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ELA

https://youtu.be/Dq_VkETFPzQ

Tália acordou doente naquela manhã. Ela não conseguiu nem ao menos se mexer. Sua voz estava rouca denunciando sua gripe.

— Estou morrendo — ela me disse com os braços estendidos deitada na cama fazendo drama.

— Não seja dramática. — Sorri para ela, mas Tália resmungou e tossiu tantas vezes que realmente fiquei preocupada. — Quer ir ao médico?

— Não. — Ela disse se forçando a levantar. — Preciso ir trabalhar.

Porém Tália não conseguia ficar em pé. Ela tentou várias vezes se sentar na cama, mas estava tão fraca que acabou deitando-se novamente.

— Você não pode ir trabalhar desse jeito — a alertei, mas Tália era teimosa.

— Eu preciso desse dinheiro. Sou faxineira. Se eu faltar em uma faxina vou perder dinheiro e patrões.

— O mundo das faxinas é tão difícil assim?

— Você não faz ideia maninha.

Olhando para o estado da minha irmã percebi o porquê de ela estar assim tão preocupada em perder o dia. O casamento. Tália ia se casar com o padeiro e precisava de dinheiro, pois casar não é uma coisa muito barata de se fazer.

— Eu vou no seu lugar. Assim você não perde seu dinheiro e nem seus "clientes".

— Você faria isso por mim? — Ela levantou uma sobrancelha.

— Eu faria qualquer coisa por você — eu disse a ela sorrindo.

Tália era a minha única irmã e única amiga. Eu não confiava em mais ninguém nesse mundo. Tália esteve comigo quando eu acordei e descobri que nunca mais iria dançar. Ela segurou a minha mão e diferente das demais pessoas que me olhavam com pena. Ela apenas me deu um beijo molhado na testa e chorou comigo abraçada a mim naquela cama de hospital. Eu e ela compartilhamos nossas lágrimas. Eu sabia que Tália era a única que entendia a minha tristeza, ela não queria que eu fosse assim. Mas ela sabe que quando se chaga no fundo do poço de lá não se sai mais. Pelo menos não sozinho. E apesar de eu não estar sozinha e ter ela para estender sua mão, eu não queria sair do buraco. O fundo do poço havia se tornado meu lar.

— Só me diga em quais casas você iria faxinar hoje.

Tália sorriu agradecida.

— Ai eu te amo, maninha. Estou péssima.

— Talvez seja melhor ir ao médico.

— Eu vou ficar bem — ela me garantiu. — Obrigada, mas você vai ficar bem? Faxina é um trampo pesado.

— Eu não me importo. Só pare de me tratar como se eu fosse uma boneca de porcelana que corre o risco de se quebrar a qualquer momento.

— Você é uma boneca — ela brincou e eu ri. — Vou anotar para você o número do apartamento que eu ia fazer faxina hoje. Se você for rápida vai conseguir terminar antes das três. Vai conseguir trabalhar depois?

— Vou sim — garanti a ela. — Vou sair do prédio e ir direto para a cafeteria.

— Você vai ficar cansada.

— Não vou não. É até bom. Fico amanhã inteira aqui sem fazer nada. Cabeça vazia oficina do diabo. E, além disso, estava querendo começar a fazer faxina pra ganhar uma graninha extra. Não posso perder o foco: Prótese nova.

— Eu queria tanto te ajudar, mas eu e o meu padeiro estamos economizando para comprar um terreninho.

— Você não precisa se preocupar comigo. Você e a mamãe já fizeram muito por mim. E eu quero que você seja feliz. Eu estou feliz por você.

— Eu queria poder dizer o mesmo, Tasha. Também queria que você arrumasse um namorado bom. Você é tão bonita. Me dói ver você assim.

— Assim como?

— Sozinha.

Aquilo doeu. Sozinha. Tália tinha razão. Eu estava completamente abandonada. Antes daquele acidente eu costumava ter amigos. Um namorado. Uma vida social agitada. Mas eu consegui acabar com tudo isso. A escuridão em volta de mim se encarregou de afastar toda a luz possível que se aproximava. Estou sozinha agora. Assim como uma estrela que repousa no céu sombrio da noite com poeira estelar a rodeando. Só que sou uma estrela morta. Apagada. Sem brilho nenhum. Pronta para cair a qualquer momento em algum planeta inabitável.

— Eu vou ficar bem — menti para Tália. Ela, claro percebeu, minha irmã me conhecia como ninguém.

Apanhei um bloquinho da minha bolsa e passei para ela.

— Anote o número do apartamento, por favor.

— É um cliente novo. Uma mulher muito chique pediu recomendações de faxineiras para a dona Esmeralda, a síndica lá do prédio. Ela me indicou. Hoje era pra ser o meu primeiro dia. Se gostassem do meu trabalho eu poderia continuar indo lá. A mulher vai me pagar 200 reais. Então capricha, maninha.

— Pode deixar, vou fazê-los te contratarem.

— Depois que eu terminasse lá eu ia faxinar na casa do seu Otávio, mas ele é tranquilo. Vou ligar falando que não vai dar pra ir hoje.

— Tem certeza? Eu posso ir lá depois...

— Não vai dar, você tem que ir pra cafeteria depois. E você já tá quebrando mó galho pra mim.

— E você sabe alguma coisa sobre esse apartamento novo? — inquiri.

— A mulher disse que a faxina é para o filho dela. Ele mora sozinho naquele lugar, mas ela me garantiu que ele é tranquilo e não é bagunceiro. Ela falou que ele nunca para em casa e que por isso eu deveria chegar cedo para apanhá-lo. Fica tranquila, maninha. O cara é pintor e nunca ouvi nenhum morador falar dele. Literalmente. Eu nem sabia que tinha alguém morando naquele apartamento. Mas a galera que mora lá tem dinheiro. São apartamentos de luxo, então capricha. Eu posso rachar com você a grana depois.

— Não precisa, estou fazendo um favor pra minha irmãzinha.

Aproximei-me dela e lhe dei um beijo na testa. Antes de sair levei o café da manhã pra ela e lhe dei um remédio pra dor. Pedi para minha vizinha que era muito amiga da minha mãe ficar de olho em Tália. Mamãe já tinha ido trabalhar e nem pude me despedir dela direito.

Coloquei uma roupa larga e confortável. Tália não tinha uniforme e sempre usava os produtos de limpeza dos próprios moradores. Amarrei o cabelo em um rabo de cavalo frouxo e passei um brilho labial nos meus lábios que estavam secos. Apanhei o ônibus e dirigi-me ao prédio que ficava bem no centro da cidade. Era um local badalado, mas eu não me assustava mais com gente rica. Contei para o porteiro sobre Tália, mas eu nem precisei me identificar. Ele sorriu para mim assim que me viu.

— Sua irmã sempre trouxe fotos de você. Especialmente aquela vez em que você saiu no jornal.

— Já faz tanto tempo.

— Sim, mas você continua exatamente a mesma da foto do jornal.

Errado. Eu não era mais aquela menininha da foto. Meus olhos agora eram uma sombra do que eles já foram um dia.

— Como é o morador do 215?

— Ele é caladão, mas é gente boa. Tem dinheiro viu. É um artista assim como você.

Pensei em dizer a ele que eu não era mais uma artista.

— Ele vai me atender?

— Fica tranquila, eu nem vou avisar ele. Porque ele e a mãe dele são tão gente boa. E a mãe dele já tinha me ligado na noite passada pra me falar da sua irmã. Só explica para o garoto a situação da sua irmã.

— Ok. Obrigada.

Eu não sabia por que, mas eu comecei a suar. O elevador demorou demais para subir e eu fiquei chocada quando descobri que o cara morava na cobertura. Isso significava que ele era realmente podre de rico e que eu ia trabalhar o dobro porque apartamentos na cobertura costumam ser bem maiores.

Chequei minha aparência mais uma vez no espelho do elevador. Estava tudo ok. Mas eu ainda estava suando como uma porca. Minhas mãos tremiam e eu comecei a ficar muito nervosa. E se o cara fosse um babaca? E se ele não me deixasse entrar? E se tivesse drogas no seu apartamento? E se ele estivesse com amigos ou pior com um monte de prostitutas como esses caras ricos costumam sair? O que eu faria? Como eu agiria? E se ele fosse tão bonito quanto o Max?

Nossa era melhor não pensar mais nisso. O elevador parou. Arrastei os meus pés para fora literalmente nervosa. Céus! O que estava acontecendo comigo? E lá estava o apartamento. O número 215 dourado pregado na porta de madeira. Meus dedos se esticaram. Senti algo estranho. Uma voz dentro da minha cabeça dizia para eu correr e nunca mais olhar para trás. Foda-se os duzentos reais de Tália. Algo me alertava dizendo-me que se eu entrasse ali, naquele apartamento, minha vida mudaria para sempre, que o meu destino estaria por fim selado. Afastei tal pressentimento bobo da cabeça. Toquei a campainha. Nada. Toquei outra vez.

E Max apareceu. Ele abriu a porta. Seus olhos estavam vazios, profundos, inchados de sono e de cansaço. Eu não consegui esboçar nenhuma palavra e ele muito menos. Eu devia ter ouvido a voz boba da minha cabeça e ter corrido.

**********

Feliz dia das mães ♥

A música que está multimídia foi a que eu escutei pra escrever esse capítulos e os próximos em que venho trabalhando. Espero que gostem! 

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