As Cores do Ano-Novo
A luz do sol invadia o quarto, Thomas se virou e viu Elliot dormindo tranquilamente, seu peito subia e descia devagar. Ele sorriu e ficou o olhando por alguns minutos. Levantou e foi até o banheiro, alguns minutos depois o garoto saiu do quarto e foi até a cozinha, deixando seu namorado dormir.
•°•°•
Elyse andava apressada de um lado para o outro pela cozinha espaçosa, abria e fechava os armários a procura dos ingredientes para a sobremesa que iria fazer, os cabelos negros e lisos amarrados em um coque frouxo, que estava se desfazendo por conta da correria, com algumas mechas caindo em seu rosto, que ela colocava atrás da orelha.
A garota se virou apressada e esbarrou no peito do seu noivo, que a segurou pela cintura.
— O que foi? – Victor perguntou, olhando para ela com um sorriso de canto.
— Nada. – Respondeu. — Só estou com um pouco de pressa.
Victor deu uma risadinha e arrumou os óculos de Elyse, que escorregavam pelo nariz dela.
— Não precisa ter pressa, eles só vão chegar às 19:00 horas. Nós temos muito tempo para fazer isso, e você tem tempo de sobra pra se arrumar. – Elyse lhe deu um selinho. — O que você está procurando?
— O chocolate. Vou fazer o brownie.
O garoto olhou para os lados, a procura da caixa de chocolate em pó. Seus olhos verdes e brilhantes pararam na bancada ao lado da pia.
— Serve aquele? – Ele apontou para o chocolate.
Elyse olhou e suspirou. A correria a estava deixando mais distraída do que já era.
Victor pegou na mão dela e foi guiando-a até a pia. Ficou atrás da garota e amarrou seus cabelos em um rabo de cavalo, depois se posicionou ao lado da noiva e começou a arrumar as coisas, enquanto ela o olhava, admirando a calma e o talento que ele tinha para cozinhar.
Ele deu a colher de pau para ela e disse:
— Vamos começar logo com isso, que eu não quero que a festa comece dez horas da noite.
Os dois começaram a preparar as coisas.
•°•°•
— Lorena! Lorena!
— O que que você quer, mulher?! – Lorena gritou de volta do quarto.
Clarice apareceu na porta, com a bochecha suja de molho e os cabelos castanhos claros amarrados em dois coques, um de cada lado da cabeça.
— Você sabe que tem que fazer o escondidinho de bacalhau, não é? – Perguntou, com as mãos na cintura.
— Sei. – Lorena respondeu. — já estou indo, só vou arrumar isso aqui. – Ela disse, terminando de arrumar a cama. — Pronto, vamos pra cozinha? – Perguntou, parando na frente da namorada e passando o dedo na bochecha suja de molho, lambendo o molho. — Precisa de sal.
E foi até a cozinha, com os cabelos castanhos escuros e cacheados amarrados em um rabo de cavalo balançando de um lado para o outro.
Clarice revirou os olhos e a seguiu.
•°•°•
Elliot analisava atentamente a lasanha que tinha feito. Como se estivesse procurando alguma imperfeição. Como se fosse possível achar imperfeições em comida.
Saiu da cozinha e foi lentamente até o quarto, onde encontrou Thomas sentado na cama com um colar na mão. Ele o olhava com um olhar nostálgico e perdido, suas mãos pálidas e magras o seguravam como se o objeto pudesse quebrar a qualquer momento, Elliot se sentou ao seu lado e olhou para o colar. A corrente era de ouro e o possuía um pingente de uma cruz, também de ouro.
— Onde você achou? – Perguntou.
Thomas olhou para ele por um mísero segundo e voltou sua atenção para o colar.
— Estava no meio das minhas coisas. – O garoto acariciou o pingente. — Era da minha mãe.
O mais novo segurou na mão dele, a acariciando. Eles continuaram ali por alguns segundos, em silêncio.
— Eu vou guardar isso. Não quero me lembrar dela. – Thomas falou, se levantando para ir guardar o colar.
— Ei. – Seu namorado segurou delicadamente no seu pulso, o fazendo se sentar novamente na cama. — Não fala assim. Eu sei que ela disse coisas horríveis pra você, mas é impossível você não se lembrar dela.
Thomas suspirou, continuou sentando, com o colar na mão.
— Eu sinto saudades dela. Queria que ela estivesse aqui hoje.
Elliot pegou o colar e deu um beijo na testa de Thomas. Se levantou e foi até a porta.
— Eu vou guardar isso. Não quero que você se lembre daqueles dias. Muito menos hoje, traz azar.
Thomas revirou os olhos, já estava acostumado com seu namorado fazendo aquelas superstições bobas, mesmo dizendo que não acreditava.
°•°•°
Algumas horas já haviam passado e os três casais se preparavam para a festa na praia, que iria ser na casa de Victor e Elyse, as 19:00 horas.
Clarice e Lorena faziam a maquiagem uma da outra, como sempre fizeram, antes mesmo de começarem a namorar. Thomas e Elliot reviraram o guarda roupa a procura de suas melhores roupas, já que suas roupas consistiam em blusas de videogames, séries e livros famosos.
Elyse arrumava o cabelo à uma hora e meia, e Victor já estava praticamente pronto.
Era só uma festa de ano novo entre amigos de longa data, mas ainda precisavam ficar arrumados. Afinal, era em uma praia chique. E ninguém merece ir feio para um lugar chique.
Elyse desceu as escadas devagar, os saltos brancos com detalhes de flores vermelhas faziam um barulho baixo, que chamou a atenção de Victor, fazendo o rapaz se virar e focar seus olhos verdes na noiva. O vestido branco com estampa de rosas vermelhas, com um laço na cintura era lindo, o decote dava destaque aos seios médios da jovem, que estava com os cabelos lisos e com a franja de lado.
— Uau... — Victor exclamou, estava com a boca aberta em um "O".
Elyse soltou uma risadinha gostosa.
— O que foi? — Falou, indo até o noivo.
Victor se levantou, indo na direção dela e a segurando pela cintura bem definida.
— Nada, eu só... Estava pensando no tamanho da minha sorte em ter uma namorada linda igual a você. — Ele falou, com a voz lenta e sedutora, esbanjando o sorriso sedutor que fazia os batimentos cardíacos de Elyse ficarem acelerados.
A garota passou as mãos pelo peito do rapaz, até deixar seus braços em volta do pescoço dele. E falou, baixinho e com um sorriso de canto:
— Um homem bonito precisa de uma mulher bonita. Não é?
—Acho que sim. Mas eu sei que por traz de toda essa beleza existe uma garota debochada e sem paciência. Mas mesmo assim eu te amo. — E lhe deu um selinho, que logo depois se transformou em um beijo lento e sedutor, que virou um beijo rápido que estava deixando Victor excitado.
—O que você acha de continuarmos isso lá em cima?—Sussurrou.
—Amanhã. — Elyse respondeu. — Hoje nós temos uma festa em alguns minutos.
E foi andando até a cozinha.
°•°•°
O som das risadas ecoava pelo quintal dos fundos, onde os seis amigos se encontravam reunidos em volta da piscina com luzes coloridas.
Elliot ria tanto que algumas lágrimas chegaram a sair de seus olhos, ele colocou as mãos no rosto, tentando abafar a risada, e acabou caindo pra trás, de forma que ficou deitado e com as pernas dentro da piscina.
Ele respirou fundo e fechou os olhos, tentando parar o ataque histérico de risadas.
Thomas colocou a mão nos seus cabelos cacheados, tentando acalmar o namorado.
— Acabou? — Perguntou, com um sorriso no rosto.
— Acho que sim. — Elliot respondeu, se levantando.
— Meu Deus, mano. — Elyse exclamou. — Eu achei que você ia ter um infarto.
—Pois é! Eu pensei que ia ter que fazer uma ressuscitação aqui. — Agora foi a vez de Clarice. — E eu não quero ressuscitar ninguém nas minhas férias, faço isso quase todo dia no trabalho.
—E como vai o estágio? — Perguntou Thomas, com a boca cheia de brigadeiro.
— Horrível! — Clarice respondeu. — É uma correria sem fim! E eu passo a maior parte do dia atendendo gente na UTI, só vejo gente em estado de morte. Semana passada eu tive que atender uma mulher que tinha sido atropelada e tinha quebrado a perna. A coisa tava horrível, era sangue pra todo lado.
— Ela achou que ia ser igual em Grey's Anatomy. — Lorena interferiu.
—Não achei não. Só achei que seria menos corrido. Mas eu gosto sabe, é divertido.
— Ver gente morrendo? — Perguntou Elliot, espantado. — Eu não aguento nem ver sangue, como você consegue ver uma pessoa em estado de morte?
— Com os olhos. Não sou cega.
Ele fechou a cara e todos riram. Thomas olhou para ele, estava segurando a risada.
— O que foi? — Seu namorado perguntou, sério.
— Nada. — Ele respondeu, e começou a rir. — Você fica fofo quando fica bravo. — Thomas disse, apertando a bochecha do mais novo.
Elliot mostrou a língua para ele, um gesto infantil que o deixou ainda mais fofo, e se virou, de modo que ficou de costas para o mais velho.
— Ah, amor, para de drama. Desculpa tá? — Thomas falou, abraçando o garoto por trás e apoiando seu rosto no ombro dele.
— Não. — E olhou para ele, que fazia uma expressão infantil, com um biquinho. — Ah, vem aqui. — Elliot puxou seu namorado de forma que ele ficasse com a cabeça no seu colo, e o beijou.
— Ownt! — Elyse exclamou. — Vocês parecem duas criancinhas.
— Por falar em fofura. — Victor passou o braço pela cintura da noiva. — Nós temos uma coisa para contar pra vocês.
Todos se calaram, prestando atenção no que eles iriam dizer.
— Quer fazer as honras? — Victor perguntou para Elyse, que respondeu na hora.
— Nós vamos nos casar! — Falou com um sorriso enorme no rosto e uma alegria contagiante na voz, mostrando a mão em que estava o anel de noivado, junto com seu noivo.
—Aaaaah! — Clarice gritou, botando as mãos no rosto. — Parabéns!! Eu sabia que vocês iam conseguir se casar!
Lorena correu e abraçou a amiga, em seguida veio sua namorada, derrubando as duas no chão.
Thomas puxou Elyse do abraço e a abraçou logo em seguida.
—Parabéns! — Exclamou, abraçando-a tão forte que chegou a levantar a garota do chão. — Eu sabia que vocês iam se casar!
Elliot veio depois, esmagando ela com um abraço apertado, seus braços gordinhos em volta do seu pescoço.
Depois de darem os parabéns à noiva, foram até Victor, que estava com um sorriso enorme no rosto.
— Parabéns, cara! — Thomas falou, em seguida veio seu namorado, acompanhado das duas garotas que faltavam.
Depois de todos darem os parabéns aos noivos, eles continuaram a conversa.
Os amigos continuaram conversando, relembrando momentos da época de escola, faculdade, e falando sobre os trabalhos de cada um, de como ia a vida fora das casas dos pais.
Algumas horas já haviam se passado, quando todos eles estavam reunidos e esperando os fogos de artifícios.
Lorena se virou para Clarice, que estava com uma lata de refrigerante na mão e olhava para o céu estrelado.
Encostou o rosto no ombro da namorada e disse:
— Sabe o que eu quero para 2019?
Clarice se virou para ela.
—O que?
—Dinheiro. E um emprego longe da UTI do hospital.
— Vou pedir para eles te colocarem no necrotério. Pra você abrir os corpos, certeza que você vai amar.
— Vai ser mais lento do que a UTI. — E deu um selinho na namorada. — Agora é sério. Eu quero continuar feliz ao seu lado, quero que você seja feliz, que realize todos os seus sonhos, e que continue sendo essa mulher maravilhosa que você é.
— E eu quero que você seja a pessoa mais feliz do mundo, e que você consiga fazer tudo o que você quiser, porque você merece o mundo.
As duas se beijaram, um beijo lento e doce.
—Beleza, cambada! — Elyse gritou, do outro lado da piscina, com fogos de artifício na mão.
As duas se viraram, assustadas, e perceberam o que a amiga queria fazer no momento em que viram os fogos na mão dela.
—Esse ano novo vai pra nossa história. — Victor comentou, ao lado da noiva.
— Tentem não explodir a casa. — Alertou Thomas, tomando um gole da cerveja.
Faltavam 30 segundos para meia noite. Todos estavam eufóricos, esperando Elyse disparar o que seriam os primeiros fogos da noite.
Eles fizeram a contagem regressiva, e, quando chegaram no um, o relógio bateu meia noite e Elyse disparou os fogos.
Luzes coloridas encheram o céu estrelado, o barulho dos fogos preenchia o silêncio da noite.
Elyse e Victor estavam abraçados em um canto próximo a piscina, e ela se lembrava muito bem do dia 15 de Dezembro, dez dias antes do Natal, o dia em que Victor decidiu lhe dar seu presente de Natal antecipado.
"—Ei, amor. —" Ele sussurrou em seu ouvido.
Eles estavam sentados no sofá da sala, assistindo uma série na Netflix.
"— Fala, Amorzinho."
"— Eu estava pensando no seu presente de Natal."
Elyse se virou para ele, um sorriso no rosto.
"—Não precisa. —" Falou. "— Ter você aqui comigo nesse Natal já é um ótimo presente."
Victor sorriu, um sorriso sincero.
"—Eu sei. Mas... Eu quero te dar uma coisa muito especial. Uma coisa que... Bem, a gente não ganha todo ano. —" Sua voz estava baixa, ele falava lentamente, daquele jeito romântico que só ele tinha.
"— O que é isso, então?"
Ele se ajeitou para ficar na frente dela, segurou nas mãos delicadas da namorada, o coração disparado. Fechou os olhos e respirou fundo antes de começar a falar. Abriu os olhos e os direcionou para os olhos castanhos escuros da garota.
"— Elyse, você é a melhor garota que eu já conheci. É linda, inteligente, uma ótima amiga e namorada, sempre está comigo quando eu preciso e sempre me apoia. Eu te amo, te amo muito. Nunca amei ninguém assim na minha vida, você foi a primeira garota por que eu me apaixonei e será para sempre o amor da minha vida."
O coração de Elyse disparava, as batidas descompassadas explodiam no peito dela.
"—E... Bem, eu quero passar o resto da minha vida com você. —" Victor disse. "— Eu sei que nós ainda somos um pouco jovens, mas mesmo assim eu tenho certeza de que é isso que eu quero. Eu venho pensando nisso a algum tempo e... —" Ele não conseguiu continuar, Elyse o cortou.
"—Não enrola."
"—Eu queria ser romântico."
Elyse lhe deu um selinho.
"—Só fale."— Ela já sabia o que era.
Victor respirou fundo, pegou uma caixinha que estava no bolso da calça dele, e disse:
"—Elyse, você quer casar comigo?"
Elyse pulou nos braços dele, distribuindo beijos pelo seu rosto.
"—Sim, sim, sim, sim! É claro que eu quero!"
Victor sorriu, um sorriso radiante. "
—No que você está pensando? — Ele perguntou para ela.
— Em nós.
E beijou o pescoço da namorada.
Os fogos já haviam parado, os amigos continuaram ali, observando o céu.
Thomas se levantou e chamou o grupo para a piscina, que pulou nela na hora.
Eles ficaram ali, brincando na piscina como se fossem crianças, sem se preocupar com nada, não precisavam se preocupar com os problemas agora, eles estavam ali, juntos e se divertindo, e sabiam que, enquanto eles tivessem esses momentos de diversão, não precisariam se preocupar com mais nada.
Muito obrigada a minha amiga Júlia que fez esse desenho lindo!
Te adoro!
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