Capítulo 18
A rainha de Treeland enviou uma convocação, chamando-nos ao seu palácio. De alguma forma, eu já pressentia que isso aconteceria, embora não esperasse que fosse tão rápido. Segundo o mensageiro real, a rainha faz questão de nos hospedar em seu magnífico palácio, não aceitando que fiquemos em qualquer palacete. Cavalos majestosos, cedidos pela Rainha, nos conduzem por uma imensa estrada de pedras que leva ao palácio. A construção é deslumbrante e imensa, tanto que meu pescoço chega a doer de tanto olhar para cima. Confesso que uma pontada de inveja me atravessa – no fundo, gostaria que este palácio fosse meu. Guardas e soldados, impecavelmente alinhados e trajados, rodeiam o lugar com uma disciplina impressionante. Quando a estrada chega ao fim, deparamos com portões de ouro maciço, semelhantes aos que marcam a entrada do reino. Eles se abrem silenciosamente para nos permitir a passagem. Ao entrarmos, somos recebidos por um jardim frontal, todo iluminado e repleto de rosas cujas fragrâncias doces nos envolvem com facilidade. Descemos dos cavalos, ainda em silêncio, tamanha é a nossa admiração. As portas do palácio se abrem diante de nós, revelando uma sala iluminadíssima. O teto é adornado com grandes candelabros brilhantes, e no centro há um lustre esplendoroso, decorado com detalhes que parecem ser de diamante. Nas paredes, desenhos antigos e quadros dos antepassados da rainha enriquecem a decoração. O lugar é tão repleto de ouro que parece que o sol reside aqui. Cada detalhe deste palácio exala riqueza e poder, desde os mosaicos intricados no chão até os arcos graciosamente esculpidos que sustentam o teto. As tapeçarias finamente tecidas narram histórias de eras passadas, e os vitrais coloridos lançam padrões caleidoscópicos de luz pelo ambiente. É um verdadeiro testamento ao esplendor e à grandeza de Treeland, deixando-nos maravilhados e em completo choque.
— Já viu um lugar tão perfeito como este? — Áries sussurra para mim, a voz baixa quase perdida no esplendor ao nosso redor.
— Não, Al, nunca vi algo tão maravilhoso. — Sussurrei de volta, meus olhos arregalados enquanto absorvo cada detalhe.
— Nem eu. — Cochicha ela, maravilhada.
— Venham! — A voz de um dos guardas nos assusta, interrompendo nosso transe. — A rainha está esperando por vocês.
— Gostou, minha princesa? — Pergunta Pétrus, caminhando ao meu lado, a familiaridade no seu tom não me perturbando mais.
A cada passo que dou, uma nova onda de emoção me invade. Como pode um reino tão jovem ser tão deslumbrante? É quase impossível acreditar. Começo a pensar que a flecha de ouro realmente está aqui, como Pétrus havia dito.
— Estou amando. — Respondi, sem me importar com a maneira como ele sempre me chama de "sua princesa".
— O que você está fazendo? — Pergunta Erik, sussurrando ao meu lado.
Só então percebo que, desde o momento em que entrei, venho coçando incansavelmente minha mão direita e meu pulso.
— Não sei, acho que é alguma alergia. — Digo sem me preocupar, minha mente ainda absorvida pela magnificência ao nosso redor.
Enquanto caminhamos, somos guiados por um corredor vasto e iluminado, cujas paredes parecem contar histórias antigas através de tapestries e vitrais coloridos. O chão de mármore é tão polido que reflete o brilho dos candelabros pendurados no teto alto. Passamos por uma série de arcos esculpidos com delicadeza, cada um mais impressionante que o anterior. Ao nos aproximarmos das grandes portas que, presumo, levam ao salão principal, sinto um misto de nervosismo e antecipação. O guarda que nos guia para em frente a uma grande porta, faz um leve aceno de cabeça, autorizando nossa entrada. Os soldados, imponentes e firmes, abrem as portas com uma precisão sincronizada. Mais uma vez, minha boca se abre em surpresa diante de tanta riqueza e esplendor. No entanto, rapidamente me recomponho. Afinal, sou uma princesa e não devo mostrar minha ignorância perante a rainha deste reino; isso seria humilhante. Os jogos de poder continuam, mesmo aqui.
Ao cruzar o limiar da porta, somos recebidos por um salão vasto e suntuoso. Colunas de mármore branco, adornadas com detalhes em ouro, sustentam o teto alto, onde um enorme lustre de cristal brilha intensamente, iluminando cada canto do salão. No centro do salão, sobre um trono esculpido em madeira e ouro, está a rainha de Treeland. Sua presença é formidável, seus olhos observam-nos com uma mistura de curiosidade e autoridade. Ao nos aproximarmos do trono, faço uma leve reverência, como é costume, e espero que os outros façam o mesmo. A rainha nos observa por um momento que parece uma eternidade, antes de finalmente falar, sua voz clara e autoritária, mas com um toque de calor.
— Princesa dos Três Reinos, — saudou-me a rainha.
Olhei para a Rainha, e meu queixo quase caiu novamente, mas consegui disfarçar minha surpresa. Ela tinha os cabelos presos em uma longa trança intricada, enfeitada com uma coroa que brilhava maravilhosamente. Seu pescoço e braços estavam decorados com joias de ouro puro, cintilando à luz dos candelabros. Seus olhos azuis eram vibrantes e firmes, transmitindo uma autoridade inegável. Seu vestido, rodado e elegante, era de um tom creme com detalhes vermelhos e dourados, destacando-se magnificamente contra a opulência do salão. No braço esquerdo, uma águia majestosa repousava, suas penas perfeitamente alinhadas. A rainha se levantou de seu trono com uma serenidade graciosa, descendo as escadas com passos suaves, aproximando-se de nós. Cada movimento dela era calculado e elegante, uma demonstração de sua posição e poder. O salão, já impressionante, parecia ganhar ainda mais vida com sua presença majestosa. Ela parou a poucos metros de distância.
— Ajoelhem-se perante mim! — Ordenou a rainha, sua voz carregada de arrogância.
Olhei ao redor e vi todos se ajoelharem, exceto eu. Não me ajoelharei. Não sou sua súdita, muito menos qualquer pessoa para fazer isso.
— Ajoelhem-se. — Repetiu, ainda serena, mas com um olhar firme em minha direção.
Continuei de pé, encarando-a nos olhos. Percebi que Erik também não se ajoelhou, e um meio sorriso surgiu em meus lábios. Lancei um olhar ao chão e notei Pétrus, quase implorando com os olhos para que eu me ajoelhasse.
— Não sei se ouviu, mas eu disse: ajoelhem-se. — Repetiu a rainha, sem desviar os olhos dos meus.
— Ouvi perfeitamente majestade. — Respondi com firmeza. — Quebre minhas pernas, aí então, eu me ajoelho.
Um soldado avançou em minha direção, provavelmente com a intenção de me forçar a ajoelhar, mas a rainha o deteve no meio do caminho com um gesto de mão. Ela me olhou mais uma vez e começou a rir.
— Determinada, não? — Disse ela, erguendo as sobrancelhas. — Dá para reconhecer de longe que você realmente é a herdeira de Madark.
— Os olhos? — Perguntei, um tanto seca.
— Não, minha cara, por conta da diligência e da teimosia. Sou Natasha. — Apresentou-se, estendendo a mão para um aperto.
— Sky. — Respondi, apertando sua mão. — Não sabia que conhecia meu pai.
— E quem não conhece? Posso não tê-lo conhecido pessoalmente, mas ouço muito falarem dele. — Disse ela, sentando-se novamente em seu trono, acariciando a águia e sorrindo.
— Você tem um belo palácio. — Elogiei, vislumbrando mais uma vez o ambiente.
— Obrigada. Não é como os Três Reinos, mas acho que dá para o gasto. — Respondeu com sutileza. — Ah! Levantem-se, por favor! — Retornou aos que estavam ajoelhados.
— E o que a traz aqui, princesa Sky?
— Apenas gostaria de conhecer o reino. Como você sabe, serei em breve rainha de três reinos poderosos, então pensei em conhecer Treeland para, quem sabe, uma futura aliança. Boas amizades nunca é demais. — Menti descaradamente.
Natasha assentiu levemente, seus olhos avaliando cada palavra minha. A tensão no ar era palpável, mas também havia uma curiosidade mútua. O jogo de poder claramente havia começado, e eu estava determinada a não ceder um milímetro.
— Vejo que você é muito inteligente e ambiciosa. — Comentou Natasha.
— E isso é um problema para você? — Indaguei, desafiadora.
— Claro que não! — Respondeu ela, sorrindo. Retribui o sorriso. — Seria um prazer inestimável tê-la como aliada. Treeland e os Três Reinos unidos, riqueza e poder. Isso seria maravilhoso.
— Com toda certeza. — Concordei, olhando-a nos olhos.
— Ananda! Celeste! Damon! — Chamou Natasha quebrando o nosso olhar, e logo surgiram três pessoas.
— Sim, Majestade. — Responderam juntos.
— Quero que levem a alteza e seus amigos para seus aposentos e escolham os melhores que temos. Quero que nossos visitantes estejam confortáveis e sejam bem recebidos. — Ordenou.
— Claro, Majestade. — Responderam novamente. — Sigam-nos, por favor.
Seguimos Ananda, Celeste e Damon.
— Ah, Sky! — Chamou Natasha.
— Sim? — Virei-me para ela novamente.
— Quero que jantem comigo esta noite. Descansem bem. — Avisou.
— Claro, Majestade. Será uma honra nos juntarmos a você. — Fiz uma meia reverência.
— E roupas serão disponibilizadas para vocês. Meninas, não economizem nas joias; temos muitas por aqui.
Ivy e Áries soltaram gritinhos de felicidade, mas logo voltaram a se recompor. Magia, como sempre, não parecia se importar muito. Enquanto seguíamos os servos pelos corredores luxuosos, notei mais uma vez a riqueza em cada detalhe – dos tapetes macios de veludo sob nossos pés aos lustres de cristal acima de nós. A opulência de Treeland era inegável, e Natasha sabia exatamente como impressionar seus convidados.
— Temos que tomar cuidado. — Sussurrei para Erik, minha voz quase inaudível no silêncio tenso. — Onde você acha que está a flecha?
Ele parou abruptamente, seus olhos vasculhando o ambiente ao nosso redor, e eu parei junto com ele, o som de nossos passos cessando com um eco vazio.
— E Natasha? Não está preocupada? — Ele questionou.
—Natasha? Não, não estou preocupada com Natasha. — Respirei fundo, tentando controlar o tremor na minha voz. — Não deixe que eles sintam o cheiro do seu medo.
Sem mais palavras, voltei a andar, cada passo parecendo mais pesado que o anterior. De repente, Erik soltou, sua voz firme e inabalável.
— Eu sou seu porto seguro, Sky.
Parei imediatamente, meu coração disparando com a força de suas palavras. Voltei-me para ele, confusa e atônita.
— O quê? Como assim?
Erik me lançou, seu olhar penetrante e sincero. — Você se faz de forte o tempo inteiro, carregando o peso das decisões, protegendo todos ao seu redor, se colocando na linha de frente. Mas quem faz isso por você?
O silêncio entre nós parecia se expandir, preenchendo cada vez mais o espaço.
— Céus! — Ele continuou, a intensidade em sua voz crescendo. — Eu sou seu porto seguro. É em mim que você pode desmoronar, é em mim que você pode chorar, é em mim que você pode se derrotar. Porque eu sei como te reconstruir, e eu vou te reconstruir todas as vezes que você se destruir. Você pode pular do precipício, Sky, porque eu vou te segurar. Então não finja para mim.
Os olhos dele se encontraram com os meus, tão profundos e implacáveis que me senti como se estivesse sendo desnudada pela verdade crua de suas palavras. Sem conseguir articular uma resposta, eu me lancei em seus braços com uma força quase desesperada, como se aquele abraço fosse a única âncora em meio à tempestade. As lágrimas começaram a fluir, um choro que eu não permitia há muito tempo, cada lágrima carregando um peso de medo e incerteza. O medo do que possa acontecer, o medo de não conseguir, mesmo com todos ao meu lado. A sensação de estar sozinha era esmagadora. Mas ouvi que Erik estava ali por mim, que ele estava disposto a ser meu porto seguro e que me ampararia a cada queda, trouxe um rompimento profundo e um conforto inesperado. No calor do seu abraço, a sensação de solidão começou a se dissipar, e pela primeira vez em muito tempo, permitiu-me ser vulnerável, deixando o peso da luta um pouco mais leve. Erik estava ali para mim. Somente por mim.
Depois de meu momento com Erik, nos apressamos para acompanhar Ananda, Damon e Celeste. A hospitalidade em Treeland é tão generosa que Natasha nos concedeu quartos individuais. Ao entrar no meu, quase me sinto desmaiar de tanta beleza. O piso, de um brilho impecável, reflete meu semblante, como se o próprio chão compartilhasse da minha admiração. As paredes, adornadas com refinados detalhes em ouro, emanam uma aura de exuberância. No canto do quarto está uma cama majestosa, com um dossel esvoaçante e tecidos de seda que parecem chamar para um descanso imersivo. As janelas, duas imensas aberturas para o mundo exterior, dominam uma das paredes, permitindo uma vista panorâmica da cidade de Treeland. Ao abrir as janelas e sair para a sacada, a brisa suave acaricia meu rosto enquanto eu contemplo a cidade abaixo, um mar de construções e jardins que se estendem até onde os olhos podem alcançar. A tranquilidade que sinto é quase surreal, como se o caos da jornada tivesse sido deixado para trás, e eu estivesse imersa em uma paz que nunca havia experimentado antes. Fecho os olhos, deixo o ar fresco encher meus pulmões e coço suavemente minha mão e o pulso. Quando volto para dentro, a cena no quarto parece ainda mais grandiosa e serena. É nesse momento que vejo Áries e Ivy, que entraram sem fazer barulho, talvez atraídas pela mesma beleza e tranquilidade que eu experimentei. A visão delas, contrastando com o luxo do ambiente, faz com que eu me pergunte como seria, de fato, ser rainha de um lugar tão esplêndido. É uma sensação que mistura desejo e admiração, uma fantasia momentânea de poder e controle em meio àquela beleza incomparável.
— Céus! Seu quarto é simplesmente magnífico. — Exclamou Ivy, admirada.
— Isso não é justo, o seu é melhor que o nosso. — Áries reclamou, e eu apenas dei de ombros.
— Bom, quem é a princesa aqui? Isso mesmo, eu! — Ri, satisfeita. — Agora, vão embora, eu preciso descansar e vocês também.
— Ok, mandona. — Áries respondeu com um sorriso e saiu, seguida por Ivy.
Fechei a porta e me joguei na cama. Que cama! Macia e confortável, simplesmente perfeita. Adormeci rapidamente, e quando acordei, com a sensação de ter descansado por horas, levantei-me para um banho antes do jantar.
— Tcharam! — Exclamou Pétrus, com entusiasmo, quando saí da sala de banhos enrolada na toalha.
— O que está fazendo aqui? — Perguntei, confusa.
— Vim te mostrar meu novo visual. O que achou? — Pétrus girou para me mostrar, e eu sorri ao vê-lo.
Ele estava impecável, bem vestido, com o cheiro de um perfume sofisticado, a barba bem feita e os cabelos cortados com cuidado.
— Você está lindo, Pétrus. — Elogiei, rindo. — Mas agora saia, preciso me trocar.
— Pode trocar à vontade, eu juro que não vou olhar. E não se apresse, o jantar só é daqui a uma hora. — Pétrus se acomodou em uma das cadeiras perto da mesinha com o lanche da tarde.
— Certo. — Respondi, um pouco mais relaxada.
— Não vai comer? — Ele perguntou, notando que o mini banquete que tinham me preparado e que ainda estava intacto.
— Não estou com muita fome. — Respondi, tirando a toalha e colocando um robe com discrição, longe do olhar de Pétrus.
— Sente-se comigo e coma pelo menos uma fruta. — Ele estendeu os braços para a cadeira ao seu lado.
Me rendi e me sentei ao seu lado. Em uma das tigelas, havia morangos, uma das minhas frutas favoritas.
— Pétrus, como você começou a matar pessoas tão cedo? — Aproveitei a oportunidade para saber mais sobre ele.
— Sua delicadeza me toca profundamente. — Pétrus comentou, e eu rolei os olhos, sem saber se ele estava falando sério.
— Bem, eu não sei bem como explicar. O que é óbvio é que sou uma mistura de um pirata com uma cigana, então... — Ele deu de ombros, como se isso fosse uma explicação suficiente.
— Isso é sério? — Perguntei, impressionada.
— Sim!
— E por que você esfaqueou seu melhor amigo quando tinha 14 anos? — Perguntei, me aconchegando na cadeira para ouvir com mais atenção.
— Eu gostava de uma garota, e ele acabou tomando ela para si. Ele sabia que eu estava apaixonado por ela, mas mesmo assim o fez. — Ele disse com uma indiferença surpreendente.
— Só isso? Foi por isso que você o esfaqueou? — Fiquei boquiaberta com a casualidade com que ele falava.
— Digamos que a raiva tomou conta de mim. — Ele riu, como se estivesse contando uma história comum.
— E seu padrasto? — Perguntei, curiosa sobre mais um capítulo da sua vida.
— Ele batia na minha mãe, e o fazia na minha frente. Eu o odiava. Se dependesse de mim, minha mãe nunca teria se casado novamente. Ele era um andarilho, e minha mãe era cigana, então sempre vivíamos em lugares diferentes. Uma vez, fomos para uma cidade onde uma senhora conhecida vendia folhas venenosas. — Pétrus suspirou, antes de continuar. — Coloquei as folhas na bebida dele. Ele bebeu, dormiu e nunca mais acordou.
— Nossa! — A palavra escapuliu da minha boca, sem conseguir esconder a surpresa.
— Um ano depois, minha mãe faleceu. — Pétrus se calou, o pesar evidente em seu rosto.
— E seu pai? — Perguntei, tocada pela história.
— Morreu em alto-mar. — Ele baixou a cabeça, absorvendo a dor da perda.
Sem pensar, me aproximei de Pétrus e segurei sua mão com carinho.
— Eu sinto muito. — Sussurrei, tentando oferecer algum conforto.
— Tudo bem. — Ele forçou um sorriso, um pouco amarelo, mas com uma gratidão silenciosa.
Tentei voltar para o meu lugar, mas Pétrus segurou minha mão com firmeza, prendendo-me perto dele. Ele se aproximou, inclinando-se para me beijar, mas eu me esquivei rapidamente.
— Pétrus, não. — Exclamei, levantando-me.
— Por que não? — Perguntou ele, seguindo-me, visivelmente frustrado com a minha reação.
— Porque eu, eu... — Gaguejei, lutando para encontrar as palavras certas.
— O quê? — Insistiu ele, aproximando-se ainda mais.
— Eu acho que amo o Erik. — Finalmente soltei, com a voz carregada de emoção. — Eu amo o Erik e não quero fazer isso.
— Você está mentindo. — Afirmou ele, com uma acusação velada.
— Não! Não estou. — Respondi, firme.
O silêncio caiu entre nós, pesado e carregado.
— Você realmente quer ficar com ele? — Pétrus perguntou em um tom baixo, quase desesperado.
— Quero. — Meus olhos se encheram d'água, a tristeza visível em meu rosto.
— Já que você quer ficar com ele, me dê pelo menos uma chance de te fazer mudar de ideia ou, pelo menos, me despedir de você. — Ele se aproximou ainda mais, a intensidade em seu olhar quase palpável.
— Como assim, se despedir? — Perguntei, sem conseguir me mover.
— Alinna, por favor, me dê a chance de te beijar. Se você não mudar de ideia, se não sentir nada ou não gostar, eu te deixo em paz, para sempre. — Ele prometeu, com uma sinceridade dolorosa.
— Pétrus, eu...
— Por favor, Alinna. — Pétrus sussurrou, seu rosto tão perto do meu que eu podia sentir a sua respiração.
Eu estava paralisada, lutando entre o desejo de recuar e a tentação da proposta dele.
As mãos de Pétrus já estão suavemente posicionadas em minhas bochechas, e seu rosto está quase colado ao meu. Seus lábios estão a poucos milímetros dos meus. Ele fecha os olhos e me dá um beijo rápido e aparentemente inofensivo. No entanto, o beijo começa devagar, atiçando um desejo crescente em mim. Eu me pego pensando que isso não é certo. Sei que ainda não tenho nada com Erik, mas não parece correto. Apesar disso, não consigo resistir a Pétrus. Algo começa a subir dos meus pés até a cabeça, provocando um arrepio por todo o meu corpo. Meu coração bate com mais intensidade, e sinto um leve tremor. Pétrus percebe o pequeno espaço que ainda nos separa e decide fechá-lo, envolvendo-me pela cintura e unindo nossos corpos. Seus dedos se enterram em meus cabelos, puxando-me ainda mais para perto. Seu beijo, agora mais forte, é cheio de urgência. Consigo ouvir sua respiração acelerada enquanto ele desce dos meus lábios para meu pescoço. Pétrus desliza um pouco o robe e beija meus ombros. Sem querer, solto um gemido baixo. Quero parar, preciso parar, mas não consigo. O desejo é mais forte do que eu. "Pense em Erik. Pense em Erik. Pense em Erik." Repito para mim mesma, mas o que ocupa minha mente é apenas Pétrus. Pétrus. Pétrus.
— Peça para eu parar. — Pétrus murmurou entre os beijos.
Mas eu não consigo. "Peça para ele parar, Sky. Peça!"
— Eu não consigo. — Digo, tentando me controlar. Nervosa, enrosco um pedaço da camisa dele em meus dedos e aperto com força.
— Peça para eu parar. — Pétrus agora ordena, com um sorriso vitorioso no rosto. — Peça para eu parar, e eu paro, princesa.
Fecho os olhos e me concentro em tentar pedir para ele parar. Ele sabe que não consigo, porque também sabe que uma parte de mim não quer que ele pare.
— Peça. Peça e eu paro. — Sussurra, provocando-me.
— Não pare. — As palavras escapam antes que eu possa segurá-las.
— O que você disse, minha princesa? — Ele provoca ainda mais, com um tom de malícia na voz.
— Por favor, não pare. — Repeti, sem me importar em ser clara.
Pétrus se inclinou para me beijar, mas parou no meio do caminho.
— O que você quer? — Cochichou, com um olhar penetrante.
Olhei bem no fundo de seus olhos, que brilhavam com a mesma intensidade que os meus.
— Eu quero você. — Sussurrei, sem perceber a profundidade do que estava dizendo.
Assim que terminei minha frase, foi como se tivesse ativado algum tipo de botão em Pétrus. Ele avançou sobre mim com uma voracidade inesperada. Segurou meu rosto com ambas as mãos e me beijou com uma intensidade muito maior do que antes. Esbarrei na mesa onde estávamos sentados, e, para não atrapalhar, Pétrus me levantou com facilidade, colocando-me no colo. Fechei minhas pernas em torno de seu quadril, sentindo a urgência da situação. Com um movimento decidido, ele jogou tudo o que estava na mesa para o chão e me deitou sobre ela. Meu sentimento por Pétrus é algo que me confunde; eu sei que amo Erik, mas há algo neste homem que exerce uma atração irresistível sobre mim. Pétrus se ajeitou e retirou a camisa, revelando um corpo forte e definido, muito mais impressionante do que eu imaginava. Ele se deitou sobre mim, segurou meus braços acima da cabeça e manteve-os lá, com uma firmeza que era ao mesmo tempo protetora e dominante. Enquanto ele voltava a beijar meu pescoço e caminhava em direção aos meus lábios, fechei os olhos para me concentrar totalmente na sensação. A intensidade dos seus toques e beijos me fazia sentir uma mistura de prazer e confusão. Meu pulso começou a arder desesperadamente, uma sensação que se espalhava pela extensão da minha mão. Para aliviar a sensação, comecei a coçar a pele. Quando abri os olhos, olhei ao redor e me deparei com uma visão perturbadora.
Na sacada do meu quarto, o homem do meu sonho na noite do meu aniversário estava lá. Ele usava o mesmo capuz, e apenas seus olhos eram visíveis, olhos que se assemelhavam aos meus e aos de meu pai. Ele ainda chorava lágrimas de sangue. O homem desconhecido começou a retirar o capuz lentamente...
— Pétrus, para! PARA! — Gritei, levantando-me abruptamente.
Minha respiração estava ofegante, e eu não sabia se era por causa da intensidade com Pétrus ou por causa da visão perturbadora do homem estranho que havia visto. Ele havia tirado o capuz, mas não consegui distinguir seu rosto.
— Alinna, o que foi? Você está pálida. Eu te machuquei? — Pétrus me examinou, visivelmente preocupado.
Olhei para o meu pulso, que estava vermelho e irritado devido ao tanto que o havia coçado.
— Não. Você não fez nada. — Respondi, focando o olhar no local onde o homem havia estado. Pétrus seguiu meu olhar, a confusão evidente em seu rosto.
— O que aconteceu? Você está bem? — Ele me abraçou, a preocupação em sua voz aumentando. — É aquele efeito colateral que a Magia mencionou?
— É, é isso sim. — Mentir foi a minha escolha, não querendo explicar a ele sobre minhas alucinações. — Acho melhor você sair, Pétrus. — Apontei para a porta.
— Mas você vai ficar bem?
— Vou, sim. Vou aproveitar para me trocar e me distrair. — Passei as mãos pelos cabelos, tentando me acalmar.
Tudo aconteceu tão rapidamente que eu ainda não compreendia bem o que ocorreu entre mim e Pétrus, nem o que estava acontecendo na minha mente. Precisava ficar sozinha para processar tudo.
— Ok, mas se precisar de algo, eu posso...
— Não, Pétrus, obrigada, mas preciso ficar sozinha. — Interrompi antes que ele pudesse terminar.
— Tudo bem. Obrigado, viu. — Ele agradeceu, com um tom de gratidão sincero.
— Por que está me agradecendo? — Perguntei, confusa com a situação.
— Por ter me proporcionado a melhor tarde da minha vida. — Ele sorriu para mim, e eu retribuí o sorriso, embora ainda estivesse confusa e perturbada.
Pétrus segurou minha nuca com uma firmeza inesperada e me deu outro beijo. No final, como da última vez, ele mordeu meus lábios suavemente.
— Pétrus! — Chamei, quando ele estava prestes a sair.
— O que foi? — Ele parou perto da porta, voltando-se para mim.
— Você me ferrou.
— Por quê? — Perguntou ele, desconcertado.
— Porque agora estou em dúvida entre você e Erik. — Respondi, dando de ombros, tentando esconder o tumulto interno.
— Eu sinto muito. — Pétrus riu, mas sua expressão rapidamente se tornou séria. — Não, na verdade, não sinto. Espero que você me escolha. Espero de verdade.
Não consegui encontrar palavras para responder. Pétrus saiu, fechando a porta atrás de si. O silêncio que se seguiu foi quase opressivo, e eu me encontrei sozinha neste quarto imenso, lutando para processar tudo o que havia acontecido e a ambiguidade que agora ocupava minha mente.
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