Capítulo 15
Pétrus Alarik
Eu me sinto dividido entre a preocupação e a frustração, observando Sky enquanto voltamos para os barcos. Não quero, mas não consigo deixar de me preocupar. Erik trouxe Sky de volta a carregando no colo, e o ciúmes que sinto quase me consome. Tive que me segurar para não deixar meus sentimentos tomarem conta, mas, para minha surpresa, consegui me controlar. O barco agora consegue seguir viagem sem meus braços e meu remo, estamos todos calados em silêncio absoluto. Até mesmo o outro barco não solta um ruído se quer. Sky agora está enrolada em um dos casacos do soldadinho de chumbo, um abrigo que parece insuficiente para a fragilidade que exibe. Ela, que sempre foi tão forte, independente, está agora em um estado completamente diferente. Recolhida em um canto do barco, ela se abraça aos joelhos, o corpo balançando lentamente enquanto lágrimas continuam a escorrer pelo rosto.
Áries, antes de sairmos do santuário de Selena, me contou que Sky não chorava há anos. Ela simplesmente não conseguia. Agora, vejo claramente o peso dessa libertação que Selena lhe concedeu. Sky passou praticamente a vida inteira sem permitir que suas emoções viessem à tona, e isso explica as três longas horas que passamos na caverna, assistindo-a se contorcer de dor e chorar. A cena é devastadora. Mesmo com as horas passadas, a memória do que vi ainda está fresca em minha mente. O barco agora parece pequeno e claustrofóbico, a atmosfera carregada com o peso do silêncio e da introspecção. O fato de ter passado tanto tempo lá, imersa na dor de Sky, só intensifica a sensação de impotência que sinto. A força que ela sempre demonstrou parece ter se dissipado, deixando-a vulnerável e em busca de consolo.
— Ela não quer falar comigo. — Erik se senta ao meu lado, seu desespero evidente.
— E o que isso tem a ver comigo? — Respondo, tentando esconder a frustração. Na verdade, é quase um alívio que ela não queira falar com ele.
— Queria saber se você poderia tentar conversar com ela. — Ele pede, sua voz carregada de esperança.
O olhar de Erik segue Sky como se ela fosse a única coisa que ainda mantém sua sanidade intacta, a sua última âncora em um mar de desespero.
— Se ela não quer falar com você, o que o faz pensar que ela vai querer falar comigo? — Pergunto, intrigado e um pouco irritado.
— Eu não sei, mas não custa tentar. Só quero ter certeza de que ela está bem. — Ele responde, parecendo um cachorrinho perdido, anseia por alguma forma de conforto.
Olho para Sky, que está encurralada em um canto, o rosto ainda coberto por lágrimas. É claro que ela não está bem, mas eu decido ir até ela, não por Erik, mas por Sky. Levanto-me e caminho até onde ela está sentada, envolvendo-me na sua dor e na necessidade de ajudar. Sento-me ao seu lado com uma certa hesitação.
— Não sei como você conseguiu fazer isso. — Começo, tentando abrir um canal de comunicação.
Sky me encara com uma expressão que mistura dor e frustração. Ela limpa os olhos, ainda úmidos, e vira-se para o lado, como se tentasse evitar minha presença.
— Pelas histórias que ouvi, ninguém jamais conseguiu quebrar aquele paredão de gelo. — Continuo, na esperança de encontrar alguma abertura.
Sky não se mexe. Olho para Erik, que está gesticulando com os braços, tentando me incentivar a prosseguir. Seus braços estão visivelmente vermelhos, um sinal de sua própria batalha interna. Sigo observando sua mão, o sangue ainda escorrendo, e sinto um peso maior de responsabilidade sobre meus ombros. Se ele está tão afetado, eu preciso fazer algo para ajudar, pelo menos para trazer um pouco de paz a Sky.
— Sky, o que você fez para tirar Selena de lá? — Pergunto, a curiosidade evidente em minha voz.
Ela suspira profundamente, como se estivesse contando até dez para recuperar a calma. Reclina-se um pouco e fixa o olhar no vazio à sua frente, como se revivesse o momento.
— Bati minha estrela da manhã várias vezes, mas não deu certo. — Ela sussurra, a voz baixa e cansada.
Apenas o fato de ela estar falando comigo, e não com Erik, é um alívio. Mantenho o foco nela, notando que seus olhos agora se dirigem para a arma favorita, jogada no chão do barco.
— E então, o que você fez para libertar Selena? — Instigo novamente, cada vez mais intrigado.
— Soquei. — Ela responde com uma simplicidade que me deixa ainda mais impressionado.
Sky fez algo que ninguém jamais conseguiu, algo que parecia praticamente impossível. Sua coragem e força são admiráveis, e eu não posso deixar de sentir uma admiração crescente por ela.
— Pessoas dariam tudo para ter a chance de libertar Selena. — Eu digo, o entusiasmo em minha voz.
— São loucos. — Sky responde sem olhar para mim, ainda absorta em seus próprios pensamentos.
— Mas por quê? Sky, Selena é herdeira de Morpheus, o deus dos sonhos e desejos. — Explico, tentando compartilhar a importância da situação.
— Morpheus? — Ela pergunta, agora olhando diretamente nos meus olhos, com um brilho de curiosidade.
— Seus avós, Luna e Filiphe, eram deuses do Sol e da Lua... — Começo, mas sou interrompido por Sky.
— Eu sei disso. — Ela funga o nariz, sua voz ainda carregada de emoção.
— Certo. E antes dos seus avós, milhões de anos antes, existiu Morpheus. Quando ele morreu, deixou Selena como sua herdeira. Ela foi colocada naquele gelo porque muitos queriam se aproveitar do poder dela. — Explico, tentando fornecer contexto.
— Novidade. Isso sempre acontece. — Sky comenta, referindo-se à situação com seus avós e sua mãe.
— Apenas uma pessoa poderia realmente usufruir dos poderes dela, e essa pessoa seria a que conseguisse quebrar o paredão de gelo.
— No caso, eu? — Ela me encara, os olhos buscando respostas.
— Sim! — Confirmo com entusiasmo.
— Mas eu não entendo. — Seus olhos começam a se encher de lágrimas novamente, confusão estampada no rosto.
— O que você não entende? — Pergunto, delicadamente ajeitando um fio de cabelo que havia caído sobre seu rosto.
— Eu não pedi nada. — Ela diz, com uma expressão confusa, claramente lutando para compreender.
— Quem a libertasse, a pessoa certa, teria o direito de se libertar de algo. Como um desejo sendo realizado. Selena te presenteou com isso por ter a ajudado. — Explico, tentando esclarecer.
— Ela me deu um presente? — Sky pergunta, a dúvida evidente em sua voz, ainda não conseguindo acreditar no que aconteceu.
— Ela te libertou do problema de chorar e de expressar seus sentimentos através das lágrimas. É como se ela tivesse realizado um sonho seu. Pode até não ter pedido nada a ela, porém evidentemente era um desejo do seu coração, se livrar das sombras do seu passado. Você guardava tudo para si mesma e acabou se sufocando. — Digo com calma.
— Quem te contou isso? — Sky pergunta, fechando a cara com um ar de desconfiança.
— Áries. — Respondo, oferecendo um sorriso amarelo e dando de ombros. Não quero que Sky brigue com Áries; ela estava desesperada na hora, por isso me contou.
Sky desvia o olhar novamente, visivelmente abalada.
— Eu nunca senti algo assim na vida. — Ela admite, a voz embargada.
— Eu imagino que não. — Digo, baixando a cabeça, realmente tentando entender a profundidade da dor que ela experimentou. Jamais conseguiria tal feito.
Foi um momento tão intenso e surreal. Mesmo sabendo que era algo que, a longo prazo, seria benéfico para ela, não pude deixar de me sentir mal. Ver Sky chorando e gemendo de dor, implorando para que Selena parasse, foi angustiante. Se eu pudesse, teria trocado de lugar com ela na mesma hora, mas, infelizmente, não havia nada que eu pudesse fazer para aliviar a situação.
— Quanto tempo eu fiquei ali, com Selena? — Sky pergunta, engolindo em seco.
— Três horas. — Respondo em um sussurro.
— O quê? — Sua expressão se contorce em tristeza.
— Três horas, Sky. — Repito, agora com mais firmeza.
Ao ouvir isso, Sky deita a cabeça nas mãos e começa a chorar novamente. Eu sei que essa fragilidade dela pode ser um efeito colateral do poder de Selena, e que eventualmente pode passar, mas confesso que, de alguma forma, estou começando a gostar de poder cuidar dela assim.
— Venha cá. — Digo suavemente, abrindo os braços para ela.
Sky praticamente se joga em meus braços, o que faz meu coração saltar de imediato. Ela é tão pequena e vulnerável, e eu sinto o calor do seu corpo e o ritmo acelerado do seu coração contra o meu peito. O desejo de mantê-la assim para sempre, apenas para mim, se torna quase irresistível. Quero beijá-la e beijá-la agora, sentir sua presença ainda mais próxima. Enquanto a abraço, olho para Erik. Ele nos observa com uma expressão de tristeza e, mesmo assim, me oferece um sorriso amarelo antes de baixar a cabeça. Ivy está ao seu lado, tentando falar com ele, mas sei que ele está distraído, sua atenção dividida entre Sky e o que acontece agora entre nós. Erik parece estar lutando com seus próprios sentimentos, e eu não posso deixar de sentir um certo prazer em saber que ele gostaria de estar no meu lugar. Embora eu saiba que ele não é apenas apaixonado mas sim louco por Sky, não consigo pensar que a verdade é que eu também sou profundamente apaixonado por ela. Imagino que competição será intensa e, por mais que Erik esteja em um dilema, eu também estou determinado a lutar por ela. Adoro desafios, e não estou disposto a desistir facilmente. Vou mostrar que sou capaz de conquistar o coração de Sky, não importa o que aconteça.
— O que ela te disse? — Erik perguntou assim que descemos do barco, seu tom carregado de ansiedade.
Nossa jornada de barco chegou ao fim, e agora enfrentamos a tarefa de continuar a pé. Pelo menos conseguimos chegar à pequena cidade de Vhigor, uma charmosa localidade que faz fronteira com o vasto reino de Aksum. A cidade, com suas ruas de paralelepípedos e casebres de telhado vermelho, parece tranquila e acolhedora, uma pausa bem-vinda após a longa travessia. Durante o final da viagem, Sky permaneceu adormecida em meus braços, seu corpo repousando suavemente contra o meu peito. O calor e a serenidade do momento contrastavam com a inquietação de Erik, que agora tenta se aproximar enquanto ajuda a amarrar os barcos às pedras da margem. Erik está visivelmente perturbado, suas mãos trabalham de forma mecânica, enquanto seu olhar inquieto se volta constantemente para Sky. A preocupação em seus olhos é palpável, e ele se esforça para manter a compostura.
— Ela está bem, Erik, não precisa se preocupar com ela. — Respondo enquanto ajusto a corda, tentando aliviar um pouco da tensão no ar. Minha voz é firme, mas cheia de empatia. — Selena a libertou de um grande fardo, e ela precisa de um tempo para se recompor.
Enquanto Erik segura uma das cordas, seus dedos se contraem involuntariamente, demonstrando sua apreensão. Ele tenta me observar, como se esperasse uma resposta mais detalhada ou uma confirmação adicional de que Sky está fora de perigo.
— Eu só... — Erik hesita, sua voz falha. — Eu só quero ter certeza de que ela está bem. Tem certeza disso Pétrus? — Insistiu.
— Ela estava comigo; é óbvio que está bem. — Respondi, com um toque de deboche na voz.
Os olhos de Erik se arregalam de surpresa e, visivelmente constrangido, ele desvia o olhar e se afasta, indo embora com passos apressados.
— Então, realezas, estamos quase lá. — Anunciei para o grupo, tentando desviar o foco da tensão que se instalou. — Chegamos a Vhigor, que é vizinha ao reino de Aksum. Podemos parar para descansar um pouco antes de seguirmos adiante.
Voltei a olhar para Sky, que ainda parece debilitada e acanhada. Seu estado é preocupante, mas espero que um pouco de descanso a ajude a se recuperar. Ela ainda está enrolada no casaco de Erik, e a fragilidade dela é um contraste com a sua habitual força.
— Eu acho uma ótima ideia. Estou exausta. — Ivy se queixou, tirando as botas e esfregando os pés cansados enquanto se encostava em uma pedra.
— Também concordo. Sky precisa de um tempo para se recuperar. — Áries disse, envolvendo Sky em um abraço gentil e ajudando-a a se erguer com cuidado.
— Nós também preferimos descansar um pouco. — Vlad e Klaus disseram em uníssono, concordando com a sugestão.
— Maravilha! — Exclamei, animado, enquanto pegava as coisas para começarmos a caminhada em direção ao local de descanso. — Conheço um ótimo lugar onde podemos nos acomodar.
— Mas não é uma hospedaria cheia de homens estranhos, certo? — Áries perguntou com uma expressão cética, lançando um olhar desconfiado para mim. — Desculpa, Ivy, mas...
— Não se preocupe, não é nada disso. — Garanti com um sorriso tranquilizador. — O lugar é seguro e confortável, pode ficar despreocupada, Sky.
Rapidamente lancei meu olhar em sua direção. No fundo sei que foi ela quem pediu para a amiga fazer a pergunta em seu lugar.
— Bom, então vamos logo. — Erik disse apressadamente.
— Vamos lá! — Magia disse, saindo na frente.
Enquanto seguimos para o local que conheço, a atmosfera fica um pouco mais leve, apesar do cansaço que todos carregam. A cidade de Vhigor, ao nosso lado, começa a se revelar em seus detalhes encantadores, oferecendo uma promessa de descanso e tranquilidade antes de nosso próximo destino. O lugar onde passaremos o resto do dia é o antigo casebre da minha falecida avó, situada a uma distância conveniente da cidade de Vhigor. Não é muito afastada, mas o suficiente para garantir um pouco de privacidade e evitar olhares curiosos, pelo menos por enquanto. A casa é um refúgio de serenidade, rodeada por uma paisagem exuberante que sempre me encantou. Desde pequeno, eu costumava vagar por esses campos e florestas, desfrutando da liberdade que o ambiente natural oferecia. A vista ao redor do casebre é simplesmente deslumbrante, com uma vasta extensão de verde que se estende até onde a vista alcança, salpicada aqui e ali por flores silvestres coloridas.
A casa em si é uma construção encantadora apesar de simples, com uma fachada de pedra antiga e um telhado de telhas vermelhas que brilha sob o sol. As janelas são emolduradas por cortinas de renda que balançam suavemente com a brisa. O jardim da frente está cheio de flores e plantas que minha avó cuidava com tanto carinho. O aroma das flores e a sensação da terra fresca trazem uma onda de nostalgia. Enquanto nos aproximamos da casa, sinto uma mistura de emoções. A infância que passei aqui não foi fácil, mas esses momentos de tranquilidade e beleza sempre foram um alívio. Agora, ao trazer meus amigos para este lugar, sinto uma profunda conexão com o passado e uma necessidade de oferecer a eles um pedaço da paz que este lugar sempre proporcionou para mim.
— Aqui estamos — Digo, com um tom que mistura alívio e saudade. — Espero que vocês gostem daqui tanto quanto eu sempre gostei.
— Uau, que linda, Pétrus! — Exclamou Ivy, maravilhada com o charme rústico da casa. Ela admirava a fachada de pedra e o telhado de telhas vermelhas que contrastavam com o verde ao redor.
— Obrigado. — Sorri, satisfeito com o elogio. Sempre me esforcei para manter tudo extremamente organizado, mesmo depois da morte de minha avó. Assim suas lembranças permaneceriam mais vividas.
— Onde você encontrou esse casebre? — Erik perguntou, com um tom de desconfiança. Ele examinava o lugar com um olhar crítico, como se procurasse algo escondido.
— Era da minha avó. Agora a casa é minha. — Respondi, dando de ombros e tentando manter um tom casual.
— E o que aconteceu com sua avó? — Vlad perguntou, com um desinteresse aparente. Ele já estava na cozinha, abrindo armários e verificando os suprimentos.
— A avó dele faleceu. — Magia respondeu por mim, com um tom que deixava claro que a pergunta não era bem-vinda. — Agora saia daí.
Magia usou um gesto sutil para fechar a porta do armário, quase esmagando os dedos de Vlad. Ele rapidamente se afastou, franzindo a testa em uma expressão de dor e surpresa.
— Não tem comida, então podemos caçar na mata aqui fora ou ir até a cidade comprar algo na vila. — Sugeri, tentando manter o grupo focado no que precisávamos fazer.
— Sky e eu... principalmente Sky, estamos exaustas. Não vamos a lugar nenhum. — Declarou Áries, cruzando os braços e encarando-nos com uma expressão resoluta. — Ah! Pétrus, encontramos um quarto e Sky está nele. Algum problema?
— Não, fiquem à vontade. — Disparei, acenando com a cabeça para que se acomodassem.
— Vamos esperar Sky descansar. Não vou sair daqui e deixá-la sozinha. — Erik afirmou com firmeza, sua preocupação evidente.
— Eu também não saio daqui sem Sky. — Acrescentei, seguido por Vlad e Klaus que assentiram em concordância. A preocupação por ela estava claramente compartilhada por todos.
— Ok, ninguém sai daqui sem Sky, já entendemos. Mas precisamos de comida. — Ivy se manifestou, seu tom de voz demonstrando a urgência da situação.
Todos olhamos para a cozinha, e então para a pequena despensa ao lado, a sensação de fome começava a pesar mais do que o cansaço. De certa forma Ivy estava certa. Então uma duvida pairou no ar, com a necessidade de manter o grupo alimentado e ao mesmo tempo cuidar de Sky. As soluções pareciam escassas, mas o desejo de ajudar e proteger era claro entre todos nós.
— Bom, acho que devemos ter alguma coisa nos armários de despensa, escondidos em algum lugar. — Falei, entrando na cozinha em busca de suprimentos.
— Tomara que tenha algo, estou morrendo de fome — Reclamou Brant, que parecia irritado com a situação.
— Encontrei algumas massas, cereais e alguns vegetais um pouco velhos, mas acredito que dá para aproveitar alguma coisa. — Gritei para os outros, tentando manter o otimismo apesar das opções limitadas.
— Ótimo, saia! Vou ver o que posso preparar com isso, já que ninguém quer deixar a garotinha sozinha. — Ivy respondeu, revirando os olhos e indo para a cozinha. Seu tom não escondia a frustração, mas era claro que estava disposta a ajudar.
— Pelo menos não vamos morrer de fome. — Comentou Brant, se jogando no pequeno sofá, claramente aliviado por encontrar uma solução, mesmo que improvisada.
— Ei, caladão. — chamou Klaus, olhando para Lucious. — Quer treinar com a gente lá fora, para ganhar tempo enquanto Ivy prepara as coisas?
— Bom, não tenho nada para fazer no momento mesmo. Vamos! — Lucious se levantou rapidamente, saindo em direção à porta com Klaus e Vlad, que também se juntou ao grupo.
— Áries, venha. — Magia convocou, gesticulando para ela se juntar.
— Venha para onde? — Áries perguntou, um pouco confusa com o convite.
— Vamos dar uma volta ao redor do casebre e ver se encontramos algo útil, como ervas ou frutas. Sky pode acordar faminta e precisar de algo além das massas e cereais. — Explicou Magia, sua preocupação evidente.
— Hm... Ok, vamos, mas temos que ser rápidas. — Concordou Áries, aceitando o convite. — Sei que não preciso pedir, mas Erik, fique de olho em Alinna.
— Pode deixar, Áries. Tomem cuidado, vocês duas. — Erik respondeu, sua voz cheia de preocupação enquanto as observava sair.
— Eu sei me cuidar. — Repreendeu Magia com um sorriso amarelo antes de sair, seguida por Áries.
— Alinna? — Perguntei, virando-me para Erik com curiosidade.
— Alinna é o primeiro nome de Sky. Alinna Sky Madark II. — Ele explicou com um tom que indicava que isso deveria ser óbvio.
— Ah, sim! E por que não a chamamos de Alinna? É um nome tão lindo quanto Sky. — Comentei, intrigado.
— Ela prefere ser chamada de Sky, e não me pergunte por quê. Também prefiro Alinna, mas fazer o quê. — Erik deu de ombros, claramente resignado.
— Alinna. — repeti o nome para mim mesmo, explorando a sonoridade.
Tudo que se relaciona a Sky me fascina, e fiquei surpreso ao descobrir que seu primeiro nome era algo que eu não sabia. Como alguém pode não gostar do nome Alinna? É tão bonito quanto a dona que o carrega.
— Vou dar uma olhada em Sky. — Erik disse, dirigindo-se ao quarto de minha avó onde Sky estava descansando agora.
Sigo atrás de Erik, a curiosidade me impulsionando a verificar o estado de Sky também. Ao chegarmos no quarto, abrimos a porta com cuidado, tentando evitar qualquer som que pudesse despertá-la. A primeira coisa que vejo ao abrir a porta é Sky, envolta em um manto de tranquilidade. O quarto está imerso em uma penumbra suave, como se a noite tivesse se adiantado para criar um ambiente sereno e protetor. A luz filtrada através das cortinas parcialmente fechadas lança um brilho suave sobre o rosto de Sky. Ela está adormecida, em uma posição relaxada, como um anjo em repouso. Sky está abraçada ao travesseiro, seu corpo curvado em uma pose de conforto. Os traços de seu rosto, normalmente marcados por uma expressão forte e decidida, agora estão suavizados, refletindo a paz de seu sono. Seus cabelos caem em ondas suaves ao redor de seu rosto, quase como uma moldura dourada que destaca sua beleza serena.
— Que diabos é isso? — Erik explode, furioso.
Olhei para Erik sem entender e vi que seus olhos estavam arregalados, fixos no topo da cama onde Sky dormia. Meu olhar seguiu o dele e então eu entendi: uma sombra negra estava deslizando ao redor de Sky enquanto ela repousava tranquilamente. O ambiente do quarto estava imerso em uma escuridão peculiar, como se o próprio quarto estivesse noturno, apesar da luz do dia lá fora. Erik, em um impulso desesperado, correu para o outro lado do quarto e abriu as cortinas, deixando a luz do sol inundar o ambiente. A sombra negra, como se estivesse assustada pela claridade repentina, se dissipou rapidamente, desaparecendo como fumaça ao vento. Meu coração acelerou com o choque, e me virei para checar cada canto do quarto, garantindo que a sombra havia sumido e que não havia mais perigos à espreita.
Quando olhei de volta para Erik, vi que ele estava parado em frente à cama, seu olhar fixo em Sky. A tensão em seu rosto era visível, e eu percebi o que o estava perturbando: o corpo de Sky não se movia. Ela não estava respirando. Sem pensar duas vezes, Erik se lançou sobre a cama e virou o corpo de Sky com um movimento rápido e preciso. Seu rosto estava uma máscara de pânico e determinação enquanto ele inclinava o ouvido contra o peito dela, tentando captar algum sinal de vida. Depois de um breve exame, ele verificou seu pulso, mas o desespero tomou conta de sua expressão quando não conseguiu detectar um batimento. Erik não perdeu tempo. Ele se posicionou sobre o corpo de Sky e começou a realizar massagem cardíaca com uma força quase frenética, suas mãos pressionando o peito dela em um ritmo rápido e constante. Cada compressão era acompanhada por um grito silencioso em seu coração, uma súplica desesperada para que ela voltasse à vida. Seus movimentos eram precisos, porém carregados de ansiedade.
— Não! Não! Não! — Erik reclama, desesperado, suas palavras se tornando um mantra angustiado. De relance, vejo seus olhos se encherem de lágrimas, refletindo a profundidade de sua aflição.
Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas me sinto paralisado, como se meus pés estivessem presos ao chão e meu coração estivesse batendo freneticamente no peito. A visão de Sky imóvel e sem respirar é um pesadelo do qual eu não consigo acordar. Ela não pode morrer. Erik, em seu desespero, tenta tudo o que pode: começa com a respiração boca a boca, um método desesperado e quase inconsciente de salvar alguém. Mas Sky permanece inerte, sem sinal de vida. A frustração e o pânico de Erik crescem a cada segundo, e, sem pensar, ele volta à massagem cardíaca, aumentando a força a ponto de parecer que ele pode partir o corpo de Sky ao meio. Sua expressão é um retrato de desespero absoluto; seus olhos, agora cheios de lágrimas, refletem o medo de perder Sky.
Enquanto vejo tudo isso, sinto um impulso frenético. Meus pés finalmente se soltam do chão e, sem hesitar, pulo na cama ao lado de Erik. Empurro-o suavemente para o lado e me posiciono para tentar ajudar. Coloco as minhas mãos sobre o peito de Sky, tentando aplicar a mesma pressão que Erik estava usando. A minha respiração está irregular e meu corpo treme de nervosismo, mas tento manter o foco, tentando fazer o melhor que posso para ajudar.
— Não ouse, Alinna. — Sussurrei, também sentindo as lágrimas se aproximarem. — Não ouse fazer isso comigo.
Sky dá um suspiro profundo, e seu corpo dá uma leve contorcida, como se estivesse tentando se recompor. Erik, com as mãos trêmulas, me afasta um pouco e verifica sua respiração. Seu alívio é palpável quando percebe que ela está viva.
— Pelo amor dos deuses, Sky, você quase me matou. — Ele exala, a voz embargada pela tensão e alívio.
Sky lentamente abre os olhos e nos encara, a confusão clara em seu olhar.
— O que aconteceu? — Ela pergunta, com uma expressão de desorientação.
— Você está bem? — Erik questiona, a voz falhando de preocupação.
— Hã? — Sky parece completamente atordoada.
— Sky, há poucos segundos você... você estava... — Minha voz vacila, tentando encontrar as palavras. — Estava morta.
— Não. — Ela balança a cabeça, ainda com uma expressão sonolenta. — Não estava, estava? — Seus olhos se arregalam ao processar a informação.
Sky, incapaz de acreditar nas minhas palavras, volta o olhar para Erik, implorando silenciosamente por uma confirmação.
— É verdade, Sky. — Erik confirma, a voz grave e séria. — Você estava... por algum motivo, estava morta. Não sei como, mas estava.
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