18° - Apenas Uma Chance!
Quatro dias depois.
Após a confusão em Saitama e após aguardarem a chuva que caia na região cessar, o Shinsengumi assim como o Daimyo e os novos recrutas voltavam a Kyoto. A situação envolvendo Kaguya deixou todos com um clima um tanto pesado, ninguém poderia imaginar que a filha do shogun iria se disfarçar e se infiltrar no torneio com o objetivo de entrar no Shinsengumi, porém mesmo vendo suas habilidades ninguém poderia fazer nada, afinal aquilo se tornou um assunto de família, e em tais assuntos Matsudaira e os outros não gostavam nem um pouco de se intrometer. Matsudaira e o Daimyo concordaram em aceitar mais um membro dos participantes do teste para ficar no lugar de Kaguya.
Ninguém que presenciou a cena de discussão no castelo de Yasunori saberia dizer onde estaria a garota agora, depois de ter saído correndo do castelo indo para algum lugar desconhecido, nenhum guarda ousou ir atrás. Matsudaira passou boa parte do inicio da viajem contando a história do ocorrido para Toyotomi, o Daimyo fez uma cara de espanto no inicio, porém assim como os outros não poderia ter feito muita coisa, ele sabia que se intrometer poderia causar discussões desnecessárias, discussões essas que Toyotomi e Matsudaira gostariam muito de evitar.
Durante a viagem houve apenas uma parada no meio do caminho para descansarem enquanto alguns soldados realizavam a manutenção rápida das carroças, pois algumas chegaram a ter problemas por conta da lama que se formou em alguns pontos. Após estar tudo resolvido, o esquadrão junto com seu governante supremo começava a entrar na cidade, as ruas de Kyoto estavam agitadas, as pessoas que caminhavam pelo centro logo deram espaço para as autoridades passarem, muitos gritavam comemorando a volta do Daimyo, outros apenas observavam maravilhados com a chegada de todos.
Porém os moradores de Kyoto também notaram que o grupo havia crescido desde a última vez que os viram, o que rapidamente causou a conclusão de que o teste havia enfim terminado e os novos recrutas estavam entre eles.
Matsudaira escoltou a carruagem do Daimyo até o castelo real enquanto Hijikata e os outros membros seguiram para o quartel general do Shinsengumi. Os novos recrutas que não haviam visitado a cidade se maravilhavam com a beleza do lugar, outros já imaginavam como seriam os cabarés, pois pelo caminho muitos já estavam de olho nas belas mulheres que passeavam pelas ruas da cidade.
Chegando ao quartel os soldados levaram os cavalos para o estabulo, enquanto Hijikata, Okita e Kondo guiavam os novos recrutas pela base adentro. Hijikata indicou para Okita e Kondo mostrarem o lugar para todos enquanto iria fazer o relatório de tudo o que aconteceu.
O clima comparado aos dias anteriores estava um pouco mais agradável, mesmo com o sol, uma leve brisa percorria o local deixando o ar um pouco mais gelado. No quartel, Okita e Kondo terminavam sua pequena excursão onde em seguida, os uniformes oficiais do Shinsengumi foram entregues a todos. Após a entrega Kondo avisou para os recrutas se reunirem no salão de treinos, pois os esquadrões de ação que fariam missões pelo país seriam devidamente divididos e consequentemente, suas primeiras missões seriam entregues.
Enquanto isso, no castelo do shogun, Matsudaira e Toyotomi conversavam no salão real do local sobre alguns assuntos envolvendo os novos recrutas, Toyotomi tinha algumas duvidas sobre a nova formação para as missões. Ambos estavam sentados um de frente para o outro, cada um possuía ao seu lado uma xicara de chá, o salão real do Daimyo era enorme e muito bem decorado com inúmeros quadros de guerreiros samurais assim como um enorme mapa do país emoldurado do lado esquerdo da parede. No direito ficava a porta de entrada e a frente do Shogun ficava a varanda com vista para toda cidade de Kyoto, atrás de Toyotomi, havia uma enorme estatua de um guerreiro samurai, assim como alguns incensos e mais ao lado, outra porta que dava acesso ao local de orações do castelo, feito especialmente para Toyotomi.
- Os chás daqui realmente são os melhores. – dizia Matsudaira tomando um pouco de seu chá.
- Certamente, ter as melhores empregadas que alguém poderia ter e ainda com habilidades culinárias como essa não é pra qualquer um. – dizia Toyotomi com um sorriso.
- Realmente... Como eu queria ter empregas assim... – dizia Matsudaira.
- Hahaha! Seu estilo não permite isso meu caro. Coitada das mulheres que trabalhariam para você. – dizia Toyotomi enquanto ria.
- De certa forma isso é verdade... – dizia Matsudaira ajeitando os óculos em seguida.
- Então... Agora que o teste chegou ao fim... Temos outros assuntos a resolver. – afirmou Toyotomi ficando sério.
- Sim, infelizmente... E assuntos chatos ainda por cima. – dizia Matsudaira.
- Você já tem alguma ideia da movimentação dele? – questionou Toyotomi.
- Um pouco, um dos soldados me relatou que viu uma movimentação estranha mais para o norte de onde estavam inicialmente, mas ele não soube dizer se era mesmo Katsuo e seu bando. – respondia Matsudaira.
- Temos que tomar cuidado... Não podemos deixa-lo fazer o que quer por aqui... Afinal o que ele busca? – se perguntava Toyotomi.
- Isso nós só saberemos quando descobrirmos com exatidão onde ele está... Esse Katsuo deveria ter ficado quieto nas ilhas do sul cuidando de seu território! – exclamava Matsudaira demonstrando certa raiva em seu rosto.
Enquanto a conversa prosseguia e a tarde começava a se revelar na região de Kyoto, Matsudaira e Toyotomi notaram que do lado de fora alguns soldados comentavam sobre algo. O barulho foi o suficiente para chamar a atenção das duas autoridades, logo os dois caminharam até a varanda do local para ver o que estava acontecendo.
Ao olharem para baixo na direção ao portal de entrada, os dois viram os guardas com suas lanças e espadas em mãos, as direcionando para alguém que estava parado logo à frente. De longe, Matsudaira e Toyotomi não conseguiram ver muito bem quem exatamente era. De repente, um soldado entrou correndo no salão real se ajoelhando logo em seguida.
- Senhor Matsudaira, Senhor Daimyo, perdoem-me por minha humilde intromissão em tal recinto, mas é urgente! – dizia o soldado, usando uma armadura de combate simples e um chapéu de palha na cabeça.
- Diga homem! O que esta acontecendo lá fora? – questionou Matsudaira caminhando até o soldado.
- Senhor! De repente,... Como eu poso explicar isso... – dizia o homem com vergonha em eu rosto.
- Diga soldado! Sem enrolação, por favor! – insistia Toyotomi com seriedade em seu rosto.
- Sim senhor! Bom... Parece que tem uma garota lá fora, e ela está usando uma espada! – dizia o soldado.
Matsudaira logo soltou um suspiro e com o sinal de Toyotomi o comandante geral do Shinsengumi correu pra fora, de cima na varanda do quarto andar, Toyotomi e o soldado observavam a cena se desenrolando logo a baixo. A misteriosa garota logo se agachou com cuidado lentamente colocando sua espada ao chão e levantando as mãos para cima em sinal de rendição, os soldados que a cercavam se entre olharam e logo em seguida, um dos homens segurou os braços da jovem e os amarrou com uma corda enquanto o outro pegou sua espada do chão.
A garota possuía uma expressão séria, suas roupas estavam cobertas de lama e seu rosto estava sujo com alguns cortes que se estendiam pelos braços e pernas. Em seguida os homens a levaram para próxima da entrada onde Matsudaira os aguardava, surpreso, o comandante geral chegou até a retirar os óculos para ver bem aquele rosto, a garota toda suja e acabada parecendo um mendigo das ruas de Kyoto era ninguém menos do que Kaguya Ishikawa, a filha desonrada de Yasunori.
- Está de brincadeira comigo... Soltem-na! – disse Matsudaira enquanto os soldados obedeciam a desamarrando, porém mantendo a guarda logo atrás da garota. – A espada... – disse Matsudaira em seguida, enquanto um dos soldados lhe entregava a lâmina de Kaguya. – Então, o que faz aqui? Como saiu de Saitama e veio para Kyoto ao mesmo tempo em que nós? – questionou Matsudaira recolocando seus óculos.
- Eu não tenho para onde ir... Pensei que talvez eu pudesse ficar na cidade, depois daquele dia, eu caminhei estrada a fora seguindo para cá, tive que vender minhas roupas para conseguir dinheiro para comer, quase fui assaltada o que me fez ficar desse jeito, pois entrei em combate com alguns arruaceiros pela floresta. Foi então que enquanto seguia pela estrada, peguei carona com um comerciante que me ajudou até metade do caminho, depois segui até aqui andando, por coincidência, eu busquei acelerar o passo, pois vi a carruagem dos senhores de longe, e aqui estou eu, tive que dormir em lugares nada legais e ainda, estou há três dias sem banho, isso se contarmos à chuva que tomei como um banho... – respondia Kaguya com um olhar sério.
- Entendo... Olha garota eu posso te dar dinheiro para passar em uma casa de banho, comer, comprar roupas novas e só, mas o que me intriga com isso tudo e toda sua viajem perturbadora e conturbada até Kyoto é sobre o que espera realmente vindo aqui? Você poderia ter ido para algum lugar trabalhar em troca de moradia, mas não. Você veio até o castelo da maior autoridade do país, por quê? – perguntou Matsudaira novamente.
- Eu gostaria que o senhor, ou o próprio Daimyo, me dessem uma chance, só uma chance de provar o meu valor. – respondia Kaguya.
- Fala do Shinsengumi é? E por que eu deveria fazer isso? Não quero problemas com Yasunori depois. – dizia Matsudaira.
- E não vai ter afinal para ele eu não passo de uma ninguém agora... – respondia Kaguya.
- Isso de certa forma é verdade... Do jeito que ele te tratou duvida que ele se importe com você... – afirmava Matsudaira.
- O senhor... Viu minhas habilidades no teste, sabe do que sou capaz, eu aguento, posso fazer qualquer coisa em troca... Mas por favor, só me de uma chance... Eu não sei mais o que fazer... Passei os últimos dias pensando nisso, eu cheguei até a desistir de tudo, mas ai eu tive um momento de clareza... – retrucava Kaguya ficando cabisbaixa.
- Hum... Continue... – dizia Matsudaira demonstrando certa curiosidade.
- Eu pensei que... Se eu desistisse agora, tudo aquilo pelo qual passei teria sido em vão, todo meu esforço treinando e tentando uma vaga no teste, teria servido para nada, eu... Realmente não sei como é uma batalha de verdade, posso ter muita inexperiência em combate... Mas eu sei que posso me esforçar para ser alguém melhor, eu só peço ao senhor uma chance, só uma... – insistia Kaguya com algumas lágrimas nos olhos.
- Entendo... – disse Matsudaira ficando pensativo.
Matsudaira observava bem o rosto da garota a sua frente, podia ver que havia determinação no olhar da jovem. Porém Matsudaira também estava hesitante, afinal não seria fácil ter uma mulher no esquadrão, não teria como prever o que os outros poderiam pensar e como a população em si reagiria. Após alguns minutos pensando, enquanto os guardas o encaravam Matsudaira soltou um longo suspiro.
- Escuta aqui... Eu vou lhe dar apenas uma chance... Não por quem você é ou por suas habilidades... Mas por sua determinação... Em troca, você terá que fazer alguns serviços pelo quartel, eu pedirei a Hijikata para ficar de olho em você o tempo todo e te passar algumas lições... – dizia Matsudaira com uma expressão séria no rosto.
- Obrigado senhor... Obrigado... – dizia Kaguya se ajoelhando em respeito.
- Não agradeça ainda garota... Mas saiba de uma coisa... O Shinsengumi não pegará leve... Não é por que você é uma mulher que iremos lhe tratar diferente, somos todos guerreiros que lutam em prol de um bem maior, então espero que se dedique de corpo e alma sua missão... Você terá apenas uma chance... Não me desaponte... – exclamava Matsudaira ajudando a garota a se levantar.
- Sim, pode deixar... – disse Kaguya com um sorriso.
- Ah, senhor, está tudo bem com isso? – questionou um dos soldados a frente.
- Não se preocupe, irei falar com o senhor Toyotomi depois, eu vou arcar com toda a responsabilidade em cima dela, quero que a tratem como um membro do Shinsengumi a partir de agora. – respondia Matsudaira.
- S-SIM! – respondia o soldado com um olhar de vergonha.
- Venha comigo, vou te levar primeiro a uma casa de banho, esse cheiro está de matar... – dizia Matsudaira indicando para Kaguya o seguir enquanto tapava seu nariz por conta do cheiro de lama vindo da garota.
- S-sim... – disse Kaguya com um olhar de vergonha no rosto enquanto enxugava suas lágrimas.
Enquanto a dupla se afastava do castelo, do alto Toyotomi encarava com um sorriso de canto a cena abaixo, em seguida o Daimyo se afastou da varanda com o seu soldado o seguindo.
- Senhor se me permite, está tudo bem com relação a isso? – questionou o homem.
- Não se preocupe, o velho do Matsudaira sabe o que está fazendo, veremos o que isso poderá desencadear... Traga os relatórios dos dias em que fiquei fora, quero estar a par de tudo o que aconteceu! Rápido! – disse Toyotomi se sentando em sua almofada.
- SIM! – disse o soldado correndo para fora da sala real.
Algumas horas se passaram e Kaguya foi até a casa de banho onde pôde tomar um longo banho relaxante nas termas da cidade, Matsudaira indicou para que a garota demorasse o quanto quisesse. Enquanto isso o comandante chamou por uma garota que passava na rua, Matsudaira disse para a jovem ir até a loja de tecidos e comprar um Kimono simples. A moça obedeceu e logo após meia hora, a garota trouxe um Kimono verde.
Matsudaira agradeceu a jovem que aparentava ter seus 23 anos com um tom sedutor em sua voz e em seguida, deu mais algumas moedas como recompensa para ela. Depois Matsudaira indicou para moça da casa de banho levar as roupas para a garota no banho e assim ela o fez.
Após mais alguns minutos Kaguya saiu do banho totalmente renovada e usando o Kimono simples e novo, em seguida os dois começaram a caminhar rumo ao quartel do Shinsengumi. Ao passarem pela cidade muitas pessoas comentavam sobre o assunto, alguns achavam que era uma filha perdida do Matsudaira, outras que conheciam suas histórias noturnas já pensavam que o velho comandante já estava a todo vapor com mais uma garota, o que deixou Kaguya com um desconforto muito grande devido aos comentários.
- Então onde conseguiu essa lâmina? – questionou Matsudaira enquanto caminhavam retirando a espada de Kaguya da bainha e observando atentamente a lâmina da garota.
- Eu comprei de um ferreiro em Saitama, ele disse que se eu pagasse bem, ele faria a melhor espada que ele jamais fez... – respondia Kaguya.
- Ele deve ser bom mesmo, o metal usado parece de qualidade, isso vai ser útil em combate. – disse Matsudaira retornando a guardar a espada e a dando de volta para Kaguya. – Preste atenção garota... Quando estiver em combate preste atenção a cada movimento do inimigo, acredito que você treinou isso, mas é sempre bom relembrar, não vacile, não hesite, se tiver que matar, mate! Se tiver que lutar, lute! Pois um samurai que tem medo da própria espada é pior do que um samurai que foge sem ao menos ter tentado fazer algo. – concluía Matsudaira com um olhar de poucos amigos que deixou Kaguya tensa.
- Irei me lembrar disso senhor! – disse Kaguya.
- Acho bom, agora vamos à parte difícil. – dizia Matsudaira dando um suspiro.
Rapidamente os dois chegaram ao quartel arrancando olhares assustados de todos ali presentes, aparentemente a imagem de alguém que se divertia com mulheres a noite já estava na cabeça de muitos homens do Shinsengumi, e quando viram Matsudaira com uma mulher ao lado, e alguém jovem, muitos comentários não deixaram de ser ditos. Sem se importar os dois caminharam até o salão de treinos, onde Matsudaira imaginava que todos estavam.
Ao passarem pelo corredor externo os dois enfim chegaram ao enorme salão, onde os escolhidos pelo teste estavam enfileirados enquanto a trindade do Shinsengumi estava à frente. Logo depois todos se espantaram ao ver Matsudaira abrir a porta e ao seu lado ter a figura de Kaguya entrando no ressinto.
- Senhor Matsudaira o que ela faz aqui? Porque estão juntos? – questionou Hijikata.
- Calma jovem Hijikata, sei que isso é muito repentino, mas trago novidades um tanto alarmantes... Para resumir, ela fará parte do Shinsengumi a partir de agora. – respondia Matsudaira com seriedade no rosto.
- Está falando sério? – questionou Kondo enquanto os outros cochichavam sobre o assunto.
- Sim, resolvi dar a garota uma chance de provar que merece estar aqui, eu ficarei responsável pelos relatórios dela assim como outros cuidados, quero que a tratem como uma guerreira a partir de agora, e quem ousar insulta-la vai se ver comigo, estejam avisados. – disse Matsudaira em seguida deixando todos surpresos e sem reação.
- Isso não vai acabar bem... – dizia Okita em seguida.
- Hijikata, mostre o lugar a ela e a de um uniforme, quero que ela faça parte do seu time de ação a partir de agora, será melhor assim para vigia-la, quero que você a avalie e me passe relatórios constantemente sobre a evolução dela. – disse Matsudaira dando ordens a Hijikata que logo assentiu com a cabeça.
- Que loucura é essa... Poderia ter nos avisado antes senhor Matsudaira. – dizia Kondo com certa irritação.
- Ah meu jovem Kondo eu também gostaria de ter sido avisado antes, mas alguém resolveu fazer surpresa não é. – disse Matsudaira enquanto olhava Kaguya envergonhada.
- D-desculpa... – disse Kaguya um pouco envergonhada.
- Isso vai ser um saco... Mas ordens são ordens... – afirmava Hijikata dando um longo suspiro enquanto coçava sua cabeça.
- Realmente as habilidades dela mesmo disfarçado foram impressionantes, porém isso já é demais... – disse Okita em seguida.
- Como eu disse, já que são ordens vamos cumpri-la, garota, saiba que não vamos pegar leve com você ouviu? – alertou Hijikata.
- Eu sei... Eu também não quero que peguem leve só por mim ser uma garota... – afirmou Kaguya com um olhar sério para Hijikata.
- Isso é um absurdo! Não podemos admitir isso! – gritou um dos novos recrutas ao longe.
- Silêncio! – gritou Kondo os repreendendo, porém seu efeito.
- Ela é uma mulher, o lugar dela é dentro de casa e não na batalha! – disse o outro soldado.
- Elas foram feitas para nos satisfazer, e cuidar da casa, não lutar! – gritou outro mais ao fundo.
- Já chega! – gritou Matsudaira os fazendo ficar em silêncio.
- Eu... – começou dizendo Kaguya. – Eu posso ser uma mulher sim, mas o senhor Matsudaira viu minhas habilidades e resolveu me dar uma chance, e eu não vou desperdiçar ela... Podem dizer o que quiser sobre mim, podem me julgar ou me insultar, mas eu decidi que a partir de agora, eu Kaguya... Serei uma guerreira samurai e podem aguardar... Com o tempo eu irei provar a vocês que sou merecedora de estar aqui... Então me esperem, pois eu não vou desistir... – dizia Kaguya com seriedade no rosto, enquanto os outros a encaravam em silêncio.
- Bom se não tiverem mais nada a fazer estão dispensados... Hijikata eu a deixo em suas mãos. – dizia Matsudaira saindo do local.
- Fazer o que... Pôde deixar senhor! – disse Hijikata em seguida.
Logo depois Hijikata deu um longo suspiro e indicou para Kondo e Okita continuarem a divisão das equipes, Hijikata seguiu com Kaguya até outra ala do quartel onde pegaria seu uniforme. No rosto da garota havia um enorme sorriso, Kaguya tinha ali a oportunidade perfeita para realizar seu sonho e desperdiça-la não era uma opção.
Agora a vida de Kaguya como uma guerreira do Shinsengumi estava apenas começando, porém o que todos ali não sabiam e não poderiam sequer imaginar, é que ao mesmo tempo em outro lugar, as chamas do conflito se ascendiam novamente.
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