⁰⁰²
Nathalie's point of view
O ar da escola era alegre. Depois das músicas no carro, minha alegria havia voltado, mas, no fundo, eu ainda estava angustiada por ser meu último ano naquele lugar.
— Gente, aqui é enorme! — minha irmã dizia enquanto rodava com o celular. — A gente tem que ir ver em quais turmas estamos. — Ela pegou no meu braço e fomos até onde parecia ser um quadro de avisos. Primeiro, procuramos o nome da Nina e achamos no 1A.
Despreendi minha atenção da sala de Nina e fui procurar na lista dos terceiros. 3°A… procurei, nada. 3°B: Ana Caroline, nanana, lalalala; Danielle Faith, nanana; Henrique Bonadio, lalalala; Lucca Omura; Meus olhos brilharam quando vi "Nathalie Marino".
— Achou, mana?
— Achei! Tô no B. Pensei que eu iria ter que ir na coordenação como no primeiro dia do ano passado, quando eles me esqueceram. — O sinal tocou e escutamos uma voz.
— Bom dia, bom dia! Eu me chamo Vera, sou coordenadora da escola e estou aqui para dar as boas-vindas a vocês. — Ela falava enquanto Nina gravava para seu vlog. Afastei meu olhar da coordenadora e reparei em cada pessoa ao meu redor. As pessoas do fundamental tinham farda vermelha e as do ensino médio tinham farda azul.
— Nathalie, eu tô com medo! — Nina parou de gravar e falou com uma expressão chorosa.
— Calma, Nina! Não tem o que você ter medo; eu tô aqui. — Abracei-a.
— E eu nem trouxe meu remédio…
— Respira fundo. Se quiser, eu te levo até sua sala.
— Me leva, por favor! — Peguei sua mão e fomos em direção à sua sala. Eu sentia sua mão tremer pelo medo e ansiedade de não se encaixar na turma.
Assim que chegamos na frente da sala, ela respirou fundo, me abraçou forte e ficou encarando a porta.
— Qualquer coisa, minha sala é a última do corredor. É só pedir para ir ao banheiro e vir me chamar. Não tenha medo; eu tô aqui! — Sorri enquanto acariciava as costas dela. Ela me lançou um sorriso forçado e entrou na sala de aula. Demorei alguns segundos antes de ir até minha sala.
Segui para minha sala, que era no final do corredor. Assim que entrei, todos estavam sentados conversando; a mochila do professor estava na mesa, mas ele não estava lá.
Sentei na única cadeira vazia, que por coincidência era atrás do cabeludinho de mais cedo. Assim que me acomodei na cadeira, ele se virou para mim.
— Você é nova aqui, né? Nunca te vi por aqui antes. — Ele lançou um sorriso gentil. Confesso que me derreti um pouco pelo sorriso dele, mas tá muito cedo para eu gostar de alguém; entrei na escola hoje!
— Sou nova sim! Minha mãe iria me colocar ano passado, mas as matrículas haviam acabado quando ela veio me matricular. — Retribui o sorriso.
— Seja bem-vinda! Aliás, qual seu nome?
— Meu nome é Nathalie! E o seu?
— Henrique! — A professora entrou na sala se desculpando pela demora. Henrique virou-se para a frente, e minha atenção estava toda voltada para ela.
Ela pediu que fizéssemos uma roda na sala, uma dinâmica típica do primeiro dia de aula. Solicitou que falássemos nossos nomes, idades, algo que gostássemos e alguma coisa que tivesse acontecido no nosso dia. Poderia ser algo bobo, como cair enquanto escovava os dentes, derrubar suco no café da manhã ou tropeçar a caminho da escola. A professora apontou para uma garota na sala e, quando ela ia falar, ouvimos batidas na porta. Era a Nina.
— Tia, eu posso falar com a Nathalie? — ouvi sua voz trêmula.
— Claro! Quem é Nathalie? — levantei minha mão. — Pode ir.
Saí da sala de aula e Nina me abraçou forte enquanto chorava. Meu coração apertou ao vê-la naquele estado. Apenas respeitei seu momento e a abracei com firmeza.
— Tá tudo bem, eu tô aqui.
— Nath, eles falaram da minha aparência, falaram do meu nariz e as meninas me olharam com cara de nojo. — Ela chorava ainda mais.
— Vamos para o pátio? — perguntei, e ela acenou com a cabeça.
Seguimos para o pátio, que era bem ventilado e tinha algumas árvores que deixavam o local mais aconchegante. Queria que Nina bebesse água, já que ela estava soluçando, mas a cantina estava fechada e nossas mochilas estavam na sala de aula.
— Nina, você se importa se eu for pegar algo na sala? — fui interrompida por ela.
— Nathalie, por favor, não me deixa aqui. Eu tô com medo — ela chorava ainda mais, e minha única solução foi abraçá-la novamente.
Ficamos ali por alguns minutos, abraçadas e conversando sobre como poderíamos resolver aquilo. Decidimos procurar a psicóloga da escola para nos dar uma luz sobre o que fazer.
˖˙ ៹
A psicóloga decidiu trocar Nina de turma. Antes dela entrar na nova sala, me abraçou forte; enxuguei suas lágrimas enquanto a psicóloga chamava a professora para fora da sala. Conversamos com ela antes de Nina entrar. Confesso que meu coração apertou: será que ela seria bem-vinda lá?
A psicóloga me confortou dizendo que naquela sala havia pessoas boas que iriam acolhê-la, além de garantir que a professora era super gente boa. Segui até minha sala, que continuava a mesma: cadeiras enfileiradas e todos anotando algo em seus cadernos.
— Licença, você é novata? — perguntou o professor barbudo assim que entrei.
— Sou sim!
— Me chamo Jonathan, mas todos me chamam de Joe. Irei dar aula de história. Seja muito bem-vinda! — ele falou baixinho.
— Obrigada, professor! Queria pedir desculpas por ter entrado só agora; eu estava com minha irmã, ela teve uma crise e eu estava com a psicóloga.
— Tudo bem, só vou lhe dar uma dica: tem alguns professores que são o capeta e não deixariam você entrar nesse horário. Mas eu entendo super, e se quiser sair novamente para ver sua irmã, pode ir à vontade!
— Obrigada de verdade, professor! — sorri gentilmente para ele e segui até minha cadeira. Assim que me sentei, Henrique se virou para falar comigo.
— A professora passou uma atividade em dupla. Eu acabei te escolhendo como minha dupla, já que você estava fora da sala. Mas se quiser trocar, eu posso falar com a professora.
— Não, não, tá ótimo! Inclusive, eu entraria em pânico para escolher uma dupla; eu só conheço você. Obrigado por me salvar!
— Que isso! Depois me dá seu número para a gente resolver a atividade. — ele sorriu.
— Claro!
˖˙ ៹
O dia havia passado depressa. Eu e Nina estávamos no quarto de nossos pais contando como havia sido nosso primeiro dia de aula.
— Isso é inveja porque seu nariz é fino e empinado; você teve uma rinoplastia de graça, graças à genética da sua mãe. — meu pai falava enquanto minha mãe ria.
— Mas no final das contas, fui muito bem acolhida pela outra sala. As meninas dessa minha nova turma são super unidas e me incluíram em tudo, até nas fofocas.
— Que bom que você foi bem acolhida, meu amor! Fico mais feliz em saber que a Babi esteve com você. Vocês brigam e saem no soco — rimos ao lembrar do episódio quando éramos menores — mas no fundo vocês são super unidas. — minha mãe dizia.
— A senhora desenterrou a Babi! — a mais velha riu com meu comentário.
— Mas e o seu? Como foi? — senti os olhos da mamãe brilharem; ela sempre amou o terceiro ano. Ela dava todo apoio, dava ideias e ajudava nos trotes. Mas por causa de sua saúde, acabou tendo que se distanciar do trabalho.
— Aí mãe, foi super legal! Eles realmente dão todo o apoio. Os trotes começam esse mês; serão nas últimas sextas do mês. No final do ano, eles querem fazer um musical com a gente. E a minha turma ainda está pensando se faz formatura ou viagem. Ah, sem contar nas festas! A gente já está pensando em como vai ser nossa quadrilha. — parecia mágico tudo o que eu estava vivendo, e minha mãe parecia bem mais empolgada do que eu.
— Qual vai ser o tema do primeiro trote?
— Ainda não temos o tema definido, mas se a senhora quiser dar alguma ideia, será bem-vinda! — ela riu e logo se empolgou; agora contava as histórias de trotes passados enquanto Nina ouvia tudo atentamente.
Afastei minha atenção de mamãe até meu celular. Estranhei, pois um número aleatório havia me mandado uma mensagem; até então, não lembrava de ter dado meu número a ninguém. Não abri a mensagem, apenas fiquei encarando a notificação.
Um alívio imediato percorreu meu corpo ao ver que era o Henrique da escola. Eu havia esquecido que, antes de irmos embora, tinha lhe dado meu número para resolvermos a questão da atividade.
Que susto você me deu garotoKKKKKKLKKL, eu esqueci que tinha te dado meu número
Uékkkljkjkjkkk
Mas enfim,
qual foi a proposta da atividade?
Ah sim, a gente tem que falar sobre danças brasileiras, a gente ficou com o frevo
Ai, nem amo
Aliás, no recreio te procurei para te apresentar a meu amigo mas não te achei
Ah eu passei com minha irmã,
a bixinha tava pra morrer
Coitada, olha criaram o grupo da sala, vou pedir para te colocarem lá
Que isso vey, arrasou
Eu ia te perguntar sobre as festas da escola, como são?
Ah, sao super legai, eles alugam um espaço e a galera sempre se pega, no são joao tem uma tradição dos casais irem de pantufa e colocarem o nome das meninas na roupa dos meninos, e as meninas colocam led na saia
Caralho que foda vey, adorei.
Passamos a noite conversando sobre diversos assuntos. Quando nos demos conta, já havia amanhecido e precisávamos nos arrumar para ir à escola. Mas vocês acham que paramos de nos falar? Claro que não! Continuamos conversando até eu encontrá-lo na escola.
Gente me dêem ideias de trotes e fantasias para os trotes, por favor. 😓
Não esqueçam de votar e comentar!
Beijos da flower!
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro