32
𝗩𝗶𝗼𝗹𝗲𝘁.
Passei a noite tão mal que nem consigo sustentar a cabeça erguida.
Vomitei, senti calafrios, tontura e uma série de outras coisas. Talvez seja efeito colateral da TPM.
Tenho assuntos a tratar hoje, como a compra das insulinas da Consuelo. Seu convênio não fornece e enquanto não tiver uma medida de ação a respeito disto, terá que comprar do próprio bolso. Estou tentando incluí-la no meu próprio convênio, o que está bem difícil. Mas não vou desistir.
Consuelo sempre deu tudo que pôde por mim, se tenho a chance de retribuir... Vou fazer. Ainda é pouco ter lhe aumentado o salário e dar diversos benefícios, em comparação a toda atenção e amor que me deu a adolescência toda. Quando não tinha obrigação comigo, sua única obrigação era cumprir funções domésticas.
— Acredita que ele está melhor? — Me refiro ao Lucien, encarando o teto amplo branco por estar fazendo os exercícios fisioterapêuticos que Eric passou.
O progresso está sendo bom.
Consuelo sorri docemente, dobrando minha perna e a pressionado um pouco e segurando meu pé descalço.
— A morte é muito complexa doce menina, entretanto... Só nos resta aceitar. — Um tom melancólico e reflexivo. Já perdeu familiares e sabe a sensação.
Assim como eu.
O silêncio nos engole por minutos até que Consuelo tosse fraco. Querendo me chamar a atenção.
— Violet, queria falar sobre sua irmã, já faz um tempo. — Consuelo diz receosa... Parece com medo da minha reação.
Faço gesto para pararmos o exercício e ajeito o corpo ficando sentada na cama.
— O quê tem a Raquel? — Presto atenção na sua expressão.
— Não sei... Algo nela não me desce, sinto um negócio no peito toda vez que ela se aproxima. — A senhora coloca o punho fechado sob o peito, querendo acariciar o coração agitado.
— Não viu nada estranho? Algo que Raquel tenha dito te fez confirmar estas suspeitas. — Questiono a desconfiança dela por curiosidade.
Consuelo me lança um olhar de estranheza.
— Não... Contudo, toma cuidado meu bem. Zelo por tua segurança e te amo muito, não quero que nada aconteça com você filha. — Aprecio o gosto da última palavra com prazer.
Filha.
Soou tão sincero e carinhoso.
Consuelo olha para dentro os meus olhos profundamente e logo se dispersa, pavor toma suas íris escuras e amorosas. Como se visse o próprio diabo.
Mas não sou eu...
— Boa tarde, irmã. — A voz vibrante da loira invade e ecoa pelo quarto.
Os ombros da minha mãe ficam rígidos e vejo seus olhos tremerem, parece estar desconfortável com a presença de Raquel.
Lançando um olhar gentil a Consuelo, Raquel atravessa a porta branca e vem até mim — parando ao lado direito da cama onde estou.
— Pode nos deixar sozinhas Consuelo? — Raquel põe a mão sob meu ombro e sorri agradável. Minha amiga hesita por segundos e não se move, logo o incômodo se transforma em desconfiança protetiva.
— Depois vou jantar, fique tranquila Su. — Garanto que está tudo bem e a mulher de estrutura baixa e corpo bem magro bate as mãos no avental tirando poeira invisível e sai ainda encarando Raquel até se misturar as sombras do corredor e fechar a porta.
Como se qualquer movimento fosse fatal para mim vindo da minha irmã.
Minha própria irmã seria capaz de me ferir?
— Como está se sentindo? — Raquel se movimenta levemente e sorri calma.
— Estou mal, para falar a verdade. — Respondo segurando sua mão.
Quero realmente me aproximar da minha irmã.
Seus olhos demonstram sinceridade e suas ações também. Tem passado muitas vezes na minha casa durante a semana, perguntado como estou e feito atividades comigo como: jogar xadrez, pintar, cozinhar e entre outras coisas.
Tem sido a irmã, a companhia que mais esperei por anos.
A nossa conexão é pura.
Da minha parte, estou entregando tudo de mim.
— Tomou algum remédio? — Faço que sim, apesar de poucos fizeram efeito. Raquel está preocupada e quer me fazer sentir melhor.
— Tenta descansar, já fez muitos exercícios por hoje. — Sorri fechado e estreita os olhos em carinho.
Apenas sorrio fraco de volta, estou desanimada e com sono.
— Pode buscar um pouco de água para mim por favor? — Solto sua mão lentamente e minha irmã concorda.
Recebo um beijo na bochecha e Raquel sai indo buscar a água que pedi.
A generosidade genuína da sua face não parece ser enganosa.
— Obrigada. — Agradeço pegando o copo com água das mãos finas dela.
Após terminar até a última gota, um sono anormal me invade e eu devolvo o copo à Raquel, avisando que vou dormir e fechando os olhos... Lentamente meu corpo pede abrigo nos cobertores macios e entrego ao sono. Que sensação estranha.
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Abro os olhos e observo o quarto em volta, minha cabeça está pesando demais e minha visão embaçada, me sinto enjoada e fraca.
A impressão de que falta algo no meu quarto toma meu interior.
— Ro... — Tento chamar Rosário, mal consigo me apoiar sob os próprios braços na cama.
A luz foi apagada e somente o abajur está iluminando o quarto.
Procuro minha cadeira pelo quarto e não encontro, arrasto a mão pela cama grande e nada do celular.
Onde estão minhas coisas?
— Raquel. — Balbucio rouca e o som se volta contra mim, ecoando pelo quarto extenso.
É como se tivessem colocado uma bigorna em cima de mim, o corpo parecendo ter um peso muito maior do que o normal.
— Consuelo. — Sussurro forçando a deixar as pálpebras erguidas.
Um gosto amargo sobe a garganta e sinto ânsia.
Não estava assim, tem algo errado.
Quero vomitar, estou me sentindo muito mal.
Continua...
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