Chào các bạn! Vì nhiều lý do từ nay Truyen2U chính thức đổi tên là Truyen247.Pro. Mong các bạn tiếp tục ủng hộ truy cập tên miền mới này nhé! Mãi yêu... ♥

Nick Carter #1

Am I original?
Am I the only one?
Am I Sexual?

(Avisos: palavrões por parte da S/N, porque enfim, se trata de uma 'aborrescente' né).

Havia um grupinho de meninos na minha escola que falavam demais, se exibiam demais e obviamente, queriam ser demais. Não é que eu os odeie, é porque eles são muito destacados. Estão sempre nas principais atividades artísticas da escola como apresentações e acabam não dando muito espaço para quem de vez em quando, também quer apenas se sobressair.

Alguém assim como eu.

Queria que as pessoas me vissem mais além da garota que frequentemente está na detenção. Ou tirando notas baixas.

-- S/N!

Vou de encontro a mesa do professor, sentindo olhares sobre mim. Ninguém, no entanto, está fora de seu comum. Eu também não.

Apanho a minha prova. Havia tirado um D. De novo.

O professor olha no fundo dos meus olhos, triste, e tenta dizer ao pé do meu ouvido:

-- Talvez seja melhor agendar um horário com a senhora Rosenberg. Já se aproximamos do fim do ano e...

Para minha surpresa ou não, a classe explodiu em risos, já tendo ouvido a última frase do professor. A senhora Roseberg era uma velinha caduca mas ainda tinha algum mérito além da avançada idade, para ser a professora de reforço de todas as matérias na escola. Era uma piada ir na sala dela, pois significava que era provavelmente um erro você estar no ensino médio, de tão burro que você era.

Mas eu não era burra. Todos sabiam disso.

O professor, aborrecido pela barulheira que se forma, desiste de falar comigo naquele momento. Volto ao meu lugar.

-- Nickolas Carter! -- É o próximo nome a ser chamado.

Meu nome tinha que ser seguido do nome do garoto mais mauricinho da sala e top 3 dos mais mauricinhos da escola. Ele é um dos garotos metidos que vivem fazendo de cada metro quadrado da escola um palco. Dançando...cantando...

-- Mais um A. Parabéns! -- Diz o professor.

-- Obrigado! -- O menino sorridente volta ao seu assento. Quando ele o faz, é cumprimentado por algumas meninas nas carteiras próximas e distantes.

Não, eu também não sou invejosa.

Só admito que odeio tanto minha atual situação, que não consigo achar toda essa cena que se seguia, pelo menos, nauseante. Ele condiz com a imagem falsa de "perfeitinho". Um dia eu estrago um pouco esse show...

<•>

-- Senhorita, S/N, pode vir aqui um minuto?

A aula acabara. Mas pelo visto não a vontade do professor em continuar fazendo me sentir mal.

-- O que? -- digo, pousando as duas mãos na mesa, inquieta.

-- O que se passa para que suas notas sejam tão péssimas em história?

Eu suspiro pesado, como um dragão que prepara o fogo para ser liberado de suas narinas.

-- O senhor não vai acreditar se eu disser que não consigo entender nada com sua explicação. -- mensurei.

Ele olhou ao redor como se tivesse se perdido.

-- Não...? Então por que a senhorita não pergunta?

-- Porque todas as vezes em que eu perguntei, não adiantou. -- Permaneci séria.

Não é que eu não ligasse pra minha situação estudantil. Pelo menos naquela matéria, eu estava falando a verdade.

Ele suspirou, ajeitou os óculos e finalmente ergueu o olhar para mim. Eu me afastei de sua mesa, enfim.

-- Não quer mesmo aulas com a senhora Roseberg, não é?

-- Não. -- disse firme. Mas logo deixei sair meu tom de insatisfação -- Mas quero ajuda, eu admito.

-- Ótimo. Tenho uma sugestão.

Eu continuei imóvel. Ele não me dava esperanças de que ia dar uma significante solução. E não conseguiria me acalmar com o que diria a seguir:

-- Nick Carter. Ele é o melhor aluno na minha matéria. Assim como um aluno exemplar, no geral. Ele vai te ajudar.

Eu pela primeira vez deixei que o professor visse o quanto meu semblante estava alarmando estranheza. Mas ele permaneceu calmo e risonho.

-- O que quer dizer?

-- Ele será seu professor de reforço.

Se eu dissesse alguma coisa, com certeza sairia em forma de insulto. Então me calei. Apenas levantei um pé após o outro rapidinho pra sair daquela sala e tentar me convencer de que o que acontecera agora fora pesadelo.

O professor não me parou. Apenas me deu um último aviso, em alto som, rente à porta:

-- Lembre-se: Ou é ele ou é a senhora Roseberg.

<•>

Caminhando depressa nos corredores eu não parava de me autodepreciar: "porque eu tinha que tirar notas tão ruins em história?" Mas não importava mais reclamar. Se eu não conseguir entender a matéria agora, não vou entender nunca.

Fora da escola eu vejo ao longe a figura dos 5 rapazes agrupados, batendo papo com outro grupo de meninas. Uma delas, eu vejo, está palpando com encanto a cabeleira loira e lisa de Carter. Ou como devo chamar agora, "meu professor de reforço".

Espera, toda essa situação pode não ser tão ruim. Lembro que eu prometi a mim mesma que um dia eu acabaria com essa cena de perfeição que ele tem. Isso acabaria me ajudando a descarregar um pouco desse meu desdém.

Essa não é uma conduta muito certa, mas é tarde. Já me aproximo deles com um sorriso pretensioso nos lábios.

-- Oi Nick. -- Eu paro meu passo.

A postura de todos pareceu se desajeitar bem ali, no instante que me viram. Quanto mais eu puder deixá-los desconfortáveis, melhor.

O sujeito, que estava virado para o lado oposto, teve uma ajudinha de seu amigo sobrancelhudo para tornar a girar para mim em tempo de dar resposta.

-- Hm, oi. -- me olhou, passando as mãos pelo cabelo.

-- Não sei se você sabe, eu sou a S/N. Temos aula de história juntos e a propósito, vou muito mal nela.

Todo mundo fazia um silêncio desconcertante. Eu abri um sorriso de canto mergulhado tanto em ousadia quanto em deboche.

-- O sr. Caullion disse que você poderia me dar um reforço.

Ele balbuciou alguns rascunhos de palavras enquanto eu esperava sua resposta. Com certeza devia estar envergonhado.

-- Ok. -- Foi tudo que eu recebi. -- Pego seu endereço com ele.

-- Ótimo. Até sábado! -- Eu simulava bem um falso contentamento.

Visto a maneira totalmente insegura dele, acrescida do fato de estar acompanhado de algumas garotas, fui bem na hora certa. Agora o senhor popular precisa ajudar particularmente uma aluna problemática.

Esta afirmação também não deixa de ter seu lado exaustivo pra mim. Vou ter que recebê-lo em minha casa...

Olho para trás, mas não vejo mais nenhum dos garotos no local.

<•>

Minha mãe também não estaria facilitando as coisas pra mim. Ela pediu que estudássemos no meu quarto porque o vizinho estava em reforma e a barulheira danada predominava na sala de estar e de janta, locais impossíveis de se estudar concentrados.

Fiquei esperando no meu quarto, entediada até a hora em que ele chegou. 14:00. Pontual.

Ele entrou no meu recinto com sua mochila, timidez e perfume refrescante, do tipo que se usa após o banho, conquistando o ar por onde passava. Eu não podia estar mais desencaixada e refleti isso no fato de mal abrir a boca. Só para dizer o básico.

-- Onde posso sentar? -- O garoto me pergunta.

Como eu não tinha uma mesa, só havia um lugar.

-- Cama. -- Fiz um gesto apresentando o móvel a ele, que não fez uma cara boa.

-- Não posso.

-- Por que?

-- É a sua cama. -- Fez questão de enfatizar pra mim.

-- E o que que tem? Eu não estou com carrapatos se quer saber. -- Declaro.

Acabo rindo pela piada, mas ele não.

-- Não posso me sentar na cama de uma menina que mal conheço, porque não é educado. -- Continuou. -- Além da falta de ética, soa que estou me "oferecendo".

Uau.

-- Tá bom sr. Certinho, eu não tinha pensado nisso. -- Digo em tom solene -- mas não tem outro lugar senão esse. Se quer uma permissão oficial então eu digo: Eu lhe autorizo a sentar na minha cama.

E assim, ainda relutante, ele sentou devagar. Com os pés de fora. Ele parecia ter ruborizado, mas com a cabeça abaixada, as mechas de seu cabelo cobriam-lhe o rosto, então não tive certeza.

Eu estava de frente para ele, em diagonal, um pouco afastada. Mas não tanto para deixar de sentir seu perfume. Era de maçã. Era bom.

-- Então, por onde começamos? -- Ele me encara após ter pego caderno e canetas.

-- Guerra fria.

Enquanto virava as páginas do livro ele perguntou:

-- O que você entende sobre a guerra fria?

-- Que é um conflito entre a União Soviética e os Estados Unidos. Só.

Ele dá um sorriso, sem que eu entenda.

-- Por que você não entende esse assunto?

É assim que ele ensina? Eu pretendia ouvir mais e falar menos.

Deus, me perdoe, mas hoje não é um daqueles dias de paciência em minha vida.

-- Quer saber o que eu entendo? Eu não entendo nada! Será que sou a única que acha que aquele professor fala rápido demais e não explica o detalhe das coisas? -- solto.
Nick fez cara de surpresa olhando para baixo e franziu o cenho:

-- Calma. Eu só perguntei para entender o motivo. Já que é assim, acho que você compreenderá comigo.

-- Ah é? Qual a sua vantagem?-- Indago sem fé.

-- Eu não sou ele. -- Sorri. -- Já é 50% de chance positiva.

Eu dei um risinho pela ousadia. Ele até estava certo.

Então ele começou dando uma breve introdução de como estava o mundo antes da guerra fria. Sobre como o capitalismo estava acendendo até a declaração do presidente americano na época, alegando que a qualquer custo impediria a disseminação do comunismo.

Com razão, ele não era o sr. Caullion. Ele não falava rápido. Não falava como se tivesse uma batata quente na boca. Nick na verdade, muito frequentemente pausava a explicação para se dirigir a mim:

-- Você entendeu até aqui?

Eu assentia. Ele continuava. Estava conseguindo compreender em uma tarde o que não aprendi em quase um trimestre.

-- Bom, por agora é isso. Tem mais alguma dúvida ou comentário...?

-- Tenho sim. -- Começo -- Agora eu tiro um A como você?

Ele ri, jogando o corpo para trás.

-- Calma aí, vamos ver isso agora. Eu trouxe uma atividade comigo na mochila -- Ele se inclinou para pegar no chão.

Estranhamente, eu ainda continuei sorrindo, mesmo depois que ele parou de rir. O sorriso dele tinha me contagiado alguns segundos a mais e não era só isso: Eu havia gravado todas as vezes em que ele sorriu também. Ta aí algo que nunca imaginei que fosse acontecer e me impressionou.

Não acredito, estou percebendo que ele é bonito; e até fofo.

-- Aqui. -- Ele me passa a folha. E eu automaticamente mudo meu pensamento.

Um silêncio se forma enquanto eu fazia o pequeno teste. De vez em quando eu o olhava de soslaio, só para ver o que ele fazia com o tempo. Ele só examinava a própria caneta, pensativo.

Quando acabei e ele corrigiu as respostas, ficamos com tempo sobrando. Foi quando ele quebrou o silêncio:

-- S/N, posso te fazer uma pergunta?

Essa pergunta sempre congela todo meu corpo quando é feita.

-- Claro. -- transmiti calma.

Ele dá um fraco sorriso, ainda olhando a caneta pensativo, o que, raios, o deu um ar tão sexy...

-- Por que eu tenho a impressão de que você não vai com a minha cara e a dos meninos?

-- H-hã..? -- quase caio da cama -- De quem?

-- De nós, os Backstreet boys.

Esse era o nome com o qual eles se auto-intitulavam? Esses garotos só podem ter a intenção de um dia ser uma boyband...

Eu não soube o que dizer. Só fico olhando pra ele, procurando palavras no ar. Pela demora, ele ergueu o par de olhos azuis pra mim.

Eu não podia com aquela poderosa pressão. Suspirei. Era hora da verdade.

-- Desculpa. Sua impressão é verdadeira. -- Confesso. -- Eu não ia com a cara de vocês porque...nunca conseguia me apresentar no palco da escola com minha banda. Vocês sempre eram a atração principal. Daí sempre achei que vocês eram muito..."estrela".

Eu fiquei mal. Aquilo provavelmente o magoaria. Então prossegui com a verdade:

-- Mas eu mudei minha opinião hoje. Quer dizer, não totalmente ainda, mas hoje eu vi que você é bem legal. Eu me enganei.-- Entrego um sorriso que eu achei ser ridículo.

-- Sério? -- Ele abaixa a caneta. -- Eu não fazia ideia. Desculpa por isso. Eu prometo conseguir com a equipe de organização uma apresentação de vocês.

-- Não precisa fazer isso. -- Eu desvio o olhar.

-- Tem certeza? Queria muito te ver tocando. Essa sua guitarra é maneira.

Ele reparou na guitarra ao lado do meu guarda roupa...

Eu rio.

-- Dá pra me deixar mais envergonhada do que estou?

Rimos ao mesmo tempo. E tudo ao redor ficou diferente de quando tinha começado. Eu quase perguntei se Carter não queria me ouvir tocando um pouco de guitarra. Não sabia o que estava havendo comigo. Talvez o bom humor tenha engatado em mim ao perceber que estou entendendo a matéria. Talvez.

Mas aparentemente, esse peculiar momento havia acabado.

-- Bom, eu acho que preciso ir. -- Ele se ergue da cama com o livro, mas este deixa cair um pequeno cartão.

-- Espera, caiu algo seu aqui. -- Eu rapidamente apanho sem sair de cima do móvel.

Quando Nick torna para mim e o recolhe, vejo ele esboçar uma expressão de medo.

-- Que houve? -- Indago.

Mas ele emudece.

Depois de vê-lo fitar o pequeno papel sem abrir, minha mente começava a processar o raciocínio. Nick pousa ao lado de mim na cama.

-- É o que eu estou pensando que é?

-- Não tem como não ser...-- Ele diz, pesaroso.

Até que começa a abrir a dobradura.

A ansiedade se agarrava a mim cada minuto a mais. Já sabia o que poderia ser. E eu lamentava por aquilo ter vindo em uma hora tão inconveniente...

-- Diz na primeira linha -- Nick proferiu -- "Para vocês dois"

Droga

Aquilo muitas vezes podia ser pior do que levar uma advertência. Em toda escola havia uma "trollagem" interna entre os alunos, uma brincadeira ridícula em forma de desafio. Ninguém sabia quem fazia esses desafios, tampouco, como ele chegava ao seu maldito destino: a duas pessoas.

O desafio na verdade consistia em perguntas. Um deveria ler e o outro responder. Ninguém nunca sabia o que poderia estar lá, mas sempre era algo desconfortável.

E puta merda, logo eu com o Carter...

-- Lê. -- Eu digo, embora hesitante.

-- Eu acho melhor não...dá pra ver que nós dois não queremos isso.

Eu respiro fundo.

Por mais que ele tivesse sido legal comigo, como vou saber que na hora mais oportuna ele não vai me gozar para seus amigos próximos? "A S/N não teve coragem de responder ao desafio..." era algo impensável para mim.

Esse era o motivo de duas pessoas, mesmo desconcertadas, lerem as tais perguntas: Não darem uma de covardes na frente um do outro.

-- Qual é Carter -- Disfarcei-me de coragem --, não quer responder umas perguntinhas?

Eu estava sendo ridícula, eu sabia. Mas eu também estava curiosa. Queria muito ver como ele reagiria se as perguntas fossem sobre mim.

O loiro engoliu em seco, não me dizendo nada, apenas voltando a leitura do bilhete.

-- "Nós temos algumas perguntas pra vocês, melhor responderem agora."

Todos os meus músculos ficaram rígidos. Nunca havia passado por esse desafio antes.

-- Manda. -- falo.

-- "Eu sou original?"

-- Quem?

-- Eu. -- Nick responde, com cara de incerteza -- Aqui só diz isso.

Merda, era ele fazendo as perguntas e eu respondendo.

Mas como assim original? No jeito de ser, naquilo que faz ou no modo como se veste?

Mas sem me dar mais tempo para refletir sobre a questão, ele se vira para estar à minha frente.

-- E aí? Eu sou? -- Abriu um sorriso.

O feitiço havia virado contra mim. Agora era eu quem não tinha mais vontade de responder.

-- Hm, é.-- Digo.

Ele dá uma erguida nas sobrancelhas, como que surpreso. Até que a primeira pergunta não foi tão ruim. Poderia ser bom para descontrair.

-- "Eu sou o único?" -- Ele interroga a próxima pergunta e já ergue os olhos para mim.

-- Como assim o único? -- Desta vez, precisei perguntar.

-- Também não sei. Só responde o que lhe vier na cabeça.

Aqueles olhos dele me induziam tão fortemente a dar uma resposta imediata, parecia ser seu super poder. A verdade, ou então a besteira que estivesse na ponta da minha língua, somente pareciam sentir a necessidade de pular da minha boca.

-- É, Nick. Você é o único. O único porque não conheço outro garoto que seja exatamente como você.-- Reviro os olhos.

Aquilo não era pra soar romântico. Com único, eu quis dizer o único garoto que era um mauricinho, engomadinho, estudioso, com cabelinho pranchado e com o sorriso mais conquistador que eu já havia conhecido de perto.

Já não sabia mais qual era minha opinião sobre ele.

-- Ok, agora só tem mais uma pergunta.

Ele demora alguns segundos a mais. Eu esperei o quanto foi preciso.

-- "Eu sou sensual?"

Porra.

Se Nick era...Sensual?

Eu comecei a ruborizar. Não tive coragem de olhar para frente, porque ele estaria lá, com aqueles olhos tão azuis e vivos e assíduos por minha resposta.

Aquilo devia ter sido armação. Com certeza foi uma daquelas garotas que me viram abordar Nick sobre a aula de reforço particular. Com certeza ficaram com ciúmes e prepararam de algum modo esse showzinho para nos envergonhar.

No entanto, Nick não parece nenhum pouco tímido. Ele está sério, como se esperasse o troco de um operador de caixa.

Vamos lá, S/N, você pediu por isso. Agora responda.

-- Sim.

-- Sim? -- Eu o ouço retrucar.

Algo travou a minha garganta e não respondi.

Eu percebi ele se aproximando cada vez mais do meu rosto, e achei que sua intenção era sussurrar algo. Foi o que ele de fato fez.

-- Então, eu sou tudo que você precisa? -- Seu rosto estava tão perto do meu ouvido, mas ainda sim dava para vê-lo sorrindo.

Não acredito no que vai acontecer agora. Mas eu também queria e me aproximei mais. O calor do momento estava me dominando e de repente, fazia total sentido beijá-lo. Aquelas perguntas, por mais que estúpidas, conseguiram me fazer enxergar que eu talvez goste nesse garoto. Ou tenha passado a gostar desde que adentrou meu quarto e me fizera cheirar seu perfume e experimentar seu sorriso.

Quando estávamos prestes a fazer o que você já sabe, meu olhar recai sobre a folha que ele ainda segurava em mãos e consegui notar algo muito intrigante, mesmo em diminutos segundos antes do encontro labial.

-- Espera -- Sem pensar muito, puxo rápido a folha aberta em sua não.

-- Não, não...- Ele tenta retirá-la de mim.

Mas já era tarde. E nada ele pôde fazer além de calar suas negações. Havia algo errado com o desafio. A letra era...bastante familiar com a que eu vira alguns minutos antes.

Agora eu entendi.

-- Essa letra é sua não é?

O desejo de uma boca pela outra foi imediatamente sucumbido para o além, devido a minha pergunta agressiva. Carter alterna entre olhar para o bilhete e depois para mim, com nada além de uma definitiva cara de perdido.

-- Responde!

-- Não fiz isso pra te constranger --

-- Ah não? -- meu alto tom de voz corta o quase sussurro dele -- Pois saiba que já estou bem constrangida.

-- Você ia me beijar! -- Minha mãe devia estar ouvindo tudo de seu quarto.

-- Eu não acredito...por que fez isso? -- Me levanto da cama violentamente, -- Armou esse joguinho só pra que eu te elogiasse na sua frente e você pudesse espalhar pros outros que é o gostosão e que todas as garotas querem...

Sentia-me explodir em ira por dentro.

-- Não, você entendeu tudo errado. Eu gosto de você, tá bom? -- Ele vira o rosto num passe pra mim.

Eu só consigo esperar.

-- Eu gosto de você, S/N. Sempre tive uma queda por você. Mas achei que você estava fora do meu alcance. Achei que você podia se irritar, já que eu havia notado que não gosta de mim. Então os garotos me ajudaram com esse plano bobo, pra que eu tivesse uma pista do que você responderia sobre mim.

Ele ajeitou sua mochila, pressuroso, promovendo passo em direção à porta. Seus cabelos cobriam os olhos de novo.

-- Achei que fosse um momento perfeito. Foi um erro. Desculpa, tá?

Ele foi. Me deixando mais confusa do que quando tudo começou. E mais muda também. Se me perguntassem agora o que foi a Guerra Fria, não saberia dizer nada além de gaguejos.

<*>

Eu sentia meu coração revirar-se dentro do peito toda vez que lembrava que ele havia dito que gostava de mim. Cara, como alguém como ele gosta de mim? Não me aproximo do perfil das meninas que são tietes deles. Foi tão inesperado que me sentia estar até agora com a mesma expressão de choque de quando ouvi isso sair da boca dele.

Eu ia mesmo beijá-lo. Foda-se, eu ia. Mas saber na mesma hora que aquele acontecimento fora estrategicamente programado para acontecer, prevendo até a minha ação, me fez sentir ridícula. De nada adiantou ele se fazer de santinho se recusando a sentar na minha cama e depois me fazer responder se ele era sensual.

No lado contrário, chegando nos corredores, eu vi os "Backstreet boys", caminhando juntos e cumprimentando os alunos ao redor como cavalheiros sociáveis. Foi inevitável olhar para o Carter, e acho que ele também pensou o mesmo de mim pois me olhou rápido e em seguida, desviou.

Embora com a mente dividida sobre ele, não consigo deixar as coisas assim. Preciso tomar um lado.

Esperei até a hora do intervalo. Tive que dar várias voltas pelo pátio da escola para saber que ele e seus amigos estavam localizados atrás das arquibancadas, no campo.

Mais uma vez minha presença foi notada de imediato, e eles não sabiam disfarçar a surpresa em seus rostos. Desta vez estavam só os cinco.

-- Com licença, posso falar a sós com o Nick? -- Dei um passo à frente.

Eles se entreolharam primeiro.

-- Claro. -- Um deles murmurou. Logo os quatro se levantaram.

No momento certo eu me sentei ao lado do loiro, que havia ajeitado sua postura de relaxado para retraído. Seu rosto continuava fechado a expressões.

-- Olha, você está bravo comigo?

-- Não.

Eu mordi o lábio inferior.

-- Sinto que preciso te dizer alguma coisa. Mas não sei como...

-- Não precisa me dizer nada.

Ele ainda estava como um armário trancado. E eu lá, errando a senha...

-- Se quer saber, eu te perdoei. -- Assumo, finalmente.

Eu esperava pelo menos fazê-lo mover um músculo com a minha declaração.

Mas eu só o vi balançar seu rosto lentamente. Sem nem olhar pra mim.

Não havia nada de interessante na nossa frente. Só o muro que delimitava nossa escola.

Estava sendo duro tentar e não conseguir.

-- Eu realmente me ofendi com aquele desafio falso. Mas eu te perdoo, porque vejo que se arrependeu. Eu pensei que podíamos ser amigos. Te vejo agora de um novo jeito e queria que também fosse o caso comigo.

Eu termino de falar mas já sem esperança, me levanto, limpo a poeira das minhas calças e dou passos a frente. Era assim. Como um adeus.

-- S/N. -- A voz me chama.

Eu olho para trás. Ele desta vez gesticula para que eu volte a sentar lá.

Então eu vou.

-- Você falou sério? - O loiro indaga.

-- Claro. Odeio mentiras.

Ele afasta uma mecha de sua testa chacoalhando a cabeça.

--- Fico feliz. Por mim, estamos bem. -- Sorriu com certa timdez.

Oh, cara...Selamos um aperto de mão.

-- Sem ressentimentos.-- eu falo -- mas vem cá, foi sua ideia mesmo a de escrever o desafio?

Ele ri, tímido.

-- Na verdade, foi dos meus amigos. Eles sabiam que eu gostava de você e achavam que seria uma boa ideia. No começo eu não gostei.

Eu provavelmente estaria muito fora de mim pelo que faria agora.

-- Entendi...mas olha, quer saber a verdade?

Ele abre um sorriso de canto.

-- Sempre!

Então vou até o ouvido dele e pronuncio em baixo e bom som.

-- Eu te acho mesmo sensual...

Algo novo estava surgindo dentro de mim, e a melhor maneira de descobrir provavelmente não tinha como ser de outro jeito.

Também me surpreendi quando Nick colou seus lábios nos meus como se aquilo fosse algo planejado. Mas eu sei que não era. Até agora, foi a melhor vez que eu havia saído dos planos.

Com seu dedo delicadamente segurando a ponta do meu queixo, eu mergulhava na maciez de sua boca. Só me afasto quando sinto o rosto esquentar e pulsar.

-- Droga, acabei com meu futuro escolar. -- Digo.

-- Por que? -- Ele interroga, com rosto próximo e risonho.

-- O único professor que eu entendia a matéria vai ser a minha maior distração, agora.

Deu pra perceber que ele curtiu a piadinha, mas assim como eu, estava ansioso por beijar mais.

E assim eu percebia que estava apaixonada por ele. Os Bakcstreet boys viriam a ser sucesso não só nos metros quadrados de nossa escola, como também conquistariam o mundo. Nick cantaria muitas músicas dedicadas a mim, e eu sempre me lembraria de como começou esse nosso romance. Ainda, futuramente, uma das músicas mais famosas deles incluiria as ousadas perguntas do tal "desafio falso".

Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro