Capítulo 33 - #VEDANOWATTPAD16
Oi incríveis, tudo bem? Já estamos no nosso veda de número 16!!!!! Vocês estão gostando? Boa leitura <3
Alison
— Ali gorda. É assim que estão te chamando nos jornais, revistas e redes sociais.
Cam o produtor executivo do FAMA me contou assim que eu passei para a grande final. Só havia sobrado eu e o Austin. Ele tinha uma bela voz e era dono de uma beleza magnífica, típica de um astro da música, Austin era mais velho que eu e tinha tantos fãs clubes, além de que a sua voz era maravilhosa e fazia com que ele alcançasse as notas mais altas. Os jurados o amavam, o público o amava, eu não tinha chances. Teria que me contentar com o segundo lugar.
Só de imaginar que eu havia abandonado a escola e uma vaga na Columbia para estar nesse programa, o arrependimento assombrava os meus pensamentos. Entretanto, o que mais me doía era o fato de que mesmo cantando bem aquilo não era o bastante para que eu me tornasse uma estrela. A imagem e a aparência eram mais importantes do que a minha voz.
— Você sabe que não vai ganhar — Cam falou de uma forma tão fria que eu senti uma tristeza imensa no meu peito. — Austin tem uma coisa que você não tem. E não pense que eu sou cruel, Alison. Só estou sendo sincero. Isso é a América, essa indústria é cruel e nem todos conseguem brilhar, apenas os que se sujeitam a ela.
— Eu entendi que não vou ganhar. Eu sei que não tenho chances, mas já me sinto imensamente grata por ter chegado à final.
Eu abaixei a cabeça fazendo com que o meu cabelo cobrisse um pouco do meu rosto, impedindo que Cam visse as minhas lágrimas. Ele colocou as duas pernas na mesa do escritório e as cruzou. Cam me olhou pensativo com uma caneta deslizando nos seus lábios.
— Eu gosto da sua voz. Você tem potencial, Alison.
— Obrigada — sussurrei.
— Eu conheço pessoas, tenho contato com vários produtores e gravadoras. Posso ajudar você, posso te ajudar a ser uma estrela.
— É mesmo? — indaguei erguendo o meu rosto e demonstrando certa animação.
— Sim, mas você vai ter que se encaixar nos padrões. Sua mãe falou que a sua saúde está ok, então...
— Não entendi — o interrompi.
— Você vai ter que emagrecer, Alison — ele falou, e o meu sorriso murchou.
— Emagrecer?
— Sim — assentiu.
— Mas eu gosto do meu corpo, tenho recebido algumas cartinhas de outras meninas como eu que se identificam comigo. — Tentei negociar.
— Alison, ninguém vai comprar um CD de uma cantora gorda. Ninguém vai contratar uma atriz gorda pra ser protagonista de um filme. Ninguém vai querer uma modelo gorda na campanha de um shampoo famoso. Você já viu alguma estrela, algum rico e famoso ser gordo? Angelina Jolie, Jessica Alba, Britney Spears o que elas têm em comum?
— São magras — falei chateada.
— Sim! E lindas! E você tem um rosto bonito que vai ficar mais realçado assim que emagrecer.
—E se eu ganhar o programa? — perguntei a ele assim que Cam levantou de sua cadeira e começou a andar pensativo pelo escritório.
Cam era uma figura estranha. Ele usava roupas coloridas e engraçadas, entretanto naquele momento o seu corpo estava rígido e o seu rosto sério.
— E se eu ganhar o programa? – perguntei novamente enxugando as lágrimas com a manga do suéter vermelho.
— Você vai ter que perder peso de qualquer jeito. — Ele cruzou os braços e olhou para a janela.
— Você me acha feia? — indaguei com voz de choro.
— Sim, você é feia demais para ser cantora ou atriz — ele falou francamente.
Funguei um pouco alto. Até quando a minha aparência iria me afetar desse jeito? Não importava que eu cantasse bem, as pessoas querem alguém bonito para admirar, e ser gorda para a sociedade é ser feia. Senti as lágrimas rolarem ainda mais no meu rosto, eu me sentia tão humilhada, por que é tão difícil para as pessoas me aceitarem do jeito que eu sou?
— Eu conversei com a sua mãe e com o Austin — Cam falou enquanto fuçava os seus discos sem se importar com o fato de eu estar chorando. — Assim que o programa acabar Austin e você poderiam namorar, assim ambos ganhariam fama, e ele acabaria sendo respeitado e mais amado pelas garotas por namorar alguém como você.
— Uma garota gorda?
— Sim, uma garota gorda.
Eu o olhei, indignada. Eu não entendia o porquê da minha mãe estar tão interessada na minha vida agora, eu não a queria perto de mim, mas ela insistia. Eu sabia que Austin não gostava de mulheres seja ela gorda ou magra, entretanto da mesma forma que você não pode ser gorda na indústria da música você também não pode ser gay.
— Você quer que a gente finja que está namorando? — Eu não estava acreditando naquilo.
— Sim, as pessoas estão começando a criar boatos em cima do Austin. Esse namoro falso vai fazer bem para vocês dois!
— Eu não vou participar disso. — O olhei ofendida.
— Então se prepare para voltar pra casa sem nada. Você é feia e gorda, não vai fazer sucesso se continuar assim! Vai deixar o seu sonho de cantar ir para o ralo por causa do seu orgulho? Que futuro você tem lá fora? Vivemos em um mundo de aparências, queridinha, ou você é bonita ou está fora!
Gorda. As pessoas sempre me reduziram ao meu peso. Nada que eu fizesse iria mudar isso. As humilhações, os relacionamentos fracassados, as risadinhas, a vergonha que é entrar em uma loja e não achar uma roupa do seu tamanho e ainda ter que ouvir os risinhos maldosos da vendedora. Falar que eu sou irmã da minha mãe ao invés de filha... Eu estava farta disso. Eu estava cansada e sinceramente, eu queria ir embora desse mundo que só me maltrata e me machuca.
Cincos anos se passaram. Eu agora estava magra, do jeito que haviam me mandado ficar. Contudo, a dor não passou. Meus problemas se intensificaram ao longo desses anos. Eu pensei que quando eu fosse ficar magra eu nunca mais teria problemas com o meu corpo. Que eu conseguiria arrumar um bom namorado, que eu ia me achar bonita toda vez que me olhasse no espelho e que nunca mais teria problemas com o meu peso. Mas antes eu me amava, eu gostava de ser gorda. Meu pai me amava, eu tinha a minha avó que faleceu há dois anos, eu me olhava no espelho e gostava do que eu via como dizia o velho ditado: eu era feliz e não sabia.
Eu destruí o meu corpo. Essa era a verdade. Substitui a comida pelo álcool porque eu tinha medo de engordar novamente, e acabei me tornando dependente. Minha vida era um lixo, eu estava sozinha e me sentia vazia e cheia de demônios que eu não conseguia derrotar. Eu não conseguia me livrar do passado e mesmo o Jace dizendo que me amava eu não conseguia me sentir feliz, porque eu não me amava e se a gente não gosta de si mesma fica impossível ser feliz.
— O que eu estou fazendo, meu Deus?
Perguntei para mim mesma enquanto eu estava debruçada no Box do chuveiro deixando com que a água molhasse o meu corpo e levasse embora o sangue que escorria do meu punho. A gillette estava do meu braço, me automutilar havia se tornado uma rotina. Eu sabia exatamente em quais lugares eu poderia me cortar sem me ferir gravemente. A dor externa era ainda menor que a interna. O meu peito doía de uma forma inexplicável, era uma dor que não tinha fim. A água molhava o meu corpo e as minhas roupas, eu não tive forças nem para tirar a roupa, entrei no chuveiro assim mesmo. As minhas lágrimas se misturaram com a água que molhava o meu rosto e fiquei ali chorando, rezando para que um dia eu voltasse a ser feliz.
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— Que barulho é esse? — perguntei a uma das empregadas ao ouvir um barulho insuportável na sala de estar. Quando eu caminhei até lá vi alguém que eu não queria ver: minha mãe.
Ela me olhou de um jeito duro como sempre fazia, eu estava de roupão e havia feito um pequeno curativo no meu corte, escondi minha mão, eu não queria que ela visse mesmo sabendo que ela não se importava.
— Alison, precisamos conversar.
Ela acenou para as empregadas levarem suas malas. E se sentou no sofá. Notei que ela estava acompanhada do meu advogado e Jess também estava ali, com um olhar vazio e triste. Todos sentaram e eu me acomodei em uma poltrona macia.
— Você entrou no seu twitter hoje? — minha mãe perguntou, eu balancei a cabeça indicando que não, eu não era muito fã de redes sociais. — Seus fãs criaram uma Hashtag chamada #AlisonvoltaparaoJace eles estão adorando a polêmica do livro e torcem para que você volte com ele.
— Eu não acredito nisso — falei irritada com a empolgação que a minha mãe falou aquela frase.
— Pois acredite. — Ela sorriu. — Eles andam espalhando pdfs do livro do Jace na internet, todo mundo quer ler.
— Sim, mas isso é crime e tenho certeza que isso logo acabará — Jess sibilou.
— O negócio é o seguinte, Alison. Eu e o doutor — ela olhou para o advogado ao seu lado —, achamos melhor esquecer essa história de processo, já que o livro é uma publicidade positiva para você.
— Várias editoras te procuraram interessadas em lançar um livro seu, em que você conta a sua versão nessa história — o advogado falou.
— Não é ótimo?! — Minha mãe comemorou.
Olhei para Jess ela parecia estar alheia àquela situação.
— Vocês são tão interesseiros! — bufei.
Tudo bem que eu estava começando a não gostar da ideia do processo, mas não gostava do jeito que a minha mãe e o advogado haviam pensado.
— Alison, estamos pensando em você! Pense nos fãs que você vai ganhar! No dinheiro que vai fazer...
— É claro que é dinheiro! — gritei furiosa levantando da poltrona. — Você só pensa no maldito dinheiro!
— Trabalhei duro por você durante todos esses anos! — ela gritou exaltada.
— Claro! — falei irônica. — Ficou controlando a minha vida, mentindo para a imprensa sobre o jeito que eu emagreci!
— Alison, o livro vai ser bom para a sua carreira! — berrou. — Você vai incentivar milhares de garotas a perder peso e ser feliz!
— O quê?! — gritei sentindo o meu rosto queimar. — Você quer que eu escreva uma mentira? Você sabe muito bem como eu emagreci. Quer saber, fora da minha casa! Saia da minha casa! Eu te demito!
— Como? — ela perguntou incrédula.
— Isso mesmo! Pegue as suas malas e cai fora do meu apartamento!
Ela relutou, mas acabou cedendo e partiu acompanhada do advogado. Jess tentou falar algo, mas ela percebeu que aquela não era uma boa hora e me deixou sozinha com os meus pensamentos.
Vesti uma camisola branca quase translucida e comecei a beber, eu passei o dia sem comer nada e eu precisava esquecer aquele dia. Fiquei horas bebendo e afogando as mágoas, até que fiquei completamente alterada.
Descalça sai do meu apartamento, já era tarde da noite, quase madrugada. Minha cabeça girava e tudo parecia estar o dobro do que realmente era. Fui para o apartamento do lado e toquei a campainha, eu estava bêbada, só quando vi Jace Connor na minha frente foi que eu percebi a burrada que eu havia feito.
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