Capítulo 26
Natasha Malik
Alinna já age como uma verdadeira rainha de Treeland, tomando posse de tudo ao seu redor. Ela decide o cardápio dos almoços e jantares, como se fosse a dona de tudo. A primeira remessa de vestidos feitos à mão é sempre enviada para ela. Nas reuniões e nos dias de estratégias, ela está sempre presente, se impondo e mostrando sua influência. Nos eventos, Alinna frequentemente aparece de mãos dadas com Derek ou Leonidas, tanto faz. E o povo vai à loucura ao ver o casal do momento. A presença deles juntos é um espetáculo para o povo, que os aclama como símbolos de esperança e liderança. E onde eu fico? Fico atrás, escondida, apagada pela sombra de uma princesinha mimada que mal chegou e já tomou meu lugar. Leonidas, o homem que uma vez admirei por sua força, agora me parece fraco. Ele está cego pelo amor e pelo poder, não é o mesmo homem que eu conhecia. "Poder acima de tudo", ele costumava dizer, principalmente acima do amor. Agora, o pobrezinho está completamente perdido em sentimentos do passado, acreditando que pode se redimir com o final que ele mesmo predestinou para a falecida rainha Meredith Calore. Ele pensa que, ao acolher Alinna, preencherá o vazio deixado pela mãe. Leonidas não está no seu estado mais lúcido. Alinna não é Meredith. Apesar de se parecer com a mãe nos traços do rosto, ela está longe de possuir a mesma essência. É mais parecida com o pai do que gostaria de admitir. É surpreendente que Leonidas, com todo o seu ódio pelo falecido irmão bastardo, consiga olhar para ela sem sentir repulsa. Os olhos dela são os olhos do pai, a teimosia é do pai, a personalidade inteira é do pai.
Alinna está sentada à mesa principal na grande sala de reuniões, onde os líderes de Treeland se reúnem para discutir estratégias. Ela é boa em diplomacia, ao lado de Leonidas será fácil reivindicar os reinos de BrownWood e Lós. Os conselheiros ao redor da mesa trocam olhares, incertos sobre a nova dinâmica. Alguns murmuram em aprovação silenciosa, impressionados com a confiança de Alinna, enquanto outros franzem a testa, desconfiados de sua rápida ascensão ao poder. Mais tarde, no grande salão de Treeland, onde um evento público está sendo realizado, Alinna e Derek entram de mãos dadas. A multidão reunida aplaude e vibra, gritando elogios e bênçãos para o casal. As bandeiras de Treeland tremulam ao vento, e a música toca alto, criando uma atmosfera de celebração. Leonidas os segue de perto, tentando manter a compostura. Seus olhos percorrem a multidão, mas consigo ver que pelo resto da celebração ele não tira os olhos dela. Como feitiçaria, ele a segue com os olhos por todos os lados, cada movimento, ele por algum motivo a venera.
Eu, observando tudo isso, sinto uma mistura de frustração e amargura. Cada sorriso que Alinna recebe, cada elogio que Derek lhe faz, é como uma faca cravada em meu coração. Não deveria ser dessa forma, Leonidas mudou completamente a sua rota. E me pergunto quanto tempo mais conseguirei suportar essa situação, antes que algo dentro de mim se quebre definitivamente e o ódio me consuma por inteiro.
— O que acha que está fazendo? — Saio da minha distração, fixando o olhar em Ananda.
Ela entra na sala principal vestida com roupas casuais, o que deixa claro que estava fazendo algo errado ou prestes a fazê-lo.
— Aonde pensa que vai? — Dou alguns passos em sua direção, minha voz carregada de autoridade.
— Hoje é meu dia de folga, senhora. — Ela responde, sua voz calma mas carregada de um toque de desafio.
— E quem te deu folga? Não me lembro de ter permitido que os criados tirassem folga hoje! — Reviro minha memória, buscando qualquer lembrança de ter autorizado isso, mas não encontro nada.
— Bom, senhora, eu tenho permissão da senhorita Alinna. — Ela responde com audácia, erguendo o queixo levemente, como se sua resposta fosse um escudo contra minha repreensão.
Ouvir o nome de Alinna soa quase como uma afronta, aumentando ainda mais minha irritação. Sem hesitar, dou-lhe um tapa com força. Quem essa criadinha pensa que é para seguir ordens daquela sonsa? Ela vai sofrer as consequências por essa audácia.
— Que isso sirva de lição. — Digo, minha voz gelada. — Da próxima vez, lembre-se de quem realmente manda aqui. Se precisar de folga, peça permissão a mim, não a Alinna. Entendeu?
Ananda recua, segurando o rosto onde minha mão a atingiu, seus olhos arregalados de surpresa e medo.
— Ivan! — Chamo, minha voz ressoando pela sala.
— Senhora, por favor... — Ananda tenta implorar.
— Shiii! Calada! — A interrompo bruscamente.
— Me chamou, Natasha? — Ivan aparece mais rápido do que eu imaginava.
— Leve-a daqui! — Faço um gesto com a mão, não suportando mais a presença dela.
— Quer que eu a leve para onde? — Ele a segura pelos braços, esperando minhas instruções.
— Sei lá, jogue-a nas masmorras! Apenas suma com ela daqui. — Ordeno, minha paciência se esgotando.
— Não, por favor! Eu não fiz nada! Senhora, por favor! — Ananda grita, desesperada, sua voz ecoando na sala.
Sem paciência para mais nada, bato as mãos impacientemente, sinalizando para Ivan tirá-la dali imediatamente. Ele a arrasta para fora enquanto ela continua a gritar, mas eu já não dou mais atenção, aliviada por me livrar dela.
Solte-a imediatamente! — Ouço uma voz firme e autoritária interromper.
Giro nos calcanhares e me deparo com Alinna na entrada da sala principal. Para minha irritação, Ivan obedece sua ordem imediatamente.
— O que está fazendo, imprestável? — Pergunto, minha voz carregada de ira.
— Ela disse para soltá-la. — Ivan quase gagueja em sua resposta.
— Pelos deuses de Treeland, até você, idiota? — Fico surpresa com o medo que Ivan demonstra.
— Ananda, pode ir. Sua folga te espera. — Alinna diz, sua voz firme enquanto se dirige à outra.
— Obrigada, senhorita. — Ananda agradece, toda feliz com várias reverências, e sai correndo.
— Saia, você também Ivan! Não preciso mais de você, inútil. — Dispenso-o sem sequer olhar para ele.
Tenho uma profunda aversão por pessoas sem personalidade, e Ivan é um exemplo clássico disso.
— Quanto tempo, não? Vivemos sob o mesmo teto, mas quase não nos encontramos. — Alinna me dá um sorriso falso.
— Graças aos deuses por isso! — Respondo, aproximando-me dela. Ela pode ser a filha das chamas, mas não me intimida.
— Digo o mesmo. — Ela retruca, piscando um olho. "Cretina!"
— Você não me engana, Alinna. Pode passar a perna em Leonidas, mas em mim, não. — Deixo claro que não sou idiota e que comigo ela não brinca.
— Não sei do que está falando. — Ela finge desentendimento, mas seus olhos não mentem.
— Você não ama Leonidas, e é óbvio que ele sabe disso. O que ele não sabe é que você tem uma carta na manga, não é mesmo? — Exponho seus planos sem hesitação.
— Me poupe, Natasha. Eu não tenho plano nenhum. Por que eu teria? — Alinna cruza os braços, cheia de pose.
— Você aceitou muito facilmente se casar com Leonidas. — Digo, também cruzando os braços e mantendo o olhar fixo nela.
— Apenas fui inteligente, minha cara. De qualquer forma, ele me obrigaria a me casar com ele. O que eu fiz foi apenas adiantar as coisas. — Ela responde, explicando com uma calma calculada.
Alinna revira os olhos para mim e começa a andar pela sala, passando a mão nos móveis com desdém. Confesso que seu argumento é convincente, mas não me deixo levar por suas palavras. Quando estava prestes a me retirar, algo em seu pescoço chamou minha atenção.
— Isso é meu! — Me contenho para não avançar sobre ela.
Alinna me encara com uma expressão que mistura assombro falso com diversão. Ela está claramente jogando comigo.
— O quê? Isso? — Ela ri e dá de ombros. — Gostou? Ficou lindo em mim, não acha?
A provocação é clara. Além de estar vestindo um vestido que Celeste havia desenhado para mim, ela também está usando meu colar. O mesmo colar que coloquei no robe dela para marcá-la e puni-la.
— Tire isso agora. Este colar é meu! — Esbravejo, a raiva transbordando.
— Não, não querida. Isso não é mais seu. — Ela toca no colar com uma satisfação provocadora. — Agora é meu.
Alinna sussurra a palavra "Meu" com um tom desafiador e lento.
— Este colar é meu, assim como este palácio será em breve. O reino será meu. O chão que você pisa será meu. Até mesmo suas roupas de baixo serão minhas. — Alinna diz com uma convicção que me assusta.
— Não brinque comigo, garota. — Aviso, minha voz dura e cheia de advertência.
— Ou você vai fazer o quê? — Ela se aproxima, desafiando-me com um olhar firme e provocador.
Alinna dá mais um passo, e estamos tão perto que quase nos beijamos. Não me deixo intimidar. Se ela quer ficar cara a cara, assim será. Encaro-a de volta, sem desviar o olhar, mostrando claramente que não tenho medo de suas ameaças. Olho bem no fundo de seus olhos, desafiando-a a se manter firme na sua postura provocadora.
— Você que não brinque comigo, alteza. — Ela diz, sua voz cheia de desafio.
— Eu não tenho medo de você. — Respondo com firmeza.
— Pois deveria. — Alinna se afasta, um sorriso enigmático nos lábios. — Ah! Gostaria de deixar claro que estou pensando em lhe dar um presentinho, assim como você me deu há alguns dias atrás. Seria uma falta de modos da minha parte não retribuir.
Ao dizer isso, Alinna vira de costas para mim e me lança um olhar de lado, deixando claro que se refere às chicotadas. Mesmo assim, ouso perguntar.
— Que presentinho?
— Ainda não sei. Mas prometo que serei bem criativa. — Ela responde com um tom desafiador, antes de sair batendo a porta e me deixando para trás, com a ameaça de seu "presente" pairando no ar.
— Uau! Que situação, hein? — Charlotte aparece atrás de mim, me pegando de surpresa.
Ela entra na sala principal mordendo uma maçã e se acomoda em uma poltrona, repousando os pés sobre um descanso.
— Não me encha o saco! — Sento-me na poltrona à frente dela, claramente irritada.
— Não fique com raiva de mim, fique com raiva dela. — Charlotte aponta para a porta com um gesto exagerado.
— Eu odeio Alinna com todas as minhas forças. — Resmungo, minha frustração evidente.
— Somos duas. — Charlotte revira os olhos, concordando com a intensidade de meu sentimento.
— Sabe, sempre tive curiosidade sobre por que você a odeia tanto, considerando que praticamente cresceu com ela. — A encaro, esperando uma explicação.
Quero saber mais sobre isso, quanto mais detalhes, melhor. Se Charlotte realmente quer me ajudar a acabar com Alinna, ela precisa me contar tudo.
— Ela sempre teve tudo: poder, um pai presente que a amava mais do que tudo, riqueza, todos os vestidos lindos. Todos os caras se apaixonavam por ela, parece até uma maldição. Ela tinha criadas amáveis, respeito, e ainda tinha o apresso de Erik. E eu não tinha nada. — Charlotte revela, seu ódio evidente na expressão.
— Pelo visto, você tinha um interesse por Erik. Mas você realmente quer me ajudar? — Pergunto, jogando a informação para ver sua reação.
— Sei sobre vocês e o que fizeram com aqueles seguidores ridículos de Alinna e de Madark, inclusive Erik. — Ela me observa com um olhar de avaliação. — E acho que o que vocês fizeram ainda foi pouco.
Dou uma gargalhada, impressionada. Essa menina tem futuro.
— E quanto ao Erik? — Pergunto, querendo ter certeza.
— Eu o amava, sim, mas prefiro vê-lo morto do que ao lado dela. — Charlotte lança o resto da maçã fora, com raiva.
— Você é das minhas. — Digo, sorrindo satisfeita.
Levanto-me e vou para a sacada da sala, encarando a visão de Treeland.
— Mas você não odeia Alinna apenas porque ela te roubou um colarzinho qualquer, certo? — Charlotte pergunta, com um tom um tanto atrevido.
— Não, colares eu tenho aos montes. — Respondo, sem dar muita importância.
— Mas Leonidas é diferente, você só tem um. — Ela se atreve a dizer.
Olho para ela por sobre o ombro e dou um sorriso sutil.
— E ainda é inteligente. — Comento.
— E observadora também. — Ela completa. — Você o ama?
Fico em silêncio por um momento, antes de me virar para ela e retornar à poltrona.
— Talvez eu tenha um certo amor por ele. — Respondo, com sinceridade.
— Mas não é estranho? Vocês são irmãos. — Charlotte pergunta, com uma expressão de surpresa.
A expressão dela me faz gargalhar, com a boca entreaberta e sem saber o que dizer.
— Não seja ingênua, Charlotte. Derek deixou de ser meu irmão há muitos anos. — Respondo, falando a verdade sem rodeios.
— Como assim? — Ela pergunta, sorrindo com curiosidade.
— Você sabe que Leonidas está sob a magia da reencarnação, não é? — Pergunto, querendo saber o quanto ela já conhece sobre o assunto.
— Sim, sei. — Ela responde, como se fosse algo óbvio.
— Então, você também sabe que aquele corpo não é realmente de Leonidas. Leonidas está no corpo de Derek, com a aparência e a vida dele, mas na verdade ele não é de fato o Derek. Ele é Leonidas. — Tento explicar.
— Isso é confuso, mas acho que já compreendi. — Ela diz, pensativa. — Só não compreendi exatamente uma coisa, afinal, o que vocês realmente eram antes?
— Derek era meu irmão. — Respondo de forma direta.
— Nossa! — É a reação dela. — Mas e agora, onde está Derek, se o corpo não pertence mais a ele?
— Ele está em um estado de repouso profundo, dentro do próprio corpo. Enquanto Leonidas o possui, a alma de Derek está adormecida. — Explico com convicção.
— E se Derek acordar? — Ela pergunta, mais curiosa do que nunca.
— Ele não vai acordar. — Respondo com certeza.
— Mesmo assim, você não acha estranho? Tudo bem que é Leonidas, mas ele ainda tem a aparência e os traços do seu irmão. — Ela arregala os olhos, claramente espantada.
— Eu não me importo. — Dou de ombros, desdenhando da questão.
— Bom, seja como for, isso não me interessa. — Charlotte se levanta, pronta para seguir em frente.
— Você está se saindo melhor do que eu imaginei. — Comento, oferecendo um elogio sincero.
Ela faz uma reverência com um sorriso satisfeito.
— É um prazer!
— Sou uma gênia do mal, e você não fica para trás. Vamos nos unir e acabar de uma vez por todas com Alinna. — Proponho com determinação.
— Isso é maravilhoso! — Charlotte grita de felicidade, quase pulando de alegria.
— Damon! — Chamo, com entusiasmo.
Segundos depois, ele aparece.
— Senhora? — Se curva respeitosamente.
— Traga vinho para nós! — Digo, radiante com a nova parceria.
— Sim, senhora. Imediatamente. — Ele corre para atender ao pedido e logo retorna com uma garrafa de vinho e duas taças. Charlotte e eu nos servimos e brindamos.
— À morte de Alinna. — Levanto minha taça com um sorriso triunfante.
— À morte de Alinna! — Charlotte repete, juntando-se ao brinde com entusiasmo.
— Aguarde, princesa. O que é seu está mais do que garantido. — Murmuro para mim mesma, certa de que a vitória está ao nosso alcance.
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