Capítulo 31
1 ano depois...
— Querido, você não vai acreditar no que eu descobri sobre Dilan e Juliete... — Entro distraída na sala, mas paro ao ver Leonidas sentado no chão, de frente para uma mesinha repleta de bebidas. Ao lado dele, vejo dois copos.
— Você fica linda de calça, principalmente de couro preto. — Ele me olha de cima a baixo, mordendo os lábios.
— O que é isso? — Pergunto, intrigada.
— Estamos casados há um ano e alguns dias, certo? — Ele me pergunta.
— Hum... Certo. — Respondo, com um toque de cautela.
— Pois bem, só agora me lembrei que, anos atrás, descobri que você é ótima com bebidas. — Ele sorri, malicioso.
— Hugo? — Levanto uma sobrancelha.
— Com certeza. — Ele confirma.
— E o que você quer fazer? — Cruzo os braços, deixando um sorriso se formar nos meus lábios.
— Quero ver se você é tão boa assim. — Ele bate a mão no chão, ao seu lado, me convidando a sentar.
Caminho em sua direção e me sento ao seu lado, de frente para aquela variedade de bebidas. Algumas delas são tão antigas que nem me lembro da última vez que as vi. Aprendi a beber aos 15 anos, claro que escondido, e foi o tio Lucky que me ensinou. Ele sabia tudo sobre as melhores e as piores bebidas, e eu acabei aprendendo também.
— Escolha uma bebida! Surpreenda seu rei. Muitas dessas eu nunca tomei. — Leonidas estica os braços, apontando para a mesa.
— Certo. — Examino as garrafas. — Hum, vou começar com essa, a mais leve.
Despejo a bebida no copo de Leonidas, e ele a bebe, fazendo uma careta engraçada.
— Muito doce. — Reclama, franzindo a testa.
— Essa se chama hidromel. — Digo, rindo.
— Não gostei. — Ele faz uma careta.
— Certo, então experimente essa. — Ofereço outra bebida.
— Nossa, esse é forte! — Ele comenta, mais animado.
— Esse é o famoso arake. Vem de reinos distantes, e como leva tempo para ser transportado pelos navios, o sabor fica mais intenso e concentrado. — Leonidas pega a garrafa da minha mão e serve-se de mais um pouco.
— Você realmente entende do assunto. — Ele elogia, admirado.
— Eu sei. — Respondo, com um sorriso confiante, enquanto também tomo um gole. — Agora, experimente esse. Acho que você vai gostar.
Leonidas prova a próxima bebida, degustando lentamente.
— Esse eu conheço! — Ele quase grita, entusiasmado.
— Sabe mesmo? Então, diga, meu rei. — Brinco, desafiando-o.
— Isso é um destilado chamado vodka, meu amor. — Ele se aproxima, com um sorriso satisfeito.
— Que esperto da sua parte... Meu amor. — Respondo, entrando na brincadeira, e começamos a rir.
Passamos um bom tempo experimentando diferentes bebidas — saquê, airag, vinho persa, cachaça forte, aguardente — muitas das quais eu nem lembrava mais. Depois de um tempo, já estávamos rolando no chão, rindo como dois bobos. Decidimos que era melhor parar por ali e deixar para continuar outro dia. Leonidas me levou até a cama, e dormimos profundamente.
— Traidora! — Grita meu pai.
— Como pôde fazer isso? — Pétrus vocifera, com raiva nos olhos.
— Eu sempre soube que você era a pior de todos nós. — Ivy faz questão de jogar na minha cara.
— Tenho nojo de você! — Erik mal consegue me olhar.
— Que decepção, minha filha. — Mamãe chora, a dor em sua voz me dilacerando.
— Você matou todos nós! — Klaus e Vlad gritam em uníssono.
Eles formam um círculo ao meu redor, mas não consigo vê-los. Apenas escuto suas vozes ecoando ao meu redor, como se estivessem dentro da minha cabeça. Tento encontrá-los, mas minha visão está turva, e me sinto tonta, as vozes se tornam ensurdecedoras.
— Assassina! — Lucious grita, sua voz carregada de desprezo.
— Assassina! — Áries se junta ao coro.
— Assassina! — Tio Kedra também berra, e o som se multiplica, preenchendo cada canto da minha mente.
— Assassina! Assassina! Assassina!
— Assassina! — A voz de meu pai ressoa com tristeza.
— Você matou todos nós, Sky! Assassina! — Minha mãe repete, com uma dor que me dilacera.
Meu corpo começa a suar frio, e eu me contorço, assustada, tentando desesperadamente abrir os olhos e acordar, mas estou presa nesse pesadelo.
— Ei! Meu amor, está tudo bem? — Leonidas me sacode suavemente, tirando-me do pesadelo. Acordo sobressaltada, o coração disparado, ainda assustada com o que acabei de vivenciar.
Lembro-me do sonho e sinto um nó se formar em meu estômago. "Todos mortos..." A frase ecoa na minha mente, trazendo um aperto doloroso no peito. Por um momento, sou tomada pela consciência da distância que me separa deles. Cada noite, essa distância parece dobrar, mas nesta, foi diferente. Foi pior, muito pior. A tristeza que me invade é avassaladora, e a saudade se multiplica, tornando-se quase insuportável.
— O que foi? — Leonidas pergunta, com um tom de preocupação.
— Tive um pesadelo com minha família. — Respondo, me encolhendo em posição fetal, buscando algum conforto. — Mas você não se interessa, então não vou falar sobre isso.
— Ei! — Ele diz suavemente, levantando meu queixo para me encarar. — Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, mas, por incrível que pareça, eu também tenho sentimentos.
Dou uma risada curta, achando sua resposta ironicamente verdadeira. É difícil imaginar um homem como Leonidas, que tantas vezes me causou dor, admitindo que ainda é capaz de sentir.
— Alinna, você nunca saberá a metade das coisas que eu já fiz. — Ele começa, o olhar sério e carregado de segredos. — Vai querer entender o porquê de algumas dessas coisas, vai querer saber como fiz o que fiz, e vai querer descobrir por que certas coisas aconteceram com você. Mas essas respostas... — Ele faz uma pausa, como se ponderasse o peso do que está prestes a dizer. — Essas respostas você nunca terá, se depender de mim.
Sinto um frio na espinha enquanto ele continua.
— A única coisa que posso te dizer é que...
Leonidas hesita por um momento, sua expressão endurecendo, mas ao mesmo tempo mostrando um raro vislumbre de vulnerabilidade.
— ...tudo o que fiz, por mais cruel que pareça, teve um propósito. Propósito esse que você talvez nunca entenda, mas que, para mim, foi necessário. Não espero que você me perdoe ou sequer compreenda. — Ele solta um suspiro pesado. — Mas quero que saiba que, de alguma forma distorcida, eu me importo com você.
Suas palavras, embora envoltas em mistério, carregam um peso que não consigo ignorar. Aquele homem, que tantas vezes me fez sofrer, está ali, na minha frente, reconhecendo, mesmo que de forma mínima, o impacto de suas ações. E por um breve instante, vejo um pedaço da alma que ele esconde tão bem. Ele para por um tempo e tenta se controlar. Pela primeira vez vejo Leonidas se controlar para não demonstrar seus sentimentos de verdade. Ergo meu olhar para ele e ele está me olhando, me ajeito na cama e ficamos por um bom tempo nos olhando sem fazer nennhum barulho, nenhum ruído, apenas tento desvendar o que há por trás de Leonidas CastaBlanca.
— Sempre me senti excluído. Meu pai, por algum motivo, me desprezava, e minha mãe só tinha olhos para Nicolay, talvez pelo fato de que ele era fruto do único homem que ela realmente amou na vida. Quando conheci sua mãe, pela primeira vez, senti que tinha algo que era realmente meu, até que Nicolay apareceu. Eu tinha inveja do seu pai, porque as três mulheres que mais amei neste mundo só tinham olhos para ele, e isso me destruía. — Leonidas finalmente confessa, sua voz carregada de amargura e dor.
— Três? — Pergunto, confusa.
— Sim, três. — Ele abaixa o olhar, como se estivesse revelando um segredo que há muito tempo guardava. — E você se encaixa nesse grupo, Alinna.
— Eu... — Tento falar, mas as palavras ficam presas na garganta.
— Eu também quero ter alguém para amar, Alinna. Pelo menos uma vez na minha vida, quero sentir que sou correspondido. — Uma lágrima solitária escorre pelo rosto de Leonidas, mas ele a limpa rapidamente, como se se recusasse a mostrar fraqueza.
Meu coração se aperta ao ver aquele homem, sempre tão forte e impassível, mostrando um lado tão vulnerável.
— Leonidas, eu... Eu não posso me apaixonar por você. — Digo, com as lágrimas também começando a brotar nos meus olhos. — Simplesmente não posso.
— Eu não quero que você se... — Ele começa, mas eu o interrompo.
— Seria loucura! — Grito, minha voz embargada pela emoção.
— Não vou te obrigar a me amar, Alinna. Não quero te enlouquecer. — Ele responde, a tristeza evidente em sua feição.
— Tarde demais. — Respondo, e seus olhos se arregalam de surpresa. — Você já me enlouqueceu, Leonidas. Não consigo mais tirar você da minha cabeça.
Leonidas solta um suspiro profundo, como se estivesse tentando processar o que acabei de dizer, descrente no que ouve.
— Alinna...
— Eu te amo, Leonidas. — Digo finalmente, a voz trêmula, mas firme, sentindo um certo medo ao pronunciar essas palavras em voz alta.
— Não brinque comigo. — Ele gagueja, parecendo dividido entre a esperança e o medo.
— Não estou brincando. — Respondo, olhando-o nos olhos, sendo completamente sincera.
Por um momento, o silêncio se instala entre nós, carregado de emoções que nenhum de nós sabe como lidar. As palavras foram ditas, e agora nada pode ser desfeito. O medo, a paixão, a dor, tudo se mistura, criando um turbilhão de sentimentos que mal consigo compreender.
Finalmente, Leonidas quebra o silêncio, seu olhar se suavizando, e ele murmura:
— Alinna, eu nunca pensei que ouviria isso de você...
— Nem eu pensei que diria... — Respondo, ainda surpresa por meus próprios sentimentos.
Leonidas não diz mais nada. Ele simplesmente me envolve em seus braços, me puxando para perto de si em um abraço tão apertado que, por um instante, parece que nos tornamos um só. A proximidade é tão intensa que posso ouvir o som do seu coração, batendo descompassado, ecoando em meu ouvido como uma batida forte e irregular. Cada pulsação faz seu peito subir e descer com uma força que quase me tira o fôlego. E então, sinto algo que nunca imaginei: Leonidas, o homem implacável e temido, permite que as lágrimas rolem livremente por seu rosto. Suas emoções, tão cuidadosamente guardadas, agora se revelam sem medo, sem barreiras. Ele não consegue esconder a incredulidade que o consome. Sabe que o amo, mesmo depois de tudo o que aconteceu, mas, no fundo, parece que ele não quer acreditar. Talvez por medo de que esse sentimento seja uma miragem, algo que possa desaparecer a qualquer momento. Nunca me senti tão segura, tão protegida, como agora, nos braços daquele que, por tanto tempo, considerei meu inimigo. Em hipótese alguma, eu deveria me apaixonar pelo homem que desgraçou a vida da minha família. Mas quem estou tentando enganar? Apenas a mim mesma. O que passou, passou. A vida segue em frente, e não para trás. Enquanto estamos ali, abraçados, sinto o peso das palavras que Leonidas não pronunciou, mas que estão presentes no silêncio entre nós. É como se ele estivesse me pedindo para abrir mão de quem eu fui, da mulher que jurou vingança, e escolher um novo caminho ao lado dele. Um caminho que, embora tortuoso e cheio de incertezas, é o único que nos resta. E eu, com o coração dividido entre o passado e o presente, percebo que não posso continuar negando o que sinto. A dor, a raiva, a traição... tudo isso ainda está em mim, mas o amor que começou a brotar é real. E talvez, só talvez, seja forte o suficiente para nos guiar para algo que jamais imaginamos. Sacrifique sua rainha
Acordei sentindo-me mais disposta e alegre do que há muito tempo. Com um sorriso no rosto, comecei a cantarolar enquanto pulava pelo quarto, a energia transbordando em cada movimento. Coloquei meu roupão favorito, sentindo o tecido suave contra a pele, e desci para tomar o café da manhã. Ao chegar na sala de jantar, vi que todos já estavam presentes, as conversas fluindo de maneira descontraída. Sem hesitar, me aproximei de Leonidas, que tomava seu café tranquilamente sentado na cabeceira da mesa. Seu olhar encontrou o meu, e, num impulso, depositei um beijo suave em seus lábios, sentindo a familiaridade do gesto que agora parecia tão natural. A sala ficou em silêncio por um breve momento, mas a tranquilidade do ato dissipou qualquer surpresa.
— Bom dia. — Sussurrei contra seus lábios, ainda sorrindo.
Natasha deixou sua colher cair no prato no instante em que presenciou a cena de carinho entre mim e Leonidas. Sua expressão se transformou rapidamente em uma máscara de fúria e ressentimento.
— Bom dia, meu amor. — Leonidas murmurou, beijando delicadamente minha mão, ignorando o ambiente tenso ao nosso redor.
— Bom dia, Majestade! — Todos à mesa me saudaram em uníssono, exceto Natasha, que permaneceu em silêncio, o rosto marcado pela raiva.
— Vai deixar a rainha andar desse jeito pelos corredores do palácio? — Natasha finalmente rompeu o silêncio, com a voz carregada de desgosto, direcionando sua pergunta a Leonidas.
— Ela é a rainha, Natasha. Faz o que quiser, onde quiser e como quiser. — Respondeu tio Heitor, sorrindo para mim, deixando claro seu apoio.
Leonidas se voltou para Natasha, seu tom firme e sem paciência.
— Levante-se, Natasha. — Ordenou, sem sequer olhar em seus olhos.
— Por que tenho que me levantar? — Ela rebateu, soando como uma criança mimada.
— Porque este lugar pertence à rainha, que no caso é Alinna. Você sabe muito bem disso. Por que ainda insiste em relutar? Vai continuar com essas birras por mais quantos anos? — Leonidas respondeu, o tom impregnado de exasperação.
Com um bufar de irritação, Natasha se levantou, afastando-se para sentar-se ao lado de Warner e Juliete. Sentei-me em meu lugar, sentindo uma satisfação silenciosa pela troca. Depois do café, todos se dispersaram para cuidar de seus afazeres, até mesmo Leonidas se retirou.
— Venha, Meredith, vou te levar para brincar. — Disse Leonidas, pegando a mão de Meredith e saindo com ela.
Fiquei sozinha na imensa mesa, com Natasha sentada do outro lado, me observando com intensidade enquanto eu mantinha o olhar fixo na comida à minha frente.
— Você se deitou com ele, não foi? Está esse tempo todo se deitando com ele? Quando isso começou? Vamos, me diga! — Natasha finalmente soltou a pergunta que parecia estar lhe corroendo há horas.
— Isso não é da sua conta, Alice. — Respondi com calma, sem tirar os olhos do meu café.
— Alice? — Ela franziu o cenho, confusa com a referência.
— Alice, a personagem que caiu na toca do coelho e se perdeu em um mundo que não era dela. — Respondi, finalmente erguendo o olhar para encará-la. — Você deveria saber quando parar de se perder em ilusões.
— Não acredito que se deitou com ele! — Natasha sibilou, sua voz carregada de desprezo.
— Ele é meu marido, Natasha. Estamos casados há tempos, e pelo que eu sei, é exatamente isso que os casais fazem. Como rainha, terei que dar um herdeiro para o trono de Treeland. Vamos lá, você não é nova nisso. — Respondi com indiferença, dando de ombros, sabendo que a provocação a atingiria em cheio.
Natasha se levantou abruptamente, as mãos batendo com força sobre a mesa, seus olhos brilhando de fúria e ciúme descontrolado.
— Está mentido, Alinna!
— Como pode ter esse ciúme doentio pelo próprio irmão? — Provoquei novamente, deixando minha voz gotejar sarcasmo.
— Leonidas não é meu irmão! — Ela esbravejou ainda mais, sua voz ecoando pela sala.
— E com certeza não é sua propriedade. — Retruquei, levantando-me lentamente da mesa. — Se eu quiser, me deito com ele quantas vezes desejar.
O rosto de Natasha passou do vermelho ao roxo, consumido por um ódio evidente. Era exatamente a reação que eu queria, mas ainda parecia pouco, comparado ao que ela já havia feito comigo. Com tranquilidade, comecei a sair da sala de jantar, mas parei no meio do caminho, decidida a dar o golpe final.
— E só para você saber, Leonidas, ou Derek, como preferir chamar, é muito, mas muito bom de cama. — Disse, mordendo os lábios e piscando para ela com uma provocação calculada.
Natasha explodiu de raiva, seus gritos enchendo o ar enquanto ela derrubava todos os pratos da mesa no chão. Com o que queria alcançado, saí correndo, deixando Natasha ser consumida pela própria fúria. O som da destruição e o eco de sua raiva ficaram para trás, enquanto eu sorria satisfeita, sentindo o peso da vitória.
...
Andei apressadamente em direção ao meu quarto, onde Meredith e Leonidas me aguardavam. No caminho, esbarrei em Ivan, que imediatamente abaixou a cabeça e tentou se afastar rapidamente.
— Me perdoe, majestade. — Disse com uma voz quase abafada, movendo-se rapidamente para sair do meu caminho.
— Ei, Ivan! Espere um momento. Está com medo de mim? — Indaguei, com uma pitada de malícia na voz, decidida a brincar um pouco e a me vingar.
Ele parou, mas não ousou me encarar.
— Não, senhora. — Respondeu, sem levantar os olhos.
— Não é mais homem? O que aconteceu com aquele Ivan ousado e confiante? — Sorri, provocando-o deliberadamente.
— Nada. Não aconteceu nada, senhora! — Disse, inclinando-se ainda mais.
— Espere um pouco, Ivan. — Eu o segurei pelos ombros, sentindo a tensão em seus músculos. — Você se lembra do dia em que me bateu? Do dia em que ajudou Natasha a me incriminar?
— Eu... Ãhm... É... — Ivan gaguejou, a voz vacilante.
— Olhe para mim, Ivan! Olhe para mim do mesmo jeito que me olhava antes. — Ordenei, forçando-o a levantar o olhar.
Com relutância, ele ergueu os olhos e me encarou, seu olhar misturando medo e desconforto.
— Quando você fez tudo aquilo comigo a mando de Natasha, prometi para mim mesma que me lembraria do seu rosto pelo resto da vida, não importasse quanto tempo passasse. — Passei meus dedos delicadamente pelo seu rosto, traçando o contorno de sua mandíbula e a linha de seu maxilar.
— Sabe, Ivan, você é um homem muito bonito. — Me aproximei ainda mais, sentindo a tensão dele aumentar. — Seus olhos são fascinantes, seus cabelos têm um brilho encantador, seus braços são fortes e seu peitoral é bem definido. E seus lábios...
Deixei a frase no ar, aproximando-me o suficiente para que ele pudesse sentir a minha presença, enquanto observava seu pomo de adão subir e descer freneticamente. Ivan engolia em seco, a respiração irregular e visivelmente perturbada pela proximidade e pela intensidade da situação. O desconforto dele era visível, e eu aproveito cada momento, saboreando o efeito que minha presença e palavras estavam causando.
— Seus lábios parecem ser bem gostosos. — Disse com um tom provocativo, observando Ivan, que estava agora caído em um estado de encantamento e confusão. O que antes ele evitava agora parecia ser o que ele mais desejava; ele me puxou pela cintura e me deu um sorriso, completamente fisgado.
No entanto, o momento de vulnerabilidade de Ivan foi abruptamente interrompido quando senti o impacto de Leonidas puxando-o pela gola da camisa. Leonidas, com uma expressão de fúria incontrolável, o arrastou até a parede.
— Seu filho de uma... — A voz de Leonidas carregada de raiva enquanto ele lançava Ivan contra a parede com força. — Você ficou louco?
A ira de Leonidas era tão profunda que seu rosto estava vermelho e suas veias estavam saltando visivelmente. Ele lançou Ivan contra a parede e, em seguida, contra o chão, fazendo com que eu sentisse uma pontada de pena, mas essa sensação rapidamente passou. Leonidas começou a desferir uma série de socos e chutes em Ivan, sua fúria demostrados em cada golpe.
— Majestade, por favor! Diga ao rei que eu não fiz nada, absolutamente nada! — Ivan implorava, sua voz cheia de desespero e medo.
Olhei para o estado deplorável de Ivan e senti que ainda era pouco para o que ele merecia.
— Leonidas, se você não tivesse aparecido, eu não sei o que teria acontecido comigo. — Fingi um choque profundo e uma tristeza genuína, sentindo-me um pouco satisfeita com a cena que se desenrolava.
Leonidas olhou para Ivan com uma raiva ainda maior e continuou a atacá-lo com mais intensidade. Nunca o tinha visto tão exausto e furioso, e, para ser honesta, achei isso de uma forma surpreendentemente atraente.
— Está mentindo! — Ivan vociferou, seu medo crescendo com cada segundo.
— E você perdeu o juízo! Ou é corajoso demais para chamar minha mulher de mentirosa na minha frente? — Leonidas gritou com uma força que fez ecoar nas paredes, sua voz repleta de uma ressentimento incontrolável.
A cena em minha frente se desenrolava com um excesso de conflitos, e eu não podia deixar de sentir uma mistura de prazer e satisfação ao ver Ivan completamente subjugado sob a raiva de Leonidas. O confronto era uma expressão visceral do poder e da vingança que eu havia buscado por tanto tempo.
— Me perdoe meu rei mas ela é uma devassa!
Sentindo um impulso inexplicável vindo de um lugar profundo e desconhecido dentro de mim, uma força surge, quase mágica, que me permite empurrar Leonidas para o lado. Com uma determinação nova e intensificada, vou até Ivan, usando essa energia misteriosa para tirá-lo de cena. Subo em cima de Ivan, minha presença dominante, e seguro seu queixo com firmeza. Olho diretamente em seus olhos, que estão preenchidos com uma mistura de medo e confusão. Há algo perturbador em seu olhar assustado, e me pergunto se o que o assusta sou eu. A ideia é desconcertante e, ao mesmo tempo, profundamente reveladora. O impulso dentro de mim parece se intensificar, pulsando com uma força quase palpável. Eu sinto uma onda de poder que flui através de mim, concentrando-se em Ivan. De repente, o ar ao redor começa a vibrar, e uma fumaça branca e etérea começa a emergir de seu corpo. Essa fumaça, como se tivesse vida própria, é sugada para dentro de mim, um fluxo energético que eu não consigo controlar, mas que sinto profundamente em meu ser. Enquanto o último vestígio de vida é drenado de Ivan, seu corpo se torna inerte, caindo no chão com um peso sombrio e final. A cena diante de mim é silenciosa e estática, e eu olho para o corpo sem vida dele com uma sensação de choque. Deveria me sentir horrorizada, mas, paradoxalmente, me sinto mais viva do que nunca. A energia que agora corre por minhas veias é eletrizante, uma sensação de poder e vitalidade que eu nunca havia experimentado antes. Em vez de repulsa, sinto uma estranha satisfação e um profundo senso de controle. O impulso que me guiou foi visceral e primordial, e embora o preço tenha sido alto, o que sinto agora é uma nova forma de existência, intensa e revitalizante.
— O que você fez? — Questiona Leonidas, visivelmente surpreso.
— Eu... não tenho certeza. — Respondo, dando de ombros e soltando uma risada nervosa.
Leonidas me observa com uma mistura de espanto e curiosidade, mas logo seu olhar se suaviza e ele começa a rir também.
— Parabéns, meu amor. — Diz Leonidas, ainda ofegante, enquanto se recompõe um pouco. — Parece que você acabou de descobrir um novo poder!
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