27° - Invasão Inevitável!
Após a expulsão de Kaguya de Saitama, a província governada pela família Ishikawa seguiu sua vida diária como se nada tivesse acontecido. Após Kaguya ser expulsa, o Shinsengumi junto com o Daimyo ainda levaram mais um dia para deixar a cidade de Saitama e seguir para Kyoto. Após a saída do Shinsengumi, o boato sobre Kaguya se espalhou rapidamente entre a população de Saitama. Todos que estavam presentes no estádio e acabaram presenciando a cena onde Kaguya se revelava, logo trataram de comentar com outras pessoas fora do estádio.
Em menos de um dia toda a cidade real de Saitama estava sabendo do ocorrido, e para confirmar ainda mais os boatos muitos viram a agora ex-princesa sair correndo do castelo em meio à chuva. No dia seguinte após a partida das autoridades supremas do país, Yasunori tratou de vir a público e acalmar toda a população alegando para não se preocuparem com nada, afinal o assunto já estava resolvido e todos poderiam enfim seguir com suas vidas.
Após o teste, não só a cidade real como também toda a província conseguiu uma renda maior em relação há dias normais, os visitantes vindos de outros lugares conseguiram movimentar bem a economia do lugar e assim, os moradores de Saitama comemoravam a renda extra, porém todos sabiam que os impostos estavam para ser cobrados, porém as colheitas de arroz estavam a todo vapor, e graças à chuva, os campos de agricultura de vários lugares começavam a prosperar ainda mais.
Muitos dos comerciantes que lucraram com seus produtos durante o teste além dos apostadores ilegais já começavam a se espalhar pelo país, procurando gastar o dinheiro adquirido comprando itens, acessórios e muitas outras coisas, não só para si mesmos como para suas casas, porém muitos dos homens preferiram gastar com algo mais prazeroso, os cabarés da cidade de Saitama durante a noite viviam lotados, e muitas mulheres que trabalhavam em tais locais, além dos donos do estabelecimento lucravam muito mais com o dinheiro de tais homens buscando prazer e diversão.
A guarda no local tanto na entrada da cidade como no castelo real ainda se mantinha reforçada com os soldados de Yasunori protegendo todo o lugar dia e noite. Os guardas tinham ordens para vigiar a cidade e seus arredores sem que baixassem a guarda, pois ninguém saberia dizer quando ou onde seria o próximo ataque inimigo, Yasunori sabia da movimentação de Katsuo no sul graças às informações do Shinsengumi, porém tal shogun nem imaginava que Katsuo havia destruído Mie, roubado uma das relíquias e agora, tal homem marchava em direção a sua cidade em busca de seu segundo objetivo.
Durante os dias que se seguiram, dentro do castelo, Kushina a mãe de Kaguya passou todos os dias indo ao templo no jardim do castelo, a mulher rezava todos os dias pela segurança de Kaguya, desejando que estivesse segura onde quer que estivesse. Toda vez que Kushina visitava o jardim ou o quarto de sua filha, as lembranças de Kaguya vinham a sua mente, a garota pequena correndo para alimentar as carpas, ou a mesma lendo livros em seu quarto, treinando sua caligrafia, ou tomando seu glorioso chá enquanto via as folhas das cerejeiras voando ao longe.
Porém tais lembranças logo eram substituídas pela cena durante o teste de admissão do Shinsengumi, Kaguya lutando como um samurai na frente de todos, a briga com Yasunori e posteriormente a visão da filha saindo de casa com uma espada em mãos, sempre que lembrava e tal cena, Kushina ficava triste e cabisbaixa, pois não gostaria de pensar que sua filha estaria por ai, brandindo uma espada e lutando contra Ronins em algum lugar desconhecido, Kushina também havia se lembrado das últimas palavras ditas por Kaguya antes da mesma sair correndo em meio a chuva.
"Eu te amo minha mãe... Até mais...".
Por outro lado, Yasunori se mantinham firme e forte em seu dever como governante de uma província, o shogun líder de Saitama, passava seus dias em meio a relatórios e acordos diplomáticos com províncias vizinhas, buscando ter uma relação amigável com tais lugares, assim, poderiam fazer a economia e a renda bruta da cidade girar, além de conseguir mantimentos novos para tais capitais e vilarejos espalhados pelo território. Muitos dos negociantes aceitaram tais acordos com Yasunori, outros ainda estavam relutantes em aceitar algo, porém era quase certeza que em breve tais shoguns cederiam as propostas de Yasunori e firmariam um acordo prospero para com tais homens.
Com tal acordo, não só a economia iria girar de uma forma que beneficiaria ambos os lados como também fortaleceriam os laços de amizade com tais lugares, e com tal aliança, o treinamento para novos soldados seriam maior e melhor, armas novas poderiam ser produzidas e a manutenção de tais equipamentos seria bem mais tranquila, pois os gastos com matéria prima para as espadas e outros equipamentos seria dividido entre tais homens, e assim, todos sairiam ganhando com a formação de novos soldados que estariam dispostos a proteger a paz e a ordem em tais capitais e vilarejos próximos as cidades reais.
Ao contrário de sua esposa, Yasunori procurava pensar o menos possível em Kaguya. Para tal shogun o fato de sua filha lhe desobedecer, pegar em uma espada e sair por ai lutando era algo que faz a honra da família de guerreiros e samurais pelo país ser algo insignificante, seus pensamentos sobre uma mulher usar uma arma e lutar por ai, continuavam os mesmo, algo inútil e desnecessário que não ajudaria em nada.
Após Kaguya deixar Saitama, Yasunori buscou sempre que possível desviar o assunto, Kushina insistia em falar sobre a filha, tentando ao menos deixar o coração de pedra de Yasunori um pouco fragilizado e preocupado com a única filha, porém tais tentativas se faziam totalmente inúteis não dando resultado nenhum, Yasunori se mantinha forte em sua convicção e seus ideais, sua opinião era algo difícil de mudar, e segundo seus pensamentos sabia que se voltasse atrás, muito provavelmente, o povo poderia o considerar alguém sem palavra.
Já era manhã na cidade real de Saitama, o comércio começava a abrir normalmente e as pessoas já começavam a circular pela cidade, os soldados patrulhavam as ruas evitando que ladrões roubassem as pessoas de bem, alguns mendigos se faziam presentes pedindo dinheiro ou algo para comer, do outro lado da cidade, os moradores já começavam a sair de suas casas, as mulheres em questão já estavam concentrando lavando as roupas sujas perto dos rios que cortavam a cidade, as crianças que não estavam na pequena escola perto do parque de árvores de cerejeira, corriam pela cidade brincando de diversas brincadeiras.
Algumas com seus besouros, outras apenas corriam, ou brincavam de se esconderem pelos cantos. Os teatros da cidade também já iniciavam suas apresentações do dia, o teatro de bonecos famoso na província de Saitama, já começava uma nova peça, e muitas pessoas já se faziam presentes para assistir tal ato.
Dentro do castelo real do shogun, Kushina já se encontrava no templo do jardim rezando novamente pela segurança de sua filha, após quase uma hora dentro do local, a mulher logo tratou de se retirar, ao atravessar, a porta de entrada do templo, do outro lado da ponte que cortava o lago onde as carpas se encontravam, Yasunori estava parado apenas observando tudo com uma expressão séria no rosto, em sua mão, havia um pergaminho aberto, sendo pressionado com força por tal homem.
Kushina deu um longo suspiro e logo tratou de se aproximar do marido para tentar saber sobre do que se tratava o pergaminho, e também para que pudessem ter uma breve conversa, afinal, não era muito normal Kushina ver Yasunori perto do lago, onde tais carpas sempre traziam a tona lembranças de Kaguya, lembranças que Yasunori e seu orgulho gostariam de enfim tentar esquecer, Kushina caminhava atentamente a passos calmos até enfim parar ao seu lado, onde ambos observavam as carpas nadando no lago.
- Bom dia Yasunori... - dizia Kushina um pouco cabisbaixa.
- Bom dia... De novo rezando por ela? - questionou Yasunori olhando friamente para frente.
- Sim, você sabe que ela é nossa única filha, não posso simplesmente ignorar tal fato. - respondia Kushina.
- Pois deveria, alguém que desonrou nosso nome, o nome de nossa família não merece perdão... - dizia Yasunori.
- Tem certeza? Eu sei que lá no fundo você também quer que ela esteja segura, eu sei disso, eu te conheço Yasunori. - exclamava Kushina olhando o marido.
- Você não poderia estar mais errada... Não quero saber de alguém que abandonou as tradições para seguir o caminho proibido das espadas. - dizia Yasunori desviando o olhar.
- Você não me engana, eu sei que você pensa nela também, afinal ela é sua filha. - dizia Kushina.
- Chega! Não quero mais ouvir sobre ela! - dizia Yasunori com raiva e um tom de preocupação no rosto.
- Pois bem, não falarei mais disso, mas... O que é essa coisa? - perguntava Kushina apontando para o pergaminho na mão de seu marido.
- Isso chegou há dois dias, porém só tive acesso a ele agora, depois de terminar de passar os relatórios às províncias vizinhas... De acordo com um de nossos homens, isso veio de Gifu, de um dos homens do Shinsengumi que atua pela cidade real de tal província, ele afirmou que recebeu um relatório sobre uma missão em um vilarejo dias atrás, e quando soube de tal feito, tratou de realizar e trazer essa copia para mim... - respondia Yasunori com um pouco de raiva.
- E o que diz? Por que está com essa cara? - questionava Kushina preocupada.
- Além de falar que Katsuo atacou Mie ele também traz o relatório dos novos times de ação do Shinsengumi... Dentre eles... Ela está lá... Kaguya conseguiu o que queria... - respondia Yasunori.
- I-impossivel... Ela... No Shinsengumi? - questionava Kushina ficando um pouco tonta.
- Sim, pelo que parece ela está sob vigilância compondo o esquadrão de Hijikata e relatando suas atividades a Matsudaira. Aqui também diz que ela teve êxito em suas primeiras missões... - respondia Yasunori apertando o punho contra o papel do pergaminho.
- Kaguya... - dizia Kushina quase chorando por ter noticias de sua filha. - Se... Ela está com eles, então não tenho com o que me preocupar ela estará segura. - dizia Kushina.
- Muito pelo contrário, se ela está com eles, batalhas e guerras se farão presentes em sua rotina, o perigo constante sempre rondara as sombras dela, a cada missão do Shinsengumi... Mas se é isso que ela quer que assim seja, deixe-a, só assim ela entendera o porquê não deveria pegar em uma espada e lutar, eu não me importo mais com alguém como ela. - dizia Yasunori.
- Como eu disse... Eu sei que no fundo você não pensa assim... Eu vou continuar torcendo por sua segurança e agora que ela está entre eles... Agora que ela escolheu o caminho do qual seguir... Eu só quero que ela seja feliz, e que saiba que ela sempre terá um lugar para voltar. - retrucava Kushina com seriedade em seu rosto.
Yasunori encarou o rosto da mulher, com um olhar de fúria, porém ao dar um longo suspiro, a conversa retornou.
- Ache o que quiser, eu não mudarei minha convicção... Estarei no meu salão se precisar... - afirmou Yasunori se afastando de Kushina e entrando no castelo.
- Yasunori! - gritou Kushina tentando parar o marido.
Kushina apenas observava a figura de seu marido entrando no lugar, a mulher gostaria de acreditar que Yasunori estaria preocupado em relação à Kaguya, porém seus pensamentos fortes sobre o assunto a impediam de realmente ver o que tal homem sentia em relação ao sua filha, Kushina como esposa de Yasunori por muito tempo, sabia que mesmo tendo desonrado sua filha, Yasunori demonstrava certa preocupação com a garota, ou ele não teria avisando-a sobre onde estava Kaguya.
Kushina permaneceu no jardim onde começou a ver as carpas na água, a visão dos peixes no lago a faziam ficar mais calma e tranquila, o vento forte percorria o local balançando os galhos da árvore de cerejeira mais ao fundo, pétalas voavam pelo ar, deixando o local ainda mais tranquilo que o normal.
Kushina então começou a adentrar o castelo também após quase meia hora em meio à tranquilidade, pois possuía tarefas a serem cumpridas no dia, coisas da casa, passar ordens às empregadas e verificar a renda do castelo, além de verificar como estava o estoque de alimentos.
Após quatro horas onde Kushina se concentrou inteiramente em seus afazeres, realizando as tarefas e passando ordens às empregadas do castelo, Kushina notou uma correria estranha no corredor que levava a sala de Yasunori. Com pressa e preocupação, Kushina correu para ver o que era, e ao chegar à sala de Yasunori, a mulher viu cerca de quatro soldados conversando com seu marido.
Após receberem ordens de Yasunori, os quatro partiram para fora do castelo correndo, Kushina notou que no rosto de tais homens, havia preocupação, raiva e também um pouco de medo, os soldados correram em disparada e ao chegarem fora do castelo, começaram a repassar as ordens aos outros que começavam a se preparar também.
Em seguida, Kushina viu seu marido se trocando, tirando suas roupas casuais, e colocando sua armadura de batalha, uma armadura de cor azul escura com tons em cinza, em sua cintura havia duas espadas embainhadas uma de cada lado, em sua cabeça, um capacete similar a de um besouro se fez presente, Kushina sabia que fazia muito tempo que seu marido não usava tal armadura, sabia que fazia muito tempo desde sua última batalha como um samurai.
Yasunori se aproximou de Kushina que estava sem entender muita coisa, Yasunori tentou acalma-la com um caloroso beijo longo, em seguida Kushina olhou atentamente para seu marido que estava com um leve sorriso no rosto.
- Yasunori! O que está acontecendo? - questionou Kushina com muita preocupação.
- Meu amor... Minha flor mais bela do jardim... Eu peço para que ao menos você fuja. Pegue algumas empregadas e use os túneis, se afaste daqui o mais rápido possível. - dizia Yasunori e aproximando de Kushina e segurando suavemente seu rosto.
- Como... Assim? O que está acontecendo? - questionou Kushina ficando nervosa.
- Estamos sendo atacados... O Exercito de Katsuo esta em Saitama. - respondia Yasunori.
- O... Que? - se perguntava Kushina assustada.
Do lado de fora da cidade, à confusão começava, aos poucos o exercito de Katsuo se aproximava da cidade, pronto para novamente trazer o caos.
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