
III.| Nem tudo é o que parece
- Bem-vindos à tribo dos cães, forasteiros. O que os traz aqui?
Ao que parecia, os caninos eram soberanos nos territórios das Terras Selvagens. Admirados por todas as outras tribos, eram um povo tão influente quanto diverso e numeroso. Ainda que exibissem as mais variadas estaturas, constituições físicas e cores, aparentavam ser uma raça bastante unida.
Eram liderados por um indivíduo atlético de expressão calorosa. Aos olhos de Aslaia, o homem-cão era familiar. A memória da sua figura, enterrada mas profundezas da sua mente, dava-lhe uma sensação de segurança.
- Pai?
- Aslaia, filha de Lísia?
- E de Rinir. - Completou a jovem.
A mestiça deu um abraço apertado ao líder comovido. Na sua jornada, jamais sonhara encontrar o progenitor distante. Os corações dos dois palpitavam de emoção, naquele abraço eterno e próximo.
- O que fazes aqui, filha?
- A Árvore de Obsidiana...
- Nós sabemos. - Cortou Rinir. - As Montanhas da Sapiência deviam ser mais vigilantes com os corvinos.
Inteligentes e perspicazes, a tribo dos corvos também era conhecida por ser astuta e traiçoeira. Apesar de habitarem o reino das Montanhas da Sapiência, não eram raros os episódios que a História narrava em que os corvos, movidos pela ganância, colaboravam secretamente com o reino antagonista em troca de ouro e pedras preciosas.
- Parece com os corvinos tiveram a esperteza de roubar um dos pomos negros e vir aqui tentar vendê-lo. - Prosseguiu o pai da lupina-canina. - Felizmente, os nossos sentinelas, cientes do perigo para o equilíbrio dos reinos, travaram a transação.
- Perfeito! - Interrompeu o nefomante. - Devolveremos o fruto à Árvore, então.
- Meu caro jovem, não se trata apenas disso. - Contrapôs Rinir. - Reza a lenda que, no princípio dos tempos, cães e lobos eram um povo só e dois reinos, que hoje existem, eram um único, liderado por um rei infinitivamente justo. O Rei teve dois filhos, o Cão e o Lobo, e a eles entregou uma semente do negro mais puro, na esperança que, com o seu amor fraterno, fundassem um reino para todas as raças mágicas. Mas a cobiça sempre fala mais alto, e o Lobo, achando-se que do seu carácter mais selvagem advinha uma maior genuinidade, plantou a semente e fundou as Montanhas da Sapiência, das quais excomungou o seu irmão. O Cão, condenado a viver num reino de terras áridas e severas, estabeleceu as Terras Selvagens, ansiando pelo dia em que os dois reinos seriam unificados novamente. Dizem os mitos que esse dia chegará quando um mestiço canino-lupino, recapturando a essência do Rei, replantar a Árvore de Obsidiana na zona de fronteira, o que trará prosperidade e unidade aos dois territórios. Mas tal requer sacrifício...
- Eu estou pronta, pai.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro