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Capítulo 3

— O que ele quis dizer com: "Margot, a garota que adora escrever cartas de amor? "

— Não faço ideia — disfarcei. Rodrigo me olhou desconfiado, suspirou fundo e se manteve concentrado no trânsito enquanto me levava de volta para casa.

— Foi legal, não foi? Você gostou do jantar?

Não.

— Sim, muito — falei de um jeito murcho. Eu até estava gostando, mas parei de gostar quando você me chamou de feia.

— Você está estranha. — Ele levantou uma sobrancelha. — Está tudo bem?

— Claro — minha voz soou cheia de sarcasmo.

— Você está brava?

Agora que você percebeu seu cretino?

— Não — respondi.

— Está brava sim! — ele me olhou por cima dos ombros. — O que eu fiz agora?

— O que você fez? Você ainda tem a cara de pau de perguntar?

Fala sério! Rodrigo estava me deixando com raiva com aquela cara de sonso dele. Aff eu queria matá-lo naquele momento.

— Se você não me contar eu não vou adivinhar nunca! Não leio mentes!

— Pois leia a minha mente agora.

Olhei para ele com ambas as sobrancelhas franzidas e o punho cerrado. Rodrigo me olhou com os lábios entreabertos apertando as mãos no volante.

— Eu não fiz nada — ele disse de um jeito tranquilo, pronunciando lentamente cada palavra.

— Não fez nada? Me chamou de horrorosa na frente dos seus amigos e tem a audácia de dizer que não fez nada? Fala sério!

— Mas eu só falei a verdade, e eu disse "era" e não "é". No passado. Eu disse que você era feia no passado!

— Da na mesma seu patife!

Dei um tapinha de leve no ombro dele e virei-me para janela e cruzei os braços, mantive os meus olhos fixos na rua e fechei a cara. Eu não queria olhar para cara dele, não agora.

— Por favor, Margot. Você está sendo dramática.

— Eu? Dramática? Ahhhh.

— Sim! Que coisa mais ridícula. Eu fui sincero, não é você que diz que não gosta de mentiras.

— Poderia ter guardado a sua sinceridade e opinião pra você, QUERIDO — cuspi estas palavras em cima dele.

— Meu Deus, Margot! — Ele balançou a cabeça irritado. — Você está me tirando do sério hoje. Primeiro usa esse vestido la femme fatale e agora faz esse draminha de adolescente de quinze anos.

— Não estou fazendo drama! — falei com os dentes cerrados. — Eu fiquei magoada com você, não esperava esse tipo de atitude.

— Tipo de atitude? — Rodrigo franziu o cenho, seus olhos chamuscavam de raiva. — Ok, me desculpe Margot por ter ferido os seus sentimentos.

Ele falou tentando manter a calma, respirando profundamente.

— Você não está arrependido. — Mantive os meus olhos presos nas paisagens noturnas que passávamos.

— Merda! Não dá pra me perdoar logo? — ele gritou exacerbado.

— Não fala merda pra mim! Eu odeio esse tipo de linguagem vulgar — rebati.

— Mulher, você está o cão hoje — ele falou entredentes.

Fiquei calada durante todo o trajeto, bufando irritada com o Rodrigo e as suas grosserias. Eu estava nervosa com ele por ter me feito passar vergonha na frente do Raul, eu estava brava com o Raul por ele ter ignorado o fato de que eu fui louca por ele no ensino médio e ter a cara de pau de beijar a namorada perfeita dele na minha frente sem o menor pudor. E eu estava mais irritada ainda por Luana não ser uma garota mesquinha e insuportável, ela era simpática demais, legal demais e tudo isso me fez parecer uma br1oaca.

— Vamos parar com isso, Margot — Rodrigo disse assim que estacionou o carro em frente da minha casa. Ele puxou o freio de mão e tirou o cinto, se aproximou de mim, congelei quando senti o seu cheiro amadeirado perto de mais do meu rosto. — Eu errei, eu sinto muito.

Não havia nenhum pingo de sinceridade em suas palavras, o seu hálito de menta acariciou o meu rosto enquanto ele tentava me beijar.

— Por favor, Rodrigo. — Esquivei-me. — Eu gosto de você. Eu amo você, mas não quero ficar com você agora.

— Por que não? — ele indagou avançando o sinal com a sua mão deslizando pela minha coxa e seus lábios mordiscando o meu pescoço.

— Sai! — Empurrei ele de forma brusca. — Quantas vezes eu já falei que eu não quero que você me toque assim enquanto ainda estivermos namorando?

— Margot. — Ele bateu as mãos com raiva no volante a buzina ecoou por toda a vizinhança. — Se você não quer, por que se veste assim?

— Eu tenho o direito de vestir a roupa que eu quiser. — Olhei pra ele abismada com tamanha audácia.

— Você me deixa louco desse jeito! Não posso evitar, sou homem. Eu preciso de sexo. — Ele passou as mãos pelos cabelos negros e macios, seu rosto estava vermelho, parecia arder.

— Estamos juntos há dois anos, eu pensei que você já tivesse entendido.

— Eu tento entender, mas eu não consigo mais esperar! — ele gritou.

— Então vamos casar — falei e só depois fiquei assustada com as minhas próprias palavras. Hoje de manhã eu estava feliz com hipótese de me casar com Rodrigo, mas agora tal ideia me apavorava.

— Casar? — Franziu a testa.

— Sim, estamos juntos a tanto tempo...

— Não temos dinheiro, eu acabei de ser promovido.

— Muitos casais casam sem dinheiro, Rodrigo. Podemos alugar alguma casa...

— Não! — ele gritou e eu dei um pulo no banco de couro marrom assustada.

Desviei o olhar. Fui muito idiota em acreditar que ele queria se casar comigo. Apoiei o meu cotovelo no batente da janela, minhas mãos acariciaram os meus fios ruivos, e cerrei os olhos para não chorar e assim não ter que passar por uma dupla vergonha.

— Olha, Margot — ele falou assim que percebeu o quanto eu ficara triste com as suas rudes palavras. — Agora não é o momento.

— E quando vai ser o momento? Daqui uns dez anos? — minha voz estava cheia de dor.

— Claro que não — ele disse de um jeito tranquilo. — Eu só quero poder comprar a nossa casa, dar a você uma vida melhor.

— Então pode esquecer a palavra sexo por um bom tempo! — gritei com a voz arranhada de dor.

— Margot. — Ele me olhou seriamente. — Se você me amasse tanto já teria se entregado pra mim.

— O quê? — perguntei em estado de choque. — Está duvidando do meu amor por você?

— Eu só quero dizer que...

— Não! Casar virgem foi uma escolha minha! Eu prometi a mim mesma que me entregaria ao meu marido, isso é um sonho meu! Eu não vou permitir que você zombe das minhas decisões e questione a legitimidade dos meus sentimentos por você. Aposto que você já deve ter me traído, já que não consegue ficar sem sexo, mas quer saber, que se dane você!

Assim que pronunciei aquelas palavras sai do carro em sobressalto e fechei a porta do siena com força, cruzei os braços e caminhei até o portão pisando duro. Abracei o meu corpo e deixei com que as lágrimas rolassem pela minha face.

— Margot! — Rodrigo gritou atrás de mim, até que me alcançou e puxou o meu braço com força.

— Me solta! Você está me machucando! — gritei ao perceber as suas mãos frias pressionando com força o meu braço.

— Ei! — ele gritou, seu rosto parecia um animal feroz, as veias saltavam do seu rosto que pegava fogo. — Você não pode me acusar de algo que eu nunca fiz! Eu nunca te traí!

— Me solte — pedi fitando os seus olhos castanhos que estavam irreconhecíveis.

Ele empertigou-se e me soltou devagar observando o meu rosto pálido e chocado com aquela cena.

— Me desculpe — ele pediu evitando os meus olhos.

— Não, não hoje.

Dei de costas para ele e entrei dentro da minha casa soluçando baixinho, evitando olhar para aquele rosto desconhecido.

— Que gritaria foi aquela? — minha mãe perguntou assim que eu entrei na sala.

Abandonei os meus sapatos de salto alto no chão e corri para a cozinha com uma mão no rosto limpando as lágrimas.

— Margot? — eu ouvi a voz da minha mãe.

Abri a geladeira e peguei um pote de sorvete, quando o abri vi que era feijão. Então comecei a chorar enlouquecidamente, não consegui segurar as lágrimas e os soluços que estavam entalados na minha garganta.

— Por que vocês usam o pote de sorvete pra guardar feijão? — perguntei em meio as lágrimas, minha mãe me olhava preocupada e o meu pai parecia estar em estado de transe. — Isso é cruel, muito cruel...

As lágrimas desciam de forma incontrolável no meu rosto, meu batom devia estar manchado assim como o meu olho borrado de sombra, guardei o porte novamente na geladeira.

— O que aconteceu? — minha mãe inquiriu com as sobrancelhas erguidas e a boca arregalada.

— Eu e o Rodrigo não vamos mais nos casar. — solucei mais alto.

— Oh... — mamãe falou, os seus lábios estavam ligeiramente para baixo. — Eu sinto muito, querida.

Ela se aproximou e me abraçou apertado.

— Como assim? — meu pai indagou com um tom de voz mais alto do que o comum. — Ele te enrola durante dois anos e agora não quer casar?

Minha mãe me puxou até a sala, sentei-me no sofá acolchoado e olhei para as paredes amarelas enquanto contava apenas 1/3 da minha briga com o Rodrigo.

— Ele até que te aguentou por muito tempo — Jonathan falou com a boca cheia como sempre, revirei os olhos.

— Engraçadinho. — Fingi um risinho.

— Querida, você está chateada. Amanhã você conversa com ele e eu tenho certeza de que tudo vai se resolver.

— Não sei não...

— Vai sim.

Minha mãe me levou até o meu quarto, subimos pela escada, morávamos em um sobrado. Meu irmão e eu ficamos com os quartos de cima enquanto mamãe e papai ficaram com o de baixo, porque o meu pai já não tinha mais fôlego para subir e descer as escadas diariamente. Mamãe me ajudou a trocar de roupa e a tirar a maquiagem borrada do meu rosto. Ela penteou os meus cabelos e cantarolou uma música que ela cantava para mim e para o meu irmão quando éramos pequenos. Sua voz suave acalmou os meus nervos e tranquilizou o meu coração e por um tempo eu esqueci de Rodrigo e foquei nas mãos macias da minha mãe acariciando os meus cabelos, o afago dela afastou as minhas lágrimas e um sorriso fino e pequeno surgiu no canto dos meus lábios.

Olhei para o meu quarto. Eu tinha 24 anos, mas ainda tinha um quarto cor de rosa ladeado por livros que não cabiam mais na minha estante e que por isso tive de colocar embaixo da minha cama. Uma pilha de livros amontoados no piso de linóleo. Era uma bagunça, eu sei, mas eu gostava do meu esquema.

— Não contei pra você, mas temos um novo vizinho.

— Quem? — perguntei enquanto a minha mãe escovava os meus longos cabelos.

— Não sei direito. É um velhote, se mudou para o casarão aqui da frente.

— Ele está sozinho?

— Não sei.

— Aquela casa é muito grande — eu disse a ela.

— Seu pai queria comprá-la, sabia?

Balancei a cabeça de forma negativa.

— Não deu certo, ela é muito cara. Parece que o novo dono é bem de vida.

— O que ele faz?

— É mecânico, se chama Copélio. Se você o visse iria rir dele.

— Por quê? — inquiri.

— Ele parece ser meio malucado, dá até pena.

Não demorou muito para que mamãe fosse embora. Ela beijou o meu rosto o ensopando com saliva e apertou as minhas bochechas. Aproximei-me da sacada da minha janela, coincidência ou não, ali eu tinha uma visão ampla do casarão. O imóvel era meio velho, enorme, com as paredes precisando urgentemente de uma cor. Um sobrado abandonado.

Já era quase meia noite quando eu vi uma jovem na janela da casa do nosso novo vizinho. Ela estava penteando os seus longos cabelos negros, eu não conseguia enxergar muito bem, mas ela parecia estar em um vestido de noiva que cobria praticamente todo o seu corpo, o véu jogado para trás. Seu rosto era rígido, sua pele clara cintilava com a luz do luar. Uma bruma prateada a rodeava como se ela fosse um anjo, uma deusa que precisava ser adorada por toda aquela neblina que dançava ao seu redor. Até mesmo a lua parecia estar observando aquela jovem. Senti um calafrio percorrer todo o meu corpo e fechei a janela. Aquela menina me dava medo!

Bem, mamãe estava errada. O velhote tinha uma filha.

*

— Ele fez o quê? — Teodora parecia furiosa quando eu contei a ela sobre a noite passada.

— Você ouviu — falei enquanto limpava os livros empoleirados de uma das estantes. — Ele agiu como um idiota, me senti como se eu fosse protagonista de um daqueles livros em que o mocinho é abusivo.

— Eu sabia que ele não era tão perfeito assim, mas não pensei que ele fosse um imbecil.

— Bom, eu aprendi a lição — falei convicta.

— Aprendeu mesmo? — Teodora franziu testa. — Tenho certeza que quando ele te ligar você vai correndo até ele e vocês vão acabar reatando e esquecendo tudo.

— Não sei se eu quero reatar. Ele dúvida de mim, e eu estou começando a achar que ele me traiu. Não com uma amante fixa, mas com alguma prostituta.

— Por que diz isso? — ela indagou.

— Bom, ele aceitou muito fácil durante esses anos ficar sem sexo — Teodora concordou. — Com certeza ele deu suas escapadinhas.

— E como você se sente sobre isso?

— Ontem eu tinha certeza de que ele era o cara certo pra mim, agora eu tenho certeza de que não é. Talvez seja melhor eu ficar sozinha por um tempo. Talvez eu não tenha sorte no amor...

— E o Raul? — Teodora perguntou de repente. — Você não falou dele.

— Raul? — Lembrei-me dos olhos dele em cima de mim. "Eu sempre achei você bonita". — Ele continua um idiota!

Dei de ombros e peguei uma vassoura para varrer o chão.

— Não fuja do assunto, Margot.

— Não estou fugindo — me defendi.

— Você não sentiu nada quando viu ele?

Não, o meu coração quase parou de funcionar, só isso.

— Ele está noivo — falei sentindo o sabor da amargura.

— Sério?

— Sim, fui convidada para a festa de noivado deles.

— Não creio que ele vai mesmo casar com aquela garota!

— Sim, Luana. Ela é bem simpática, me senti a bruxa má do Oeste perto dela.

— Fala sério!

— Sim, eles estão super apaixonados e namoram há anos, era óbvio que um dia eles iriam oficializar a união.

Luana e Raul eram um casal perfeito. É claro que Raul nem devia lembrar de mim na escola, ele só falou aquilo para me confortar. Preciso parar de ser trouxa e de me iludir.

— Mas, e você? — Teodora disse atrás de mim perseguindo os meus passos que estavam fugindo daquela conversa.

— Eu o quê? — perguntei enquanto varria rapidamente o chão.

— Para de fingir que não me entendeu — Teodora se irritou. — Você gosta ou não dele?

— Não — falei com um olhar distante, a voz meio arranhada.

— Não mente pra mim, sou sua melhor amiga e detesto mentiras. —Ela cruzou os braços e bateu os pés no chão impaciente.

— Eu ainda estou magoada com ele — confessei. — Mas não sei se ainda gosto dele, é complicado.

Então contei a ela sobre a nossa conversa quando ficamos sozinhos na mesa.

— Poxa, ele foi bem-educado — ela falou.

— Sim, mas como você mesma disse ele agiu por educação. Ele nem lembra de mim no ensino médio, ele nem olhava pra mim, como agora diz que sempre me achou bonita?

— Talvez seja verdade o que ele disse.

— Não importa, não vou ficar me iludindo com alguém que está prestes a se casar.

— Ele namora a tanto tempo a Luana, deve ter se acomodado na relação. Ele deve ter medo de terminar com ela e nunca mais conseguir ter um relacionamento estável.

— Não importa, Teodora — rebati. — Não quero ficar me lembrando do passado. Toda vez que eu olho para os álbuns de fotografia da escola eu vejo o Raul. E eu não quero ser a segunda opção de ninguém, muito menos a sua concubina.

— Eu não disse que ele está interessado em ter um caso com você. Estou dizendo que acho que ele tem medo de se separar da Luana, a garota foi a primeira namorada dele.

— E a única pelo jeito — falei com uma certa tristeza impregnada na minha voz.

— Por que você não fala com ele? — Teodora parecia esperançosa.

— Falar com ele? — perguntei indignada. — E falar o que pra ele?

— Diz pra ele que você ainda se sente como aquela garota que mandou aquela cartinha de amor pra ele quando vocês tinham dezessete anos.

— Não posso fazer isso!

Teodora havia perdido o juízo? Eu simplesmente chego no cara e digo a ele que ainda o amo mesmo depois de tanto tempo? Não! Eu nem sabia o que eu sentia pelo Raul.

— Por que não? Ele ainda não casou.

— Ele não gosta de mim, Teodora. Ele deixou isso bem claro quando se recusou a responder a minha carta, e ontem ficou ainda mais claro quando ele beijou a Luana na minha frente, mesmo sabendo que eu havia gostado dele no passado.

— Ele pensa que você seguiu em frente e que o esqueceu.

— E ele tem razão, eu segui em frente. Eu amo o Rodrigo mesmo ele sendo um idiota. — Teodora revirou os olhos e bufou baixinho. — Ele é um imbecil? É! Mas pelo menos é um imbecil que gosta de mim.

— Não se contente com pouco, Margot. Parece que você só está com Rodrigo porque nunca vai achar coisa melhor.

— E não vou mesmo, você já viu os homens dessa cidade?

— Que desculpa esfarrapada! Tem vários homens lá fora disposto a te conhecer, vários caras legais! Você que é muito preguiçosa para procurar.

— E casar com alguém igual o seu marido?

— Lucas pode não ser um príncipe encantado, mas pelo menos nunca gritou comigo ou me chamou de feia na frente dos nossos amigos — Teodora rebateu chateada. Ela deu as costas para mim e seguiu até o balcão.

— Me desculpa — pedi me aproximando do caixa onde ela estava.

— Tudo bem — ela falou ainda brava comigo. — Mas você precisa parar de achar que o Rodrigo é muito pra você, porque você merece coisa melhor. Ele não é um cara legal. Ele te chama de raio de sol! Pelo amor de Deus! Raio de sol!

Teodora riu do apelido que o Rodrigo havia me dado por um bom tempo.

— Eu sei que você se preocupa comigo — eu disse a ela. — Mas eu vou ficar bem.

— Você precisa se livrar desse encosto e pegar o Raul pra você.

— O Raul gosta da Luana — senti o meu coração afundar aos poucos.

— Será? Mas mudando um pouquinho de assunto, adivinha quem tem ingressos extras para o show da Marília Mendonça?

Olhei pra ela e arqueei uma sobrancelha.

— Você?

— Eu! — ela gritou feliz da vida. — Eu amo essa mulher!

— Eu não curto muito sertanejo.

— Você é uma chata, isso sim! Vamos? Por favor? Por favor? — ela fez um beicinho enquanto implorava pela minha companhia.

— E o Lucas?

— Ele vai junto, é claro! Eu posso convidar o irmão dele que é um gatinho, ou você pode tomar coragem e chamar o Raul.

— Engraçadinha — neguei com a cabeça. — Não estou muito afim.

— Ah vamos por favor! Assim você se distraí um pouco e quem sabe aprende a gostar de sertanejo.

— Acho bem difícil isso acontecer.

— Você gosta da Adele, Celine Dion e não gosta da Marília Mendonça que é pura sofrência também? Vacilona!

Eu ri da cara dela e logo em seguida Teodora roubou a vassoura das minhas mãos e começou a cantar despreocupada por toda a livraria que por sorte estava vazia.

O seu prêmio que não vale nada, estou te entregando

Pus as malas lá fora e ele ainda saiu chorando

Essa competição por amor só serviu pra me machucar

Tá na sua mão, você agora vai cuidar de um traidor

Me faça esse favor

Iêêê, infiel

Eu quero ver você morar num motel

Estou te expulsando do meu coração

Assuma as consequências dessa traição

Iê iê iê, infiel

Agora ela vai fazer o meu papel

Daqui um tempo você vai se acostumar

E aí vai ser a ela a quem vai enganar

Você não vai mudar.

— Pare com isso! — Eu pedi a ela tapando os meus ouvidos enquanto cantarolava e encenava como se fosse uma estrela da música.

Quando ela olhou para mim algo aconteceu. Ouvi palmas e vi que ela ficou sem jeito, sem graça, porque tínhamos plateia. Olhei para trás e lá estava Raul sorrindo para ela, aplaudindo pelo pequeno show. Teodora fez uma breve referência exclamando vários obrigadas e depois sorriu e piscou para mim de um jeito malicioso, como se estivesse dizendo: O seu boy chegou.

— Oi. — Aproximei-me dele sem jeito com as pernas bambas. — O que faz aqui?

— Vim comprar um livro para a minha mãe — ele disse com um sorriso no canto dos lábios.

— Mas você nunca vem aqui — falei.

— Bom, isso é verdade, mas é bom conhecer novos estabelecimentos, principalmente quando eles são tão animados.

Raul piscou para Teodora que sorriu pra ele, depois ele olhou para mim, seus olhos me fitaram por um bom tempo. Meu coração disparou feito um louco, nossa! Fazia tempo que eu não sentia isso.

— Você me ajuda a escolher um livro para a minha mãe? — Meu Deus o cara não falava ele ronronava! Estremeci com o som da sua voz.

— Sim — sussurrei.

Caminhamos juntos pelos corredores abarrotados de livros. O cheiro dele incendiou o meu corpo, era um cheiro gostoso, rústico de algum perfume caro meio amadeirado, meio cítrico. O tecido da camisa dele as vezes encostava na pele nua do meu ombro. Ele era tão grande perto de mim, me senti pequena, frágil. Rodrigo era um anão perto de Raul.

— O que a sua mãe gosta? — falei tentando não gaguejar.

— Livros históricos, romances de época.

— Hm, tipo Jane Austen?

— Sim — ele confirmou. — Mas ela gosta mesmo de literatura russa. Guerra e paz, sabe?

— Tostói?

— Isso! Você conhece?

— Claro! Amo Tostói.

Segui por um outro corredor e Raul acompanhou os meus passos, as vezes tinha a impressão de que ele estava me observando.

— Aqui. — Parei em frente de uma estante gigantesca lotada de livros históricos. Meus dedos deslizaram até encontrar o livro que eu queria. Entreguei a ele o exemplar.

O cavaleiro de bronze — ele leu o título.

— Sua mãe vai amar, é um romance que se passa na segunda guerra mundial na União Soviética.

— Interessante. — Ele olhou para o livro depois o seu olhar se deteve em mim.

— Sim, muito — falei ruborizada. — É aniversário dela?

— Sim, decidi comemorar o meu noivado no mesmo dia do aniversário dela. Ela ainda não sabe que estou noivo, vai ser uma surpresa e tanto!

Noivo. Eu tinha que me lembrar desde detalhe todas as vezes que o meu coração falhava perto dele. Raul não escondia de ninguém a felicidade que ele estava sentindo por estar noivo de Luana.

— Você vai no meu noivado? — ele perguntou para mim logo depois que eu embrulhei o livro e ele pagou.

— Não sei, não ando muito bem esses dias, estou com uns probleminhas.

— Que pena, mas o convite ainda está de pé caso mude de ideia. Você pode ir também — ele convidou Teodora e ela assentiu. — Vai ter karaoke e talvez você possa cantar pra gente.

Teodora balançou a cabeça sem dizer nada.

Quando ele finalmente saiu da loja eu virei e falei para ela:

— Por favor, não comece.

***********************

Oi, tudo bem?

Vocês estão gostando desse livro? Tô adorando ler os comentários, demorei pra postar porque tive uns probleminhas. Bom final de domingo <3

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