Capítulo 10
Após a morte de minha mãe, e com MoonFifth e SunFifth derrotando Lós e Brownwood, muitas coisas mudaram. Nosso reino se transformou no maior de toda Sky e dos reinos adjacentes. Crescemos e expandimos graças ao meu pai, que se tornou rei dos três reinos, unindo Samsalom aos dois outros reinos. Ele governa enquanto eu não sou coroada, e quando me tornar rainha, serei senhora de três reinos poderosos.
Brownwood, devido à morte de Leonidas, não existe mais como antes. Agora a chamamos de Antiga Brownwood, mas, na verdade, é propriedade de Dempsey Horla, que assumiu o reinado após a guerra. Ao longo dos anos, vários novos reinos surgiram, cada um com suas forças peculiares. Muitos tentaram atacar e conquistar Sky, mas por algum motivo falharam. Espero que continue assim, pois Sky será minha assim que eu destruir Dempsey Horla e me vingar de Leonidas.
"Por que ter três reinos se eu posso ter os cinco?"
Voltamos para Samsalom, levando conosco Pétrus Alarik. Estávamos prontos para retornar aos dois reinos quando um mensageiro de meu pai apareceu com um aviso urgente.
— "Não saiam daqui em hipótese nenhuma!" foi o que ele disse, Alteza. — Relatou Flávio, entregando o aviso.
— Mas por que meu tio Nicolay não quer que a gente saia de Samsalom? — Perguntou Vlad, confuso.
— Ele está vindo com a família real. Logo estarão aqui e, com certeza, explicarão a razão dessa ordem. — Respondeu Flávio, sério. Estava fazendo apenas o que lhe ordenaram.
— Sky? — Áries, me encarou, provavelmente esperando que eu tivesse alguma ressalva ou observação a fazer.
— Vamos fazer o que meu pai ordenou. Em hipótese alguma sairemos daqui. — Respondi, pensativa.
— Você por acaso sabe o que está acontecendo? — Áries mais uma vez questionou, ela levantou-se da cadeira para ficar à minha frente, cruzando os braços.
Embora eu realmente não soubesse o que estava acontecendo, uma coisa era certa: eu tinha um mau pressentimento.
— Você ainda tem aquelas gotas estranhas, que fazem os olhos mudarem de cor? — Perguntei a Áries.
— Claro que tenho. — Revirou os olhos. — E elas não são estranhas, ok? Roubei de uma das feiticeiras do clã de Magia. É uma preciosidade para simplesmente ser chamado de algo estranho.
— Quero que me empreste. Vou precisar de algumas gotas. — Pedi.
— Para quê você quer as gotas estranhas de Áries, Sky? — Klaus deu de ombros.
— Elas não são estranhas! — Bufou Áries enfurecida.
— Vou precisar delas para fazer uma coisinha. — Respondi.
— Você está com a cara que o diabo faria se estivesse aqui. — Comentou Klaus. — O que você vai fazer?
— Começar o que deveria ter começado há muito tempo. — Levantei-me da mesa em que estava sentada. — Mas fiquem tranquilos, não vou aprontar nada por agora.
— Pelos deuses, lá vem problema. — Resmungou Áries, vindo atrás de mim.
— Flávio... — Despedi-me antes de sair. — Klaus, Vlad. — Fiz uma pequena reverência e saí.
De longe, através das grandes janelas de Samsalom, podia-se ver a caravana de MoonFifth e SunFifth chegando, com cavalos majestosos e carruagens ornamentadas. Minha família estava chegando, e era hora de obter respostas.
Dirigi-me à entrada do palácio para recebê-los. Papai vinha à frente, com Meredith nos braços. Ao seu lado, tio Joh e tio Kedra caminhavam com expressão solene. Magia seguia logo atrás, acompanhada de tia Catarina. Helena e Victória vinham logo depois, suas presenças sempre sobressalentes.
— Mamãe! — Meredith se atirou em meus braços.
A forma como ela se acostumou comigo tão rapidamente e me aceitou como uma figura materna fazia meu coração brilhar de dentro para fora. Meredith, com sua inocência e afeto, tinha o poder de iluminar os momentos mais sombrios. Seu amor e carinho, especialmente em momentos como este, eram revigorantes para minha alma há dias perturbada. A cada sorriso dela, sentia um calor acolhedor, como se todos os problemas pudessem ser superados. Seu abraço apertado e seu olhar cheio de confiança em mim renovavam minhas forças e traziam uma paz indescritível.
— Ei... — Peguei-a em meus braços e a abracei. — O problema é grande? — Perguntei, direcionando-me para papai.
— Sky, tenho péssimas notícias. — Meu pai curvou a cabeça, sua expressão marcada pela tristeza.
Olhei para os outros atrás dele e vi que todos tinham a mesma expressão sombria. Algo estava terrivelmente errado; eles pareciam envoltos em um ar de luto.
— O que aconteceu? — Perguntei, desesperada. Depois, me virei para Meredith, tentando manter a calma. — Princesa, você gosta de jardins?
— Adoro jardins! — Exclamou ela, alegremente.
— Flávio! — Chamei. — Leve Meredith para o jardim, por favor. — Ordenei.
Flávio segurou sua mão e saiu com a pequena. Ela estava uma graça, vestida com um adorável vestidinho florido todo rodado. Seus cabelos estavam arrumados em um coque bem-feito, e ela segurava seu ursinho de pelúcia, quase enforcado por seus bracinhos apertados.
— O que aconteceu? — Perguntei novamente, voltando-me para papai.
— Vamos para minha sala; o assunto é muito delicado para ser tratado aqui. — Ele lançou um olhar atento para a entrada do palácio, observando os guardas ao redor.
— Então vamos. — Disse tio Kedra, tomando a frente.
Caminhamos em silêncio até a sala de papai. Ao chegarmos, notei o número incomum de guardas posicionados em frente à porta. A presença deles parecia aumentar a tensão no ar. Enquanto observava a cena, lembrei-me de Erik; desde nossa chegada da prisão, ele havia desaparecido sem deixar rastros.
Entramos na sala, e eu me sentei, tentando disfarçar minha ansiedade. O ambiente estava carregado, com a luz suave das velas projetando sombras nas paredes. O som dos meus passos ainda ressoava no piso de pedra enquanto o silêncio se instalava novamente. Minhas mãos estavam úmidas de suor e, apesar do frio na sala, meu coração batia acelerado. A expectativa do que papai tinha para me dizer era palpável, e eu lutava para manter a compostura enquanto esperava ansiosamente pela notícia.
— Alinna... — Papai sentou-se ao meu lado e tomou minhas mãos nas suas, apertando-as com ternura.
— Diga, meu pai. — O olhei diretamente nos olhos, tentando parecer forte, minha voz tremendo. — Quem morreu?
Eu já temia que fosse algo relacionado à morte; só precisava ouvir a confirmação.
— Cat, minha boneca. Cat faleceu esta madrugada. — Papai desviou o olhar, incapaz de sustentar meu olhar por mais tempo.
Sem conseguir acreditar, minha boca se abriu e meus olhos se arregalaram. Uma onda de choque me paralisou; queria chorar, mas as lágrimas não vinham. Queria gritar, mas minha voz estava trancada. O único impulso que consegui seguir foi apertar a mão de meu pai com toda a força que eu tinha, como se isso pudesse me ancorar na realidade.
Senti o frio na espinha e a pressão no peito, uma sensação de opressão que me fazia querer fugir da dor. A notícia de que Cat havia falecido era como uma neblina densa e impenetrável, e eu lutava para encontrar o caminho através dela. Perder pessoas era algo com que eu ainda lutava para lidar, e a dor da perda me parecia uma montanha intransponível. Meu pai, com sua presença constante e reconfortante, era a única âncora que eu tinha nesse mar turbulento de emoções.
— Como? — Sussurrei, com a mão na boca e a outra ainda apertando a mão de papai.
— Invadiram seus aposentos nesta madrugada. — Papai limpou a garganta, lutando para continuar. — Ela estava lá sozinha. Acho que pensaram que era você, ou algo assim... então...
Ele hesitou, o peso das palavras visível em seu rosto.
— Então? — Insisti, a voz tremendo, pressionando-o a prosseguir.
"Eu sou forte! Eu sou forte! Eu sou forte!"
— Eles a apunhalaram pelas costas. Cinco facadas de uma vez. Encontramos o corpo esta manhã. — Ele engoliu em seco, o rosto pálido. — Dentro da sua câmara de vestuários.
Meus olhos se arregalaram ainda mais ao imaginar a cena horrível do corpo de Cat em meu quarto. De repente, uma crise de tosse me tomou, e, na última tossida, meu estômago não aguentou mais e eu vomitei tudo o que tinha.
Papai se ajoelhou ao meu lado, segurando meus cabelos com cuidado enquanto eu me entregava à dor, despejando meu desespero em cada vômito. O chão abaixo de mim ficou manchado, e eu me sentia como se estivesse mergulhada em um abismo profundo, incapaz de respirar e de lidar com a realidade.
Através da névoa de minha visão turva, percebi a expressão de preocupação no rosto de papai. Parecia que ele estava me segurando, não apenas fisicamente, mas como um porto seguro em meio à tempestade. Enquanto eu lutava para recuperar o fôlego, sentia que apenas meu corpo estava presente naquele momento; minha alma parecia ter se afastado, perdida em algum lugar distante, longe da dor e da angústia que agora dominavam meu ser.
— Eu sei que não está nada bem, mas vai ficar tudo bem, minha boneca. Vai ficar. — Papai me abraçou com força, tentando oferecer algum consolo em meio à dor.
De repente, Erik entrou na sala às pressas, com um olhar vazio.
— Majestade, encontraram algo. — Anunciou, interrompendo o momento íntimo com uma nota de urgência na voz.
Erik entrou na sala, e seus olhos vermelhos denunciavam o quanto ele havia chorado. Cat era extremamente próxima a ele, quase como uma segunda mãe, e a dor dele era palpável. Seus cabelos estavam desarrumados e suas roupas amassadas, um reflexo claro do caos interno em que ele estava imerso, talvez até mais do que eu.
Ao olhar para a cena à sua frente, ele precisou se esforçar para manter a compostura, segurando-se com força para não se juntar a nós na explosão de dor e desespero. A luta para conter suas próprias emoções era visível, e ele parecia estar em uma batalha silenciosa contra o próprio sofrimento.
— Veja o que um dos guardas que veio com a caravana encontrou enquanto ainda estávamos nos dois reinos. Só se lembrou de traze-lo agora. — Erik mostrou um pingente em formato de leão.
Meu pai se levantou, pegou o pingente e o examinou com um olhar incrédulo. Sua expressão de tristeza rapidamente se transformou em fúria. Ele lançou o pingente ao chão com tanta força que me fez saltar com o grito ensurdecedor que seguiu. Em um acesso de raiva, agarrou uma das mesas ao seu lado e a derrubou com violência, espalhando estilhaços de vidro por todo o piso. Por algum motivo, quando o pingente caiu no chão, ele rolou até parar aos meus pés. Peguei-o e o examinei com atenção. Reconhecia aquele pingente. Era um pequeno leão de ouro, e a sensação de familiaridade me envolveu imediatamente.
— No meu reino NÃO! — Gritou papai. — No meu reino Não! — Saiu batendo a porta.
Dempsey Horla.
...
— Quero um feitiço. — Entre em passos apressados no quarto de Magia, com Áries ao meu lado, implorando por ajuda.
— Um feitiço? Para quê? — Magia perguntou, visivelmente desinteressada.
— Quero um feitiço que me permita chegar a Lós em segundos. — Falei com determinação.
Magia soltou uma gargalhada, tentando se controlar para não rir mais.
— Criança tola. — Ela riu mais um pouco, segurando-se. — Você quer um feitiço de teletransporte? Pois bem, você terá. Já estou cansada de tudo isso; que se dane.
— É só isso? — Perguntei, estranhando a simplicidade da resposta.
— Sim. — Magia me observou com um olhar que parecia entender exatamente o que eu pretendia fazer.
— O que eu perdi? — Áries perguntou, confusa.
Ela alternava o olhar entre mim e Magia, percebendo a troca de entendimentos entre nós. Sorri, satisfeita com a compreensão imediata de Magia.
— Sky, você tem certeza do que vai fazer? — Áries quis confirmar.
— Tenho. — Respondi, endireitando-me com firmeza.
— Tome as gotas que eu havia prometido. — Magia me entregou um frasco pequeno.
— Obrigada, Al. — A abracei com gratidão.
— Eca. — Áries disse entre o abraço. — Faz muito tempo que você não me chama de Al. Não faça isso novamente.
Dei de ombros e sorri, tentando manter a confiança. Quando me virei para Magia, notei que seu olhar estava carregado de uma severidade inquietante.
— Você sabe que, o que está fazendo terá efeitos colaterais, não sabe? — Magia sussurrou em meu ouvido, sua voz baixa e carregada de uma tenebrosa seriedade.
— Efeitos colaterais? Como assim? — Perguntei, pegando-me de surpresa e sentindo um frio na espinha.
— Você invadiu as lembranças de seu pai. Não pensou que isso passaria sem consequências, pensou? — Ela continuou, seu tom ameaçador aumentando meu desconforto.
— Magia... — Tentei protestar, minha voz um murmúrio nervoso.
— Você está mexendo com feitiçaria, e com feitiçaria vem as responsabilidades do que foi feito. Se é isso que deseja, será assim. Apenas tome cuidado; pode doer um pouco. — Ela piscou para mim, seu sorriso enigmático revelando um leve traço de diversão na sua expressão imperturbável.
— Mas Magia....
— Sky! — Áries chamou, sua voz carregada de preocupação e pânico.
Enquanto eu lutava para processar as palavras de Magia, ela começou a recitar um encantamento em uma língua antiga e poderosa. Suas palavras fluíam com um ritmo hipnótico e a energia mágica no ambiente parecia pulsar com intensidade.
— Quando você disser "Reverso", retornará a Samsalom. — Magia finalizou o feitiço, sua voz reverberando com um eco místico enquanto o encantamento se concretizava.
Fechei os olhos, sentindo um frio na barriga e um calafrio percorrer meus braços, enquanto o feitiço começava a agir. Quando finalmente os abri, me encontrei nos corredores de Lós. A sensação de estar em um lugar desconhecido era avassaladora. O ambiente ao meu redor parecia ultrapassado e carregado de uma aura antiga, com tapeçarias desbotadas e móveis de madeira escura que emitiam uma sensação de estagnação e decadência.
Senti o peso da estranheza do lugar e me forcei a não me distrair com os detalhes inúteis ao meu redor. O objetivo agora era encontrar Dempsey o mais rápido possível. Cada passo ecoava nos corredores silenciosos, e eu mantinha a atenção focada em meu objetivo, ignorando os ornamentos antigos e os quadros empoeirados que adornavam as paredes.
Com um movimento rápido e calculado, peguei o frasco que Áries havia roubado e pinguei algumas gotas do líquido nos olhos. A substância tinha um efeito dissimulador, ocultando as cores dos meus olhos por algumas horas, assim, evitando que alguém me reconhecesse. Se eu não usasse essa proteção, meu olhar inconfundível revelaria minha presença imediatamente. Com a sensação de que estava protegida o suficiente para não ser reconhecida como filha de Madark, comecei a avançar pelos corredores, determinada a encontrar Dempsey e cumprir o que eu tinha em mente sem mais delongas.
— O que você está fazendo aqui, rameira? Volte para o grupo, o rei espera todas vocês. Olhe para você, está horrível. — Uma mulher, adornada com joias e tecidos luxuosos, me surpreendeu ao falar com um tom imperativo. Ela me agarrou pelo braço com firmeza, sua presença autoritária imediatamente impondo-se.
Sem dar espaço para uma resposta, ela me puxou para seguir em direção a um novo local. Eu permaneci em silêncio, ciente de que essa mulher parecia ser a chave para encontrar Dempsey, e segui-a sem hesitar.
— Rita, sua imprestável, por que não está vigiando essas garotas? Veja esta daqui! — A mulher exclamou, dirigindo um olhar crítico para mim. — Está completamente desleixada. O rei não a escolherá desse jeito. Ou será que vai?
— Não, senhora. — Rita se curvou, visivelmente constrangida diante da mulher.
— Muito bem. Prepare-a imediatamente! — A mulher ordenou, jogando-me em direção a Rita.
— Venha, precisamos de uma arrumação urgente. — Rita me puxou para um canto, começando a me ajeitar e a me preparar para o encontro com o rei.
O local para onde Rita me conduziu estava repleto de mulheres elegantemente vestidas e adornadas. Elas brilhavam com joias espalhadas por praticamente cada centímetro de suas peles, criando um espetáculo de riqueza e sofisticação. O ambiente era uma mistura de luxo e opulência, com espelhos grandes e lustres de velas cintilantes refletindo a luz suave que acentuava o esplendor das participantes. Rita imediatamente começou a me preparar com uma eficiência meticulosa. Primeiro, ela me limpou com toalhetes úmidos, removendo qualquer traço de sujeira. Em seguida, aplicou camadas de maquiagem, transformando meu rosto com fundação, sombras e cores exageradas em meus lábios. Cada toque do pincel era preciso, e a maquiagem era aplicada com um objetivo claro de criar uma aparência impecável e glamorosa.
Enquanto Rita trabalhava, ela alisava meu cabelo, transformando-o de um estado bagunçado em uma cascata de ondas cuidadosamente penteadas e fixadas. O cabelo estava preso e adornado com pequenos acessórios que cintilavam à luz. O vestido que ela me vestiu era um ajuste perfeito, um modelo preto que moldava meu corpo com um corte apertado e um decote ousado. Sobre o vestido, ela colocou um lenço longo e fluído que caía elegantemente sobre meus ombros, conferindo um ar de sofisticação adicional e escondendo parte do decote, mas mantendo a elegância da vestimenta. Após o processo de transformação, Rita me posicionou em uma fila indiana, alinhando-me atrás de outras mulheres igualmente preparadas. O grupo estava em perfeita formação, cada uma delas com uma expressão de expectativa e nervosismo, prontas para se apresentar diante do rei.
— Você está deslumbrante. Tenho certeza de que o rei vai adorá-la. — Disse uma das garotas, sorrindo enquanto ajustava meu cabelo com um toque cuidadoso.
Com um sorriso amarelo, me afastei alguns centímetros para recuperar um pouco de espaço. Seguimos em fila em direção à sala do trono, e a cada passo, o som dos nossos saltos ecoava pelos corredores opulentos. Quando finalmente chegamos, a visão de Dempsey no trono era impressionante e, ao mesmo tempo, intimidante.
O rei de Lós estava sentado em um trono magnificamente adornado, coberto de ouro desde os pés até o topo. O trono majestoso parecia quase um pedaço do próprio império, com detalhes intrincados e um brilho dourado que ofuscava. Dempsey usa uma capa de pele luxuosa que caí pesadamente sobre seus ombros, complementando seu visual opulento. Apesar da sua idade mais avançada, Dempsey ainda exibia uma presença marcante. Seus cabelos grisalhos e sua pele quase enrugada não diminuíam a aura de autoridade e poder que ele emanava. Era evidente que, mesmo com o passar dos anos, ele manteve uma saúde vibrante e uma beleza que capturava a atenção de todos. Se ele ainda é assim na velhice, a imagem de sua juventude deve ter sido ainda mais impressionante.
A sala do trono estava cheia de homens de alta estatura e ar pomposo, todos eles exibindo um comportamento desleixado. Alguns estavam rindo descontroladamente, outros bebendo com uma falta de refinamento que se assemelhava a porcos famintos. A atmosfera estava carregada de um misto de desdém e indulgência, uma cena de excesso e decadência. Quando as mulheres, agora todas alinhadas e preparadas, entraram na sala, Dempsey não demonstrou a menor empolgação. Em vez disso, ele se recostou no trono com um ar de desinteresse absoluto, a mão apoiada no queixo. Seus olhos observavam-nos com um desprezo calculado, avaliando cada uma de nós com uma frieza que parecia desprovida de qualquer emoção genuína.
— Majestade. — A mulher que me abordou fez uma reverência profunda, e por um breve momento, o salão mergulhou em um silêncio expectante. — Estas são as minhas melhores meninas.
Ela fez um gesto amplo, indicando todas nós. Eu permaneci no meu lugar, quieta e observadora, aguardando minha chance com uma mistura de nervosismo e determinação.
— O senhor pode escolher qualquer uma que desejar, e quantas quiser. — A mulher sorriu, tentando transmitir uma confiança que parecia quase calculada.
"Escolher?"
Dempsey examinou todas nós com um olhar minucioso, seus olhos passando de uma para outra mais de uma vez. Para disfarçar meu nervosismo e tentar evitar sua atenção direta, peguei um pedaço do lenço que me deram e o coloquei estrategicamente sobre parte do meu rosto, criando uma cobertura sutil. "Não era para eu estar aqui. Não nesta situação." Eu me sentia deslocada, sem lugar naquela situação absurda. O peso da realidade era esmagador, e o fato de estar ali, sob o olhar avaliador de Dempsey, era quase demais para suportar. Finalmente, Dempsey pousou seus olhos em mim. A intensidade do seu olhar fez meu coração disparar e um frio percorreu minha espinha. Então, um sorriso satisfeito curvou seus lábios.
— Eu quero esta daqui! — Exclamou, apontando o dedo diretamente para mim. — A mais bela de todas elas.
O som de sua voz parecia ecoar pelo salão, e meus olhos se arregalaram em choque e surpresa. O peso das palavras dele caiu sobre mim como um balde de água fria, e eu senti uma mistura de pânico e resignação enquanto o silêncio do salão se tornava ainda mais opressivo.
— Uma escolha perfeita, meu senhor. — A mulher aplaudiu entusiasticamente, com um sorriso que misturava satisfação e superioridade. — Ela é toda sua.
Um frio de pavor começou a subir pelo meu corpo, e a circunstância do que estava acontecendo se instalou com uma crueldade dolorosa. Estavam me tratando como se eu fosse uma mercadoria, uma prostituta para entretenimento, e a humilhação era quase insuportável.
Dempsey se levantou lentamente, sua presença forte dominando o ambiente. Com um gesto de autoridade, ele veio em minha direção e agarrou minha mão com uma força inesperada.
— Meus caros, — Disse ele, dirigindo-se aos outros homens presentes no salão com um tom de desdém. — Sua licença.
Ele lançou um olhar carregado de desprezo para os homens, que, embora visivelmente desinteressados, eram bem próximos da sua esfera de influência.
— Ah, e aproveitem! — Dempsey completou, com um sorriso sarcástico enquanto apontava os braços para as outras mulheres.
O clima no salão permaneceu denso e carregado de um misto de satisfação e indiferença, enquanto eu, ainda em choque, tentava lidar com a gravidade da situação.
"Céus, onde me meti?" Um pensamento urgente atravessou minha mente: "Mas espera!" Se eu ficar sozinha com Dempsey, posso usar isso a meu favor. Se eu agir rapidamente, talvez não precise cumprir com o que ele de fato deseja para esta noite.
Andamos em silêncio, cada passo amplificado pela tensão crescente. Finalmente, chegamos diante de uma porta gigantesca. Era evidente que este era o aposento real de Dempsey, com uma decoração opulenta que refletia seu status e poder.
— Entre, minha querida. — Ele abriu a porta de seu quarto e fez um gesto convidativo para que eu entrasse.
Sem pronunciar uma palavra e com a cabeça abaixada, entrei no quarto. Quando finalmente levantei o olhar, me deparei com um espaço vasto e grandioso, praticamente dividido em três áreas distintas de tão grande que era. O quarto era amplo o suficiente para acomodar três famílias de MoonFifth ou SunFifth com total conforto. Dempsey me observa atentamente enquanto eu permanecia deslumbrada com a magnitude e a extravagância do ambiente. O esplendor do quarto parecia refletir sua autoridade e riqueza, e eu não pude deixar de sentir uma mistura de admiração e apreensão diante da abundância do lugar.
— Você nunca deve ter visto um quarto assim antes, não é mesmo? — Ele me perguntou, interrompendo meus pensamentos.
Ele entrou no quarto, tirou a capa de pele e a jogou descuidadamente no chão, revelando uma camisa branca que contrastava com o tom de sua pele envelhecida. Em seguida, descalçou os sapatos, evidenciando seu desejo de se sentir mais à vontade. Com um suspiro de alívio, ele se atirou na cama, deitando a cabeça sobre os braços cruzados atrás da cabeça. Enquanto isso, eu permanecia parada no mesmo local desde que entrei, imóvel e atordoada. A imensidão do quarto e o comportamento desleixado de Dempsey apenas aumentavam a minha confusão. Eu sabia que ele esperava algo de mim, mas a ideia exata de como agir ainda era nebulosa e assustadora. A sensação de incerteza da situação me pressionavam, forçando-me a pensar rápido para encontrar uma maneira de lidar com o que estava prestes a acontecer.
— Você deve ser nova nisso, não é mesmo? — Ele se levantou, aproximando-se de mim com um olhar curioso.
Com uma leveza inesperada, ele tocou delicadamente minhas bochechas, seus dedos deslizando suavemente minha pele.
— Como pode ser tão linda? — Ele sorriu, um brilho de fascínio nos olhos.
Dempsey me observa com uma intensidade quase reverencial, como se tivesse uma obsessão antiga por mim, um desejo que parecia atravessar eras.
— Dance para mim. — Ele voltou a se atirar na cama, como se essa fosse uma exigência simples e natural.
— Você quer que eu dance? — Perguntei, o tom da minha voz revelando surpresa e incredulidade. — Quer que eu dance... para você?!
— Sim. Dance. Agora! — Ele ordenou, com uma firmeza que não deixava espaço para dúvidas.
Rapidamente, me movi para atender ao pedido de Dempsey. Aproximando-me da cama onde ele estava deitado, comecei a dançar com o máximo de graça que consegui reunir. Peguei o lenço que me haviam dado e o lancei em direção a ele. Dempsey o agarrou com um gesto impetuoso e imediatamente levou-o ao nariz, respirando profundamente como se absorvesse cada nuance do seu aroma.
Enquanto dançava, minha mente estava alerta e focada. Meu olhar percorria cada canto do quarto, absorvendo os detalhes com precisão. O espaço ao meu redor era uma mistura de luxo e decadência: cortinas pesadas e brocadas, móveis de madeira escura entalhados com ornamentos extravagantes e tapeçarias ricamente decoradas que enfeitavam as paredes. Cada detalhe parecia revelar algo sobre Dempsey, e eu estava determinada a encontrar qualquer pista ou item que pudesse ser útil para o plano que começava a formular. A dança continua, mas meu foco estava em encontrar um objeto, uma fraqueza, qualquer coisa que pudesse me ajudar a sair daquela situação.
— Não seja tímida. — Dempsey me incentivou com um sorriso perverso. — Qual é o seu nome?
— Meu nome? — Engasguei, surpresa com a pergunta.
Ele balançou a cabeça em confirmação.
— Amélia. — Soltei o primeiro nome que surgiu em minha mente.
— Esse nome não combina com você. — Dempsey se sentou na cama, observando-me com um olhar avaliador. — Parece mais um nome de princesa ou rainha. Não que você não possa ser uma, com tanta beleza, é surpreendente que não seja da nobreza.
Senti um nó na garganta e engoli em seco.
— Posso lhe fazer uma pergunta? — Pausei a dança, dando um passo em direção a ele.
— Claro. — Dempsey respondeu, com um tom de curiosidade.
— Você conheceu a antiga rainha Meredith Calore? — Comecei a me aproximar mais dele.
— Conheci? — Ele riu com desdém. — Certamente! Mas, entre nós, ela não era tudo o que dizem por aí.
Com um movimento suave, engatinhei até a beirada da cama, tentando manter uma postura sedutora.
— Ah, é? E por que você diz isso? — Continuei a indagar, minha voz carregada de interesse forçado.
— Ela era uma grande vadia burra. — Dempsey fez uma pausa, com um sorriso diabólico. — Se tivesse se juntado a mim, talvez não tivesse morrido. Pena que não fui eu quem a matou, teria sido divertido. — Ele concluiu, com um tom venenoso.
Em silêncio continuei o observando atentamente.
— Mas com a filha, as coisas podem ser diferentes. — Deixou escapar, com um brilho sinistro nos olhos.
— Você se refere a Sky? — Perguntei, fixando meu olhar no dele.
Ainda parada no meio da cama, Dempsey me observava com uma expressão de confusão crescente. Seus olhos refletiam um misto de impaciência e perplexidade, como se estivesse tentando decifrar o motivo por trás das minhas perguntas. Eu podia quase ouvir seus pensamentos ressoando em sua mente: "Cale a boca e faça o que veio fazer!" Apesar da clara irritação, ele tentou manter a compostura, mas sua feição estava carregada de frustração. Dempsey se esforçava para entender por que eu estava fazendo tantas perguntas, em vez de simplesmente atender às suas demandas. Ele ajustava sua posição na cama, tentando disfarçar a inquietação que começava a mostrar em seus gestos.
— Sim, Sky. — Por fim respondeu, sua voz carregada de uma excitação contida.
— Você já a viu? Sempre quis conhecê-la. — Continuei, forçando a curiosidade em minha voz.
Dempsey balançou a cabeça lentamente.
— Não. Nunca a vi. — Ele mergulhou os olhos nos meus, como se tentasse encontrar algo mais profundo na minha expressão. — Mas por que essa curiosidade repentina?
— Nada demais. Apenas curiosidade. — Sorri de forma enigmática, tentando manter a fachada de desinteresse.
— Agora venha. — Dempsey estendeu a mão e me puxou para cima dele, seu tom se tornando mais assertivo. — Mostre-me o que sabe.
— Mas é claro, majestade. — Respondi, o ódio se refletindo nos meus olhos apesar do sorriso forçado.
Com um movimento calculado, subi sobre Dempsey e inclinei-me para beijar seu pescoço. No entanto, pausei momentaneamente, o desejo de encontrar uma oportunidade para agir me sobrepondo ao disfarce.
— Espere, só um momento. — Sussurrei, minha voz carregada de dissimulação.
Levantei-me lentamente e fiquei em pé em frente à cama, voltando-me para ficar de costas para Dempsey. Lançando um olhar furtivo por cima do ombro, comecei a desabotoar meu vestido com movimentos deliberados e precisos. Cada botão que eu abria parecia um passo mais próximo do que eu planejava em minha mente, e, com um último movimento, o vestido escorregou suavemente pelo meu corpo e caiu ao chão, formando um amontoado de tecido ao redor dos meus pés.
— Você é linda. — Dempsey elogiou, o olhar fixo em mim com um brilho de admiração.
— Gosta do que vê? — Perguntei, meu tom carregado de um ódio contido que ele não parecia perceber.
Ele, imerso em sua própria satisfação, sorriu amplamente e respondeu:
— É claro que gosto.
— Então aproveite, porque esta será a última visão que você terá. — Sorri de forma diabólica, deixando que o ódio transparecesse em meu olhar.
Dempsey congelou, seu sorriso vacilando ao notar a ameaça implícita nas minhas palavras. Seu olhar se transformou em uma mistura de confusão e desespero, a percepção de que algo estava muito errado começando a se instalar.
...
— Aqui, alteza. Tome cuidado com isso. — Flávio me entregou o pingente de leão, sua expressão séria. — Não sei se funcionará, mas aqui está o pingente com o veneno da serpente azul.
— Perfeito, Flávio. Isso deve ser exatamente o que eu preciso. — Olhei fixamente para o pingente, analisando seu brilho metálico.
— Você tem certeza de que quer seguir por esse caminho? — Perguntou, seu tom de voz carregado de preocupação.
— Isso não é da sua conta, querido. — Respondi, apertando suavemente o queixo de Flávio. — Mas obrigada pelo auxílio.
— Não há de quê, alteza. — Ele fez uma reverência respeitosa.
— E qual é o procedimento com o pingente envenenado? — Perguntei, me referindo ao objeto em minhas mãos.
— Coloque-o na roupa dele ou em algum outro item pessoal, se conseguir, quanto mais perto da pele melhor. — Flávio explicou, sua voz cheia de cautela. — Se conseguir, é claro.
— Está duvidando das minhas habilidades? — O encarei, desafiadora.
— De forma alguma, senhorita. — Ele baixou a cabeça, claramente envergonhado.
— Exatamente o que eu queria ouvir. — Concluí, com um sorriso sutil.
...
— Mas por que essa curiosidade repentina?
— Nada demais. Apenas curiosidade. — Sorri de forma enigmática.
— Agora venha. — Dempsey estendeu a mão e me puxou para cima dele. — Mostre-me o que sabe.
— Mas é claro, majestade. — Respondi, o ódio se refletindo nos meus olhos apesar do sorriso forçado.
Com cuidado, subi sobre Dempsey e, movendo-me lentamente para não chamar atenção, coloquei o pingente envenenado sobre sua camisa. A sensação de frieza do metal e o peso da vingança me impulsionaram a agir com precisão. Assim que o pingente foi discretamente posicionado, o veneno começou a fazer efeito. Dempsey começou a se contorcer na cama, um trejeito de dor se formando em seu rosto. Seus olhos se arregalaram, e ele se agitou violentamente, a agonia tomando conta de seu corpo. O quarto, que antes estava impregnado de uma opulência sombria, agora se enchia de seus gemidos de sofrimento, um som que trouxe um estranho senso de satisfação e justiça.
— O que você fez comigo? — Sua voz estava entrecortada por gemidos de dor, revelando uma mistura de surpresa e desespero.
Dempsey está com a face completamente vermelha, suas veias saltadas de tanto esforço. Ele tosse descontroladamente, como se cada espasmo fosse um tormento cruel. Desesperado, tentava remover a camisa, acreditando que ela estaria apertando-o, mas suas mãos trêmulas mal conseguiam tocar o tecido. Sua pele começou a se cobrir de manchas vermelhas e ele se coça freneticamente, tentando aliviar a sensação de queimação que parecia se espalhar por seu corpo. Seus gritos, abafados pela dor, saíam em sussurros entrecortados, sua voz quase desaparecendo. Assistir a sua agonia era uma visão magnânima; o sofrimento que ele estava experimentando trouxe uma sensação de justiça sublime e incomparável. O prazer de vê-lo em tais tormentos era uma sensação que eu nunca havia experimentado antes. Com um sorriso satisfeito, comecei a me vestir novamente, cada movimento lento e deliberado, enquanto o caos ao meu redor se desenrolava.
— Amélia, por favor, me ajude! — Ele implora desesperado, sua voz carregada de dor. — Estou queimando, não consigo suportar a ardência! AMÉLIA, socorra-me! — Ele gritou, sua voz se desintegrando em um grito angustiado.
Continuei imóvel, observando-o em sua agonia enquanto ele se deteriorava lentamente. De acordo com as instruções, os efeitos das gotas que usei para disfarçar meus olhos, herança de meu pai, já estavam começando a desaparecer. A expectativa do momento em que ele finalmente descobriria quem eu sou me enche de uma satisfação fria. Ansiosa, aguardei o instante em que a verdade se revelaria e o olhar de reconhecimento e terror cruzaria seu rosto.
— O que está fazendo? — Sua voz, fraca e tremendo, arranhava o silêncio.
Quando Dempsey finalmente conseguiu focalizar meus olhos, que agora eram visíveis sem o disfarce, seu olhar se arregalou em choque e descrença. Seus olhos, antes implacáveis, estavam agora cheios de horror ao reconhecer a verdade.
— Você é a herdeira de Madark... — Ele murmurou, sua voz carregada de ódio. — Sua bruxa maldita, o que fez comigo?
Não respondi. Permaneci em pé, com os braços cruzados, enquanto observava o sofrimento dele com uma frieza calculada. Uma satisfação sinistra preenchia meu coração ao ver o resultado do meu plano. "Não posso acreditar que isso está realmente acontecendo," pensei, encantada com a cena diante de mim.
— Sua, sua, desgraçada. Filha do demônio! — Ele lançou suas últimas palavras, sua voz enfraquecendo até se transformar em um murmúrio cheio de desprezo.
— Velho nojento. — Vociferei com desdém, pegando meu lenço de cima de seu corpo agora sem vida. — Um já foi.
Senti um prazer perverso ao observar o corpo de Dempsey, agora imóvel e sem vida, estirado à minha frente. Peguei o lençol de sua cama e cobri-o, de modo que seu corpo fosse ocultado sob o tecido. Após alguns momentos, o tédio começou a se instalar, e decidi que era hora de voltar para casa.
— Reverso! — Pronunciei a palavra mágica com determinação, sentindo o ambiente ao meu redor se distorcer e, finalmente, me transportando de volta para Samsalom.
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