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Kevin Richardson #3

Muitos de vocês pediram uma parte 2 para aquela #2 imagine do Kevin, "My favorite babybrother". Então, aqui está a segunda parte, com muito carinho ♡

Desculpemm pela demora!! A imagine tá super grandinha mas caprichei no enredo, garanto. ;)

(Not) A perfect boy.

“Será que ligo pra ele”?

“Ai…o que ele vai pensar? Já se passou tanto tempo!”

“Ta…não foi tanto tempo assim. Só alguns meses…”

“E se ele me achar ridícula?”

Dúvidas como esta devoravam meu juízo como uma lagarta. Desde aquele sábado em que Kevin veio aqui ficar de babá do meu irmão eu nunca esqueci dele. Ainda posso sentir o cheiro do seu perfume…tão inebriante que eu tive que comprar o mesmo para mim. Não, nem pense nisso. Posso estar muito apaixonada mas neurótica não.

Mas mais do que tudo, nunca vou esquecer o jeito que ele me defendeu daquele mala do Paul. Pelo menos uma noite durante a semana eu tenho que relembrar daquele momento célebre.

Mas qual é, S/N. Ele é tipo 4 anos mais velho que você. Quais são as chances de ele não te ver como uma irmãzinha de novo?

– Dane-se. Eu vou ligar pra ele.

Disquei o mesmo número que ele deixou na porta para mim. Estava sozinha no quarto, com a porta trancada numa noite de sexta-feira mas mesmo assim eu me tremia toda.

– Alô?

A voz dele…

– Olá, boa noite. Gostaria de falar com Kevin Richardson. – Tentei soar o mais polida possível. Mesmo sabendo que já era ele.

–  O próprio! Em que posso ajudar?

Meu coração saltitou.

– Eu liguei porque gostaria de requerir seu serviço como babá. O senhor ainda faz este serviço?

Silêncio na linha. Aproveitei o momento para não surtar e recaptular mentalmente o plano: Eu ligaria para Kevin pedindo pra que fosse babá do Billie mais uma vez e caso sim, eu arquitetaria um plano infalível de fazer papai e mamãe sairem no sábado a noite, enquanto eu diria a Billie que íamos receber mais uma visita do tio Kev…

– Ok, S/N, eu sei que é você, dá pra sair da personagem agora? –  Ele solta uma risada arrastada – Mas foi muito boa. Escuta eu não trabalho mais como babá, mas se estiver querendo rever um amigo eu estou totalmente disponível.

Engasguei com as palavras e fiquei tão vermelha que podia pegar fogo. Contra o telefone.

– Kevin! Ah..eu..é…que bom que me reconheceu! Faz um tempinho né? Achei que tinha se esquecido de mim.

– Não tenho como esquecer de você. – Ele disse assim, tão naturalmente e em alto e bom som – Mas por que você ligou? Alguma coisa errada com o Billie? Vocês estão sozinhos em casa…o Paul voltou a te incomodar?

O espírito de proteção nunca saiu dele…

– Não, não, não – Eu ri para aliviá-lo. – Eu só queria te ver mesmo. Qualquer dia desses.

– Oh, então…tudo bem.

– Quando? 

– Onde?

Perguntamos ao mesmo tempo.

– Então, – Ele recomeçou –  Que tal sábado, 18:30 na minha casa, tudo bem? Eu te mando o endereço.

– Você não mora mais no antigo endereço?

– Não. Agora moro sozinho.

Oops.

– Tá tudo bem por você? Não tem problema com os seus pais né? 

Ir para a casa de um garoto à noite onde não haverá ninguém além de nós dois? Problema com meus pais? Com certeza sim.

– Nenhum! 

Dessa forma ele me passou o endereço. Felizmente, ficava mais perto da minha casa do que a antiga residência dele. Mas eu via meu plano infalível se desarquitetar lindamente enquanto eu precisava de outro imediatamente.

– Te vejo sábado, S/N. Bom falar com você de novo.

– Eu digo o mesmo, Kev. Tchau.

Missão cumprida. O Kevin me convidar para sua casa no sábado a noite é problema dele. Agora, convencer meus pais a me deixarem ir é um problema meu.

~.~

Bastou dizer que uma amiga me convidou para a casa dela. Combinei e expliquei tudinho para a dita cuja, caso meus pais ligassem pra ela. Afinal, eu só estava indo visitar um amigo. Amigo platônico mas ainda um amigo. Eles não entenderiam nem que eu explicasse 100 vezes.

Vesti uma linda saia com camiseta e um blazer, já que fazia frio. Fiz uma maquiagem delicada mas nada muito notório. E claro, me perfumei bem. Mas não com a colônia dele, ou ele poderia pensar que estou paranóica.

– Filha! O seu pai vai te deixar lá.

Minha mãe gritou lá do andar de baixo. Oh, não! Ele vai descobrir!!!

Passei o perfume e colhi a bolsa rapidamente e corri escada abaixo.

– Não precisa, mãe! Eu preciso passar na loja pra comprar um presente pra Alice!

– Não sabia que era aniversário dela…

– Mas é! – Dei um beijo na mamãe, no papai, que já havia pegado as chaves e no Billie, que já assistia seu tradicional programa com as torradas mal passadas.

– Tchau! Amo vocês! Não volto tarde.

Em questão de 5 minutos eu já estava na nova casa do Kevin. Era na verdade, uma casa bem pequena que há alguns meses atrás estava para alugar, eu me lembro.

Toquei a campainha.

– Oi, boa noite! Como vai, S/N?

Ele estava ainda mais lindo do que da última vez. O cabelo estava cortado, trajava uma linda camiseta branca e trousers marrom. O deixava elegante e básico ao mesmo tempo. O mesmo estilo que o meu.

– Kevin! Eu estou ótima. Que saudades que eu estava de você.

O abracei bem apertado e em seguida entrei. Assim que passei por ele, ouvi comentar:

– Uau, eu adoro essa colônia. Vejo que você também tem bom gosto.

Eu sorri tentando fazer cara de paisagem enquanto por dentro eu me insultava: Passei o perfume errado. Que. Droga.

– Vem, senta. Eu fiz muffins pra você.

Ele me conduziu até o balcão da cozinha. E lá estava uma bandeja repleta de muffins de ameixas.

– Meus favoritos! Como sabia?

Seu olhar se encontrou com o meu na hora que puxou uma cadeira para mim. Eles estavam brandos e decididos.

– Seu babá precisa saber do mínimo, não é mesmo?-- Deu um sorriso de canto.

Naquele momento pedi toda a ajuda divina para que minhas pernas não ficassem bambas e eu perdesse o equilíbrio. Porque sei que teria caído naquele momento. Não sei se a culpa foi dos seus olhos, da sua pergunta, do seu sorriso, do fato de ele ter feito muffins ou de tudo isso junto.

– Você é tão gentil…

Ele pegou suco ma geladeira e se juntou a mim para a refeição.

– E aí, como estão as coisas no colégio? E Billie? Como anda meu campeão?

– Está indo tudo bem. Esse ano eu termino o ensino médio. E Billie está ótimo. – Limpei um farelo de muffin da boca com um guardanapo.

– Legal! E já sabe o que quer fazer?

Comprovei que essa pergunta não fica agradável nem mesmo sendo dita pelo Kevin.

– Sabe, eu queria muito fazer algo relacionado à moda. Ou design. Mas meus pais querem que eu siga os passos deles como advogados. – Tomei um gole de suco.

– Moda realmente combina mais com você. – Ele sorriu, me olhando com atenção. Piscando lentamente.

Como não queria ficar embarassada de novo, dei uma olhada discreta por todo aquele cômodo.

– E o que te fez vir morar sozinho?

– Trabalho e Broadway. – Ele pousou o copo no balcão. – Estou tentando fazer os dois virarem um só.

– Oh, então você quer ser um artista?

Ele sorriu, se inclinando para trás.

– O que o destino tiver pra mim. Por enquanto, estou sendo entregador de pizza. Hoje é minha folga.

– Interessante, Kev. Você tem alguma ideia de qual carreira artística quer seguir?

– Eu amo música. Meu primo Brian me contou de um cara que está procurando garotos pra fazer parte de uma Boyband. Tenho audição na semana que vem.

– Sério? Isso é ótimo! Eu desejo todo sucesso do mundo pra você. Consigo te ver perfeitamente em uma boyband.

Ele sorriu, como quem foi surpreendido por uma surpresa pequena mas significativa.

– Obrigado, S/S. – Que fofo ouvi-lo me chamar pelo apelido. – Quer assistir um filme? Eu aluguei alguns.

Nos levantamos e fomos até a sala. Eu estava um pouco tensa sobre como esta noite poderia se suceder mas o Kevin é realmente um anjo. Ele me fazia sentir segura ao lado dele. Me receber em casa no dia de sua folga, fazer muffins e alugar filmes era um programa bem…de namorados. 

Ou será que eu estava entendendo errado?

Depois de uma certa demora escolhendo o filme, chegamos a conclusão de que escolheríamos uma série.

– Sinta-se à vontade. – Ele me disse.

Como só havia um sofá, nos sentamos juntos, com cerca de 5 cm e o controle entre nós. Tentei ficar a vontade, como ele ordenou mas ao invés disso fiquei toda retesada no sofá, com medo de desabar as costas no encosto e ficar com nossos braços se enriçando.

Mas depois de um tempo, cansei e foi exatamente o que eu fiz. Nossos ombros não só se encostaram como começou a ficar calor, devido à proximidade do calor humano dele. Eu não coonseguia nem prestar mais atenção na série. Só pegava ocasionalmente o controle pra mudar o episódio.

E então, eu peguei o controle do sofá para mudar mais um episódio. Só teve um probleminha: Kevin fez a mesma coisa. Na mesma hora.

Sua mão tocou a minha.

Pode parecer ridículo para  um ser de qualquer outra espécie, mas um toque humano involuntário causa uma troca de energia tão grande quanto o de um raio atingindo o solo. Posso dizer que foi como sentir uma descarga elétrica. Mas uma descarga elétrica tão…anestesiante.

Demorou um tempo até que ele tirasse a mão da minha. Parece que aquele contato me fez perceber tudo agora em alta escala: a respiração dele, o calor emanando de seu corpo, o movimento de seu torso ao respirar.

E durante algum momento eu o senti olhando pra mim. Me virei meio hesitante, só pra perceber seus olhos fixos como pedra nos meus. Eu devo ter feito uma cara engraçada porque ele riu. Riu leve, mas como se tivesse visto algo realmente engraçado.

– O que foi? – Perguntei. Meio em pânico, meio triste. Será que estraguei tudo de novo?

– Eu não tinha percebido antes…mas você – Ele chegou próximo do meu rosto – Tem um pedacinho de muffin no canto da sua boca.

Sem aviso nenhum, ele leva a ponta do polegar ao canto da minha boca e o esfrega com delicadeza e precisão. Meu coração já havia batido recorde de batimentos por segundo esta noite, mas quando ele fez isso, eu quase senti que podia desmaiar. E nossa, como eu estava corando...

Rapidamente o nosso sitcom fora deixado de lado. Assim que terminou de me provar ser o garoto mais Perfeito, educado e gentil do mundo, Kevin tirou o dedo da minha pele e olhou nos meus olhos profundamente por uma segunda vez. Mas aquele olhar fora diferente de todos os outros. Naquele olhar eu via um vislumbre, uma mensagem diferente. Quase como um “resgate-me”. Ao ter nossos rostos tão próximos assim, eu vi no reflexo do olhar de Kevin una felicidade em sua alma, semelhante quando vemos um sonho prestes a se realizar.

Avancei, sem ponderar. Poucos centímetros era somente o que nos restava. Eu já me sentia transpassando o último degrau da amizade...

Naquele nano-intervalo de tempo antes de uma boca chegar a outra, onde eu já estava sentindo o hálito fresco dele, um telefone fixo sei-lá-de-onde toca.

– Ah, desculpe, eu vou…– Ele se ergueu do sofá mum sobressalto – Atender.

Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.
Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.
Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.
Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.
Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.
Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.

Foi como quando o despertador toca, justo na melhor parte do sonho.

– Alô?

O telefone de Kevin ficava num canto mais afastado da sala, quase fazendo parte do cômodo da cozinha. Eu ouvi sua conversa entrecortada.

– Nossa, cara, desculpa mesmo eu esqueci. Dá certo para o próximo sábado?

Eu continuei de costas para ele, assistindo a televisão, imaginando onde poderia afundar minha cara.

– Relaxa. Eu sei, cerveja não vai faltar.

Opa. Era mesmo o Kevin falando? Ele não parece ser o tipo que bebe.

– Sim, certo. Mas por favor, não quebra o parachoque no carro no meu cercado de novo, ok? Me custou uma dívida daquelas…

Eu agora ouvia tudo franzindo o cenho.

– Combinado. Tá, pode trazer sim. Contanto que ela não beba tanto quanto você. – Ele riu de algo que o outro cara respondeu ao telefone – Te vejo sábado.

E desligou.

Não falei nada até ele voltar para o sofá.

– Desculpe, era Rick, um amigo meu.

– Vocês vão dar uma festa?

Ele mordeu o lábio, parecendo hesitar.

– Eu não queria. Mas ele insiste em vir aqui e comemorar o fato de eu estar morando sozinho. Não vai ser nada demais. Só o Rick e uns poucos conhecidos nossos do tempo de escola.

– Entendo. – Dei um sorriso para não parecer incomodada.

Kevin então respirou fundo, jogando uma mecha do seu cabelo para trás com um sopro e voltou a ter uma proximidade quase tão grande quanto a que estávamos antes. Eu sonhava imaginando que ele viraria meu queixo para ele e perguntaria: “Então…Onde paramos?”

Ao invés disso, ele falou outra coisa.

– Ei, – Por estar tão próximo do meu rosto, ele sussurrava. – Eu te convidaria para vir a essa festa também. Mas não acho que faça o seu tipo.

Eu virei para ele bruscamente, me afastando um pouco.

– Como assim, “meu tipo”? Tá sugerindo que eu sou um bebê?

– Não, não. Que é isso, S/N. – Ele sorriu, relaxado e depois voltou à expressão séria ligeiramente triste.  – É que…eu te conheço.

– Desculpa, Kevin, mas você não me conhece.

Ele podia ter brincado comigo quando eu tinha 3 anos. Mas isso não fazia dele alguém que me conhecia.

Diante do silêncio mortal dele,  eu continuei:

– Mas tudo bem. Se você não quiser que eu venha…eu entendo. – Lancei um olhar sincero, agora não mais tão próxima, mas exatamente de frente para ele.

Ele estufou o peito, olhou para o chão e depois para  mim.

– Então venha. Será minha convidada de honra.

Não acredito que ele disse isso. Um sorriso  imediatamente brotou em meus lábios. Eu teria minha segunda chance.

Olhei para o relógio. Vi que já eram 23:30 e senti o pânico atravessar minha garganta. Soltei um gritinho  tapando a boca com a mão.

– O que foi? – Ele também se alarmou.

– Já é tarde! Eu tenho que estar em casa ou meus pais vão me matar…  – Me levantei do sofá e fui as pressas à porta.

Kevin se levantava com calmaria e um riso saindo de seus lábios. Um som gostoso de ouvir.

–  Do que está rindo?

– Viu o que eu quis dizer? –  Kevin ficou de  frente para  mim, já a caminho da sua porta –  Como vai vir para minha festa se 23:30 é tarde para você? As festas do Rick ultrapassam a meia noite. Às vezes mais de duas, se ele alugar o Touro Mecânico.

Ele continuou rindo com sutileza. Quase bati nele com minha bolsa de ombro se não fosse uma vista tão adorável.

– Bem…eu vou dar o meu jeito.--, Respondi, impassiva.

– Você talvez devia pensar mesmo em ser advogada.

Eu soltei um risinho. Com um ar suavemente travesso.

– Veremos…

– Quer que eu te deixe em casa? – Perguntou, segundos depois de abrir a porta para mim.

A inabitação daquela rua realmente estava sinistra, mas eram poucas quadras de casa. E além do mais, não podia deixar meus pais saberem que estive com ele ao invés de Alice.

– Obrigada. Mas não precisa. – Dei uma piscadela confiante. E nisso, dei mais um passo a frente para abraça-lo novamente. Seus braços comprimido a minha cintura enquanto eu rodeava seu pescoço com os braço, era algo que eu descobri que necessitava sentir na vida. E de agora em diante.

O que aconteceu nos segundos seguintes foi tão rápido que me deixou desorientada. Como Kevin era mais alto, eu ficava na ponta dos pés para alcançar seu pescoço. Assim que meu calcanhar pôde chegar ao chão disse a ele um "boa noite”. Ele foi chegando mais próximo do meu rosto, o que me fez achar que havia mais muffin preso na minha boca.

Mas ele veio e depositou um selinho nos meus lábios. A ponta  do  seu nariz tocou o meu e o momentâneo calor úmido de sua boca me deixou petrificada pelo resto da noite. Minha mente girou.

– Até a próxima. – Ele sussurrou. Com um sorriso não menos que apaixonante. Qualquer garota morreria por aquele sorriso.

Eu dei meia volta e desapareci na esquina. Eu cheguei em casa, muda e sorridente. Nem mesmo consegui ouvir as broncas de papai.

Tranquei a porta do quarto e tentei dormir, com dificuldade, porque agora a realidade conseguia ser melhor do que os sonhos.

•••

Alice não só fazia parte do plano, ela também era minha fiel confidente em toda a história com o Kevin. Desde o momento  em que ele deixou seu número na minha casa, eu comentava com ela sobre ele.

– Sim, sim, seus pais ligaram para mim quando eram 10:40 e, olha, nunca ouse dizer que nunca fiz nada por você! – Sua voz ficou mais aguda no telefone – Eu inventei uma história de que Maya estava passando mal e tivemos que ir para o veterinário, o que justificava sua demora – Ela explicou, com naturalidade – Mas e aí, como foi com o “senhor perfeito”?

Eu fechei a porta do quarto e fui correndo para a cama, ficando no batente da janela enquanto olhava para o inspirador azul do céu daquela manhã.

– Ah…– Não contive um suspiro. – comprovado: Ele é mesmo o cara dos sonhos. Assou muffins para mim…os meus favoritos! Depois eu descobri que ele é entregador de pizza, mas vai fazer parte de uma boyband.

– Sério? Ele pelo menos canta?

– Eu ainda não ouvi. Mas sinto que terei a oportunidade de ouvir em breve, porque ele me convidou para uma festa. – Comprimi os lábios em empolgação – Mas eu falo disso depois. Daí nós assistimos seriado e em determinado momento quase nos beijamos!

O suspiro de Alice se fez ouvir.

– “Quase”?

– Continua escutando! Então, o amigo dele ligou, foi aí que fiquei sabendo da festa. Quando eu me apressava para ir embora ele…me deu um selinho. – Apressei toda a história só pra chegar nessa parte.

Nessa hora eu tive que afastar o telefone porque lembrar do momento ainda mexia muito comigo e me fazia soltar semi-gritinhos e rolar pela cama.

– Amiga – Alice me respondeu – Só um selinho?

– Sim. Acho que ele é tímido pra ir me beijando assim logo. Mas eu fiquei tão…

– S/N, – Aquele tom de voz sério na Alice já começava a me chatear. Não entendo porque ela não estava comemorando junto comigo. – Não é beijo de verdade se não tiver língua.

– Como é?

– Garotos são diferentes de nós. Eles são muito decididos por aquilo que sentem. Quando começam a se atrair, eles não dão meros selinhos, eles demonstram isso pra valer. O que deve ser  o caso para o Kevin, já que é mais velho e mais experiente.

Eu fiquei sem saber o que dizer.

– Não estamos mais nos anos 40 – Ela continuou – Hoje em dia, um selinho é quase um abraço cordial.

– Só se for no seu mundo, Alice. – Minha voz saiu como uma bala, ecoando nos arredores.

A linha ficou muda. Por um momento tudo que eu conseguia ouvir eram os latidos de Maya, sua cachorrinha Yorkshire ao fundo. Alheia àquela tensão.

– Eu quero dizer– Continuei – Com o Kevin é diferente. Eu já te contei sobre ele várias vezes e eu só acho que é do caráter dele ser totalmente respeitoso.

Alice era uma amiga espetacular, não havia nada que ela não faria por você. Seu único problema é que era altamente sensível e não aguentava qualquer palavra dita num tom mais firme que já levava para o pessoal. Aquilo que eu falara, então, podia estar sendo recebido como uma bomba atômica.

Finalmente ela respondeu:

– Claro, tudo bem. Eu só estava querendo te ajudar me baseando na minha experiência com caras. – Sua voz estava vestida de ironia – Mas, ok, você é quem sabe. Obrigada por dizer isso para alguém que só queria te ajudar a não se decepcionar. Tchau.

– Alice…

Ela desligou.

Que se dane, então. Quando eu e Kevin aparecermos em sua casa de braços dados vai ser muito mais fácil rir da situação.

Sábado à noite chegou rapidamente. O pior de tudo é que eu ainda não conseguira  encontrar uma boa desculpa para sair de casa sem deixar suspeitas, visto que eu agora perdera minha melhor confidente.

Estava no meu quarto testando ambíguamente alguns tipos de batons quando meu pai bate à porta.

– Eu e sua mãe vamos à igreja. Levaremos Billie. Quer vir conosco?

– Na verdade, pai – Eu simulei uma tosse – Acho que peguei um resfriado…vou ficar melhor em casa.

Meu pai demonstrou preocupação comigo, levando as costas de uma das mãos à minha testa.

– Não está com febre.

Funguei com bastante força.

– Meu nariz está escorrendo.

– Bom, então fique mesmo. E tome os devidos remédios ok? Vou falar pra sua mãe.

Ao contrário do que parece, eu não me sentia bem mentindo tantas sucessivas vezes. No entanto, eu já havia prometido a Kevin que iria. Não quero que além de nossa diferença de idade, exista mais esta hercúlea diferença entre nós: Ele ser independente e eu não.

Assim que minha família saiu, esperei 15 Minutos. Eles sempre esqueciam algo e depois saiam de novo. Passado esse tempo, fui correndo me arrumar pois já estava com meia hora de atraso. Mas visto o caráter da festa, de ser provável terminar altas horas da noite, acho que eu estaria chegando num horário comum.

Abri meu guarda roupa e fiz uma nota mental antes de decidir o que vestir. A festa seria: Informal. Universitária. Provavelmente Não haverá ninguém da minha idade. Haveria cerveja e provavelmente muitos, muitos salgadinhos de alto índice calórico. Eu precisava vestir algo que me desse a impressão de ser mais velha, para não estranharem minha presença, e mais esbelta, para que mesmo depois de comer muitos salgadinhos, minha barriga inchada não fosse notada.

Recolhi do cabide um vestido preto cintilante, com um decote ombro a ombro e uma presilha brilhante no meio da região do busto. Contornava bem minha silhueta e comprimia meus seios. Ao me olhar no espelho vestindo tal traje, não posso negar, me  senti qualquer outra pessoa menos S/N S/S. Mas para a ocasião, isto não era negativo.

Após o salto alto, foi a vez de deixar a maquiagem fazer seus truques. Cílios postiços, um batom vermelho que dava volume aos meus lábios e uma sombra escura com delineado certeiro. Uau. Se Kevin me vir assim, só há duas opções: Ou ele se apaixona (caso ainda não esteja) ou vai assumir estar completamente apaixonado.

•○•

Ao pousar meus pés em seu gramado, eu cheguei a me perguntar se aquela casa estava mesmo sob o domínio de Kevin, o organizado, contido e taciturno. Porque mais parecia ter sido alugada para um louco, libertino e seu descontrolados amigos. Havia diverdas sacolas de biscoito, latas de refrigerante e garrafas de cerveja na grama e dois caras visivelmente bêbados correndo um atrás do outro e rindo de uma maneira que me deu até medo.

A música ensurdecedora que provinha da casa era recheada de vozes e gritos que indicavam ter muita gente lá dentro. E ao observar um pouco mais próximo de sua garagem, havia mais um grupo de garotos, uns 5 mais ou menos, que se banhavam sem camisa com a mangueira de Kevin.

No instante seguinte, vi uma garota com rouoa de líder de torcida correndo para fora da casa e gritando desesperadamente:

– Estou traumatizada, estou traumatizada para semrpe!!!

Um arrepio frio percorreu a minha pele. Imediatamente me veio à lembrança a imagem de minha conversa de sábado passado com Kevin. Ele tentou me alertar com o discurso de que “isso não faz seu tipo” e eu retruqiei alegando que “ele não me conhecia.”

Será que não me conhecia, o garoto que fez para mim meus muffins favoritos?

– Ei, lindinha, vai ficar parada aí e não vai entrar? – Uma mão se enroscou na minha cintura e um pânico me cercou. Não era a voz do Kevin. Não era nem mesmo de sua pessoa fazer aquilo.

Eu me afastei para o lado abruptamente, quase me desequilibrando do salto.

O cara que havia tentado laçar minha cintura tinha um rosto desconhecido e nauseantemente sorridente. E cheirava a batatas fritas mergulhadas em álcool.

– Ué, você não é amiga do Kevin? – Ele indagou, atônito. – Que cara é essa? Vem, temos que curtir a festa.

Ele saiu, com uma garrafa na mão, dando passos pressurosos e desengonçados até entrar na casa. Eu tive uma vontade aterradora de dar meia volta e seguir caminho pra casa, quando…

– S/N!

Olhei imediatamente para a porta.

Quem estava recostado nela era Kevin, com uma regata cinza e short largo. Parecia bem à vontade e tinha em mãos um sanduíche pela metade.

Eu fui até ele.

– Kevin! Eu…cheguei há pouco tempo e… – Olhei para o jardim, para o seu amigo que me abordara e que agora vomitava no outro lado do cercado e para dentro de sua casa que estava uma loucura, sem saber por onde começar.

Kevin olhou para mim e deu um sorriso envergonhado, como se quisesse me falar algo mas soubesse que não deveria. Eu devolvi o sorriso. Um sorriso tão confuso quanto o dele.

Sinceramente, no que eu estava pensando quando achei que esta festa nos uniria mais ainda?

– Vem, entra.

Ele me puxou pela mão delicadamente. No instante que eu entrei em sua sala, nem parecia que há uma semana atrás aquele cômodo estava silencioso e limpo. Com todas aquelas pessoas rindo e conversando e ouvindo música alta, eu nem tive como lembrar do espaço que um dia aquela sala fora.

– Se não se importar eu gostaria de um pouco de água. – Falei, educadamente.

– Claro, vem eu te mostro a cozi –

– Kevin, quem é essa mocinha?

Kevin não teve tempo de terminar sua fala. Uma mulher praticamente se atirou no peito dele o levando não só a parar abruptamente como pausar sua frase bruscamente.

Ela tinha a mesma altura que ele. Um cabelo moreno ondulado e vestia um cropet com uma mini saia jeans. E eu preciso admitir, ela tinha corpo para exibir.

– Mindy, essa é S/N. Minha amiga.

“Amiga.” surtiu em mim o mesmo efeito de uma chicotada.

– Que fofa – A mulher de praticamente 23 anos (sim, ela parecia ser mais velha que o Kevin) olhou para mim como quem olhava um bicho de pelúcia.

Mas como quem olhava para um bicho de pelúcia e não possuía o mínimo interesse em comprar, pois seu olhar logo se voltou para Kevin, e já que estamos usando compras como comparação, como se ele fosse o único pedaço de carne do supermercado.

– Kev…vamos continuar? – Ela puxava o braço dele com uma voz manhosa.

Eu tensionei o maxilar com força e desviei o olhar. Não dando mais vazão àquela tortura. Ela o chamava pelo mesmo apelido que eu o chamava.

– Agora não, preciso dar água à ela. – Ele saiu e com um gesto me indicou para segui-lo, deixando a mulher para trás.

“Amiga” e “fofa” me faziam até me sentir idiota por ter me achado a mulher mais sexy do mundo quando saí de casa. Tantos esforços para nada.

Cheguei na cozinha e Kevin me deu um copo de água.

– E aí, o que achou da festa? – Ele cruzou os braços e se inclinou um pouco mais para perto de mim, com um sorriso convencido e olhos semi-cerrados.

Minhas bochechas esquentaram pela proximidade.

– Ah, bem, é…tudo muito…

Ele arqueou uma sobrancelha, ainda com os olhos fixos em mim. Eu ainda me mataria por olhar para ele na hora errada. Aqueles olhos pareciam ter uma linguagem única, que não saía da boca de Kevin mas ainda provinha de seu âmago e parecia querer dizer: “Tudo…? Vamos, eu sei que você quer dizer mais...” Me perdi na minha própria frase. Me deixei levar.

– …Quente. – Falei sem pensar, soltando um suspiro. Imediatamente dando conta da besteira que falei – Quero dizer…eu…eu…

Ele rapidamente arregalou o olhos  Sem dúvidas surpresa pela escolha do adjetivo de sua “amiga fofa”. Mas logo voltou a sorrir, daquele jeito que me faz esquecer que já fiz alguma coisa errada na vida.

Eu devolvi o copo a ele. Seus dedos roçaram nas minhas mãos lentamente, de uma maneira proposital.

– Sabe o que mais está quente aqui? – De alguma forma, ele agora sorria, de uma forma que combinava com aquele olhar enigmático. indagou, baixinho e eu quis desmaiar quando percebi que sua vista estava discretamente me fitando de cima a baixo ao dizer isso.

– KEVIN! JÁ VAI COMEÇAR!!!!

Pulamos de susto. Um de  seus amigos veio e simplesmente o sequestrou da cozinha o fazendo ir para a sala  e  cair no sofá de frente  para a televisão.

Eles sintonizaram em um canal de futebol americano. Só me restou ir até lá também, mesmo sem ter sido chamada.

Me sentei em uma poltrona vaga. E aproveitei para olhar um pouco para os convidados da festa: garotos com camisetas simples parecidas com as de Kevin. Ombros largos e cabelos ou longos demais ou raspados. As meninas usavam roupas curtas e uma boa quantidade delas tinha piercing no umbigo. Fiquei com muita vergonha de mim mesma ao pensar que Kevin se sentiria atraído por mim quando sempre teve estas “amigas” com shape de  líderes de torcida.

Todos os convidados, sem exceção, pareciam estar na mesma faixa de idade. Menos eu.

Ao olhar de relance pela sua casa, encontrei um casal que se amassava de uma maneira completamente indecentemente no canto. Desviei rapidamente.

Parei um pouco de olhar ao redor e tentei me centrar mais nos assuntos. Talvez eu não me enturmasse?

– E aí, já conseguiu recuperar o carro?

– Que nada. Tá na oficina ainda. Parece que é um problema com a marcha.

– Você viu aquele lance? É por isso que eu torço pro Los Angeles Lakers!

– Me dá mais um pouco de bagulho?

– Ô, Beatrice, me passa mais uma cerveja aí?

– NÃO PISA NO MEU SAPATO, CARALHO!

– Eu queria poder matar meu professor da faculdade…

– Pelo menos você ficou com aquele gatinho do campus…

– Ô, porra, vê se sai do meio da televisão!

Em um minuto e meio meus ouvidos já queriam pular fora da minha cabeça.

É, acho que eu teria que sobreviver essa noite sem dizer uma palavra para eles. Tudo que eles falavam era  sobre faculdade, futebol, pegar alguém e carros. Nada familiar para mim.  Até que…

– Aí, Kevin, achei que você tinha dispensado o serviço de babá…– Uma garota de cabelo loiro e curto que vestia uma camiseta decotada e tinha expressão de tédio perguntou.

Minha coluna se retesou.

– Mas eu dispensei. – Kevin, que até então não havia dito nada, franziu o
cenho para ela.

Ela, sem discrição, olhou para mim de cima à baixo, com uma curva debochada nos lábios vermelhos.

– Então o que essa menininha está fazendo aqui e está na sua cola?

Eu olhei para ela para ver se não tinha ouvido errado, mas meus olhos não me trairam: ela havia falado aquilo e ainda estava rindo. As outras meninas logo riram também.

– Shhhhh, deixa a gente assistir o jogo! – Um dos amigos de Kevin as repreendeu.

Eu senti como se um nó bem apertado tivesse sido enrolado no meu coração.

– O que…– Eu já me preparava para cuspir fogo.

– Beatrice – Kevin interrompeu, olhando para a autora da pergunta – Não fale assim da S/N, ok?

Uau, Kevin, valeu pelo show de autoridade nível professor da quinta série.

A tal Beatrice continuou:

– Desculpa, mas é que eu tava até me sentindo desconfortável achando que tinha que controlar a língua. Ou os assuntos, para se adequarem a "classificação indicativa".

– SERÁ QUE SÓ EU AQUI QUER ASSISTIR O JOGO?

– Escuta, – Foi a minha vez de falar, me dirigindo a ela – Só porque eu não me visto como uma…

– Olha a sua boca, garotinha! – Uma das amigas dela, bradou para mim. Tinha tanto ódio no seu olhar, ao mesmo tempo que tinha desespero e…veneno e tantas outras coisas inflamáveis.

Nunca alguém havia se dirigido a mim daquela forma. Senti o canto dos meus olhos esquentaram e ficarem levemente molhados.

– Meninas – A voz de Kevin ficou mais forte como um trovão – Parem! Eu quero que fique tudo bem essa noite.

Ele nem me defendeu.

–GOOOOOOOOL!!! – O seu amigo fanático pelos Lakers abriu uma garrafa de cerveja.
Outros meninos comemoravam também.

– Aí, alguém tá com fome? –Kevin interceptou, impaciente.

Ele foi para a cozinha e voltou para a sala com alguns nachos e um molho. Todos nós nos servimos.

– Gatinho, me faz um favor?

–Sim, Mindy?-- Kevin respondeu.

– Você sabe que sou alérgica a certos tipos de pimenta. Pode provar esse nacho e ver se não tem um gosto muito forte?

Ela se levantou do sofá e foi até ele com um nacho. Não havia lugar vago do seu lado, mas acho que não foi por isso que ela se achou na condição de sentar no seu colo e colocar o nacho em sua boca.

Cerrei os punhos. Não precisava disso.

– Não. Não está muito apimentado. Pode comer.

– Obrigada, meu gato. Oops, tem molho na sua boca…

Ela se aproximou e foi com um dedo esfregar o canto da boca de Kevin. Tão perto que poderia sair um beijo dali.

Ela sussurrou algo para ele e depois riu, olhando para mim.

Aquela…

– Licença, vou ao banheiro.

Me levantei bruscamente e saí do cômodo. Já chega. Eu iria pra casa. Estou cansada disso. Kevin nem mesmo se importa comigo da maneira que eu achei que se importasse. Ele tem um harém de mulheres a sua disposição. Deve estar muito satisfeito. Eu só devo ser mais uma para ele.

Acabei demorando mais do que o necessário no banheiro. Gastando tempo apenas me olhando no espelho e pensando que desculpa convincente eu daria para dizê-lo que iria para casa. Antes de dar adeus para sempre.

Quando criei coragem, saí de lá apenas para perceber que o nível da festa havia piorado em 1000%.

Havia um enorme touro mecânico na sala, de modo que eles precisaram afastar o sofa para conseguir espaço. A música era tão alta que eu precisei tapar os ouvidos e havia muito mais gente como o casal que eu descrevi inicialmente.

Mas nenhum sinal de Kevin.

Eu caminhei e me esbarrei num cara bêbado que tentou me abraçar.

– Oi, meu amor…se perdeu?

– Me deixa em paz, babaca!

Empurrei ele. Mas o nojento conseguiu segurar meus pulsos e me puxar para ele.

– Me solta! Me solta AGORA!

– Não sem uma dancinha. – O sorriso dele era tão torto, sem falar dos dentes todos sujos de molho de nacho.

Gritei cada vez mais alto mas a música estridente não deixava que nem mesmo eu me ouvisse. Eu estava me sentindo dentro de um pesadelo. Já estava ficando amassada pelo peito desse embuste, me contorcendo e tentando batê-lo, mas aparentemente o cara era uma montanha.

– Alguém me ajuda, socorro! – Eu gritei, já começando a chorar. Naquele momento eu me sentia minúscula, como uma criança na pré-escola.

– SOLTA ELA, AGORA!

Um braço muito forte, em um segundo nos apartou e quando abri os olhos para ver quem era, só consegui ver o cara bêbado e abusador no chão. Ele havia levado um soco. Algumas meninas gritaram ao verem a cena.

Eu olhei para o lado e senti o cheiro daquela colônia florestal. Era Kevin. Mas não o Kevin que eu havia conhecido esta noite. Era o Kevin da primeira vez que nos encontramos. Que me defendeu do Paul. E que tomou conta do meu irmão. E mesmo que o seu semblante se  aproximasse muito de  um tigre sanguinário, ele se aproximou de mim, me envolveu em um abraço, como eu imagino que anjos da guarda fazem com seus protegidos.

– Você está bem? – Me olhou, respirando pesadamente. Os olhos me revistando.

– Sim. Eu acho. – Nem sei se ele me ouviu. Nem o olhei quando respondi.

–Me desculpe. Eu…eu não devia ter te chamado pra essa festa idiota. Ela saiu do controle. Vem, eu te levo pra casa. Me desculpe, S/N. Eu nunca vou me perdoar.

Ele estava muito nervoso. Eu pervebi quando pegou um casaco do canto de sua casa e colocou sobre os meus ombros. Suas mãos chacoalhavam.

– Kevin – Falei alto o bastante para que seu rosto virasse para mim, de súbito. – Agora eu preciso te perguntar. Você está bem?

Talvez ele não tenha me ouvido de novo, porque não respondeu. Parecia que estávamos nos falando através dos olhares.

Com um braço ele envolveu meus ombros e me conduzia a porta. Seus amigos e amigas, ao verem a cena se queixavam: “Que horror, olha como ele deixou o Maicão…” “Vai aonde, Kevão?” “Ei, ei, cara, qual é? Não vai montar no touro?” “Kevin, ela é sua namorada?” "Kevin, amor, quem é essa garota?” “Kevin, Kevin!”

Minha cabeça doía muito quando saímos de lá. O quintal estava tão desértico e silencioso. Eu poderia chamá-lo de paz.

Kevin me soltou. Sua respiração era muito pesada e ele logo se dirigiu para a garagem.

– Me espera aqui, ok? Vou pegar minha moto.

– Kevin, o que eu sou para você?

Eu perguntei, com a voz embargada mas audível. Ele se virou para mim como quem não havia entendido, depois, seu olhar vagou pelo meu rosto, preocupado, porque a essa altura, eu já não negava mais as lágrimas. Deixava elas correrem livremente.

Ele ficou de frente para mim, franzindo o cenho.

– Eu sou uma irmã ou uma amante? – Não acreditei que perguntei aquilo. Mas deu um alívio tão grande, assim como chorar.

Eu olhava para ele pela primeira vez com raiva.

– S/n – Ele gaguejou – Eu queria tanto poder dizer isso de outra forma…

– Apenas diga. – Falei firme.

Mas no instante que ele levou para abrir a boca seus olhos pousaram em alguma coisa atrás de mim. Parecia ser um carro estacionando. Não olhei para trás e já me convencia que o tempo qu ele estava levando para responder, já respondia por si.

Quando ouvi passos atrás de mim, comecei a me preocupar.

– S/N!

Uma mão me puxou para trás.

–S/N! – A voz repetiu. Era a voz de mamãe. Fiquei tão feliz em ouvi-la.

Ela também estava acompanhada de papai. Ambos muito elegantes. Aliás, do jeito que eles saíram de casa.

– O que estava fazendo com a minha filha, seu canalha!? –A voz de papai era agressiva como uma serra elétrica.

Kevin recebeu uma descarga ainda maior de nervosismo.

– Não, senhor. Eu não, n-não estava fazendo nada c-com ela, pelo con…contrário! – Ele se aproximou de mim.

– Afaste-se dela! – Meu pai o empurrou bruscamente.

– Pai! – Nos braços de mamãe eu gritei.

Kevin quase caiu. Seu olhar era tão desolado e havia uma corrente de água escorrendo dos seus olhos.

–Senhor, deixe-me explicar!

– Cale a boca. – Meu pai ordenou. Se aproximando perigosamente de Kevin. Meu coração batia forte e pesado e eu me agarrava mais ainda a mamãe. – Eu poderia acabar com você agora mesmo, se eu não estivesse voltando da igreja. Olha para você… não tem vergonha de querer se envolver com uma menina mais nova que você, seu nojento?

– Papai, para! O Kevin não fez…

– Ela não é estragada que nem você! – Gritou e, se minha visão não tiver me enganado, deu um tapa em Kevin. Ouvi um estampido e o rosto dele ficou baixo – Vagabundo! E pensar que você ficou de babá do meu filho enquanto S/N estava em casa. Eu deveria chamar a polícia agora mesmo!

– Senhor, por favor, me escute. – Não dava pra ver seu rosto, mas sua voz estava tão afogada…ele estava chorando? – Eu jamais faria mal a sua filha. Nem se fosse pra salvar a minha…

Meu pai não deixava ele terminar uma frase. Gritou na sua cara de novo e o empurrou mais uma vez para longe, bradando algo como “ENTÃO NUNCA MAIS APAREÇA NA FRENTE DA MINHA FAMÍLIA”.

Mas a essa altura eu chorava e soluçava e por mais que tivesse tentado, minha mãe não me deixou ir ao encontro dos dois. Ela me levou para o carro e lá esperamos papai voltar.

Era o momento mais constrangedor e caótico que eu já estava vivendo.

– Mãe, a senhora precisa escutá-lo! O Kevin não fez nada comigo, ele me defendeu de um abusador! Ele ia me levar para casa! 

Minha mãe me olhou severamente enquanto fazia com que eu me  acalmasse.

–  Isso não faz dele um inocente.  Ele te convidou para esta festa. E você também tem parte  da culpa. Porque veio.

– Afinal, como  vocês descobriram o endereço dele?

– Quando chegamos  em casa e vimos  que você não estava,  ligamos para Alice, mas você não estava lá. Então decidimos procurar pelo endereço escrito sobre a sua cômoda.

Droga. Eu esqueci de guardar.

– Em casa vamos ter uma  conversa. Mas só amanhã.

Dito isso eu me silenciei. Em palavras, porque continuei a chorar. De vergonha, por ter sido pêga pelos meus pais e por não ter sido capaz  de defender Kevin, depois de tantas vezes que ele me defendera.

Ainda me surpreendi por Alice. Ela sabia que eu estava na  festa, mas escolheu não contar para meus pais.

Depois que meu pai entrou no carro e deu meia volta para voltarmos pra casa, não ousei olhar para trás, mesmo que quisesse. Só olhei pela janela do banco traseiro, aninhada a mamãe, as árvores que transpassaram. Desejando que a noite acabasse logo, agarrando o casaco liso de Kevin. Foi nesse momento que percebi que ainda estava com ele. E provavelmente, não teria mais a chance de devolver.

Eu queria dizer adeus para o Kevin esta noite, mas não dessa maneira.

•••

Eu fui muito ingênua. Ele não merecia que eu dedicasse sequer uma página do meu diário para ele, quanto mais um capítulo inteiro. O título “a perfect boy” não fazia agora o mínimo sentido, então renomeei para “(Not) a perfect boy." Me deitei na cama. Olhando pela minha janela que a noite caiu muito rapidamente e logo faria 24 horas exatas da noite mais vergonhosa da minha vida.

Ele não me defendera das ofensas das suas amiguinhas. Mal me deu atenção em toda a sua festa e deixou claro o quanto era um irresponsável por fazer festas assim. Claro que ele havia me salvado das mãos daquele cara bêbado, mas eu duramente me relembrava: “Isso era o que qualquer homem que se preze faria.”

O casaco dele ainda estava pendurado sobre o gancho atrás da minha parede, desde ontem à noite. Ainda me lembro a exata sensação que me imergiu ao sentir o tecido ser posto em meus ombros: proteção. Detesto pensar que eu talvez, seja amaldiçoada por essa proteção para sempre.

“So confused.

My heart 's bruised.

Was I ever loved by you?”

A cantora ressonou na rádio. Essa era a música que tocava. “Out of reach”. De Gabrielle. Foi, de certo modo, confortante ouvi-lá. Me fez lembrar que o que eu estou passando, alguém já passou na vida em algum momento.

A porta do meu quarto ranchou.

Não olhei para ver quem era. Apenas continuei fingindo que estava dormindo.

A pessoa entrou. Se sentou na beirada da cama. Tinha cheiro de canela e farinha de trigo. E provavelmente estava com o avental sujo também.

– Sabe, é normal. Todo mundo passa por isso. A primeira desilusão amorosa…– A voz de mamãe era suave como o vento que batia e voltava da janela.

Mas eu não acreditava que ela estava falando nisso.

– E…sei que isso não vai ajudar muito mas…eu fiz bolo de laranja do jeito que você gosta…

– Mãe – Eu disse, ainda sem abrir os olhos – Eu não estou sofrendo uma desilusão amorosa, se é o que quer saber.

Eu queria ter visto que cara ela fez.

– Eu estou apenas…– Continuei e depois aumentei o tom em dois decibéis – extremamente chateada por perceber em como fui idiota, ingênua, estúpida ao ponto de fazer esforços para agradar alguém de uma maneira que ele sequer correspondia. E o pior: me senti altamente ridicularizada ao me expor naquela festa cheia de gente vazia e morta por dentro que eu sei que jamais, jamais serei. Eu estou com muita, muita vergonha.

– Isso se chama viver. Infelizmente.

Eu respirei fundo.

– O seu pai, ele admite que pegou pesado com o rapaz. Ele nem mesmo o deixou se explicar.

– Isso não importa mais.

– Um dia, importou. – Ela soltou uma risadinha rápida. E depois o canto da cama onde ela sentara ficou mais leve. – O bolo vai estar no balcão, quando você descer.

Dito isso, a porta se fechou e eu ouvi seus passos escada abaixo. Isso me fez pensar. Se nem meus pais me condenaram, por que eu deveria?

O telefone toca.

Eu o deixo tocar mais umas três vezes. Para ver se a pessoa desistia.

Vendo que ela não desistiu e passou de 5 chamadas, eu atendi.

– Alô?

– Pelo amor de Deus, menina, eu te ligo há horas!!

– Alice? O que você…

– Vai me contar tudo agora mesmo.

– Não. – Falei firme. – Eu não vou contar como o Kevin me fez de palhaça. Mas só pra te adiantar, você tinha toda a razão. Ele é só mais um. – Suspirei – Ele não gostava de mim.

– Eu sei que as coisas não saíram como planejado. Lamento muito por isso. Mas o Kevin talvez…mereça se explicar.

– Explicar? Explicar o quê?

– Vou te pedir uma pizza.

Depois de dizer isso, ela desligou. Alice não tinha o costume de beber, mas eu realmente achei que ela tivesse exagerado um pouco e decidido que eu fosse a primeira a conhecer seu estado não sóbrio.

Pouco tempo depois eu desci para jantar. Aproveitei e comi o bolo que mamãe fez. Brinquei um pouco com Billie e fiz carinho no nosso gato. Quando subi de novo para o meu quarto e já pegava as cobertas para dormir, eu me deparei mais uma vez com o casaco.

Maldito casaco. Tive uma motivação subitamente assustadora. Queria ter a sensação de que essa história agora tinha um ponto final. De que eu vou superar tudo que me aconteceu. Eu me aproximei do gancho das minhas roupas e quando eu já estava a menos de um toque do tecido, um som musical chega ao meu ouvido.

Eram acordes de violão. Era um sol maior, depois um ré e depois um lá menor. O som era tão baixo que achei ser minha imaginação. Ou o rádio. Mas o rádio estava desligado. E eu estava sem disposição para pensar em uma melodia bonita como aquela.

Eu me aproximei da janela conforme o som ficava mais audível. Mas não a abri. Fiquei apenas absorta no som. Algum vizinho provavelmente estava inspirado naquela noite e decidiu pôr o talento musical para fora.

“Since you been gone

I feel my life slipping away

I look up to the Sky

And everything's turning gray.”

Meu coração deu um salto e vibrou. A voz ainda estava um pouco distante. Mas já era o bastante para saber quem era.

“When love makes this sound babe

A heart needs a second chance.

Can't you see I love you?"

Aquela minha vontade ardente de atear fogo ao casaco foi aos poucos morrendo e meu dedo deslizando para o lado a cortina da janela. Eu a abri, ainda escutando aquela voz e violão.

Não acreditei. Eu me recusei a acreditar.

Kevin Richardson está mesmo cantando para mim uma música de perdão de uma banda dos anos 80?

Vestido com seu uniforme de entregador de pizza, com um uniforme e uma mochila quadrada estacionados ao lado, ele tocava com seu violão. De pé, voltado totalmente para a janela do meu quarto, como se o mundo ao redor não importasse. Pude ver seu sutil sorriso aparecer quando me viu abrir a janela. O sorriso como o de quem vê a esperança do tamanho de um vaga-lume, mas fica feliz mesmo assim.

Ele já terminava de cantar a música. Meu coração ainda batia forte. Mas eu ainda não era capaz de expressar emoção. Apenas guardava tudo para mim. Aquele "mim" que eu não sabia nomear.

Quando ele terminou, sorriu para mim. Eu não tive como não sorrir de volta.

– Eu sei que isso não é o bastante para você me perdoar. – Ele gritou, para assegurar que eu o ouvisse – Mas por favor, me dê uma chance. Você é a minha Julieta. E eu cantaria aqui todas as noites, se fosse pra ver você sorrir desse jeito pra mim de novo.

Meu coração se desmanchou por completo, ao ver com que emoção ele dirigia essas frases. Eu segurava forte a janela, pronta para pular e cair em seus braços e falar para ele intermináveis silêncios. Porque foi assim que ele me deixou.

Só que as luzes da sala no andar de baixo se acenderam primeiro.

E meu pai saiu pela porta.

– Mas que barulheira toda é essa?

Droga. Ele já estava de pijama. Minha mãe logo atrás. Eu olhei para Kevin, mas ele havia sumido do meu campo de visão.

Olhei um pouco mais para ver se ele havia se escondido por alguma grama, o que eu esperava que sim, mas na verdade sua voz pôde ser ouvida ainda lá embaixo. Se aproximando da porta para abordar meu pai.

Meu Deus, acho que foi a última vez que o ouvi cantar para mim.

– Senhor S/S. Eu não mereço sua filha. Estou ciente disso. – Sua voz saiu com uma determinação forte como uma estaca sendo plantada ao chão. – Mas eu precisava pedir perdão.

Eu desci as escadas correndo rapidamente. Não me importava se eu já estava de camisola também, eu precisava impedir aquele desastre.

Passei pela minha mãe e meu pai como um judeu passaria por dois soldados Romanos para escapar da prisão.

E abracei Kevin pelo pescoço.

– Deixem-me conversar com ele a sós. Por favor. Por favor. – Foi nesse tom que que eu também implorei para adotar aquele coelhinho na loja de animais, aos 4 anos de idade.

•••

– Vejo que você já cantou. Então, agora, o que tem a me dizer?

Eu perguntei, propositalmente seca, olhando diretamente em seus olhos que debaixo do iluminação penumbrosa da noite, brilhavam como verdes-acastanhados. Ele não me respondeu, no entanto.

Foi ao me deparar com seu silêncio que eu percebi também mais uma coisa: Ele estava ofegante. Um chiado de ar saia por suas narinas e seu peito não parava de se expandir e comprimir.

– O que…houve? – Tomei coragem para perguntar.

Com um passo a frente, decidido como sempre, ele me rodeia em um abraço. E agora eu consigo sentir os batimentos frenéticos por estar dentro de seu peito.

Juro, ficamos por pouco mais de 6 minutos naquela posição. Em completo silêncio. No meio do quintal. Isso teria me assustado, se não fosse tão bom. Todos os abraços do Kevin eram…bons. No sentido mais extenso da palavra. Bons como provar um gelato italiano, quase tão bom como tirar uma maravilhosa soneca depois da escola e bom no nível de voltar pra casa, após uma semana fora.

Mas o melhor de tudo foi acompanhar, compasso por compasso, o ritmo de seu coração se abrandar, conforme os minutos se passavam. Com o ouvido colado nele, ficava difícil não perceber.

– Eu sinto muito. – Eu o ouvi sussurrar. – Eu sinto muito – Depois murmurar, com a voz mais espessa.

Eu me desenrolei de seus braços.

– Eu é quem devo pedir desculpas. – Interceptei.

Seus olhos se alargaram. Eu estava finalmente agindo como uma pessoa madura.

– Isso mesmo. – Continuei. Sem ainda dar um único sorriso desde nosso encontro. Uau. – Eu compreendi errado nossa relação

– S/N…

– Eu – respirei fundo. Já que comecei, seria bom terminar – Estava louca por você. Pelo significado que dei a você. Mas você me tinha só como uma…eu acho, nem como amiga você me tinha. Eu era só uma garota como qualquer outra.

– Pelo amor de Deus! – A exclamação de Kevin me deu um leve susto. Foi a primeira frase que ele falou comigo perto de ser um grito. – Eu sei que eu fui um completo idiota e frouxo com meus sentimentos mas não significa isso! Você é mais do que uma garota pra mim.

– Para, eu sei que…

– É a mulher mais madura que já conheci. Você não é nada superficial ou atirada. Você deixa suas qualidades realçarem antes de qualquer coisa. E…droga, você é tão linda.

– Kevin! – Eu exclamei. Nem sei por quê. Medo de tudo. Medo do nada. Medo de alguém nos ouvir. Meu pai.

Ele apenas me olhou, prestes a falar algo.

– Não me culpe por dizer a verdade.

Eu olhei para os meus pés. Havia tantas coisas ainda sem resposta. Mas espera aí, ele havia realmente dito aquilo tudo sobre mim?

– Eu não sei se você pode me perdoar. Ou me ver de outra forma. – Ele continuou, visto que eu ainda estava muda e intacta no lugar. – Eu só precisava vir aqui e esclarecer essa bagunça. Minha bagunça.

– Nossa bagunça. – Eu sorri. Erguendo o queixo na sua direção lentamente. – Saiba dividir a culpa.

Em seguida apontei para trás. Kevin sorriu, colocando a mão na face esquerda, fazendo uma careta. Certamente receber uma bofete do meu pai e ainda ter coragem de vir aqui dizia muito sobre o que ele sentia por mim.

– Se eu puder te pedir um favor, eu te peço…– Ele balbuciava com dificuldade. Como se os próprios lábios estivessem com dificuldade de pronunciar as palavras. – Me esquece devagarinho, por favor…e guarde somente as boas lembranças.

Seus pés se viraram para o lado oposto e seus passos já assumiam passadas lentas mas que eram uma latente distância entre nós.

– Kevin, espere.

Ele parou. De costas.

– Seu casaco. – Continuei.

Eu fui correndo a até meu quarto. Subi as escadas e silenciei um pouco os passos ao passar pelo quarto do Billie. Meu coração nunca bateu tão rápido. Mas eu apesar de trêmula, estava decidida sobre o que queria fazer. Peguei a roupa do cabide – A mesma que eu pretendia queimar, horas atrás. Beijei e a coloquei dos ombros.

Kevin, que mantinha o olhar fixo Na porta, ao me ver, esboçou uma reação de saudade dolorida. Um sorriso acolhedor mais com um olhar tão melancólico. Ele não estava pronto para dizer adeus.

Fiquei bem perto dele.

– Eu quero ficar com esse casaco.-- Lancei um olhar travesso para a roupa que eu vestia e depois para ele – E com o dono dele também.

Pulei em seu pescoço. Os pés ficaram na ponta e eu mal encontrava o chão, mas Depois, Fiquei completamente suspensa no ar pois ele havia agarrado minha cintura. Agora eu girava. Depois afastei meu rosto de seu pescoço, encontrando seu olhar.

Ele sorria…ah, aquele sorriso. Era simplesmente Kevin Richardson. Deleitante e intimidador ao mesmo tempo. Ter esse momento sempre foi tudo que eu quis. Ser o alvo de seus olhos, se seu Sorriso, de seu amor.

Claro que nos beijamos. Dessa vez, um beijo “de verdade”, como diria Alice. Aliás, havia uma dúvida restante nesse encontro.

– Você não deveria estar trabalhando? – Fiquei com as bochechas rosadas quando parei nosso beijo.

– Mas eu estou trabalhando. – Kevin soltou uma risada abafada. – Havia um pedido para a sua casa. Não foi você?

E no mesmo instante eu me toquei. Nunca mais subestimaria o poder de uma grande amizade. Alice.

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