Primeiro Capítulo
Trevor havia me avisado que as mulheres eram uma espécie complicada de se entender. Que elas eram difíceis adoravam um bom drama, e tinham a enorme capacidade de transformar as suas vidas em um enredo de novela mexicana. Eu nunca consegui entender o que de fato as garotas querem? Meus namoros eram péssimos. No inicio é mil maravilhas, mas depois tudo parece um filme de terror. Minhas ex- namoradas me diziam que eu era um ser desprezível e que deveria ficar sozinho para sempre, porque eu era incapaz de fazer uma garota feliz. Eu nunca entendi essa afirmação. Eu sempre fiz tudo o que elas pediam. Mandava flores e chocolates no dia dos namorados, aguentava corajosamente uma maratona de filmes românticos bregas e cheios de clichês, fui obrigado a ler "Orgulho e Preconceito" e, a ir a shows de boy band insuportáveis, quando na verdade eu queria mesmo era ir ao concerto do Aerosmith. O sexo era bom, pelo menos pra mim. E mesmo assim ainda levo um pé na bunda, definitivamente eu não consigo compreender as mulheres.
Minha mãe dizia que eu era muito novo para pensar em namoro, que um dia eu iria conhecer alguém que ia fazer meu coração palpitar. Eu não acreditava nessas coisas, mas eu sabia que existia uma garota capaz de fazer as minhas pernas tremerem. Era ela, Alison.
Quando eu era criança eu era viciado em campeonatos de soletração, mesmo sendo péssimo. Certa vez decidi que eu iria vencer, já estava cansado de perder e ter que ouvir os insultos do meu pai. Naquele ano estudei muito! E estava certo de que iria vencer. Pois bem, eu consegui vencer o campeonato regional e fui finalista do estadual, finalmente eu havia chegado aonde eu queria: O campeonato nacional.
Eu estava todo convencido naquele dia, crente que eu venceria tranquilamente, foi um grande erro pensar assim. Os meus concorrentes eram muito bons, e eu tive que lutar para derrotar todos eles, pelo menos uma parte. Quando olhei para os lados só havia sobrado eu e uma garotinha rechonchuda. Quando vi que ela era a minha única rival, respirei aliviado. Nunca uma garota feia e gorda como ela iria me vencer, mas eu estava errado. Quando o juiz me pediu para soletrar a última palavra, que era empedernido, eu fiquei duro igual a uma pedra, não conseguia me mexer e consequentemente nem falar. Depois eu descobri que o significado daquela palavra era exatamente o jeito que eu fiquei, petrificado.
Ela me venceu, e o ódio que eu senti naquele momento foi gigantesco. Eu odiava aquela baranga, como ela conseguiu me vencer? Fui obrigado a ver aquela criatura levar o troféu do campeonato de soletração nacional, e eu tive que me contentar com o segundo lugar. Depois daquele desastre, eu nunca mais participei de nenhum campeonato de soletração.
Mas o destino me pegou, dois meses depois lá estava ela, a garota que havia roubado o meu prêmio, na minha escola e coincidentemente na minha turma. Eu a reconheci imediatamente, aquele cabelo castanho escuro e o rosto redondo, ficaram gravados na minha memória depois que eu perdi o campeonato. Porém, algo estranho aconteceu. Eu não conseguia parar de olhar para a aquela garota, aos poucos eu também não conseguia parar de pensar nela. No começo os meus pensamentos eram de ódio e de como eu iria me vingar dela, mas depois eu queria ficar próximo dela, passei a invejar a sua inteligência. A garota era um gênio! Ela ia bem em matemática, ciências e escrevia e soletrava melhor que eu. Aquilo foi um choque para mim, eu nunca imaginei que um dia eu iria conhecer uma garota tão esperta. Antes de ela aparecer, eu era o gênio, era de mim que todos colavam nas provas, mas depois que a Alison surgiu, ela acabou roubando mais uma vez o meu posto.
E foi assim que eu me apaixonei por Alison Reak. Anos se passaram, eu namorei outras garotas bonitas, mas nenhuma delas me chamava à atenção como a Alison. Eu tentei esquecer essa garota, mas era difícil, no começo eu pensava que se tratava de algum desvio psicológico, não era normal alguém como eu gostar de alguém como a Alison, e por isso eu fugia dela como o diabo foge da cruz. Mas com a data da formatura se aproximando, eu comecei a ter medo de nunca mais vê-la. Talvez era hora de eu assumir o meu amor por ela e deixar as aparências de lado, porém eu ficava com medo do que iam falar de mim. Se Trevor soubesse sobre a minha paixão secreta pela Alison ele ia zoar muito da minha cara!
Eu nunca fui gentil com ela, confesso. Eu sempre fui um babaca, às vezes eu sinto ódio de mim mesmo, então eu não o culpo leitor, se você também me odiar.
Eram 6:30 da manhã, minha mãe estava aos berros comigo e, eu acordei meio sonolento. Eu estava em pé, mas dormindo. Você consegue me entender? Meu cérebro definitivamente não funciona de manhã. Peguei a minha Mercedes prata, e fui para a casa do meu amigo Trevor.
Eu moro em Nova Jersey, e a escola ficava a poucos quarteirões da minha casa. Minha família é muito rica, meu pai é dono de um escritório de advocacia muito conhecido na cidade, negócio que ele esperava que eu assumisse um dia, mas vou ser sincero, não sei se quero ser advogado, a faculdade de direito parece tão séria.
— E aí cara, já se candidatou pra alguma faculdade? — Trevor me perguntou enquanto fuçava sem parar o seu Iphone.
— Sei lá, cara. — Fui sincero. A escola era perto, mas mesmo assim eu fazia questão de dirigir, eu adorava a sensação que eu causava nas garotas quando chegava com um carro daqueles na escola. — Meu pai quer que eu faça direito.
— Mas você quer ser advogado? — Trevor perguntou confuso.
Ele era a única pessoa pra quem eu contava quase tudo. Trevor era um garoto negro, divertido e com um cabelo cheio de dreads. A família dele era muito rica também, nós estudávamos em uma escola de elite, por isso quase todos tinham sobrenomes importantes.
— Eu não sei o que eu quero fazer — falei.
— Eu sempre achei que você fosse ser um escritor um dia — ele falou abaixando a cabeça e voltando a sua atenção ao celular.
— Sério? — indaguei surpreso. — Por que acha isso?
— Ah. — Ele parou para pensar. — Você sempre gostou de escrever e ler aqueles livros chatos da aula de literatura.
Eu ri. Ser escritor não era uma má ideia, eu nunca havia pensado nessa hipótese.
Quando chegamos, faltavam dois minutos para tocar o sinal da primeira aula. Eu e Trevor saímos correndo no meio do corredor, não havia mais ninguém ali, decerto todos os alunos já estavam nas salas de aula. Trevor virou no primeiro corredor a esquerda e entrou na sala da professora Pauline de geografia, eu segui reto e entrei na sala de história, a minha sorte era que a professora não tinha chegado. Cumprimentei alguns amigos que estavam próximos e sentei na minha carteira. Comecei a checar os meus horários de aula, e vi que a última aula era de inglês, ou seja, eu veria a Alison naquele dia, minhas bochechas rapidamente coraram.
Finalmente o sinal da aula tocou, "Agora só falta mais quatro aulas" pensei. Fui para a aula de matemática (com o tempo passei a ficar ruim nessa matéria), depois geografia (um verdadeiro tédio), e finalmente para o intervalo. Tive que ficar com a minha "GALERA" e com um monte de garotas me paquerando. Sem ninguém perceber observei a Alison o tempo todo, ela estava acompanhada de Julie Patterson, uma garota bonita que era melhor amiga dela. Hoje ela estava com os cabelos presos em um tipo de rabo de cavalo e com um macacão jeans. Alison era gordinha, mas o rosto dela não era feio, entretanto em uma escola onde todas as garotas eram magras e saradas, ser acima do peso é um crime contra a sociedade.
Contei cada minuto da aula de Biologia. Quando ela acabou pensei: "Graças a Deus". Corri para a sala da professora Jenny para pegar um lugar atrás da Alison, e consegui. Ela já estava lá, sentada com a cabeça baixa escrevendo no seu caderno, me sentei atrás dela, e senti o seu perfume de uva atravessar as minhas narinas, ela soltou o cabelo como se soubesse que eu queria sentir o cheiro deles, o perfume dela pairava no ar, tive que me conter para não tocá-la, mas de repente as palavras saiam naturalmente da minha boca.
— Me empresta um lápis? — perguntei meio tímido.
Ela virou lentamente, olhou para o meu estojo e viu que ele estava aberto e que nele havia um lápis.
— Você já tem um — ela respondeu-me seriamente e virou-se para frente tão depressa, que eu nem consegui falar outra vez.
Ela não sabia, mas toda vez que eu ouvia a sua voz de anjo, o sangue pulsava em minhas veias, eu ficava louco.
Falando em Alison, é assim que eu imagino a nossa mocinha:
Adoro a Demi! E como ela já sofreu com bullying, ninguém melhor que ela pra ser nossa Alison. E como eu sou a rainha dos casais improváveis já viram né? Ela e o Dylan pra mim iam ser perfeitos! <3 Mas se você não consegue imaginar a Alison como Demi, me conta nos comentário quem você imagina ao lado do lindo do Dylan.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro