— Tem como parar de encará-los assim? — Olhei para Jessi, sentada ao meu lado, numa mesa de bambu linda. — Seja discreta.

Respirei fundo, apertando os olhos com força, à medida que imaginava logo o fim daquela agonia.

Tinha bebido dois copos de caipirinha inteiros, desde que prendi os olhos nos dois pombinhos, que estavam apoiados no balcão do bar. Naquele momento, a única coisa que passava na minha cabeça, era terminar. Terminar com aquele acordo ridículo e nunca mais ter que falar com ele. Nem olhar para ele.

Peguei dois copos de tequila da bandeja do garçom, bebendo uma de cada vez, como se fosse água. O que era o álcool comparado a raiva que eu estava sentindo?

Assim que saímos do palco, depois do nosso show, tomei coragem para chamar Park Jimin — com o intuito de finalmente terminar com aquela mentira —, mas fui totalmente ignorada. Ignorada na cara dura, quando Soyeon, a bonitona, tomou Jimin em um abraço caloroso, enquanto ele me encarava.

Ele podia ter contado logo qual era a merda que tinha acontecido para agir daquela forma comigo, mas não queria. Eu conseguia ver aquilo em seus olhos. Jimin estava com raiva.

Rosé, arrumou o vestido, olhou em direção ao balcão do bar e riu, dizendo:

— Por acaso está com ciúmes?

— Ciúmes? — gargalhei forçadamente. — Nunca.

— Então por que está agindo assim? — Perguntou Jessica, cruzando os braços, com um ar curioso em seu rosto bonito. — Está soltando fumaça pelo nariz.

As três riram e eu, maldosamente, fingi uma gargalhada.

— Para a informação de vocês, eu não estou com ciúmes — apontei para o balcão sem olhar, direcionando meu rosto a Jessi. — Não viu com ele está agindo comigo? Pelo santo universo! — bati com a palma na mesa, vendo-as arregalarem os olhos. — Como vocês não conseguem ver?

O volume da música aumentou e a luz do local ficou baixa em um azul neon. Aproveitando a baixa iluminação, forcei-me a encará-los novamente, e dessa vez estavam piores que antes. Jimin falava alguma coisa no ouvido de Soyeon, enquanto segurava na outra mão sua bebida.

Engoli em seco, voltando-me a elas.

— Acho que ele levou a sério "tem quem queira" — Jennie brincou levando sua bebida à boca. Senti a piada ácida na alma, quando notei seu sorriso maquiavélico.

Por que eu estava tão furiosa? Por que eu estava tão fora de mim? Eu não devia... não podia deixar uma coisa tão insignificante acabar com o resto de paz que eu tinha. Mas aquilo que eu vivia antes de tudo, era mesmo paz? Era o que eu queria? Voltar no tempo?

Lembrei imediatamente: Queria me livrar dele.

Com cuidado, levantei-me da cadeira.

— Vai aonde? — O tom suave de Rosé saiu com um de um grilo em meio a música alta.

Sorri, apontando para o bar e Jessi riu, mexendo a mão — me expulsando.

"Tente parecer natural. Natural." — repeti a mim mesmo enquanto andava até o balcão. Apoiei meus cotovelos na madeira escura, ouvindo as risadas de Soyeon, a alguns centímetros de mim. Uma faísca de curiosidade acendeu, fazendo-me querer bisbilhotar a conversa alheia.

Foco!

— Uma taça de gin rosa, por favor.

Pedi ao barman bonitão, tentando encarar qualquer coisa que não fosse o casal quase se comendo ao meu lado.

Eles não tinham vergonha não? Afastei-me mais deles, seja o que fosse que ele queria, eu não participaria.

— Outra taça, por favor...

Empurrei a taça até o barman, que sorriu ladino quando pisquei para ele. O cara era uma gracinha. Os cabelos ruivos dele balançavam enquanto ele preparava o drink, e seus braços, nossa... Como podiam ser tão fortes?

Encostei as costas no balcão, vendo Jimin brincar com meu juízo mais uma vez, mordendo seus lábios aparentemente macios e...

— Aqui — o garçom pôs a bebida ao meu lado, e sem tirar os olhos do guitarrista, dei um gole sedento na bebida. — Você gosta dele?

— O quê? — olhei para onde o garçom estava, limpando os copos.

— Eu vi o jeito que estava encarando — o bonitão sorriu, abaixando a cabeça rapidamente. Corei na hora. — Deveria ir, se gosta mesmo dele.

— Eu não gosto dele!

— Ele tá indo embora — o cara apontou, e como o flash, virei a cabeça.

Era verdade. Os dois estavam saindo por um caminho diferente no meio do matagal. Aquele caminho só dava a três lugares: A Praia, a Mansão e a Estrada. Preferi pensar que iam a estrada, porque só de imaginar eles dois sozinhos...

Que merda estava acontecendo comigo?

— A garrafa rosa, por favor!

O álcool ainda fazia efeito o suficiente para causar aquele sentimento em mim. Lá no fundo, sabia que só queria algo para culpar caso fizesse alguma merda.

O garçom olhou para mim, um pouco assustado.

— A garrafa de gin beefeater, senhora?

— Sim.

— Toda? Não quer apenas um drink?

Virei minha cabeça lentamente para o ruivo.

— A garrafa toda, senhor.

E adivinhe o que aconteceu depois disso? Fiz o que qualquer pessoa adulta responsável e saudável mentalmente faria: Fui caminhar na praia.

Não fazia sentido andar na praia enquanto uma festa de arromba estava acontecendo. E também, não fazia nenhum sentido eu estar irritada com uma coisa tão insignificante quanto aquela. A Jimin.

Meu coturno foi deixado no meio do caminho, só pela minha vontade de pisar na areia fofa e relaxante. A luz da lua cheia iluminando o mar, e a maresia... Eu amava aquele sentimento de paz, mas algo dentro de mim queria mais. Mais que a paz, mas que a simplicidade da solitude. Já estava cansada de não sentir nada, ou sentir tudo e não poder.

Virei a garrafa com o líquido rosa queimando minha goela.

Cada parte de mim mergulhava em um mar denso de perguntas que nunca poderiam ser respondidas. A culpa latejava em minha mente, forçando-me a lembrar da grande burrada que fizera. A grande burrada que era gostar das memórias com ele...

A brisa refrescante beijou meu rosto, espalhando meu cabelo para trás. Virei-me para o mar, o único que podia me escutar naquele momento tão confuso da minha vida.

As ondas não podiam tocar os meus pés, mas a beleza do mar e toda a sua graciosidade, tocavam minha alma quando refletia a lua. Outra coisa que eu amava.

Encarei a lua rapidamente, ainda de frente para o mar, sibilando coisas que nunca ousaria dizer a mais ninguém:

— Por que fazer isso comigo, Universo? Por que fazer meu pobre coração pedir por algo que nunca poderei ter? — e nenhuma resposta veio dos astros. Nenhuma salvação imediata. Olhei para os meus pés, agora afogados na areia. — Se não me odeia tanto, por favor, me dê um sinal. Qualquer coisa que responda isso... — toquei meu peito, a dor em meu peito me sufocou quando olhei para a lua.

Um barulho assustador surgiu atrás de mim, na mata a alguns metros de distância. Meu coração deu um pulo, enquanto corajosamente observava as folhagens escuras abrirem caminho para algo grande.

Eu deveria correr o mais rápido que podia até alcançar a mansão, ou a estrada depois do caminho de pedras, mas não. Permaneci encarando a assustadora coisa estranha que agora andava em minha direção.

— Puta que pariu! — ouvi uma voz família, e logo depois um corpo surgiu dos arbustos. — Pra quê morar numa floresta?

Era Jimin, na sua versão mais desajeitada e... encantadora.

Olhei-o de cima a baixo, enquanto ele tentava tirar com a mão desocupada, as folhas presas no seu cabelo. Sua mão direita, segurava uma garrafa semi cheia de bebida azul, da mesma marca que a minha — Beefeater. Permaneci parada, quando seu olhar encontrou o meu.

Queria dizer que o odiava. Xingar ele de todos os palavrões possíveis na terra. Mas, apenas virei a garrafa de gin, a ponto de minha goela arder em protesto.

Nada. Era isso que éramos um para o outro.  O profundo nada.

Jimin fez o mesmo, deu um grande gole na bebida azul, sem fazer nenhuma careta. Seus olhos passaram de mim para a lua, que brilhava em seu rosto, e cabelos dourados levemente acinzentados.

Lindo, pensei. Lindo e perigoso. Uma armadilha humana.

— Pode me dizer o que faz aqui? — moveu seu rosto para mim, vagarosamente.

Uma brisa fria passou, bagunçando seus fios.

— Não é da sua conta.

O loiro estalou a língua, balançando a cabeça negativamente.

— O que queria dizer? Naquela noite, na cozinha. — perguntou, e eu exibi um sorriso irônico.

— De que isso importa agora? Você já sabe a verdade.

— É. — Concordou, voltando-se à lua. — Eu ouvi tudo naquele dia... quando você escolheu ele.

Uma pontada de culpa fisgou em meu peito.

— É por isso que estava agindo daquele jeito... — não era exatamente uma pergunta.

— Eu não estava agindo de nenhum jeito.. Eu sou assim. Bom... — pigarreou. — Era assim. Antes do nosso acordo.

Seu olhar ainda estava sobre a lua, quanto ousei me aproximar dele. Pelo seu estado bagunçado, algo mais havia acontecido depois da saída com Soyeon. Um incômodo latente preencheu meu rosto quando vi uma marca de batom em seu pescoço.

Ela deveria ter o cheirado, o beijado fervorosamente e... Havia algo mais no rosto de Jimin, quando ele me encarou. Não havia resquício sequer de orgulho em seu rosto, e seus olhos diziam algo além, muito além do que eu poderia ler.

— Ela acabou com você. Veja só... — indiquei para sua camiseta totalmente aberta, ainda presa na calça.

Bebi mais um gole, com desgosto.

— Melhor se fosse. — Jimin riu soproso, virando o rosto.

Ri dessa vez, debochando de sua mentira. O beijo em seu pescoço dizia tudo. Idiota.

— O acordo acabou. Você pode felizmente me excluir de sua lista de inimigos. — disse ele novamente.

— Oh! Será um prazer fazer isso! — toquei em meu peito, e ele deixou escapar uma risada.

Meu coração se encheu de uma breve alegria. E percebi depois que estava sorrindo. Engoli em seco, voltando a mancha de batom em seu pescoço.

Jimin soltou a garrafa na areia, cruzando os braços.

— Como foi o tempo longe de mim? Imagino que maravilhoso... — empertiguei-me quando seu olhar encontrou com o meu novamente. — Agora pode aproveitar Jungkook.

Franzi o cenho, sentindo a raiva voltar com tudo. Que merda aquilo queria dizer? Aproveitar?

— Foi por isso que sugeriu o acordo? Para jogar na minha cara depois?  — Inspirei fundo, rindo de raiva. — Tentei te contar. Tentei conversar civilizadamente, mas... — Meu tom de voz se elevou. — Você fugiu de mim. Me ignorou totalmente. Ignorou a porra toda. Por que? Queria que eu corresse atrás de você, não é?

— Eu nunca faria isso — rebateu calmo.

— Ah! E espera que eu acredite? — cruzei os braços, olhando para o fundo de seus olhos. — Sugerir um acordo para provocar seu amigo, me convidar para um baile, aparecer na minha casa "Amigavelmente", e, tentar ser meu amigo, me parece coisas que você nunca faria. Coisas que o Jimin de antes, nunca teria feito.

Jimin deu um passo à frente, ficando a centímetros de mim.

— O acordo acabou. Não precisa se preocupar comigo. Vou manter toda distância possível de você — a voz dele estava baixa, diferentemente da minha segundos atrás. — Se é isso que tanto quer...

Estremeci, sentindo cada palavra penetrar o fundo da minha alma. Se era mesmo o que eu queria, por que não estava feliz? Aquela agonia em meu peito procurava algo... algo nele. Alguma coisa entre toda aquela bagunça que, de alguma forma, trazia-me uma paz indescritível. Jimin era o meu maior pecado, e por ele, eu pagava com a minha língua todos os dias, negando a ardente desejo que percorria meu corpo quando o via.

A resposta era clara. Ensurdecedora, como o agudo de sua guitarra. O palpitar em meu peito era só mais uma confirmação.

— Não tenho o que eu quero — falei, dando mais um passo.

Senti sua respiração em meu rosto, e automaticamente, meus olhos fitaram seus lábios cheios e rosados quando os umedeceu, de um jeito estranhamente erótico.

— Diga — tornei a olhar para seus olhos brilhantes, direcionadas para mim. — Diga logo o que quer.

O álcool estava fraco em seu hálito, mas era possível distinguir o sabor doce de Blueberry, que se misturava com o cheiro marcante de seu perfume.

Puxei os três cordões em seu pescoço, selando nossos lábios rapidamente.

— O que foi isso? — perguntou ele, quando afastei minha cabeça um pouco para trás, chocada com meu impulso burro.

Toquei meus lábios, me dando conta da besteira que tinha feito.

— Eu não deveria ter... — Murmurei, mas ele pareceu escutar.

Um sorriso brotou no canto de sua boca, provocando-me ainda mais. Jimin provavelmente caçoaria de mim até o fim dos tempos. Será que ele ouvia meu coração bater descontroladamente? Eu esperava que não. Isso seria mais uma coisa para ele zoar com a minha cara depois.

— Verdade. Você não deveria.

Seu sorriso ladino desapareceu quando fitou meus lábios.

Não. Eu não aguentaria nem mais um instante com aquela agonia me torturando. Então, fiz a única coisa que a Júlia de antes, não faria

Beijei Park Jimin. De verdade.

Nossos lábios se moviam gentilmente, cheios de um desejo incalculável. O sabor em sua boca misturou-se com o cítrico de morango da minha, resultando em um sabor diferente, tão gostoso quanto.

Sua mão direita tocou minha nuca, gentilmente, enquanto a outra, puxou meu corpo para si, com uma força calculada. Queria provar aquele momento devagar, pois, eu tinha desejado aquilo secretamente, com todas as forças.

Agora, meu corpo estava contra o seu, sentindo seu peitoral quente e forte. Toquei seu peito, deixando minha mão passear até seu pescoço, e depois, até sua nuca, onde seus fios novos e lisos, eram sedosos e macios como veludo.

Ah! Eu tinha desejado tanto aquilo no profundo do meu ser. Tinha reprimido tanto que, não aguentaria mais nenhum minuto sem senti-lo perto de mim... sem sentir aquele calor. Aquela paz.

Sua língua brincava com a minha, de um jeito lento e saboroso, desfrutando o cada segundo. O que eram minhas experiências comparadas àquilo? Nada. Aquele beijo reduziu todos os outros a pó.

Aquelas mãos tatuadas estavam em mim, as mesmas que traziam melodia, agora, traziam o meu mais profundo e negando desejo à tona. Eu era como manteiga em seus braços, rendida a quaisquer que fosse suas ideias libidinosas.

Eu não queria negar aquele sentimento novamente. Não, com ele.

Minha mão esquerda subiu ao seu rosto, e então, afastei-me retomando o ar. Nós dois, inebriados com um beijo alcoólico, cheio de luxúria.

Ele ficou lindo ofegante, ainda mais com os lábios rubros e inchados depois de um beijo. Queria minha boca na sua de novo, mas preferi admirá-lo mais um pouco, a fim de nunca esquecer aquela expressão erótica em seu rosto.

Toquei seu rosto, sentindo pela primeira vez a textura macia de sua pele, e depois, toquei sua boca, sentindo o calor ofegante bater em meu polegar dela.

Nenhuma palavra dita. Nenhuma palavra capaz de descrever aqueles minutos.

O nariz de Jimin tocou o meu, numa carícia sutil quando encostou a testa na minha.

—  Desculpa... — sussurrei.

Ele me olhou, gentilmente, acariciando minha bochecha. O brilho puro e intenso do luar, refletia em seus olhos escuros, como uma melodia suave e inaudível, que só eu me lembraria.

O loiro exibiu um breve sorriso e olhou para a lua, como se confessasse algo, no íntimo de seu ser.

— Eu sei... Não podemos.

Sua voz saiu baixa, e sem mais demora, ele desviou o olhar para a mansão iluminada, afogando as mãos nos bolsos. Com um simples aceno de cabeça, Jimin despediu-se, começando a andar.

Aqueles olhos brilhantes não sairiam da minha memória por um longo tempo, muito menos o sabor de seu beijo.

O acordo tinha chegado ao fim, mas nós...

Nós estávamos apenas no começo.

Vestido da Júlia:

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