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Capítulo 12


Erik Walker

Eu me sinto um completo idiota. Simplesmente abri meu coração para Sky. A elogiei, a beijei, e praticamente derramei minha alma aos seus pés. E qual foi a reação dela? Ela me olhou como se eu tivesse acabado de dizer algo terrível. "Eu te amo." Sério, Erik? Parece que você esqueceu quem ela é. É óbvio que ela não ia responder com um romântico "Oh, Erik, meu amor, eu também te amo." Não, isso seria constrangedor para ela. 

Sempre que tento fazer algo especial ou demonstrar meus sentimentos para Sky, algo desastroso acontece. Da última vez que tentei me declarar, ela acidentalmente botou fogo no próprio quarto e quase me matou. Típico. Ainda assim, não consigo evitar. Sky é especial para mim, e mesmo com todas as suas peculiaridades, não consigo deixar de amá-la. Talvez um dia ela entenda isso. E talvez, só talvez, ela consiga expressar o que sente também.

— Mãe? — Perguntei, surpreso ao entrar em meu quarto. — O que a senhora está fazendo aqui? Está tudo bem?

— Está sim, filho. Eu só vim me distrair um pouco. — Respondeu, andando de um lado para o outro.

Ela realmente não consegue ficar parada. Minha mãe veio ao meu quarto para arrumá-lo inteiro, apenas para se distrair.

— Mãe, não precisa fazer isso. A senhora precisa descansar. — Tentei convencê-la.

— Sky se recusa a me deixar arrumar o quarto dela, e eu não aguento ficar parada sem nada para fazer. — Disse, sentando-se na minha cama com uma expressão triste e cansada.

Minha mãe está profundamente abalada por causa da tia Cat. Eu sei que foi, e ainda é, muito difícil para ela, afinal, elas eram praticamente irmãs. A ligação delas era tão forte que a perda ainda dói intensamente. No entanto, minha mãe já não tem mais idade para ficar andando de um lado para o outro, limpando e arrumando tudo. Ela precisa de tempo para se recuperar, tanto física quanto emocionalmente. Precisa de descanso e de momentos de tranquilidade para lidar com a dor e o luto, em vez de tentar se distrair com trabalho pesado.

— Sky está certa, mãe. A senhora não precisa arrumar tudo. A senhora não é uma criada, pelo menos não mais. — Sentei-me ao seu lado.

— Eu sei que não sou criada, mas gosto de ajudar. — Ela suspirou profundamente.

— Tudo bem, mãe, mas descanse um pouco agora e depois ajude, ok? — Segurei sua mão, tentando transmitir confiança.

— Eu tenho o filho mais maravilhoso do mundo. — Ela acariciou meu rosto com ternura. — Ah, quase me esqueci. Nicolay quer falar com você na sala dele.

— Comigo? — Perguntei, surpreso.

— Sim. — Respondeu ela com um sorriso.

— Então eu preciso ir. — Falei rapidamente, levantando-me.

Antes de sair, dei um beijo na testa de minha mãe, e disparei em direção a porta, não queria deixar o rei esperando.

— Erik! — Alguém cantarolou meu nome assim que saí do quarto.

— Charlotte? O que está fazendo aqui? — Não acreditei no que via.

— Olá para você também. — Ela respondeu, ignorando minha pergunta.

— Hm... Olá!? — Sorri, ainda surpreso.

— Eu só queria dizer olá. — Disse Charlotte, apalpando meu uniforme. — Sei que você é muito ocupado, mas...

— Não, Charlotte, está tudo bem. — Assegurei, tentando tranquilizá-la. — Não precisa se preocupar.

— Não quero tomar muito o seu tempo, mas gostaria de saber se você aceitaria tomar um chá comigo qualquer dia. — Convidou ela, meio sem graça.

Charlotte estava corada e levou os cabelos para trás da orelha com muita leveza. Céus, o que ela está tentando fazer?

— Eu adoraria. —  Menti. — Mas hoje mesmo viajo para procurar a flecha de ouro, e logo depois devo ir atrás de Leonidas junto com Sky. Ficarei um bom tempo distante do palácio. — Dei de ombros, me desculpando.

— Ah. — Ela fez uma pausa, visivelmente desapontada. — Claro! Com a Sky. Tudo bem então, quem sabe quando você voltar.

— Claro! — Falei com pressa, já me distanciando de sua presença. — Quando eu voltar, com certeza.

Saí correndo para falar com o rei, tentando não pensar na decepção no rosto de Charlotte.

— Com licença, Nicolay. — Bati na porta da sala do rei.

— Erik, entre. — Ele sorriu e me fez sinal para entrar.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei, preocupado.

— Bom, minha única filha sairá daqui a algumas horas para buscar uma flecha em um reino que só os deuses conhecem. Para enfim enfrentar o homem que me tirou o primeiro amor da minha vida, cuja identidade ninguém sabe pois está sobre um feitiço de magia negra. — Ironizou o rei Nicolay, com um tom estranhamente divertido. — Tirando isso, não há problema algum.

— Ok, o senhor ganhou essa. — Respirei um pouco mais aliviado, com um sorriso fraco nos lábios. — Então, por que mandou me chamar, majestade? — Insisti na pergunta, sentando-me em frente a ele.

— Erik, você sabe que é o meu único guarda de confiança, depois de Carter. Certo? — Ele me encarou seriamente.

— Claro! — Respondi sem hesitar.

— Então, quero te pedir um favor que eu sei que será um pouco complicado de se cumprir. — Ele coçou os cabelos, visivelmente desconfortável.

— Pois diga, majestade. — Instiguei, entusiasmado.

Gosto quando Nicolay me dá tarefas difíceis; isso mostra que estou sendo um bom comandante da guarda e que estou fazendo bem o meu trabalho. Nunca quis que Nicolay me prestasse favores só porque sou filho de uma das pessoas que foram extremamente importantes para sua falecida esposa. Sempre quis conquistar sua confiança pelo meu próprio mérito.

Desde jovem, trabalhei incansavelmente para provar meu valor. Treinei arduamente, aperfeiçoei minhas habilidades de combate e liderança, e me dediquei a proteger o reino com lealdade e coragem. Cada missão desafiadora que Nicolay me confiou foi uma oportunidade de mostrar que sou digno de sua confiança e respeito. Nicolay reconhecer meu esforço e me confiar responsabilidades importantes é a maior prova de que atingi meus objetivos. Por isso, quando ele me dá uma tarefa difícil, vejo isso como um sinal de que estou no caminho certo e que meu trabalho árduo está sendo recompensado.

— Quero que, nessa viagem, você cuide de Alinna para mim com o dobro de cuidado. — Disse Nicolay, seu tom mais sério do que o usual.

— Você disse um pouco complicado? — Perguntei, erguendo instantaneamente as sobrancelhas.

— Ok, talvez seja um pedido bem mais do que complicado. — Ele concluiu, admitindo.

Sorri, tentando aliviar a tensão.

— Claro, majestade. Vou ficar de olho nela. — Me rendi.

Como eu poderia dizer não para Nicolay Madark? É lógico que cuidarei de Sky, não só por ele, mas também por mim.

— Fico imensamente grato. Estou mais tranquilo com a partida de Alinna porque sei que estará com ela. — Agradeceu ele, visivelmente aliviado. — Só não deixe que ela perceba, Alinna é muito independente e cheia de si.

— Eu conheço sua filha, Madark. Pode deixar, não vou deixar que ela perceba. — Confirmei com confiança.

— Gosto de você rapaz, gosto de você. — Concluiu Nicolay, ele me deu um aperto forte no ombro antes de sair da sala e me deixar sozinho.

                                                                             ...

— Erik, eu...

— Acho melhor você subir no cavalo, Sky. — Disse sem delongas, ajudando-a a montar em Ventus, seu cavalo. — Temos que nos apressar, já estamos atrasados e está quase anoitecendo.

— Será que dá para deixar de ser um guarda por um instante e ser somente o Erik? — Ela se irritou.

Por que ela está irritada se quem levou um belo de um toco fui eu? Eu, deveria estar irritado.

— Não, Sky. Não dá. — Respondi, ignorando-a.

Não quero perder a paciência com ela, não agora.

— Você...

— Ei, minha princesa! Estamos esperando o quê? — Pétrus a interrompeu.

Olhei para o lado e respirei fundo. Esse cara é um babaca.

— Me chame de princesa novamente que eu vou fazer churrasco de você. 

Os olhos de Sky estavam praticamente em chamas de tanta raiva. Ver isso me trouxe um estranho alívio, pois percebi que ela não reserva essa reação explosiva apenas para mim; sua fúria é democrática.

— Gente! — Chamou Áries. — Será que dá para sairmos daqui ainda hoje?

— Verdade, estamos mais que atrasados. — Vlad entrou na conversa.

— Eu só quero sair daqui logo. — Comentou Klaus, subindo em seu cavalo.

— Vocês da realeza. — Pétrus apontou para nós. — São muito esquentadinhos, principalmente a princesa. Precisam relaxar, estamos partindo para uma aventura. Não era isso que vocês queriam?

— Vocês são ridículos. — Resmungou Magia, revirando os olhos. — Não sei por que estou aqui.

— Está aqui para me ajudar. — Retrucou Sky rapidamente. — Vamos logo! — Ordenou a todos com firmeza.

Sky saiu na frente com seu cavalo, e os outros seguiram logo atrás. Eu fiquei um pouco para trás, precisando arrumar algumas coisas e preparar meu próprio cavalo. Além disso, minha responsabilidade era garantir a segurança do grupo, o que significava ser o último a partir e vigiar a retaguarda.

Assim que terminei minhas tarefas, subi no cavalo e comecei a segui-los, mantendo uma distância prudente. O grupo já estava um pouco adiante, suas silhuetas recortadas contra o horizonte que começava a tingir-se com as cores do crepúsculo. A brisa da tarde trazia um leve frescor, enquanto os sons dos cascos dos cavalos reverberavam pelo caminho. Pétrus, com seu habitual ar despreocupado, começou a caminhar com seu cavalo ao lado do meu, mantendo o mesmo ritmo.

— Parece que você está sempre cuidando da retaguarda, Erik. — Comentou Pétrus, com um sorriso provocador.

— Alguém precisa garantir que não haja surpresas desagradáveis por trás. — Respondi, sem tirar os olhos do caminho à frente.

O silêncio que se seguiu foi preenchido pelo som dos cavalos e o canto distante dos pássaros. Eu podia ver Sky à frente, conduzindo o grupo com determinação, sua postura ereta e confiante. Ao perceber meu olhar na direção de Sky, Pétrus rompeu o silêncio:

— Ela. — Pétrus apontou para Sky. — É sua garota?

Ele olhava para Sky como se ela fosse um prato apetitoso. O que me deixa com uma raiva tremenda.

— Não. Não é. — Respondi, sem humor algum.

Pelo menos, não para ela.

— Que ótimo. — Pétrus comemorou. — Ela está prometida a alguém?

Olhei para ele, torcendo para que estivesse brincando, mas parecia sério. Será que ele não se toca?

— Não. Sky não é dessas. Ela é o tipo de princesa que escolhe os príncipes, e não os príncipes que a escolhem. — Respondi, firme mas com um leve sorriso ao lembrar do histórico de corações partidos de Sky.

Pétrus levantou uma sobrancelha, intrigado.

— Interessante. — Murmurou ele, ainda observando Sky.

Sem querer soltei outro sorriso Sky é diferente de todas as garotas que já conheci na vida. Em viagens com Nicolay conheci muitas princesas e nenhuma delas se quer se comparam a ela. A encarei mais uma vez de longe. Imaginei que depois desse pequeno diálogo desconfortável manteríamos a quietude constrangedora, Pétrus, porém, parecia determinado a continuar a conversa.

— Ela tem um espírito forte, isso é evidente. — Comentou ele. — Mas isso só a torna mais atraente, você não acha?

Eu respirei fundo, tentando manter a calma.  

— Você é meu concorrente, não é mesmo? — Pétrus riu, uma risada cheia de sarcasmo.

— O quê? — O encarei novamente, tentando entender suas intenções.

— Vamos lá, soldadinho de chumbo, você está caído por ela. — Debochou, um sorriso provocador nos lábios.

— Quem é você? Mal chegou e já fica supondo coisas sobre mim. — Retruquei, enfrentando-o de frente.

Pétrus deu de ombros, sem sequer se dignar a me olhar. Como ele consegue ser tão inoportuno?

— Será um prazer competir pelo amor dela com você. — Finalizou, todo desleixado, como se a situação fosse um mero jogo para ele.

Depois de me incomodar o suficiente, Pétrus voltou a andar junto com o grupo, deixando-me sozinho com meus pensamentos. Permaneci na retaguarda, tentando processar tudo o que ele acabara de dizer. Chamar a atenção de Sky já é uma tarefa árdua por si só. Primeiro, porque há homens que se matariam por um olhar dela. Segundo, porque ela tem o temperamento de um leão faminto, pronto para destroçar qualquer um que se atreva a cruzar seu caminho. E agora, para piorar, esse sociopata aparece, decidido a conquistar o coração que eu venho tentando alcançar há anos.

Ainda observando atentamente de longe, me demoro na figura de Sky, sempre à frente, era um lembrete constante de quanto ela é inacessível. Já Pétrus, segue com seu sorriso presunçoso e atitude despreocupada, era o epítome da ameaça que eu não precisava. Ele parecia tão confiante, tão seguro de que poderia facilmente ganhar o coração de Sky. Eu precisava encontrar uma maneira de me destacar, de mostrar a Sky que eu sou mais do que apenas um guarda ou um simples amigo de infância. Mas como? Ela era uma tempestade, e eu me sentia como um simples barco à deriva em meio à sua veemência. A única certeza que eu tinha era que não desistiria. Não agora. Não depois de tanto tempo e esforço investidos.

"Será um prazer competir o amor dela com você Pétrus."

A viagem parece interminável; estamos caminhando há horas, e a paisagem parece se repetir incessantemente. O cansaço se acumula a cada passo, e a sensação de exaustão é quase palpável. O sol está começando a se esconder no horizonte, tingindo o céu com tons laranja e rosa que não conseguem aliviar a fadiga que sinto. O ritmo constante dos cavalos e o som do vento nas árvores são os únicos companheiros enquanto seguimos por um caminho que parece não ter fim. Meu corpo está cansado, e minha mente anseia por um lugar tranquilo onde eu possa finalmente descansar. O desejo de encontrar um abrigo confortável, onde possa ficar em silêncio e sossegado, é quase avassalador.

Para piorar a situação, as palavras de Pétrus continuam ressoando em minha mente, como uma melodia perturbadora que não consigo apagar. Sua provocação, sua confiança descarada, e o desafio implícito em suas palavras me atormentam. "Será um prazer competir o amor dela com você!"

Percebo que não sou o único em frangalhos; todos nós estamos à beira do colapso.

— Você tem certeza de que sabe para onde está indo? — Perguntou Sky, sua voz carregada de dúvida.

— Claro que sei! O problema é que o reino é extremamente distante. Eu não sei se mencionei, mas. — Pétrus fez uma pausa dramática. — Estamos indo para Treeland!

Ele disse isso de forma nervosa e descontrolada, o que fez Sky saltar de susto e causou um impacto perceptível em todos nós.

— Treeland fica em Aksum, que é outro reino. Isso significa que provavelmente vamos demorar muito mais do que o esperado. Então, parem de reclamar e me sigam.

— Abusado idiota. — Ouvi Sky resmungar, a irritação evidente em sua voz.

Sky deve estar realmente frustrada com a necessidade de viajar com Pétrus. É evidente que ela o detesta, mas sua posição a obriga a suportá-lo, o que limita as opções dela para se livrar dele. Seu olhar, cheio de desdém e cansaço, é como um grito silencioso de inconformidade. A cada vez que ela lança um olhar em minha direção, percebo que está esperando que eu ofereça uma solução para essa situação desconfortável. "Ela sempre faz isso", penso, ciente de que, embora Sky confie em mim para muitas coisas, não tenho todas as respostas. O peso da expectativa é quase palpável, mas não há muito o que fazer.

Dou de ombros, sem saber o que mais fazer. A sensação de inadequação é quase física, mas minha tentativa de confortá-la não tem muito efeito. Sky solta um bufar irritado e revira os olhos, um gesto que revela toda a sua irritação. Sem mais palavras, ela desvia o olhar para frente, ignorando a tensão no ar, e continua sua caminhada com uma determinação que é tanto uma defesa quanto uma afronta ao desconforto que está enfrentando.

— Nós poderíamos pelo menos parar em algum lugar. Minhas partes baixas já estão doendo de tanto ficar em cima desse cavalo. — Reclamou Vlad, claramente desconfortável.

— Já está assado, Vlad? — Brinquei, tentando aliviar o clima.

Todos riram, exceto Vlad, que apenas lançou um olhar desconfiado em minha direção.

— Boa, Erik. — Comentou Klaus, ainda rindo do irmão.

— Muito engraçado, Erik. Espere eu descer daqui para ver. — Ameaçou Vlad, com um sorriso desafiador.

— Céus, vocês são irritantes. — Resmungou Áries, tampando os ouvidos com um gesto de frustração.

— Magia, e se você... — Sky começou a falar, tentando intervir.

— Não, não e não! Magia não fará magia! — Magia Interrompeu Sky, respondendo com uma irritação palpável já imaginando qual seria a ideia dela a seguir.

— Olha, eu conheço um lugar onde podemos parar para descansar. — Disse Pétrus, tentando trazer uma solução para a situação.

— E onde seria isso? — Perguntou Sky, esboçando um sorriso forçado.

— Uma taberna que conheço. — Respondeu ele com um tom de entusiasmo. — É maravilhosa, por sinal.

— Ok, então nos leve até lá. Depois de descansarmos, voltamos para a estrada e seguimos caminho. — Falei, aliviado por saber que finalmente faríamos uma pausa.

— Ótimo então. — Respondeu Sky, com um tom de mal humor que não disfarçava sua insatisfação.

— Então vamos logo! Estou doido para beber. — Exclamou Klaus, dando um impulso no cavalo para acelerar, animado com a perspectiva de um descanso.

Pétrus deu a sua palavra de que não sairíamos do caminho para ir até a taberna, e eu realmente espero que ele cumpra o que prometeu. Se desviarmos da rota agora, nossa viagem cansativa teria sido em vão, e a última coisa que precisamos é perder tempo e esforço. No entanto, minha confiança nas palavras de Pétrus é mínima. Começo a questionar se somos mais loucos que este desvairado por simplesmente aceitar que ele nos guie para algo tão crucial. A perspectiva de que ele nos conduza à coisa mais importante do momento — a flecha de ouro — só aumenta minha ansiedade.

— Realezas e soldado, — fez uma pausa deliberada ao pronunciar "soldado", lançando um olhar fixo em mim. — Chegamos!

Até que o lugar não parecia tão ruim. Pétrus conseguiu um ponto positivo por isso. A taberna tinha um charme rústico, com paredes de madeira envelhecida e uma iluminação suave que emanava de lâmpadas penduradas no teto. O ambiente estava aquecido e acolhedor, uma grande mudança em relação ao frio da noite lá fora. Eu e Klaus fomos os primeiros a entrar, imediatamente nos dirigimos a uma mesa livre e nos acomodamos, ansiosos para relaxar. Klaus já estava chamando uma das meninas do estabelecimento, para que nos atendesse. A possibilidade de uma bebida quente e uma refeição reconfortante parecia um bálsamo para o cansaço acumulado.

No entanto, Sky e Áries foram as últimas a entrar na taberna. Assim que Sky cruzou a entrada, o barulho da conversa e do riso se apagou como um estalo. Todos os olhos se voltaram para ela, e um silêncio reverente pairou no ar. Era como se sua presença tivesse um impacto magnético sobre o ambiente. Eu e os meninos trocamos olhares, nossos semblantes revelando a mesma surpresa. Até Pétrus, que geralmente parecia inabalável, estava visivelmente impressionado com o efeito quase mágico que Sky tinha sobre as pessoas. Seu olhar percorreu o ambiente, notando a maneira como a atenção de todos estava centrada nela. A aura de Sky, misto de autoridade e mistério, parecia transformar qualquer lugar em um palco onde ela era a estrela principal.

Enquanto ela avançava pela taberna em nossa direção, a atmosfera parecia se ajustar à sua presença. O murmúrio que antes preenchia a taberna havia sido substituído por uma curiosidade palpável, quase como se todos estivessem esperando para ver o que ela faria a seguir. Sky não parecia se incomodar com o destaque, sua postura permanecia firme e segura, como se ela estivesse acostumada a ser o centro das atenções.

— Mas que boneca mais linda. — Um homem se aproximou de Sky no meio do caminho.

Eu e os meninos nos levantamos instantaneamente, prontos para intervir a qualquer momento. Nossos olhares estavam fixos no homem que se aproximava, os músculos tensos e a postura alerta, prontos para agir se necessário. De longe, Sky levantou as mãos com um gesto de desdém e impaciência, como se ordenasse que nos acalmássemos. Seu olhar, frio e determinado, transmitia claramente que ela poderia lidar com a situação por conta própria. 

— Não queremos briga. — Sky pronunciou as palavras com uma ênfase clara, como se estivesse se dirigindo a alguém que precisasse de uma tradução.

O homem soltou uma risada ruidosa, como se achasse a situação extremamente divertida. Virando-se para os outros clientes da taberna, ele exclamou:

— Vocês ouviram isso? — Ele riu ainda mais, um som sarcástico que ecoou pelo salão. — A mocinha aqui não quer briga! O que acham, pessoal? Será que ela pode me acompanhar para um canto mais reservado e brigar comigo lá? — Provocou, com um tom desafiador.

O tom dele era claramente desrespeitoso e a provocação era palpável, atraindo olhares curiosos e sorrisos maliciosos dos presentes. O riso irônico e malicioso se espalhou pela taberna. O homem parecia se deliciar com a reação do público, seu sorriso ampliado pela satisfação de ter atraído a atenção de todos. A cena era repulsiva, e eu tive que me conter com esforço para não partir para cima dele. O impulso de defender Sky era forte, mas ela parecia estar mais do que capaz de lidar com a situação.

Sky, com sua postura ereta e olhar calculado, lançou um olhar abrangente ao redor da taberna. Seu olhar era uma mistura de desprezo e indiferença, como se ela estivesse avaliando a cena com um misto de desdém e divertimento. Havia uma qualidade quase irônica em sua expressão, como se ela encontrasse a situação mais patética do que ameaçadora. Enquanto o riso continuava a ecoar, Sky virou ligeiramente para encarar o homem com uma frieza imperturbável.

— Ria de mim novamente, e eu quebro suas mãos. — Sky avisou com uma frieza cortante, a ameaça claramente implícita em suas palavras.

Eu suspirei internamente, sabendo que esse tipo de provocação poderia acabar de forma desastrosa. Era evidente que Sky estava prestes a levar a situação a um ponto crítico, e eu temia o que poderia resultar disso.

O homem, desafiador, apenas sorriu com desdém e inclinou-se mais perto de Sky. Seu tom era provocador e desprezível:

— Tente a sorte, boneca. — Sussurrou, a provocação em sua voz sendo quase palpável.

Era difícil entender se aquele homem era apenas idiota ou se realmente sofria de demência. Klaus, antecipando o que estava prestes a acontecer, simplesmente se acomodou em uma cadeira, jogou os pés em cima de uma mesa e cruzou os braços, como se estivesse assistindo a um espetáculo. Vlad, com um sorriso antecipado, já estava rindo antes mesmo que a situação se desenrolasse completamente. Pétrus lançou um olhar confuso na minha direção, e eu sorri, dando de ombros enquanto me sentava também. Pétrus, ao perceber minha atitude, seguiu o exemplo e se acomodou. Áries, por outro lado, deu um passo para trás, afastando-se de Sky. 

Então, com uma rapidez e precisão impressionantes, Sky se moveu em direção ao homem. Em um movimento fluido e ágil, ela agarrou seus braços e os torceu para trás com uma força que parecia quase sobrenatural. O homem imediatamente começou a gritar, o som desesperado e agudo ecoando pela taberna. Seus gritos de dor eram intensos e penetrantes, e a expressão de horror em seu rosto era visível. Sky, com uma precisão implacável, deu um golpe certeiro com o cotovelo nos braços do homem. O estalo seco e contundente do impacto foi tão alto que parecia reverberar pelas paredes da taberna, como um trovão distante. O som do osso se quebrando era nítido e inquietante, e uma onda de murmúrios percorreu o lugar. Sky não o soltou; ela o segurou com uma força inabalável, apertando-o com tanta força que pude ver uma lágrima escorrer pelo rosto do homem. O contraste entre o desespero dele e a determinação impassível de Sky era drástica.

— Peça desculpas. — Sky ordenou com um tom implacável.

O homem, ainda gemendo de dor, não hesitou em implorar: 

— Me desculpe! Me desculpe, Alteza!

— Ah, que gentileza! — Sky respondeu com uma voz surpreendentemente doce, uma ironia clara em seu tom. — É claro que eu te desculpo.

Com um gesto casual, ela soltou o homem, que, para nossa surpresa, se levantou e correu para fora da taberna, desaparecendo rapidamente na rua. Assim que ele se foi, o ambiente na taberna mudou drasticamente. Os clientes começaram a se agitar, levantando suas canecas de chopp e aplaudindo a coragem e a destreza de Sky com entusiasmo.

— Eu quero algo forte. — Sky declarou, sentando-se ao nosso lado com uma satisfação evidente. — E vocês? Não vão pedir nada?

— Ah, claro! — Klaus exclamou, chamando uma das moças novamente com um gesto animado.

— Arrasou, boneca. — Eu a provoquei, com um sorriso satisfeito.

Sky lançou um olhar fulminante na minha direção, mas um sorriso divertido curvou seus lábios, demonstrando que, apesar da sua postura dura, ela apreciava a provocação.

— Eu já te disse que estou apaixonado por você? — Pétrus disse, aproximando-se de Sky com um tom claramente brincalhão.

— Sim, já disse, maluco. Agora cale a boca. — Áries respondeu por Sky, sua voz carregada de ironia.

— Obrigada, Al. — Sky agradeceu.

Pétrus, não perdendo a oportunidade de brincar, fez um biquinho exagerado e disse: — Você é cruel, rainha das trevas.

— A bebida de vocês. — Anunciou uma garota com cabelos, rosa?

— Uau! — Klaus exclamou, admirado, enquanto seus olhos se fixavam nela com evidente fascínio.

— Pelos deuses, que anjo é esse? — Vlad comentou, sua expressão de surpresa e encantamento evidenciando o impacto que a garota teve sobre ele.

— Meu nome é Ivy, e se precisarem de algo, é só me chamar. — Ela disse com um tom um tanto seco, embora o olhar dela revelasse uma pitada de simpatia.

Sky, visivelmente satisfeita com o atendimento, estendeu seu copo vazio para Ivy. — Ótimo! É bom mesmo ficar disponível. Mais um copo, por favor.

— Belo show que você fez hoje, Alteza. — Ivy elogiou, um sorriso quase imperceptível nos lábios.

— Ah, obrigada! — Sky respondeu com um sorriso amarelo, que parecia revelar um toque de embriaguez. Ela estava claramente se soltando mais do que o habitual, talvez porque havia virado seu copo com uma velocidade impressionante.

— Pena que aqui não é um circo. — A atitude de Ivy era direta e sem rodeios, e suas palavras carregavam uma certa acidez.

O comentário causou um espanto momentâneo entre nós. Esperávamos que Sky reagisse de forma explosiva, talvez desafiando Ivy ou mostrando sua indignação a fazendo engolir a própria língua, mas, surpreendentemente, ela não se alterou. Em vez disso, pareceu apenas erguer uma sobrancelha e relaxar. Ivy logo se afastou para pegar mais bebidas. Sky, ainda com um copo na mão, olhou para o copo de Áries e perguntou, com uma curiosidade despretensiosa:

— Você vai beber isso aqui?

— Vou sim, Sky! É claro que vou. — Áries afastou rapidamente seu copo de perto de Sky.

Já se passaram algumas horas e, em vez de descansar para a longa viagem que temos pela frente amanhã, todos nós continuamos bebendo. O ambiente estava cheio de risos e conversas animadas, mas a verdadeira estrela da noite, sem dúvida, era Sky. Ela estava em seu elemento, aparentemente se entregando ao espírito festivo com uma intensidade contagiante. Sky já havia tomado garrafas e mais garrafas de uísque, bebido vinho diretamente do barril, e até mesmo quebrado uma taça de chopp ao brindar efusivamente com um desconhecido. O barulho da taça estilhaçando ecoou pela taberna, fazendo com que todos se voltassem para o incidente. Ela dançou com vários rapazes diferentes, incluindo Pétrus, que parecia mais encantado do que incomodado pela companhia dela. A dança estava repleta de risos e movimentos exuberantes. Enquanto observava a cena, uma preocupação crescente se formava em minha mente. Nicolay não iria gostar nada disso, especialmente considerando o estado em que Sky se encontrava. A ideia de que ela poderia se prejudicar ou mesmo criar um problema maior me deixando inquieto. Eu precisava garantir que ela se acalmasse e descansasse, se não por sua própria segurança, então pelo menos para não piorar ainda mais a situação. Me aproximando de Sky, tentei chamar sua atenção com um tom mais sério.

— Sky, você precisa parar. Vamos dormir agora. — Falei, tentando ser firme.

— Dormir? Não, não! — Ela respondeu com uma expressão de descontentamento, claramente relutante em deixar a festa.

— Sim, dormir. Precisamos descansar para a viagem de amanhã. — Insisti, tentando guiá-la com suavidade.

— Eu vou mas primeiro vou dançar para você. — Disse me jogando na cadeira.

Sky subiu em cima da mesa e começou a dançar para mim. Ela balançava os cabelos, movia os quadris, e às vezes lançava um olhar em minha direção com aqueles olhos azuis e verdes que faziam meu corpo todo se arrepiar. A performance era ao mesmo tempo sensual e constrangedora, e todos ao redor pararam para assistir. Como ela podia ser tão linda assim? Queria tirá-la dali, mas, ao mesmo tempo, gostava do que via. O que eu não gostava eram os olhares dos outros sobre ela. De repente, a cena encantadora foi interrompida quando um dos homens a puxou pelo braço, fazendo-a cair da mesa diretamente em seus braços.

— Me solta! — exclamou ela, com voz firme e desesperada.

Levantei-me imediatamente e me aproximei do homem. Com um movimento rápido, puxei Sky para longe dele, a colocando de volta ao meu lado. Sem pensar duas vezes, empurrei o homem com força, fazendo-o cair junto com a cadeira em que estava sentado. Ele se levantou, furioso, e me acertou um soco, o que foi a gota d'água. O golpe me fez perder a razão. Em um impulso, me joguei sobre ele e comecei a desferir uma série de socos, minha raiva e desgosto se transformando em um furioso ataque.

— Vamos, Erik, pare! Ele já está desmaiado! — Vociferou Pétrus, tentando me tirar de cima do homem.

— Venha, Erik! — Vlad me puxou pela camisa. —  Áries, onde você está? — Gritou ele a sua procura.

— Aqui! — Respondeu ela, correndo e pulando sobre o homem para conseguir passar.

Olhei para o homem e notei que ele estava com um olho semiaberto.

— Encoste nela de novo, babaca. — Sussurrei com raiva para ele.

— Venha Sky, não fique parada está todo mundo olhando. — Disse Pétrus, puxando-a para fora.

Todos saíram correndo, e eu os segui imediatamente.

— Você está bem? — Perguntei a Sky, preocupado.

— Claro que estou! Porra, eu tenho você. — Sua resposta fez meu coração se aquecer e um sorriso surgir no meu rosto.

Dei um beijo em sua testa e, em seguida, saímos juntos.

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