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happy fucking easter!

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O som dos risos e do estalar das brasas na churrasqueira preenchia o ar, enquanto o aroma de carne temperada envolvia o quintal da casa. Andie observava sua família com um sorriso discreto, absorvendo a tranquilidade que a cercava. Sua irmã ajudava as crianças a pintar ovos coloridos enquanto o irmão ajustava a caixa de som, tentando encontrar a playlist perfeita para animar a tarde. Sua mãe, como sempre, estava atenta aos mínimos detalhes, organizando a mesa com precisão. Era o cenário ideal de um feriado familiar, exceto pela tensão silenciosa que pulsava dentro dela.

Jungkook estava ali, sentado ao seu lado na ponta da mesa. Ele brincava distraidamente com o garfo em suas mãos, enquanto os olhos escaneavam o ambiente, observando tudo com uma curiosidade silenciosa. O silêncio entre eles era palpável, uma barreira que nem mesmo os risos e as conversas ao redor conseguiam dissipar. Desde o último encontro, em fevereiro, eles não haviam trocado muitas palavras, e Andie sabia que não estava pronta para enfrentar as perguntas da mãe sobre sua vida amorosa em plena Páscoa. Por isso, fez questão de convidá-lo para o almoço, mesmo que a situação estivesse longe de ser ideal.

Ali estava ele, a figura de um namorado ideal para um feriado, mas ainda assim, havia algo indefinido entre os dois. A lembrança do Dia dos Namorados, quando quase se beijaram pela segunda vez, pairava no ar, não dita, mas claramente presente.

Reunindo coragem, Andie decidiu quebrar o gelo. Ela lançou uma piada sobre como a casa estava barulhenta demais para quem só queria aproveitar um dia de descanso, e, para sua surpresa, Jungkook sorriu e entrou na brincadeira. Ele começou a compartilhar histórias de como a Páscoa era celebrada na casa de sua família na Coreia. Ele se empolgou ao falar das tradições, dos pratos típicos que sua mãe preparava e dos momentos que passava com o irmão e os pais.

O brilho nostálgico nos olhos de Jungkook não passou despercebido por Andie. Ela percebeu que, por mais que ele estivesse ali agora, a saudade de sua família parecia doer em algum lugar profundo dentro dele. Havia algo nas palavras dele que falava mais do que as simples lembranças; era o desejo de estar em casa, com aqueles que ele amava. Em algum ponto da conversa, Jungkook aproveitou para ensinar a Andie algumas palavras em coreano. Ela se esforçava, mas errava as pronúncias, arrancando risadas dele.

— Não é justo — Andie reclamou, rindo também. — Você tem tanto a me ensinar, e eu não consigo nem falar direito! Acho que o inglês é bem mais fácil de aprender.

— Eu acho o contrário, na verdade. — Jungkook respondeu com um sorriso, ajustando sua postura na cadeira. — Eu demorei muito tempo até aprender, e mesmo agora, tem coisas que ainda não consigo pronunciar muito bem.

— Eu gosto do seu inglês, do seu sotaque — Andie disse, sinceramente, e lhe deu um sorriso suave.

Eles se encararam por um momento, o peso da conversa caindo sobre eles. Estavam prestes a se perder novamente no ritmo confortável do assunto, quando, de repente, a voz animada da mãe de Andie cortou o ar.

Andie se virou rapidamente, seu coração afundando no peito ao reconhecer Ryan, o médico que sua mãe parecia estar insistentemente tentando colocar em sua vida. Ele apareceu com seu sorriso confiante, como se tivesse sido esperado, e cumprimentou todos na mesa com um entusiasmo um pouco exagerado. Sem pedir permissão, ele puxou uma cadeira ao lado de Andie e se sentou, fazendo questão de demonstrar como estava confortável naquela circunstância.

— Andie, é bom te ver finalmente! Achei que ia passar o feriado sozinha — disse Ryan, dando um olhar rápido para Jungkook.

O desconforto imediato tomou conta de Andie. Ela sentiu seu corpo se tencionar, sabendo exatamente o que estava por vir. Sua mãe provavelmente havia comentado sobre o fato de ela ver Jungkook apenas nos feriados, o que parecia ser uma constante irritação para ela.

— Na verdade, eu não estou sozinha, Ryan. Esse é o Jungkook — Andie respondeu, tentando suavizar a tensão enquanto fazia um gesto em direção ao rapaz que agora observava o médico com uma expressão fechada.

Ryan não parecia se intimidar. Pelo contrário, ele imediatamente se lançou em uma conversa, sem esperar muito espaço, contando histórias sobre suas viagens e conquistas profissionais. A cada palavra, Andie se sentia mais desconfortável, como se estivesse sendo empurrada para um canto, enquanto ele monopolizava a conversa. Mas o pior ainda estava por vir.

— Então, Jungkook, o que você faz da vida? Algo que te mantém por aqui, ou é mais do tipo que só aparece de vez em quando? — Ryan perguntou com um sorriso de quem sabia exatamente o que estava fazendo, deixando claro que estava provocando o outro homem. Andie sentiu um calor subir por suas bochechas, desejando que tudo aquilo desaparecesse.

Antes que o desconforto tomasse proporções maiores, Andie se levantou abruptamente.

— Jungkook, pode me ajudar com algo? As crianças precisam de ajuda para esconder os ovos da caça. — Ela não esperou por uma resposta antes de puxá-lo pelo braço e guiá-lo para longe da mesa.

Sua mãe lançou um olhar furioso para ela, mas Andie ignorou. Eles caminharam em silêncio até a lateral da casa, onde as cestas de ovos estavam prontas para a brincadeira. Andie soltou um suspiro, passando a mão pelo rosto, tentando se acalmar.

— Desculpa por isso — Andie disse, a voz baixa, quase como se estivesse pedindo desculpas a si mesma. — Eu avisei minha mãe que você viria, mas... ela acha nosso trato meio absurdo.

— Absurdos são os comentários dele — Jungkook retrucou, cruzando os braços e olhando para o cenário ao redor. — Ele tá me provocando de propósito e ainda tá dando em cima de você na minha frente.

Andie o olhou surpresa com a confissão direta de Jungkook.

— Você está com ciúmes? — ela perguntou, com um sorriso brincalhão, tentando aliviar a tensão.

Jungkook desviou o olhar, coçando a nuca enquanto agora mexia nos ovos coloridos espalhados pela grama.

— Não. Mas quem não ficaria desconfortável? — ele respondeu rápido demais. — Mas, sério, por que você não dá uma chance pra ele? Sua mãe insiste tanto e ele parece ser bem-sucedido.

— Não gosto dele — Andie respondeu rapidamente, sem hesitar.

— Mas você não dá chance pra ninguém também, como vai saber? — Jungkook insistiu, olhando para ela com uma expressão curiosa.

— Por que está falando pra eu ficar com ele? Ele não era um babaca há cinco minutos atrás? — Andie bufou. — Não é que eu não queira dar chance pra alguém. É... complicado. Eu tenho medo de me abrir, de criar expectativas e acabar me machucando de novo.

O silêncio pairou entre eles, interrompido apenas pelo som suave do vento nas árvores ao redor. Jungkook respirou fundo antes de falar, sua voz suave e pensativa.

— Parece familiar.

— O que você quer dizer? — Andie perguntou, curiosa, virando-se para ele.

Jungkook pesava as palavras, buscando a melhor maneira de continuar.

— A mulher que você viu no restaurante no Dia dos Namorados... Ela era minha ex-namorada. Estávamos juntos há um ano e um dia ela simplesmente sumiu. Sem explicações, sem despedidas. Depois descobri que ela estava com aquele cara e parecia... feliz.

O coração de Andie apertou com a sinceridade na voz dele. Ela sentiu o desejo de confortá-lo, mesmo que suas palavras parecessem pequenas.

— Tenho certeza que você fica melhor longe dela — Andie disse suavemente, colocando a mão no ombro de Jungkook.

Ele sorriu amargamente, colocando a mão sobre a dela, um gesto simples, mas cheio de significado para ambos.

— O pior já passou. O que importa é o que vem depois, certo?

Eles ficaram em silêncio, cada um refletindo sobre o que acabaram de compartilhar. Algo entre eles mudou, e, por mais que fosse sutil, Andie sentiu que havia uma conexão mais profunda, um desejo de conhecer Jungkook mais e mais.

Ela observa seus olhos novamente enquanto sentia o calor da palma dele em sua mão. Assim como em outros momentos, o clima estava ali, o mesmo do Ano Novo, o mesmo do Dia dos Namorados. E Andie, mais uma vez, sentiu o estômago revirar na presença dele.

De repente, Jungkook quebrou o silêncio com uma risada leve, tentando aliviar a tensão.

— Então, quer que eu te ajude a se livrar do Ryan? — ele perguntou com um sorriso travesso.

Andie riu, aliviada pela mudança de tom, e respondeu com um sorriso genuíno.

— Por favor.

Sem dizer mais nada, os dois voltaram para a casa, mas agora havia uma cumplicidade renovada entre eles. Andie anunciou que precisava sair para resolver algo urgente e, antes que o almoço pudesse continuar, eles pegaram a moto de Jungkook e seguiram para longe.

Enquanto o motor roncava e a paisagem passava rapidamente, Andie olhou para ele com um sorriso tímido, sentindo a leveza do momento.

— Obrigada por vir, mesmo.

Jungkook sorriu de volta, seus olhos suavizando.

— Acho que estou começando a gostar desses feriados.

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