Capítulo 48
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Sinopse: Você já deve ter tido sua primeira vez em uma briga para defender seus ideais, em uma situação altamente constrangedora em público, com aquela pessoa amada e, até mesmo, como mãe! Algumas vezes, as coisas não saem como imaginávamos; outras, ocorrem de forma incrível. Confira os relatos de nove situações em que a primeira vez foi inesquecível.
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Alison.
— Como foi o seu relacionamento com o Carter?
A doutora Collins perguntou. Estávamos no seu consultório, era a terceira semana que eu estava trancafiada naquele lugar. Eu não aguentava mais. Não aguentava mais as consultas, a dieta, as paredes cinzas do meu quarto e as expressões estranhas que os demais pacientes faziam toda vez que eles me viam.
— Não foi legal — respondi. — Eu já falei dele pra você?
— Não — ela disse —, é a primeira vez que você fala dele.
Arqueei as sobrancelhas, os remédios estavam me deixando louca.
— Não quero falar sobre ele, podemos mudar de assunto? — Indaguei.
— Por que você não quer falar sobre ele? — Ela insistiu.
— Porque é passado — respondi de um jeito meio óbvio. Eu não gostava de me lembrar do Carter, foi um relacionamento abusivo, ele me usou e nunca esteve interessado em mim.
— Você acredita que o fato de você ter passado por um relacionamento conturbado te prejudicou?
— Talvez.
— Foi por isso que você não acreditou em Jace quando ele disse que gostava de você.
— Ele era popular e eu era excluída. Jace sempre praticou bullying comigo, mas eu já superei isso. Somos adultos agora.
— Alison — ela começou a falar —, você não está se esforçando.
— Estou cansada — admiti. — Posso ir para o meu quarto?
— Você já está algum tempinho aqui, mas ainda sinto que não progredimos muito.
Cruzei os braços e bati os meus pés no chão.
— Quero ir para minha casa — falei.
— Você não está bem ainda. — Ela franziu o cenho e encarou os meus pés que batiam no chão.
— Estou sim! Estou comendo, não bebo mais...
— Você acha que é fácil? Aqui dentro nós controlamos você, mas lá fora você tomará as suas próprias decisões. Antes de liberarmos você, nós precisamos ter certeza de que você realmente esteja bem, e francamente Alison, você não está nem um mês aqui. Vá para o seu quarto e pense um pouco.
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Eu estava me esforçando, eu queria melhorar e estava dando o melhor de mim, mesmo assim ainda sentia um sentimento estranho dentro do meu peito.
O vento gélido invadiu a fresta da janela e penetrou na minha pele me causando um leve calafrio na nuca. O salão principal da clínica estava vazio, com todas as mesas e cadeiras de madeira lustrada desocupadas. Eu me encontrava em uma cadeira acolchoada perto da janela. Os meus olhos percorriam através da fresta as nuvens cinzas cobrindo o sol, o tempo estava nublado. Me encolhi no suéter azul marinho que eu estava vestida, sentindo o seu tecido roçar a minha pele mantendo-me aquecida.
— Posso sentar com você?
Uma voz feminina e desconhecida perguntou. Ergui os meus olhos que estavam fixos na janela e virei o meu rosto para a direita onde uma jovem mulher robusta com o dobro do meu tamanho estava posicionada.
— Posso sentar aqui? — ela perguntou outra vez enquanto apontava para a cadeira vazia ao meu lado.
— Pode — respondi me inclinando ainda mais perto da janela.
A garota se sentou do meu lado e olhou para mim enquanto eu estava espremida. Me esquivei e pensei em levantar, entretanto ela pigarreou e falou:
— Eu sou Molly.
Pensei em dizer a ela que eu não estava interessada em conversar com ninguém naquele momento e que eu não tinha interesse em saber o seu nome.
—Você é Alison Reak, certo?
Franzi a testa, aquela situação é desconfortável. "Eu não quero falar com ninguém! Me deixa em paz!" pensei, mas acabei balançando a cabeça confirmando a sua pergunta estúpida.
— Por que você está aqui, Alison?
Ela me encarou e eu percebi que os seus olhos eram tão azuis quanto o mar da Califórnia. A garota ou mulher — eu sinceramente ainda não sabia — tinha um rosto encantador, porém estava bem acima do peso, acabei me lembrando de quando eu era assim.
— Por que você está aqui? — perguntei me esquivando da pergunta dela.
— Tenho ansiedade, depressão e tentei me matar no mês passado.
Ela deu de ombros como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
— Nossa — não consegui falar.
— E você? — Molly perguntou.
— Álcool e distúrbios alimentares — falei fazendo com que a minha voz soasse de forma tranquila também.
—Distúrbios alimentares? — Ela arqueou as sobrancelhas com a boca entreaberta. — Mas você é tão magra!
Os olhos de Molly percorreram o meu corpo, ela parecia chocada.
— Eu nem sempre fui magra — falei. — Eu era gordinha no ensino médio e quando venci o fama acabei emagrecendo, mas não de uma forma saudável.
Eu não sabia o porquê de estar contando isso tudo a ela, mas Molly era o tipo de pessoa que era fácil de conversar. O fato de ela não ser magra deve ter contribuído com isso.
— Sei como é. — Ela deu um sorriso amarelo. — Me divorciei a pouco tempo, me casei cedo, achei que ele era o homem da minha vida.
— O que aconteceu? — Indaguei.
— Engravidei. Engordei trinta quilos depois que o Ambrose nasceu. Tive depressão pós-parto. É horrível você olhar para o seu filho recém-nascido e querer matá-lo. Depois de vários tratamentos consegui me recuperar, mas não consegui salvar o meu casamento, era tarde demais. Jake, meu marido, ou melhor, ex marido, me trocou por uma mulher mais jovem.
— Eu sinto muito — falei.
— O pior não foi isso — ela falou com uma lágrima descendo pelo canto do olho. — Ele levou Ambrose junto com ele. Disse ao juiz que eu não tinha condições mentais de cuidar do meu filho. Eu perdi tudo e vi na morte a solução dos meus problemas, porém a dose de remédios que eu tomei não fora o suficiente para eu morrer.
— Eu sinto muito mesmo — falei com a respiração cansada.
— Tudo bem — ela disse —, e está tudo bem.
— O que você vai fazer quando sair daqui?
— Bom, vou continuar cuidando da minha saúde e vou lutar pelo meu filho. E você?
— Não sei — admiti. — A minha vida é uma bagunça. Eu tenho namorado, ele me visita nos fins de semana.
— Aquele que escreveu o livro? — perguntou.
— Sim — falei —, como sabe disso?
— Todo mundo sabe. — Ela sorriu. — Eu não li o livro, mas li sobre vocês nos tabloides.
— Não quero nem pensar no que eles estão falando de mim agora.
— Você pensa demais na opinião dos outros. — Ela me repreendeu.
— Infelizmente sim.
— Por que você quis ser cantora?
Boa pergunta. Antes eu achava que sabia a resposta, mas agora não faço ideia.
— Eu gosto de música — falei a primeira bobagem que surgiu na minha mente.
— Eu também, gênio. — Ela riu. — Quero saber por que você canta? O que a música faz você sentir.
— Ultimamente nada — falei e só depois percebi o peso dessa afirmação.
— Bom, temos um problema aqui.
Fiquei em silêncio por alguns minutos até que ela falou novamente:
— Você é tão influente! Podia ajudar garotas que passam pelo mesmo que você.
— Como vou ajudar alguém sendo que eu mesma não consigo me ajudar?
— Alison...
— Eu pensava que quando eu fosse magra eu finalmente seria feliz, mas nada mudou. Eu continuo sofrendo.
— Olha, uma coisa que eu aprendi nessa clínica é que problemas nós sempre vamos ter, ninguém é feliz por completo. O ser humano quer sempre mais, nunca está satisfeito com o que tem.
— É uma boa frase, leu isso em algum livro de autoajuda?
— Obrigada!
Ela sorriu e tirou do bolso do moletom cinza um livro cuja a capa estava amassada.
— Pegue, quero que você leia. — Molly me entregou um livro cuja a capa possuía a imagem de um casal seminu, o livro tinha um título cafona também.
— Não gosto muito de romances, e Deus que capa mais brega! Porque esses livros sempre têm essas capas ridículas?
Nós duas rimos e ela falou:
— Eu sei, a capa é ridícula, mas esses romances estão me ajudando muito enquanto estou aqui. Me fazem acreditar no amor novamente. E você tem namorado, depois que lê esse livro vai querer apimentar o seu relacionamento.
— Ok, obrigada. — Sorri.
— Tenho mais no meu quarto, caso você queira ler mais livros do gênero.
— Obrigada Molly.
Ela se levantou e deu um suspiro e me olhou.
— Inspire pessoas, Alison. Ajude-as.
Molly deu as costas para mim e começou a andar em direção ao seu dormitório. Abri o livro e comecei a folhear as páginas amarelas.
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