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Capítulo 22


1 semana depois...

— Como você estava se recuperando, não tive tempo para te mostrar o palácio por inteiro, muito menos apresentar meus amigos. — Derek caminha à minha frente, guiando-me pelo lugar.

Após me recuperar dos machucados nas costas, Derek fez questão de me mostrar todo o palácio. Estou feliz por isso, pois assim posso explorar o ambiente e, quem sabe, encontrar a flecha de ouro que tanto procuro ou pelo menos uma pista de onde ela possa estar.

— Amigos? — Pergunto, curiosa.

— Reis também têm amigos. — Ele brinca.

— Eu sei que têm. — Dou risada.

— Venha! — Ele me puxa pela mão, e saímos correndo. — Pessoal! — Ele grita, escancarando as portas.

Os rapazes presentes interrompem seus afazeres e voltam sua atenção para nós. Paro na entrada da sala de treinos, onde o cheiro de suor e testosterona domina o ambiente. Não é uma fragrância desagradável, mas é intensamente masculina, o que não é exatamente do meu gosto. Confesso que estou me sentindo um pouco sobrecarregada, cercada por tantos homens charmosos. Contudo, um deles se destaca, pois o reconheço muito bem. Derek, ainda segurando minha mão, percebe minha hesitação e me puxa um pouco mais para dentro da sala.

— Pessoal, esta é Alinna. — Derek me apresenta, apontando para mim.

— Olha só, é a famosa Alinna!

— Ouvimos falar muito de você!

— E quando dizemos muito, não estamos exagerando. — Eles caem na gargalhada, cutucando um ao outro de forma suspeita.

Eles falam todos ao mesmo tempo, o que me deixa um pouco confusa, mas também acho engraçado. Eles parecem ser bons homens. No entanto, o único que conheço permanece calado e distante, concentrado em qualquer outra coisa menos em mim.

— Vou apresentá-los a você. — Derek se posiciona na frente deles, percebendo meu embaraço em relação a cada um deles.

— Este é Warner! — Ele me apresenta a um homem alto, com braços fortes e tatuados.

— Alteza. — Warner me saúda com um sorriso.

— Warner. — Respondo, retribuindo o sorriso e cumprimentando-o com um aperto de mão.

Derek continua com as apresentações, mas minha atenção é frequentemente desviada para o homem que conheço. Ele ainda está alheio a tudo, o que só aumenta minha curiosidade.

— Este mala sem alça aqui é Ethan. — Derek aponta para um rapaz loiro e um pouco baixo, mas com um charme inegável.

— Alinna. — Ethan acena com a cabeça, sorrindo.

— Ethan. — Repito o nome para tentar memorizá-lo mais facilmente.

— E este aqui é Harry, mas conhecido como Rocha. — Derek o apresenta de forma exagerada, como se estivesse mostrando uma aberração de um circo, e Harry parece gostar disso.

— Céus! — Meu pescoço dói só de olhar para ele. — Me desculpe, mas você é enorme.

— Eu sei. — Harry responde com uma gargalhada, exibindo os dentes cobertos de ouro.

— Este é...

— Hugo Henrico. — Interrompo Derek, meu olhar se prendendo ao de Hugo.

— Alinna. — Ele me cumprimenta com um beijo em minhas mãos, seus olhos fixos nos meus.

— Prazer em conhecê-lo novamente, Hugo. Nunca esqueço um nome ou um rosto bonito. — Digo, tentando esconder a mistura de surpresa e curiosidade que sinto. — Pensei que havia dito que era de Constança? — Me sobe um ar de desconfiança.

— Eu sou, mas resido atualmente em Treeland. — Hugo respondeu, e notei um leve desconforto em sua expressão.

— Você conseguiu fazer o favor para o seu amigo? — Perguntei, levantando uma sobrancelha.

— Claro! Sou eficiente. — Ele riu enquanto retirava a faixa das mãos.

— Sei que ainda pode ser segredo, mas gostaria de saber. — Cruzei os braços. — Quem é esse seu amigo?

— Não sabia que vocês se conheciam? — Derek interveio, curioso.

— Conheci ele na noite do meu aniversário, não é mesmo, Hugo? — Perguntei, ainda com desconfiança.

— Foi sim. — Hugo respondeu, agora retirando a armadura que estava usando.

— Bem, estes são Kevin e Dilan. — Derek continuou desviando meu assunto com Hugo, apresentando os outros dois últimos homens.

Desviei minha atenção de Hugo e me concentrei em Kevin e Dilan. Eles eram simpáticos, assim como os demais.

— Olá! — Disseram em uníssono, o que achei engraçado.

— Olá, é um prazer conhecê-los. — Respondi, apertando suas mãos com um sorriso.

No canto da sala, vejo uma estrela da manhã jogada no chão. Sempre adorei armas diferentes, mas a estrela da manhã tem um lugar especial no meu coração. Se a intenção é causar dano significativo, uma estrela da manhã é a escolha perfeita – ela faz estragos impressionantes.

— Aquilo é uma estrela da manhã? — Pergunto, aproximando-me e pegando a arma.

Examino cada parte dela; embora um pouco velha, os espinhos ainda estão afiados. Quando a balanço no ar, o som indica que está em bom estado.

— Você sabe usar isso? — Rocha pergunta, debochando de mim, rindo junto com os amigos.

— Com quantos anos você pegou em uma arma? — Questiono interessada, ainda brincando com a estrela da manhã. — Digo, quando começou a lutar de verdade?

— Quando eu tinha 14 anos. — Ele responde com orgulho.

— Quando eu tinha 14 anos, eu atirava em alvos com os olhos vendados, penteando os cabelos e comendo uma maçã. — Respondo com um sorriso desafiador.

— Essa doeu! — Grita Hugo, incentivando.

— Então, com quantos anos você começou a lutar? — Inquiriu Rocha, ainda cheio de si.

— Comecei meus treinamentos com cerca de 9 anos, mas comecei a lutar de verdade aos 12 anos, depois que descobri meus poderes. — Paro de brincar com a estrela e estalo os dedos, chamando minhas chamas.

— Opa! — Ethan dá um pulo para trás, surpreso.

— Que doideira! Nunca tinha visto isso de perto. Só tinha ouvido falar da história em que você matou vários caras com um espirro. — Warner comenta, impressionado.

— Como você faz isso? — Rocha pergunta, curioso.

— Bom, eu estalo os dedos e as chamas vêm. — Faço aparecer chamas em todos os dedos da mão esquerda, exibindo o poder com um sorriso.

Os homens observam, fascinados e um pouco intimidados, enquanto eu continuo a exibir minhas habilidades, sentindo-me mais confiante e à vontade.

— Isso é incrível, Alinna. — Derek elogia, admirado.

Ele observa de longe minhas exibições e o impacto que causo em seus homens. Seu olhar atravessava meu corpo com uma intensidade quase palpável. É o tipo de pessoa cuja presença é tão intensa que, quando fala com você, parece que pode penetrar em sua alma apenas com o olhar. Seu olhar é profundo, quase como se pudesse ler cada pensamento e sentimento que tenho. Essa profundidade é surpreendentemente intimidante, apesar de eu tentar manter a calma e a compostura. Sinto-me exposta, como se ele estivesse desnudando não apenas meu exterior, mas também o interior mais íntimo.

— O que mais você sabe fazer? — Kevin pergunta, intrigado.

— Você está interessado em armas ou em meus poderes? — Pergunto, querendo saber qual deles ele quer explorar.

— Armas! — Hugo responde, antecipando a escolha de Kevin.

— Ótimo, posso fazer uma demonstração majestade? — Peço, dirigindo-me ao rei Derek para obter sua permissão.

Ele se escora em um aparelho de treino, cruza os braços e as pernas, e sorri, acenando com um sinal positivo para mim. Descalço meus pés, ergo um pouco o vestido para evitar que ele atrapalhe e firmo a estrela da manhã com firmeza. Olho ao redor do ambiente, repleto de equipamentos de treino, incluindo bonecos de madeira representando oponentes e outros de um material metálico que não consigo identificar. Há também percursos desafiadores, com obstáculos que parecem complicados. Planejo mentalmente o meu percurso, analisando cada obstáculo para escolher a melhor forma de impressionar os espectadores com as habilidades que desenvolvi ao longo dos anos. Se querem um show, vou dar um show.

Ligo os aparelhos dos percursos, que são acionados por uma engenhoca projetada para tornar os treinos ainda mais difíceis. Bolas de ferro balançam de um lado para o outro e lâminas afiadas giram com uma velocidade implacável. Começo meu percurso atravessando um caminho de madeira que dispara dardos afiados. Com leveza e precisão, desvio-me de cada um deles, pulando, abaixando e girando com um movimento grácil e calculado. O próximo desafio é atravessar um tubo de alumínio grosso, onde bolas de ferro rolam em uma sequência constante. Perto de uma agilidade impressionante, atravesso o tubo como se estivesse passeando por um jardim florido. As lâminas giratórias são implacáveis, cortando o ar com uma velocidade absurda. Coloco a parte de madeira da minha estrela da manhã na boca por um breve momento, liberando minhas mãos para o próximo movimento. Realizo um mortal, girando de cabeça para baixo com uma precisão impecável, e ao voltar à posição normal, finalizo com um elegante salto, semelhante a uma estrelinha de criança.

Os bonecos de treino, com braços de madeira e espadas falsas, movem-se freneticamente. Desvio-me de um, abaixando-me para evitar um golpe e, em um movimento fluido, ataco o outro boneco com força. Giro minha estrela da manhã, acertando a cabeça do boneco e fazendo-o parar de funcionar. Repito o movimento com o segundo boneco, finalizando minha demonstração com um sorriso confiante. A sala fica em silêncio por um momento, antes de se encher de aplausos e comentários admirados dos presentes, que assistiram à exibição com um misto de espanto e entusiasmo.

— O que... — Respiro fundo. — O que acharam?

Pergunto, ainda ofegante, mas com um orgulho visível. Vejo que deixei todos de boca aberta e completamente impressionados.

— Você é normal? — Dilan pergunta, com os olhos arregalados.

— Me desculpem pelos bonecos. — Ainda estou tentando recuperar o fôlego.

— Não gostávamos deles de qualquer forma, então... — Derek dá de ombros com um sorriso.

— Você tem que treinar com a gente um dia desses. Se acha que é boa agora, vai ficar ainda melhor conosco. — Hugo me convida, com um tom entusiástico.

— Com certeza. — Respondo, calçando meus sapatos.

— Bom, vejo que gostaram da minha protegida. Será um prazer trazê-la mais vezes, mas temos que ir. — Derek segura minhas mãos novamente, entrelaçando nossos dedos.

— Adeus, meninos. — Me despeço, ainda lutando para respirar melhor.

— Até breve, Alinna! — Eles respondem em uníssono.

— Volte mais vezes! — Rocha grita, com um sorriso largo.

— Eles são uma figura. — Comento, enquanto saímos da sala.

— São bravos e às vezes cruéis, mas são bons homens. — Derek sorri, com um olhar carinhoso.

— Eu sei que sim.

— Você é maravilhosamente incrível. — Ele me olha de canto, com um olhar que mistura admiração e afeição.

Quando pensei em responder Derek, parei no meio da frase, que mal tinha saído dos meus lábios. Enquanto caminhávamos pelo palácio, avistei alguém que também me parecia familiar. Soltei-me de Derek e segui na direção da pessoa. Seus olhos verdes e a pele negra, com um tom de jambo, não me confundiram: era Koan!

— Koan? — Grito, correndo, mas o homem está muito longe e não consegue me ouvir.

Após um esforço considerável, ele desaparece de vista. Olho ao redor, procurando por qualquer sinal, mas não encontro nada. Sei o que vi e não estou louca, mas me pergunto o que Koan estaria fazendo aqui.

— Alinna, tudo bem? — Derek aparece, ofegante, depois de ter corrido atrás de mim.

— Sim, me desculpe. Eu pensei ter visto alguém. — Respondo, ainda tentando me certificar de que não há ninguém por perto.

                                                                                         ...


— Que confusão é esta? — Pergunto, olhando pela janela, assim como os empregados do palácio.

Eles estão parados, fixando o olhar para algo que está acontecendo ao longe no Coliseu. Quando percebem minha presença, eles se endireitam e parecem prestes a se retirar, mas eu os detivo.

— O que está acontecendo lá embaixo? — Pergunto novamente, com uma mistura de curiosidade e preocupação.

— Estrangeiros. — Responde um deles, com a cabeça baixa, antes de se afastar rapidamente.

Fiquei por um tempo observando pela janela de uma das grandes e luxuosas salas do palácio. A distância tornava difícil enxergar claramente, mas consegui distinguir guardas do rei Derek, seus homens de confiança e Natasha. "O que estão fazendo ali?" minha curiosidade quase me faz atravessar a janela, mas não consigo ver nada de novo. Me esforço mais um pouco e, para minha surpresa, vejo meu pai. "Meu pai?" ele está acompanhado dos meus tios, e junto deles está o meu pessoal. Consigo identificar Ivy, que lança um raio aterrorizante que corta os céus, passando bem na frente da minha visão. "Estou enlouquecendo, só posso estar enlouquecendo." Os guardas formam um círculo de força ao redor deles, impedindo que se movam ou tentem fugir. Pergunto-me o que está acontecendo.

Sem esperar mais, corro pelos corredores imensos do palácio. Sinto minha respiração entrecortada, e meu coração bate com tanta intensidade que posso ouvir as batidas como se estivesse ao lado dos meus ouvidos. Desço as escadas apressadamente, trocando os pés e quase caindo. Quando chego às portas de saída, alguns soldados da guarda de Treeland tentam me impedir. Sem hesitar, chamo minhas chamas e os ataco com uma fúria instintiva, sem me preocupar se causei danos graves ou não. Empurro as portas com força e irrompo para o lado de fora do palácio. Assim que saio, paro abruptamente, examinando a minha esquerda e a minha direita. Corro sem cessar em direção ao Coliseu. Quando chego, a arena está deserta. Não há sinal de ninguém, e tudo parece silencioso e vazio, como se eu tivesse acabado de passar por um surto psicótico. A sensação de desolação me invade, enquanto olho ao redor, tentando entender o que realmente aconteceu.

— Para onde eles foram? — Murmuro para mim mesma, cheia de desespero.

Ouço gritos e meu nome sendo chamado. Saio correndo do Coliseu, tentando seguir as vozes que chegam até mim. De repente, me deparo com uma cena horrenda: todos estão sendo arrastados para um galpão de madeira robusta, carregados por vários guardas que seguram tochas acesas. Não me lembro de ter visto esse galpão antes. Ele está situado no fundo do Coliseu, perto da entrada da prisão e das masmorras. Deve ter sido construído recentemente, talvez por algum motivo obscuro. O galpão tem um aspecto ameaçador, com a madeira escura e envelhecida que parece absorver a luz das tochas. Sinto um frio na espinha enquanto observo a cena, tentando entender o que está acontecendo e o que esse galpão representa. A urgência e o medo se misturam enquanto me aproximo, sem saber o que esperar.

— Natasha! — Grito, desesperada, sem saber para onde ela foi, imaginando se ela pode estar envolvida nisso de alguma forma.

Ninguém responde ao meu chamado, e os gritos continuam ecoando, intensificando meu desespero. Sem saber exatamente o que fazer, corro na direção do galpão desconhecido, movida pela necessidade urgente de agir. Enquanto avanço, um movimento no canto do meu olho chama minha atenção. Vejo Natasha, montada elegantemente em um cavalo solene, sua postura denotando uma clara sensação de superioridade. Ao seu lado, aparece Derek, também a cavalo, ambos avançando com uma calma imperturbável. A cena me pega desprevenida: Natasha e Derek, lado a lado. A postura deles, tão serena diante do caos, só aumenta minha inquietação.

— Derek! — Grito, sem fôlego e com uma urgência desesperada. — Me ajude!

Aponto para minha família sendo arrastada pelos guardas em direção ao galpão.

— Acho que não posso ajudar. — Ele responde, com uma expressão neutra.

Na verdade, Derek não está com uma expressão neutra; seu rosto está marcado por uma expressão de ódio, semelhante à de Natasha. Essa revelação confirma minhas suspeitas: Natasha é, na verdade, Leonidas, e ele busca se vingar de meu pai de alguma forma. O pensamento é tão absurdo quanto assustador. Não consigo entender por que meu pai insiste em estar sempre acompanhado por toda a sua tropa, especialmente em uma situação tão perigosa. É uma decisão imprudente e arriscada, que agora parece ter consequências desastrosas. O cenário se torna ainda mais aterrador à medida que percebo a gravidade da situação e a ameaça iminente que paira sobre minha família.

— O quê? — Exclamo, em estado de choque e incredulidade.

Segundos. Apenas segundos foram necessários para que se concretizasse o que eu temia, mas na minha mente, o evento se desenrolou como uma eternidade agonizante. Sinto o vento forte e quente nas minhas costas e alguns estilhaços de madeira passam pelos meus cabelos, fazendo com que eu implore para que isso não seja de fato o que eu temia. Chamas irrompem por todos os lados, e eu sei que não são causadas por mim. Com um esforço desesperado, me viro lentamente, os olhos já cheios de lágrimas e arregalados em terror. A fumaça queima minhas narinas, meu peito parece ser apertado por um peso imenso e meus olhos ardem com a dor. O galpão, onde os guardas haviam levado minha família e meus amigos, está em chamas. As madeiras, já fracas e consumidas pelo fogo, desabam em pedaços, e as poucas janelas restantes se estilhaçam sob a pressão do calor. Em poucos minutos, o galpão explode em uma violenta erupção de fogo e destroços. Poderia jurar que estou em um pesadelo, mas a dura realidade é que não estou. O galpão não é o único a explodir; meu coração também parece ter se despedaçado. Caio no chão, incrédula e devastada, incapaz de sustentar meu próprio peso. Minha dor é física e emocional, enquanto me ajoelho, sentindo o peso esmagador da perda e da impotência.

— Meu pai... — Sussurro, a voz falhando em meio às lágrimas.

A dor de perder meu pai é insuportável. A pergunta ecoa em minha mente: o que farei sem ele? A repetição do nome dele se torna um mantra desesperado em minha mente: "Meu pai, meu pai, meu pai."

— Erik... — Sussurro com um sofrimento profundo, a voz embargada pela dor esmagadora.

Minha garganta arde com uma dor intensa, como se algo estivesse corroendo meu interior. Cravo minhas mãos na terra fria e grito de um modo tão profundo que parece que minha alma está se desprendendo do corpo e voltando, um grito que é puro sofrimento, perturbador e histérico, cheio de uma aflição que eu sei que me assombrará pelo resto dos meus dias. Levanto-me com dificuldade, o corpo tremendo, e corro em direção ao galpão em chamas. "Se for para ficar sem meu pai, prefiro morrer queimando nas mesmas chamas que o levaram de mim", penso com um desespero insuportável. Tento me aproximar das chamas vorazes, mas antes que eu possa alcançar o inferno de fogo, Rocha me detém no meio do caminho. Ele me agarra com uma força indomável, suas mãos firmes apertando-me de forma que sinto meus órgãos se mexendo dentro de mim. Com um impulso decisivo, ele me ergue e me joga em suas costas. Resisto, lutando contra ele, mas ele me leva para longe do galpão em chamas e da visão devastadora de meu pai agora morto. Cada passo que ele dá é um arrasto doloroso, mas sua determinação é a única coisa que me mantém afastada da destruição que consome tudo o que eu conhecia e amava.

— Me solte, idiota! Eu ordeno que me solte! — Vocifero, me debatendo freneticamente nas costas de Rocha.

— Você não tem autoridade sobre mim. — Ele responde com uma seriedade inabalável, sua voz firme e imperturbável.

Exausta de tanto me debater, com meus músculos já falhando, deixo meu corpo cair pesadamente nas costas de Rocha. Levanto a cabeça, observando o fogo se afastar lentamente. O ar ao redor começa a esfriar, a fumaça se dissipa, mas a sensação de queimação ainda persiste em cada fibra do meu ser. A raiva volta com uma força renovada, e, com um grito de frustração, bato com força nas costas de Rocha, minhas mãos envoltas em chamas intensas. O calor do fogo atinge sua pele, e ele se contorce de dor, soltando um grito agonizante. Sem olhar para trás, corro em direção ao palácio, e logo percebo que Natasha e Derek não estão mais perto do galpão. Eles devem ter retornado ao palácio, satisfeitos com a destruição que causaram. Minha mente está completamente perturbada, e ando de um lado para o outro, golpeando qualquer um que tente me impedir com uma fúria incontrolável. Cada corredor que percorro parece se estender infinitamente enquanto minha busca desesperada continua.

Escancaro portas atrás de portas, cada uma revelando apenas mais corredores vazios e espaços silenciosos. Finalmente, depois de um tempo angustiante, encontro uma pequena saleta ao arrebentar uma das muitas portas do palácio. Lá está ela: Natasha, observando algo pela janela. Ao me ouvir, ela se vira para mim com uma expressão de surpresa e medo. Descontrolada, ativo meu poder com um frenesi intransigente. Corro em sua direção com uma força devotada, e com um salto carregado de ódio, me lanço sobre ela. Minhas mãos, em chamas, mergulham no rosto de Natasha. Ela grita e se contorce sob meu peso, suas mãos tentando afastar minhas chamas. Sinto suas lágrimas quentes e desesperadas escorrendo pela minha pele. Atormentada, Natasha se ajoelha, suas unhas cravando-se em minha perna enquanto ela tenta se proteger. Sem dar trégua, afundo minhas mãos ainda mais no rosto dela, intensificando a dor que ela sente. Cada toque é um grito silencioso de vingança, uma tentativa de recuperar algo que foi cruelmente tirado de mim. O calor das chamas e a força da minha raiva dominam o espaço, criando uma cena de violência e aflição que reflete a intensidade da minha perda e dor.

— Morra, seu desgraçado! — Grito, com uma fúria que ecoa pela saleta.

Derek me empurra com violência contra a parede, a força do impacto me faz sentir cada fibra da superfície dura contra meu corpo. Suas mãos se fecham firmemente em meu pescoço, imobilizando-me com uma força que quase me impede de respirar. Enquanto isso, Natasha está caída ao lado, com o lado direito do rosto gravemente deformado pelas chamas. Seus gritos e gemidos de dor misturam-se com o som de seu choro desesperado, a expressão de sofrimento e desespero evidente em cada contorção de seu corpo.

— O que você fez? — Natasha chora, as mãos pressionadas contra o rosto enquanto sua dor se transforma em gritos agudos. Alguns criados aparecem rapidamente, levando-a para fora com urgência.

— Você enlouqueceu? — Derek grita, sua voz repleta de choque e raiva.

— Ele matou meu pai! — Grito de volta, as lágrimas escorrendo incontroláveis, apontando para Natasha.

— Você quer dizer "ela" — Derek me corrige com um tom de desdém.

— Não! Você sabe muito bem quem Natasha é de verdade! — Tento me soltar das garras de Derek, mas ele aperta ainda mais seu controle.

— Você está fora de si. — Ele sorri, uma risada que mistura escárnio e desprezo.

— Eu sei de tudo. — Sussurro, o desespero na minha voz soando quase infantil.

— Sabe de quê? — Derek pergunta, sua voz agora carregada de um tom que me faz tremer.

— Natasha é Leonidas. — Respondo, meus olhos fixos nos dele, esperando uma reação.

Derek ri de forma maníaca, seu sorriso se tornando cada vez mais familiar, como uma sombra do passado.

— Natasha não é Leonidas! — Ele afirma, a voz cheia de uma certeza aterradora.

— Como você pode ter tanta certeza? — Pergunto com dificuldade, a pressão em meu pescoço quase me sufocando.

— Porque eu sou Leonidas. — Ele revela quase sussurrando em meus ouvidos, a verdade amarga e fria nos seus olhos, enquanto o mundo ao meu redor desmorona.

Meu coração parece parar, e um arrepio percorre cada fibra do meu corpo, intensificando algo que nunca senti antes. Medo. Um medo profundo e inexplicável. Derek ou melhor, Leonidas, me segura com uma força cruel, forçando-me a encarar seus olhos. O pavor se transforma em uma sensação esmagadora e estranha, uma mistura de terror e reconhecimento. Nos momentos que se seguem, algo muda em seus olhos. As gotas enfeitiçadas. Ele me encara com intensidade, e, conforme seus olhos revelam uma combinação de azul e verde, noto uma estranha semelhança com os meus e com os de meu pai. O homem dos meus pesadelos se revela de maneira brutalmente clara.

Leonidas começa a acariciar meu rosto com uma suavidade que contrasta com a força com que sua mão me prende. Seus dedos deslizam ao longo da minha pele com uma adoração quase perturbadora, como se cada toque fosse uma forma de possessão. O olhar dele é fixo e profundo, com uma devoção obsessiva que me faz sentir como se estivesse sendo examinada por uma criatura de outro mundo. Por fim, ele se inclina e beija minha testa. O beijo é inesperado e cheio de um sentimento que eu não consigo compreender totalmente, uma mistura de possessividade e um tipo de ternura distorcida. Esse gesto, apesar de suave, deixa um rastro de frieza e um pressentimento profundo, enquanto minha mente luta para processar a terrível verdade diante de mim.

— Olá, meu amor.

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