73° - O Conflito da Cerejeira!
Hokkaido. Campo de batalha.
Os olhares de Midori e Kaguya estavam focados uma na outra. Depois do último encontro da dupla no Porto das Serpentes, Kaguya acreditava ter agora a força suficiente para enfrentar Midori. Depois de ter superado Akemi em força no seu último confronto, Kaguya agora era uma guerreira diferente, ainda mais por ter dominado sua Espada oculta.
Já Midori esperava ver essa evolução em prática, afinal à líder do clã Suzuki sabia que a jovem havia passado por algum tipo de treinamento durante sua estadia nas terras de gelo. Midori mais do que ninguém gostaria de presenciar a nova Kaguya finalmente em ação, testar a força daquela guerreira samurai e ver como a jovem se sairia naquele caótico campo de batalha que era a guerra.
Do outro lado, Homura observava as duas guerreiras em posição de combate, por mais que Homura quisesse enfrentar Midori, ele sabia que Midori estaria focada em sua aluna, fora que o homem ainda teria que se preocupar com as forças inimigas lutando mais à frente de onde estavam. Querendo dar esse voto de confiança em Kaguya e temendo que alguém pudesse surgir de surpresa e estragar o combate, Homura assentiu com a cabeça para Kaguya que respondeu o sinal.
Logo depois, o homem correu em direção ao campo de batalha a fim de ajudar seu pequeno grupo a enfrentar as forças de Midori e Katsuo e evitar surpresas durante aquela luta.
- Achei que seu mestre fosse lutar por você dessa vez. – comentou Midori.
- Ele confia em mim para derrotá-la, não pretendo decepcioná-lo. – dizia Kaguya.
- Admiro toda essa confiança, mas será que só isso é o suficiente? – perguntava Midori.
- Não vou saber se não tentar... Afinal tem muito em jogo nessa batalha e como eu disse, não pretendo perder. – respondia Kaguya.
- Kaguya Ishikawa... Veremos o quanto você cresceu! – comentou Midori indo ao ataque.
Midori se aproximou com velocidade dando uma rápida estocada, Kaguya se surpreendeu com o movimento, porém conseguiu reagir a tempo de evitar um golpe fatal. Kaguya posicionou bem sua espada jogando a lâmina de Midori para o lado, o atrito do metal deslizando um no outro gerou pequenas faíscas que se dissiparam no ar, aproveitando o momento, Kaguya avançou dando um corte na horizontal.
Vendo a espada de Kaguya se aproximar rapidamente de seu rosto, Midori não pensou duas vezes em jogar seu corpo para trás evitando com precisão o ataque da jovem. A lâmina de Kaguya passou de raspão pelo rosto de Midori cortando alguns fios de cabelo da mulher, em seguida, Midori girou seu corpo voltando a ficar em pé, e atacando Kaguya que se virou para bloquear com muito esforço mais um dos ataques de sua oponente.
Ambas se pressionavam tentando uma empurrar a outra para ganhar espaço, porém nenhuma delas parecia ceder, foi então que ambas deram um salto para trás e logo depois, correram em direção uma da outra novamente trocando uma nova leva de golpes. Kaguya sentia a força inimiga lhe pressionar cada vez mais, cada golpe parecia leve criado com movimentos precisos e calculado, que gerava muita força bruta ao realizar um ataque direto.
Kaguya sabia que teria que superar aquela força e velocidade, porém como, era a questão que pairava em sua mente. Lidar com a velocidade e a constância de ataques, além de calcular o tempo certo de sua defesa seria algo desafiador para si, Kaguya teria que se superar caso quis-se vencer aquela luta.
- "Ela é muito rápida... Se eu perder o foco eu estou morta!" – pensava Kaguya consigo mesma enquanto conseguia se afastar de Midori.
- Bom bloqueio... Lembro que da última vez você mal conseguia ler os movimentos de minha filha... Espero que me divirta! – Comentou Midori rindo enquanto atacava.
Após bloquear a nova leva de golpes com certa dificuldade, Kaguya resolveu ir ao ataque dando ataques rápidos, tentando pressionar Midori a se manter na defensiva. A cada golpe Midori desviava com precisão ou bloqueava usando sua espada, quando teve a chance Midori contra-atacou Kaguya. As duas guerreiras começaram a trocar golpes intensos de alta velocidade, ambas percorriam o espaço que tinham numa batalha acirrada tentando ao máximo atingir uma à outra.
Um pouco afastado dali Homura liderava um seu pequeno grupo contra as forças inimigas, Homura tomava a frente derrotando os samurais que estavam mais avançados. Já os poucos arqueiros daquelas duas tropas, se enfrentavam num combate a distância, onde suas flechas atingiam as árvores próximas ou até mesmo o solo, isso quando alguém não era pego no meio do fogo cruzado.
Homura avançava atento a movimentação principalmente dos arqueiros, o homem não gostaria de se pego de surpresa por uma flecha vindo em sua direção de um ponto cego. Seu objetivo no momento era chegar próximo dos arqueiros para então cessar o combate à distância, permitindo que seus homens seguissem o combate sem se preocupar com o que vinha de cima.
Porém Homura sabia que não teria vida fácil, os guerreiros com espada ou lanças atrapalhavam seu avanço o forçando a entrar em combate contra dois ou três de uma só vez.
- "Preciso dar um jeito nisso e rápido." – pensava Homura consigo mesmo.
Enquanto isso, Kaguya e Midori se encaravam friamente, a jovem Ishikawa estava ofegante com alguns ferimentos no rosto e no corpo. Já sua oponente possuía alguns arranhões no braço e um leve corte na bochecha esquerda. Midori riu ao sentir o sangue escorrendo de sua pequena ferida, a líder do clã Suzuki estava contente em ver que sua intuição não estava errada.
A evolução das habilidades de Kaguya era nítida, Midori até mesmo conseguiu imaginar a jovem vencendo sua filha, o que explicaria o sumiço de Akemi desde que chegou a Hokkaido. Midori deu um longo suspiro se concentrando em sua lâmina e focando sua atenção total em Kaguya. A jovem Ishikawa se acalmou e se concentrou recuperando o folego para que pudesse encarar Midori novamente.
- Me responda Kaguya... Minha filha... Onde ela está? – perguntou Midori.
- A mesma pergunta de novo..., mas tudo bem... Akemi está na prisão de Saporro, o local para o qual você irá após essa guerra. – Respondia Kaguya com seriedade.
- Ótimo, fico mais aliviada em saber que não está morta. – comentou Midori.
- Não somos como você Midori, não matamos sem necessidade. – Retrucou Kaguya.
- Nós também não... Nós somente eliminamos aqueles que julgamos necessários para que esse país possa prosperar. Saber que minha filha ainda está viva me traz certo alívio, agora posso lutar sem preocupação. – Dizia Midori.
- Não vou permitir que vença essa guerra. – disse Kaguya.
- E eu estou louca para vê-la tentar me impedir. – disse Midori sorrindo e avançando contra Kaguya que se preparou para bloquear mais um ataque.
Próximo de Saporro. Zona principal de guerra.
Katsuo contra Ryotaro. Enfim os dois shoguns se enfrentavam depois de muito tempo. A última vez em que estiveram num campo de batalha foi quase ao final do período Sengoku, onde a última batalha pelas relíquias aconteceu. Agora com suas habilidades e seus status em outro patamar, a batalha entre os dois se tornava cada vez feroz.
Conforme ambos trocavam golpes, as faíscas de suas espadas se chocando formavam um brilho intenso que ao se olhar de longe, se parecia como chamas brancas e azuis em meio à neve. A espada de ambos estava carregada com energia espiritual desde o início do confronto, o que mostrava que nenhum dos dois iria poupar esforços para vencer aquela batalha.
A área ao redor de ambos já estava completamente vazia, os guerreiros que lutavam em volta procuraram se afastar dando espaço para que ambos os shoguns pudessem seguir seu confronto sem nenhuma interrupção, afinal quem seria louco o suficiente para tentar intervir naquela batalha?
Ryotaro e Katsuo davam golpes rápidos, seus ataques eram precisos e suas defesas ainda mais. Cada golpe era bloqueado e contra-atacado com tamanha precisão que era difícil saber quando alguém iria dar espaço para enfim ser atingido para valer. Ryotaro não esperava que seu oponente tivesse ficado tão forte desde a última vez que se viram, talvez para aguentar o poder das relíquias Katsuo deva ter treinado ainda mais desde a última guerra, pensou Ryotaro.
Já Katsuo estava se divertindo com aquela batalha, desde que começou sua jornada em busca das relíquias, além do pai de Kaguya, Ryotaro era um dos oponentes mais difíceis que estava enfrentando, era difícil saber quando finalmente iria acertar um golpe em cheio. Porém Katsuo era paciente, sabia que teria que esperar o momento certo para tentar quebrar a guarda de seu inimigo e assim conseguir dar um golpe certeiro.
Enquanto a luta de ambos prosseguia no centro do campo de batalha, seus exércitos se enfrentavam ao redor em uma batalha que não parecia ter fim. Porém a vantagem estava com as forças de Katsuo e Orochi que naquele momento já haviam tomado o controle de boa parte das zonas de combate, porém a Guarda do dragão não desistia tão fácil, e em alguns pontos, já controlava seus inimigos.
Foi quando outra luta se iniciava do lado leste do campo de batalha, Yuki começava a enfrentar Takanori que chegou a cavalo com um pequeno grupo. O homem rapidamente desceu do animal tentando pegar Yuki de surpresa, porém a dama usou sua Alabarda para bloquear e contra-atacar no mesmo instante com um giro de sua arma.
Takanori foi atingido no braço, porém não se abalou, o homem se pôs em posição de combate e avançou dando golpes rápidos. Yuki era pressionada, Takanori estava tentando encurtar a distância entre os dois para evitar os ataques da alabarda inimiga. Yuki percebeu o que o general de Katsuo queria e logo se preparou para lançar seu contra-ataque.
Após defender-se de mais um ataque, Yuki segurou firmemente sua arma com as duas mãos e a puxou dividindo-a ao meio. Takanori se surpreendeu quando ao tentar um corte na vertical, invés de ser bloqueada sua espada passou reto pela arma inimiga.
Num movimento rápido e preciso, Yuki atingiu Takanori com dois cortes que o fizeram recuar momentaneamente. Ao olhar para frente ignorando suas feridas, Takanori viu Yuki juntar a lança novamente, e se preparar para lançar outra leva de ataques.
- Interessante... – Isso vai ser divertido. – Afirmou Takanori se concentrando.
- Não me subestime criança... – disse Yuki pronta para ir ao ataque.
Porém antes que pudesse avançar, um forte estrondo pegou todos ali de surpresa. As batalhas cessaram por alguns instantes onde Ryotaro e Yuki, Katsuo e Takanori olharam na direção da cidade curiosos com o que seria todo aquele barulho.
- Mas... O que...? – se perguntava Yuki surpresa.
- "Então começou... Será que isso é..." – Pensava Takanori consigo mesmo.
- Mas o que está acontecendo por lá? Katsuo! – perguntou Ryotaro enquanto Katsuo sorria.
- Não seria interessante revelar isso a você meu velho amigo! – respondia Katsuo sorrindo.
Vindo da direção da cidade, uma enorme nuvem de poeira se erguia como se fosse uma explosão, e de dento dela, podia se notar um par de olhos amedrontadores, brilhando intensamente.
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