75° - Vontade Sem Fim!
Quando a nuvem expressa de poeira surgiu no horizonte, Kaguya e Midori logo pararam sua batalha momentaneamente tentando entender o que havia acontecido. Dentro da floresta, os soldados de ambos os lados e Homura observaram aquela nuvem expressa ao longe com olhos assustados. Homura já começou a imaginar se aquilo seria obra de Katsuo, será que algo aconteceu com Ryotaro? Perguntava-se o homem. Já Kaguya pensou imediatamente nas relíquias sagradas, se Saporro foi realmente atacada por alguém, às relíquias já não estariam mais seguras.
Já Midori conseguia deduzir que Yamata no Orochi ou até mesmo Katsuo pudessem ter algo a ver com aquele ataque repentino a capital, porém sua preocupação maior e seus pensamentos estavam focados em Akemi sua filha. Pois ao saber que sua filha estava presa no subsolo do castelo, ela já imaginou o que poderia ter acontecido com Akemi naquele momento.
Midori segurou firmemente sua espada e tentou correr rumo ao castelo, porém kaguya interveio bloqueando a passagem de Midori com um golpe de cima pra baixo que foi bloqueado pela mulher. Midori em fúria afastou kaguya e logo a atacou dando vários cortes rápidos. Kaguya dava passos firmes para trás mantendo seu equilíbrio e sua guarda alta, o que lhe permitiu se defender precisamente dos golpes de sua oponente.
Após trocarem golpes, Kaguya e Midori se afastaram encarando uma a outra. Kaguya podia sentir a preocupação de Midori com relação a Akemi, ver toda aquela reação de sua oponente, a fez se lembrar de sua mãe em Saitama, por mais que Midori pudesse ter todas aquelas ideias malucas em relação ao futuro do país, Kaguya ao menos reconhecia aquela lado materno de sua inimiga.
- Saia... Da minha frente. – dizia Midori.
- Não posso permitir isso. – retrucou Kaguya.
- Eu preciso ver Akemi... Agora! – afirmava Midori.
- Eu também estou preocupada com muita coisa em relação àquilo, mas se eu deixar você passar as coisas podem piorar ainda mais, então se quiser seguir em frente... Vai ter que passar por mim! – dizia Kaguya se pondo em posição de combate novamente.
- Pois bem criança... Você pediu por isso! – disse Midori ficando ainda mais séria.
Midori concentrou sua energia espiritual na espada que começou a ficar com um intenso brilho verde, em seguida a mulher fechou seus olhos por alguns instantes e ao abri-los, seus olhos pareciam como os de uma víbora. Kaguya sentia um leve medo percorrer sua espinha, encarar aqueles olhos a fazia lembrar um pouco a sensação que teve ao ver o olhar da serpente gigante no castelo de Midori.
- Espada Oculta: Hebi Doku! (Veneno da Serpente) – gritava Midori concentrando seu Seiho na espada.
- Então essa é sua Espada Oculta... Seu Seiho a deixa mesmo parecida com uma serpente. – dizia Kaguya.
- Essa será a última coisa que verá criança. – afirmou Midori.
- Veremos... Espada Oculta: Senbonzakura no Dansu! – gritava Kaguya também concentrando sua energia em sua espada.
- Vamos recomeçar! – gritou Midori indo ao ataque.
Kaguya se posicionou pronta para bloquear o ataque de Midori, porém a mulher rapidamente mudou sua postura surpreendendo Kaguya e atingindo no ombro esquerdo com um corte. Sem demorar Kaguya contra-atacou, porém Midori bloqueou o ataque com precisão forçando Kaguya a dar passos para trás.
Antes que pudesse receber outro golpe, Kaguya usou força máxima para empurrar Midori de volta, sua espada com a energia similar a das cerejeiras desferiu um poderoso corte que foi facilmente bloqueado. Surpresa pelo bloqueio repentino de Midori, Kaguya foi surpreendida por uma sequência de ataques rápidos que a atingiram em cheio. Vários cortes surgiram pelo seu corpo que a fizeram cambalear para trás.
De repente a visão de Kaguya ficou meio bagunçada, a jovem sentia que havia algo de errado, mas não saberia dizer o que é. Ao tentar atacar com um golpe cruzado, Midori rapidamente desviou e contra-atacou com um corte de baixo para cima que atingiu a lateral de kaguya que caiu ao chão. A jovem se levantou e novamente sentiu seu corpo estranho, por mais que sua Espada oculta estivesse ativa, Midori estava lendo seus movimentos melhor do que antes.
- C-como...? Se perguntava Kaguya.
- Você mesmo disse... Meu Seiho me deixou como uma serpente! – respondia Midori indo ao ataque novamente.
Kaguya se posicionou defendendo cada golpe com dificuldade, aos poucos a força de Midori e sua velocidade foram superando a Espada Oculta de kaguya de forma com que a jovem não conseguisse pensar em nada além de se defender como podia. Durante a troca de golpes, Kaguya sentia uma dor estranha em seu braço direito na região onde o primeiro ataque lhe atingiu, e vindo das outras feridas causadas desde que Midori ativou seu Hebi Doku, foi então que algo passou pela sua mente. Uma teoria que começou a fazer cada vez mais sentido conforma a batalha se prolongava.
- Veneno! – gritou Kaguya bloqueando outro ataque e se afastando de Midori.
- Exato... Parabéns por perceber... A cada corte eu ejeto parte do meu Seiho dentro do inimigo retardando momentaneamente seus movimentos, o que me dá brecha para causar ataques com a maior taxa de precisão, o efeito dura pouco, mas para mim é o suficiente... Essa é a habilidade da Hebi Doku! – explicava Midori.
- Então só preciso não ser atingida, ótimo! – dizia kaguya pronta para voltar ao combate.
- Fala como se conseguisse me evitar! – gritou Midori.
Kaguya usou sua energia espiritual para aumentar a velocidade de seus golpes. Midori sentiu o aumento de força logo no primeiro impacto de suas lâminas, porém algo lhe chamou a tenção, as faíscas geradas pelo atrito das lâminas começavam a se tornar pequenas pétalas de cerejeiras ao vento.
Ao primeiro momento Midori as ignorou, afinal eram apenas lascas de faíscas geradas por atrito do metal, porém essas mesmas lascas que graças a energia de Kaguya se tornavam pequenas lâminas de cerejeira, começaram a atacar Midori respondendo a cada movimento de Kaguya. Midori estava surpresa, a mulher não esperava um ataque como aquele vindo da espada de Kaguya, que aos poucos, ganhava cada vez mais espaço naquela batalha, agora era Kaguya quem estava atacando intensamente.
- "Ilusão? Deve ser algo em reação a energia dela... Isso não pode ser real." – pensava Midori enquanto as pétalas lhe atacavam na região do braço.
Vendo que Midori estava surpresa, Kaguya aproveitou o momento para voltar ao ataque com força total. A cada golpe dado, Midori se esforçava para se defender, mesmo dando passos para trás, mantendo uma boa postura e bloqueando com precisão cada golpe, estava difícil para a líder do clã Suzuki resistir àquela intensidade de golpes, aos poucos Midori foi cedendo espaço permitindo que alguns ataques de Kaguya lhe acertassem nas laterais de seu corpo.
A líder do clã Suzuki sentia que Kaguya estava se esforçando ao máximo para lidar com o suposto "veneno" de seus ferimentos, ignorando suas dores e contra-atacando com poder total. Kaguya era forte, seu treinamento a fez ficar mais forte, a jovem sabia que deveria aguentar os efeitos do veneno de Midori caso quisesse vencer aquela batalha.
Porém Midori intensificou seus ataques a fim de reagir a Kaguya, ambas trocavam golpes cada vez mais rápidos, suas espadas se chocavam com força máxima gerando pequenas rajadas de energia espiritual. Nenhuma das duas dava brecha para um ataque direto e por mais que Kaguya tivesse ferimentos, e o veneno da Hebi Doku fluísse por eles, a jovem conseguia resistir usando pura força de vontade.
Quando a jovem teve a oportunidade, Kaguya desferiu uma poderosa estocada que atingiu o ombro de Midori de raspão. A mulher desviou por muito pouco, contra-atacando rapidamente com um corte cruzado. Kaguya conseguiu desviar usando o estilo Sombra de sua Espada Oculta, e voltando atacar no mesmo instante pegando Midori de surpresa. A jovem acertou um ataque cruzado, que fez a mulher recuar momentaneamente.
Irritada Midori concentrou seu Seiho ao máximo e foi novamente ao ataque. Kaguya estava ofegante, a batalha estava a desgastando mais do que esperava, porém, a jovem não teve tempo para recuperar o folego, pois Midori já estava em cima a obrigando a se manter na defensiva. Um, dois, três ataques conseguiram acertar Kaguya que momentaneamente foi ao chão, a jovem se levantou com certa dificuldade cuspindo um pouco de sangue e logo voltou ao ataque.
- Por quê? Por que não desiste logo? Esse país precisa mudar! Eu preciso daquele poder! – gritava Midori atacando Kaguya com ataques rápidos.
- Desistir? Não vou fazer isso e deixar você ou Katsuo controlarem esse lugar usando as relíquias de maneira errada! – retrucou Kaguya contra-atacando.
- Você não faz ideia do que esse poder pode fazer, é nós temos a chave para usá-lo e mudar tudo... Dar uma vida melhor a todos! – gritava Midori desferindo um golpe cruzado que foi bloqueado.
- Uma vida melhor? Onde seria melhor com vocês no comando? – perguntava Kaguya pressionando Midori para trás.
Após a disputa de força ambas voltaram a trocar intensos golpes elevando suas energias ainda mais. A batalha brutal de ambas parecia não ter fim, as duas guerreiras samurais possuíam uma determinação forte, uma vontade sem fim de alcançarem o seu objetivo e suas espadas, seus Seiho, respondia a essa vontade.
Do outro lado da floresta, Homura surgia observando aquela furiosa batalha a sua frente. Após confrontar os arqueiros na floresta e deixar o restante com os soldados da Guarda do Dragão, o homem agora testemunhava a batalha de sua aprendiz. Por mais que pensasse em intervir, Homura sabia que se fizesse isso, poderia ferir o orgulho de ambas os guerreiros, e por mais que quisesse, também sabia que seria difícil encontrar alguma brecha para entrar naquela luta.
- "Vamos Kaguya... Confie em sua espada" – pensava homura consigo mesmo.
Kaguya e Midori agora se encaravam friamente, ambas estavam com bastante ferimentos pelo corpo, estavam ofegantes e já demonstravam sinais de que o próximo golpe poderia por um fim naquela batalha. Usar suas energias espirituais intensamente daquela forma exigiu demais de ambas, principalmente de Midori, que não estava esperando uma resistência tão grande por parte de Kaguya.
Midori sabia que o treinamento da jovem tinha dado frutos, mas não esperava uma evolução tão grande como aquela. As habilidades de Kaguya a surpreenderam a ponto de Midori desejar ainda mais que Kaguya fosse para o seu lado.
Por outro lado, kaguya sabia que o desafio seria grande, afinal estava enfrentando a líder do clã Suzuki, uma guerreira samurai que controlava uma cidade inteira, a jovem sabia que não seria fácil, mas sabia que precisava vencer, afinal se Midori vencesse, as coisas poderiam ficar ainda mais perigosas para todos.
- Você lutou bem... Mas agora... É o fim! – afirmou Midori.
- Eu digo o mesmo... – afirmou Kaguya.
Quando ambas estavam prontas para avançar e darem o que seria seu último golpe, algo atingiu o solo com força caindo entre as duas guerreiras. Kaguya e Midori se protegeram da pequena nuvem de poeira gerada pelo impacto da queda. Do outro lado Homura rapidamente sacou sua espada e se preparou para um possível combate, o homem conseguia sentir uma espécie de aura assassina vindo do local do impacto, algo que fazia seu corpo tremer levemente.
Quando a pequena nuvem de poeira se dissipou, Kaguya e Midori se surpreenderam com o que viram, primeiro uma silhueta de uma mulher surgiu e aos poucos foi se revelando.
- N-não pode ser... – Como você... – se perguntava Kaguya surpresa.
- M-minha pequena... Akemi... – disse Midori surpresa com a visão de sua filha.
Akemi se levantava, estava com os olhos fechados, e ao abri-los, a jovem de um longo sorriso amedrontador, seus olhos, eram como os de uma verdadeira serpente.
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