Brian Littrel #2
⚠️ Essa imagine aborda a temática de abuso sexual, sem romantizá-lo ou fazer apologia. Porém, se isso lhe causar gatilho ou qualquer desconforto, não leia. Tem muitas outras imagines boas pelo livro <3.
Only trust me.
Brian's Pov
Multidões gritando, som quicante da bola bem à minha direita, uma visão embassada com foco apenas nos jogadores, entoar do apito do juiz e uma voz muito rouca de tanto gritar. Esse é o meu pacote completo, a cada torneio do inter-classe.
Poucos segundos depois de marcar o ponto que nos classificaria para o próximo torneio entre as escolas, eu olhei para um lugar em especial nas arquibancadas. E mesmo com a distância não me dando certeza se ela olhava para mim, eu gesticulei com a boca, soltando um beijo: "Foi por você."
Jogar basquete pra mim era como comer panquecas e waffles no café da manhã. Algo natural e que parecia que nasci fazendo.
Mas não, nem por isso era algo fácil. Aquela Vitória custou. Meus joelhos estavam me destruindo de tanta dor, já que por um momento eu os usei como molas. Parecia até que tinham uma ferida aberta. Fui até as arquibancadas vazias , depois de ter ouvido o último recado do treinador e pegado minha mochila no vestiário.
Lá estava ela. Sentada, com o caderno sobre as pernas. Sua expressão era de pura concentração e meu lado cético até aponta se ela de fato prestou atenção no jogo. Se olhou o modo como eu marquei aquele ponto. Se viu como meu olhar se virou para ela no meu primeiro segundo como vitorioso. E por mais que seja difícil supor isso, gosto de imaginá-la sorrindo, gritando e me acompanhando com o olhar pela quadra.
Ela ergue a cabeça.
– Meu campeão.
Ela largou suas coisas no banco e veio correndo até mim, o que, por Deus, eu agradeci mentalmente, por não ter que subir aquelas arquibancadas com o joelho lesionado.
Ela me abraçou, agarrando meu pescoço suado. Odiava ter que tocar aquele corpinho todo perfumado quando estava suado como um porco, mas naquele dia, eu até a levantei no ar, dando um giro.
– Você viu aquele lance? – Falei, a voz abafada pelos seus cabelos – Só me restavam 4 minutos!
– Eu vi sim. – Ela se desvencilhou de mim, mas com o rosto próximo. – Mas qual é, vindo de você, nada mais me impressiona.
Ela sorriu da mesma maneira que eu sorria pra ela. Como se tivéssemos conquistado algo só nosso. O mundo girou devagar.
Talvez só eu tenha a façanha de ver o mundo girar tão rápido pela adrenalina do jogo e momentos depois vê-lo desacelerar com a minha namorada.
De repente, ela desvia. Eu poderia continuar a fitando o dia todo. Seu olhar encontra meus joelhos com compressas de gelo amarradas.
– Brian! Outra lesão?
– Ah...é...sabe como é. É inevitável – Falei, levando as mãos à nuca. Não podia alimentar sua preocupação. – Acontece com todos os grandes jogadores.
Sorri de volta, mas ela me olhou como quando minha mãe me olhava depois de ouvir uma piada minha sem graça.
– Todos os jogadores que um dia perderam a cartilagem do joelho?
Eu olhei em volta. Só havia nós dois na quadra. O restante da escola estava do lado de fora, pronto para provavelmente comemorar ao som de muita música.
– Vem cá – S/N me puxa pelo ombro. – Vou cuidar disso pra você.
– Sim, senhora. – Só me restou segui-la.
Eu me estiquei sob o banco da arquibancada e S/N tirou de dentro de sua bolsa uma pomada anti-inflamatória, ficando de frente para mim.
– Eu não sei o que eu faço com você. – Falou imitando o tom de voz da minha mãe.
– Hm...que tal, me dar um pirulito se eu for um bom menino? – Virei o pescoço como um cachorrinho fofo e pidão faria. Ah lá, até o biquinho estava ali.
Ela riu. Vou lhe adiantar, leitor: se acostume a ver ela rindo. Eu sou um namorado palhaço.
– Se você se comportar...mas só se se comportar...– Ela me olhou estreitando os olhos – Um beijinho talvez.
Mordi o lábio.
– Nada mal.
Não querendo me gabar, mas eu me comportei como um príncipe. Ela passou uma boa quantidade de pomada em meus joelhos, o que ajudou significativamente a suavizar a dor. Estava até conseguindo dobrá-los sem fazer careta.
– Que pomada milagrosa foi essa!?
Ela guardou o remédio na bolsa, bem como todos os seus materiais que estavam soltos pelo banco e os recolheu.
– Apenas um item essencial na bolsa da namorada de um jogador armador. – Falou, fingindo ser uma ultra patricinha.
Mas agora eu queria meu prêmio.
Entrelacei nossos dedos no banco e na hora eu a paralisei, enquanto arrumava a mochila. Ela olhou pra mim, enquanto meu rosto lentamente se aproximava, como um fio que puxava minha boca para a sua.
Nossos lábios se enlaçaram e de novo eu pude sentir aquele gosto de morango do seu brilho labial. Era tão doce e macio...como algodão doce. É.
Só que aos poucos o algodão doce foi sumindo.
– Brian, eu preciso ir agora.
Pegou sua mochila rapidamente e se levantou. Quando me dei conta que ela já ia embora sem nem mesmo ter olhado pra trás eu gritei:
– Ah...Tá. Até amanhã, meu amor.
Não tenho como descrever minha cara de maior confuso, naquele banco.
~ • ~
No dia seguinte, todos da escola me parabenizaram e ao mesmo tempo desejavam melhoras para meu joelho. Eu já conseguia andar normalmente e sem incômodo.
Nosso treinador não era do tipo mole e nem muito simpático também. Então, apesar da nossa vitória esmagadora ontem, ele nos incutiu veemente a pegar ainda mais pesado nos treinos. Segundo ele, aquela Vitória foi "um milagre", não um sacrifício.
– Que tolo. – Um dos meus colegas, William, vociferou enquanto nos trocávamos no vestiário. – Por que ele não consegue ver que só ganhamos pelo esforço do nosso bom time? A gente já se mata pra conseguir ganhar uma competição dessas.
– É! E olha que o time da Squares é considerado o maior da cidade. – Larry, um narigudo de 1,90 e com voz de quem comia batata quente rebateu.
‐- É, gente, é injusto mesmo. – Falei, amarrando o sapato. – Mas acho até bom
a gente treinar mais. É sinal de que ele vê nosso potencial.
Dito isso, os meninos não falaram mais nada. Continuaram vestindo suas camisas e balbuciando assuntos distintos. Até que Scott, o grande, um afro-americano mais bombado que nosso treinador, fez sua voz vibrante ser ouvida por todo vestiário:
– Ei Brian, nada mal aquela sua gatinha, hein.
Ele era sempre tão discreto...
Estiquei minhas meias até o tornozelo.
– Obrigado, Scott. – Fiz questão de falar baixo. – Obrigado...
– É, ele tá certo! – William deu um tapão nos meus ombros – Há quanto tempo vocês estão juntos?
– 1 mês.
Todos os caras, sem exceção, fizeram um coral de "Ownnnnn".
– Aposto que ela deve ter feito o colchão parecer nuvens pra você ontem, não é? – Insinuou o narigudo.
Eu fiquei em silêncio. Odiava esses assuntos.
Não falar de garotas, é claro. Me refiro ao que eles fazem com elas.
Ele percebeu meu silêncio.
– Qual é, Brian! – Ele riu, erguendo as mãos para o ar – Vai me dizer que vocês ainda não fizeram...?
– Claro que sim. Agora me deixa. – Me levantei de imediato.
Claro que ela preparou. Refleti minha resposta impensada. Me deixar no banco com cara de tonto enquanto eu ia embora conta como surpresa?
Larry riu a plenos pulmões.
– Você não está com cara de quem sentiu o colchão virar nuvens na noite passada.
Eu cerrei os dentes. Persistir no assunto só ia piorar tudo. Eu já via bem como seria.
– É verdade. – Outro comentou. – Não é bom sinal.
O quê!?
– Por que não chama ela pra ser líder de torcida? – Indagou Igor, um descendente de italianos – Quer dizer, todas as nossas namoradas são então...podia ser uma boa ideia?
Minha mente se iluminou e os ombros aliviaram. Era uma ótima ideia. Já via minha S/N torcer por mim enquanto fazia uma bela coreografia ensaiada. Sucessivamente, ela começaria a sair com a gente em pares...
– Boa ideia. Vou fazer o convite. – Sorri, sem mostrar os dentes.
– Vamos, vamos, vamos! – O treinador entrou como um furacão no nosso vestiário. – Acho que a língua de vocês já foi treinada o bastante.
Aquela invasão teria sido um grande susto para nós, se já não fosse ritual.
Quando o treino acabou, tive a surpresa de ver, um pouco distante, mas ainda assim, o mesmo banco que as namoradas dos meus companheiros, S/N. Esperando por mim.
– Que surpresa te ver por aqui –, me sentei ao lado dela, arquejando.
Ela rastejou alguns centímetros para o lado oposto.
– Pois é. Acabei aparecendo de última hora. – Ela deu um curto risinho. Depois olhou em volta, vendo os meninos cumprimentando suas garotas.
Tossi de leve.
– Você...estava conversando com elas? – Indiquei discretamente para a direção das lideres de torcida.
– Estava até que parei. – Ela virou para mim dando de ombros – Falta de papo.
Assenti.
De repente, pra quebrar toda aquela monotonia e diplomacia da conversa, eu irrompi como um foguete e disparei com a seguinte frase:
– Preciso te perguntar...–
– Uma coisa...– Falamos ao mesmo tempo.
Olhamos um para o outro com os olhos largos.
– Bem, damas primeiro. – Sinalizei, fazendo uma mesura.
Ela riu. Mas meio tensa.
– Você pode achar um pouco inconveniente mas...Brian, – Ela chegou cada vez mais perto – Você está se dedicando para as provas globais?
Me segurei pra não fazer a mesma cara de quando tomo um remédio bem amargo.
– Estou...claro.
Ela estreitou o olhar, não convencida.
– Eu conheço o seu "claro."
Cocei a nuca e senti que a curta distância entre nós devia ser eliminada. Então fui mais para a frente.
– Tá bom, gatinha, eu não me dediquei tanto. Mas você sabe. Foi pelos treinos.
– É por isso que vou lhe propor o seguinte: – Ela se empertigou – Você vai estudar comigo. Todas as segundas e quartas no mesmo horário. Na biblioteca.
Uau. Ela foi mesmo categórica. Eu adorava garotas estudiosas.
– Tudo bem. – Ergui as mãos em rendição, mas com um sorriso indo de ponta a ponta.
– E você? – Ela virou um pouco para o lado. – O que queria me dizer?
– A-h, bem eu... – As palavras pareceram fugir voando pelo ar. A história de estudar mexera um pouco com minha programação mental antes ocupada por basquete, namorada e dormir. – Ia perguntar se você não queria ser líder de torcida do time.
Ela imediatamente franziu o cenho.
– Eu!? Não acha que seria um pouco estranho?
– Eu acho que seria muito agradável de se ver. – Pisquei.
Ela bateu no meu ombro.
– Brian! Desde quando você ficou pervertido assim?
Eu ri. Ela sempre levava a sério minhas brincadeiras desse tipo.
– Mas pensa sobre. Seria uma forma de você conhecer minha galera.
Ela não me pareceu muito contente. Tudo bem ela não estar interessada. Mas ela não parece feliz desde o primeiro momento que a vi.
Então, quando ela estava distraída olhando para a cesta de basquete, a puxei para um abraço. Ela não recusou, então fiz carícias nos seus cabelos e nas orelhas, brincando com seu brinco.
Ela suspirou e seu ar quente veio de encontro ao meu peito.
– Vou tentar. Por você. Mas só se focar bem nos estudos, ok? Não quero te ver de recuperação.
– Tudo bem, meu amor.
Ficamos assim por um tempo, mas eu estranhamente sentia sua respiração ficar ofegante, como se ela não estivesse dentro de um abraço, mas sim presa em volta de uma corrente.
– Tá tudo bem? – Interroguei baixinho.
– Tá, tá, tá sim. – Falou sem pausas e como um pássaro levantando voo, soltou-se do meu abraço com uma facilidade tão grande que nem parecia sentir meus braços.
Não deixei de lhe fitar com um ar de preocupação, mas principalmente tristeza, porque ela não havia sido honesta quando perguntei se estava tudo bem.
E assim, ela rastejou mais uns 5 centímetros para o lado.
~ • ~
– Mãe.
– Sim?
– Acha que eu sou um péssimo namorado?
Ela parou seu bordado por alguns segundos para me encarar.
– Tem certeza que está perguntando isso para a mulher certa?
Eu soltei uma risada com o nariz. Ela continuou:
– Tá, o que aconteceu entre você e S/N?
– É que, por você ser mulher, eu gostaria de ouvir sua opinião. – Me sentei ao lado dela. Ter aquela conversa com a mãe era tão esquisito, mas era necessário. – O que faz uma mulher repelir um cara?
Ela me encarou pensativa por alguns segundos, como se quisesse se antecipar sobre o problema que eu estava pondo em questão, Mas ao ver que dificilmente conseguiria extrair algo tão rapidamente, só respondeu:
– Meu filho, uma mulher pode querer repelir um cara por muitas razões. Mas eu não acredito que você venha a ser uma delas. – Ela pôs uma mão no meu coração. E ele começou a bater mais forte por aquelas palavras.
– Mas...pode me citar alguns exemplos?
– O homem pode estar sendo simplesmente irritante ou mortalmente ofensivo, ou invasivo ou, em casos mais extremos, sendo um abusador. Uma garota muitas vezes precisa de espaço, entende? Mesmo tendo um namorado tão prestativo e bom. Isso é coisa nossa, meu bem. Não se force a entender. Não queremos que nos entenda. Apenas queremos respeito.
Não havia pessoa melhor no mundo para ter aquele tipo de conversa. Minha mãe era incrível.
– Ah, tá bem, mãe. – Não demonstrei nem metade do meu orgulho, pois estava começando a ruborizar. – Obrigado.
– Você sente que S/N está querendo te afastar?
Hesitei alguns longos segundos para responder aquilo. Não queria que minha mãe se preocupasse com meu relacionamento, tampouco que se preocupasse com seu já bem crescido filho de 15 anos, como se fosse um bebê. Mas, o vazio que meu peito sentia não me deixava mentir.
– Sim.
Então, ela continuou a bordar. Ela fazia um lindo barco flutuando no mar.
Vi um sorriso de canto na sua boca. E aquilo me reconfortou.
– Converse com ela. Tudo fica claro com um diálogo sincero.
~ • ~
Continuei refletindo sobre os exemplos apontados pela minha mãe e eu meditava se eu estava sendo alguns deles: irritante, ofensivo, invasivo e abusador. Será que eu me encaixava em alguns deles?
Por mais que a ideia de cada um me ferisse de uma maneira que não me sinto capaz de explicar, eu cogitava seriamente de ter sido irritante. Será que eu estava soando presunçoso desde a Vitória no basquete? Será que ela se irritou por eu ter tocado no assunto líder de torcida? Será que ela...não gosta mais de mim? Ou nunca gostou?
Terrível hora pra lembrar disso, mas as palavras de William no vestiário ecoaram neste mesmo segundo. " Isso não é um bom sinal."
– Brian, você está prestando atenção?
A voz de S/N me fez ficar zonzo, voltando à realidade. Rapidamente fiz uma atualização mental do meu momento: Biblioteca. Intervalo. Estudando biologia com a namorada.
– Sim. Sim, estou.
– Então pode me dizer pra quem servem os glóbulos brancos?
Eu coloquei o lápis na boca. Eu lembrava daquilo. Mas a memória não estava obedecendo. Olhei para o auto, comecei a pensar...pensar...
– Para...proteger nosso corpo de organismos estranhos?
Seus lábios se encurvaram.
– Correto. Mas eu te noto tão avoado...você precisa se concentrar mais. Lembre-se: Isso é o seu futuro.
– S/N. Podemos conversar, meu bem?
– É o que já estamos fazendo. Conversando sobre a matéria.
Auch!
– Eu digo, conversar sobre nós. – Falei com firmeza, minha mandíbula se tencionando. Uma postura que sempre me fazia esquecer que um momento já fui um cara divertido.
Ela colocou a caneta sobre a mesa e cruzou os braços.
– Sobre o quê, exatamente?
Eu também assumi uma postura mais defensiva. Estufei o peito e joguei os ombros para trás, encarando-a com seriedade.
– Por que eu sinto que você está tão ríspida comigo?
– Ríspida!? Eu?
Ainda bem que só havia nós dois naquele lado da biblioteca.
– Você se afasta quando tento te fazer um carinho, não devolve mais meus beijos, pelo contrário, parece querer que eles acabem logo. – Desabafei, surpreendendo até a mim mesmo. – E...e...não faz nenhum esforço pra me abraçar. Qual é? Somos namorados ou desconhecidos forçando contato?
Ela congelou. Seus olhos estavam arregalados e eu temi ter falado demais, embora estivesse sentindo uma leveza no peito.
Eu esperei todo tempo do mundo para ela responder. Mas ela ficou em silêncio. Ela guardava seus materiais na mochila em silêncio e não me encarava. Quando me convenci de que ela estava em uma fuga, falei antes que ela se levantesse:
– Não vai me responder?
– Eu ainda não estou pronta para conversar sobre isso. Me desculpe.
Foi tudo que ela disse. E se levantou, fechando a porta da biblioteca.
Eu já me convenci de ter sido pelo menos três da lista de exemplos da minha mãe: Irritante, invasivo e ofensivo.
~ • ~
Recebi uma mensagem dela no final do dia. No finalzinho mesmo, quando já estava posicionando minha cabeça no travesseiro pra dormir.
Olhei para a tela do celular em desânimo. Apertando o olhar por ser bombardeado por uma única fonte de brilho no quarto escuro.
Sinto muito pela minha reação na biblioteca. Eu estava muito, muito cansada. Não sabe como as provas globais têm me preocupado. E me preocupo com você também.
É só essa a causa do meu estranhamento que você notou.
Se quiser, pode aparecer aqui em casa no sábado pra assistir filme. Não vou sair de casa.
Bjs. Boa noite.
O sorvete de chocolate com bolo de laranja estava simplesmente uma delícia. Sempre que eu vinha a casa de S/N havia uma sobremesa diferente me aguardando. Só que desta vez, não fora minha amável sogra que o preparou, foi a própria S/N.
– Onde você disse que seus pais foram mesmo? – Falei, mal conseguindo parar de enviar bolo na boca.
– Foram a uma reunião da instituição em que eles atuam. – Olhou para o relógio. Marcava 14:25 – Que tal assistirmos ao filme agora?
– Ótimo. Qual vai ser? – Eu raspava a tigela de sorvete com a colher.
– Grease. – Me lançou um sorriso de canto.
Eu amava aquela garota.
E daí que já tínhamos assistido esse filme umas...656 vezes? Nos acomodamos no sofá da sua sala e de repente, um pensamento me veio na cabeça, causando frio na barriga: Eu estava sozinho em casa com ela. Será que ela estava querendo me dizer algo ou fora apenas o destino? De qualquer forma, não deixa de ser a ocasião perfeita para fazer as pazes.
Não é pelo motivo que parece. Eu realmente estava desesperado para derreter esse gelo que estava entre nós. Nossos diálogos não eram dos melhores.
Ainda bem que o filme aliviou a tensão. Rimos nas partes engraçadas, ela comentou algumas partes com informações que eu não sabia (a produção disponibilizou 100 mil chicletes para o elenco durante as filmagens!) e até cantamos juntos com direito a troca de olhares nas nossas músicas favoritas.
Eu cantei, todo interpretativo:
"Summer loving had me a blast"
E ela me acompanhou, usando o controle de microfone:
"Summer loving happend so fast."
Continuamos. Broadway não sabia o que estava perdendo.
"I met a girl crazy for me..."
"...met a boy as cute as can be..."
Foi incrível. Naquela hora eu soube que tudo estava bem.
Quando o filme chegava às cenas finais, eu percebi que ela ia se aproximando cada vez mais do meu peito, enquanto estava sentado no sofá. Até essa altura, eu não tinha reparado. Apenas quando sua não alcançou a minha e a colocou meticulosamente ao redor de seu ombro foi que eu percebi. Tudo estava muito bem.
O filme acabou.
E eu ainda não tinha a menor vontade de me afastar.
Ela também parecia que não porque não se moveu.
– Sabe, – Comecei, mesmo não sabendo ainda o que diria – Você canta bem.
Ela deu um risinho discreto.
– Não precisa mentir, Bri. Eu sei que tenho outras qualidades. – Ela voltou o olhar para mim. – Você é quem realmente canta bem. Maravilhosamente bem.
Sorri, com os olhos em cada detalhe do seu rosto. Dando uma atenção um pouco exagerada.
– Que foi? – Ela indaga, em sutil confusão.
– Nunca pensei que teria esse rostinho tão perto de mim. Achei que só nos sonhos mesmo.
A frase saiu com tanta naturalidade que me assustei. Era algo que nunca planejei dizer pessoalmente. Mas sempre estava dentro de mim.
– Você já sonhou comigo?
– Diversas vezes. Antes de namorar você. – De volta, o senhor sincero – Mas quando comecei a namorar você, parei.
– Porque você agora conseguiu o que sonhava. – Ela sorri, sem jeito.
– Não. A vida real virou um sonho. -- Olhei para ela com ternura e seriedade. Se é que eu consegui transmitir essa emoção.
Ela gargalhou. Poxa.
– Uau, foi...fofo. e clichê. Desculpe... – Ela soltou o riso novamente. Sua cabeça ainda fazendo peso sobre meu peito.
Rolei os olhos para o alto. Negativando com a cabeça.
– Brian, o que você viu em mim? Sério. Eu não sei se parou pra pensar mas...fora a paixão por cantar e o mesmo senso de humor, não temos nada a ver um com o outro. Não sou uma pessoa esportiva. Nem você é tão cdf.
– O amor não é lógico. – Apontei para a televisão – Não viu que a Sandy e o Dan também não tem nada a ver um com o outro, inicialmente? Mas eles viram um no outro algo que faltava neles mesmos. Quando eu conheci você, eu senti vontade de te carregar pra minha vida. Mais do que uma melhor amiga. Toda vez que a gente conversava parecia dois jogadores em sintonia para marcar um ponto. E sempre que eu te fazia rir, eu me perguntava por onde você esteve todo esse tempo.
Nos seus olhos, eu via um vislumbre de emoção ou tristeza? Só sei que eu a deixei sem palavras. Sem. Palavras.
Aquele discurso também parecia ter levado todas as palavras que ainda me restavam no cérebro. Então, deixei que o não verbal falasse agora.
Comecei beijando seu rosto repetidas vezes, até ela se inclinar para que eu beijasse seus lábios. Àquela altura, os beijos foram ficando longos, como o fogo em fósforo que resiste à intromissão do vento. Logo, meu corpo falava, nossos corpos falavam. E eu não tinha nenhum controle sobre o que eles diziam.
De alguma forma, ela se deitou no sofá, comigo por cima. Minhas mãos pressionavam sua cintura e as dela estavam nos meus ombros. A respiração estava ficando pesada. O beijo foi duradouro. Era como sentir fogos de artifício dentro do peito.
Mas após certo tempo que eu sentia suas quentes e delicadas mãos nos meus ombros, eu sinto um ardor excruciante. Ela os arranha. Com força.
Eu não paro, porque aquilo foi até um pouco excitante. então ela começa a me empurrar, depois a debater seu corpo de um lado para o outro gemendo como se estivesse sentindo dor, o que me fez recuar por um momento, mas aí, numa questão de milissegundos, ela me empurra, com tanta força que eu caio para trás com as costas no sofá, arquejando.
E agora, meu peito estava doendo pelo golpe. Uma injúria que eu nunca tinha recebido de qualquer oponente no basquete, mesmo o mais agressivo. E doía tanto.
Me ergui para olhar seu rosto e ela estava de pé no meio da sala. Com os olhos marejados. Com uma expressão que eu só consigo descrever como puro pavor.
Sua respiração era pesada e ela tremia.
Talvez eu também a encarasse com o mesmo pavor, porque me falou com urgência:
– Brian, eu quero confiar em você!
Depois ela se levantou com um salto e correu para o quarto, tapando o rosto com as duas mãos.
Fui atrás dela. Apenas para levar uma porta na cara.
– S/N! Por favor me conta, o que tá acontecendo com você? Eu tô preocupado. – Colei naquela porta.
Só conseguia ouvir som de choro abafado. O que aumentou meu pânico em níveis absurdos.
– S/N? – Falei mais alto.
– Brian... por favor, v-vai embora. antes, antes que meus pais cheguem. – Quase não entendi de tanto que sua voz oscilava.
– Foi alguma coisa que eu te fiz?
– Só vai...embora. Por favor.
Bati na porta algumas vezes, só pra perceber que eu também tremia.
– Eu não vou embora sem saber que você está bem. – Fechei os olhos e me concentrei, para que ela não percebesse minha voz alterada pelo nervosismo – Por favor, vamos conversar. Eu...me desculpa se foi alguma coisa que eu fiz, eu só...
– VAI EMBORA!
Engoli em seco. Ainda não acreditava que todas aquelas cenas estavam acontecendo.
Tudo decaindo, quando ia tão bem.
Ela não me queria ali.
~ • ~
"Brian, eu quero confiar em você!"
Aquela frase que ela me jogara quando parecia estar sofrendo um sério conflito interno não parava de martelar a minha cabeça. E quando martelava, fazia meu coração sentir uma dor semelhante ao de um pisoteamento.
No dia seguinte, ela não apareceu na escola. Me senti péssimo. Me senti um lixo.
Me senti culpado. E o pior de tudo: Eu nem sabia exatamente o por quê.
Talvez ela não tenha gostado de onde nosso beijo estava nos levando. Mas eu não havia feito nada que não havia feito antes. A única diferença era que estávamos completamente sozinhos.
Ou talvez...
Talvez
Ela não gostasse de me beijar.
"Isso não é um bom sinal." A lembrança de meu amigo William no vestiário e toda a conversa envolvendo S/N veio à mente.
Então, as peças começaram a se encaixar.
O modo como ela parecia neutra depois de ter dito que já sonhei com ela. Como se não tivesse gostado. O modo como sempre saía rapidamente dos meus abraços.
Mas principalmente, como ela não fora honesta comigo. Sem confiança, não há relacionamento. Então, acho que é isso.
Fingia prestar atenção nas aulas, me distrair nas conversas com os amigos. Mas nada me tirava da cabeça esse furacão de dúvidas, raiva e rejeição.
"A maioria dos primeiros amores são para nos amadurecer, não para durar. " Foi a frase consoladora da minha mãe.
No dia seguinte, S/N também não foi. Mas diferente do primeiro, aquilo não me preocupou. Apenas passou despercebido. E me deixou até um pouco...aliviado.
Um pouco.
Ou quase nada.
Pelo menos, era dia de treino. Precisava daquele banho, que, com muita torcida, restituiria meu humor e minha concentração.
Quando saí, os meninos já estavam numa conversa calorosa, regada a muitos risos, mas talvez o banho não tivesse melhorado minha cara, porque foi só me verem que o clima baixou.
– Ei, Brian. Você parece abatido – Falou Scott, o grande.
– Cansado, eu diria. – Simulei um sorriso.
– É normal não estar 100%, meu caro. – Consolou William.
– Eu acho que ele está assim porque a namorada dele faltou têm dois dias. – O narigudo do Larry tinha que se meter onde não devia.
– Verdade!
Eles continuaram balbuciando alguma coisa mas eu me recusava a escutar.
Até que Larry sentou no banco à minha frente, para calçar os tênis.
– Brian, amigo, sua garota pode estar aí à solta trepando com outro cara... – disse ele.
Eu torci o nariz, fingindo não ouvir.
–...Você deveria se preocupar.
– E você deveria pôr esse nariz gigante na sua própria vida, que é só onde ele cabe mesmo.-- Minha voz saiu segura e bruta. O fuzilei com um olhar que até eu desconhecia.
Todos soltaram um tenso "uuuu..." seguido de risadas zombeteiras.
A cara de Larry foi impagável. Mas isso foi até pouco pra ele.
Não era normal os meninos me verem naquele estado, então eles mutuamente decidiram me deixar quieto. O que só me enterrou mais ainda em solidão. Comi uma barrinha de cereal, sem pressa, enquanto todos se dirigiam para a quadra e eu ficava sozinho.
Quando abri meu armário para pegar o restante das roupas que eu já vestia, senti algo cair no chão. Isso mesmo, senti. Não ouvi som, tampouco vi alguma coisa. Mas quando olhei para o chão, um pequeno papel dobrado me alertava de que antes não estava lá. E que tinha saído das minhas coisas.
Apanhei e abri, pressuroso. Eu tinha um treino que começaria em alguns minutos.
Ao me deparar com a primeira frase
, meu coração parecia ter despencado da caixa torácica.
"Querido, Brian..."
Era a letra dela.
Feito um imbecil em estado de negação eu desviei o olhar do papel, comecei a analisar meu armário com cuidado para ter alguma evidência de que havia mesmo estado nos meus pertences.
Meu coração agora batia como bumbo de banda de Death Metal. Veloz e violento.
"Querido, Brian.
Sei que não fui a melhor namorada nestes quase 1 mês de namoro. Sei que com certeza fui uma namorada insuportável em uma única semana. Sei que eu devia ter sido um paraíso para você ao invés de um inferno. Eu não me sinto pronta para escrever o que vou escrever agora, mas por amor a você, eu vou.
Há uma coisa sobre mim que eu nunca te contei. Nunca contei nem para minhas amigas mais próximas. Apenas eu e meus pais sabemos disso. Há 3 anos atrás, no final de uma aula de educação física do meu ensino fundamental, eu fui abusada pelo meu professor. Isso mudou a minha vida de uma maneira brusca, como se eu tivesse sido forçada a viver o mundo de cabeça para baixo. De alguma forma, eu senti que a culpa havia sido minha, e eu fiquei muito mal, me sentia suja. A questão é que, eu passei a ver todos os homens de uma maneira ruim. "De cabeça pra baixo", pode-se dizer assim. Eu passei a sentir nojo de estar perto deles. Até com o meu próprio pai, o homem que eu mais amo no mundo, eu me senti assim. Isso me destruiu de dentro pra fora.
Mesmo depois de 3 anos e de vários acompanhamentos psicológicos, eu ainda temia ter um contato tão próximo com um homem, por medo de alguma forma eu reviver aquele pesadelo. Até que eu conheci você. Eu tenho esse dia registrado das mais diversas formas possíveis: O cheiro que eu senti, a música que eu tinha em mente e a sensação que me veio, quando a professora falou: "Brian Littrel, faça uma breve apresentação para a turma" no nosso primeiro dia de aula. E você deu um sorriso sem graça, que eu reconheço até hoje como sendo uma de suas maiores belezas. Você não deixa nada te abalar. Você falou sobre seu gosto pelo basquete, sua matéria favorita e do quanto você ama cantar. Mas enquanto você falava, eu só conseguia pensar o quanto você sabia expressar um altruísmo por aqueles que te ouviam. Olhava nos olhos e fazia todos parecerem amigos próximos, em uma conversa casual. Eu fiz amizade com você naquele simples contato visual. E acho que só estamos namorando até hoje porque você consentiu essa amizade "indireta".
Bem, se é que ainda somos namorados. Tudo que eu consigo pensar é em como eu consegui deixar os resquícios de um episódio tão horrendo interferirem na melhor relação que eu já tive com alguém até o momento. Você me faz sentir como a irmã que é protegida, como a esposa que é amada. Eu sei que o modo como eu vinha agindo não faz sentido com o meu amor por ti. Mas é esse o grande problema dos traumas. Eles são irracionais.
Não quero te perder, Brian, por isso que escrevo para ti, na espera do consultório da psicóloga, e peço para a coordenação da escola pôr no seu armário do vestiário, porque sei que você treinará amanhã.
Te amo, meu doce e incrível Brian.
S/N.
Ao fim do bilhete havia duas manchas d'água ressequidas.
Somente ao terminar de ler é que eu percebia estar com os beiços tremendo, respiração se tornando um pouco mais difícil e lágrimas ininterruptas brotando dos meus olhos. A vista ficou um cenário embaçado, depois que avistei sua assinatura. S/N...
Eu definitivamente não a merecia.
Sentia que me chamar de estúpido e idiota não eram o suficiente. Eu queria escorregar e cair no chão no meio da quadra para ver se isso aliviaria a minha dor. Mas de qualquer forma, eu nunca poderia imaginar algo tão horrível acontecer à minha S/N. Eu só queria abraçá-la forte, tão forte que só a soltaria quando esgotasse todas as lágrimas possíveis.
Ouvi passos vindo, e rapidamente dobrei o papel e o guardei no bolso.
– Brian? – Era o meu treinador. – Você não vem?
Nem fiz questão de baixar a cabeça. Apenas funguei algumas vezes antes de responder.
– Senhor, eu não me sinto disposto a treinar hoje.
Ele não falou nada. Ficou me observando por tempo suficiente para perceber que a expressão que eu tinha em meu rosto era uma nunca vista antes por ele.
– Tudo bem. Liberado.
~•~
Pedalei, pedalei e pedalei. Segundo o bilhete, ela havia escrito ele ontem, então, hoje já era tarde demais. Ela já podia ter pensado mil coisas. Que eu não a perdoo, que eu não acreditei, que eu simplesmente ignorei. Que é um adeus.
Quando cheguei no cercado de sua casa, saltei da bicicleta quase caindo e toquei a campainha. Não quis nem mesmo voltar para casa e trocar de roupa. A roupa do treino que eu sequer comecei.
A porta abriu.
Quem apareceu fora seu pai, o senhor S/S. Eu via na sua expressão exausta e no modo torto como seus óculos estavam posicionados, as dores que ele já passou pela filha.
– Senhor S/S, oi. Como o senhor está?
Ele olhou pra mim de cima para baixo e eu notei uma pequena curva em seus lábios.
– Rapaz, você está quase desmaiando. Fala logo o que você quer.
Pelo menos um alívio no meio de todo o caos.
– Preciso falar com a S/N.
Ele deu espaço para que eu passasse e enquanto eu o fazia, ele deu um tapinha no meu ombro. Aquilo me confortou de uma maneira incrível. Como se ele também dissesse que não queria que eu saísse da vida dela.
– Ela está no quarto.
Foi inevitável lembrar da última cena desastrosa envolvendo a mim e aquela porta fechada. Mas estufei e subi as escadas.
Mas chegando lá, tudo que eu encontro é uma porta aberta. Inspecionei sem entrar: O quarto estava vazio. Com todos os pertences organizados e imaculados.
– Brian?
Eu me virei para olhar no fim do corredor. Ali estava ela. Roupas de casa. Um coque preso no topo da cabeça, bem à vontade. Seu rosto sem qualquer vestígio de tristeza, apenas de expectativa. Ela me olhava como se eu guardasse a resposta de que ela havia ganhado ou não na loteria.
Não aguentei mais que 2 segundos distante dela. Corri e a envolvi em um abraço. Um abraço da maneira que eu queria ter dado. Um abraço que a fizesse se sentir no mais impenetrável e amoroso campo de força. Um abraço que só se dava a quem se amava e desejava ter estado lá, no pior momento.
Eu ouvia seus soluços de choro e sentia suas mãos me pressionarem forte.
– Obrigada.
– Me perdoa. Eu fui um estúpido. E a culpa não foi sua. Não foi sua.
– Você não é um estúpido. É o meu campeão.
Naquele momento me ficou claro uma coisa: Não era ela que precisava confiar em mim. Era eu quem precisava confiar nela.
Ficamos assim pelo tempo que precisava. Minha mãe tinha razão. Tanto sobre os motivos que fazem uma garota repudiar, quanto por dizer que o diálogo clareia tudo (ou um bilhete). Mas ela estava errada sobre uma coisa: sugerir que aquele primeiro amor acabaria.
Decerto, ele me fez amadurecer. E apenas ter a certeza de que eu seria paciente e construtivo para a superação daquele trauma. Mas o que eu fiz por ela eu não me imagino fazendo por nenhuma outra garota. Porque nenhuma outra garota nesse mundo é a S/N.
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Genteeeee, que CRIME deixar esse bb do Brian esse tempo todo sem uma segunda imagine. Mds era só nisso q eu sabia pensar.... </3
Mas agora está aí!! Aaaaaa me desculpem pelo tema pesado. Não vou mentir que gosto de dar esse ar de drama e mais "vida real" para as imagines. Eu estava com essa ideia há muito, MUITO tempo e de alguma forma, fez mais sentido para mim escrever na perspectiva do Brian. É baseado numa história real que eu ouvi. E sim, bateu a bad escrevendo a parte do bilhete.
Acredito que essa é a imagine mais longa do livro. Me digam se isso agradou ou desagradou vcs. Eu realmente só fui me dar conta disso no final.
Mais uma vez, perdão pela demora. Escrever ás vezes consegue ser bem difícil e as vezes bate a insegurança que pode desmotivar muito. Por isso, os comentários de vcs são muito importantes e me alegram demais. Lembrem-se: Esse livro é NOSSO então fiquem a vontade para se expressarem na sessão de comentários.
Muito obrigada por me lerem ( mais uma vez ) ♡ ♡ ♡
Bjs da Kah.
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