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ELE/ELA


Pessoal, segue aqui os dois capítulos atrasados. Boa semana ♥

https://youtu.be/yoj2I6ZJLx8

ELE


Eu não sabia o porquê de eu estar ali. Não era para eu estar ali. Eu deveria ligar para o meu advogado, conversar com ele pensar em como consertar a merda que eu havia feito e colocar um ponto final nessa maldita história. Mas não. Passei a noite inteira pensando em Natasha. Me remexi tantas vezes na cama. E todas as vezes que eu fechava os olhos eu a via em meus sonhos. Maluco né? Mas a verdade era que Natasha era uma assombração na minha vida. Maldito dia em que eu fui naquele mercado. Maldito dia em que eu resolvi dirigir e passei por cima dela. Agora ela não saia mais da minha cabeça. Seus olhos tristes estavam marcados na minha alma. E o seu perfume atormentando os meus sonhos.

E naquele dia em que ela esteve na minha casa mexendo nas minhas coisas. Ela acabou mexendo mesmo foi comigo. Eu nunca me senti desse jeito com ninguém. Nem mesmo com Angélica que estava acorrentada a mim há anos. Eu jurei a mim mesmo que a afastaria de mim, mas eu não conseguia me afastar dela. Meu coração acelerava só de pensar nela.

Eu não sabia como eu havia parado aqui. Em um momento eu estava em casa e no outro eu estava na cafeteria com o rosto quente olhando para ela e ela com aqueles olhos esverdeados olhando para mim. O meu coração batia rápido demais. E as palavras evaporando da minha boca, saindo dos meus lábios para irem dançar em volta dela. Eu queria saber mais sobre ela, mais além da tragédia que eu havia lhe causado.

— O que você gosta de fazer? — eu perguntei a ela assim que colocou o meu cappuccino no balcão na minha frente.

Natasha corou. Especialmente hoje ela estava tão bonita. Ela ficava tão linda com as bochechas vermelhas. Então me ocorreu que eu a deixava envergonhada. Sorri com essa possibilidade.

— Como assim? — ela perguntou timidamente.

— O que te anima? O que tem feito você esquecer da vida?

— Eu gosto de dançar — ela disse com os olhos distantes. — Gostava.

Tentei ignorar o aperto na minha garganta. Isso era culpa minha. O que eu fazia ali?

— Bolo de chocolate — ela disse assim que percebeu o meu desconforto.

— Bolo? — Franzi a testa.

— Gosto de fazer bolos de chocolate. Quer dizer... Quando eu estou triste é só fazer um bolo de chocolate que a tristeza vai embora, é meio terapêutico para mim.

— Eu te entendo, me sinto assim em relação a pintura.

E era a pura verdade. Mergulhar o pincel na tela e dar a vida a uma imagem é como estar envolto em um mar de cores. Cores brilhantes que iluminavam as trevas presentes em minha vida.

— Seus quadros são tão bonitos! — ela exclamou. — Você sempre pintou?

Não antes das minhas mãos se sujarem com o seu sangue.

— Não. Na verdade, me formei em Geografia na Unesp daqui.

— Você queria ser professor? — ela inquiriu curiosa colocando no balcão os dois cotovelos.

— Sim. — Eu sorri com esse antigo sonho. — Aprendi a pintar com a minha mãe quando eu era criança. Meu pai queria que eu jogasse futebol, mas eu gostava mesmo era de ver a minha mãe pintar.

— E de onde surgiu esse interesse por Geografia?

— Eu sinceramente não sei. Eu fui um adolescente problemático. Meu pai queria que eu fosse para a faculdade de economia, acho que escolhi Geografia para irritá-lo. Mas com o tempo eu percebi que era melhor não ter feito faculdade nenhuma, apesar de eu ter gostado da ideia de ensinar.

— As garotinhas iriam enlouquecer se tivessem um professor como você.

Natasha riu. Seus dentes cintilaram enquanto sua boca se curvava em um belo sorriso. Ela ficava tão linda quando ria. Ela devia sorrir mais. Todos os minutos. Se fizesse isso não haveria nenhum homem na face da terra que não cairia em seus encantos. Fiquei feliz em ver que eu conseguira arrancar dela aquele breve, mas gostoso sorriso.

— Por quê? — perguntei cheio de malicia sabendo que ela ficaria morta de vergonha e assim suas bochechas vermelhas. A Natasha tímida me deixava desconcertado e louco.

Ela abaixou a cabeça sem graça. Dito e feito. Ela estava vermelha como um pimentão, já o meu corpo cada vez mais quente.

— Você sabe o porquê.

Ela pronunciou essas palavras tão timidamente que eu não pude deixar de me aproximar ainda mais dela. Apoiei os meus dois cotovelos no balcão e me inclinei para frente. Eu podia naquele momento ver de perto todas minúsculas pintas que pintavam o rosto doce de Natasha. Ela se afastou sem jeito. Deus o que eu estava fazendo?  Aprumei a postura e estalei os dedos um velho habito que indicava que eu estava nervoso, e por fim encrencado.

— Me fale sobre os bolos. — Eu pedi a ela. — É você quem faz os bolos daqui? Porque se for eu vou querer um pedaço agora.

— Não. — Ela manteve a cabeça baixa ainda muito tímida. — Eu não me atreveria a pedir isso ao meu patrão. Além disso, os meus bolos não são bons. São muito ruins.

— E quem disse isso pra você?

Natasha levantou o rosto pensativa.

— Na verdade ninguém. Eu fico triste o que é quase sempre, então faço um bolo o que ajuda a aliviar a dor e depois eu jogo fora.

Hesitei por um momento surpreso com a sua sinceridade. Então ela estava sofrendo. "Eu também estou" pensei em dizer a ela, mas me calei.

— Por que você joga o bolo fora? — perguntei.

— Comida deve ser feita com amor. Quando as pessoas comem algo feito com amor elas se sentem felizes. Os meus bolos são feitos com tristeza, com lágrimas. As pessoas comem doces procurando prazer e não dor. Você já sentiu que o mundo não precisa de você?

— Sim — eu respondi sem demora, Natasha me olhou assustada. — Eu me sinto assim o tempo todo.

— Eu... Eu sinto que te conheço. — Ela me observou, dessa vez quem abaixou os olhos fui eu.

— É uma cidade pequena — eu disse sem jeito.

— É você tem razão. Escuta...

Ela parou e olhou bem nos meus olhos. Meu coração já estava disparado a muito tempo e eu pensei que fosse ter um infarto. Era estranho ter os olhos daquela mulher em mim. Ela me olhava com certo desejo e curiosidade. Éramos de mundos diferentes que agora estava colidindo. Não tinha mais jeito. Eu estaria para sempre ligado a essa mulher.

— Por que você ia todos os dias no mercado? — ela por fim perguntou.

— Você quer que eu seja sincero com você?

— Sim, nunca minta para mim.

Senti um nó na garganta.

— Eu precisava ver você. Eu queria ver você.

Aquelas palavras saíram tão facilmente dos meus lábios que eu me espantei. Estava hipnotizado por aqueles olhos, por aquele sorriso, por aquele rosto de anjo.

— Por quê? — ela perguntou. Parecia estar tão perdida em minhas palavras quanto eu. Seu rosto nem estava mais tão vermelho.

— Eu precisava saber se você estava bem — eu falei.

— E o que você descobriu?

— Que você não está nada bem. Que você está tão machucada quanto eu. Que ambos estamos despedaçados.

Natasha abaixou os olhos e se esquivou. Ela se virou e andou em direção a cozinha me deixando ali sozinho.

ELA

Eu não sabia como reagir diante de tudo aquilo que Max havia falado. Ele gostava de mim? Não podia ser verdade. Ele era muito para mim. Mas eu não conseguia parar de pensar nos olhos dele. Na maneira como ele me olhou. Como ele havia dito que precisava saber se eu estava bem. Não, Max. Eu não estou bem. E você também não. Eu tinha visto isso nos olhos dele desde que nos conhecêssemos. Eu tinha aquela sensação estranha na boca do estômago quando ele se aproximava, a sensação de que ele já havia se aproximado antes. Mas eu sabia que era besteira aquilo tudo. E de que no fim a única pessoa que sairia machucada nessa história seria eu. Por isso me esquivei e jurei a mim mesma que continuaria me esquivando. Que mataria aquele sentimento estranho que eu sentia quando ele se aproximava de mim. Deus, ele tem namorada. Quem eu era perto dela? Uma ninguém. Não ia deixar aquele homem brincar com os meus sentimentos. O que eu sentia por ele era tão forte que a minha cabeça ficava imaginando coisas que não existiam e que nunca existirão.

Recuperei o fôlego quando fui até a cozinha e bebi um copo d'água que molhou a minha garganta e me deixou mais calma. Pedi para Jéssica terminar de atendê-lo. Eu não conseguia mais fazer isso. Falar com ele como se fôssemos velhos amigos sendo que eu não queria ser sua amiga. E eu sabia que não podíamos passar dessa linha tênue. Algo. Uma voz sempre cochichava no meu ouvido me dizendo que ele era uma bomba prestes a explodir e que eu deveria ficar longe dele. Talvez seja Deus dizendo para mim me afastar. Um recado de que eu não deveria sentir nada por Max.

— Mas por que você não quer terminar de atendê-lo? Ele é tão gato!

— Por favor, quebra esse galho pra mim — pedi para ela.

— Tá — ela disse encucada. — Eu vi o jeito como ele te olhou.

— Que jeito?

— Ora não se faça de tonta! Ele te olhou do mesmo jeito que um homem apaixonado olha para uma mulher.

— Ele não está apaixonado por mim. Não faz sentindo.

— Por quê?

— Olha pra mim! Eu não sou ninguém! — eu gritei. Jessica se assustou e acabou derramando um xícara que estava na sua mão.

— Ok, eu atendo-o — ela disse nervosa e sem jeito.

Eu segurei o seu braço e falei:

— Me desculpa, eu...

— Agora eu sei porque ele gosta de você. Vocês dois estão iguaizinhos essa xícara espatifada no chão.

Ela saiu e eu comecei a tirar os cacos do chão. De joelhos recolhendo cada pedacinho da xícara lágrimas começaram a saltar pelo meu rosto. Eu não entendia o porquê eu me sentia tão vazia. O porquê de eu não conseguir me abrir para o amor. Se Max gostava de mim, por que eu queria ficar longe dele? Por que quando eu olhei hoje para ele me senti errada em fazer isso? Por que eu sentia que eu não deveria amá-lo e sim o oposto? Os sentimentos dentro de mim eram confusos e eu estava tão perdida. Tão distante.

Em casa, deitada em minha cama chorei baixinho sem saber o motivo. Tália escutou o meu choro. Eu havia chegado em casa tão cansada que fui direto para cama, Tália também dormia quando eu chegara.

— Você está bem? — ela perguntou se aconchegando no espaço vazio da minha cama.

— Você está bem? — inquiri, já que o rosto dela estava mais pálido do que ontem.

— Não muito — ela respondeu. — E você?

— Também não.

— Dia ruim no trabalho?

— Eu... — fiz uma pequena pausa. — Eu não consigo melhorar, Tália. Por mais que eu deseje não consigo ficar bem.

Tália não disse nada apenas ficou me observando.

— Gosto de um rapaz. E tudo indica que ele gosta de mim também.

— Isso é bom. — Ela forçou um sorriso, mas eu sabia que havia algo errado com ela também. — Qual é então o problema?

— Eu sinto que ele vai me matar, Tália. Eu sinto que se eu me abrir para ele irei morrer mais do que já estou morta.

— Não seja tão dramática assim. — Tália me reprendeu.

— Mas é a verdade. Você nunca teve uma premonição?

Tália ficou em silêncio, parecia estar distante com os olhos fixos no teto de gesso. E então ela disse:

— Sim, na noite do seu acidente.

Eu olhei para ela curiosa. Como assim?

— Eu sonhei com você um dia antes do acidente. Você estava tão feliz porque ia dançar embalada pela orquestra sinfônica. Eu estava tão feliz e orgulhosa de você. Victor ia te pedir em casamento naquela noite, sabia?

Eu balancei a cabeça surpresa com aquilo.

— Se você tivesse chegado naquele restaurante naquele dia. Se aquele motorista idiota não tivesse cruzado o seu caminho. Hoje você seria uma mulher casada.

Eu não disse a ela que eu provavelmente teria dito não ao Victor.

— Me fale sobre o sonho.

Ela se mexeu desconfortavelmente na cama.

— Você estava dançando no palco do teatro municipal. Tão linda. Mas era uma música estranha e de repente você ficou suja de sangue. Você começou a gritar. A música ficou mais alta e você caiu.

Tália se calou. Eu pedi para ela continuar. Ela engoliu em seco.

— Então eu vi que você estava sem uma perna. Por isso você tinha caído. Você estava toda suja de sangue e com uma perna só e você gritava.

Ela colocou ambas as mãos no rosto. Tália chorava de uma maneira tão desesperada.

— Eu não sabia o que fazer — ela disse em meio as lágrimas com a voz embargada. — Eu acordei e dei graças a Deus por aquilo ser um pesadelo. Eu não sabia que ele iria se tornar realidade. Eu sinto muito, Tasha. Talvez se eu tivesse te contado...

— Não ia adiantar. Eu ia sair naquela noite de qualquer maneira. Eu ia ser esmagada por aquele carro de qualquer jeito.

Abracei Tália e disse para ela não chorar mais.

— Você sabe o nome dele? — eu perguntei a ela. — O nome do desgraçado que fez isso comigo?

— Não, mas a mamãe sabe. Você devia perguntar a ela.

— Não falo com a mamãe há dias. Ela está irritada comigo por causa do emprego.

— Você já pensou em confrontá-lo? Em ficar frente a frente com ele?

— Já, mas eu não tenho coragem. Não ia resolver nada. Não ia mudar o que ele fez comigo. Nada irá mudar.

— Você acha que ele consegue dormir mesmo sabendo do que ele fez com você?

— Acho que sim. A única que se ferrou nessa história fui eu.

— Não sei. Mamãe sempre diz que toda história tem dois lados.

— Pois se isso for verdade eu espero do fundo do meu coração que ele esteja sofrendo. Que ele esteja comendo o pão que o diabo amassou. Que ele esteja no inferno.

—Você nunca o perdoará?

— Não, Tália. Esse homem destruiu a minha vida.

Tália tossiu, ela parecia estar exausta.

— Você não melhorou?

— Eu estou bem sim.

— Vamos no médico amanhã. Você está péssima.

Coloquei a minha mão em seu rosto. Tália estava fervendo, ardendo em febre. Apertei a minha irmã em meus braços e comecei a cantarolar uma música para ela, "Lavanda azul".

— Sabe, Tasha. Me lembrei de um detalhe do meu pesadelo — Tália falou enquanto estava nos meus braços. Parei de cantar.

— Havia um homem se aproximando de você. Ele andava em passos lentos, chorava muito e implorava o seu perdão. Ele era o homem mais lindo que eu já virá na minha vida. 

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