26° - Alerta de Perigo!
Após o breve encontro com o temido exercito de Katsuo, nas planícies próximas ao vilarejo, Hijikata e seu grupo seguia a toda velocidade rumo a prisão. Agora o esquadrão do comandante estava ainda mais em alerta, pois Hijikata desconfiava que Katsuo pudesse ter mandado alguém para persegui-lo, e se isso fosse verdade, o quanto antes se afastar melhor seria. Lutar nas condições em que estavam traria desvantagem de mais para os homens do Shinsengumi, estar em menor número contra uma tropa inteira era o mesmo que cometer suicídio, Hijikata sabia que mesmo com suas habilidades, poderia aguentar uma longa batalha, porém mesmo para toda sua força, aquele exercito era demais para se enfrentar sem um exercito do mesmo nível.
O grupo agora estava atravessando uma região em volta de um enorme lago, os cavalos seguiam a toda velocidade percorrendo as margens do lago e tomando a direção da direita, indo em direção a um agrupamento de montanhas mais ao noroeste de onde estavam. De acordo com os cálculos em sua mente, Hijikata acreditava que chegariam quase no fim da tarde na prisão subterrânea das montanhas o que seria ótimo, já que logo em seguida pretendiam partir rumo a Kyoto e alertar os superiores sobre Katsuo e sua marcha sangrenta.
Kaguya vinha logo atrás na formação, a garota deu uma breve olhada para trás, para ver se não havia ninguém seguindo, após dar um longo suspiro, Kaguya se sentiu um pouco aliviada, ao olhar para o rosto de seus companheiros, todos ainda estavam meio tensos com tudo aquilo. Ao olhar para Hijikata, Kaguya notou que o capitão do esquadrão havia levantado sua mão direita com o punho fechado, indicando para todos esperarem, em seguida, Hijikata apontou para o lado direito.
O grupo entendeu o recado, menos Kaguya que ainda não conhecia tais sinais, logo todos percorreram atravessando com velocidade para a outra extremidade do enorme lago, e em seguida, todos pararam. O grupo desceu de seus cavalos os levando até as margens do lago para que tomassem água. Kaguya se aproximou de Hijikata que se alongava próximo à carroça.
- Quem era... Aquele shogun? - perguntou Kaguya.
- Aquele era Katsuo Nobuhara... Um shogun que governa uma das ilhas do sul. Já faz quase dois meses que ele e seu exercito estão marchando por esses lados, destruído províncias, ele já devastou duas delas e ainda não sabemos o porquê disso. - respondia Hijikata com um olhar sério.
- E vocês não fizeram nada até agora? - questionou Kaguya novamente.
- Não é tão simples. Ele atacou Wakayama bem no momento do teste, e não podíamos adiar, então movemos nossas forças para o norte em Saitama, assim conseguimos impedir o avanço deles, porém depois disso, ele não fez nenhum novo movimento, então pensamos em observa-lo das sombras, mas agora com esse encontro repentino, temos que correr. Pois se ele esta se movimentando podemos formular um plano de ataque melhor, e com mais pessoas. E além de tudo sabemos como segui-lo... - dizia Hijikata.
- Mas, se ele é tão temido assim, então ele também pode saber que podemos formular um plano para intercepta-lo, eu particularmente achei burrice da parte dele deixar a gente escapar. - afirmava Kaguya.
- Eu não diria burrice, mas ele pode ter nos deixado escapar sabendo que mesmo assim poderia vencer depois contra nossas forças, ele tem confiança em seu exercito e em sua força. - dizia Hijikata levando a mão ao queixo pensando.
- Senhor Hijikata, podemos seguir em frente, o quanto antes chegarmos a prisão melhor. - dizia Yamaguchi se aproximando com seu cavalo.
- Sim, se preparem! Vamos partir em dois minutos! - disse Hijikata indo pegar seu cavalo.
- SIM! - disseram todos começando a se preparar.
Após os dois minutos, todos subiram nos cavalos e adentraram o restante da floresta. Após quase 4 horas de viagem, o grupo seguia a toda velocidade atravessando as árvores e chegando a uma região de planície, ao longe o grupo já podia ver o forte que protegia a prisão nas montanhas, a frente da enorme montanha, o local do qual estavam era formado por uma grande área de campina com um belo gramado verde, cercada por mini lagoas que se formavam em volta, mais ao longe, podia se ver o restante da floresta e a entrada para um pequeno vilarejo, ao se aproximar do forte, o chão mudava se tornando terra pura e com muitas rochas. O local era cercado por outro agrupamento de montanhas que se espalhavam
Não demorou muito para todos se aproximarem da enorme estrutura a frente, se assemelhando a uma cabana enorme construída com madeira e revestida com partes de metal, a estrutura cobria uma grande área, tendo um enorme corredor interno a cima do enorme portão de ferro, além de um externo onde alguns soldados faziam a vigília, o local contava também com várias torres de vigilância, onde soldados do Shinsengumi munidos de arco e flechas além de suas espadas se faziam presente, observando todos os ângulos possíveis, para que assim evitassem um ataque surpresa.
No solo saindo de um das portas da cabana, um homem do Shinsengumi usando uma barba preta, com longos cabelos pretos soltos se aproximou de Hijikata o cumprimentando, tal homem era chamado de Soutaro Kumazawa, seus companheiros também o chamavam pelo apelido de o Grande Urso das Montanhas, referência não só ao seu sobrenome, mas também por seu porte físico, alto com muitos músculos, e um olhar aterrorizante que lembrava o olhar de um urso faminto em busca de sua presa. Soutaro era comandante da prisão que era chamada de Prisão Mugen, tal lugar era conhecido e temido, como a fortaleza mais poderosa de todas espalhadas pelo país, onde ninguém jamais conseguiu escapar.
- Soutaro... Vejo que está bem. - dizia Hijikata.
- Capitão Hijikata, é bom revê-lo... O que devo a honra de sua visita? - questionou Soutaro.
- Sangue novo... Espero que eles se divirtam aqui. - afirmou Hijikata apontando para a carroça.
- Interessante... - dizia Soutaro com um sorriso diabólico no rosto.
Soutaro caminhou e viu os bandidos e um velho amarrados até os dentes, Soutaro soltou um enorme sorriso seguido de um riso que assustou os homens, com um sinal de mão, Soutaro indicou para que seus homens viessem buscar os bandidos, os soldados chegaram rapidamente e pegaram todos os levando para além dos portões de entrada do local, outros ainda carregaram a carroça para dentro por segurança, a separando do cavalo de Hijikata. Em seguida, Soutaro parou ao lado de Kaguya a encarando com um olhar sério.
- Então você é a garota do qual estavam comentando? - se perguntava Soutaro.
- S-sim, parece que as noticiais correm rápido. - respondia Kaguya.
- Vejo que tem potencial, porém ainda é muito inexperiente... - dizia Soutaro olhando a garota de cima a baixo. - Deviria largar essa vida garota, pegar em uma espada não é tão simples como pensa. - concluía o homem.
- E-eu sei, por isso eu não vou desistir... Serei uma guerreira samurai mesmo contra vontade de muitos- dizia Kaguya com seriedade no rosto.
- Interessante... Faça como quiser, a vida é sua, só espero que não quase problemas ao nosso orgulhoso esquadrão. - dizia Soutaro.
- S-sim. - afirmou Kaguya um pouco tensa com o olhar do homem.
- Capitão, não se preocupe, esses caras não vai sair daqui tão cedo. - dizia Soutaro.
- Conto com você, irei voltar a Kyoto e relatar ao senhor Matsudaira. Afinal agora temos problemas maiores para resolver. - dizia Hijikata.
- Eu já até imagino o que seja, os boatos correm rápido por aqui, boa sorte capitão! - disse Soutaro se curvando em respeito.
- Sim, Vamos! - afirmou Hijikata seguindo correndo com seu grupo e se afastando aos poucos da Prisão Mugen.
Soutaro voltou a suas tarefas dentro do local, organizando seus homens e indicando para seus novos prisioneiros onde seriam suas celas, os outros presos se agitaram ao saberem que teriam moradores novos, e um Grande barulho se fazia presente, porém Soutaro fez sua voz escoar por toda a prisão os fazendo ficar em silêncio, Soutaro era temido por muitos ali, e os poucos que tentaram uma fuga, jamais retornaram para dentro da prisão, ou para fora dela.
O grupo de Hijikata passou o dia inteiro percorrendo o caminho até Kyoto chegando a capital perto da madrugada, os cavalos cansados logo foram levados para o estabulo, e os soldados começavam a se mover por todo o quartel general. Hijikata e Kaguya caminharam atentamente até o salão de reuniões a procura de Matsudaira, porém ao abrirem a porta, o velho não estava lá, o lugar estava vazio e no mais perfeito silêncio.
- Para onde ele foi? - se perguntava Kaguya.
- Ele só pode estar em um lugar... Vai vir também ou prefere ficar? - questionou Hijikata.
- E-eu vou, vai ser melhor do que aqui. - afirmou Kaguya enquanto observava do lado de fora, alguns homens do esquadrão se escondendo.
Kaguya muito provavelmente imaginou que tais homens fariam um ataque a ela em seu quarto, porém com a proposta de Hijikata, Kaguya vu li uma chance para que tais homens fossem evitados, e assim, evitando também que uma briga noturna desnecessária fosse causada.
Os dois saíram do quartel do Shinsengumi logo em seguida, seguindo a pé pelas ruas de Kyoto. Muita das casas estava com suas luzes desligadas, porém algumas lojas e casas de banho se mantinham abertas, poucas pessoas circulavam nas ruas, mendigos e bêbados era a maioria assim como prostitutas que ganhavam dinheiro a noite dos pobres homens que não aguentavam e não resistiam ao desejo carnal de seus corpos.
Kaguya observava bem a cidade enquanto caminhava, suas ruas cheias as faziam lembrar-se de quando saia a noite para treinar escondido com seu mestre em Saitama, tudo era muito igual a sua cidade natal o que lhe trazia consequentemente lembranças de um tempo que não volta mais, lembranças de seu mestre, de sua família, do tempo divertido e de certa forma, empolgante que era Saitama, atravessar as ruas escondida, passando por becos e tomando cuidado para que não fosse notada, Kaguya se lembrava de cada detalhe com exatidão ao olhar a cidade de Kyoto.
Kaguya tentava imaginar por onde Homura andava e o que estava fazendo. A garota desejava tirar muita de suas duvidas sobre tal Ronin e sua história conturbada contada por seu pai e Matsudaira, porém encontra-lo agora era impossível, pois Homura havia deixado Saitama sem rastros. Kaguya e Hijikata atravessaram duas ruas longas seguindo para o outro lado da cidade, passaram por vários lugares, e em fim chegaram onde queriam.
Um prédio diferente dos outros, muito bem iluminado por grandes lanternas, uma placa de madeira enorme anunciava o nome do estabelecimento, perto da entrada, havia outra placa anunciando que hoje, haveria uma promoção especial, onde quem estivesse presente, poderia aproveitar duas belas mulheres pelo preço de uma, o que deixou Kaguya assustada e com extrema vergonha, afinal o Cabaré do Sol Nascente era o mais visitado pela população de Kyoto e também pelos turistas e mercadores que vinham até a cidade.
Ao entrarem, a recepcionista vestindo um Yukata azul que estava na altura do cotovelo revelando grande parte de seu corpo, indicou para Hijikata e Kaguya irem para os fundos perto do palco que havia no local, a recepcionista já sabia do que se tratava e por isso liberava a entrada sem grandes problemas para Hijikata. O ambiente era muito diferente de tudo o que Kaguya já viu, luzes em um tom de Vermelho, muitos incensos espalhados pelo local, alguns afrodisíacos e outros apenas deixando ambiente muito perfumado, o que deixavam todos animados, muitos homens sentados em sofás cercados por belas mulheres com corpos que os animavam, além de muita bebida e dinheiro, um palco enorme a frente se fazia presente, onde algumas faziam uma apresentação musical.
Ao longe, podia se ver várias portas que levavam para quartos espalhados pela enorme estrutura de três andares, além de ter um pequeno bar e uma cozinha onde algumas de suas trabalhadoras, preparavam bebidas e alguns doces típicos da região para seus convidados. Mais a frente do grupo perto do palco, rindo enquanto duas belas mulheres de cabelos longos e Yukatas verde e azul passavam suas mãos pelo seu corpo, estava Matsudaira. As mulheres estavam com a faixa de seus Yukatas solto, e uma das mãos de Matsudaira passava pelo corpo de uma delas, a tocando em diversos lugares, Kaguya olhou com um olhar de desprezo para o velho, e Hijikata balançou a cabeça em sinal de negação, porém o capitão já estava acostumado com tal cena e caminhou para perto.
- Ho ho, Hijikata finalmente voltou a esse lugar! - afirmou Matsudaira rindo.
- É voltei, mas não para me divertir desta vez, temos problemas para resolver. - afirmou Hijikata.
- Trouxe a garota também, espero que não estejam pensando em fazer algo. - dizia Matsudaira rindo enquanto Kaguya se envergonhava e se segurava apertando fortemente seu punho em resposta a tal comentário.
- É o Katsuo... - disse Hijikata dando um suspiro.
Logo ao ouvir o nome do shogun, Matsudaira mudou sua expressão, após beijar fortemente as duas mulheres e paga-las pelo serviço, Matsudaira começou a sair do cabaré, seguido por Hijikata e Kaguya que se entre o olharam e seguiram seu líder. O trio estava agora do lado de fora do cabaré caminhando pelas ruas da cidade novamente.
- Relatório! - afirmou Matsudaira ajeitando seus óculos enquanto caminhava.
- Primeiro descobrimos que o velho Yashiro roubava seu próprio vilarejo com ajuda de bandidos e assim, nos chamou para que pudesse se safar, porém descobrimos tudo e o pegamos, eles já se encontram presos na Prisão Mugen, porém no caminho, nos deparamos com o grande exercito de Katsuo marchando para algum lugar. - afirmou Hijikata.
- Tem alguma ideia de para onde ele está indo? - questionou Matsudaira.
- Não senhor, porém agora sabemos por onde seguir seus rastros já que temos ideia de por onde ele está passando. - respondia Hijikata.
- Irei avisar o Daimyo, depois montaremos um pequeno grupo de perseguição, vamos ver para onde ele está indo e assim, formular um plano de ataque efetivo e terminar com essa marcha de destruição. - dizia Matsudaira.
- Sim! - disse Hijikata.
- Garota, depois vou querer um relatório seu também, e depois se prepare, já tenho uma nova missão a você. - dizia Matsudaira.
- S-sim senhor, mas se me permite, por acaso não esta pensando em... - dizia Kaguya sendo interrompido.
- Não é isso o que esta pensando pirralha, eu não seria louco a esse ponto de mandar você atrás dele, precisamos fazer a escolta de uma carga até uma vila no litoral de Kyoto, você vai para lá amanhã à tarde. Descanse e deixe Katsuo para nós. - afirmou Matsudaira.
- S-sim! - disse Kaguya.
A noite caia em Kyoto trazendo consigo toda a preocupação com as outras provinciais do país, agora que o Shinsengumi sabia de pelo menos um rastro dos passos de Katsuo e seu exercito, era questão de tempo até descobrirem para onde ele estaria indo, e qual seria o seu objetivo em atacar diversas cidades pelo país.
Ao mesmo tempo Kaguya já planejava o que escrever em seu relatório, e também se sentia ansiosa, pois em breve, sua nova missão iria enfim começar.
Duas semanas depois. Saitama.
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