42° - O Momento da Escolha!
Akemi andava tranquila pela cidade, para disfarçar e não levantar tantas suspeitas assim à garota ainda cumprimentava algumas pessoas que via pelo caminho, após alguns minutos de mais uma longa caminhada pelas ruas centrais da cidade portuária, Akemi entrou em um beco sendo seguida por dois guardas que vieram logo depois. Muitas pessoas se assustaram e já imaginaram as piores coisas acontecendo com a bela garota, porém nada podiam fazer ou então sofreriam consequências graves que poderiam colocar suas vidas em risco. Era assim que a Orochi agia na cidade com total tirania e controle de tudo e todos.
Logo depois de ficar fora da vista das pessoas, um dos homens entregou uma espada para Akemi que a pegou e a prendeu em sua cintura, assim como também recebeu uma máscara de raposa toda branca com manchas vermelhas desenhadas que logo colocou em seu rosto.
Após se preparar Akemi indicou para os guardas seguirem para o local indicado e cercarem algumas das rotas que ficavam no entorno da oficina, assim como para ficarem atentos á possíveis saídas escondidas. Logo os dois homens se moveram se separando para cumprir com as ordens de sua mestra.
Enquanto isso Akemi seguiu pelo beco com cuidado, agora seu objetivo estava claro e tudo o que precisava fazer era cumpri-lo. Com a espada em mãos e a máscara no rosto para que ninguém pudesse reconhecê-la, Akemi se preparava para atacar e capturar seus alvos.
- Vai ser bom revê-lo depois de tanto tempo... Meu caro pai... Pena que agora estamos em posições muito diferentes... Agora o momento de minha escolha enfim chegou... Vou devolver algo há você... – dizia Akemi para si mesma enquanto caminhava se lembrando de um passado distante.
Anos atrás. Lugar desconhecido.
O local era iluminado por tochas que ficavam presas as paredes e fincadas em volta do que parecia ser um enorme ringue de batalha. As paredes eram escuras e mostravam desenhos antigos, homens guerreando, portando suas espadas em uma grande batalha. Em outro canto, era possível ver um desenho que representava quatro deuses lutando contra diversas criaturas poderosas, sendo uma delas uma poderosa serpente com oito cabeças.
Algumas portas em duas extremidades opostas indicavam ser a entrada e saída de pessoas, aquele lugar mais parecia um templo antigo do que qualquer outra coisa, e naquele lugar um grupo de pessoas assistia a uma batalha.
Perto de uma das paredes encostada nela com os braços cruzados estava Midori, seus belos cabelos verdes e seu olhar ameaçador observavam em silêncio junto com alguns guardas uma breve batalha que havia se iniciado há pouco tempo.
Um homem vestindo uma roupa toda preta cobrindo todo o seu rosto enfrentava uma garota de aproximadamente 16 anos que vestia um uniforme preto com detalhes em verde, seus cabelos estavam amarrados no estilo rabo de cavalo. Ambos estavam com espadas reais e seguindo ordens de Midori haviam iniciado o treino de combate.
Akemi mesmo jovem manuseava a espada com perfeição, seus movimentos eram precisos e seus ataques conseguiam acertar o alvo. Seu oponente era habilidoso e já tinha experiência em combates, por isso bloqueava os ataques cruzados de Akemi com certa precisão e conseguia atacar com força e velocidade.
Resultado disso era os muitos cortes nas regiões dos braços e pernas de Akemi, além de feridas no rosto que sangravam sem parar, porém com tanto tempo de luta já se passado Akemi começava a entender os padrões de ataque do oponente.
Ambos estavam em uma luta intensa já fazia algum tempo, os sons do metal se chocando ecoava por todo aquele lugar misterioso. Após evitar um corte que lhe pegou de raspão no ombro, Akemi segurou sua espada com as duas mãos e foi ao ataque dando golpes cruzados.
Seu oponente os evitava dando passos para trás conseguindo assim se colocar em uma posição favorável para defesa. Os ataques de Akemi continuavam com cada vez mais velocidade, a garota conseguia desferir golpes intensos que obrigavam seu oponente a se manter na defensiva. Akemi sabia que a experiência de seu inimigo era um diferencial, porém em sua mente uma estratégia para vitória começava a se formar começando pelos seus ataques intensos.
Akemi havia notado que o homem quando se defendia evitava atacar com força máxima dando golpes muito superficiais apenas para afasta-la, e quando atacava sua guarda ficava um tanto baixa de um dos lados do corpo, com isso Akemi precisava de um movimento preciso para efetuar seus ataques com ainda mais eficácia do que antes e para isso precisava esperar o momento para atacar. Akemi também sabia que teria um intervalo muito pequeno para que pudesse acertar o golpe antes do oponente efetuar um novo movimento e se defender.
A cada golpe dado Akemi se posicionava de forma que pudesse bloquear com mais precisão o ataque inimigo. Após se defender de dois golpes, Akemi se viu diante do terceiro ataque inimigo que veio em sua direção vinda da direita, o ataque era um corte na horizontal que se não fosse bloqueado seria fatal para Akemi.
Porém a garota viu ali sua oportunidade mesmo tendo notado que seu oponente estava experto, Akemi por muito pouco evitou o golpe se abaixando, logo em seguida a garota desferiu um chute no braço do homem evitando que o mesmo pudesse efetuar um movimento defensivo com a espada.
Com o tempo que ganhou devido ao seu golpe Akemi se jogou contra o corpo do oponente que foi pego de surpresa pelo movimento. Ambos caíram no chão após o homem perder seu equilíbrio, Akemi segurou a mão do oponente evitando um movimento com a espada e logo depois o golpeou perfurando seu corpo com precisão o matando.
Logo após se levantar o som de passos ecoava na sala, Midori se aproximava do corpo do homem morto e de sua filha que recuperava o fôlego após a intensa batalha. Midori observou os ferimentos de Akemi e logo depois sorriu perante o resultado do combate, sua filha havia vencido e isso a deixava alegre, os resultados de tanto treino enfim estavam dando frutos.
- Meus parabéns Akemi, você esta ficando mais forte... – dizia Midori sorrindo e indicando para os guardas em volta limpar a arena de batalha.
- Obrigado minha mãe... Graças aos seus ensinamentos eu estou ficando cada vez melhor na arte da espada. – agradecia Akemi guardando sua lâmina.
- Isso é bom... Tenho certeza que ficará ainda mais forte... Afinal enfrentou um oponente mais velho que você, mais experiente, porém o venceu analisando suas habilidades e tudo isso... Sem usar aquilo... Enfrentar oponentes fortes fará bem para você, fará com que ganhe experiência em batalha... – afirmava Midori.
- Não pretendo mostra-lo muito em combates, até porque eu acabei de aprender a usa-lo, preciso praticar mais antes de usar em lutas reais, e até porque não posso ficar exibindo minha melhor técnica perante o inimigo. – dizia Akemi dando uma leve piscada.
- Realmente... Você se parece comigo quando eu tinha a sua idade... Vejo que está crescendo e se tornara uma mulher forte... – disse Midori.
- Obrigada minha mãe... Se me permite... O que será que ele diria vendo tudo isso? – perguntou Akemi.
- Fala do seu pai? Nunca saberemos... Do jeito que ele é iria reclamar, e sequer deixaria você pegar em uma espada e lutar... Aquele homem escondeu que foi um samurai e passou a viver uma vida de paz e tranquilidade... Tudo bem que eu também escondi meu segredo dele, o segredo de minha família... Mas ele não apoiaria... Não deixaria você ser livre como agora... Mas no momento temos um dever a cumprir e objetivos a alcançar em nome de um bem maior... – respondia Midori com seriedade.
- Sim... Eu entendo minha mãe, afinal o que fazemos aqui é de extrema importância para toda a organização... Depois que vi aquilo, eu entendo o quão importante é o que buscamos... Mas às vezes eu sinto falta daqueles dias... Eu ainda guardo aquela concha comigo, não tive coragem de me livrar dela... – disse Akemi dando um longo suspiro.
- Entendo, mas chegará o momento em que você terá que fazer uma escolha Akemi, decidir se deixara seu passado para trás de vez seguindo em frente rumo a um novo começo assim como eu fiz, ou então deixar tudo de lado e voltar àqueles dias... Quando esse dia chegar, aquela concha não será mais de utilidade a você... – afirmou Midori ficando séria.
- Sim, eu sei minha mãe... Mas quando esse momento chegar, eu não irei hesitar em minha escolha... – disse Akemi encarando sua mãe com um olhar sério
- Eu entendo minha pequena serpente escarlate, sei o quanto você é séria com assuntos desse nível... Mas entenda que foi necessário abrirmos mão daquilo para conseguirmos o que queremos... Nós fomos chamadas e agora, servimos a um bem maior... Você cresceu se tornou bela, aprendeu técnicas de espada e se tornou forte o suficiente para dominar seu Seihō... Akemi, juntas nós vamos dominar esse lugar e quando tudo estiver em nossas mãos... Dias melhores e mais tranquilos virão... Até lá... – disse Midori.
-... Até lá nós enfrentaremos quem quer que seja e alcançaremos nossos objetivos... Rastejando pelo chão em segredo como uma serpente... Tudo pela Orochi... Tudo por nosso mestre... – completava Akemi se ajoelhando em seguida.
- Exatamente, você aprendeu rápido... Tudo por nosso mestre... Agora vamos, tenho uma missão para lhe dar minha pequena serpente escarlate... – dizia Midori beijando a testa de sua filha que sorriu em seguida com o gesto de sua mãe.
Ambas se moveram par fora do salão de treinos indo em direção à outra área daquele lugar misterioso, seguindo assim com os propósitos da misteriosa organização Orochi.
Atualmente. Oficina do Aigami.
- Bom está tudo pronto, pode soltar! – gritava Aigami saindo de baixo do barco, onde havia feito um pequeno ajuste na madeira.
- Sim! – respondia Kaguya.
Ao mesmo tempo, Kaguya puxava uma alavanca um pouco para direita do Aigami, e assim uma parte da estrutura do barco se soltou batendo com força no suporte de rodas que o levaria até as águas.
Com aquilo a manutenção do barco estava concluída, novas velas foram colocadas para facilitar o uso e também o percurso utilizando o vento. Kaguya e Homura ainda teriam que remar boa parte do tempo para que pudessem se afastar cada vez mais da costa e seguir para Hokkaido com uma velocidade considerável. Agora a segunda parte do plano havia sido completada, o barco estava pronto e agora restava apenas resgatarem Homura.
Kaguya e Aigami após concluírem o serviço foram até uma mesa que havia no local e abriram um mapa da cidade portuária. O mapa era antigo, da época antes da Orochi se estabelecer na cidade, porém muitas de suas vias, becos escondidas e saídas secretas ainda se mantinham em pé. Aigami marcou no mapa alguns pontos importantes da cidade e que ligavam o subsolo onde hoje era o castelo das serpentes.
- Pronto... Existem alguns túneis que ligam toda a cidade incluindo o castelo... São antigos e estão inoperantes, na verdade só tem esgoto e sujeira por lá, porém estão intactos e podem nos ser úteis. Porém este aqui perto da oficina do qual trabalho é o principal para o nosso plano. Se eu não estiver errado ele se conecta ao subsolo do castelo... E é por aqui que entraremos... Vou marcar alguns pontos no mapa para que possamos seguir sem nos perder pelo subterrâneo... Vamos invadir o castelo vindo de baixo, não sei onde fica os prisioneiros então teremos que ser cuidadosos e procurar com velocidade pelas áreas perto do térreo... O lugar estará cheio de guardas então esteja pronta. – dizia Aigami.
- Eu sei... Depois que conseguirmos tirar o Sensei de dentro da prisão, sairemos pelo mesmo lugar... E para onde iremos em seguida? Pois se eles perceberem a invasão, isso vai fazer com que eles fiquem mais atentos do lado de fora... Muito provavelmente irão mover pequenos esquadrões de defesa para as principais saídas da cidade... – analisava Kaguya.
- Correto, é por isso que usaremos a saída norte atrás do castelo... Ela é um ponto cego da estrutura e se conecta a uma caverna que liga diretamente ao mar... Foi difícil achar esse lugar, na verdade foi pura coincidência, o encontrei enquanto pescava no tempo livre... Depois que sairmos por ela, vocês dois terão que nadar um pouco, pois deixarei o barco posicionado em alto mar pronto para tirar vocês daqui. – dizia Aigami enxugando o suor do rosto.
- Do jeito que o senhor fala... Teremos ajuda não é? – perguntou Kaguya.
- Sim... Durante a noite eu montei esse pequeno bilhete... É para um amigo da oficina ele mora na casa ao lado a minha, ele conhece alguns contatos de confiança e que são contra o governo da Orochi por aqui, é arriscado, mas eles podem nos ajudar com o barco se for preciso... – respondia Aigami ficando tenso.
- Algum problema senhor Aigami? – questionou Kaguya preocupada.
- Não é nada... Só estou empolgado, nunca pensei que minhas velhas estratégias de guerra teriam serventia na época em que estamos... Realmente o mundo dá voltas. – respondia Aigami com um enorme sorriso.
- Fico feliz por ainda ter pessoas como o senhor por ai... Mesmo sendo um ex-guerreiro, vejo que agora o senhor está enfim do lado certo... – afirmava Kaguya.
- Sim, mas nem todos são assim... Muitos ainda querem a guerra, vivem para batalha, para pegar em uma espada e lutar seja lá por qual motivo for... Pessoas assim sempre vão existir... Pegue isso... Fique com você por segurança... Eu também tenho uma copia, decore os caminhos e ficaremos bem... – disse Aigami dando um longo suspiro guardando o mapa e o bilhete e os entregando a Kaguya que guardou na parte de dentro de seu Kimono.
- Agora vamos voltar, por aqui está tudo pronto, falta avisarmos seus amigos, e depois correr até o castelo. Não podemos perder tempo. – disse Kaguya ficando séria.
- Sim, e depois que isso acabar, eu poderei ver a Akemi novamente... – dizia Aigami.
- Sim, finalmente o senhor poderá ter o encontro que tanto espera com sua filha... – afirmava Kaguya sorrindo.
- Não precisa você pode me ver agora... Papai... – afirmava Akemi parada em frente à porta de entrada, com a espada presa a sua cintura e com os braços cruzados, onde seus belos cabelos avermelhados balançavam conforme o vento passava no local.
- O que? – questionava Kaguya surpresa.
Kaguya e Aigami se surpreenderam, os dois estavam tão concentrados no plano que não perceberam Akemi entrar no local pela porta da frente, ao seu lado havia três guardas todos portando espadas em suas mãos e vestindo armaduras de combate leves de cor preta com detalhes em verde.
Aigami ficou tenso, Kaguya mais ainda, pois estava sem sua espada naquele momento, enquanto isso Akemi os observava com atenção dando um passo para frente e ordenando que seus homens dessem um passo para trás.
- Essa é a pior hora para aparecerem... – dizia Kaguya recuando lentamente.
- Você... Você... É você? Akemi? – perguntou Aigami aos gritos.
- Sim... Sou eu... É bom vê-lo de novo meu pai... Pois hoje é o dia em que eu farei minha escolha...A escolha de deixar o passado para trás, e seguir em frente rumo a um novo mundo... – dizia Akemi retirando parcialmente sua máscara e deixando apenas seu olho esquerdo surgir assim como um sorriso maléfico.
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