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59° - Um Encontro Banhado Pelas Cerejeiras!

Lentamente Kaguya abria seus olhos. Aos poucos sua visão lhe mostrava um local totalmente diferente de tudo o que imaginou. Kaguya estava em um belo jardim cheio de árvores de cerejeira em volta. O vento balançava os galhos fazendo com que as pétalas de cerejeira voassem para tudo quanto é lado, as árvores se organizavam em fileiras formando um corredor no centro que levava até mais a frente.

Ao olhar em volta Kaguya não viu mais ninguém, a garota estava sozinha naquele misterioso jardim sendo acompanhada apenas pela espada que estava em suas mãos. Por mais que fosse um belo jardim, Kaguya sentia algo de diferente, como se aquele lugar inteiro fosse tirado de uma fantasia, a garota não deixava de ter uma sensação estranha naquele lugar.

Kaguya decidiu caminhar para ver se encontrava algo, a garota seguiu pelo corredor passando pelas árvores e admirando a beleza que era aquele lugar. Após alguns minutos de uma caminhada lenta Kaguya se deparou com um jardim similar ao de sua casa.

Havia um enorme lago com algumas carpas nadando, além de uma ponte que lhe permitia atravessar até o outro lado. O lago no centro era cercado por algumas plantas além de pedras que formavam uma pequena escultura cercada por areia.

Kaguya caminhou até o lago para poder observar as carpas. Ao se aproximar notou que elas eram de cores diferentes sendo uma preta e outra branca, quase que como o símbolo do yin yang. Kaguya achou aquilo muito bonito, porém ainda não estava entendendo muito bem o que estava acontecendo, não havia indicações sobre o que era seu treino e nem ninguém para perguntar sobre o assunto, Kaguya estava literalmente sozinha em um espaço que por mais que fosse familiar, não conhecia.

Kaguya resolveu sentar-se a beira do lago para pensar em algumas teorias e então resolver este pequeno problema que pairava diante de seus olhos. Enquanto isso o vento novamente percorria aquele lugar, porém desta vez estava um pouco mais forte. Kaguya achou estanho e ao olhar para trás a garota viu várias folhas de cerejeira vinda em sua direção.

As folhas passaram por seu corpo sendo carregadas pelo forte vento. Kaguya protegeu o rosto em seguida com as mãos à frente. Após alguns minutos o vento finalmente foi cessando e as folhas pararam de vir em sua direção. Quando Kaguya abriu os olhos e abaixou os braços lentamente à garota viu a silhueta de uma mulher a sua frente.

A misteriosa mulher caminhava com calma a passos lentos vindo em direção a Kaguya que se colocou em guarda segurando sua espada em mãos. Enquanto se aproximava Kaguya pôde enfim ver seu visual. A mulher aparentava ter seus 28 anos e usava um belo Kimono azul com detalhes em roxo e branco. Seus cabelos eram pretos amarrados em o coque tendo uma longa franja a frente da testa, além de duas longas mechas da cada lado do rosto.

Ao olhar aquela mulher Kaguya sentiu uma sensação estranha, ao mesmo tempo em que era familiar era também um sentimento de desconfiança e por precaução Kaguya não ousou se mover ou baixar sua guarda. Conforme se aproximava de Kaguya a mulher soltava um belo sorriso. Em uma das mãos havia um leque fechado e na outra surgiu uma lança diferente das lanças que Kaguya estava acostumada a ver.

Logo em seguida a misteriosa mulher guardou seu leque dentro de suas roupas segurando logo depois a lança com as duas mãos. A mulher girou a lança, se pôs em posição de combate e avançou. Kaguya se preparou e foi ao ataque onde consegui se defender do primeiro golpe.

A mulher pressionava Kaguya com muita tranquilidade enquanto Kaguya se esforçava ao máximo para não ceder. De repente sua oponente girou a lança fazendo Kaguya se desiquilibrar por alguns instantes, porém este foi tempo suficiente para que a mulher desferisse um golpe cruzado com a ponta sem lâmina da lança.

Kaguya foi jogada com facilidade caindo à direita no chão. Ao se levantar Kaguya tentou atacar com um ataque cruzado, porém sua oponente se defendeu com precisão e sem fazer esforço algum. Logo depois a mulher girou sua lança e com um movimento preciso retirou a espada das mãos de Kaguya com facilidade.

Logo depois a mulher apontou a lança para o pescoço da garota que não recuou e nem ousou se mexer, Kaguya sabia que tinha perdido e que naquele instante a garota sabia que suas habilidades eram infinitamente inferiores aos de sua misteriosa oponente.

Kaguya estava assustada com todos aqueles movimentos durante a breve batalha. Já a mulher a sua frente continuava sorrindo como se esboçasse sua felicidade com tal momento, aquele sorriso deixava a jovem Kaguya pensativa e apreensiva com o que iria acontecer em seguida.

- Vejo que você não é nada mal. – dizia a mulher.

- E você... Eu nem sequer tive chance... Se vai me matar faça isso logo... – afirmou Kaguya.

- Vejo que tem o espirito de uma verdadeira guerreira, sabe que foi dominada e não tem chances de vencer... Mas eu não vou mata-la... Não se preocupe. – afirmou a mulher abaixando sua lança e se afastando de Kaguya.

- Não sei se fico feliz em ouvir isso de uma completa estranha. – dizia Kaguya com um sorriso forçado.

- Você tem razão em ficar desconfiada, mas eu precisava testar algo em você... E, aliás, você precisaria de muito tempo para poder me vencer realmente, de muito tempo mesmo. – afirmou a mulher pegando a espada de Kaguya do chão e a entregando para a garota.

Em seguida a lança das mãos da mulher desapareceu como num piscar de olhos. Kaguya ficou surpresa e viu a mulher se afastar e ir até um canto daquele jardim onde pegou um balde. Depois de se aproximar do lago a mulher começou a alimentar as carpas com muita tranquilidade.

Kaguya achou aquilo tudo muito suspeito e se aproximou da mulher vendo as carpas se alimentarem, porém durante todo o processo, Kaguya notou que aquela mulher segurava o balde exatamente da mesma forma em que segurava quando estava em sua casa. E além do mais, a mesma cantava uma breve canção enquanto jogava os alimentos das carpas no lago, a mesma canção que Kaguya cantava quando fazia exatamente a mesma coisa.

- Quem... Exatamente é você? – perguntou Kaguya enquanto a mulher se virava para encara-la.

- Eu... Já tive muitos nomes... A Deusa Coelho... A Princesa da Lua... Mas... Muitos me chamam de a Deusa do Eclipse... É um prazer vê-la... Senhorita Ishikawa... Eu sou... A Deusa Kaguya. Irmã de Amaterasu, Tsukyoumi e Susano... – afirmava a deusa deixando Kaguya surpresa e sem palavra por alguns instantes.

- Espera... Espera, espera, espera... Isso é estranho... Como assim... Você é... A deusa... Aquela das lendas? Irmã dos três deuses que criaram os três tesouros sagrados do país? – questionava Kaguya ainda sem acreditar.

- Sim, eu mesma... Acredito que deva ser uma baita surpresa para você jovem Kaguya... – dizia a deusa.

- Eu nem sei o que falar, ou como agir, eu só... Não acredito que iniciei um treino e logo de cara conheci uma deusa... Isso não pode ser possível... Aliás, como? O que está acontecendo aqui afinal? – se perguntava Kaguya ficando de joelhos sentindo uma leve tontura.

- Se acalme um pouco... Eu explicarei tudo para você... – dizia a deusa ajudando Kaguya a ficar em pé novamente.

- Sim... Obrigada. – agradecia Kaguya.

Em seguida a deusa guiou Kaguya até as escadarias do que seria a entrada para um dojo ou algo do tipo, porém ambas se sentaram nas escadas sem entrar no local ficando de frente para o lago o observando enquanto algumas folhas de cerejeira voavam pelo local.

Kaguya observava com atenção àquela deusa que sorria enquanto observava o jardim. A presença daquela divindade ao seu lado fazia Kaguya ter um sentimento aconchegante, um sentimento quase que nostálgico como se estivesse perto de sua mãe por exemplo. Kaguya sentia toda a tranquilidade que aquele ser ao seu lado passava e posteriormente se sentiu um pouco mais relaxada e tranquila.

- Fazia tempo que eu não olhava par um jardim assim... Essa paz, as carpas... Saudades de tudo isso! – dizia a deusa se espreguiçando com um sorriso no rosto.

- É... Senhora deusa Kaguya... Se puder me explicar agora sobre esse lugar... – dizia Kaguya com um sorriso forçado.

- Ah! Claro, pode deixar... Bom... Para começar... Este lugar seria o seu plano astral. As cerejeiras, o jardim, as carpas... Elas foram montadas a partir de memórias suas no momento e que entrou em estado de meditação completa. Representa não só o local do qual você mais gosta de estar em sua vida, como também o lugar do qual julgou ser tranquilo durante sua meditação, é aqui que seu treino irá acontecer. – afirmou a deusa.

- E por que você está aqui? – questionava Kaguya.

- Aquele que treina no templo Ryuusei e acaba entrando em seu plano astral, recebe alguém como um guia para o seu treinamento... Ele não interfere em nada e nem pode mudar algo, o seu papel é indicar o que a pessoa que irá treinar terá que realmente fazer para dominar sua habilidade, sua Espada Oculta... Geralmente é uma pessoa importante para você, um amigo ou alguém da família... Pode até mesmo ser um animal como, por exemplo, um cachorrinho, ou pode ser também alguém que conheceu por ai e que de certa forma lhe marcou de algum modo, como uma memória feliz, ou até mesmo personagens de livros e conto para crianças... Tudo depende da pessoa que vem até esse local... – respondia a deusa olhando brevemente para Kaguya ao seu lado. – Mas com você... É um pouco diferente... – concluía.

- Diferente? Como? – Questionou a garota.

- O seu poder espiritual... O seu Seihō... Ele é muito parecido com o poder do qual eu possuía há muito tempo atrás... Eu diria até mesmo que você jovem Kaguya Ishikawa, seria como uma... Reencarnação minha... Por isso eu apareci neste lugar, o seu Seihō no momento da meditação deve ter se manifestado tomando assim a minha forma... – respondia a deusa deixando a jovem Kaguya assustada.

A garota ficou um pouco tonta não acreditando em tais palavras. Kaguya fechou seus olhos por alguns instantes e depois olhou atentamente para a deusa Kaguya. Ao reparar bem no rosto da deusa a jovem garota notou traços semelhantes aos seus, até mesmo o jeito em que amarrava o cabelo era exatamente o mesmo da deusa, fora toda a sensação que teve desde que a viu pela primeira vez, Kaguya sentia estar diante de si mesma.

- Isso... É mesmo possível? Eu... Ser uma reencarnação sua? – questionou a jovem Kaguya ainda sem acreditar.

- Sim... É possível... Sabe jovem Ishikawa... Eu amo carpas desde pequena, aliás, as cerejeiras sempre me dão uma sensação de tranquilidade que não consigo explicar... Desde que me conheço eu adoro usar acessórios que as lembre, seja em minhas armas ou em minhas roupas... – dizia a deusa.

- Eu também sinto o mesmo, quando meu pai trouxe as carpas para o lago do castelo em Saitama, eu fiquei muito feliz, desde pequena eu vivia olhando as carpas, uma vez eu até cai no lago tentando brincar com elas... E as cerejeiras, elas são as minhas plantas favoritas... Inclusive, carrego esse amuleto de cerejeira preso a minha espada dede que a ganhei... – afirmou Kaguya mostrando sua espada.

- Aposto que você também não gosta de histórias tão melosas como as que contam nos teatros de marionete. – disse a deusa dando uma leve piscada.

- Pode ter certeza que não... Eu sempre fui uma grande apreciadora de histórias de batalhas e aventura... Porém para agradar minha mãe e ver um sorriso em seu rosto em sempre a acompanhava no teatro... – afirmava Kaguya sorrindo ao lembrar.

- Guerreiros lutando pela liberdade de seu povo... – dizia a deusa.

-... Conquistando a honra de seu clã e morrendo como verdadeiros heróis. – afirmou a jovem Kaguya arrancando um sorriso daquela deusa o seu lado.

- O seu cabelo... Após que prefere ele solto, pois da um pouco mais de liberdade, aliás... – dizia a deusa.

-... Amarrar ele com acessórios bonitos e caprichados cansa os braços, principalmente se for para uma festividade do qual você não se importa muito. – completava a jovem Kaguya com um sorriso onde logo depois foi abraçada pela deusa.

- Viu só... Minhas manias, meu jeito, tudo o que eu fazia agora vive em você jovem Ishikawa, você sou eu, e eu sou você. – afirmou a deusa se afastando.

Kaguya e a deusa do Eclipse passaram mais alguns minutos compartilhando seus gostos e conversando sobre diversas coisas. Com o tempo a jovem Kaguya sentiu estar diante de um espelho seu, como se aquela deusa a sua frente fosse exatamente uma perfeita copia sua, porém mais velha e sendo uma deusa, seu rosto, o cabelo tudo era igual.

Tudo o que a jovem Kaguya fez durante sua infância ou até mesmo suas ações depois de crescida, eram iguais as ações que um dia aquela deusa já fez. Após conversarem bastante e compartilharem suas experiências, a deusa ficou séria, a jovem Kaguya sabia que o momento enfim havia chegado.

- Kaguya Ishikawa... Ainda tenho algo a contar para você de extrema importância, mas por enquanto vamos deixar isso de lado... É chegada a hora de começarmos o seu treino. – afirmava a deusa.

- Sim... Estou pronta para iniciar. – dizia a jovem Kaguya.

- Como eu disse eu serei sua guia neste lugar, seu treino acontecerá nesse cenário, neste plano astral criado por você e suas memórias... É aqui que você enfrentará seu oponente. – afirmava a deusa.

- Entendido... E onde ele está exatamente? Quem eu tenho que enfrentar? – questionou a jovem Kaguya.

Sem responder a seguinte questão a deusa se aproximou da jovem e tocou seu peito com as palmas da mão. Logo uma energia se formou na palma da mão da deusa que de repente se afastou como se estivesse puxando algo para fora. A jovem Kaguya gritava conforme aquela energia saia de seu corpo, uma energia diferente de tudo o que já havia visto.

Após alguns segundos a energia saiu por completo da jovem Kaguya que caiu de joelhos no chão um pouco ofegante. A jovem se levantou lentamente e olhou para a deusa com uma expressão assustada no rosto.

- O... O que... Foi isso? – questionou Kaguya se recuperando.

- Me desculpe por isso... Kaguya Ishikawa... Para dominar o seu Seihō, para encontra sua Espada Oculta... Você enfrentará um inimigo do qual nunca imaginou enfrentar... Ele é alguém que te impede de seguir em frente, que te impede de enfim se tornar quem você deseja ser... É alguém que desde seu nascimento vive com você... – dizia a deusa.

- E quem é esse? – questionou Kaguya um pouco irritada.

- Kaguya... Você enfrentará... Você mesma. – disse a deusa apontando para frente.

Ao olhar para a direção do lago a jovem Kaguya viu aquela energia escura que saiu de seu corpo tomar forma humana, logo à surpresa tomou conta de seus olhos, pois a sua frente, Kaguya via a si mesma com um olhar sombrio no rosto.

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