Capítulo 2
— Eu não sabia que uma filha tinha que esperar duas horas para poder falar com seu próprio pai. — Entrei na sala real, onde meu pai costuma passar a maior parte do tempo.
— Tive que lidar com suas confusões, Alinna, não reclame. — Papai disse irritado, sentando-se em sua cadeira.
Permaneci em pé ao lado de Erik, que também estava presente.
— Minha confusão? — Falei, irritada com a injustiça. — O senhor não quer dizer a confusão causada por Costela?
— Ora, Sky, por favor! Você...
— Ele vai ficar aqui? — Interrompi, apontando para Erik. — Pensei que esta fosse uma conversa entre pai e filha, não entre pai, filha e um subordinado bajulador.
— Alinna! — Meu pai exclamou, elevando a voz.
— Tudo bem, majestade. Já estava de saída mesmo. Com sua licença. — Erik disse, curvando-se respeitosamente antes de sair da sala.
Desde pequenos, Erik e eu fomos amigos inseparáveis, mas ultimamente algo mudou entre nós. Ele está mais irritado, e tudo o que faço parece ser motivo para que ele relate ao meu pai. Acredita-se superior desde que se tornou comandante da guarda real, junto ao General Carter, que também exerce grande influência sobre mim. Estamos afastados há algum tempo; às vezes, sinto falta da nossa amizade, mas se ele quer manter distância, não vou implorar por sua companhia.
— Você viu o que estão dizendo por aí, Alinna? — Perguntou meu pai.
— O senhor nunca me chama de Alinna, por que resolveu usar meu nome agora? — Respondi, sentindo-me incomodada com a forma como ele estava me tratando.
Ele nunca me chama de Alinna, o que significa que ele deve estar realmente bravo comigo. O boato que circula é que sou a princesa do coração de gelo. Não é verdade; a questão é que não permito que as pessoas vejam minha vulnerabilidade. "O inimigo sempre sentirá o cheiro podre do seu medo. Não sinta medo, ou não deixe que sintam o seu medo", meu pai costumava me dizer todas as noites enquanto penteava meus cabelos antes de dormir. Ele me conhece muito bem, conhece minhas fraquezas e meus pontos fortes. Neste momento, ele está sendo minha fraqueza, deixando claro o quanto está decepcionado comigo.
— Eu só queria ajudar, pensei que estava fazendo o certo. — Falei com a cabeça baixa, sentindo-me pequena diante da intensidade do olhar de meu pai.
— Há boatos referentes a você espalhados por todos os três reinos e, com certeza, por todo o mundo. Incendiar cerca de quinze homens? — Ele me encarou severamente.
— E por acaso o senhor viu quantas armas estavam apontadas para minha cabeça? — Perguntei, carregando um tom de ironia.
— Eu não quero saber, Alinna! — Gritou, sua voz ecoando na sala. — Você será rainha um dia e é assim que você se comporta? Como um animal? — Batendo na mesa, ele se levantou abruptamente.
— O senhor não pode estar falando sério.
— Pois estou! E se você morre, Alinna? O que eu faria então? — Ele me questionou, fitando-me intensamente.
— MoonFifth, SunFifth e Sansalom têm você, eles não precisam necessariamente de uma rainha como eu. — Respondi, sem pensar nas consequências de minhas palavras.
Meu pai arregalou os olhos, visivelmente chocado.
— Eles têm a mim? E eu, Alinna? A quem eu terei? Já perdi sua mãe e não quero perder você também. — Ele saiu da sala com um estrondo ao bater a porta atrás de mim.
Não era minha intenção magoá-lo com minhas palavras, mas agora era tarde demais para voltar atrás.
...
— Não me venha com sermões, meu pai já fez isso. — Falei quando percebi que Erik estava me seguindo pelos corredores. Entrei em meu quarto, frustrada.
— Na verdade, eu só vim dizer que seu pai me ordenou para que avisasse que hoje você não sai do quarto. — Erik parou na porta, mantendo uma expressão séria.
— Ah, claro, ótimo. Agora virei uma garotinha de 10 anos? Maravilha! — Exclamei, jogando-me na cama com um gesto teatral de descontentamento.
— Você deveria ter mais consideração com seu pai. — Erik entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. Sentei-me, observando-o com curiosidade.
— Ter mais consideração? — Perguntei, intrigada com suas palavras.
O que ele sabe que eu não sei?
— Sim, consideração. Na verdade, você não tem consideração por ninguém além de si mesma. — Erik disse, olhando diretamente para mim.
— O que você está falando? — Levantei-me, sentindo-me desafiada por suas acusações.
— Do que eu estou falando, Alinna? Estou falando das escolhas arriscadas que você faz, nos deixando preocupados e retornando com essa postura cínica. — Ele me confrontou.
— Eu não estava com uma postura cínica, estava apenas tentando ajudar, está bem? — Respondi enquanto ele ria, parecendo não levar a sério a situação.
— Ajudar? Por favor, Alinna.
— Pare de me chamar assim! — Gritei frustrada.
O que havia de errado com eles hoje?
— Mas esse não é o seu nome? Como devo chamá-la então? Rainha do drama? — Ele zombou, fazendo uma reverência de forma sarcástica.
— Escute aqui, quem você pensa que é para falar assim comigo? Você se esqueceu de quem sou eu? — Retruquei, encarando-o desafiadoramente.
— E quem você é? Hum? Porque pelo que eu sei, você ainda não é rainha. E já sabemos porque seu pai adia tanto sua coroação. E não se gabe da sua mãe; você está muito longe de sequer alcançar os dedos dela. Você não é ela! — Vomitou as palavras em cima de mim, cada uma mais cortante que a anterior. Engoli em seco, sentindo o peso de suas acusações.
— Você não faz ideia do que está falando. — Minha voz mal saiu, embargada pela incredulidade.
— Claro que sei. Para ser uma grande rainha, Alinna, precisa-se ter respeito, principalmente por aqueles que lutam com você e por você. Respeito é uma palavra que não parece existir no seu dicionário.
— Ah é? E por quê? — Me aproximei, cruzando os braços e encarando-o com firmeza.
— Porque parece que você desenvolveu um gosto por machucar as pessoas que te amam. — Cambaleei para trás, verdadeiramente impactada por sua resposta contundente.
Um silêncio tenso se instalou. Erik coçou os olhos e, nervoso, passou as mãos pelos cabelos.
— Se você... — Parou abruptamente, me encarando com a expressão que eu mais detesto: "pena". — Não quer ser tratada como uma criança, então pare de agir como uma. Se quer ser tratada como a rainha que será, e não como uma princesinha mimada, vai ter que agir como tal. — Ele saiu da sala, batendo a porta com força atrás de si, deixando-me ali, atordoada com suas palavras penetrantes.
"Quem ele pensa que é para falar assim comigo?" Essa pergunta reverberava em minha mente incessantemente. Eu não era mimada, não era orgulhosa, e muito menos uma criança. Sentando-me à minha mesa, fiquei batendo os dedos nervosamente, perdida em pensamentos sobre tudo o que Erik tinha dito. "Será que é verdade? Meu pai não quer me coroar porque eu não sou boa o bastante?"
O silêncio na sala era tangível, apenas quebrado pelo leve som dos meus dedos tocando na madeira polida. A luz suave que entrava pelas janelas iluminava o livro de história aberto à minha frente, mas meus olhos não conseguiam se concentrar nas páginas. Em vez disso, eles vagueavam pelo retrato de Erik em minha mente: seus olhos intensos e sua expressão de decepção misturada com preocupação. As palavras dele ecoavam como um eco incômodo em minha consciência. Erik sempre fora franco, mas agora suas críticas cortantes pareciam ter encontrado um caminho até o meu coração. "Respeito... ser tratada como uma rainha..." As exigências dele ressoavam, desafiando minha própria percepção de mim mesma.
Meu pai, o rei, tinha adiado minha coroação repetidamente, mas sempre com desculpas vagas sobre política e tradição. Será que havia mais nisso do que eu imaginava? Será que ele duvidava da minha capacidade de liderar? Esses questionamentos reviravam meu interior.
— Quer saber, vou atrás daquele imbecil. Ele está muito enganado se pensa que vou ficar calada depois de tudo que ele falou. — Decidi, sentindo um ímpeto de coragem crescer dentro de mim.
Saí do meu quarto bufando de raiva, determinada a colocar para fora tudo o que pensava de Erik. Percorri os corredores com passos rápidos e decididos, ansiosa para chegar ao quarto dele. Quando estava prestes a bater na porta, uma reflexão abrupta me interrompeu: "Espera. Bater? Eu sou a dona disso tudo. Não preciso bater para entrar." Com essa certeza, ergui a mão para abrir a porta.
No entanto, antes que pudesse fazer qualquer movimento, a voz de Caroline, mãe de Erik, ecoou pelo corredor. Seu tom era suave, mas carregado de autoridade e preocupação materna. A surpresa de ouvir sua voz me fez hesitar por um momento, ponderando sobre como proceder. Caroline sempre teve uma maneira única de acalmar as águas turbulentas entre nós, como se sua presença fosse um antídoto para qualquer conflito iminente.
Respirei fundo, decidindo adiar meu confronto com Erik por enquanto. Talvez fosse um sinal de que precisava pensar melhor sobre minhas palavras antes de agir impulsivamente. Com um gesto de recuo, me afastei da porta, deixando as emoções tumultuadas se acalmarem enquanto eu considerava meus próximos passos com mais cautela. Porém mesmo contra minha vontade não pude deixar de ouvi-los.
— Erik, meu filho, mantenha a calma.
— Não, mãe, a senhora não entende! Ela é completamente irresponsável. Parece não se importar com nada. — Disse Erik com raiva, seu tom de voz carregado de frustração.
Caroline tentou intervir, mas foi interrompida por Erik.
— Ela some por horas, quase mata um cara que deveria estar sob os cuidados da guarda real e, para completar, quase morre junto com ele. E depois reaparece como se nada tivesse acontecido!
— Você deveria estar acostumado, Erik — disse Caroline, mantendo a calma em contraste com a exasperação do filho.
— Me acostumar? Mãe, a senhora está brincando? Ela vai acabar nos matando, é isso que vai acontecer!
Fiquei chocada ao ouvir o que Erik pensava de mim. Sempre considerei que éramos amigos. Amigos não deveriam falar assim uns dos outros. Pelo menos, é o que eu pensava. Erik é apenas alguns meses mais novo do que eu, mas sua estatura imponente, físico robusto e seu irritante excesso de responsabilidade o fazem parecer mais velho do que eu há anos. Isso, às vezes, é frustrante.
— Pare com isso, filho! Sky sempre foi assim. Me estranha você agir dessa maneira. Você sabe como ela é, Erik! Você a conhece.
— Não! Não a conheço. Pelo menos não mais.
A raiva que fervia dentro de mim se multiplicou instantaneamente. Eu queria incendiar Erik de verdade desta vez. Ouvi seus passos se aproximando da porta, mas permaneci imóvel, parada e quieta diante dela. Erik girou a maçaneta e abriu a porta abruptamente, dando de cara comigo. Seus olhos se arregalaram em choque. Ao fundo, vi Caroline, com a mão sobre a boca, claramente preocupada com o que poderia acontecer a seguir. Erik me encarou intensamente por alguns segundos, que pareceram uma eternidade.
— Para sua informação, eu também não te conheço. Pelo menos não mais. — Arrumei os cachos do meu cabelo com um gesto rápido, forcei um sorriso amarelo e sai.
...
— Você não ganha privilégios por ser um guarda para ficar dormindo na porta do quarto de meu pai. — Disse eu, ao encontrar um guarda adormecido, apoiado na parede.
— Senhorita, me perdoe, eu...
— Tudo bem, não precisa se desculpar. Apenas troque de lugar com outro guarda se acha que não consegue cumprir seu dever. — Respondi, enquanto abria a porta do quarto de papai.
— Não ouvi você bater. — Disse meu pai, sem sequer olhar nos meus olhos quando entrei.
Retrocedi, fechei a porta e bati antes de entrar.
— Pode entrar! — Gritou papai de onde estava.
— Nicolay, você sabia que era eu. — Comentei, me aproximando.
— Primeiramente, não me chame de Nicolay. E sim, sabia que era você, mas bata antes de entrar. — Respondeu ele, os olhos fixos nos documentos à sua frente.
Me aproximei mais e sentei em seu colo como fazia quando criança. Me aconcheguei, um gesto que sempre me trouxe conforto, mesmo agora que era adulta.
— Ainda está bravo comigo? — Perguntei, fitando-o.
— Não, Sky. Não estou — Respondeu ele.
— Que bom. Se me chamou de Sky, então está tudo bem. — Murmurei. — Pai?
— Diga. — Disse ele, retirando os óculos e colocando-os sobre a mesa, junto com os papéis. Em seguida, me encarou, dando-me toda sua atenção.
— Eu só queria ajudar. Eu juro. — Fui sincera.
— Eu sei, Sky. Eu sei.
Ficamos em silêncio por um momento.
— O senhor acha que eu sou uma pessoa ruim? — Engoli em seco, lembrando das palavras de Erik.
— Não! Você não é ruim, você só é, intensa. — Respondeu ele, o olhar perdido no vazio. — E mesmo que você fosse ruim, para mim não teria problema. Ser ruim às vezes não é tão... ruim.
— Você só está dizendo isso para me consolar.
— Estou falando sério. Quando olho para você, vejo um reflexo de mim mesmo quando era mais jovem. Na verdade, você é muito parecida comigo.
— Gosto de ser parecida com você. — Sorri.
— Eu sei que sim. — Papai também sorriu. — Você uma vez me disse que se lembrava de algo que sua mãe te disse antes de morrer.
Percebi sua dificuldade para engolir a saliva.
— Sim. — Confirmei, um pouco mais tensa.
— E o que era? — Perguntou ele.
Tentei olhar nos olhos dele, mas não consegui. Então, abaixei a cabeça e respondi sua pergunta.
— "Seja você mesma e lute como uma mulher..."
— Seja você, Sky. — Ele segurou meu queixo suavemente, erguendo minha cabeça. — Meu medo é que você se arrisque demais. Não quero que nada de ruim te aconteça, mas também não quero te prender. Quero que seja livre e independente, que viva e tenha suas próprias experiências. Então, seja você, Sky, e siga...
— Seu coração. — Completei.
Era outra frase que me lembrava de mamãe dizendo para mim. Papai sorriu e me abraçou.
— Eu te disse para não sair do seu quarto hoje. — Sussurrou ele no meu ouvido.
Ri baixinho.
— Não me importo. Fico feliz por ter desobedecido sua ordem. — Apertei-o ainda mais.
— Dessa vez passa, mas se fizer isso de novo, passará o resto do ano trancada no seu quarto. — advertiu, com seriedade.
Comecei a rir.
— Não estou brincando. — Disse ele, firme.
Parei de rir imediatamente. Não sou louca de brincar com Nicolay Madark.
— Eu te amo, pai.
— Eu te amo mais.
...
— Não, pelo amor dos deuses, fechem essas cortinas! — Cobri-me dos pés à cabeça com o cobertor.
— Vamos, Sky, você tem muita coisa para fazer hoje. — Insistiu Emily, puxando as cobertas.
— Só mais cinco minutos! — Implorei, tampando o rosto com as mãos para afastar a luz do sol.
Caroline, Cat e Emily eram damas de companhia de minha mãe quando ela ainda residia na antiga Brownwood. Após o falecimento dela, meu pai decidiu que não precisavam mais servir no palácio como criadas, mas elas optaram por permanecer, e todos os dias sou grata por essa decisão. Cresci cercada principalmente por homens, mas tenho o privilégio de contar com elas e também com minhas tias Helena, Victória e Catarina para me apoiarem.
— Seus tios vão chegar de viagem e faremos uma grande recepção. Antes disso, você precisa completar seu treinamento de rotina e ainda terá que se arrumar a tempo. Além disso, temos que organizar todos os preparativos para sua festa de aniversário que será amanhã. — Listou Caroline, puxando-me da cama e conduzindo-me para a sala de banhos.
Meus tios, apesar de não serem irmãos de meu pai — exceto pelo tio Kedra, que é realmente meu tio —, e de minha mãe, os chamo assim desde pequena: Lucky, Rixon, Gerad, Helena e Catarina. Para mim, são os melhores. Lembram-se de meus primos, Klaus e Vladimir? São filhos do meu tio Kedra com minha tia Helena. Eles são como Erik, alguns meses mais novos que eu, mas com uma aparência robusta que os faz parecer mais velhos.
Áries, minha companheira e parceira para todas as horas, é filha de minha tia Catarina com Lucas, que infelizmente faleceu na mesma guerra que minha mãe. Tia Catarina descobriu que estava grávida poucos dias antes da batalha. Ela sempre menciona que planejava fazer uma surpresa após o conflito, mas não teve a oportunidade.
Tio Lucky continua vivendo intensamente, aparecendo a cada dia com uma nova "namoradinha". Tio Gerad casou-se e teve três filhos, que hoje fazem parte da guarda de Samsalom, a terra natal de seu pai. Tio Rixon também se casou, mas perdeu sua esposa para uma doença, deixando-o viúvo. E não poderia deixar de mencionar meu tio favorito, Joseph Cristóvão, o segundo homem mais sábio que conheço — o primeiro é meu pai. E, é claro, na bagagem vem minha tia Victória Cristóvão, outra mulher maravilhosa que os senhores colocaram em minha vida. Nossa família é extensa, e isso sem contar com todos os habitantes dos três reinos que, de uma forma ou de outra, fazem parte de nossa família.
— Sério, vocês são muito cruéis. — Tentei fazer um pouco de chantagem emocional.
Elas me olharam com uma expressão séria.
— Certo, minha tentativa de chantagem não deu muito certo. — Admiti, e elas riram.
— Você se parece muito com sua mãe. — Comentou Cat, rindo também.
Ficamos em silêncio por um momento, encarando-a. Ela pareceu constrangida.
— Não precisa ficar com essa cara de quem fez algo errado, Cat. — Sorri para ela. — Não me importo que digam que me pareço com minha mãe. Acho isso bastante legal.
— Sim, senhorita. — Respondeu Cat, curvando-se.
— O quê? — Franzi a testa para ela.
Ela arregalou os olhos, limpou a garganta e corrigiu-se apressadamente.
— Quero dizer... Sim, Sky. — Deu uma risadinha nervosa e saiu às pressas.
Essas mulheres são realmente únicas. Ri junto com elas.
Adentrei a sala de banhos e segui diretamente para a banheira. Do outro lado do ambiente, Caroline permaneceu para organizar minhas coisas.
— Âhm... — Caroline limpou a garganta, visivelmente desconfortável, antes de continuar. — Quero pedir desculpas pelo que ouviu do Erik. Ele estava nervoso e...
— Pare com isso, Caroline. Você não precisa se desculpar. Foi seu filho quem falou, não você. — Respondi da banheira.
— Sim, mas...
— Não quero mais ouvir você falando disso, certo? Não se preocupe. — Interrompi novamente.
— É que vocês são tão amigos desde pequenos que fico com medo dele estragar essa amizade. Às vezes ele é tão cabeça dura...
— Eu sei, mas logo, logo voltaremos a fazer as pazes novamente. Você vai ver. — Menti.
Na verdade, do jeito que as coisas estão entre mim e Erik, não tenho tanta certeza de que faremos as pazes rapidamente. Caroline acenou com a cabeça e saiu para me dar mais privacidade.
Depois do banho, as três mosqueteiras mais malucas que já conheci me ajudaram a escolher o que vestir para o dia: calça de couro preta, botas altas e uma camisa simples. Para uma garota como eu, vestidos não são muito apropriados, apesar de eu gostar de vez em quando.
Enquanto andava pelos corredores do palácio, balançando como sempre minha arma favorita, a Estrela da Manhã. Encontrei Áries pelo caminho; ela apenas me cumprimentou com um olhar e se juntou a mim, andando ao meu lado. Erik surgiu no fim do corredor, do lado oposto, cercado por outros guardas. Ele passou ao meu lado, encarou-me por um momento e fingiu não me ver. Áries percebeu todo o clima e me deu um leve aceno de cabeça, mas de imediato ela leu meu olhar. "Não diga nada. Ou eu te mato!"
A dinâmica no corredor era tensa. Os guardas de Erik o seguiram vigilantes e sérios, enquanto eu e Áries seguíamos nosso caminho com uma aura de determinação. O palácio estava vivo com o murmúrio de atividades matinais, mas havia uma tensão palpável entre nós, como se as paredes pudessem ouvir cada pensamento não dito. Chegamos a uma interseção movimentada onde outros membros da corte passavam apressados, mas o breve encontro com Erik ainda ecoava em minha mente. Eu sabia que as coisas entre nós estavam complicadas, mas Áries estava ali para me lembrar de manter a compostura.
— O que você quer fazer hoje? — Perguntou, tirando o foco de seus pensamentos.
— Treinar! — Respondi com certa raiva.
— Ok! E o que você quer fazer primeiro? Luta, tiros, arco e flecha, quebrar coisas ou... botar fogo nas coisas? — Perguntou, totalmente distraída enquanto limpava sua adaga.
— Tudo. — Respondi firme.
Áries parou no lugar e me encarou.
— O quê? — Ela perguntou, surpresa.
— Eu disse tudo! Entendeu agora?
Ela riu.
— Ah, então tá! Você que sabe, Hércules.
— Cale a boca, Áries. — Rimos.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro