34° - Ponto de Partida!
Litoral da Província de Chiba.
Chiba, uma região que fica próxima à província de Saitama, mais uma das muitas regiões que fazem ligação com a área litorânea da terra do sol nascente. Um lugar conhecido por ser uma das regiões mais populosas do país, sendo a sexta atualmente. Chiba era conhecida por ter uma maior área de terra se comparado às regiões vizinhas. Suas vilas se estendiam ficando muito próximas do litoral, onde a pesca mais uma vez era o forte desta província, porém seus moradores, também conseguiam viver de outras especiarias, com o artesanato e a colheita de arroz o seu ponto forte e que rendia bons lucros para todos ali presentes, os permitindo viver de forma pacifica e alegre.
Em uma das vilas do litoral, em um lugar quase que isolado do restante da região ficando muito ao sul da província um grupo bem diferente do habitual havia se estabelecido. Katsuo, Takanori e Koga, além de alguns de seus soldados estavam presentes no local, muitos dos homens da Katsuo que não foram mortos na última batalha, acabaram por ser espalhar pelas regiões próximas para evitar problemas, e com o líder de Chiba sendo um antigo aliado de Katsuo, sua estadia na região era garantida com total segurança.
Em uma casa com a vista de frente para o mar, Katsuo estava reunido com seus generais e as duas Relíquias logo atrás do shogun, Katsuo estava sem a parte de cima de sua armadura, revelando muito de seus ferimentos que já haviam se curado depois de enfrentar seus oponentes em Saitama. Agora tal general estava concentrado, observando o mapa do país e traçando teorias de onde estaria a última relíquia. Seus espiões nas regiões ao norte e centro sul, ainda não havia lhe dado noticias o que tornava a situação um pouco complicada para Katsuo.
- Parece que depois de nossas últimas investidas estamos sendo procurados por toda parte. - afirmava Koga.
- O Shinsengumi andou vasculhando todas as regiões próximas a Saitama, e parece que segundo alguns moradores, eles vão começar a estender as buscas para áreas mais longes da província. - dizia Takanori.
- Depois do que fizemos é normal eles não ficarem parados, mas isso não significa que vão nos encontrar. - dizia Koga.
- E se encontrarem, pode ter certeza que eles não vão voltar para entregar seu relatório. - afirmava Takanori passando sua mão no punhal de sua espada.
- Tudo isso... Uma consequência valida de nossas ações... Mas isso não importará quando tivermos aquele poder. - dizia Katsuo.
- O que faremos caso o líder de Chiba conte sobre nós? Mesmo com garantia de sua lealdade, as pessoas podem mudar. - questionou Takanori.
- E como ele sabe também das relíquias, eu duvido muito que ele não se aproveite da situação para nos encurralar aqui e rouba-las para si. - dizia Koga com seriedade.
- Se isso acontecer... Vamos mata-lo... Porém por enquanto vamos confiar nele, tenho um espião dentro do exercito dele que ele mal sabe quem é, não se preocupe Takanori, Koga. Se caso algo assim vier a acontecer seremos os primeiros, a saber, se ele continua sendo aliado ou não. - respondia Katsuo.
- E o Homura? Para onde será que ele foi? - questionou Koga.
- É uma boa pergunta... Duvido muito que ele também esteja atrás de nós como o Shinsengumi. - afirmou Takanori levando a mão ao queixo enquanto pensava.
- Ele deve ter fugido para algum lugar com a garota, a julgar pela relação dos dois eu não duvido que neste momento eles estejam treinando em algum lugar, afinal faz tempo desde Saitama e aquelas feridas já devem estar curadas. - afirmava Katsuo com um olhar sério observando o mapa.
- Kaguya Ishikawa... Devemos ficar de olho na filha de Yasunori. - dizia Takanori.
- Se for como nosso mestre disse, ela pode ter um poder incrível guardada dentro dela. - dizia Koga.
- Resta apenas saber se ela saberá usar esse poder, afinal não é qualquer um que conseguiu dominar seu Seihō com perfeição e desbloquear a Espada Oculta. - dizia Takanori.
- Sim, mas ela é só uma pirralha qualquer brincando de ser uma guerreira, ela não será problema para nossos planos. - disse Katsuo fazendo algumas marcações no mapa a sua frente. - Quero que reforcem a busca pela Yasakani no Magatama. Quanto antes a encontrarmos melhor será, aproveitem e tentem reforçar nossas forças por precaução. - concluía Katsuo passando suas ordens.
- SIM!
- É agora que o verdadeiro jogo começa. - dizia Katsuo com um sorriso de canto.
Dois dias depois. Província de Akita.
O dia havia amanhecido e o sol brilhava alto nos céus da região do vilarejo onde Homura morava, seus moradores já começavam a sair de suas casas para realizar as tarefas do dia, as crianças do vilarejo já saiam também prontas, e determinadas a passar mais um dia produtivo no vilarejo, seja brincando ou ajudando seus pais a fazer algo nas redondezas, os pescadores já começavam a se aprontar para irem até o litoral iniciar mais um dia de pesca, enquanto outros aproveitavam o sol para nadarem no enorme lago das redondezas.
Enquanto isso atrás da casa de Homura, Kaguya estava empenhada em treinar, usando uma espada de madeira que encontrou na casa, a garota dava golpes de cima para baixo, para treinar sua posição e sua força, Kaguya estava ali naquele treino intenso há quase uma hora parando apenas alguns minutos para tomar água e descansar, Kaguya dava golpes no ar e a cada golpe, a garota dava um passo para frente, ao levantar a espada e se preparar para o golpe seguinte, Kaguya dava um passo para trás e assim repetia todo o processo.
Depois de ouvir toda a história sobre as relíquias e sobre o misterioso poder espiritual deixada para trás pelos deuses, Kaguya estava determinada em se fortalecer, para aprender sua técnica de Espada Oculta. Kaguya acreditava que ao desbloquear seu poder espiritual, o seu Seihō, a garota poderia enfim ter chances contra oponentes como Katsuo, porém Kaguya não conseguia imaginar que tipo seria o seu, ao se lembrar das vezes que presenciou tal poder Kaguya se lembrou do corte de Hijikata, o golpe de Sasaki Kojiro no teste do Shinsengumi, e dos golpes de seu mestre e Katsuo na batalha anterior.
Algo que aumentasse sua força? Velocidade? As duas coisas? Ou até mesmo um tipo diferente desses que ninguém jamais viu? Muitas opções vagavam pela mente de Kaguya que tentava imaginar formas possíveis e impossíveis de se utilizar tal poder, e de como seria para desperta-lo, segundo Homura, ninguém sabe o que esperar dentro do templo Ryuusei, e aparentemente o estilo de treino varia de pessoa para pessoa, muitos saem de lá sem nada, porém os poucos que retornaram conseguiram despertar seu Seihō com total precisão se tornando guerreiros incríveis.
Além de sua preocupação com o treino e se conseguiria mesmo obter uma técnica poderosa o suficiente para bater de frente com seu inimigo, Kaguya também estava preocupada com as relíquias, afinal, Katsuo poderia muito bem estar se movimentando neste momento sem ninguém saber.
A garota não gostava de pensar em que tipo de poder, poderia ser despertado ao juntar as relíquias novamente, e que tipos de desgraças poderiam recair sobre o povo se Katsuo conseguisse tal poder, dominando assim o país pela força e brutalidade, deixando o povo oprimido e com medo de viver.
Mesmo cheia de pensamentos e duvidas, Kaguya tentava ao máximo se concentrar em seu treino, focando toda sua atenção na espada, a cada movimento realizado a garota dava um pequeno grito para se concentrar, após realizar movimentos de ataque, Kaguya treinava agora com golpes variados dando uma sequência de cinco golpes diferentes, e três passos, repetindo o mesmo processo sempre muitas vezes.
Kaguya usava um Kimono simples de cor azulada enquanto treinava, seu corpo ainda exibia algumas faixas, como nos braços e em parte da perna direita, um pouco afastada da garota, Hikari observava com atenção Kaguya treinando, ao lado da garota que estava sentada no chão, havia o pote com o besouro de Hikari, aparentemente a garota havia saído para caçar novos besouros mais cedo, voltando com o pote tendo mais três deles.
Hikari disse que tal ação iria lhe ajudar a ter mais variedades de escolha na hora de sua luta contra seus amigos, e quem sabe com novas forças, e novos besouros, Hikari não conseguiria ganhar desta vez, a garota se dedicava ao máximo nas lutas de besouros assim como seus amigos, porém nem só de besouros todos brincavam. Muita das vezes, as brincadeiras eram as mais variadas possíveis, tendo Yuzaki ou até mesmo Ritsu como os grandes inventores e gênios por trás da criação de tais brincadeiras, ter as crianças por perto se divertindo aos montes pelo pequeno vilarejo deixava o clima do lugar ainda mais agradável e divertido.
- Você não cansa um pouco de sempre fazer isso? - questionava Hikari com tédio vendo Kaguya repetir os mesmo movimentos.
- Nenhum um pouco, isso é importante para treinar sua resistência. - respondia Kaguya enquanto realizava os movimentos.
- Sei... Você e meu pai faziam isso sempre em Saitama não é? - questionava Hikari.
- Sim, foi um período importante para mim. - dizia Kaguya com um leve sorriso.
- Ele me contou tudo sobre você ou quase tudo. - dizia Hikari.
- O que ele te disse exatamente? - questionou Kaguya surpresa pela fala da garota.
- Que ele havia treinado uma garota cabeça dura e um tanto problemática e impulsiva, além de ansiosa e teimosa, e que muitas das vezes se metia em problemas, porém que era forte e poderia ser uma guerreira formidável no futuro. - respondia Hikari se lembrando das palavras.
- Esse início foi meio forte de se ouvir. - dizia Kaguya com um sorriso forçado enquanto franzia a testa.
- Não me culpe, foi tudo palavras dele... - dizia Hikari dando uma leve risada.
- É estou notando isso... - dizia Kaguya com um pouquinho de raiva. - Você não ia brincar com os outros hoje? - questionou.
- Bom hoje decidimos tirar o dia de folga, e afinal eu fui caçar besouros, então o dia foi produtivo, só espero que essas belezinhas junto com o pequeno Kabuto consigam vencer o Yuzaki dessa vez. - dizia Hikari com um sorriso maléfico observando os besouros no pote.
- Yuzaki, aquele garoto do outro lado da vila não é? - questionava Kaguya.
- Sim ele mesmo, até hoje nunca consegui vence-lo, mas desta vez será diferente. - respondia Hikari sorrindo para seus besouros no pote.
- Nem parece que vocês não se dão bem, o que aconteceu para estarem assim? - questionou Homura surgindo pela porta.
- Nada demais é só uma trégua! - respondeu as duas ao mesmo tempo.
- Francamente... Ei pirralha, depois vai se trocar, eu fui até a costureira e trouxe o uniforme novo, deu um pouco de trabalho e ele é bem simples se comparado ao que você usava antes. - afirmou Homura.
- Sim, obrigada Sensei. - disse Kaguya interrompendo o treino e enxugando o suor do rosto.
- Hikari você sabe que vai ficar não é? - questionou Homura.
- Sim, pode ser perigoso em Hokaido, e, aliás, eu já sei me cuidar. - dizia Hikari mostrando os punhos.
- Boa garota... Mas só por garantia pedi para a Yoko cuidar de você durante esse tempo. - afirmava Homura acariciando a cabeça da filha.
- Sim, sem problemas hehe. - dizia Hikari sorrindo.
Enquanto isso, Kaguya largou a espada de madeira e se dirigiu para dentro de casa, enquanto Homura e Hikari aproveitavam os besouros do lado de fora, Kaguya começou a se preparar. Usou o banheiro nos fundos para poder se lavar e então vestiu a roupa que seu mestre trouxe, um Kimono branco, tendo a parte de baixo preta, em torno da região dos seios, havia uma proteção em preto e a manga de seu braço direito não existia, deixando apenas seu braço esquerdo coberto, o Kimono ainda contava com o símbolo em branco do Shinsengumi nas partes pretas, algo que Homura pediu para acrescentar por precaução.
Com o novo visual completando com a espada em sua cintura Kaguya estava pronta para seguir seu caminho. Depois de algumas horas Homura também se aprontou vestindo seu tradicional Kimono de batalha, e pegando sua espada. Agora os dois estavam em frente de sua casa com Hikari parada na porta com os olhos lacrimejando.
- Não se preocupe, eu vou voltar. - dizia Homura dando um beijo em sua testa.
- Acho bom mesmo... E você também. - dizia Hikari para Kaguya que acenava com a mão enquanto sorria.
- Vamos voltar, até lá é melhor vencer sua batalha de besouros. - dizia Kaguya.
- Sim! Eu vou vencer do idiota do Yuzaki! Vocês vão ver! - dizia Hikari chorando enquanto tentava sorrir.
- É assim que se fala! Até mais Hikari. - dizia Homura se virando e andando com Kaguya enquanto Hikari acenava para os dois.
Kaguya e Homura caminhavam tranquilamente pelo vilarejo enquanto se direcionavam rumo a saída norte do vilarejo, enquanto caminhavam os dois cumprimentavam os moradores da pequena vila com um sorriso no rosto e um aceno de mãos, não demorou muito para que Homura e Kaguya deixassem a região do vilarejo caminhando pela estrada a fora.
Ao ser questionado sobre como iriam seguir seu caminho, Homura respondeu Kaguya que iriam a pé até o litoral norte na província vizinha a Akita, por ser duas regiões muito próximas uma das outras, o que levaria cerca de dois dias de viajem ou até mesmo três dependendo de como andassem, depois Homura completou a informação, dizendo que iriam pegar um barco que os levaria até Hokaido, e ao chegarem lá, pegariam cavalos e iriam até a região próxima do centro norte da região gelada, local onde ficava o templo Ryuusei e onde Kaguya poderia aprender mais sobre seu Seihō.
O caminho estava agradável, uma pequena brisa vinda da direção do mar vagava pela região deixando o local cada vez mais fresco, suas árvores ajudavam a manter o calor sob o devido controle tornando o clima refrescante, porém Homura sabia que tal ação duraria pouco, afinal o inverno chegaria dentro dos próximos dias e Hokaido passaria a se tornar uma região bem fria, porém por enquanto Homura queria se concentrar em seu caminho.
- Sensei... Você disse que muitas facções lutaram durante a guerra civil certo? - perguntava Kaguya.
- Sim, havia muitas delas. - respondia Homura.
- Existia alguma em especial? Alguma que se destacava e fazia frente a vocês? - questionou Kaguya novamente.
- Bom havia algumas sim, muitos guerreiros poderosos além de nós formaram as mais diversas tropas de Samurais pelo país e como eu disse, além das disputas pelas relíquias tinha aqueles que buscavam trazer apenas a honra de um guerreiro, derrotar seu inimigo e provar ser o mais forte, provar que poderia unificar o país do seu jeito, muitos deles foram difíceis de derrotar, e sempre que caiam voltavam a se levantar.
Date Masamune era um deles, um shogun conhecido como o Dragão de Um Olho Só, um homem formidável que empunhava muitas espadas e conseguia lutar de maneira brutal e feroz, durante muitos dos combates em que eu consegui testemunhar sua força, ele mais se parecia com uma fera raivosa, um verdadeiro dragão do que com um humano, seus ataques eram difíceis de prever, um verdadeiro Samurai eu diria, e para piorar seu exercito não era de se ficar para trás, cada guerreiro possuía habilidades com a espada que conseguiam rivalizar com muitos homens de outros exércitos.
Tendo certo destaque para o braço direito de Date Masamune, um guerreiro que se dizia ser o Olho Direito do Dragão, chamado de Katakura Kojuro. Tal homem possuía grande habilidade com a espada, e além de tudo era um ótimo estrategista, muitas das invasões feitas por Masamune e seu exercito e que foram bem sucedidas, vieram das ideias de Kojuro.
Outro que se destacava era Ieyasu Tokugawa, um homem forte que lutava com seus punhos firmes e fortes, porém sua habilidade com lança era um diferencial, como você viu no teste, inimigos com lança possuía muita vantagem em um campo de batalha onde todos lutavam corpo a corpo, e Tokugawa se aproveitava disso, porém seu jeito pacífico sempre tentava lidar com as situações na base da conversa, mas sempre que lutava, ele lutava para ganhar.
Outro oponente que se destacou muito e se dizia rival de Masamune, era Sanada Yukimura, um guerreiro formidável que lutava usando duas alabardas, uma em cada mão, se já é difícil manusear só uma imagine duas delas, porém Yukimura era habilidoso e um oponente difícil de derrotar. Pelo que eu soube, Yukimura e Masamune durante boa parte da guerra se enfrentaram em várias disputas pelo país, tentando dominar os territórios um do outro, teve uma vez que ambos tentaram uma investida contra Nobunaga antes do mesmo cair para Katsuo e suas forças, porém tal investida não resultou em bons resultados os forçando a recuar. - dizia Homura enquanto Kaguya se impressionava.
- Esses caras eram incríveis... O que aconteceu com eles? - questionava Kaguya.
- Alguns governam as regiões mais ao sul do país, e Ieyasu ajudou o atual Daimyo a se estabelecer antes de morrer em batalha anos atrás, hoje Yukimura e Masamune estão em "paz" devido às forças do Shinsengumi e do Daimyo, porém nunca sabemos o que esperar deles. E, aliás, eles estão um pouco velhos para sair por ai lutando. - respondia Homura.
- Tipo você e o Katsuo? - perguntou Kaguya rindo.
- Isso é maldade... - afirmava Homura com um sorriso forçado.
- Me desculpa, eu não podia deixar a oportunidade passar. - afirmava Kaguya.
- Certo, certo, vamos indo. Temos um longo caminho pela frente. - afirmava Homura dando um longo suspiro.
- SIM! - dizia Kaguya.
Enquanto a conversa um tanto descontraída continuava, em meio às histórias de guerra de Homura, Kaguya e seu mestre caminhavam tranquilamente rumo ao norte do país, passando por um caminho cheio de árvores, com animais nativos da região correndo para todos os lados. Pequenos esquilos, aves, alguns cachorros que provavelmente havia fugido da vila e agora corriam pelo local deixavam o ambiente um tanto calmo.
Agora com novos objetivos logo adiante, o caminho para a região gelada de Hokaido estava traçado, o caminho para enfim Kaguya conhecer mais sobre o Seihō, seu poder espiritual.
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