• 3 • : "Revendo o meu velho"
Uma IA veio nos servir o café da manhã. E só quando comecei a comer percebi o quanto eu estava sentindo falta de uma refeição séria. Seria capaz de comer até a comida dos meninos. E todos pareciam famintos.
- Você está gostando da comida? - Jungkook pergunta, me olhando curioso.
- Está ótima. De verdade. Eu fiquei sem comer desde o horário de almoço da escola ontem. Não tive tempo de jantar já que vim parar aqui. - Respondo.
- O plano nunca é perfeito mesmo. Mas que bom que gostou da comida. A IA cozinha muito bem. Às vezes é difícil acreditar que ela não é humana. Ela realmente foi feita pra aparecer uma empregada caseira normal. - Ele diz, olhando pra porta de onde ela saiu pra nos servir.
- Faz tempo que não como a comida dela. Estava com saudades. Não mudou nada. Mesmo pra um robô. - Respondo.
- É verdade, você vivia aqui antes de nós. Como era seu pai naquela época? - Jungkook pega mais suco da jarra.
- Bom, não sei se algo mudou muito. Mas, naquela época, ele era um místico. Parecia pessoas diferentes de acordo com a ocasião. E eu sei que a gente se adapta pro que cada situação pede, mas como filha dele, era muito discrepante ver ele mudar de um papai fofo cuidando da filha, fazendo gracinhas, pra um chefe de máfia. Super sério. Mortal. Mas eu era acostumada. Só parava pra reparar isso vez ou outra e dava risada. - Explico, aparentemente deixando Jungkook muito animado.
- Vai ficar feliz de saber que ele continua o mesmo, depois desses anos. Isso é algo que conversamos muito entre nós quando ele não está por perto. Ele desce aqui, bebe com alguns de nós, dá conselhos como um pai, e vez ou outra, em alguma noite, sai conosco pra operações de risco de morte. É realmente um homem de muitas faces. - Ele diz.
Lembro do pai do passado e realmente me sinto grata por ele continuar o mesmo no presente. E me sinto mais ansiosa pra vê-lo novamente.
- Hoseok, pode me passar a bandeja de biscoitos? - Jimin pede. Ainda mastigando seu pão, Hoseok a passa pra ele e Jimin pega alguns.
- Você quer? - Ele ofere ao Jungkook e o mesmo pega também. - E você? - Ele pergunta pra mim.
- Aceito.
- O Jin não vai subir pra tomar café? - Taehyung pergunta ao Namjoon. - Não vi ele desde ontem.
- Ele já tomou café. - Ele responde.
- Já? - Ele arregala os olhos. - Fiquei aqui no bar quase a noite toda bebendo. E não o vi.
- Provavelmente bêbado. - Jimin diz, rindo.
- Ah, verdade. Faz sentido agora. O álcool ainda está passando aos poucos. Mas minha cabeça ainda dói. - Ele diz, bebendo café.
- O Jin disse que precisava terminar de estudar algumas coisas sobre a droga que injetamos na Margot. Então ele "ficou de plantão" praticamente. Virou a noite no laboratório. Não que isso seja novidade. - Namjoon explica. - Aliás, Margot, ele queria falar com você.
- Comigo?
- Sim. Aparentemente ele queria fazer alguns exames sanguíneos pra saber por quanto tempo de fato a droga fez efeito.
- Ah, entendi. Tudo bem. Eu desço lá depois. - Digo.
- Sabe chegar lá? - Hoseok pergunta.
- Acho que sim. Só descer no andar -6, não é? Eu lembro de frequentar bastante o laboratório com o meu pai. Se ainda for lá...
- Ainda é, sim. Mas virou praticamente o lugar do Jin, desde que ele chegou aqui. Como é o lugar perfeito pra especialidade dele... - Hoseok explica.
- Entendo. Queria poder ver ele mexendo com essas coisas. Eu sempre ficava olhando meu pai preparar tudo. Acho muito interessante.
- Bom, você pode descansar e mais tarde descer lá pro exame e aproveitar pra ver as coisas. Ele gosta de ficar sozinho pra trabalhar, mas se você ficar em silêncio ele não deve achar problema. - Namjoon junta toda a sua louça no meio do prato. Ele aperta um botão na nossa mesa e diz. - Obrigada pela refeição, IA.
Ele solta o botão e logo a voz dela ecoa pelo refeitório.
- Não por isso, Namjoon. - Ela responde ao longe.
- Agora eu vou subir pro dormitório e descansar um pouco, pessoal. Até mais tarde. - Namjoon se despede de nós e se retira, pegando o elevador e sumindo da nossa visão.
- Eu vou descer pra sala de treinamento. - Me levanto. - Preciso ter esse momento comigo mesma. Faz tempo que não treino.
- Ah, que bom que já vai treinar. Obrigada pela dedicação. - Hoseok diz, sorrindo.
- Seria sempre um prazer. - Digo sem olhar pra trás, indo na direção do elevador.
Quando entro, aperto o botão do andar -3 e a porta se fecha. Encosto na parede do elevador, respirando fundo.
- É, Margot. Quem disse que você conseguiria esquecer tudo isso? Eu deveria saber que deixar isso tudo pra trás não daria certo. Quanta meditação foi necessária pra afastar a minha mente disso, e mesmo assim, guardar segredo e não voltar foi todo o meu progresso. Porque largar definitivamente de fato...aqui estou. - Converso comigo mesma. - Como alguém sequer imaginaria que eu vivi tudo isso. E que se eu não tivesse saído daqui quatro anos atrás, eu seria ainda a herdeira dessa máfia em treinamento. Pra um dia ser a próxima líder.
Enquanto penso comigo mesma, chego no andar -3. A porta se abre a mesma enorme sala de treinamento de anos atrás se mostra à minha frente. Caminho calmamente por todos os alvos, armas e paro na parte da bonecos. Daqueles que usávamos como saco de pancada.
- Queria estar com a minha roupa de ginástica agora. Seria muito melhor. Mas vai servir essa mesmo.
Tiro o casaco que eu estava vestindo e também o meu tênis. Fico com a calça jeans e a blusa de alça. Prendo o cabelo num rabo de cavalo com um prendedor que estava no meu bolso. Agradeço por realmente ter pegado uma blusa de tecido fino e alça, porque agora, treinando, vai ser bem mais fresco.
Me agacho no chão e começo a me aquecer. Meu corpo vai esquentando e vou ficando empolgada com a ideia de finalmente treinar as habilidades "esquecidas". Por sorte, minha mãe me fez entrar no balé, e ao menos a flexibilidade eu não perdi nem um pouco.
Depois de alguns exercícios de alongamento, levanto e fecho os olhos, me concentrando. Um dos meus pés vai mais pra trás do meu corpo, e ergo as duas mãos na minha frente. Concentra, Margot.
Abro os olhos, sentindo a adrenalina nos punhos e nos pés quase que implorando pra saírem do meu corpo. Então vou em gestos rápidos, desferindo socos contra o saco de pancadas, e vou lembrando da sensação de treinar do passado. Estou enferrujada, mas lembro dos golpes. Lembro dos ataques. E quero voltar ao que eu era antes.
Ergo rapidamente a perna e acerto o saco de pancada com um chute com o peito do pé, seguido de outro. Mantenho o ritmo dos socos em oscilação com os chutes por alguns segundos, até me afastar um pouco do alvo. Tomo a distância necessária. Sorrio. Vamos testar isso. Indo ligeiramente para trás antes, tomo impulso e me jogo pra frente, apoiando meu peso total nos meus braços. Minhas pernas percorrem parte do trajeto de volta ao chão e no meio do caminho encontram o saco de pancadas novamente. Então, uso as pernas para agarrar o corpo falso com força, e então faço força com o tronco para me erguer em sua direção, voltando a desferir socos como estava fazendo antes.
Passado o tempo, me jogo pra trás novamente, me apoiando sobre a força dos braços e aterrissando sobre minhas pernas novamente. Ergo meu rosto na direção do alvo, respirando pesado e com fios de cabelo atrapalhando um pouco a visão. Então, tomo minha postura de novo, deixando meu olhar cair sobre os meus punhos vermelhos, assim com o peito dos meus pés. Sorrio, entretanto.
- Faz tempo que não sinto tanta paz interior. - Digo pra mim mesma.
Foi uma longa manhã. Passei algumas horas praticando todos os golpes que eu podia enquanto estava sozinha, e depois fui pra área de exercícios físicos, treinar minha resistência e força. Foi muito suor, muita energia gasta, mas eu me sentia muito viva por ter retornado. E me jogar na cama, horas depois, de banho tomado, foi uma das melhores sensações que eu tive em anos.
Tudo que aconteceu desde que eu cheguei aqui foi melhor do que a maior parte desses quatro anos. Quero dizer, ficar com a minha mãe não foi ruim. Sempre que eu chegava em casa, era bom ver o sorriso dela por me ter ao seu lado e por me ver segura. Era bom chegar do balé, da academia e da yoga, que eram os momentos que eu conseguia tirar pra suar, mesmo que de uma forma totalmente diferente da que eu usava na época que vivia aqui. Eu chegava em casa, falava sobre as aulas e sobre coisas aleatórias como a minha mãe, pra depois ir pro banheiro tomar um longo banho. O mesmo que fiz agora, antes de sentar na esteira de yoga e meditar sobre tudo isso.
- Ah... - Me jogo pra trás lentamente, deitando de costas no chão do quarto. - E mesmo assim, tomar um banho e ficar limpa e cheirosa ainda é a melhor parte do dia.
Sinto o cheiro do meu perfume favorito em mim enquanto medo no meu próprio cabelo, pensando nas coisas que aconteceram hoje em loop, sem conseguir tirar uma parte sequer da minha mente. Que dia...
A adrenalina de todo o dia é tão nostálgica e satisfatória que parece mais um sonho. Mas eu com certeza ficaria puta de acordar agora e descobrir que de fato era um.
- Essa realidade é muito melhor... - Penso nos meninos e em como fiquei feliz de conhecê-los, sabendo que a presença deles significava o sucesso dos meus planos com o meu pai.
Lembro da nossa conversa no refeitório hoje. De cada um deles. Seus rostos e suas especialidades. Quero poder ver todos eles em ação e trabalhar com eles.
E aquilo que o Namjoon disse...sobre se ver mais tarde. Será que realmente temos algo marcado ou ele disse pela possibilidade de nos vermos pelo Núcleo?
Penso no Jimin e na nossa conversa no quarto hoje cedo. Nosso esquentadinho orgulhoso. Alguém que me sinto satisfeita de ter por perto. É realmente incrível como apenas por saber que eles foram selecionados especialmente pelo meu pai pra ser como uma grande família, me faz sentir automaticamente próxima deles, não importando o quê.
Então, logo penso no meu pai. Quando será que ele volta? Como seja que foi a conversa dele com a minha mãe? Ou como ela ainda está sendo? Tenho muitas perguntas ainda rondando pela minha mente e espero ansiosamente por cada resposta.
Levanto do chão e vou até uma das grandes janelas do quarto, que me davam visão para as luzes da cidade do lado de fora. Assisto tudo acontecendo da mesma forma que fiz mais cedo ainda na escola, mas dessa vez, de volta ao lar.
- Margot? - Ouço a voz robótica feminina, a IA digital do meu quarto, e olho pra trás, apesar de não ter ninguém.
- Sim? - Respondo.
- Temos um recado do Namjoon. Devo reproduzir?
- Com certeza. - Volto a me sentar na cama enquanto prendo meu cabelo num coque. - Vá em frente.
- Reproduzindo: "Boa tarde, Margot. Namjoon falando. Seu pai disse que vai chegar à noite. Ele quer encontrar todos nós juntos no andar -4 por volta das 10:00. Não deixe de aparecer. Seu pai disse que vai ser um encontro focado em você. Esperamos você lá. Obrigada".
Sorrio.
- Obrigada por avisar, IA. - Digo.
- Não por isso, Margot. Posso lhe fazer uma pergunta?
- Pode sim.
- Nos meus dados antigos, tenho algumas memórias de conversas nossas, bem como um nome que você tinha escolhido me dar. Deseja que eu faça um backup dessas informações e as utilize? - Ela diz.
- Você ainda as tem? - Me sinto animada. - Pode. Com certeza.
- Certo. Estou fazendo backup nesse momento.
Alguns segundos se passam, e fico esperando. Rapidamente ela termina.
- Backup concluído. Reinicializando interação social como Maia.
- Você...lembra de todos os nossos papos de antigamente? - Pergunto, cruzando as pernas.
- Claro! Tenho todas as nossas lembranças juntas armazenadas. Até mesmo tenho pequenas pastas no seu computador que eu mesma criei com fotos suas onde entre elas tem uma sua com 6 anos. Naquela época, você tinha certeza que eu era o seu elevador, já que foi o primeiro lugar de onde ouviu minha voz. Então, você tirou uma foto com ele, acreditando ser eu. - Ela diz, com uma voz muito mais natural e divertida da anterior. Lembro de conversar com a mesma "pessoa".
- Como é bom ouvir uma voz conhecida. - Sussurro comigo mesma e olho para o elevador. - E nada mudou, Maia. Eu continuo olhando pro elevador pra falar com você.
- Não tem problema, desde que se sinta confortável.
- Bom, já que estamos conversando novamente, se importa se eu me abrir um pouco mais pra falar sobre as coisas? - Pergunto.
- Estou aqui pra isso. Somos amigas. - Ela responde.
- Certo. Bom. Eu não estou sentindo nenhuma angústia nem nada, ainda bem. Mas a minha única leve preocupação é sobre a minha mãe. Meu pai vai voltar às 10. Mas eu me sinto ansiosa pra saber o que eles conversaram, se ela no fim concordou com toda essa mudança do nada. E me preocupo com como ela vai levar a vida, de repente sem a filha. E também se ela realmente vai ficar bem, entende? Eu amo muito esse lugar e me sinto absurdamente feliz de voltar. Não consigo pensar em outra coisa. Mas ela é minha mãe e eu a amo muito. Ela pode ser dura com o meu pai. Mas eu sei que isso é pura preocupação com ele. Esses anos que eu passei com ela serviram pra me mostrar que na verdade ela ainda o ama muito até hoje. Ela se separou dele por medo do que aconteceria com ela, comigo. Mas mesmo assim. Ela ama ele e sente sua falta. Ela já chegou a me dizer que me ter era como ter uma parte deles dois, unidos. E por isso queria me proteger a todo custo. Além de me amar pelo que eu sou. Eu respeito muito isso, e eles dois. É só quero que ela fique bem. Tenho medo do que decidir ficar aqui pode fazer ela passar.
- Bem, Margot. Eu entendo quase completamente seu sentimento, baseado no meu pacote de sentimentos e pensamentos comuns humanos. E aconselho que se deixe passar por essa preocupação até que ela passe aos poucos, ou ao menos diminua. E ao mesmo tempo, acredito que seja bom você ter essa preocupação em mente, porque deve ter
proporcionar o alerta que te fará procurar saber como a sua mãe está esporadicamente. E tenha certeza de que seu pai ama vocês duas igualmente. Ele veio inúmeras vezes aqui nesse quarto, e falou comigo e sozinho sobre vocês duas. Estive ativa todo esse tempo e ouvi a saudade dele. Ele com certeza terá o cuidado necessário. Tudo ficará bem.
- Maia...obrigada. Conversar com você só me traz a confirmação de que sou muito sortuda pelas pessoas que eu tenho comigo. Sou muito grata pela minha vida. - Me levanto da cama e vou caminhando pelo quarto. - Obrigada, de verdade.
- Não precisa me agradecer, Margot. Eu me devo agradecer, por me considerar tão importante, e me ver como uma pessoa.
- Você sempre foi muito real pra mim, Maia. Não importa se é uma Inteligência Artificial. Você é parte dessa família e é mais humana que muita gente por aí. - Sorrio na direção do elevador.
- Você é uma garota muito amável, apesar de ter habilidades o suficiente pra matar muitas pessoas. E apesar de já ter o feito.
Dou risada.
- Você é muito gentil.
Continuo conversando com ela por algum tempo, até que decidi dormir um pouco, até o noite. Passei muito tempo sem dormir e já estava realmente me sentindo cansada. Seria melhor estar no meu melhor estado pra rever meu pai depois de quatro longos anos.
Me deito na cama, e me cubro.
- Maia.
- Sim?
- Me acorde às 9:40 da noite, por favor. - Peço.
- Alarme programado para as 9:40 da noite.
- Obrigada.
- Por nada.
Depois, rapidamente caio no sono. Um bom e longo sono até a noite.
(N/A: Não pra nós)
Acordo com a voz da Maia.
- Boa noite, Margot. - Uma musiquinha toca ao fundo junto com a sua voz. - Faltam 20 minutos para seu compromisso no andar -4. Seu pai já passou pelo elevador hoje.
- Hm... - Murmuro ainda despertando aos poucos e me sentando na cama. - Então ele já chegou...
- Sim. Ainda não desceu, entretanto. Baseada no tempo parecido de vocês de se arrumar, prevejo que devem pedir o elevador quase na mesma hora. Gostaria que eu o parasse aqui no andar 9 caso esteja pronta?
Me animo com a proposta e levanto rapidamente da cama.
- Sim. Vou me levantar e me arrumar logo.
Vou até o meu armário e o abro, procurando alguma opção de roupa. Surpreendentemente me deparo com várias roupas novas e do tipo que eu sempre gostei de vestir.
- Andaram preparando tudo exatamente pra hoje? - Pergunto, curiosa com toda a preparação pro meu sequestro.
- Sim. Seu pai fez toda uma pesquisa sobre seus gostos atuais em busca de roupas que você pudesse gostar de usar. Invadimos muitos sistemas até completarmos a seleção. Está do seu gosto? - Maia pergunta.
- Com toda certeza.
Pego uma calça preta com um efeito vinil no tecido, mas não com muito brilho. Um top preto com alça é um casaco fino xadrez, vermelho e preto. Antes de me vestir, vou no banheiro, lavo o rosto e repasso o perfume. Volto e me visto em pouco tempo. Me olho no espelho grande do quarto e prendo meu cabelo com um laço preto.
- Seu pai está descendo. - Maia diz.
- E estou pronta. - Viro na direção do elevador e espero a porta se abrir, me sentindo ansiosa e um tantinho nervosa por rever meu pai de repente.
A porta se abre, e a imagem de um homem alto, com roupas escuras assim como seus cabelos, com exceção de alguns fios grisalhos, se ergue na minha frente. Ele me olha com uma certa surpresa e sorri, parecendo genuinamente feliz.
- Margot, minha filha. - Ele diz.
- Pai. - Vou animada na direção dele e lhe dou um abraço muito apertado de saudades. A porta do elevador se fecha atrás de nós e imagino que deve estar seguindo agora pro andar -4, como ele já deve ter solicitado. - Eu estou tão feliz por estar de volta.
- Eu estou igualmente por ter você com todos nós. - Nos separamos do abraço, olhando um para o outro. - Como foi conhecer os garotos?
- Foi ótimo. Você me surpreendeu muito. Eu não imaginei de jeito nenhum que tudo aconteceria tão perfeitamente por trás dos meus quatros anos distante. Menos ainda que realmente estaria considerando seguir o nosso plano.
Ele faz uma cara surpresa.
- Não me subestime. Tudo correu perfeitamente bem. E meu plano foi sempre te trazer de volta mesmo assim que você foi embora. - Ele diz, parecendo orgulhoso de si mesmo.
- Eu estou muito orgulhosa de você. Mas...e a mamãe?
O semblante dele murcha um pouco.
- Bem...ela...concordou, né? Mas não muito contente. - Me encosto na parede do elevador pra ouvir.
- Hm, eu imaginei.
- Mas não se preocupe. Ela concordou em não interromper. Desde que eu prometesse te proteger com a minha vida. O que já era algo que eu pretendia fazer e estive fazendo por vocês duas todo esse tempo. Foi o que eu disse pra ela. E aí...ela começou a chorar. Se jogou nos meus braços e me implorou pra proteger o símbolo da nossa união. - Ele disse, olhando pro chão. Com um belo sorriso no rosto.
- E aí vocês se beijaram. - Eu disse, animada como se fosse o enredo de uma história.
- O que? - Ele olha pra mim, com a sobrancelhas erguidas, parecendo claramente sem graça. - Olha o que fala. Somos adultos. Não nos deixaríamos levar por esses sentimentos jovens e irracionais. Foi só uma conversa e o choro foi...um escorregão.
- É, e o beijo também foi um escorregão. - Ele me olha com cara de deboche. - Não precisa se envergonhar, pai. Eu sei o quanto vocês ainda se amam. É óbvio. Até a Maia sabe.
- Sério? Como eu vou inspirar respeito desse jeito?
- Sendo você mesmo. Você é um homão que já inspira respeito e inspira todos nós no geral. De verdade. Você é um grande líder e é uma honra voltar a trabalhar com você. - Sorrio pra ele e ele sorri de volta.
- Igualmente, minha filha. - Ele olha pra telinha que mostrava os andares. - Já estamos chegando. Preparada?
- Estou sempre preparada, mas ao mesmo tempo nunca sei o que esperar. Inclusive agora, não sei qual é a sua ideia com essa reunião, mas estou animada. - Digo.
Sem olhar pra mim, ele esboça um sorriso de satisfação, parecendo feliz com sua própria ideia.
- Só vamos deixar os meninos te conhecerem melhor. Nada demais.
A porta se abre no andar -4, e nos deparamos com todos já esperando por nós. E quando digo todos, quero dizer todos mesmo. Até duas figuras novas estavam lá. Imaginando ser os dois mencionados hoje cedo.
- Senhor Burns. - Os meninos o cumprimentam.
- Boa noite, garotos! Obrigada por gentilmente comparecerem à minha pequena reunião. Hoje recebemos, depois de muito tempo, minha filha Margot, novamente em nosso lar. O Núcleo.
Hoseok e Jungkook fazem cara de animados enquanto os outros meninos apenas sorriem em resposta, provavelmente querendo ser um pouco mais discretos.
- Tiveram a oportunidade de conversarem mais cedo. E ela deve ter comentado sobre as suas habilidades. E também sua especialidade. - Ele diz.
- Ela comentou conosco no café da manhã hoje. Ficamos muito curiosos sobre. - Namjoon comenta.
- Margot treinou diversas formas de execução da sua especialidade desde nova. Algumas deixadas pra mais tarde de acordo com a sua idade, mas ela se tornou muito boa. E se tornou, na época, a melhor em obter informações com os "clientes" que trazíamos aqui. - Ele recita tudo orgulhoso. - E hoje, como disseram estar curiosos, vocês poderão assistir. E um de vocês poderá participar.
Eles olham para o meu pai, parecendo muito surpresos.
- Participar? Da tortura? - Namjoon pergunta.
- Sim, Namjoon. - Ele diz.
Eu mesma me sinto bem chocada com a decisão dele, e começo a pensar em como isso acontecerá, pensando no fato de que não os conheço bem pra ameaçá-los com segredos e menos ainda poderia machucá-los, pensando que somos uma equipe. O que me leva a única opção...
- Um de nós? Dos sete? - Hoseok fortifica a dúvida.
- Isso mesmo.
- Mas...quem? - Jungkook pergunta.
- Eu esperava que algum de vocês se oferecesse ao teste. Ou se quiserem, eu posso escolher. - Meu pai diz.
- Eu voto no Jimin. - Namjoon diz.
- Você o que? - Jimin vira pra ele de braços cruzados e com uma expressão inconformada.
Lembro de hoje de manhã. E isso de repente soa como uma ótima ideia.
- Eu também voto nele. - Hoseok diz o mesmo.
- Por que? Que isso? - Jimin olha pra mim. Eu dou de ombros, sorrindo, claramente satisfeita com o que eu estou vendo acontecer.
- Qual o problema? Está com medo? - Namjoon pergunta, provocando o Jimin.
Ponho a mão na boca tentando impedir meu riso.
Jimin faz uma cara de total de insatisfação.
- Já que todos estão votando nele, vou dar meu voto também. - Taehyung diz e Jimin olha pra ele, incrédulo.
- Alguém discorda? - Meu pai olha para os garotos um por um. Jimin fazia o mesmo, parecendo buscar por alguém que o protegesse da decisão final. Alguns deram de ombros, inclusive os dois garotos que eu ainda não tinha conhecido, e os outros ficaram apenas quietos, parecendo até bem satisfeitos. - Então tudo bem. Jimin vai ser a cobaia. Tudo bem?
Meu pai olha pro Jimin e os olhos dos dois se encontram, e apesar dele não parecer gostar nada da ideia, ele desvia o olhar do meu pai, olhando pra mim, e responde.
- Tudo bem, senhor Burns. - Ele responde.
A felicidade no meu peito não tem tamanho. Eu me sinto um tanto mal por isso, mas pessoas orgulhosas do estilo dele me dão essa vontade de cuidar desse orgulho. E agora que ele vai ser a cobaia disso...
- Certo. Então, Hoseok. - Ele dá um passo a frente. - Essa sala de treino tem um armazém mais ali pra frente. Eu deixei algumas coisas necessárias lá dentro. Vamos fazer disso uma situação real. Então já que você é o sequestrador, por favor, faça seu serviço. - Meu pai diz.
Mesmo tendo alguma ideia do que esteja prestes a acontecer, fico esperando. Hoseok parece um pouco confuso, mas segue as ordens mesmo assim.
Depois de voltar do armazém, ele carrega um sorriso no rosto, quase que segurando a risada. E além do sorriso, ele trazia consigo também uma cadeira e uma corda. Jimin olha pra ele parecendo claramente contrariado, mas fica de braços cruzados esperando parado.
Hoseok põe a cadeira no chão e continua segurando a corda, olhando pro Jimin.
- Então...senta aí. - Ele diz, ainda segurando a risada.
- Ah, só uma coisa antes. - Eu digo, interrompendo, e todos olham pra mim. - Jimin, tira a camisa.
Ele abre a boca, ou de choque, ou pra falar alguma coisa, mas não faz nada além de olhar pro Hoseok. O próprio apenas lhe responde dando de ombros. Ele então apenas leva suas mãos até a barra da sua blusa branca e a puxa pra fora do corpo. Eu observo sua pele exposta assim que ele tira sua blusa e a joga no chão.
Jimin se aproxima e finalmente se senta na cadeira, fingindo realmente concordar com isso, e seu olhar recai sobre mim, que era claramente outro alguém talvez se envolvendo demais com a realidade do que deveria.
Hoseok segura as mãos do Jimin pra trás, amarrando elas na corda.
- Já que é pra ser uma situação real, não se esquece de amarrar bem, tá? - Digo eu mesma pra ele.
- Nem precisava falar. - Ele diz, concentrado no nó.
Jimin me lança um olhar mortal e eu continuo olhando fixamente pra ele, me sentindo ótima.
Hoseok prende a corda em todos os locais necessários e logo se afasta.
- Bom, está bem preso. Só solta com uma faca. - Ele diz. - Sua vez, Margot.
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