Capítulo 24
— Você foi incrível, Sky — Elogiou Hugo.
Hugo me ajuda a caminhar de volta para o quarto, mencionando que, segundo ele, Leonidas não quer mais que eu fique na prisão do Coliseu. Cada passo é uma tortura; meu joelho lateja incessantemente, meus olhos estão inchados e doloridos, meus ossos doem como se estivessem prestes a se partir, e estou coberta de sangue seco.
— Pode deixar, eu consigo andar sozinha a partir daqui. — Digo, me endireitando e continuando a caminhar sem a ajuda de Hugo.
Não foi uma boa ideia, mas sigo em frente, mesmo com uma perna possivelmente quebrada. Cada passo é uma fisgada agonizante, como se uma faca estivesse perfurando minha carne repetidamente. Mordo os lábios e fecho os olhos por alguns segundos, mas continuo a caminhar, firme, forte e sozinha. Passamos por uma ala do palácio onde as portas estão abertas, revelando o vasto corredor e o jardim lá fora. O cheiro excessivo das rosas invade minhas narinas, uma mistura de doçura e sufocamento. Ao longe, consigo ver os portões de ouro abertos, brilhando sob a luz.
— Hugo, você viu o Ethan por aí? Preciso falar com ele, mas não consigo encontrá-lo. — Pergunta um senhor que aparece de repente.
Hugo se distrai respondendo às perguntas do homem, e uma vontade incontrolável de correr explode dentro de mim, quase sufocante. Sem fazer alarde, começo a caminhar devagar em direção à porta. Eles não percebem minha saída. Em um certo ponto, desato a correr. A dor na minha perna é insuportável, como se estivesse prestes a ceder, mas a promessa de liberdade está tão próxima que quase posso saboreá-la. Não consigo evitar um sorriso ao ver o portão aberto, sem ninguém à espreita. A dor se torna secundária diante da proximidade da liberdade, e continuo correndo, determinada a não parar.
— PARE AGORA! — Grita Leonidas da porta de seu palácio, distante, mas sua voz ecoa poderosa.
Paro, me viro para encará-lo e depois olho para o portão, tão perto, tão perto.
— Você realmente acha que pode me impedir de sair? — Pergunto, dando um passo para trás, aproximando-me ainda mais dos portões de ouro.
— Mas é claro que posso. Eu posso tudo! — Responde ele, sua voz alta e cheia de autoridade, alcançando-me com facilidade.
Dou uma gargalhada, uma das mais intensas da minha vida, achando graça de toda a situação. Leonidas, vendo minha reação, puxa uma carta da manga. Estica os braços, e uma pequena menina de cabelos vermelhos e vestido engraçado sobe em seu colo. Ela age naturalmente, sem medo ou hesitação, mas não posso culpá-la; ela não sabe quem ele realmente é. Meredith.
— Como...? — Tento falar, mas as palavras se embolam.
— Diga oi para a mamãe. — Ele a balança levemente.
— Oi, mamãe! — Ela grita, acenando feliz com seus bracinhos ao me ver.
Não faz muito tempo que adotei Meredith, mas já a amo como se tivesse saído de mim, como se fosse minha de verdade. E ela é minha. Como ele soube da existência dela? E como conseguiu trazê-la até aqui? Minha mente está a mil, mas a maior surpresa acontece quando ela aparece.
— Sky, volte! — Ela aparece de repente. — Você não vai embora e deixar sua filha para trás, vai?
Meus olhos se enchem de raiva e ódio. O que essa garota está fazendo aqui? Provavelmente, Meredith está aqui por causa dela.
— Se eu fosse você, ouviria sua amiga! Não quer que nada aconteça à Meredith, não é? — Leonidas provoca, um sorriso sádico no rosto. — Aliás, bela escolha de nome. Adorei.
Sem muita opção, suspiro profundamente, engulo o choro e volto a mancar em direção ao palácio, um lugar que se tornou meu verdadeiro pesadelo.
— Eu vou acabar com você. — Ameaço, enquanto me aproximo dos dois, dirigindo meu olhar furioso para Charlotte. — Não sei quando, mas vou!
— É assim que eu gosto, com sangue nos olhos. Espero que continue assim amanhã, porque você lutará novamente. — Leonidas diz, com um sorriso cruel.
— O quê? — Pergunto, indignada e perplexa.
Charlotte tenta esconder o sorriso, mas falha completamente, e acaba rindo abertamente na minha cara. A traição é um golpe ainda mais doloroso quando vejo a satisfação em seu rosto. Que tipo de cobra meu pai estava criando em casa? Afilhada? Nada disso! A maneira como ela me traiu é imperdoável. Mas ainda haverá um retorno, eu vou me vingar.
— Por que vou lutar novamente? Leonidas, olhe para mim... — Digo, enquanto pego Meredith do colo de dele desesperadamente, quase morrendo de dor.
Não havia percebido, mas ela cresceu um pouco, e apesar da dor intensa, consigo disfarçar bem.
— Não tenho condições de lutar mais uma vez. — Tento, com dificuldade, fazer ele entender a minha situação e dar um pouco de lucidez para a sua cabeça doente.
— Bom, primeiramente, tudo o que aconteceu foi apenas um ensaio. O clímax do evento será amanhã no Coliseu, com o reino inteiro assistindo. E não se preocupe, vou garantir que você tenha tempo para descansar e recuperar pelo menos um terço das suas forças. — Explica Leonidas, com uma calma calculada.
— E você pretende me matar na frente do reino inteiro? — Desafio, olhando-o diretamente.
— Muito pelo contrário. — Responde ele, com um sorriso sombrio. — Warner!
Leonidas sai, chamando Warner em um tom imperativo.
— Leve Alinna para o quarto e assegure-se de que haja soldados nas portas e janelas. Charlotte, meu bem, você vem comigo.
Warner estende os braços para que eu ande em sua frente, enquanto Charlotte segue Leonidas com um ar de superioridade e satisfação. A raiva e o desejo de vingança queimam dentro de mim. Vou acabar com ela. Na verdade, com todos eles.
Voltei para o mesmo quarto onde me hospedei quando ainda acreditava que Natasha era rainha, quando tinha meus amigos, meu pai e liberdade. Agora, esse quarto parece um lembrete doloroso de tudo o que perdi. Leonidas está determinado a transformar minha vida em um inferno, e não vai parar até conseguir o que quer. Ele está mais próximo alcançar do que imagina. Apesar de toda a dor e desolação, ainda tenho uma filha. Meredith é a única família que me resta e se tornou minha âncora para me manter firme. Ela já sofreu demais, e eu não posso permitir que sofra mais. Meredith é a prova de que os deuses e senhores de Sky ainda estão comigo e que, de algum modo, tem piedade pela minha alma atormentada.
— Mamãe? — Meredith me chama, interrompendo meus pensamentos.
— Oi, meu amor. — Sento-me na cama ao seu lado, tentando manter a calma.
— Você está dodói? — Ela pega a pata de pelúcia de seu ursinho e acaricia meu rosto machucado. — O que aconteceu?
— Nada demais, daqui a pouco estarei melhor. — Forço um sorriso, embora a dor seja intensa.
— Cadê o vovô? E o tio Erik? Por que não estão aqui também? — Seguro o choro pela milésima vez no dia.
"Obrigada, Selena, por me transformar em uma frágil chorona!"
— Eles... Bem, não estão aqui, princesa. — Tento explicar, a voz embargada.
— Onde eles estão? — Ela me encara com aqueles olhinhos azuis, tão inocentes e esperançosos. — Eu quero voltar para casa.
— Eu sei, meu amor. Eu sei. — A abraço forte, tentando esconder minhas lágrimas. — Logo, logo voltaremos para casa. Mamãe promete.
Menti para Meredith. Não sei se iremos voltar aos dois reinos, mas ela precisa de esperança. Depois de horas brincando, Meredith finalmente adormeceu. Esperei até que ela se aquietasse completamente para poder tomar um banho. Dirigi-me para a sala de banhos, tirei minhas roupas imundas e, exausta, entrei na banheira. Me sentei cuidadosamente, ligando a torneira para deixar a água correr. Quando a banheira estava quase cheia, fechei os olhos e me deixei relaxar, sentindo a água quente e reconfortante. A água escorria lentamente, e eu quase adormeci de tão relaxante que estava, um dos poucos pontos positivos de estar neste palácio. Sentindo uma sensação estranha abri os olhos e olhei para a água. Algo estava errado. Ela estava anormalmente vermelha, com uma cor intensa e preocupante. Passei a mão na água e a levei ao nariz. O cheiro era forte e ácido. Olhei ao redor, observando a torneira, que ainda vazava água. O pânico se instalou quando percebi a verdade: a água estava misturada com sangue. Meu corpo e meus cabelos estavam encharcados com a mesma substância. Rapidamente, me levantei, enrolei-me na toalha e saí apressada da sala de banho, dirigindo-me para o quarto e, de lá, para os corredores, com a mente repleta urgência.
— Ei! Onde pensa que vai? — Um dos soldados me intercepta quando saio mancando do quarto.
Ignorando-o, continuo em direção ao salão de festas, onde ouço murmúrios e risadas. Eu sei exatamente quem seria capaz de fazer algo tão cruel. Felizmente, meu estado mental está tão abalado que começo a duvidar da minha própria sanidade. Ao entrar no salão, noto rostos familiares da arena, pessoas cujo status social é desconhecido para mim, mas que claramente devem ser importantes para o reino de Treeland.
— Meu senhor!
— Pelos deuses!
— Céus!
Todos do Clã estão presentes e ficam chocados com minha aparência desolada.
— Você acha que me intimida fazendo isso? — Pergunto, minha voz carregada de desafio, me direcionando a pessoa certa.
— Pelos deuses, Sky, isso é mais do que decadência. — Cobrindo a boca em surpresa Natasha finge não entender o que estou dizendo e ri junto com suas companheiras, sua risada soando falsa e dissimulada.
— Que fique bem claro para todos vocês! — Exalto, minha voz ressoando no salão, cheia de determinação. — Para me derrubar, terão que fazer algo muito melhor do que isso.
Aponto para o meu corpo, ainda ensanguentado e molhado, redireciono minha atenção para Natasha novamente e digo alto o suficiente para todos ouvirem:
— Eu já queimei você uma vez, Natasha, e embora eu possa estar sem meus poderes, sei muito bem como manejar até mesmo um garfo!
Minha voz é firme e determinada, uma declaração de que, apesar de tudo, ainda tenho força e coragem para enfrentar qualquer desafio que se apresente.
Leonidas está sentado em seu trono secundário ao lado de um senhor pomposo, cuja postura esbanja uma combinação de superioridade e uma ignorância majestosa. Parece que minha entrada inesperada interrompeu a conversa deles, pois ambos agora direcionam suas atenções para mim. Eles me observam com uma mistura de surpresa e curiosidade, e Leonidas parece achar a situação divertida. Reunindo toda a minha força e dignidade, junto os três dedos, levo-os aos lábios e deposito um beijo simbólico. Em seguida, elevo-os aos céus, como se invocasse uma benção divina, e depois os coloco sobre o peito, ao lado do coração. Alguns presentes não compreendem o significado do meu gesto, mas a maioria fica chocada, especialmente Leonidas e seu acompanhante. A provocação é clara e ousada. Com a cabeça erguida e um olhar de diligência, dou meia volta e me dirijo para o quarto. Amanhã, irei lutar e mostrar do que sou realmente capaz. Estou cansada de toda essa situação, mas Meredith me deu a energia e a coragem necessárias para enfrentar esses pretensos nobres. Eu sou da realeza, e vou mostrar isso ao estilo Meredith Rose Calore Madark. Se é para ficar presa aqui com cobras e demônios, farei com que eles dancem conforme minha música. Sky está de volta, e eu vou fazer valer cada momento.
— Como está sua perna? — Hugo insiste em falar comigo, sua preocupação evidente.
Estou me preparando para a luta e, apesar de sua boa intenção aparente, Hugo não está ajudando muito.
— Você precisa de algo? Tem certeza de que consegue? — Ele continua, lançando uma enxurrada de perguntas.
— Será que você pode me deixar em paz? — Respondo, tentando manter a concentração enquanto amarro as faixas em minhas mãos.
— Eu só...
— Não me interessa! — Lanço um olhar de desprezo para ele e me afasto.
De repente, Dilan aparece na minha frente, interrompendo a conversa.
— Aqui, princesa. — Diz ele, estendendo a mão.
— O que é isso? — Pergunto, olhando curiosa para o objeto em sua mão.
— Você sabe o que é. — Responde ele com um tom óbvio. — É um presente do rei para você.
Dilan entrega uma estrela da manhã com um cabo de ouro, pesado e robusto. Leonidas parece estar me desafiando de uma forma peculiar, tentando me matar enquanto, ao mesmo tempo, me dá uma arma. É inacreditável. O Coliseu está abarrotado, com espectadores de todo o reino reunidos para assistir ao espetáculo do dia. Leonidas está na arquibancada mais alta, ao lado de seu enigmático amigo, Natasha com sua águia em seus ombros e Charlotte. O ambiente está carregado expectativa. A luta começa rapidamente, sem tempo para preparativos. A voz do anunciante ecoa pelo Coliseu, chamando meu nome. Algumas vozes na multidão gritam por mim, mas são poucas e abafadas pelo barulho geral. Logo, meu adversário aparece — na verdade, adversários. Não é uma luta justa: quatro homens contra mim, o que chega a ser uma piada, apesar de já ter enfrentado desafios piores. Mas Leonidas deve ter ignorado o fato de que estou extremamente debilitada, com uma perna possivelmente quebrada e sem meus poderes. É um dia para improvisar. Giro a estrela da manhã no ar, tentando me aquecer e familiarizar com a arma, um presente inesperado. Não sei se a luta é para matar, mas ainda não tive a chance de descontar a morte de meu pai, minha família e meus amigos. Uma pena, quem quer que sejam esses adversários, não terei piedade. Por Meredith, tenho que garantir que sairei daqui viva, independentemente das circunstâncias.
— Três, dois, um! — A voz do anunciador ecoa pelo Coliseu, provocando uma onda de entusiasmo entre os espectadores, que não poupam esforços para torcer por seus favoritos.
— Pronta para morrer? — Um dos adversários me pergunta, sua voz carregada de confiança e desafio.
Um sorriso sutil se forma no canto da minha boca.
— Mas é claro. — Respondo com uma calma desafiadora.
A luta começa e, para minha surpresa, as coisas não são tão terríveis quanto eu esperava. Num piscar de olhos, um dos homens já está caído no chão, ensanguentado, e minha arma está coberta de sangue. Três adversários restantes. O próximo inimigo avança com uma espada, tentando me atingir. Reajo rapidamente, desviando-me com um movimento ágil, ajoelhando-me no chão e escorregando ligeiramente antes de me atirar para trás. Em câmera lenta, vejo meu reflexo na lâmina da espada enquanto ela passa ao meu lado, apenas para me levantar com um impulso gracioso e estratégico. Giro meu corpo, lançando a estrela da manhã com precisão letal. A arma atinge as pernas do oponente com um impacto ressonante. Ele se ajoelha em dor, tentando recuperar o equilíbrio. Sem perder tempo, me volto para outro adversário, arremessando a bola de espinhos diretamente na cabeça dele. O impacto é fatal, e ele desaba imediatamente, morto. Com uma precisão brutal, volto minha atenção para o inimigo que estava caído no chão. Ele está vulnerável, e eu o ataquei com eficiência impiedosa. Um adversário restante. O combate continua, intenso e implacável.
— Você não pode me derrotar! — Ele esbraveja com uma convicção desafiadora.
Meu objetivo não é prolongar essa luta sem sentido, então concentro-me para ser certeira e decisiva. A exaustão que sinto faz com que meu corpo aja quase no automático, acelerando o combate em minha mente. Miro a distância do meu adversário, calculando com precisão. Retiro a estaca escondida no bolso traseiro da minha calça apertada com rapidez e a lanço, mirando diretamente em sua testa. A estaca acerta o alvo sem nenhuma dificuldade. Ele cai de joelhos, e, lentamente, seu corpo desaba completamente ao chão. Quatro homens derrubados de uma vez, sem um único arranhão em mim, e sem o uso dos meus poderes. Por um momento, temo que mais adversários aparecerão, que outros cem inimigos sairão dos esconderijos para me atacar. Mas o que acontece é um silêncio absoluto. Apenas a minha respiração ofegante quebra a quietude, e o som das gotas de sangue da minha estrela da manhã caindo ao chão é claramente audível.
A sensação de ter superado um teste é palpável. O povo de Treeland começa a comemorar, o barulho se tornando ensurdecedor e um pouco irritante. Fico assustada com a intensidade da adoração, com os gritos incessantes e o clamor pelo meu nome. Dou um crédito a eles, pois não sabem quem eu realmente sou para Leonidas, ou melhor, para Derek. A maioria deles nem sabe que Leonidas é, de fato, Leonidas. Para eles, ele é apenas Derek Malik, o rei de Treeland, que inexplicavelmente fez com que todos me adorassem como se eu fosse digna de sua devoção. Leonidas me transformou em uma heroína aos olhos deles, e isso é desconcertante. Nada em minha mente consegue explicar o que o motivaria a se dar o trabalho de me fazer ser amada. Olho para Leonidas, mas meu olhar rapidamente se desvia para o homem misterioso ao seu lado. Ele me observa com uma admiração que contrasta com o olhar de curiosidade e antipatia que vi no dia anterior no salão de festas após minha aparição. Ele sorri e aplaude, sem sequer piscar. Para não destoar, respondo com um sorriso forçado e amarelo, acenando para a multidão. Saio do campo de batalha, sendo recepcionada por guardas. Quem está de fora pode pensar que eles estão apenas me protegendo da multidão ansiosa por se aproximar, mas eu sei que a verdadeira intenção é me cercar para evitar que eu fuja das garras de Leonidas. Eles me conduzem em segurança para dentro do palácio, onde sou recebida mais uma vez.
— É um prazer inestimável conhecê-la pessoalmente. — O homem diz com entusiasmo, abrindo um sorriso caloroso enquanto segura minha mão com uma gentileza inesperada.
Os guardas me conduziram a uma sala que eu nunca tinha visto antes, um escritório monumental que deve pertencer a Leonidas. O ambiente é luxuoso, com móveis elegantes e uma decoração que respira poder e autoridade. Leonidas e Natasha também estão presentes, e eu os encaro com uma desconfiança crescente em meu peito.
— O senhor é? — Pergunto, minha voz traindo uma leve tensão.
— Sou Heitor Malik, tio de Derek e Natasha, e Governador de Treeland. — Ele se exalta, seu tom de voz repleto de orgulho.
— Alinna Sky Madark III. — Respondo, tentando manter a compostura, embora suspeite que ele já saiba quem sou. De soslaio consigo ver um arrepio percorrer o corpo de Leonidas ao mencionar com orgulho todo o meu nome. Madark.
— Eu conheço você, Alinna. Conheço desde que era uma menininha. Leonidas não fala de outra coisa, que não seja você. — Ele finalmente solta minha mão e faz uma pequena reverência, como se eu fosse uma figura mística.
— Tudo bem, caro tio, acho que já é suficiente. — Natasha interrompe com uma dose de ironia na voz.
Ela se acomoda com elegância no sofá próximo à lareira, relaxando os braços e posicionando seu bicho de estimação em uma mesa pequena ao seu lado. Lançando olhares penetrantes de fúria e desprezo através de sua máscara, sentimentos que encontro facilmente em mim mesma em relação a ela.
— Leonidas me disse que você era poderosa e forte, mas confesso que de imediato eu não acreditei que era absolutamente isso tudo. Pensei que fosse exagero de meu sobrinho. Então, queria ver com meus próprios olhos do que você era capaz, e você me surpreendeu. Primeiro, enfrentou minha querida sobrinha Natasha, banhada de sangue, na frente de todos os nobres de Treeland, sem se intimidar. Depois, acabou com quatro dos maiores guerreiros de Leonidas sem sofrer nenhum arranhão. — Seus olhos quase saltam das órbitas de tanto que ele me observa admirado.
Heitor fala com uma mistura de admiração e espanto, sua postura e gestos amplos destacam a seriedade de suas palavras. Ele parece fascinado, quase obcecado, enquanto fixa seu olhar em mim, como se estivesse tentando decifrar um enigma.
— Sorte. — Digo.
— Não, minha cara. Dom. Isso é dom. — Ele sorri, claramente encantado.
— Bom, creio que já se apresentaram. Agora, Alinna precisa descansar e provavelmente, depois de tudo, gostaria de passar um tempo com sua filha. — Leonidas me encara com um olhar penetrante.
— Claro. — Respondo sem humor, desejando sair dali o mais rápido possível.
— Filha? — Heitor se surpreende, levantando uma sobrancelha.
— Sim, filha. — Natasha revira os olhos, visivelmente irritada.
— Espero encontrá-la novamente. — Heitor beija minha mão com uma reverência exagerada.
— Claro que sim. — Dou um sorriso falso, mas por dentro penso: "Claro que não!"
Saímos da sala e agora Leonidas me acompanha até o quarto. O corredor é longo e silencioso, com apenas o som de nossos passos ecoando nas paredes decoradas. Tenho que respirar fundo para evitar demonstrar meu sofrimento físico e emocional a ele. Eu espero ardentemente poder descansar, sinto que meus ossos precisam de uma trégua.
— Você sabe fingir muito bem. — Leonidas comenta, quebrando o silêncio.
— Eu sei. — Olho para ele, tentando esconder minha antipatia. — Por que está fazendo tudo isso?
— Eu já disse que tenho planos para você. — Responde seco, sem revelar mais nada.
Chegamos à porta do meu quarto. Ele a abre e faz um gesto para que eu entre.
Mas que planos são esses? — Insisto, tentando decifrar a intenção em seus olhos.
— Em breve você saberá. — Leonidas para em frente à porta do meu quarto, sua expressão impenetrável. — Você se saiu muito bem hoje, Sky.
Ele me observa por um momento, seus olhos avaliando cada detalhe, dos meus pés á minha cabeça, cada ferida, cada machucado, ele avalia absolutamente cada fibra do meu ser. O elogio, embora inesperado, soa vazio vindo dele. Respiro fundo, mantendo meu olhar firme.
— Isso não responde à minha pergunta. — Cruzei os braços, demonstrando minha impaciência.
Leonidas apenas sorri enigmaticamente, como se desfrutasse de seu jogo de poder.
— Até mais, Sky. — Diz ele, com um aceno final, antes de se virar e desaparecer pelo corredor.
Não o respondo. Fico ali, parada por um momento, absorvendo suas palavras. Empurro a porta e entro no quarto, encontrando Meredith ainda adormecida, sua presença pequena e tranquila sendo o único alívio no meio de toda essa tormenta. Vá para o inferno Leonidas.
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