65° - Preparações Para a Batalha!
Próximo ao Porto das Serpentes.
Hijikata e seu grupo de investigação se aproximavam cada vez mais da área do Porto das Serpentes. Após ouvir os relatos dos Ronins capturados em sua chegada a fronteira da província, o capitão do Shinsengumi não perdeu tempo e seguiu em frente.
Ao ver que estavam próximos do porto Hijikata sinalizou para seus homens efetuarem a aproximação, porém escondidos por entre as árvores e longe das estradas que conectavam a cidade portuária.
Hijikata se espantou ao ver aquele enorme castelo com uma estatua de serpente em volta, a cidade estava muito diferente daquela do qual se lembrava de um tempo atrás quando veio em missão junto com Okita e Kondo, onde se encontraram com o shogun anterior.
Enquanto observavam tudo do alto de uma colina, um dos homens alertou para Hijikata olhar na direção do mar. Ao fazer o capitão se deparou com vários navios sendo prontamente armados com samurais e outras armas de guerra. Seja o que quer que estivesse acontecendo ali, Hijikata sabia que aquela força de ataque não era para uma simples invasão a outro local.
Mesmo de longe Hijikata conseguiu ver por entre alguns dos moradores e até mesmo outros Ronins, soldados samurais que faziam parte do grupo de Katsuo que estava sendo perseguido pelo time de Yamaguchi.
- Isso é loucura... Katsuo deve ter juntado forças com alguém. Só isso para explicar toda essa bagunça. – afirmava Hijikata.
- O que faremos senhor? – questionou Maeda.
- Não vamos atacar muito menos invadir. Estamos em total desvantagem e nossa missão prioritária é somente investigar. – respondeu Hijikata.
- Eu já mandei o relatório preliminar para as unidades do Shinsengumi mais próximas. Com a mensagem sendo repassada não vai demorar em termos reforços vindo do sul. – alertou Yamaguchi.
- Ótimo, temos que recuperar as relíquias a qualquer custo. – dizia Hijikata fechando seu punho. – Vamos estabelecer uma área de vigilância nas proximidades, seja qual for o objetivo só invadiremos com os reforços. Novamente, não se aproximem da cidade, não é seguro. – alertou.
- SIM! – responderam todos.
Enquanto o grupo se preparava para se espalhar em torno da floresta, algo chamou a atenção de Yamaguchi que estava sem reação. Seus olhos assustados não sabiam se o que estava vendo era verdade ou não, foi então que Yamaguchi alertou Hijikata e os outros para olharem na direção do castelo.
- Mas... Que merda é aquela? – se perguntava Hijikata.
- Isso é real não é? Não é um sonho ou coisa parecida? – perguntou Maeda.
- Não... Parece ser real até demais. – respondeu Hijikata com raiva.
Todos viram uma enorme serpente sair dos fundos do castelo e logo depois mergulhar nas águas do mar desaparecendo por completo daquele lugar. Hijikata e seu grupo estavam sem reação, além de ter um misterioso inimigo liderando uma organização criminosa e as forças de Katsuo juntas, agora havia uma enorme criatura na forma de uma serpente a espreita.
Foi então que Hijikata também notou outra coisa, porém vindo dos céus. Um pássaro carregando uma pequena bolsa em suas costas sobrevoava os céus da cidade se aproximando com velocidade da floresta. Hijikata logo notou que o pássaro era uma das mais diversas aves do norte treinadas para levar mensagens em grandes distâncias. Hijikata e seu grupo recuaram imediatamente seguindo o pássaro floresta adentro.
Quando se afastaram da colina Hijikata assobiou e depois esticou seu braço direito, em resposta a ave notou o assobio e realizou uma aproximação pousando no braço de Hijikata. Quando Yamaguchi abriu e bolsa e leu à mensagem o mesmo relatou a seu capitão.
- É da Kaguya... Eles estão sob posse da última relíquia, parece que... Capturaram alguém das forças inimigas... E... – de repente Yamaguchi se surpreendeu novamente. – Capitão! As forças do norte pedem auxilio! Eles estão se preparando para uma guerra! – alertou Yamaguchi.
- Isso explica toda aquela força militar de Ronins no porto. Maeda! Yamaguchi! Alertem as províncias aliadas e também ao senhor Matsudaira! Ele já sabe que deve se aproximar só está esperando o sinal! Reúna as principais forças do Shinsengumi e peça para os esquadrões especiais cuidar da segurança do Daimyo! Digam tudo o que viram aqui e retransmitam essa mensagem a todos! Eu e o restante manteremos formação no entorno da cidade como planejado, quando os reforços chegarem nós partiremos imediatamente para o porto de Hakodate ajudar na batalha! Vão! – gritou Hijikata enquanto todos começavam a se mover.
Ao analisar a situação no porto e a distancia até Hakodate, Hijikata sabia que demoraria pelo menos um dia e meio até os esquadrões inimigos estarem nas terras do norte para a batalha. Hijikata também sabia que até Matsudaira chegar com os reforços levaria mais cinco dias. A situação não estava muito boa, porém Hijikata confiava no shogun Ryotaro e nas forças de Hokkaido, Hijikata acreditava que tal shogun não perderia uma batalha tão fácil assim.
- "Parece que agora vamos para o tudo ou nada... Só espero que você esteja segura Kaguya. Essa vai ser sua primeira guerra!". – pensava Hijikata consigo mesmo.
Hokkaido. Cidade de Saporro.
Após todo o alerta de guerra feito pelo shogun Ryotaro, o mesmo ordenou que a população inteira da capital evacuasse para as cidades mais ao norte. Ao mesmo tempo as atividades no porto de Hakodate haviam cessado. Soldados e toda a guarda do dragão passavam de vila em vila retirando seus moradores com calma e cuidado e pedindo para os mesmos seguirem para o norte além de Saporro.
Muitas vilas Ainus nas proximidades de Hakodate e Saporro também ajudaram muitas famílias a se moverem. Ao mesmo tempo a Guarda do Dragão já havia decido pontos estratégicos para emboscar seus inimigos. Os homens a serviço de Ryotaro conheciam melhor do que ninguém Hokkaido, ao menos em teoria a vantagem geográfica estava a favor das forças aliadas neste momento e isso era bom.
Porém todo cuidado era pouco e segundo as ordens de Ryotaro além de não hesitarem os soldados tinham ordens estritas para não subestimar as forças de seu oponente, afinal além de enfrentarem uma organização misteriosa liderada por uma mulher um tanto quanto ambiciosa e cheia de mistérios, estariam enfrentando também as forças do Dragão vermelho, Katsuo, que invadiu províncias para conseguir os artefatos dos deuses do qual tanto buscava.
A cidade de Saporro já estava bem fortificada com os melhores soldados disponíveis no momento. Do lado de fora da cidade nos campos que ligavam ao sul, uma pequena base foi estabelecida por Ryotaro e sua esposa Yuki, que trajava uma roupa feita para combate além de portar uma lança e uma alabarda em suas mãos.
O símbolo do dragão branco estampava os estandartes levantados e prensados no chão. Ao lado de Ryotaro e Yuki, Hideki dava seu relatório preliminar sobre a Guarda do Dragão e também sobre a evacuação da população ao sul.
- Parece que está tudo indo conforme o planejado... Ainda nem sinal do inimigo certo? – questionou Ryotaro.
- Não senhor! Porém todos os soldados estão prontos e as armadilhas estão sendo feitas neste momento. – respondeu Hideki.
- Entendo. Pode partir Hideki, lidere o esquadrão avançado, peça para os arqueiros estarem a postos. – dizia Ryotaro enquanto Hideki se curvava em respeito e saia correndo pegando seu cavalo e partindo rumo ao sul.
Homura que estava ao lado de Ryotaro olhava na direção da cidade num tom de preocupação, ao notar a reação do homem Yuki logo riu e afirmou.
- Fique calmo Homura, ela só foi conversar.
- Eu sei, mas tentar uma última aproximação com a Akemi a esta altura não é sábio. – dizia Homura.
- Isso pode ser bom para Kaguya... Ela já é uma guerreira forte, se ela conseguir mais algum detalhe que nos ajude ótimo... Mas e você? Está ansioso meu caro samurai sem mestre? – perguntou Ryotaro olhando para Homura que segurava firmemente a bainha de sua espada.
- Faz muito tempo desde que estive em uma guerra, e espero que esta seja a minha última... Usarei tudo ao meu alcance para impedir Katsuo. Então, sim... Estou um pouco ansioso. – respondia Homura.
- Hahahaha! Mais uma vez iremos defender este país com nossas forças! Há tempos eu não fico empolgado. Só espero que Katsuo me entretenha ainda mais! – afirmava Ryotaro com um sorriso maléfico em seu rosto.
Prisão da cidade de Saporro.
- Já é a terceira vez não é? Não deveria estar em outro lugar a essa altura? – questionava Akemi olhando Kaguya do outro lado da cela acompanhada por dois guardas que faziam a segurança de Akemi.
- Sim, deveria, mas resolvi vir e tentar falar com você uma última vez. – respondeu Kaguya.
- Eu já disse não vai mudar nada... Eu não direi uma só palavra. – afirmou Akemi.
- Você não sente nada? Desde aquele dia no castelo... Você não sente nem um pouco de remorso? – perguntava Kaguya.
- Não... Eu não sinto nada... Só fiz o que deveria fazer com um inimigo de nossa causa. – respondia Akemi num tom de voz um pouco mais baixo que o normal e desviando o olhar levemente.
- Mesmo que esse inimigo fosse seu próprio pai? – perguntou Kaguya fazendo Akemi sentir ainda mais raiva.
- O que você quer exatamente vindo aqui? Acha que vir com sentimentalismo a essa altura mudará alguma coisa? – perguntava Akemi ficando muito irritada, Kaguya assenti e enfim respondeu.
- Não eu não acho que vá mudar, mas eu sei que lá no fundo você não quer isso. Por favor, Akemi há vidas inocentes em jogo. Será que não tem nada daquela Akemi do qual o senhor Aigami acreditava ainda existir? Será que seguir tão cegamente sua mãe nessa empreitada de destruição é tão importante assim? – perguntava Kaguya.
- Sim, para mim e para o meu clã é sim... Eu realmente senti um pouco de pena pelo que aconteceu com meu pai, mas deveria ser feito... Tinha que ser feito para que eu pudesse evoluir como guerreira... Saiba Kaguya que você ainda tem espaço ao nosso lado... Seria legal ter alguém como você, uma irmã de guerra... Se dominarmos esse país, se conseguirmos todo aquele poder, poderemos construir uma sociedade banhada pela paz assim como você deseja. – dizia Akemi.
- Eu já disse que não vou me juntar a vocês... O método de vocês é errado. – alertou Kaguya.
- E qual seria o método certo? Se juntar ao Shinsengumi? Lutar pela paz e ser rejeitada? Por favor, não existe um método certo na busca pela paz... Cada um busca por ela a sua maneira, não importa o que tenha que enfrentar para conquista-la, cada um tem seus meios e seus objetivos. E este é o meu método de buscar pela paz. Dominar esse país é só o primeiro passo... E o seu Kaguya? Qual seria o seu método? O que você faria para obter a paz? – disse Akemi.
- Eu protegeria as pessoas de bem de pessoas como você, mesmo que eu tenha que suportar toda a dor do mundo... – respondia Kaguya.
- Mesmo enfrentando alguém que você ama que fosse contrário a isso? Estaria disposta a passar por isso como eu passei com meu pai? – questionou Akemi novamente.
- Não, sempre existem outros meios para se resolver problemas assim que não sejam somente através da força... E eu acredito que mesmo você, com todo esse seu jeito e suas ideias, ainda possa entender que a paz através da força não é uma paz verdadeira. É apenas algo que pode ser chamado de qualquer coisa, menos de paz. Eu vou enfrentar sua mãe, Katsuo e quem quer que seja... Farei com que eles entendam que essa falsa utopia não resolve nada. – respondia Kaguya com seriedade.
- Interessante... Então vá e me mostre se você está realmente certa, mas saiba que se nos enfrentarmos novamente eu a derrotarei. – dizia Akemi.
Kaguya assentiu em resposta e saiu da frente da cela de Akemi cruzando aquele escuro corredor iluminado por tochas nas paredes. Akemi foi deixada em sua cela onde passou a pensar no que Kaguya havia dito ao mesmo tempo, Akemi analisava sua situação e já planejava uma forma de escapar daquele lugar.
Do lado de fora da cidade Kaguya já se aproximava da base onde Ryotaro se encontrava junto com seu mestre, de longe Kaguya via muitos guardas entrando em formação de defesa enquanto outros seguiam para o sul. Ao se aproximar do shogun, Kaguya os cumprimentou e assumiu sua posição ao lado de Homura.
- E então? Algum progresso? – questionou Homura.
- O mesmo de sempre, ou até pior. Mas ainda acho que ela pode mudar. – respondia Kaguya.
- Por enquanto vamos nos concentrar aqui. Se nós perdemos essa batalha o país cairá nas mãos deles. – dizia Homura.
- Eu sei... Estou pronta Sensei. – afirmou Kaguya.
- Certo, certo, certo... Vamos começar em breve... A batalha para proteger a todos! – afirmava Ryotaro com um olhar sério.
As preparações estavam feitas, a determinação dos samurais queimava em cada um dos guerreiros ali presente, todos possuíam um objetivo, possuíam a força de vontade para enfrentar seus inimigos. A guerra pelas relíquias sagradas dos deuses estava para começar, e o destino da terra do sol nascente estava em jogo.
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