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Nick Carter #11

Atendendo ao pedido da querida ydaniiellaa. Já estava mais que na hora! Fiquem com essa imagine super fofinha e pra aquecer o coração com nosso loirinho favorito. ♡

~All I have to give.

Era festa no imenso palácio do rei Calfrey. Vários convidados dos reinos vizinhos vieram celebrar o casamento da princesa Sara, filha mais velha do rei. Havia por todos os lados do salão de festas, damas e cavaleiros da mais honrosa linhagem real, senhores feudais próximos do rei, reis, rainhas e adoráveis príncipes e princesas que desde o berço conheciam a pomposidade e as festividades abastadas. Todos batiam palmas para os músicos que se apresentavam lindamente no centro do salão.

A rainha Lilith ao olhar pelos cantos e não perceber uma certa admirável figura no ambiente, voltou-se para sua criada.

– Onde está S/N? 

A sua criada braço direito, pareceu confusa e olhou ao redor da mesma forma que a rainha.

– Achei que ela estivesse aqui, senhora.

– Vá chamá-la agora.

Dito isso, a mulher se foi. Rápida como poeira.

Ao chegar no quarto da moçoila e bater delicadamente à porta, a mulher adentrou e viu a figura da mais jovem e adorável princesa daquela região, sentada sobre o batente da janela de vidro. Olhando para fora com melancolia e beleza.

Sem dúvida ela fazia justiça a tudo que diziam sobre sua aparência. Era uma jovem formidável, o rosto delicado que mantinha todos os pintores de seus retratos hipnotizados por aqueles traços maviosos, minutos antes de serem capazes de retratar uma modelo tão angelical em suas telas. 

– Bom dia, Adelaide. – A doce voz de tal criatura ressoou.

– Bom dia, minha princesa. – A dama Adelaide fez curta reverência. – Perdoe-me a indiscrição, mas por que ainda não se dirigiu a festa de casamento da sua estimada irmã? 

A princesa S/N devolveu com um sutil suspiro. Ainda fitava a paisagem lá fora.

– Indisposta. – Era sempre daquela resposta que fazia uso quando não saía para festas ou cerimônias.

Adelaide fechou a porta, caminhou até onde a princesa estava e tomou lugar ao seu lado. Observou com a moça as casas além do muro que cercava o castelo. 

Depois se pôs a observá-la.

– Você não me parece doente. – Adelaide pontuou – Nem desarrumada. Me parece perfeita para dar pelo menos uma voltinha pelo salão ou quem sabe…– Ela se aproximou do ouvido de S/N – Dançar com alguns príncipes.

S/N riu. Mas o riso logo se desmanchou.

– Nada disso me empolga mais. – Ela devolveu um olhar para Adelaide que traduzia bem suas emoções: decepção. – É tudo muito monótono. As pessoas conversam os mesmos assuntos, se vestem com as mesmas roupas. E nem papai nem Cláudia me deixam fazer nada diferente, como… uma dança nova. Ou piadas novas.

A pobre moça era só desânimo.

– É pra isso que existem os bobos da corte, não? Aquele que inclusive é seu amigo, vai chegar daqui a pouco para alegrar um pouco mais os convidados.

– Nick vai estar  aí? – Como um relâmpago, o olhar da menina brilhou e ela rapidamente virou não só o rosto mas o corpo todo para ouvir Adelaide responder àquela deliciosa pergunta.

Adelaide sorriu, travessa. Aquela reação não era surpresa.

– Vai, vai sim. Você gosta dele mesmo não é? 

– Sim. – Respondeu com um tímido sorriso e desamassando a saia de seu vestido. – Perdoe a minha sinceridade, Adelaide, mas Nick é o único que me faz sorrir aqui neste castelo.

Além disso, a princesa guardava um grande segredo do qual apenas Nick tinha conhecimento.

Dito isso, a princesa S/N pareceu ter ganhado novo ar para respirar. Ela com um salto se levantou e buscou trazer mais adornos a sua aparência, que já estava majestosa e singular, mas ela parecia querer levar a outro patamar apenas para ver o nobre mancebo, Nick Carter.

O nobre de quem acabamos de falar, Nickolas Carter, no entanto, não possuía nada de nobre em sua linhagem. Era um humilde Filho de um casal de costureiros do sul do reino mas que fazia muito sucesso dançando, cantando trovas e contando piadas nas ruas de seu condado. Quando seu pai faleceu, a mãe o enviou para o rei para ver O talento do filho e quem sabe deixá-lo trabalhar no seu castelo, já que estavam tendo dificuldades para se sustentar. O resultado é que Nick conseguiu impressionar não só o rei como toda a sua corte em poucos minutos, por ser uma bagagem de entretenimento.

Apesar da sua humilde origem, Nick tinha um coração mais real do que muitos príncipes do salão. O rapaz loiro de traços altamente joviais e olhos límpidos como a água da fonte do pátio real honrava cada mulher por quem passava e jamais fazia piadas ofensivas a alguma delas. Carter também sabia cumprimentar a todos com respeito e educação, não importando qual fosse sua classe e mais do que tudo, jamais respondia às múltiplas zombarias que lhe faziam – E eram muitas. Seu coração era de ouro puro. A fortuna mais inestimável que trazia.

Nick guardava um segredo de todos: Era completamente entregue ao coração de S/N.

O rapaz apareceu no salão vestindo um short bufante cor púrpura, meias-calças listradas e ofuscantemente laranjas e um sapato curvado engraçado que fazia sucesso com as crianças, além de seu colete e do tradicional gorro com um sininho na ponta. Ele rapidamente se colocou no meio do salão, seguido de seu companheiro, Howie Dorough, vestido à mesma maneira.

– Atenção, atenção! – O rapaz erguia o braço e olhava para todas as direções. Rapidamente todos os olhares estavam capturados em sua figura. – Obrigado pela atenção. Agora podem voltar a se estufar de pão! 

Alguns riram por terem caído na malandragem. Nick sabia que quanto mais dinheiro uma pessoa tinha, mais emburrada ela ficava em perder seu tempo. Olhou para seu amigo Howie, satisfeito, que estava logo ao seu lado segurando uma caixa 

– Nick, ei Nick! – O rei, em seu imperioso trono gritou. Todos os olhares foram até ele. – Não é pra isso que eu lhe pago com os melhores restos de comida da festa. Você pode fazer melhor.

Gargalhadas soaram pelo salão.

– Oh, meu querido rei, – Nick maestralmente começou a caminhar próximo do círculo de pessoas que lhe rodeavam – Valeria a pena tentar me pagar com uma gorjeta mais caprichosa pra ver se assim, eu devolvia com uma piada bem mais jocosa. – cutucou Dorough com o braço. 

Continuou ainda seus versos satíricos:

“Mas bem, à força do hábito, tenho que saudar-te, meu bom parceiro
Será nova esta carranca 
Que está mais enrugada que mão de cavaleiro? 
Ah, já sei, não me diga mais nada
É sua filha mais velha
Que agora é casada
E não mais nela poderá mandar.
Só a caçula mesmo, com tanta aspereza
Para suportar.”

O salão explodiu em risadas. O rei, já cansado daquele deboche, jogou essa para o bobo:

– Chega de rimas, Nick Carteiro. Para não me envergonhar com suas piadas tão fracas, por que uma trova não nos faz? Agrade meus convidados.

– Com muita honra, rei da bronca.

Todos os convidados olhavam com atenção para o que o rapaz fazia agora. Ele tirava da caixa grande, com a ajuda do amigo, um banjo. Muito bonito e cor de caramelo. Foi até o trono do rei e da rainha, bem como próximo do assento dos recém-casados e ficou de frente para eles, a medida que também passeava pelas áreas vagas do salão, performando sua música: 

– Essa vai para o mais novo casal do reino. Princesa Sara e Príncipe August. 

Começou a cantar:

“Meu amor,
Quando olho nos seus olhos
Eu tenho medo do que vejo
Será possível alguém
Me amar tanto assim?
Será possível alguém 
Querer tanto bem a mim? 

Não mereço tamanho olhar divino
Eu te conto, não é pequenino
E só eu sei como é."

Os noivos se olharam, enamorados. A doce canção continuou, até o momento em que no ambiente adentrou a jovem S/N, que com sua beleza estarrecedora, roubou alguns olhares da atração.

Nick não pode deixar de notar o arroubo, e quando seus olhos encontraram os da princesa, errou uma nota por um segundo.

Depois, deu um sorriso que foi impossível não conceber. E foi impossível para S/N não devolver. Mas ele ainda estava trabalhando. No entanto, A música ganhou nova letra, conforme ele era levado por aquela emoção de ver sua musa inesperadamente.

“Que louco te encontrar assim
É por isso que eu ouvi anjos sussurarem ao pé do meu ouvido 
Era para avisar da sua chegada.
Tudo pode parar, tudo pode esperar
Menos o que eu tenho para te dizer agora...

Ele cantava como se apenas ela existisse naquele salão. E ela também, esquecera de tudo ao redor.

“Nem a rosa do jardim mais selvagem tem um cheiro mais puro que o seu
Nem as crianças da mais inocência tem o riso mais contagiante que o teu

Nem mesmo as nuvens chegam a ter beleza mais hipnotizante que a dos seus cachos
E nenhuma fada ou sereia terá tanta formosura quanto você, minha princesa."

O coração da princesa S/N disparou. Não sabia se era por tão lindas palavras, tão linda melodia ou tão acalorado olhar que sua paixão secreta lhe dirigia. Nick podia não ser um príncipe, mas era um anjo.
 
Você quer ouvir um segredo? 
Eu estou apaixonado por você
Como quem se apaixona pela vida.” 

A música termina. Nick suspira, ainda olhando para S/N sem a mínima discreteza.

De súbito, o noivo, príncipe August zarpou de sua cadeira puxando a espada e arrancando suspiros de susto de todos os convidados.

– Era na minha mulher que estava pensando quando escreveu isso, seu canalha!? Vou lhe cortar a garganta!

O bobo da corte corre rapidamente para um canto mais afastado, chegando até a derrubar o instrumento. Howie o socorre.

– N-não senhor. F-foi apenas uma canção romântica que escrevi para o momento!

O mal entendido foi reconhecido pelo noivo. Felizmente, Sara estava muito contente com a performance. Todos aplaudiram Nick Carter. 

– Howie, por favor, os entretenha por enquanto. Eu volto num minuto.

– O que você vai fazer? – ele olhou para o amigo, confuso.

– Vou falar com a dama mais linda deste reino.

~•~

S/N estava um pouco distraída conversando com os convidados atônitos com sua não-usual presença na festa, quase sentindo-se sufocada, até que ela encontra a figura do jovem moço, loiro como um raio solar, de olhos tão azuis quanto o céu de um verão pós-cruzadas e com o sorriso que brilhava mais que a coroa na fronte de seu pai.

– Nick!

Após um suspiro de alegria, ela pula nos braços do rapaz, que a gira alegremente. Tal visão não passa desapercebida pelos membros da corte e convidados, que olham com espanto.

Os dois, no entanto, estavam cada qual no seu paraíso particular: a presença um do outro.

– Onde você esteve minha princesa? – Carter pergunta, com o sininho de seu gorro ainda sacudindo pelo forte partilhar de braços.

– No quarto, como sempre, minha alegria. Já não deve se espantar se eu disser que não sinto mais ânimo por nada. – Desabafou, indo com ele para um canto menos cheio de curiosos – Às vezes, me ocorre a vontade de ser um pássaro…a voar sem rumo…apenas traçando e saboreando os ventos da liberdade.

– Mas você é livre, minha andorinha. – Nick segurou a mão dela, com pressa que se alinhava a sua preocupação diante daquele apelo – Seu coração é livre. Ninguém o escraviza senão o próprio dono.

S/N lançou para ele um olhar que mostava cuidadosamente o grau da lástima em que se encontrava; a quantidade suficiente para que ele a entendesse mas não se desesperasse.

Nick franziu as sobrancelhas de uma maneira dolorosa e triste. Apertou ainda mais a delicada mão que segurava.

– Se você quer ser livre, queria eu poder ser a gaiola que se abre espontaneamente, dando oportunidades apenas para ver-te gorjear alegre e viva pelos recantos do mundo. Mas aí – Ele continuou, recitando versos que não saiam de nenhum outro lugar além da mente e do coração inspirado – Eu teria ciúme do vento. Pois só ele poderia te acompanhar por qualquer lugar e ao fim do dia, ia rivalizar com o seu ninho, que quando você mais precisa, está lá para lhe dar o aconchego e a paz de espírito.

Ao terminar sua declaração, em lágrimas, S/N segura o rosto do menino-rapaz com a outra mão.

– Queria eu ter nascido mais do que uma errante andorinha, uma plebeia, para poder cair em teus braços sem me preocupar com a mais pífia nobreza que só me atribula. 

Ao dizer essas palavras, S/N não tem tempo de ouvir o que respondeu seu amável bobo da corte, pois avista ao longe a figura de sua madrasta chegando cada vez mais perto, com passos imperiosos e um olhar inexoravelmente mortal sobre ela. Ou seria sobre Nick? Não dava pra saber.

Mas logo a mulher se aproximou e a puxou pelo braço para longe de sua companhia. Como um lobo levando para longe da alcateia um coelho abatido

S/N não disse nada até alcançarem uma distância segura das demais pessoas.

– Quando é que você vai aprender? – A mulher de rosto sério como morte indaga – borboletas não se misturam com ratos, então pare de andar por aí com este…este…bobo da corte quando deveria estar aproveitando a companhia dos príncipes das terras vizinhas. Não é bom para você, nem sua imagem.

A menina ferozmente puxou de volta o braço para si.

Lágrimas brotavam pelas bordas de seus olhos à medida que ela fitava aquelas duas órbitas frias e efusivas de sua madrasta. Perfurava seu coração lembrar a forma amarga com que ela ponderava sobre o que chamar o pobre moço e, se contentando em não encontrar tamanha abominável palavra, apenas o nomeou com desdém: “este…este…bobo da corte”.

S/N arquejava, suas narinas dilatavam e suas lágrimas começavam a descer quente pela sua bochecha. Parecia que ela havia caído de uma sacada, mas ao invés de se sentir menos viva, ela se sentia mais vigorosa, forte e pronta para abraçar a perspectiva que lhe era apresentada: liberdade.

– Eu já não me importo com a minha imagem há muito tempo. – E dito isso, deu as costas, cerrando os dentes como nunca antes na vida e voltando ao encontro de Nick, não se importando se a mulher ia se desdenhar ou não — Não era a sua mãe mesmo. Nunca seria. S/N não queria nem lembrar da mãe neste momento, pois trazer à mente a pessoa afável e compreensiva que a mãe foi só traria mais dor pela falta que ela fazia em horas como estas.

Ela chegou perto de Nick, que não havia saído do lugar e tomou-lhe as mãos, ficando com o rosto bem próximo do rapaz para sussurrar. Ela nunca tinha chegado aquela proximidade antes. Ele cheirava a…morango fresquinho em uma bandeja de prata.

– Meu tão querido Nick, Você disse que queria ser a gaiola a me libertar?

– Sim. – Respondeu o rapaz, sem demora e total atenção.

– Que queria ser o meu vento? 

– Por Deus, claro!

– E…até mesmo o meu ninho? Para que eu tenha onde ir para casa ao fim do dia e encontrar paz de espírito?

– Até o dia de minha morte. Em mil vidas, se for possível.

ambos entrelaçaram os dedos. A sensação de pertencimento que aquele gesto tão novo e tão perigoso trazia, era difícil de conceber, a princípio, e tão fácil de gostar para sempre.

– Então – A moça respirou, olhando fundo em seus olhos – Temos que partir. Hoje mesmo.

~.~

Os dois pombinhos agora viviam os primeiros momentos de um amor reivindicado e de uma angústia mortal. Mas era justo que muito custasse o que muito valia.

Nos é cabível agora, ver qual foi a reação do rei, único parente legítimo de S/N no reino, ao ouvir da mulher que sua única filha preferia despir-se da majestade para viver entre a porquice dos plebeus. 

– Basta! Isso não deve passar de mais uma fantasia para chamar a atenção. Adelaide! Adelaide! Chame S/N imediatamente e Simon, traga aqui aquele bobinho da corte mal agradecido! Está na hora de ele me apresentar um show…-- Disse entre bastantes bufões, que era como ficava quando se encontrava agressivo.

Rapidamente o braço direito do rei fez sua mensagem ser recebida pelo ouvido do mancebo comediante e cantor:

Nick estava no meio de uma conversa cheia de sensibilidade com S/N.

– Minha única e preciosa princesa, você tem certeza que quer tomar tão arriscado e definitivo passo? – Dizia ele, tão próximo dela quanto um neonato precisa estar do seio materno, expressando a cada inverbalidade sua preocupação.

– Sim, meu Nickolas. – Afirmou a dama, com um sorriso nos lábios – Há tempos este castelo viu ser sepultada a verdadeira S/N S/S. Ela morreu junto de minha piedosa mãe. Meu pai, já não liga senão para sua cínica esposa, esta, por sua vez, faria de tudo para me ver sumida da face da terra! 

O coração de Nick se apequenou diante do relato. Não quis saber, se eles pertenceriam um ao outro, era melhor já irem se entregando:  segurou o jovial rosto da menina, e a fez se conectar instantaneamente não só ao seu olhar, mas também ao seu seguinte discurso.

– Meu anjo, meu inefável amor, por favor pare de se auto-lastimar assim. Não sabe o quanto parte meu coração ao meio! Até nisso nos completamos: a triste partida de sua mãe junto a morte de meu pai. Não há um dia que se passe sem que eu lembre dele. Te asseguro, minha andorinha: Em breve, verás a si mesma renascer.

– Eu já estou renascida com você – Ela respondeu, colocando as mãos ao redor do pescoço do rapaz. Ambos, parecendo estarem enlaçados por uma corda. A cena poderia ter culminado em um carimbar de lábios se não tivesse sido interrompida.

– Nick Carter. – O enviado do rei ressoou, finalmente parando ao lado de seu alvo. Os dois rapidamente se descolaram um do outro – Apresente-se a sua majestade, o rei Calfrey agora mesmo.

S/N sentiu um frio lhe percorrer a espinha: Decerto, a provação já estava à frente. A rainha havia contado tudo ao rei.

– Não, Nick, não vá! – Ela se precipitou diante dele. Nick se virou para ela e depois para o criado, que não sabia encará-lo senão com nojo desmedido nas expressões faciais. 

Depois, Nick virou-se totalmente para ela, enquanto se afastava para acompanhar o criado. Aquele olhar…oh! Milhões de casais ao redor do mundo precisariam de vidas para obter tamanha cumplicidade no silêncio e brevidade daquele olhar que o tão jovem casal tinha. Com ele, Nick preenchia de calma o coração de S/N como quem dizia: “Está tudo bem. Tenho tudo sob controle.”

E ela acreditou.

A caminho do trono do rei, Nick, expedito como era, rapidamente trocou um rápido diálogo com seu amigo e fiel companheiro na miséria ou no sucesso: Howard Dorough.

Howie, que entretinha alguns convidados com malabarismo, foi puxado pelo braço e só teve tempo de ouvir o seguinte murmúrio, ao pé do ouvido:

– Não tenho muito tempo. Hoje, ou ganharei nova vida ou encontrarei a morte mais fatal. Dance conforme a música. Foi uma honra servir com você, meu amigo.

Nick era mestre em passar a mais importante mensagem em poucos segundos. E neste caso, Howie também entendeu que seria a última. Seu coração se felicitava, pois sabia que o amigo tinha alcançado o que mais queria.

Ao avistar a figura do loiro, O rei sem demora se pôs de pé:

– Nick Carter! 

Todos os convidados, que antes conversavam, se silenciaram conforme o ilustre bobo da corte chegava à frente do trono.

– Majestade. – Nick se curva.

– Está na hora de chamar isso de festa. – O rei deu um sorriso áspero como a inveja. – É certo que, muitos de meus convidados aqui, não conhecem sua pessoa. O que acha de preparar uma bela trova para lhe contar sua história de vida?

O rei estava jogando sujo. Se a nobreza material pudesse andar de mãos dadas com a nobreza de coração, o rei já teria sido jogado a metros abaixo, no calabouço. Ele sabia o quanto a corte zombava de tudo e qualquer um que não viesse de um berço de outro.

Nick olhou em volta à procura de alguma Sanfona, mas ao ver seu amigo Howie já portando uma e acenando para si enquanto se chegava, ele apenas soltou o gogó:

Ah, jovem tão bom…não deixou que o nervosismo de sua alma afetasse na performance alegre da seguinte canção:

“Não Venho de muito longe 
Minha origem é vizinha, se é que posso dizer
Mas para vocês isso não importa
Pois chamam de escória tudo o que de cima não podem ver.

Filho de um camponês com uma costureira
Nasceu este palhaço, que agora vos apresenta 
Nick Carter, muito prazer!
Estou aqui e só aqui posso viver.

Ao ver meu pai fechar seus olhinhos,
Foi me dada a chance de aqui viver.
Me pergunto se do Céu ele se alegra
Ao ver todos do seu filho escarnecer
Não ligo muito para o que me falam
Pois o que falam, diz mais sobre eles
E nada sobre mim.
Desde então, vivo neste grande castelo
O que não é tão bom nem tão ruim."

Nick parou de dançar e todos do salão aplaudiram, o que soava como tendo dado errado a primeira tentativa do rei em chacota-lo.

O rei, ao terminar seus aplausos, sorriu cínico mais uma vez:

— Esqueceu de falar que vivendo neste castelo se apaixonou também por minha filha, S/N S/S.

A multidão explodiu em sussurros. Uns, engasgaram com a bebida e outros derrubaram talheres de vidro.

“O quê!?”

“Ele não se coloca no seu lugar. Não?”

“Que ingrato! A princesa nunca daria atenção a um lixo desses.”

“Pobre coitado!”

Nick, pela primeira vez em uma porção de anos trabalhando na corte, nunca se sentiu tão diminuído e tão exposto. Ele olhou ao redor com desespero e medo. Fazer bobices e soltar piadas para os outros rirem não era tão ruim quanto ver a imagem de sua bela S/N ser desvirtualizada por sua causa.

Ao olhar tanto para os arredores, seu olhar se cruzou com o de S/N. Ela, no entanto, não expressava sequer uma sombra de pânico. Seu olhar para ele era só amor e admiração, o que o encorajou a ir do chão para o céu, em segundos.

– Meu rei – Nick começou – Essa é a coisa mais óbvia que eu poderia contar. Poderia alguém vivo não se apaixonar pela doçura da cândida S/N, que mais parece ser um pedaço do paraíso para nos mostrar que vale a pena morrer e sofrer por amor? 

Algumas damas da plateia soltaram interjeições emocionadas pelo lindo comentário.

– Não! – Um cavaleiro audacioso desembainhou sua espada – Ele é um cafajeste que não soube agradecer o favor que o rei lhe prestou e quer desonrar sua amada filha! Ele deve ser punido!

O precursor daquele discurso motivou outros, e logo, todo o salão, a mais plena voz, desejava castigo para o pobre bobo da corte.

Nick continuava parado, parecendo personagem sem papel, ator sem público, máscara sem rosto, voz sem audição.

– Calma, calma meus amigos guerreiros – O rei erguia as palmas– o próprio Nick Carteiro disse que vale a pena morrer por amor…então, por que não ver até onde ele vai? 

A multidão gritou e ovacionou as palavras do rei, rapidamente indo de convidados corteses à plateia de execução.

– Pare, papai! Pare agora mesmo! – Eis que surge da multidão, a nossa princesa que tanto ocupa a alegria das almas – Se fizer qualquer mal a meu Nick, eu nunca o perdoarei, nunca! 

“como assim meu Nick?”

“Ela acabou de dizer que ele é dela?”

“Que absurdo!”

“Essa é a melhor festa de casamento que já estive!”

Mas S/N sabia que o coração do rei era duro e que não seria seu triste apelo que mudaria isso. No seu coração que antes só reinava paz agora havia também determinação sobre uma coisa: Seria capaz de morrer com seu amado.

– Alto lá, meu amor. Papai não quer fazer nada que quebre seu coração – (Mentiroso!) – Estamos apenas lançando um desafio em razão de entretenimento.

Ela não se importava mais com os olhares e chegou perto do seu amado, pegou em sua mão, fria como uma pedra de gelo, virou seu queixo para o dela…

E carimbou em seus lábios um beijo, onde cada pouco segundo parecia uma vida. Ambos os corações batiam iguais, frenéticos de medo e de coragem. Beijar assim em público era um ato de resistência que simbolizava tanto para as antigas gerações quanto para as futuras, que não existiam limites de classe para o amor. Um plebeu e uma princesa apenas queriam ser felizes juntos.

A visão trouxe fogo e sangue aos olhos do rei. E os cavaleiros enciumados, podiam ter matado o jovem neste momento.

– Tragam os tigres!

Os demais criados da corte, 7 no total, chegaram trazendo três tigres de sabre amarrados a grandes e espessas correntes de metal, para poderem controlar os três animais de tamanho colossal.

Nick não sentiu mais as pernas. Elas bambearam fora de seu controle.

S/N engoliu em seco.

– Meu pai, por Deus, o que pretende? 

O rei não falou nada até que os criados terminassem de alocar os animais no centro do salão, de frente para o nosso corajoso casal. A visão atemorizava a todos. Inclusive, vários convidados já haviam saído daquela luxuosa festa, a qual já havia se tornado um circo infame. Mas a grande maioria estava lá para saber o que iria se suceder.

– Afaste-se filhinha. O negócio aqui é entre sogro e genro…– falou em tom de escárnio – Nick Carter, atente-se para o que vou falar. Não deixarei minha filha se casar com um maltrapilho qualquer. Mas se quiser ir a frente mesmo assim, saiba que pode testar suas habilidades de luta e provar ser um grande cavaleiro.

Nick e a princesa S/N se entreolharam. A moça já estava com lágrimas nos olhos.

– Se conseguir alimentar esses raros três tigres de sabre famintos, você será promovido a cavaleiro. Só tome cuidado para não morrer. Seria uma visão traumatizante para meus convidados.

– Oh, lá se vai minha tão sonhada festa de casamento… – Reclamou Sara, de canto.

As pernas de Nick ainda balançavam muito, mas ele conseguiu dar um firme passo à frente, desvencilhando-se sutilmente dos braços de sua amada.

– Senhor meu rei, desafio aceito.

– Não, Nick! É uma armadilha! – S/N chorava. Adelaide rapidamente a tirou de cena.

Era tudo ou nada. Chegaram mais dois criados com 3 cabritos abatidos e deram a Nick para que alimentasse as três feras. Os animais babavam muito e arranhavam o chão lustroso do salão. A única coisa que os prendia eram os sete homens que seguravam as correntes que lhe eram aderidas no pescoço. As garras deles estavam livres e eram duas vezes maiores que o rosto de Nick. Era melhor ficar longe delas. 

Pobre bobo da corte, nunca havia tido nenhuma habilidade com luta. No entanto, sabia que não se deve encarar um predador faminto. Ou então ele poderá focar em você como presa. 

Nick então, conseguiu se livrar do tremular de suas pernas: dançando. E foi dançando até os animais, com suas habilidades de malabarismo, deu duas cambalhotas seguidas e assim que ficou a poucos centímetros de distância do focinho do primeiro tigre, jogou a carne para a boca dele. 

Fez a mesma coisa com o segundo, só que ao invés de se aproximar dele dando cambalhotas, foi dando saltos de balé, tão rápidos que nem mesmo as pessoas conseguiam acompalhá-lo, quanto mais os tigres já desorientados de fome. Este estava tão manso que Nick conseguiu até abrir um pouco sua boca para lá colocar o cabrito.

Por último, ele vacilou por um instante quando o terceiro tigre se armou: este Ficou de pé e rugiu e a força dos guardas quase não era suficiente para segurá-lo. Nick por um momento ficou entre o hálito do tigre e o pulsar de seu coração. Mas aproveitou que a Fera rugiu e lá jogou sua refeição, saindo correndo e tropeçando mais que depressa. Arrancando risadas dos mais sádicos.

Os convidados então começaram a aplaudir Nick Carter, que mesmo diante de um desafio tão imenso, não deixou de ser profissional e entretê-los com um número de dança e de comédia.

O barulho dos aplausos, porém, só afundavam mais ainda o rei no mar da ira. O fitava como se ele agora fosse o tigre e Nick a presa.

– Meu Nick! – S/N saiu do meio da multidão e foi dar um abraço no seu herói. No seu agora cavaleiro.

O coração dele ainda estava bombeando como se ele fosse mais de uma pessoa. E ele nunca se sentiu tão aliviado e vivo.

Ainda sim se permitiu desvelar seu invejável humor:

– O que achou do seu mais novo Sir Nick Carter? 

– Hahaha, meu Nick palhaço! Bobo ou cavaleiro, você sempre vai ter o meu coração.

E se beijaram novamente. Agora com menos gosto de medo e mais de coragem.

Vendo que o rei já havia ganhado outra cor, um vermelho sufocante, sua esposa lhe dirigiu palavra:

– Meu marido, o que houve? Está passando mal? 

Após terminar de acalmar e dar carícias a sua princesa, Nick se dirige ao rei, com o peito cheio de confiança e a boca cheia de atrevimento:

– Então, meu rei, onde está a espada que vai colocar nos meus ombros o título de cavaleiro? 

O rei vendo que todos os seus planos de varrer aquele inseto da sua vida foram em vão, pensava que podia explodir de tanto desgosto e ódio e vendo que não conseguira desembainhar sua espada para matá-lo ele mesmo, apenas bradou como urso para seus soldados:

– GUARDAS, PEGUEM-NO!

O rufar do rei irado despertou nos soldados o que parecia ser uma onde elétrica de ferocidade. Em segundos, toda a guarda do castelo presente partiu para cima de Nick Carter com suas espadas e olhares sanguinários. 

O pobre bobo da corte não teve tempo senão de pegar na mão de sua amada princesa, que reagira velozmente da mesma forma, e fugiu para a janela mais próxima. Naquele momento, a altura da queda não importava.

– ELE ESTÁ FUGINDO COM A PRINCESA! – Gritou a rainha, com as mãos sobre a boca. No fundo, satisfeita por alimentar o ódio mútuo por Carter.

Ainda tentando alcançar a janela mais próxima de seus Campos de visão, o jovem casal tropeçava e esbarrava nos convidados da elite. Não havia tempo de olhar para trás, mas se Nick o fizesse, veria seu leal amigo Howie, estirado no chão depois de ter tentado impedir o progresso dos cavaleiros utilizando um banjo como espada e terminando ferido na costela e com o instrumento partido ao meio.

Quando finalmente alcançaram o batente da janela, uma força pesada e afiada se apossava do ombro de Nick, o levantando do chão e o arrastando dali. 

– Pare de correr atrás da princesa, seu patife imundo!

E dando-lhe uma bofetada nas ventas, o cavaleiro, dono daquela fala e daquele soco, bem como da mão que o segurava, o jogou na direção dos soldados do rei, que efetivamente o pegaram nos ombros. Nick fora arrastado a poucos segundos de ter conseguindo fugir para viver a vida que sonhara, com a esposa que amava. Ao invés da nobreza de um cavaleiro, ele recebia o título de detento. Seu rosto triste, vencido e sangrando.

– Não!!! – Foi a última coisa que ouviu ser dita pela boca de sua amada S/N.

Meses se passaram desde aquela noite em que um baile real se transformou no infortúnio de duas almas. Não importava o quanto a princesa chorasse, gritasse, arrancasse as mangas de suas roupas em protesto, o rei sempre a repreendia dando cada vez mais motivos para que ela esquecesse esta paixão. A pobre moça se convencia de que era triste viver num lugar tão abastado, mas que não lhe dava qualquer liberdade de decisão.

Anos então, logo começara a passar e aos poucos, sua tristeza foi piorando, a chegar no estado em que ela não mais queria comer. Médicos de diferentes lugares do mundo vieram consultá-la, mas nenhum chegou a um diagnóstico plausível, tampouco a lhe dar medicação.

O rei, certa vez, foi visitá-la em seu leito. Não podendo conter as lágrimas ao ver sua filha tão pálida e magra, ele suplicou:

– Minha filha, meu amor, o que há com você?

– Tristeza aterradora. – Era tudo que respondia.

– Me diga, – O rei  colocava sua mão no rosto, como quando fazia quando era apenas uma menininha – Me diga o que em todo este mundo você quer. Eu lhe darei. – E já chorando, ele arfou – Lhe darei tudo que quiser! Apenas para ver sua felicidade e sua saúde.

A menina, com a voz fraca, respondeu:

– Desejo ver meu Nick Carter. 

O rei, naquela instância e devido à tanto tempo, não sabia mais de quem ela falava.

– Quem é este, minha doce menina?

– É minha alegria. – Um sorriso tomou espaço naquele rosto lívido e brando pela seriedade – Meu marido para quem me entreguei inteiramente de corpo e alma em uma única declaração. Na mesma noite em que o perdi para sempre. Ele é quem eu amava e quem tinha o delicioso poder de me fazer rir. 

O rei, vendo a filha naquele inesperadamente acesso de alegria comovente, achou que ela estava delirando e se retirou do quarto fingindo que sabia de quem ela falava. No entanto, a dúvida foi mordaz, até chegar ao ponto de perguntar a sua esposa.

– Lilith, você por acaso já ouviu falar no nome Nick Carter? 

Lilith, que passeava pelo jardim acompanhada de Adelaide, esperou alguns segundos antes de dizer:

– Não. Me soa familiar. Mas não me vem ninguém em mente.

De fato, a mente dos líderes do poder era tão ocupada e ao mesmo tempo, supérflua que não guardava nomes nem pessoas que não fossem relacionados a um interesse importante. 

Adelaide, pela Providência Divina, estava lá para arrematar, entre os arbustos:

– Majestade, esse era o seu antigo bobo da corte, cerca de 8 anos atrás. Nickolas Carter trabalhava junto do seu atual empregado Howard Dorough.

O rei ficou com o queixo caído.

– Por Deus, Adelaide! Não me recordo disso. E por onde vive este infeliz? – Disse o rei, já ganhando um coração agitado por aquela revelação.

– Senhor – Adelaide se aproximou com pesar – O Senhor  mandou que prendessem-no depois de descobrir que ele amava S/N. 

O rei caiu por terra, olhando para o céu e em seguida pondo as mãos no rosto, chorando, depois tossindo e depois fazendo cair um pranto copioso, assustando a sua rainha e a criada. 

– Por Deus, homem, o que há com você? – a rainha tremulava.

– Ó Senhor, Rei do  Céu e da Terra, perdoe este pecador! Que pecado fiz para minha única filha legítima! – Dito isso ele chorou por mais alguns segundos.

De fato, o rei estava em transe. Percebia só agora o mal que causara a sua princesa. Foi preciso que anos se passassem para que ele percebesse o peso dos acontecimentos ou quem sabe, o amolecer de seu duro coração.

– Levem-na para vê-lo imediatamente! Minha Nossa Senhora! Tomara que este pobre miserável ainda esteja vivo. 

A ordem do rei foi rapidamente atendida. Adelaide, a criada oficial da princesa, a levou sem demora para o calabouço subterrâneo do castelo. Era um lugar que membros da realeza nunca visitavam. Os prisioneiros estavam apenas na companhia dos mais carrascos soldados, que se divertiam ensaiando sua crueldade. 

Adelaide e a princesa S/N desceram as extensas escadas iluminadas apenas por tochas fixasas nas paredes frias de pedra. Conforme elas desciam, a escuridão se tornava mais iminente, assim como o frio que motivava todas as emoções necessárias para arrepiar a espinha.

– Quer me dizer agora aonde estamos indo, Adelaide? –Indagou a princesa, com a voz calma.

– Rever um velho…amigo. – Respondeu a gentil criada. – Para dizer o mínimo.

O coração de S/N logo começou a bater cheio de ânsia. Ela já sabia de quem se tratava.

Depois de informarem ao soldado a ordem do rei, ele liberou espaço e as indicou para a cela do camponês.

Aquele lugar fétido e degradante não Pertencia a Nick, não pertencia nem mesmo a um ser humano. Fácilmente dava pra ver que eles tinham que conviver com ratos e insetos. S/N estava afobada. Queria muito encontrar o seu amado, mas não sabia se o amor que ele tinha por ela a oito anos atrás se conserva aos dias de hoje.

Ela não sabia o que faria se ele não a amasse mais. 

Ela se aproximou da referida cela, com Adelaide e o soldado de cada um dos lados. Com passos decididos ela se agarrou nas barras e começou a percorrer o lugar com a vista. Não parecia haver ninguém lá. E estava muito escuro.

– Apareça. Alguém de suma importância deseja vê-lo. – O soldado irrompeu.

Nenhuma resposta. Nem mesmo do ar.

As lágrimas lentas começaram a cair do olhar ansioso da princesa, o que fez seu queixo cair. Mas não sua esperança. Ela deixou escapar, com a voz fina, como o último piar de um pássaro numa queda:

– Nick! 

Imediatamente algo começou a mexer na escuridão. Era uma mancha que logo se mostrou ser um trapo velho de cor azul marinho – Uma cor chata, que nada lembrava um bobo da corte. Ainda de costas, ela viu o indivíduo se levantar e revelar um cabelo desgrenhado, comprido na altura dos ombros – e  loiro. 

A princesa mal conseguia se manter de pé e nem piscar. O prisioneiro então se vira e corre para a barra, onde segura as mãos limpas e delicadas, apertando-as com os dedos com força e impaciência.

– Minha andorinha! -- A emoção o fez tossir compulsivamente.

Era ele. Era o toque dele. Era a voz dele. Ela então, consegue olhar-lhe pela primeira vez depois de longos tempos só podendo vê-lo apenas em sonhos: o mesmo rosto de menino sonhador de contos de fadas estava lá, como também estava lá manchas encardidas nas suas bochechas, poeiras e pequenas feridas abertas nas suas mãos. A sua boca, embora extremamente seca, ainda era convidativa para ser beijada ou para de lá esperar sair uma piada jocosa ou uma declaração de amor frutuosa. 

Seu rosto, inegavelmente mais fino, suas vestes, cheiravam a lodo e bolor, não mais o aroma redolente de Suas roupas perfumadas e adornadas com lantejoulas.

Seu olhar, embora ainda penetrante e azul cor do dia, não conseguia esconder a dor debilitate que lhe assomou nesses últimos tempos. Aquela foi a prova que a mostrava: Ele estava assim como ela, num angustiante colóquio da alma.

– Eu achei que, depois de todo esse tempo, você teria me esquecido, meu Nick, minha alegria.

– Te esquecer? – Nick puxou o ar e quase ficou tonto – Nunca que uma vez te conhecendo eu te esqueceria minha S/N! Sabendo que minha foi uma vez, não deixaria de ser jamais, nem pelo passar dos séculos, porque, como bem te falei outro dia, ninguém pode escravizar o coração senão o dono. Enquanto neste mar de aflição, eu só pensava em você minha andorinha…só em você! 

•°•°•

O casamento se sucedeu em poucos dias. tão rápido quanto a ordem da princesa S/N para que libertassem seu amado, dessem lhe roupas novas e lhe alimentassem devidamente. O coração do rei dançava de satisfação por ver sua filha tão feliz, tão viva como fora outrora. Mesmo depois de perguntá-la se não guardava nenhum ressentimento pela forma como um dia tratou seu então noivo, a moçoila risonhamente respondeu:

– Papai, como poderei ficar irada com o senhor acerca do passado se acaba de tornar meu presente um sonho vivo!?

Na hora da cerimônia, na linda catedral do reino e na ilustre presença do Papa, foi celebrado um casamento que aquela família nunca vira antes. Debaixo do canto dos pássaros, com uma paz pairando sobre cada canto, banhados por uma radiante manhã de Maio.

S/N alcançou seu pico máximo de graça e beleza com seu deslumbrante vestido de noiva com detalhes de flores e que se arrastava por onde pisava, parecendo nuvens que a seguiam. E Nick, embora mais magro, vestia um traje bordado do mais fino tecido, ombreiras de ouro e uma condecoração de cavaleiro no seu peito esquerdo. Com o cabelo liso e hidratado penteado para trás, que lhe dava totalmente o ar de príncipe real que sempre teve, mas que estava escondido pelas roupas de bobo da corte.

A maioria dos que estavam presentes no casamento da irmã mais velha, há anos atrás, também estavam lá. Inclusive, Howie, que já estava casado e era um dos padrinhos. Mas alguns não sabiam disfarçar o desdém pelo tão inusitado fato de a princesa de um dos reinos mais altivos daquelas terras se casar com um plebeu de sangue comum.

Sabendo disso, Nick já havia preparado os votos para dizer a sua noiva e que calaria todos os hipócritas. Sir Nickolas Carter (não mais Nick “Carteiro”), segurou as mãos de sua esposa com amor mas fez isso mais eximiamente através do olhar. Fixo e terno, como uma espada. Em seguida, proferiu, como sempre, sentindo cada palavra:

"Eu não sei o que já fizeram para que você chorasse
Mas agora estou aqui pra te fazer sorrir.
Eu não tenho uma carruagem lustrosa 
Para chegar até você, eu andaria um milhão de milhas.

Eu não ligo se podem te comprar um Palácio inteiro
Esses presentes pelo menos vem do coração?
Tudo que ligo, é que agora você é minha princesa
E vou fazer de tudo para que não nos separemos jamais!

Meu amor é tudo que eu tenho pra dar
Sem você, eu não acho que posso viver
Eu queria poder te dar o mundo!
Mas amor é tudo que posso te dar.”

Lágrimas quentes desciam pelo rosto desdobrado de emoção e felicidade do rosto de S/N. Todos ali que tinham um coração de carne e sangue no peito deixava as lágrimas traduzirem aquele momento no rosto. Inclusive o rei.

A trova terminava ainda, com uma promessa do que viria a ser o para sempre dos dois:

Quando você fala, parecia que eles não te escutavam?
Está tudo bem, meu amor. Apenas me conte seus problemas
E eu falei de tudo para assoprá-Los embora.

Posso não ter sangue azul
Posso ser só um garoto do sul deste reino.
Mas amor é tudo que tenho
E quero lhe dar.”

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