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Capítulo 14


Não caminhamos muito. Depois de alguns minutos, chegamos a uma casa de dois andares, toda de madeira, cercada por um jardim de flores vibrantes. A construção é simples, mas exala uma sofisticação encantadora, com sua fachada rústica e acolhedora.

— Minha casa, é sua casa! Sejam bem-vindos e fiquem à vontade. — Anunciou Ivy, abrindo a porta com um gesto acolhedor.

Entramos em um hall de entrada pequeno e acolhedor. A casa é modesta, mas tem um charme inegável. Na sala principal, uma pequena lareira é a única fonte de luz, criando um brilho suave e convidativo que dança nas paredes de madeira escura. Ivy se move com agilidade, ajustando alguns objetos e acendendo a lareira para iluminar ainda mais o ambiente. O calor da chama começa a preencher o espaço, aquecendo o ambiente e destacando o conforto das mobílias rústicas e dos detalhes caseiros que decoram o cômodo. A sensação é de um refúgio tranquilo, bem-vindo após o tumulto da noite.

— Não é nenhum palácio, mas acho que dá para passar a noite. — Ivy deu de ombros, parando em minha frente. — Consegue dormir em camas normais?

— Você está de brincadeira, não é? — Rebati, encarando-a com uma mistura de surpresa e irritação.

A impressão que ela tinha de mim parecia ser a de uma mimada incapaz de dormir em camas comuns, e essa rosinha nem me conhece.

— Irmã? — Chamou um homem do outro lado da sala.

Ele era grande e chamativo, com uma presença física que lembrava a de Ivy. Seus músculos evidenciavam uma força e um vigor que se destacavam, enquanto suas roupas simples de caçador, feitas de couro e linho, realçavam sua praticidade e estilo. No entanto, o que mais chamava a atenção eram seus cabelos... amarelos, em um tom tão vibrante que parecia quase dourado à luz suave da lareira. O contraste entre a cor incomum e o restante de sua aparência robusta era intrigante

— Oi? — Respondi, distraída ao ver a imagem do rapaz em minha frente.

— Pelos deuses. — Murmurou Áries, impressionada.

Apesar do cabelo totalmente amarelo, o homem era bastante atraente.

— Irmão! — Exclamou Ivy, radiante. — Lucious, esta é Sky, Futura Rainha de... Ai, Blá! Sei que a conhece muito bem.

"Blá?" Ivy acrescentou essas palavras com um revirar de olhos, claramente entediada com minha posição.

— É claro que eu sei quem ela é. — Respondeu Lucious, aproximando-se e beijando minha mão com uma reverência elegante. — Um prazer conhecê-la vossa alteza.

— O prazer é todo meu. — Respondeu Áries, entrando na minha frente com um sorriso cortês.

— Estão de viagem? — Perguntou Lucious, com um olhar interessado olhando para todos os presentes. Com certeza aguardando uma resposta.

— Sim, meu caro, estamos. — Confirmou Pétrus, jogando-se no sofá e começando a examinar um vaso que estava ao seu lado com uma expressão curiosa.

— E para onde vão? — Insistiu Lucious, ainda claramente curioso.

— Você é bastante curioso, não é, Lucious? — Interroguei, enquanto me deixava cair ao lado de Pétrus no sofá, tentando mudar um pouco o foco da conversa.

Minhas pernas estavam doendo e o ambiente parecia girar incessantemente. Vlad e Klaus me observavam com expressões que claramente imploravam por permissão para falar. Revirando os olhos, balancei as mãos no ar em um gesto de autorização, deixando-os livres para continuar.

— Nós estamos indo para Treeland. Estamos atrás de... — Klaus fez uma pausa, limpou a garganta e continuou com um tom mais sério. — Algo importante.

— Treeland? — Ivy arregalou os olhos, olhando para o irmão antes de parar abruptamente. — Podemos ir juntos?

"O quê?"

— Não! — Declarei, surpresa e decidida.

— Acho que sim! — Erik interveio ao mesmo tempo, com um tom mais conciliador.

Furiosa, lancei um olhar penetrante para Erik, como se dissesse: "Como assim?"

— Bom, eu acredito que não. — Repeti minha resposta, firmemente.

— Resolva isso melhor amanhã de manhã. Será que podemos dormir? — Magia perguntou, claramente irritada. Sua manifestação imediata ocorreu pelo temor de começarmos mais uma discussão.  

— Ah, claro. — Ivy se mexeu, claramente pronta para encerrar a discussão. — Vou levá-los aos quartos.

Todos seguiram Ivy e Lucious para dentro da casa, mas eu permanecei no sofá, jogada ao lado de Pétrus.

— Sei que você não gosta de ficar tão perto de mim, então pode sair. Já digo de antemão que o sofá é meu. — Reclamou Pétrus, tentando me empurrar do sofá com um gesto brincalhão.

— Pare, Pétrus! — Dei um tapa em seu braço, exasperada.

— Então saia! — Ele riu e continuou a me empurrar. — Por que você não sai?

— Porque eu não consigo ficar de pé. — Murmurei, envergonhada e com a voz baixa.

— O que você disse? — Perguntou Pétrus, inclinado para mais perto.

— Não consigo levantar. — Murmurei novamente, com a voz baixa e cheia de frustração.

— Ora, vamos, Sky. Fale mais alto, não estou ouvindo. — Ele riu ainda mais, claramente se divertindo com a situação.

Pétrus me ouviu muito bem; ele só estava tentando me provocar para que eu gritasse.

— Eu NÃO CONSIGO LEVANTAR! Ouviu agora? — Exclamei, fazendo um biquinho enquanto me recostava novamente no sofá.

Pétrus caiu na risada, a ponto de lacrimejar, achando a situação hilária.

— Não consegue se levantar de tão bêbada que está não é? — Sua pergunta saiu mais como afirmação, e ele continuava gargalhando.

— É. É por isso, ok? Está feliz agora? — Respondi, irritada com a situação.

— Ei, não fique brava comigo. A culpa não é minha se você está descompensada.

— Ai, que saco! — Bufei sem um pingo de paciência.

— Vai dormir aqui no sofá? — Ele provocou, ainda rindo.

— Ah, não, dormir no sofá não! Pare de me irritar e me leve para o quarto. — Puxei a gola da camisa dele, me aproximando e gritei com um olhar zangado.

— Mas já? — Ele parecia surpreso. — Nem me deixou dar algumas cantadas que aprendi.

— Você é ridículo. Como pode ser tão, tão, tão... — As palavras fugiram de mim, o que só aumentou minha raiva.

— Diga, minha princesa. — Ele continuava perto demais, com um sorriso provocador.

— Tão filho da mãe! — Exclamei mais uma vez, empurrando-o com força.

Pétrus se levantou, e, como eu estava encostada em seu corpo, acabei caindo para trás com o movimento repentino.

— Venha! — Ele estendeu os braços. — Vou te levar para a cama.

— Tira esse sorriso do rosto. — Estendi minhas mãos para ele me ajudar a levantar. — Você só vai me levar até lá.

— Não era assim que eu queria te levar para a cama, mas pode ser um bom começo. — Me levantou e me pegou no colo, com um sorriso travesso.

— De jeito nenhum, Pétrus. Não mesmo.

Entramos na casa à procura de Ivy, para que ela pudesse nos indicar onde eu iria dormir. Pétrus, com um sorriso de satisfação no rosto, me carregava pelo corredor, enquanto eu me esforçava para manter uma expressão de desaprovação.

— Você é cheirosa. — Pétrus comentou, já enterrando o nariz no meu pescoço.

— O quê? O que é isso? Para! — Balancei-me, tentando escapar.

— É sério. Você tem um cheiro muito bom. — Ele continuou a me cheirar, com um tom de genuíno fascínio.

— Para, Pétrus! — Não consegui conter uma risada que acabou escapando sem querer, tentando me afastar do seu nariz roçando meu pescoço. — Isso me dá agonia.

— Ah, é agonia, é? — Brincou, começando a morder lentamente meu pescoço.

Suas mordidinhas leves e inesperadas fizeram-me explodir em gargalhadas, enquanto eu me contorcia, tentando me afastar da sua abordagem cada vez mais provocadora.

— Hm! Hm! — Erik apareceu repentinamente.

Nós paramos instantaneamente, nossos olhares se cruzando em um momento de surpresa.

— Cortou o clima, Erik! — Pétrus exclamou, fazendo uma expressão de desilusão.

Eu o encarei, não conseguindo acreditar na sua cara de pau.

— Ei! — Reclamei, tentando chamar sua atenção.

— Ela só não consegue andar porque está bêbada demais. — Pétrus confessou, com uma leve expressão de preocupação.

— Vou levá-la para o quarto. — Disse Erik, levantando-me com um gesto cuidadoso. — Obrigado, Pétrus, mas pode ir dormir.

— Obrigada, Pétrus. — Agradeci com um sorriso, enquanto ele fazia uma reverência teatral.

— Minha princesa. — Ele fez uma pequena reverência. — Soldadinho de chumbo. — Referiu-se a Erik com um sorriso brincalhão.

Então Erik se virou e começou a caminhar em direção ao quarto, onde Ivy, estava a nossa espera.

— Soldadinho de chumbo? — Perguntei, achando o apelido engraçado.

— É um apelido que ele me deu. — Erik deu de ombros, com um sorriso divertido.

O semblante de Erik ficou um pouco sério, como se estivesse avaliando a situação. Eu tentei segurar o riso, mas a reação foi mais forte do que eu esperava. Acabei não conseguindo me conter e soltei uma risadinha. Para minha surpresa, Erik também não resistiu e começou a rir junto.

— Obrigada novamente por hoje. — Agradeci, tentando esconder o sorriso.

— Não há o que agradecer Sky. — Respondeu, exibindo um sorriso encantador.

— Bom, escandalosa, você vai dormir aqui comigo e com Áries — Ivy apareceu de uma vez, me pegando de surpresa entrando em nosso campo de visão.

— Consegue ficar em pé agora? — Perguntou Erik, soltando-me com cuidado.

— Acho que sim. — Respondi, enquanto ele me liberava devagar.

— Olha só, aprendendo a andar novamente. Que graça alteza, jamais imaginei ver uma cena dessa. Em minha própria casa ainda. — Ivy comentou com um toque de sarcasmo. — Venha, eu te levo até a cama.

— Só não me derrube no chão, rosinha. — Avisei, brincando.

— De jeito nenhum, alteza — Ela respondeu com um sorriso travesso.

— Bom, eu já vou indo então. — Erik se despediu.

Ivy me acomodou na cama com extremo cuidado, ajustando os lençóis ao meu redor. Ao olhar para o teto, uma súbita tontura me acometeu, e um enjoo avassalador começou a tomar conta. A sensação era quase surreal, como se o ambiente estivesse girando em torno de mim. Eu mal percebi o momento em que Áries voltou ao quarto com um copo de água. A necessidade de descansar se sobrepôs a tudo, e logo a presença dos outros na sala se tornou um borrão. Quando finalmente fechei os olhos, o cansaço tomou conta de mim, e sem perceber, mergulhei em um sono profundo e reparador.

Acordei no meio da noite, com uma dor de cabeça pulsante que parecia interminável. Minha visão estava embaçada quando tentei focar na pequena janela ao lado da cama de Ivy. Ainda era noite. Ainda encarando a cama de Ivy percebi, com um misto de inquietação e cansaço, que ela não estava lá. Com um esforço considerável, levantei-me. O quarto parecia girar ao meu redor, e eu me desequilibrava a cada passo, quase derrubando algum objeto invisível no escuro. A escuridão ao redor era densa, quase tangível, o que dificultava ainda mais minha visão. Tentando fazer o mínimo de barulho possível para não acordar Áries, abri a porta com cuidado. Uma luz quente e suave filtrava-se pela abertura, guiando-me na direção da cozinha. Ao entrar, encontrei Magia de costas, em frente ao fogão a lenha. A luz fraca das velas quase no fim iluminava a cena, destacando o contorno de Magia.

— Sem sono, criança? — Perguntou Magia, me assustando com sua repentina voz, ainda de costas para mim concentrada em algo que estava fazendo.

— Ahm, Eu estou com dor de...

— Cabeça, eu sei. — interrompeu-me com um tom compreensivo concluindo o que eu iria falar. — Imaginei.

Magia virou-se para mim, segurando uma xícara com algo quente e vaporoso que flutuava suavemente no ar. Seus dedos se moviam com precisão, girando em sincronia com a colher que parecia ter vida própria. A colher girava e mexia o conteúdo da xícara de forma graciosa, enquanto um leve vapor subia.

— Opa! — Foi tudo o que consegui dizer, ainda um pouco atordoada.

— Você gostaria de um pouco? — Magia ofereceu, com um tom gentil.

— O que é isso? — Perguntei, enquanto me acomodava na mesa ao seu lado.

— É um chá de ervas bem quente. — Explicou, movimentando os dedos para trazer a xícara até mim. — Ivy e Lucious têm bastante guardado.

— Obrigada — Agradeci, aceitando a oferta com um sorriso.

Com essa enxaqueca infernal, qualquer coisa quente era uma bênção. O calor da xícara parecia prometer alívio, e eu acolhi a oferta com gratidão. Magia pegou sua própria xícara e se sentou à mesa comigo. O aroma reconfortante do chá se misturava ao vapor quente, oferecendo um breve alívio para a dor que pulsava em minha cabeça.

— O que você acha desses dois? — Inquiri, referindo-me a Ivy e Lucious.

— Eles parecem legais, mas lembre-se de que as aparências podem enganar. — Advertiu Magia, com um tom cauteloso. Sua resposta me deixou mais confusa do que de fato esperava.

— Você acha que não podemos confiar totalmente neles? — Insisti na minha pergunta, curiosa sobre a opinião dela.

— Não é que eu esteja dizendo que são más pessoas, mas é sempre bom manter um certo nível de vigilância. Eles podem parecer pessoas simples, mas nunca é demais estar atento a qualquer um. — Explicou. — Lembre-se de que estamos em uma busca implacável por uma pessoa que se quer sabemos quem é. Leonidas pode estar nos vigiando agora mesmo. Então seja inteligente criança. 

— Concordo com você. — Sussurrei sentido um leve arrepio depois de sua última frase, enquanto dava um gole no meu chá. — Hm! Isso está realmente bom.

— Vai ajudar a aliviar a dor de cabeça. — Comentou Magia, dando um gole no seu próprio chá.

Enquanto eu estava prestes a responder, ouvi risos vindo do lado de fora.

— Parece que não somos as únicas sem sono. — Observou Magia, um sorriso divertido nos lábios.

Levantei-me e, com cuidado para não derramar o chá, caminhei até a porta dos fundos. Ao abri-la, me encostei no batente e tentei ajustar meus olhos à escuridão. No silêncio da noite, comecei a distinguir as figuras de Ivy e Erik no meio do jardim. Eles estavam envolvidos em um animado duelo com armas, rindo e se divertindo. Erik estava segurando minha "estrela da manhã" com uma mão, enquanto na outra empunhava sua própria espada. Ivy, por sua vez, tinha apenas uma espada, mas sua habilidade e entusiasmo eram evidentes. Eles corriam pelo jardim, seus movimentos ágeis e suas risadas ecoando pelo ar fresco da noite. De repente, uma pontada estranha me atingiu no peito. Era uma mistura de emoções que eu não conseguia completamente decifrar. Uma sensação de inveja e saudade se sobrepôs aos meus sentimentos. Sentia uma certa inveja de Ivy, por estar compartilhando aqueles momentos descontraídos com Erik, e ao mesmo tempo, uma profunda saudade dos tempos em que éramos mais novos e, sem dúvida, mais próximos. Enquanto observava a cena, o calor do chá em minhas mãos parecia contrastar com a frieza da noite e com o turbilhão de sentimentos que me invadia.

— Segura o veneno e fecha a boca. Você está babando. — Disse Pétrus, surgindo por trás de mim.

— Céus! Você me assustou. — Respondi, em um sussurro.

— Você que me assustou com essa expressão no rosto. — Comentou Pétrus, sentando-se no degrau próximo à porta.

— Que expressão? — Indaguei, enquanto me sentava ao seu lado.

— A de garota apaixonada e com ciúmes. — Pétrus disparou observando-me com um olhar curioso.

— Ah, por favor Pétrus, não estou com ciúmes! — Retorqui, tentando manter a calma.

— Está sim. — Insistiu ele. — E, para ser sincero, eles até que combinam.

— Combinam?! Você realmente acha que eles combinam? — Perguntei, ansiosa demais para conter a curiosidade.

Pétrus sorriu, um sorriso enigmático e um pouco triste.

— Sim, infelizmente, para a sua tristeza. — Ele respondeu.

— O pior é que eu também acho. — Admiti, dando outro gole no chá, tentando encontrar consolo na bebida quente.

— Mas ele te ama. — Acrescentou inesperadamente.

A surpresa me fez engasgar com o chá. Olhei para ele, incrédula.

— O quê? Como pode saber de algo assim? Você mal conhece Erik. — Pétrus pegou a xícara da minha mão e bebeu.

— É lógico que sim. — Pétrus, lançou um olhar na direção dos dois.

— Veja o jeito como ele olha para ela. — Apontei com o braço na direção do casal.

— E observe como nós dois olhamos para você. — Comentou ele, em um tom baixo, enquanto fixava o olhar na xícara em suas mãos.

Fiquei em silêncio, encarando Pétrus. Ele contraiu o maxilar e, sem desviar o olhar, continuou a observar Erik e Ivy de longe. A atmosfera entre nós ficou tensa e carregada, preenchida apenas pelo som distante das risadas e conversas dos dois. De repente, um barulho repentino surgiu atrás de algumas árvores próximas, fazendo com que Erik e Ivy também se virassem, parando abruptamente com expressões assustadas. O som era indistinto, mas claramente havia algo ou alguém se movendo. Pétrus se levantou rapidamente, a postura rígida e alerta. Sem dizer uma palavra, ele caminhou em direção à árvore de onde o som parecia ter vindo. Eu, sentindo a necessidade de acompanhar o que estava acontecendo, levantei-me logo após ele e segui seus passos. 

— Então você vai até lá? — Perguntei, enquanto continuava seguindo Pétrus.

— Eu sei que você também quer ir. — Respondeu ele, sem desviar o olhar do caminho à frente.

— Achei que você estava dormindo. — Disse Ivy estarrecida, ao nos encontrarmos no meio do jardim.

— Sky? — Erik exclamou, surpreso ao me ver. — Pétrus?

— Brant? — Perguntei ao avistar a silhueta familiar atrás de uma das árvores, a voz carregada de reconhecimento e confusão.

— O quê? — Ivy perguntou, visivelmente intrigada.

— Quem? — Pétrus olhou para mim e depois para Erik, claramente confuso.

— Eu vou te matar. — Esbravejei com uma mistura de ódio e incredulidade, avançando em direção à árvore onde Brant estava se escondendo. Erik temendo o pior me segura firme me impedindo de dar mais um passo em direção ao Brant.

— Brant, nós já te vimos. Saia daí! — Erik ordenou, passando a mão nas têmporas, claramente sem paciência.

Com um movimento lento e cauteloso, Brant emergiu de trás da árvore, levantando as mãos em um gesto de rendição. Sua expressão era uma combinação de culpa e desesperada tentativa de explicação.

— Eu juro que posso explicar. — Sua voz era trêmula, enquanto saia de seu esconderijo, a postura desajeitada e a expressão nervosa revelando que ele sabia que estava em apuros.

Estamos de volta, com todos reunidos na sala da casa de Lucious e Ivy. Infelizmente, minha cabeça, que havia começado a melhorar, piorou novamente apenas ao ver o intrometido do Brant. O desconforto aumentou, tornando a situação ainda mais insuportável.

— O que você está fazendo aqui, Brant? — Vlad, declara com uma clara irritação na voz.

— Espera! Como você nos encontrou? — Áries interveio, com uma expressão de surpresa e desconfiança.

— Ele provavelmente estava nos seguindo o tempo todo. — Observou Klaus, com um tom de desdém.

— Quem é esse tal de Brant? — Lucious perguntou, claramente confuso com a situação.

— O que está acontecendo, afinal? — Ivy questionou, tentando entender a situação com um olhar preocupado.

Estou sentada no sofá, lutando para conter a chama interior que ameaça se liberar. Literalmente, sinto que se eu não me controlar, poderia incendiar toda a casa. Desde o dia em que descobri que possuo poderes de fogo, sempre fui cautelosa em usá-los, especialmente após o quase desastre com Erik. Nunca gostei de recorrer a esses poderes, prefiro a luta corpo a corpo, exibir minha força física sem depender dos meus privilégios elementares. Gosto de usar minhas armas, de sentir a força dos meus golpes sem a ajuda do fogo e, possivelmente, de outros poderes que ainda não descobri. No entanto, agora, com Brant na minha frente, a tentação de queimá-lo é quase irresistível. Ele está sentado na poltrona, sendo como sempre um símbolo de tudo o que me desagrada.

Erik está de pé, bloqueando minha visão direta de Brant. Seu corpo forma uma barreira entre nós, tentando acalmar a tempestade de emoções que está fervendo dentro de mim. A presença dele é a única coisa que me impede de agir por impulso, enquanto a raiva e o desejo de retaliar se acumulam como uma erupção prestes a explodir. A tensão é visível, e o fogo interior que eu esforço para manter sob controle parece pulsar em sintonia com minha respiração acelerada. Cada vez que olho para Brant, a vontade de usar meus poderes aumenta, mas a presença de Erik me lembra dos riscos e das consequências de deixar que o fogo se libere.

— Eu só quero ajudar vocês. — Brant finalmente declarou, sua voz carregada de uma mistura de urgência e desespero.

— Essa é uma missão séria, Brant. Sky não te convocou, e se ela não fez isso, é por uma razão! — Erik exclamou, perdendo a paciência. O tom de sua voz era um misto de fúria e agressividade.

— Eu sei, Erik... Comandante. — Brant corrigiu-se rapidamente, tentando manter a compostura. — Mas tenho informações que podem ser úteis e...

— Chega, Brant! — Vlad interrompeu com firmeza. — Nicolay saberá disso, e você pode acabar se prejudicando.

— Eu farei qualquer coisa para ajudar Sky. Eu só...

— Brant, você não está entendendo. Não é para você ficar aqui, muito menos acompanhar a gente. O futuro de toda Sky depende disto e se acha que está ajudando, sinto em dizer que só está prejudicando. — Áries tentou explicar, sua voz soando tanto cansada quanto exasperada.

— Sky, eu...

Brant se levantou, dirigindo-se em minha direção com uma expressão exasperada.

— Não! — Erik gritou, avançando para empurrar Brant para longe de mim. — Quer morrer? Se não, mantenha-se afastado!

Brant, visivelmente abalado, se sentou novamente na poltrona, o olhar de frustração e tristeza visível em seu rosto.

— Poxa, gente, deixem o... o... Brant ir. Ele é um de vocês. — Ivy disse, sentindo pena de Brant e tentando suavizar a tensão.

— Sky, você sabe que eu posso te ajudar. Eu prometo que só quero ajudar. — Brant implorou, sua voz cheia de súplica enquanto tentava fazer valer seu desejo de contribuir.

— Você quer ajudar, Brant? — Perguntei quebrando o meu silêncio pela primeira vez.

— Quero, vossa alteza. — Respondeu ele, com firmeza na voz.

— Então ouça bem. — Continuei, mantendo um tom severo. — Se você se aproximar de mim ou sequer tentar me olhar, vou ordenar a Vlad que arranque seus braços e a Klaus que corte suas pernas.

Falei com uma seriedade implacável, deixando claro que não havia espaço para qualquer desobediência. Ivy e Lucious trocaram olhares de leve apreensão, claramente intimidados pela minha firmeza. Não me importava com a impressão que estava causando; o que realmente importava era garantir que Brant não comprometesse nossa missão. A busca pela flecha de ouro e a localização de Leonidas são questões extremamente importantes para mim. Não posso permitir que tudo isso vá por água abaixo por causa de um imprevisto causado por ele. Meu foco está totalmente voltado para isso, é o objetivo da minha vida inteira, e a responsabilidade que carrego é grande demais para ser prejudicada por alguém que não consegue entender a seriedade da situação. 

— Vamos dormir, já está na hora e não teremos muito tempo mais para descansar. — Ordenei, levantando-me, mas continuando atrás de Erik.

— Lucious, você pode arranjar um lugar para o Brant, por gentileza? — Erik perguntou, dirigindo-se a Lucious.

— Claro! — Levou Brant para dentro da casa.

Erik se virou para mim, o aborrecimento visível em seus olhos. Ele me observ atentamente, seus olhos questionando se eu estava bem. Eu simplesmente balancei a cabeça em um sinal de que sim.

— Que cena. — Comentou Pétrus, notando a atmosfera pesada.

— Isso já virou uma caravana. Vamos acabar chamando atenção demais com tanta gente. — Eu disse por fim, jogando meu cabelo para tentar me acalmar, embora não tenha ajudado muito.

— Sky tem razão. Devíamos ser mais discretos. — Vlad concordou, ajudando a reforçar o ponto.

— Vamos encontrar uma solução, eu prometo. Mas hoje já foi um dia cheio, ninguém está com cabeça para raciocinar. — Erik disse, tentando organizar todos. — Vamos nos mover.

Sentindo o peso da exaustão, todos nós fomos para nossos quartos em busca de um cochilo, já que uma noite de sono parecia fora de alcance.

— Você está bem? — Erik me parou na porta do quarto de Ivy, enquanto os meninos já haviam saído e as meninas entravam.

— Estou ótima. — Menti, forçando um sorriso.

— Sei. — Ele levantou uma sobrancelha, demonstrando ceticismo. — Bem, boa noite. Durma bem.

Erik segurou meu rosto com um cuidado inesperado, suas mãos reconfortantes repousando suavemente nas minhas. Ele encostou a testa na minha, sua respiração quente e lenta criando uma sensação de calma que contrastava com o estresse do dia. Seus olhos encontraram os meus com uma sinceridade silenciosa, e eu senti uma onda de conforto ao sentir o calor de seu toque. Com um gesto suave, ele beijou minha testa, o contato de seus lábios sendo um alívio gentil. Em seguida, sua boca se moveu lentamente até a minha, e ele me deu um beijo doce e terno, que carregava uma mistura de preocupação e carinho. O beijo foi breve, mas cheio de significado, um consolo silencioso em meio à confusão.

— Boa noite. — Murmurei, minha voz suave e cheia de gratidão.

Com um último olhar, entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim. O alívio físico de finalmente poder repousar. Afastei os cobertores, me deitei na cama e fechei os olhos, permitindo que a exaustão do dia tomasse conta de mim. A sensação do colchão contra meu corpo era um alívio bem-vindo, e eu me permiti relaxar, mesmo que por um breve momento, antes que o sono finalmente me envolvesse.

                                                                             ...

— Estão todos prontos? — perguntei, fazendo uma última verificação em tudo.

Acordamos duas horas depois de nos deitarmos, e, embora o descanso tenha sido curto, o cansaço me pesava mais do que o habitual. Apesar de me sentir exausta, mantive uma fachada de força e determinação; como líder, era crucial que eu mostrasse resistência, mesmo que internamente estivesse esgotada. Além disso, tivemos que arranjar cavalos extras para os irmãos e para Brant, o que adicionou um atraso inesperado ao nosso plano. O processo de encontrar e preparar os animais foi demorado e exigente, e cada minuto perdido parecia pesar ainda mais sobre meus ombros. Enquanto organizava tudo e dava as últimas instruções, cada detalhe parecia amplificado pelo cansaço. A sensação de responsabilidade era esmagadora, mas eu sabia que precisava seguir em frente, mantendo a confiança e a calma para todos.

— Está tudo pronto, Sky. — Erik confirmou, seu tom de voz transmitindo confiança.

— Você está bem? — Perguntou Áries reparando em meu olhar, me envolvendo em um abraço reconfortante. Eu sorri, sentindo o calor da amizade.

— Estou ótima, Al, especialmente porque você está aqui comigo. — Disse, elogiando-a.

— Claro, o que seria de você sem mim, hein? Nada, meu amor. Nada mesmo! — Respondeu Áries, com um tom brincalhão que me fez rir.

Seu riso se juntou ao meu, e uma sensação de leveza tomou conta de mim.

— Posso saber do que as belas moças estão rindo? — Pétrus perguntou, curioso.

— Não! — Respondemos em uníssono, afastando-nos dele e continuando a rir, nossa alegria um alívio bem-vindo antes de começarmos o dia.

Arrumamos tudo o que havia para ser arrumado e partimos em direção a Treeland. Desde o início da jornada, ficou claro que a viagem seria mais cansativa do que eu havia imaginado. A cada quilômetro percorrido, o desgaste se acumulava, e eu não conseguia afastar a saudade do meu pai. Mal havíamos saído do palácio, e eu já desejava voltar, mas sabia que precisava seguir em frente, não apenas por ele, mas também por minha mãe e por meu povo, que havia sofrido com os ataques inesperados de Leonidas. As horas se arrastavam enquanto continuávamos nossa marcha, e a situação só piorava com as constantes reclamações de Brant e Lucious. O barulho incessante de suas queixas sobre o desconforto da viagem parecia amplificar o cansaço que eu já sentia.

Com uma expressão carregada, lancei um olhar ameaçador para Brant, que parecia entender a mensagem e interrompeu momentaneamente sua lamúria. No entanto, não demorou muito para que ele voltasse a se queixar, sua voz penetrante e incessante contribuindo ainda mais para a sensação de exaustão que dominava meu corpo e mente. Cada reclamação era como uma agulha a mais em um balde já cheio, e eu lutava para manter a compostura enquanto tentava ignorar os protestos dos dois. O sol estava alto no céu, e a sensação de distância percorrida parecia se estender infinitamente, tornando cada passo mais pesado e a cada minuto mais longo.

— Se vocês não calarem a boca agora, amarrarei vocês a uma árvore qualquer e os deixarei ao léu! E não estou brincando. Estamos entendidos?! — Erik gritou, sua voz ecoando com uma autoridade inquestionável.

A ameaça de Erik causou um momento de silêncio instantâneo, e todos nós caímos na risada, exceto os dois reclamões, que ainda permaneciam com expressões carrancudas e surpresas. Lucious, especialmente, parecia estar em choque, o rosto pálido enquanto tentava processar o que acabara de acontecer.

— Obrigada, Erik. Sua intervenção foi exatamente o que precisávamos para silenciá-los. — Eu agradeci, ainda rindo ao ver o rosto assustado de Lucious.

— Eu faria isso, mas já teria lançado uma pedra neles e não quero ter que recorrer a isso. — Vlad comentou, rindo junto e adicionando uma leveza à situação.

Com a bronca de Erik servindo como um alívio para o ambiente tenso, voltamos a caminhar. Pétrus, à frente, liderava o caminho, mas seu semblante indicava que ainda teríamos um longo percurso pela frente. A expressão dele parecia refletir a dificuldade da trilha, e o cansaço acumulado dos dias anteriores começava a pesar nele também, por mais que ele odiasse admitir.

— Deixe-o em paz Nicolay. Eu posso explicar. — Mamãe desceu do cavalo quase caindo ao chão.

"Mas o que é isso?"

— Sabe o que é isso Meredith? — Papai perguntou.

Não consigo entender o que está acontecendo, mas vejo claramente que meu pai está segurando um garoto nos braços, enquanto sua espada é pressionada contra o pescoço dele. 

— Solte-o Nicolay a culpa é minha não... Não faça nada com ele. — Olho para mamãe e ela está implorando com um olhar desesperado.

— Traição Meredith o nome disso é traição! — Disse papai afundando a espada lentamente no pescoço do garoto.

— Eu já disse Nicolay a culpa é minha ele não sabe quem eu sou... — Tentou impedir.

— Sim Meredith a culpa é sua mas me diga, aonde estava indo? — Perguntou.

— Para casa. — Sussurrou.

Em um movimento abrupto e preciso, papai deslizou a lâmina pela garganta do garoto, separando sua cabeça do corpo em um ato brutal e implacável. A cena diante de mim é horrível e devastadora, uma visão que me paralisa de medo e choque. Meu olhar está fixo em meu pai, incapaz de desviar. O que ele fez é incompreensível, e o fato de que ele não demonstra nenhum remorso é ainda mais perturbador. Seu rosto, impassível e frio, não revela a menor sombra de emoção, como se a vida do garoto não significasse nada para ele. Sua expressão é uma máscara de indiferença, e eu consigo sentir o peso da ausência de qualquer sentimento ou arrependimento. Enquanto observo seu olhar distante e vazio, uma revelação assombrosa surge em minha mente. Vejo que Nicolay Madark, o nome que carrego, é uma extensão de quem meu pai era em sua juventude. Toda a força e crueldade que ele demonstra agora são um reflexo do que um dia ele foi, e, de certa forma, isso está em mim também. Meus traços físicos podem ser semelhantes aos de minha mãe, mas tudo o que realmente sou, minhas habilidades e atitudes, vêm de meu pai. A realidade é dolorosa. "Como posso ser tão parecida com ele?", me pergunto, enquanto sinto uma onda de auto repulsão e confusão. Papai mudou ao longo dos anos; o homem que ele se tornou não é o mesmo que vejo agora, mas o fato é que ainda carrego a essência de quem ele era quando jovem. Nicolay cresceu e, de alguma forma, eu também preciso crescer.

— Você é louco! — Me assustei com o grito de minha mãe.

— Sky! — A voz desesperada me chamou de volta à realidade.

Suspirei profundamente, tentando dissipar a névoa do pesadelo. Abri os olhos rapidamente e percebi que estava no chão, com todos ao meu redor, claramente preocupados. Não conseguia entender o que havia acontecido para me encontrar assim.

— O que aconteceu com você? — Perguntou Ivy, sua voz carregada de confusão.

— Eu não sei. — Respondi, colocando a mão na cabeça enquanto tentava recuperar a compostura. — Acho que tive uma lembrança.

— Lembrança? — Brant praticamente gritou, sua voz alta e alarmada, ecoando a surpresa de todos.

Áries, Vlad, Klaus e eu direcionamos nossos olhares para Magia, que estava de pé atrás de todos, observando a cena com uma expressão de "Eu te avisei, criança tola!"

— Efeitos colaterais. — Magia não precisou ouvir nenhuma pergunta a respeito do que acabara de acontecer. Ela sabia bem e as palavras saíram do meu olhar. Sua resposta saiu com uma calma que só aumentava a minha inquietação.

— Vai piorar, não vai? — Perguntei, com receio, mas pronta para encarar a verdade.

— Infelizmente, sim. — Ela confirmou, sua sinceridade apenas intensificando minha ansiedade.

Erik lançou um olhar atento para Magia, tentando entender o que estava acontecendo, e depois voltou a olhar para mim com uma expressão de perturbação. Sem conseguir lidar com a intensidade da situação, me joguei no chão e escondi o rosto com as mãos. Sabia que agora só me restava suportar as consequências e enfrentar o que estava por vir.

— Efeitos colaterais? — Erik perguntou, sua voz cheia de confusão.

— Sim, Erik, efeitos colaterais. — Respondi, ainda com o rosto escondido nas mãos.

— Mas o que é isso? — Ivy perguntou, evidentemente sem saber exatamente o que estava acontecendo. Seus questionamentos estavam começando a me irritar.

— Ah, apenas mexi com magia e feitiços, querida. — Expliquei, levantando-me lentamente e sustentando meu corpo com os cotovelos.

— Você mexeu com magia e feitiço? — Erik exclamou, os olhos arregalados em surpresa.

— Sim, mexi. — Confirmei, dando de ombros.

— Mas por quê? — Erik parecia não conseguir entender.

— Porque era necessário! — Fiquei de pé, tentando manter a calma. — Já estou melhor agora. Precisamos seguir em frente. Não brinquei com magia em vão.

— Eu já mencionei que estou apaixonado por ela, não é? — Pétrus apontou para mim com um sorriso revelador.

— Vamos, Pétrus! — Chamei, pedindo para que ele nos guiasse.

— Subam a bordo! — Pétrus ordenou. — Como somos muitos, teremos que dividir em dois barcos.

— Para onde estamos indo? — Brant perguntou, ainda um pouco confuso.

— Para Treeland, idiota. — Vlad respondeu com impaciência, claramente frustrado.

— Eu sei que estamos indo para Treeland em Aksum, mas tem certeza de que é por aqui? — Brant apontou para a entrada da caverna à nossa frente, visivelmente incerto.

Depois de cavalgarmos por horas através de uma vasta floresta, chegamos em uma formação rochosa que Pétrus identifica como Selena. Esta pedra colossal, coberta de musgo e vinhas antigas, exala uma aura de mistério e antiguidade. No coração da pedra há uma entrada de caverna, quase oculta pelas trepadeiras que se entrelaçam ao redor. A entrada é uma fenda estreita, apenas o suficiente para que uma pessoa passe de cada vez, obrigando-nos a desmontar dos cavalos. Ao nos aproximarmos, um frescor úmido nos envolve, carregado com o cheiro terroso de pedra molhada e vegetação em decomposição. No interior, a caverna se revela um labirinto de passagens sinuosas e câmaras escuras. Estalactites e estalagmites criam formas fantasmagóricas à luz trêmula da única lamparina que temos para iluminar o lugar. O som de água pingando ecoa suavemente, criando uma trilha sonora constante que mistura serenidade e inquietude.

Pétrus, com seu conhecimento da região, nos guia com confiança, suas instruções ecoando nas paredes de pedra. Nosso caminho é dificultado por trechos estreitos e declives íngremes, exigindo cuidado e precisão para não escorregarmos nas pedras úmidas. Depois de horas de travessia pelo interior da caverna, finalmente chegamos a uma vasta câmara subterrânea. O ar úmido e a escuridão envolvente são quebrados por um suave brilho azulado que emana de um rio de águas cristalinas que surge de uma fenda na parede rochosa. A água flui serenamente, refletindo a luz de pequenas pedras luminescentes espalhadas pelo leito do rio, criando um espetáculo de brilho e cor. A câmara é alta e espaçosa, com estalactites pendendo do teto como garras de cristal e estalagmites subindo do chão como sentinelas petrificadas. A luz dançante do rio lança sombras móveis nas paredes, dando vida às antigas gravações e hieróglifos que adornam as pedras. À medida que avançamos, o som suave da água corrente cria uma melodia tranquila, ecoando nas profundezas da caverna. Na margem do rio, dois barcos de madeira repousam, cada um equipado com remos esculpidos com intricados desenhos. Os barcos parecem feitos para acomodar quatro ou cinco pessoas cada, suas superfícies suavemente polidas refletindo a luz etérea do rio. Amarrados a estacas cravadas na margem, os barcos aguardam pacientemente, balançando levemente com o movimento da água.

— Só entrem no barco e me sigam. — Pétrus revirou os olhos, claramente sem paciência.

— Eu vou no barco de trás. Se acontecer alguma coisa, os da frente morrem primeiro. — Áries disparou em direção ao barco de trás.

— Vamos seguir a lógica de Áries. — Disse Vlad, referindo-se a si mesmo e ao irmão. — Boa viagem aí na frente.

— Covardes. — Comentei, provocando.

— O quê? — Klaus cruzou os braços, desafiador.

— Você ouviu, caro primo. — Mandei beijos para ele, rindo.

Ao passar por mim, Pétrus segurou minha cintura firmemente e sussurrou em meu ouvido:

— Você vai adorar passar por aqui. — Sussurrou, com um sorriso travesso.

Olhei para trás, afastando sua mão de minha cintura, e senti um cheiro diferente vindo dele.

— Isso é hortelã? — Perguntei, apontando para sua boca.

— É. Quer experimentar? — Ele se inclinou mais perto, com um sorriso provocante.

— Não! — Recuei rapidamente. — Sou alérgica a hortelã.

— Que pena. — Lamentou, com um tom de desapontamento teatral.

— Erik, você...

— Erik, posso ir com você? — Fui interrompida por Ivy, que se aproximou com um olhar ansioso.

— Claro. — Respondeu Erik, todo sorridente.

— Mas que merda é essa aqui? — Exclamei para mim mesma.

Erik, com um sorriso de orelha a orelha, ajuda Ivy a descer cuidadosamente da escadinha de corda. Ele parecia encantado com a situação, oferecendo a mão para Ivy enquanto ela equilibrava-se no último degrau. O barco, já na água, balançava suavemente em frente à entrada da caverna, esperando por nós. Erik, sempre prestativo, segura Ivy pela cintura enquanto ela se acomodava no barco. Ele mantinha o olhar fixo nela, claramente contente com a oportunidade de estar próximo. Ivy, por sua vez, parecia grata pela ajuda, sorrindo timidamente enquanto se sentava no banco de madeira polida.

— Minha princesa? — Pétrus surgiu diante de mim, tomando conta da minha visão. — Venha, deixe-me ajudar você.

Sério isso? Pétrus? Enquanto ela fica com Erik, eu fico com Pétrus? Será que este é um dos castigos que receberei por ter mexido nas lembranças de meu pai? Provavelmente. Pétrus se aproximou, tomando minhas mãos com firmeza, e comecei a descer os degraus da escadinha. Seus toques eram seguros e confiantes, me guiando a cada passo. Quando alcancei os últimos degraus, ele deslizou suas mãos para minha cintura, levantando-me com facilidade e me colocando diretamente no barco. Ao me colocar no chão, parei bem na sua frente. Pétrus ainda segurava minha cintura, nossos corpos próximos demais. A proximidade era desconcertante, e pude sentir a leveza da respiração dele contra minha pele. Levantei o olhar e encontrei seus olhos castanhos, profundos e hipnotizantes. Eles eram lindos, cheios de uma intensidade que me fez perder o fôlego por um momento.

— Hm, está faltando mais alguém? — Me virei bruscamente, tentando sair do transe.

— Estão todos a bordo! — Gritou Áries de seu barco, sua voz ecoando pela caverna.

Áries, Klaus, Lucious, Brant e Vlad se acomodaram no segundo barco, enquanto eu, Pétrus, Erik, Ivy e Magia ocupamos o primeiro. Pétrus e eu nos sentamos na frente, lado a lado. Atrás de nós, Ivy se posicionou ao lado de Erik, com Magia sentada logo depois. O som suave dos remos entrando na água e o murmúrio constante do rio enchiam o ar enquanto nos preparávamos para partir. A luz suave das pedras luminescentes refletia nos rostos de todos, criando um ambiente etéreo

— Já disse para fechar a boca, minha linda. Está babando novamente. — Pétrus debochou de mim, lançando um olhar zombeteiro.

— Minha linda? — Estranhei, franzindo a testa.

— Está pronta? — Ele perguntou, com um olhar travesso que indicava que estava prestes a aprontar alguma coisa.

— Pronta para quê? — Perguntei, tentando disfarçar minha curiosidade e um pouco de apreensão.

Pétrus começou a remar, e logo o barco deslizou para dentro da caverna. À medida que avançávamos, a escuridão ao nosso redor parecia engolir tudo. O ambiente se tornava cada vez mais sombrio, e a luz das pedras luminescentes começava a desaparecer gradualmente. Não conseguíamos enxergar absolutamente nada além das sombras que se estendiam à nossa volta, criando um vazio profundo e imersivo. O som constante do remo cortando a água era o único guia no meio daquela escuridão densa. A atmosfera era ao mesmo tempo misteriosa e intimidante, aumentando a sensação de que estávamos nos afastando cada vez mais do mundo conhecido, mergulhando em um desconhecido absoluto.

— Jura? — Perguntei, decepcionada. — Era para eu me preparar para ficar no escuro? Pétrus, você acha que tenho medo do escuro?

— Pelos deuses! — Exclamou Magia, claramente frustrada.

— Shhh! — Pétrus fez um gesto de silêncio para mim.

— Não faça "Shhh" para mim! — Desafiei-o, cruzando os braços.

— Sky, cale a boca! — Pétrus quase gritou, sua voz carregada de tensão. — Olhe para a água.

— O quê? Pra quê? — Questionei, ainda confusa.

— Ai, é sério isso? — Ivy reclamou, claramente incomodada com a nossa discussão.

— Sky, olhe para a água. — Pétrus sussurrou em meu ouvido, sua proximidade fazendo com que eu me arrependesse. O tom quase íntimo do sussurro fez um arrepio percorrer minha espinha.

Sem responder, me curvei um pouco sobre o barco e olhei para a água que estava escura e opaca, quase impossível de enxergar. Depois de alguns segundos, percebi um brilho azul surgindo das profundezas. Era um pequeno ponto de luz, mas conforme se aproximava, seu tamanho aumentava e a intensidade do brilho também. O que eu via era uma esfera azul, emitindo uma luz suave que iluminava um pouco a escuridão envolvente da caverna. À medida que a esfera se aproximava, pude distinguir mais detalhes; sua luz era radiante e vibrante, contrastando com a penumbra ao redor.

Olhei para os lados e notei que mais esferas apareciam. Primeiro, duas, depois quatro, e logo eram tantas que não conseguia contar. Cada uma dessas esferas brilhantes parecia ter vida própria, flutuando graciosamente na água e criando um espetáculo deslumbrante. A visão era simplesmente hipnotizante, um balé de luz azul em um cenário que antes era só escuridão. O ambiente ao nosso redor transformou-se completamente. A caverna, que antes era um lugar sombrio e opressivo, agora estava repleta de uma beleza inconfundível. As criaturas luminosas iluminavam a água e a caverna com uma luz mágica, revelando detalhes que antes estavam escondidos na escuridão.

Vi Áries se curvar do seu barco, igualmente fascinada, e Ivy fez o mesmo ao meu lado. Todas nós estávamos encantadas, os olhos arregalados em admiração. Era um espetáculo de luz e cor que parecia ter saído de um sonho, uma visão tão esplêndida e maravilhosa que superava qualquer coisa que já havíamos visto. A beleza das criaturas iluminando a caverna transformou o ambiente sombrio em um lugar de maravilhas.

— Pétrus. — Olhei para ele, com a voz quase um sussurro, tamanha era a minha admiração.

Ele sorriu para mim, e eu retribuí o sorriso antes de voltar meu olhar para a água. As pequenas criaturas azuis flutuavam ao redor do nosso barco, acompanhando-nos como se estivessem guiando o caminho. Encantada pela beleza da cena, apoiei um dos meus braços na lateral do barco e me deitei, mergulhando em um estado de completa admiração. Com a outra mão, toquei a água, sentindo a sua suavidade e a leveza das pequenas criaturas brilhantes que passavam por mim, iluminando a caverna com sua luz mágica.

— O que é isso? Criaturas místicas? — Perguntou Ivy, claramente impressionada.

— Não. — Pétrus respondeu, agora concentrado em remar para seguir o caminho certo.

— Então o que são? — Perguntei, olhando para ele.

— São apenas peixes. — Pétrus disse, com um tom casual.

Não consegui evitar uma risada baixinha.

— É incrível! — Exclamou Erik, com um brilho de admiração nos olhos.

— Lindo. — Magia murmurou, parecendo hipnotizada pela visão.

— Ei! — Gritou Klaus, levantando-se no seu barco e balançando os braços animadamente. — Isso é bizarro! — Ele riu de forma contagiante, quase pulando na água de tanta empolgação.

Ficamos tão fascinados com os peixes luminosos que nem percebemos quando chegamos à terra firme. Ao desembarcarmos do barco, fomos recebidos por uma escuridão densa, agora que as criaturas brilhantes haviam desaparecido.

— Quer se impressionar ainda mais? — Perguntou Pétrus, com um sorriso desafiador.

— Duvido que consiga. — Cruzei os braços, pronta para testar suas promessas.

— Por que Sky não ilumina a caverna com suas chamas? — Sugeriu Brant, achando que tinha dado uma ideia brilhante.

— Porque não teria graça nenhuma. — Pétrus respondeu, bufando de desdém.

— Graça para o quê? — Lucious perguntou, curioso.

— Para Isso. 

Pétrus assoprou nas paredes da caverna e, imediatamente, uma série de luzes brilhou ao longo das rochas. As luzes eram azuis, semelhantes às dos peixes luminosos que havíamos visto, mas agora eram pedras incrustadas nas paredes da caverna. Cada pedra emitia um brilho suave, criando uma tapeçaria de luzes cintilantes que iluminavam o ambiente com uma beleza encantadora. Entre as pedras azuis, havia também pequenas pedras brilhantes em tons de roxo e rosa, que adicionavam um contraste vibrante. Essas pedras coloridas piscavam suavemente, criando uma paleta de cores que dançava e refletia nas paredes úmidas da caverna. O efeito era mágico e quase surreal, transformando a escuridão envolvente em um espetáculo de luz e cor. O ambiente ganhou vida com essas luzes, criando uma atmosfera encantada que fazia parecer que estávamos dentro de um lugar de outro mundo.

— Que loucura. — Vlad caminha pelo local, visivelmente desorientado pela beleza estonteante ao seu redor.

— Céus! — Áries exclama, seus olhos fixos para cima, maravilhada com o espetáculo de luzes que se desenrolava acima dela.

Todos se espalharam para admirar a beleza que nunca haviam visto antes, cada um absorvendo o encantamento do ambiente de forma única. Até mesmo Magia estava com a boca aberta, visivelmente encantada. Eu, movida pela curiosidade, avistei uma entrada no canto de uma das paredes da caverna e decidi explorar um pouco mais. Ao entrar, fiquei maravilhada com o que encontrei: uma enorme parede de cristal que parecia ser feita de gelo. O gelo era tão transparente que, à medida que me aproximava, podia ver através dele como se fosse um enorme aquário. Dentro da parede de gelo estava cheia d'água, e flutuava uma mulher, imersa em um estado de meditação. Seus olhos estavam fechados e ela parecia estar em um profundo transe, como se estivesse em uma espécie de sono eterno. O reflexo dela dentro do gelo criava um efeito hipnotizante, e eu me movia com cuidado para não perturbar o que parecia ser um momento sagrado. A sensação de atração que eu sentia era quase sobrenatural, como se uma força invisível estivesse me puxando em direção a ela, semelhante ao canto sedutor de uma sereia. Caminhei devagar, meus passos quase silenciosos, até me posicionar diretamente em frente à colossal parede de gelo. Meu pescoço doía de tanto olhar para cima, tamanha era a dimensão da parede e a presença imponente da figura flutuante. O ambiente ao redor estava envolto em um silêncio profundo, interrompido apenas pelo suave som da água dentro do gelo. 

— Sky... Sky... Sky... — Uma voz sussurrou, ecoando suavemente pelo espaço.

Eu não tinha certeza se era a mulher dentro do gelo que me chamava, já que ela permanecia com os olhos fechados e a boca imóvel. Sou se finalmente havia enlouquecido de vez.

— Me tire daqui. — A voz sussurrou novamente, um tom urgente e implorante.

De repente, os olhos da mulher se abriram. Saltei de susto, dando um pulo para trás. Seus olhos brilharam com uma intensidade que parecia atravessar o gelo, fixando-se em mim, um olhar profundo e penetrante. Mesmo sem mover os lábios, a expressão dela transmitia claramente o desejo de se comunicar.

— Me tire daqui, e eu lhe recompensarei. — A voz soou novamente, e eu sabia, pelo olhar intenso, que a comunicação vinha diretamente dela.

Me aproximei da parede de gelo, completamente hipnotizada pela visão. O frio do cristal gelado se sentia agudo contra a minha pele, e eu estava absorta na sua sublimidade. Sem pensar muito, comecei a bater minhas unhas contra o gelo, contando os toques em silêncio. Um, dois, três... o gelo começou a rachar, mas não o suficiente para libertá-la. Afastando-me, lembrei da minha estrela da manhã e a peguei com determinação. Com um impulso fervoroso, comecei a golpear a parede de gelo com força. Uma, duas, três vezes. Meu coração batendo acelerado em sintonia com cada impacto. "Quebre logo!" pensei, consumida pelo desejo de libertá-la. Não conseguia entender por que estava fazendo isso, mas a urgência em tirar a mulher dali era notável. Continuei a bater com a estrela da manhã, golpeando o gelo com força crescente. Quatro, cinco, seis vezes... A frustração crescia à medida que o gelo não se quebrava. 

Recuando para ganhar impulso, corri com toda a força e bati ainda mais forte. O gelo resistia, e a falta de paciência tomou conta de mim. Desesperada, larguei minha estrela da manhã no chão e fechei meu punho. Com um grito abafado de determinação, soco o gelo com toda a força que eu tinha. Finalmente, o cristal cedeu, se despedaçando em grandes fragmentos. A água gelada jorrou em todas as direções, e a mulher foi lançada para fora do seu confinamento. Enquanto a água se acalmava e os estilhaços do gelo se dispersavam pelo chão, eu me vi sem saber como ajudar. Tentei me aproximar, mas a mulher começou a se levantar. A cena era caótica, com fragmentos de gelo espalhados e água escorrendo pelo chão da caverna. A mulher se ergueu lentamente, e, apesar do meu impulso inicial para ajudar, fiquei paralisada por um momento, observando-a com um misto de alívio e apreensão.

— Você me libertou. — Ela sussurra, sua voz fraca carregada de gratidão

Apesar da sua voz fraca, a mulher exibia uma força surpreendente, quase como se o tempo dentro do aquário de gelo não tivesse diminuído sua vitalidade. Sua presença era marcante e peculiar. Devido ao longo período em que esteve submersa, sua pele e seus cabelos adquiriram uma clareza absurda. Ela era branca como a neve, com uma palidez que parecia ir além do natural, conferindo-lhe uma aparência que era ao mesmo tempo delicada e impressionante. Sua pele, translúcida e cintilante, refletia a luz suave da caverna, enquanto seus cabelos, que eram quase prateados, caíam em ondas suaves ao redor de seu rosto. Embora sua palidez fosse extrema, havia uma beleza inegável em sua aparência, uma combinação de pureza e mistério que a fazia parecer a mais sublime criação de toda a existência. Seu olhar, apesar de ainda carregado de cansaço, irradiava uma aura de majestade e encanto que a destacava em meio ao ambiente da caverna, transformando-a em uma visão de beleza incomparável e quase sobrenatural.

— Quem é você? — Indaguei, sem piscar, absorvendo cada detalhe daquela figura impressionante.

— Eu sou Selena. — Respondeu com uma voz suave, a serenidade de suas palavras refletida em seu olhar.

— Selena? — Repeti, tentando processar o nome que agora ecoava na minha mente.

— Você me ajudou. Deixe-me também ajudar você. — Selena estendeu as mãos em minha direção, oferecendo um gesto de compromisso.

Eu hesitei por um momento, o medo e a incerteza congelando meu movimento. Mas, ao encarar a expressão serena de Selena, cedi e estendi minhas mãos para as dela. Assim que nossos dedos se tocaram, uma dor aguda atravessou meu peito, como se algo invisível estivesse se desdobrando dentro de mim. Lembranças fragmentadas começaram a surgir, envolvendo-me em um turbilhão de imagens e sensações. As memórias de eventos passados, algumas alegres, outras dolorosas, se atropelavam, criando uma tempestade de emoções que me consumia. A dor era intensa, uma pressão crescente que parecia querer me esmagar.

Não consegui conter o grito que irrompeu da minha garganta, um som desesperado e primal que ressoou na caverna com uma força brutal. O eco do meu grito reverberou pelas paredes, e, pelo canto do olho, vi uma movimentação na entrada da caverna. Meus companheiros surgiram na entrada da passagem misteriosa, seus rostos contorcidos de preocupação e desespero ao ouvirem meu grito angustiado. A imagem deles, suas expressões de apreensão e pressa, parecia distante e borrada enquanto eu lutava contra a enxurrada de memórias e a dor que parecia dominar todo o meu ser. A sensação de estar sendo puxada para uma profundidade emocional sem fim era esmagadora, e eu me sentia à beira do desespero.

— Sky! — Eu ouço Erik gritar, seu desespero evidente na voz.

— Não, Erik! Não! Deixe-a. — Pétrus rapidamente se interpõe, segurando Erik firmemente para impedi-lo de se aproximar.

A dor em meu peito se intensifica, como se o peso do mundo estivesse se acumulando sobre mim. É uma sensação esmagadora, uma pressão brutal que parece querer me destruir por dentro. Lembranças devastadoras inundam minha mente, uma após a outra: A morte de minha mãe, um vazio insuportável que ecoa até hoje. As noites em que vi papai chorar em segredo, a angústia e a impotência me consumindo. O dia fatídico em que quase matei Erik, uma ferida que nunca se cicatrizou completamente. O quadro que Thomas fez para mim, uma lembrança de cuidado e saudade que agora parece distante. Todas as pessoas que tentaram me matar, cada tentativa de violência que marcou minha jornada. Leonidas, com sua crueldade implacável. A morte de Cat, uma perda que ainda me assombra. Ver Erik e Ivy juntos, um golpe inesperado e doloroso para meu coração. Cada uma dessas memórias ressurge com uma intensidade cruel, fazendo meu peito arder com uma dor lancinante. Fecho os olhos, lutando para escapar do turbilhão emocional, e deixo-me cair de joelhos no chão. O peso da dor é tão grande que minhas pernas não conseguem mais sustentar meu corpo. Selena, permanecendo firme, não solta minhas mãos em hipótese alguma, sua presença constante e sólida em meio ao caos.

— PARE, SELENA! ESTÁ DOENDO! PARE, POR FAVOR! — Eu imploro, minha voz cheia de desespero e angústia.

— Deixe sair tudo o que está dentro de você, filha. Solte toda a dor da perda de sua mãe. Solte os sentimentos que você aprisiona há tanto tempo. — Selena responde com uma voz suave e reconfortante, suas palavras como um bálsamo gentil em meio ao turbilhão.

Não consigo parar de chorar. Cada lágrima que escorre é um lamento das mágoas que guardei por tanto tempo. Todas as dores, todos os sentimentos reprimidos, todos os momentos em que segurei minhas lágrimas estão se libertando agora. É a dor mais intensa que já experimentei, uma agonia que não parece ter fim. A cada vez que penso que o sofrimento está diminuindo, uma nova onda de dor me atinge, e as lágrimas continuam a fluir sem cessar.

Enquanto choro, olho levemente ao redor sem mover muito a cabeça, tentando absorver as cenas. Áries está abraçada a Klaus, visivelmente assustada e tremendo. Vlad aparentemente agoniado com minha situação se apega firmemente aos ombros do irmão. Magia está com uma expressão de concentração, seus lábios se movendo em um murmúrio de palavras que soam como uma prece. Brant, com uma expressão impassível, observa sem demonstrar emoção. Erik, segurado por Ivy e Pétrus, luta para se aproximar, mas é contido por eles. Mais uma pontada de dor me atinge, e eu dou um grito que parece se estender por horas. É um som agonizante, como se meu corpo estivesse implorando por socorro. As lágrimas continuam a cair, meu rosto encharcado por um pranto desesperado. Selena finalmente solta minhas mãos, e eu colapso no chão, meu corpo se curvando em uma posição fetal. Deito-me ali, soluçando como uma criança, minha respiração irregular e entrecortada pelos espasmos de choro. Fico assim por um momento, imersa na dor e na vulnerabilidade.

Após me deixar chorar por algum tempo, Selena se aproxima novamente. Com um cuidado gentil, ela me ajuda a sentar e começa a enxugar minhas lágrimas com suas mãos macias. Seu sorriso é reconfortante, um gesto de ternura que contrasta com a intensidade da situação. Ela me beija a testa, e, como se fosse um passe de mágica, desaparece, deixando apenas um leve brilho de sua presença. Pétrus e Erik correm em minha direção, suas expressões de preocupação misturadas com alívio. 

— Alinna, você está bem? — Erik pergunta, seu desespero evidente na voz.

— O que ela fez comigo? — Eu sussurro, a confusão e o medo ainda presentes em meu tom.

— Ela te deu um presente, Sky. — Pétrus fala calmamente, sua voz suave. — Você a libertou, e ela fez o mesmo por você. Selena te libertou, Sky.

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