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três, flor-tigre


amornatus flor-tigre



É impossível não perceber como as ruas ficavam mais agitadas com o fim da tarde, como as conversas ficavam mais altas se misturando com o barulho de comida sendo feita. Bate uma brisa fria no meu rosto, típica do final do outono e o cheiro de cidade grande e todas as suas características mais singelas se dissipam no céu alaranjado. 

Eu deixo minhas pernas me levarem onde tenho que ir, conhecendo bem aquelas ruas que tanto me traziam memórias. Chega a ser engraçado observar rostos bruxos entre a multidão, sabendo que a maioria das outras pessoas ali não faziam ideia de que meu mundo existia. Aquele lugar tem um aroma específico que só nós sabemos distinguir, o cheiro de magia, feitiço e poder. É bem ali, onde se concentrava a maior parte da comunidade bruxa da capital, se mesclando entre humanos, disfarçando histórias e mais histórias. 

Sei que estou perto do meu destino, pois me lembro da descrição precisa na mensagem de texto que recebi mais cedo. Porta verde escuro ao lado de uma banca de flores. Sou pega de surpresa, pois o lugar é a primeira coisa dali que nunca tinha visto antes. Passo os olhos pelo lugar por alguns segundo e meu coração parece pular uma batida quando vejo sua figura de costas pra mim, analisando as flores à venda. 

Eu sei que é ele, pois reconheceria as madeixas rosadas em qualquer lugar. 

Memórias da noite anterior passam pela minha cabeça sem piedade alguma, me fazendo esquecer por alguns segundos do verdadeiro motivo de eu estar ali.  Quero andar e acabar com aquilo de uma vez, mas sinto meu corpo arder quando vejo Jungkook pegar uma flor-tigre e cheirar por alguns segundos antes de enfiar a mão no bolso e entregar uma nota para a vendedora. 

Ele se vira e quase de imediato encontra meu olhar. Queria tanto saber o que se passa na cabeça dele, tanto, tanto. 

Jungkook acena e como um choque de realidade percebo que ficar parada ali deixava as coisas mais estranhas. Atravesso a rua, indo em sua direção, sentindo meu estômago revirar de nervoso cada vez que chegávamos mais perto. Ele coça a nuca e abaixa um pouco a cabeça, sei que está nervoso também. 

— Não é pra você, não se preocupe — ele comenta, mexendo a mão que segurava a flor. — É a flor do meu nascimento, por isso comprei. 

Mordo o interior da minha bochecha, buscando algo pra falar. Porque é que me sinto tão estranha? Eu não deveria estar morrendo de amores por Jungkook? Ele não deveria estar morrendo de amores por mim?

— E então, o que é que viemos fazer aqui? — mudo de assunto, coçando a garganta. — Precisamos fazer o feitiço, caso não se lembre. 

— Ah, é... Por isso a gente tá aqui — Jungkook aponta para a porta verde escuro. — É uma loja de ornamentos mágicos. 

— Eu nunca tinha visto essa loja por aqui e olha que eu já andei muito por esse lugar. 

— É porque essa é uma loja... especial — arqueio a sobrancelha e Jungkook sorri. — Vem, vou te mostrar. 

Jungkook caminha até a porta, usando o dedão para desenhar um círculo na maçaneta. O desenho brilha em verde claro por alguns segundos antes de eu ouvir a porta sendo destrancada e Jungkook pisca pra mim antes de abrir a mesma, dando espaço para que eu entre.  

Como de costume, olho para cima, vendo a perna de um sapo pendurada no teto acima da porta, típico de loja mágica. Olho ao redor, observando o ambiente. O lugar parecia um supermercado humano, dividido por seções e mais seções. A iluminação esverdeada me dava uma estranha sensação de perigo e por um momento sinto que devo ficar atenta a qualquer movimento. 

Há um pequeno balcão no meio do lugar, onde um homem já velhinho ajeitava seus óculos enquanto lia um jornal. Atrás dele havia uma enorme prateleira, recheada de bolas de cristal, garrafas de vidro e outros instrumentos mágicos. Jungkook caminha até ele, batendo fraquinho na madeira do balcão, sorrindo quando o homem da um pulo de susto. Reviro os olhos pela falta de educação do mais novo. 

— E aí, vovô? Tudo em cima? — Vovô? Jungkook toma a mão do idoso na sua e beijando o topo dos dedos. — Essa é a garota que eu falei. 

Os dois olham pra mim e eu engulo em seco, nervosa pela atenção repentina. 

— Ah, muito prazer. Eu sou- 

— Louise Jones, é claro — o homem me interrompe e abre um pequeno sorriso. — Conheço todos o bruxos e bruxas que passam por essa porta, mas você eu já conhecia antes mesmo de entrar. 

Jungkook abaixa o olhar, mas sei que ele está sorrindo, pois vejo o canto da sua boca se mexer. 

— Bom, espero que tenha ouvido bem de mim, senhor — caminho até os dois, mexendo no bolso do meu casaco buscando pelo pedaço de papel que guardei ali mais cedo. — Se não se importa, fiz uma lista de ingredientes que preciso comprar.

Entrego o pedaço de papel rasgado em suas mãos e o homem encara o papel por alguns segundos antes que alternar seu olhar entre mim e Jungkook. 

— Limão, gengibre, pata de aranha e o dente de uma serpente... Um contrafeitiço de amornatus.

Sinto meu rosto arder com o olhar do bruxo sobre mim e não sei pra onde desviar se não Jungkook, quase pedindo para que ele me salve dessa vergonha. 

— Relaxa, vô. Tá tudo sobre controle — ele diz, colocando um braço ao redor do meu ombro. — Vou levar a Louise pra conhecer o antiquário enquanto você separa os ingredientes pra gente, tá bom?

Jungkook inclina a cabeça, me pedindo para acompanhá-lo. Ele passa pelo balcão, subindo a escada que tinha ali que nos levava a um pequeno longo corredor estreito, iluminado por pequenas bolas brilhantes no teto que me lembravam do céu escuro. 

— Por que não me disse que seu avô é dono de uma loja? 

— Desde quando nós falamos sobre as nossas famílias para o outro? — Jungkook da de ombros, rindo fraco. 

— É... verdade. Mas você podia ter me avisado, eu fui pega de surpresa. 

— Foi? Por que descobriu que eu já falei de você pra ele? — ele se vira, parando abruptamente, quase me fazendo esbarrar em seu peito. Engulo em seco, sentindo seu olhar sobre mim pesadamente. Ele sorri. — Relaxa, mesmo se eu não tivesse falado de você, ele já saberia quem você é, já que-

— Ele sabe todo e qualquer bruxo que entra na loja. É, eu ouvi. 

— Não é só isso, bruxinha. Quando algum bruxo entra, vovô consegue saber toda sua história, seus medos, seus desejos... Nem precisava de você fazer aquela lista, pois ele saberia exatamente o que você queria.

— Isso é... bem invasivo, não acha? 

— Acho, mas ele não escolheu isso. Vovô descende de uma família de bruxos oráculos muito antigos e, apesar dessa miscigenação que existe no nosso mundo, ele conseguiu herdar algum dos poderes dos seus antepassados. 

— Isso quer dizer que você também tem esses poderes?

— Sim e não. Mas provavelmente não, já que durante todos esses anos eu nunca despertei nenhum tipo de habilidade como a do meu avô. 

— Entendi, mas isso não torna seu avô um cara importante? Alguém poderoso demais pra ser um simples vendedor mágico? — Jungkook ri, colocando as mãos no bolso do moletom preto. 

— É por isso que essa loja é tão protegida — junto as sobrancelhas, confusa. — Ela só aparece pra quem consegue seu endereço e você só consegue entrar se tiver consigo uma flor-tigre. A mulher da banca de flores é minha avó. 

Dou um sorriso, lembrando de quando vi Jungkook sentir o cheiro da flor há alguns minutos. 

— E como eu consegui entrar? Foi você quem comprou a flor. 

— Olha seu bolso. 

De imediato eu passo a mão pelo meus bolsos, a ponta dos meus dedos sentindo a textura macia das pétalas que eu não fazia ideia que estariam ali. A pego, analisando sua cor alaranjada em minhas mãos e sem pensar a levo até o nariz, sentindo seu cheiro mágico adentrar minhas narinas. 

— Como você fez isso? E como que você entrou se estava comigo?

— Um bruxo nunca revela sua mágica — ele pisca novamente e eu não consigo evitar sorrir. — E eu tenho uma flor-tigre comigo, à todo momento — Jungkook levanta a manga do blusão me mostrando a tatuagem no seu seu braço. Uma flor-tigre desenhada em sua pele de forma tão linda e única, envolvida em um texto escuro contrastando sua pele clara. 

— Como é que eu nunca vi essa sua tatuagem? — meus dedos parecem não me obedecer, pois passo a ponta do polegar pelo desenho. 

— Você nunca prestou atenção em mim. 

Subo meus olhos, só então percebo o quão perto Jungkook está de mim. Ele me olha também e nós ficamos assim por alguns segundos que pareceram infinitos para mim. Sinto ele dar um passo a frente e é automático quando chego para trás. 

A sensação estranha me consome novamente. É como se tudo o que aconteceu ontem tivesse sido momentâneo, como se a poção tivesse funcionado só naquele momento. Eu tento entender o que possa ter acontecido, tento rever os passos do meu feitiço, tento lembrar se coloquei os ingredientes certos. Por que é que não me sinto apaixonada por Jungkook? 

— Você disse que ia me mostrar o antiquário. 

Ele me encara por alguns segundos e assente, virando de costas pra mim e dando alguns passos até a parede do lado direito. 

— Pra entrar no antiquário existe um segredinho — Jungkook explica, passando o dedo pelo único tijolo exposto no lugar, onde há um circulo cravejado. — Você tem que pensar no momento mais importante pra você.

— Seu vô adora essas coisas, né. 

— Sim, ele adora — Jungkook ri. — Vou te mostrar. 

Vejo seus olhos se fecharem por alguns segundos enquanto seus dedos rodeiam o círculo no tijolo. Como mágica — e realmente era —, uma entrada se materializa na parede. 

— O momento mais importante, Louise. O momento que mudou tudo pra você, o momento que te faz ser quem você é. Uma memória, um objeto, uma pessoa — Jungkook me da instruções. — Você tem duas chances, tá bem? E eu vou tá bem aqui do lado, não vai acontecer nada demais. 

Assinto, me sentindo nervosa quando o vejo atravessar a passagem, que logo se fechou. Eu encaro a parede, sentindo meus músculos tensionarem quando passo dedo pelo círculo. Fecho os olhos tentando imaginar qualquer que fosse o dia mais importante da minha vida. Penso no dia em que nasci, no dia do meu batizado bruxo, quando me matriculei na universidade, meu primeiro beijo. 

Mas não. 

Nenhum deles é sobre a memória mais afetiva que tenho, nenhum deles é sobre a pessoa que me faz ser quem eu sou.

Abro meus olhos novamente, vendo a entrada materializada na minha frente. Os olhos de Jungkook seguem meu movimento enquanto ando até ele, sentindo uma onda elétrica passar por mim quando passo pela porta. 

— Conseguiu de primeira, parabéns — ele sorri pra mim e eu faço o mesmo. — No que você pensou? 

Me pergunto se devo contar, se devo falar algo tão íntimo assim pra Jungkook. Mas ele me olha com tanta curiosidade, os olhos redondos cheios de inocência e afeto, algo tão diferente do que eu via durante nossas brigas e farpas do dia-a-dia. 

— No dia que ganhei meu grimório. Parece bobo, mas foi meu pai quem o fez pra mim e me deu de presente no dia em que nos mudamos para a Coréia. E por algum motivo, toda vez que o abro eu consigo sentir o cheiro de chá de camomila que meu pai tomava de manhã. Ele deve tê-lo enfeitiçado pra mim. 

— É uma memória bonita... Magia é tão importante pra você... — Jungkook caminha devagar pelo local, mas não consigo tirar os olhos de suas costas para observar o que me rodeia também. 

— No que você pensou?

Jungkook para de andar e eu aproveito a deixa para me aproximar. 

— Na meu aniversário de 15 anos — ele suspira alto, abaixando os ombros. — Foi o último aniversário que passei com a minha mãe antes dela morrer. 

Sinto a minha garganta fechar pela revelação triste, não fazendo ideia de que Jungkook tinha perdido a mãe. 

— Ela me levou na montanha Jangsan, em Busan. E aí a gente molhou os pés na cachoeira que tinha ali e fizemos um picnic também — Jungkook abre um sorriso triste e me encara. — Foi o único dia na minha vida em que não houve nada de mágico. Sem treinamento, sem feitiços, nem poções. Só eu e minha mãe... É minha memória mais importante. 

Meu coração acelera estranhamente e não sei  dizer o porquê. Jungkook parece tão vulnerável enquanto me fala sobre sua mãe, enquanto me conta sua memória favorita dela. 

— É por isso que você parece não gostar muito de magia? 

— Talvez... Tudo isso me lembra da minha mãe, ela quem me ensinava... Mas depois que ela morreu eu tive que aprender com minha avó e... só não era a mesma coisa. É por isso que sou péssimo com poções. 

Ah, merda. Como não me sentir culpada de ter falado aquelas coisas agora que sei dos seus motivos? 

— Desculpa, eu não queria te chatear ou algo assim — me apresso em falar, mas só arranco uma risada de Jungkook. 

— Relaxa, bruxinha. Você não me chateou em nada. 





oie!

peço perdões de joelho pela demora?

era pra eu ter postado no dia 31, mas aconteceu tanta coisa nesse final de mês e eu to tão atolada com coisas da faculdade que eu realmente não tinha cabeça pra atualizar nenhuma das minhas fanfics. 

só hoje consegui sentar pra terminar esse capítulo, espero que não me odeiem >:(

se você ficou confuse sobre os sentimentos da louise, espera mais um tiquinho que tudo vai ser explicado, juro! 

espero que tenham gostado, apesar da demora e também de já estarmos em novembro kkkk 

obrigada pelos cometários! até mais <3

ps: agora consegui colocar vídeo no capítulo, hehe essa é a música. eu descobri ela faz pouco tempo e achei tão bonitinha e da uma vibe meio romântica, ein. espero que gostem! 


música do capítulo: tiger flowers - the mhurs


https://youtu.be/NF6HKlhB25k

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