20- My Final Test
"Como posso dizer isso sem desmoronar? Como posso dizer isso sem assumir as consequências? Como posso formar isso em palavras quando isso é quase demais para a minha alma sozinha? Eu amei e te amei e te perdi, e isso machuca como o inferno. Venha lutar para me libertar." - Hurts Like Hell, Fleurie, Tommie Profitt
Jimin
Inicialmente, depois do que aconteceu, eu não tinha um lugar concreto para ir, e menos ainda sabia para onde estava nadando. No entanto, eu reconheci o caminho que fiz no dia em que recebi a maldição de Hiduna.
Ao invés de ir para onde ela mora, eu segui para onde sei que ninguém vai me achar. O lugar que Politéia havia me contado, que dava para ver o céu durante a noite sem ter muita preocupação.
Com isso em mente, eu continuei nadando, até enfim achar o lugar, e me surpreendi quando o vi.
Era lindo, e havia julgado ser impossível que outro lugar dentre a imensidão do mar fosse fazer a vista do céu parecer tão linda. Eu estava errado, esse com certeza era o melhor lugar que eu havia ido, no mar.
Naquele lugar, havia um amontoado de pedras, em lugares que pareciam ter sido escolhidos a dedo, postos naqueles mesmos lugares propositalmente. Eu poderia jurar que nunca encontraria um lugar daqueles em meio ao oceano, mas aparentemente, eu estava errado. Ainda me parecia impossível que aquele lugar existisse, ainda que eu estivesse vendo.
Ali, naquele lugar onde eu sabia que ninguém me acharia, eu chorei tudo o que estava me sufocando, e mesmo que quisesse ir para casa e matar a saudade que tinha de lá, de minhas estrelas marinhas e dos meus pais... não consegui fazer isso.
A imensidão das águas me fazia sentir solitário. Não havia nada e nem ninguém por quilômetros à frente, e isso, de certa forma, me deixava angustiado. Eu não havia apenas me acostumado com tudo na terra, eu havia começado a amar tudo, e além das coisas materiais, também comecei a amar meus novos amigos, a amar Jungkook...
E foi só ao amanhecer que eu tive a total certeza de que fiz a escolha certa. Eu percebi que realmente não sinto mais nada na conotação romântica por Jeongguk, mas sinto inúmeras coisas por Jungkook.
Não sei explicar tudo o que sinto, só posso dizer que é real, e se for preciso desafiar Hiduna para ela me deixar ficar com Jungoo, é isso que vou fazer.
Depois de minha decisão, eu enfim nadei até minha casa. Durante o caminho, eu pude receber cumprimentos de vários tipos de peixes, todos dizendo que sentiram minha falta. Me permiti sorrir por um momento, matando parcialmente a saudade que senti de poder conversar com cada espécie do mar.
Chegando ao meu destino, pude encontrar meus pais, Jeongguk e Politéia na sala principal. Pareciam angustiados, e entendi o porquê assim que eles me viram.
- Filho! Que bom que está bem - minha mãe disse, vindo em minha direção e me abraçando. Não reprimi o impulso de abraçá-la também.
- Por que demorou para voltar? Ficamos preocupados - foi meu pai quem perguntou, e eu acho que nunca o senti tão preocupado comigo.
- Eu precisava pensar, precisava de um tempo para mim - respondi, também o abraçando. Abracei Jeongguk logo em seguida. - Fui a um lugar que Politéia me contou uma vez - eu olhei para ela, que parecia realmente preocupada com o que eu disse.
Em seguida, eu a abracei, apertando o quanto podia, mas tomando cuidado para não apertar demais. Eu senti falta dela, Politéia sempre foi minha melhor amiga, e mesmo que nossa amizade esteja fragilizada agora, eu não seria capaz de esquecê-la, e sei que esse abraço fará bem para nós dois.
- Obrigado, aquele lugar é incrível - eu disse, ainda sem soltar a Politéia. Senti seu abraço de volta, tão apertado quanto o meu.
Esse era o perdão que ela sempre pedia silenciosamente. Eu podia vê-la pedir sempre que nos víamos, seu olhar sempre entregou tudo.
Depois de pouco tempo, eu enfim a soltei, tentando focar no momento em que nos encontramos.
- Eu preciso voltar. Preciso dar um jeito de falar com Hiduna - eu disse, olhando para todos os que estão ali.
- Você vai mesmo nos deixar? - minha mãe perguntou, parecendo destruída internamente.
- Sabe que preciso fazer isso, vou me arrepender para sempre se não fizer - eu disse, esperando que ela entenda.
- Eu vou ajudar você - Jeongguk disse, fazendo com que eu olhasse para si. Ao olhá-lo, eu o encontrei com um sorriso pequeno nos lábios. Não esperava por isso.
- Eu também vou - Politéia disse, e eu não esperava que ela fosse fazer menos que isso, e sei que não apenas para se redimir.
Mentalmente, eu comecei a pensar em alguma solução, alguma forma de encontrar Hiduna e fazê-la me deixar ficar com Jungkook. No entanto, antes que eu pudesse arquitetar um plano para encontrá-la e tentar conversar com ela, eu escutei algo me chamando, e em seguida, vi algo brilhando a alguma distância de onde eu estava, do lado de fora de casa, ao que virei na direção do som.
- Estão ouvindo isso? - eu perguntei, esperando que eles também ouvissem. Eu reconhecia muito bem aquela voz.
- Não estamos ouvindo nada - meu pai disse, mas suspirou ao olhar para onde eu olhava.
Eles não ouviam, mas conseguiam ver.
- Precisamos ir, ela está nos chamando.
- Como pode ter certeza? - minha mãe perguntou, insegura.
- Vocês não estão ouvindo, mas eu sim, e ela está me chamando.
Sendo assim, eu fui o primeiro a sair de casa, sendo seguido pelos outros quatro. Durante todo o caminho, nós não dissemos nada, apenas nadamos rápido até onde eu sabia que deveria ir.
Ao chegar na margem da praia, eu pude ver Hiduna, e a luz que eu havia visto parecia vir diretamente dela.
Ao prestar mais atenção, eu percebi que havia alguém à sua frente, tendo em conta que ela estava de costas para o mar. Namjoon estava ali, a encarando. Seu olhar duro demonstrava que ele não estava contente com a situação. Eu não poderia dizer qual o olhar dela para ele, mas eu nunca a vi tão fragilizada quando desviou o olhar por um instante. Mal sei dizer se estavam conversando antes disso.
O momento teria se prolongado ainda mais, se Namjoon não tivesse nos visto ali.
Nenhuma palavra foi dita entre nós, até que pouco a pouco cada um dos meninos chegaram... Menos um. Jungkook não estava ali.
🦪🦪🦪
"Eu gostaria de poder construir uma máquina do tempo, porque o tempo se move, e agora você se foi. Se eu pudesse construir uma máquina do tempo, eu viria buscá-lo, não posso te perder. Eu sinto sua falta." - I Miss You, Løv Li
Jungkook
Parte de mim acredita que existem coisas nesse mundo que não compreendemos, coisas como magia, morte, destino. Mas parte de mim ignora tudo isso e quer apenas viver normal e tranquilamente. Depois que Jimin apareceu em minha vida, eu sei que a parte de mim que realmente estava certa era a que acreditava em coisas incompreensíveis.
Eu nunca imaginei que tritões e sereias existissem, e foi difícil acreditar quando Jimin apareceu dizendo que era um deles.
No começo foi difícil, e mesmo que minha cabeça estivesse explodindo com a possibilidade de realmente existir outras inúmeras coisas que eu não sabia se eram reais ou não, em momento algum eu senti medo dele.
No entanto, agora, eu sinto medo. Porém, não é dele, e sim de que ele não volte, de que não consiga voltar para mim.
Não sou dependente dele, no entanto, ainda sim, preciso dele. Preciso de seu sorriso, de sua simpatia, até mesmo da forma em que ele me acorda para fazer café da manhã para si.
Nesse momento, eu gostaria de olhar em seus olhos e dizer: Eu preciso de você, Jimin, preciso de você e sinto sua falta, mais do que eu poderia desejar. Tudo o que eu quero é que você volte logo para casa.
E eu penso sobre isso durante o restante da noite. Não consegui dormir, tampouco tentei. Preciso arquitetar algum plano para conseguir trazer Jimin de volta para casa.
Quando me dei conta, já estava amanhecendo. No entanto, permaneci do mesmo jeito que estava: deitado no sofá da sala, pensando em algo que nunca vinha em minha mente.
Meus pensamentos só foram interrompidos quando uma luz forte irradiou do lado de fora da casa, parecendo não estar tão longe daqui.
Eu sabia que era Hiduna, ou alguma coisa a ver com ela. Eu não queria sair para ver o que era, nem para saber o que estava acontecendo.
Ao mesmo tempo em que não queria ver, eu queria, porque sentia que alguma coisa estava prestes a acontecer e sentia que algo me chamava para sair.
Me deixei ser levado pelo que eu não entendia, algo me chamava lá fora, e deixei esse 'algo' me conduzir. Foi uma das melhores escolhas que já tive nos últimos tempos.
Todos já estavam lá, os mesmos de ontem, e de todos, o único que realmente me chamou atenção foi ele. Jimin está aqui, e parece angustiado com alguma coisa.
Com isso, um pensamento despertou em minha cabeça. Se todos estão reunidos, incluindo Hiduna, é porque isso tudo ainda não acabou, e se Jimin está angustiado, provavelmente seja porque eu sou o único que não está junto deles.
Com isso, eu comecei a caminhar para onde sei que deveria estar.
- Achou que eu iria perder de te ver de sereia de novo? - eu disse, atraindo a atenção de todos.
Eu vi Jimin ficar mais aliviado ao me ver, no entanto, o que ele disse foi diferente de como o imaginado, ao perceber como o chamei.
- É tritão, Jungkook! - ele disse, interrompendo o sorriso que mal havia aparecido.
Ouvi alguns pequenos risos em reação a isso, e eu mesmo sorri, ainda vendo Jimin nervoso, como sempre fica quando eu o chamo de 'sereia'.
O clima ficou subitamente mais leve, e consegui ver que até Hiduna estava sorrindo. E também percebendo o mesmo, o próprio Jimin se permitiu rir com isso. Fiquei feliz de ter conseguido fazer todos se distraírem um pouco, mesmo que não vá durar tanto.
Quando a descontração passou, todos nós voltamos para o momento de agora, que precisa de nossa atenção.
- É bom ver vocês assim em um momento que trás tanto estresse - Hiduna disse, e eu sei que ela também não gosta do que faz. No entanto, se ela não gosta, porque faz? - Jimin, depois dessa noite, ainda tem certeza de sua escolha? - ela continuou dizendo, enquanto eu me aproximava dos meus amigos.
- Sim - ele responde, sem nem mesmo hesitar. Consegui ver um filete de esperança em seus olhos.
- Certo. Só tem uma coisa que precisamos fazer, então - ao dizer isso, ela se virou para meu grupo de amigos, fixando seu olhar em mim. - Jungkook, eu tenho plena certeza dos sentimentos de Jimin. Mas e os seus? - eu sei que ela quer que eu prove, e independente do que for, vou dar isso a ela.
- O que quer que eu faça? - pergunto, sem parar para pensar nas consequências que essa pergunta pode me trazer.
- Quer ficar com Jimin, não quer?
- Quero, com toda a certeza que existe em mim - respondi, com sinceridade.
- Mesmo se for debaixo da água? - dessa vez, não consegui entender sua pergunta. - O que quero dizer é: você ficaria com ele, mesmo que tenha que se transformar em um tritão e viver lá com ele? E deixar tudo aqui? - ela explicou, e foi impossível não hesitar antes de responder.
Eu olhei para Jimin, o encontrando já olhando para mim. Em seguida, olhei para o mar, vi toda sua imensidão, e por um instante temi tudo o que deve haver ali dentro. Depois, olhei para meus amigos, e todos olhavam para mim. Olhei para minha casa mais ao fundo, a casa que herdei de meu pai depois que ele se foi. E enfim, olhei para Hiduna novamente.
Seria fácil negar essa proposta depois de perceber tudo o que vou deixar para trás. Era fácil negar quando se temia o desconhecido.
No entanto, eu me permiti lembrar de tudo que Jimin já passou, me permiti lembrar que ele mesmo já morou no mar, e que se eu precisar ele vai me ajudar, sem pensar duas vezes. E me permiti lembrar que, por mim, mesmo que não quisesse, ele voltou para o mar, apenas para tentar dar uma chance ao que Hiduna queria e tentar ficar ao meu lado, se tudo desse certo.
- Sim - foi o que respondi, com toda a sinceridade que consegui demonstrar. - Sim, eu ficaria com ele mesmo se tivesse que deixar tudo aqui e ir com ele. - ela não ficou impressionada com minha resposta.
- Sendo assim... - ela começou dizendo, erguendo a mão. Porém, ao invés de fazer o que eu havia imaginado, que é me transformar em tritão, ela fez algo totalmente diferente.
Ela estendeu a mão para Jimin, com a palma virada para cima, e depois, olhou para ele, antes de dizer o que realmente pretendia.
- Não vou transformá-lo em tritão, mas vou transformar Jimin em humano mais uma vez, e dessa vez, não terá que tomar mais cuidado com a água - e foi o que ela fez.
Nos segundos seguintes, ela se dedicou em transformar Jimin, o que aconteceu de forma rápida. Em apenas alguns segundos, Jimin voltou a ter pernas. Estava vestindo a mesma roupa que vestia antes de Hiduna aparecer.
A primeira reação dele foi sair de dentro da água, começando a caminhar em minha direção. Ele tinha um sorriso no rosto, o mesmo sorriso que eu também carrego.
Entretanto, ao chegar à metade do caminho, ele parou no lugar ao mesmo tempo em que seu sorriso morreu. E em seguida, ele desmaiou, caindo onde estava. Meu corpo teve a reação natural de correr ao encontro de Jimin, com medo de qualquer coisa que poderia acontecer.
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