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Último Capítulo


— Majestade! Majestade! — Chamam por mim, suas vozes ecoando pelos corredores de mármore polido de Moonfifth.

Ando apressadamente, envolta em uma aura de obstinação, enquanto meus funcionários, guardas e soldados me acompanham em uma formação rígida e disciplinada. O som ritmado de nossas botas reverbera pelas paredes altas, criando um eco que parece preencher o silêncio tenso que sempre acompanha a urgência.

— Diga, Warner. — Ordeno sem diminuir o passo, a voz firme cortando o ar.

— O mensageiro chegou esta manhã com uma carta de Isabel, majestade. — Ele informa, mantendo-se ligeiramente atrás de mim, acompanhado pelo restante do séquito.

Minha mente calcula rapidamente. Isabel. A rainha de Candese, um reino com o qual mantemos relações delicadas.

— Isabel? De Candese? — Indago, sem desviar os olhos do caminho à frente, já visualizando as possibilidades que essa correspondência pode trazer.

— Sim, majestade. — Warner confirma, sua voz carregada com a urgência do momento. — Pelo resumo do mensageiro, ela está disposta a discutir uma possível aliança entre os reinos e uma trégua diante do conselho principal.

Minha mente gira com as implicações disso. Uma aliança com Candese poderia mudar o equilíbrio de poder na região, mas também traria novos desafios.

— Entendo. — Digo, meu tom ponderado. — Deixe a carta em minha mesa. Vou analisá-la e responderei quando for oportuno.

— Sim, senhora! — Warner acena, antes de se afastar rapidamente, seguindo por um corredor que se bifurca do nosso. Um a menos em meu rastro.

Enquanto continuamos a marcha pelos corredores, um segundo assistente se aproxima, sua respiração levemente ofegante.

— Majestade! — Ele chama com uma reverência rápida.

— Sim? — Respondo, mantendo meu foco adiante.

— Majestade, as tropas de Sunfifth solicitam permissão para se posicionar na linha de frente, oferecendo sua força para proteger as fronteiras do reino. Eles acreditam que sua presença pode reforçar nossa defesa contra quaisquer ameaças iminentes. — Ele informa, tentando disfarçar a ansiedade em sua voz.

Meus olhos permanecem fixos no horizonte à frente, onde portas duplas de madeira maciça me esperam, mas meu pensamento já está em outro lugar. Sunfifth. As forças do reino são respeitáveis, mas será que precisamos delas agora?

— Não acho muito necessário. — Respondo, meu tom refletindo a análise fria que já fiz em minha mente. — O que meu pai pensa sobre isso?

O assistente engole em seco, e seus olhos se arregalam um pouco antes de responder, como se não tivesse certeza de como suas palavras seriam recebidas.

— Ele disse: "A rainha é quem manda!" — Ele repete, quase como se não acreditasse no que estava dizendo.

Um pequeno sorriso se forma em meus lábios, um gesto quase imperceptível para aqueles que me acompanham.

— Muito bem. — Respondo, com a mesma firmeza de sempre, e continuo meu caminho, enquanto as portas se abrem diante de mim.

Solto um suspiro pesado. Levo a mão às têmporas, massageando-as suavemente, como se o gesto pudesse aliviar a pressão que se acumula em minha mente. A decisão que preciso tomar exige mais do que apenas lógica; ela demanda estratégia, percepção, e uma compreensão profunda das intenções por trás dos movimentos. É típico de meu pai, um homem de astúcia inegável, deixar as questões mais delicadas em minhas mãos, como se cada decisão fosse um teste cuidadosamente arquitetado. Sei que ele está me observando, avaliando cada escolha que faço. E talvez, em algum nível, ele esteja esperando que eu falhe, que eu mostre algum sinal de fraqueza. Mas até agora, tenho superado todas as expectativas.

A realidade é que estou me saindo muito bem no papel de rainha, melhor do que até eu mesma esperava. Em Treeland, aprendi o que significa liderar, não apenas com força, mas com inteligência e sabedoria. Cada desafio que enfrento me molda, e sei que estou apenas começando a entender o verdadeiro peso da coroa. Enquanto pondero sobre a decisão, sinto que estou no caminho certo, mesmo que meu pai ainda tenha suas dúvidas. A responsabilidade que outrora parecia assustadora agora é uma parte de mim, uma segunda pele. 

— Faça o seguinte, meu rapaz. — Começo, olhando-o diretamente nos olhos para garantir que minhas palavras sejam claramente compreendidas. — Autorize metade dos homens a se posicionarem na linha de frente. Se houver qualquer sinal de ameaça iminente, envie a outra metade imediatamente. Caso contrário, mantenha-os em reserva. Não podemos arriscar todos os nossos homens de uma só vez, compreendeu?

— Muito bem pensado, majestade. — Ele responde com respeito, curvando-se profundamente antes de se apressar para cumprir minha ordem.

Eu mal tenho tempo de respirar antes que outro chamado ressoe pelos corredores.

— Majestade! Majestade! — A voz é ansiosa, carregada com a urgência de mais um problema que requer minha atenção.

Não há um minuto de paz quando se é rainha. A responsabilidade é constante, uma pressão que jamais se dissipa. Suspiro internamente, virando o corredor com passos firmes.

— Hum? — Indago, encontrando uma jovem com uma expressão de preocupação evidente no rosto. Antes que ela possa falar, somos interrompidas por uma criada que se apressa em se colocar à minha frente, claramente hesitante em interromper, mas determinada.

— Majestade, perdoe-me a intromissão, mas a senhora precisa decidir: deseja carne ou frango para a Festa da Lua? — Ela pergunta, a voz tremendo ligeiramente com a pressa.

Minha mente processa rapidamente, mas, ao perceber a expectativa nos olhos dela, decido envolvê-la na escolha. Afinal, uma boa rainha sabe ouvir seu povo, mesmo nos detalhes mais simples.

— O que você acha? — Pergunto, mantendo o olhar firme, mas com um toque de interesse genuíno.

Ela parece surpresa, quase desconcertada por ser consultada. — Carne, Majestade! — Responde rapidamente, com um brilho de satisfação por ser ouvida.

— Então será carne. — Confirmo com um leve aceno. — Olívia, pode ir.

— A senhora sabe meu nome? — Murmura, mais para si mesma, mas ainda assim escuto claramente. Ela dá um pequeno salto de espanto, surpresa que eu saiba seu nome.

— Sim, Olívia. E quanto às cores da festa, opte pelo azul e dourado. — Um leve sorriso cruza meu rosto.

— Sim, majestade. — Diz ela, quase atropelando as palavras antes de se curvar e se afastar apressadamente.

Com essa questão resolvida, volto minha atenção para a outra mulher que ainda espera, seu rosto carregado de preocupação.

— E as outras notícias? — Pergunto, sabendo que, no meio de tantas decisões, essa é a que realmente precisa da minha atenção.

— Majestade, recebemos alertas de um possível ataque coordenado por rebeldes. Estão planejando iniciar manifestações em Treeland, aproveitando que a senhora permanece em Moonfifth. — A mulher diz com evidente ansiedade, estendendo alguns papéis em minha direção.

Tomo os documentos das suas mãos, passando os olhos rapidamente pelas informações. As palavras saltam da página, mas não encontro nada que já não tenha enfrentado antes. Respiro fundo, devolvendo os papéis a ela com um gesto firme.

— E quem está por trás disso? — Pergunto, mantendo minha voz calma e controlada, embora minha mente já esteja processando as implicações.

— Sr. Vicente Paul de Ilha Bella, majestade. Ele está de certa forma incentivando os ataques. — Ela responde prontamente, mas a inquietação em seus olhos revela que espera por uma resposta mais decisiva.

— Não se preocupe com Vicente. Ele late, mas não morde. — Digo, deixando um leve toque de ironia transparecer. — No entanto, se isso te tranquiliza, passe a informação para o General Carter. Ele saberá como agir. Além disso, peça para ele me entregar até o final do dia os relatórios de Lós, Sansalom, e BrownWood. Quero estar atualizada sobre as administrações oficiais. — Ordeno com uma voz firme, deixando claro que, apesar das ameaças, estou no controle.

— Sim, majestade! Muito obrigada. — Ela responde, fazendo uma breve reverência antes de se afastar rapidamente, aliviada por ter cumprido sua tarefa.

Mal tenho tempo de organizar meus pensamentos quando ouço uma voz familiar chamando meu nome.

— Alinna? — Ivy me chama, a leveza em sua voz contrastando com o ambiente tenso.

Viro-me para encará-la, surpresa ao ver que não está sozinha. Ao seu lado, com a postura ereta e um olhar atento, está Lucious, sempre o mais formal dos dois.

— Ivy! Lucious! — Respondo, uma mistura de surpresa e calor na minha voz. A presença deles traz um alívio momentâneo, um lembrete de que nem tudo no meu dia é trabalho e problemas.

— Majestade. — Lucious inclina a cabeça em um gesto de saudação, mantendo a formalidade mesmo em nossa proximidade. Ele sempre foi assim, rígido nas convenções, mesmo quando não é necessário.

Ivy nunca foi do tipo que puxa meu saco, e isso não mudou, mesmo agora que sou sua rainha. Nossa relação sempre foi marcada por uma tensão latente, algo que se arrasta desde nossa viagem para Treeland. Naquela época, as farpas trocadas entre nós eram constantes, como se estivéssemos sempre à beira de uma disputa. Havia uma rivalidade silenciosa, uma competição implícita em cada palavra que trocávamos. As coisas ficaram ainda mais complicadas quando descobri que havia algo acontecendo entre ela e Erik. Isso acendeu uma faísca de ciúmes e desconfiança em mim que tornou nossa convivência ainda mais difícil. Cada gesto dela parecia carregado de uma intenção oculta, e eu não podia evitar sentir que havia algo mais nas entrelinhas. Mas o tempo passou, e com ele, nossas atitudes mudaram. Não somos exatamente amigas, mas a animosidade deu lugar a uma espécie de entendimento mútuo. Aprendemos a coexistir, respeitando nossas diferenças e as responsabilidades que cada uma carrega. Ivy continua sendo quem é — forte, independente e sem papas na língua — mas agora há uma certa admiração velada entre nós, uma aceitação de que, apesar de tudo, ambas somos necessárias para o bem do reino. As farpas ainda existem, mas são menos afiadas, como se o tempo tivesse suavizado nossas diferenças. A verdade é que, embora nunca venhamos a ser grandes amigas, há algo de inegável em nossa conexão. Ivy e eu entendemos a importância de nossos papéis e, de alguma forma, isso nos uniu, ainda que de maneira sutil e silenciosa.

— E então, encontraram o que eu estava procurando? — Pergunto, coçando minhas mãos com uma mistura de ansiedade e expectativa.

— Graças à ajuda de Koan, conseguimos localizar uma pequena lista que inclui jovens, crianças, adultos e até mesmo idosos. Eles estão espalhados pelo mundo, mas, com a lista em mãos, não será difícil encontrá-los. — Ivy se adianta, o entusiasmo evidente em sua voz.

Sinto um frio na barriga e, involuntariamente, volto a coçar minhas mãos. — E vocês têm certeza de que eles são realmente como nós? — Pergunto, a inquietação traindo minha curiosidade.

— Há 95% de chances de que sejam exatamente iguais a nós, embora com poderes peculiares e únicos. A lista nos dá uma base sólida para começar nossa busca. — Lucious, sempre o mais metódico, responde com confiança.

— Ótimo, maravilhoso! — Exclamo, não conseguindo esconder o sorriso que se forma no meu rosto. Meu coração se enche de alegria ao ouvir isso.

— Alinna, você entende o que isso significa? Se encontrarmos e treinarmos pelo menos metade dessas pessoas, nos tornaremos praticamente imbatíveis. Imagina pessoas com poderes idênticos aos nossos, combinados com a ligação do sol e da lua que sua mãe estabeleceu... — Ivy, agora visivelmente empolgada, quase não consegue conter a excitação.

— Eu sei! Eu sei! É exatamente por isso que estou tão determinada a encontrá-los. Mantenham-me informada, pois logo estaremos em busca de todos eles. Posso contar com vocês? — Sua empolgação é contagiante, e eu a interrompo, compartilhando a mesma sensação de antecipação.

— Com prazer! — Ivy e Lucious respondem quase em uníssono, seu entusiasmo ecoando o meu.

A promessa de uma nova perspectiva, reforçada por nossos semelhantes e suas habilidades únicas, acende uma chama de esperança e determinação em mim. A jornada que temos pela frente será desafiadora, mas com a ajuda deles, estou convencida de que estaremos mais próximos de alcançar nossos objetivos e fortalecer nosso reino.

Depois de lidar com uma enxurrada de tarefas e afazeres, apresso-me para o meu escritório, desejando com todas as forças que ninguém mais me interrompa. Cada passo que dou é apressado, carregado de uma urgência silenciosa. A minha mente está sobrecarregada, um turbilhão de pensamentos e preocupações que me impedem de me concentrar. Ao abrir a porta do escritório, o respiro aliviado de um espaço privado é um consolo temporário. Fecho a porta atrás de mim com um leve estalo, como se o som pudesse afastar todas as preocupações externas. O escritório, com suas paredes revestidas de livros e móveis elegantes, oferece uma sensação de estabilidade.

Sento-me atrás da mesa, afundo-me na cadeira e deixo que o silêncio me envolva. Preciso de alguns minutos, apenas alguns momentos de solitude, para pensar e refletir sem a pressão constante de ter que agir imediatamente. Com a mente a mil, sei que qualquer decisão precipitada pode ter consequências desastrosas. Todas as expectativas e o fardo das escolhas que faço não podem ser subestimados. Em cada movimento e decisão, um erro pode afetar profundamente não só meu reino, mas outros que dependem de mim para sua segurança e prosperidade. É crucial que eu encontre clareza e calma, mesmo que por um breve momento, para garantir que minhas ações sejam guiadas pela razão e não pela pressa. Reclino-me na cadeira, fecho os olhos e deixo o silêncio agir como um bálsamo. O tempo para refletir é escasso, mas essencial. Com um pensamento claro e sereno, estarei mais bem equipada para enfrentar os desafios à minha frente e tomar decisões que moldarão o futuro dos reinos.

— Alinna? — A voz de Pétrus ecoa pela sala, acompanhada por uma batida firme na porta, antes que ele entre sem esperar uma resposta.

Levanto os olhos por um breve momento, o suficiente para reconhecê-lo, mas logo volto minha atenção para a montanha de papéis à minha frente. 

— Pétrus? — Murmuro, sem realmente desviar o foco do trabalho que me espera.

Ele hesita por um segundo, parado perto da porta, seus olhos fixos em mim. — Eu queria conversar com você. — Sua voz carrega um tom de seriedade que não passa despercebido, mas eu finjo não notar.

— Pétrus, agora não é um bom momento. — Respondo, sem olhar para ele, a caneta correndo apressadamente sobre os documentos, selando tratados e assinando acordos. — Estou atolada de coisas para fazer.

Pétrus não se dá por vencido. Ele fecha a porta atrás de si, o som seco reverberando no ambiente silencioso, e avança até a minha mesa. Ele permanece de pé, recusando-se a sentar, como se a formalidade da situação exigisse que ele se mantivesse firme.

— O que vai acontecer agora? — Pergunta, segurando com força as costas de uma das cadeiras à minha frente, o tom da sua voz mais grave do que o usual.

— Muitas coisas, Pétrus, muitas coisas. — Respondo distraída, minha mão não parando de mover-se entre os papéis. — Você sabe como as coisas funcionam aqui. Há sempre algo acontecendo.

— Não estou falando dos acontecimentos dos milhares de reinos que você governa, Alinna, estou falando de nós... — A frustração é evidente em sua voz, mas antes que ele possa terminar, eu o interrompo.

— Pétrus, você recebeu sua recompensa. — Digo, sem levantar os olhos. — Cumpri minha promessa: riquezas, liberdade. Tirei você daquele lugar imundo onde estava preso. 

— Não, Alinna, não é disso que estou falando. Eu... — Ele balança a cabeça, desapontado, mas insiste.

— Pétrus, que bom que você está aqui, para falar a verdade. — Tento desviar a conversa, acelerando as palavras. — Será que você pode ajudar Erik com os guardas e soldados? Estou sobrecarregada. E ainda tenho que cuidar de Meredith, que está crescendo rápido demais. Você acredita que ela já não quer saber do seu ursinho de pelúcia? Daqui a pouco ela vai estar se casando, o tempo passa tão rápido...

— Alinna! — Sua voz explode de repente, a mão dele desce com força sobre a mesa, fazendo um eco alto na sala e me fazendo saltar de susto. A caneta escorrega dos meus dedos, e olho para ele, surpresa.

O rosto de Pétrus está marcado por uma seriedade que nunca vi antes. Seus olhos, antes despojados e relaxados, agora queimam com uma intensidade que me assusta. É como se toda a leveza que sempre o caracterizou tivesse se dissipado em um instante, dando lugar a uma fúria contida.

— Será que podemos conversar agora? — Ele pergunta, com a mandíbula tensa, enquanto leva a mão à testa, tentando se acalmar.

Engulo em seco, ainda sentindo o impacto de sua explosão. 

— C-Claro... — Respondo, minha voz falhando, enquanto tento recuperar o controle.

Devagar, me sento à mesa, tentando afastar os pensamentos sobre meus deveres e focar em Pétrus. Faço um esforço para dar a ele a atenção que claramente deseja.

— Você sabe o que sinto por você. — Ele diz, sua voz carregada de um peso que não posso ignorar.

— E o que você sente? — Pergunto, cruzando os braços, mantendo meu tom o mais neutro possível.

— Você sabe! — Ele responde com uma nota de frustração evidente.

— Bom, você nunca deixou claro o suficiente, então... — Solto, com um toque de desafio, observando suas reações.

— Nunca deixei claro o suficiente? Você só pode estar brincando, não é? Eu e Erik quase nos matamos por você! — A irritação em sua voz é visível, ele aperta as mãos em punhos ao lado do corpo.

— Olha, eu só disse isso para fugir dessa situação. — Admito com uma sinceridade que me surpreende.

— E por que você está fugindo? — Ele me encara, olhos fixos nos meus, esperando uma resposta que eu não sei se consigo dar.

— Porque é complicado. Nem eu mesma entendo, imagina você. — Reviro os olhos, tentando mascarar o desconforto com sarcasmo.

— Faça-me o favor, garota das chamas. — Ele rebate, sua voz firme. — Você nunca foge de nada.

O apelido "garota das chamas" sai de seus lábios como uma novidade que me surpreende. Pétrus nunca me chamou assim antes. É estranho e... de alguma forma, íntimo.

— Mas disso eu estou fugindo. — Respondo, elevando um pouco a voz, sentindo uma irritação crescente com ele.

— Precisamos resolver isso, Alinna. Não dá mais para continuar assim. — Ele insiste, a determinação em seus olhos me desafiando a recuar.

Sinto o desconforto crescendo dentro de mim. Ajeito minha trança, passando os dedos pela coroa que repousa em minha cabeça. Respiro fundo, tentando acalmar o formigamento que começa a subir por minhas pernas. Não sei como lidar com isso, mas também não posso fugir para sempre.

— O que você quer dizer? — Pergunto, genuinamente confusa, mas também temerosa da resposta.

— Você precisa escolher, Alinna. — Ele diz, a seriedade em sua voz carregada de uma intensidade que parece dominar a sala.

O que ele está pedindo de mim? Escolher? Entre o quê? Entre quem? A sala parece fechar-se ao nosso redor, cada palavra pesando como chumbo. Eu me levanto, tentando dissipar a tensão, mas o peso das suas palavras parece seguir cada movimento meu. O silêncio que se instala entre nós é pesado, cheio de coisas não ditas e de emoções que eu não estou pronta para enfrentar. Eu sempre fui forte, determinada, nunca fugindo de uma luta. Mas essa... essa é diferente. E é justamente por isso que ela me assusta. A frase que eu menos queria ouvir neste momento cai como um raio sobre minha cabeça, fazendo o ar ao meu redor parecer mais denso e pesado. As palavras de Pétrus ecoam em minha mente, misturando-se com a confusão de sentimentos que tentei suprimir por tanto tempo. Por um lado, eu entendo sua frustração. Já se passaram mais de dois meses desde que voltamos de Treeland, e apesar de ter recebido a recompensa que lhe prometi, Pétrus insistiu em permanecer aqui.

Para alguém como ele, que sempre viveu com a liberdade de um espírito selvagem, vagando por onde bem entendesse, o palácio deve parecer uma prisão dourada. Antes de ser capturado e jogado naquele presidio, Pétrus tinha o mundo inteiro aos seus pés, sem amarras ou compromissos. Agora, ele está preso aqui, neste ambiente formal e sufocante, onde cada movimento é observado, cada palavra é medida, e cada decisão carrega o fardo de um reino. Eu vejo isso nos seus olhos, o conflito interno entre o desejo de estar ao meu lado e a necessidade de escapar, de voltar a ser quem ele era antes de tudo isso. O palácio, com sua opulência e suas regras, é um pesadelo para alguém como Pétrus, que anseia por liberdade e despreza as correntes invisíveis que o prendem aqui. Sinto um nó se formar no meu estômago. Eu nunca quis isso para ele. Pétrus sempre foi uma força da natureza, indomável e imprevisível, e eu sei que pedir para ele ficar é como amarrar as asas de um pássaro. Mas ao mesmo tempo, há algo em mim que não quer deixá-lo partir, que se apega à ideia de tê-lo aqui, ao meu lado.

A pressão entre o que eu quero e o que ele precisa cresce a cada segundo, e as palavras que ele acaba de dizer ressoam dentro de mim com uma força que eu não consigo ignorar. É injusto mantê-lo aqui, eu sei disso, mas a ideia de perdê-lo também é dolorosa. Eu olho para ele, tentando encontrar uma solução que não machuque nenhum de nós dois, mas as opções parecem cada vez mais escassas.

Pétrus cruza os braços, o semblante carregado de frustração, e dispara:

— Não quero parecer um idiota, mas sou eu? Ou Erik?

A pergunta paira no ar, por um tempo longo demais. Sinto meu coração acelerar enquanto começo a andar de um lado para o outro, tentando organizar meus pensamentos. A escolha que ele me impõe é um fardo inesperado, e percebo que decidir entre eles é muito mais difícil do que eu jamais imaginei.

— Então eu vou ter que escolher entre vocês dois, não é mesmo? — Minha voz sai mais baixa do que eu esperava, quase um sussurro, enquanto paro e olho diretamente para Pétrus.

Ele não responde, apenas mantém o olhar firme em mim, esperando pela decisão que sabe ser inevitável. Por alguns instantes, deixo que o silêncio se prolongue, refletindo sobre tudo que passei ao lado de ambos. Erik, com sua força e lealdade, sempre esteve ao meu lado, pronto para lutar qualquer batalha. Pétrus, por outro lado, trouxe à tona emoções que eu nem sabia que possuía, um sentimento de liberdade misturado com uma estranha conexão que me assusta. Respiro fundo e finalmente me viro para ele, a determinação em meus olhos.

— Pétrus, vou ser direta. — Digo, minha voz firme. — Você sabe o que eu sinto por você, mas isso é estranho para mim. A verdade é que... — Faço uma pausa, sentindo a agonia das palavras que estou prestes a dizer — ...eu escolho...

As palavras parecem presas na minha garganta. Não há volta após o que eu disser, mas preciso ser honesta comigo mesma, com ele, e com o que meu coração realmente deseja.

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