7|7
"Você esteve lutando contra a memória, por conta própria.
Nada piora, nada cresce.
Eu sei como se sente estando sozinha na chuva.
Todos nós precisamos de alguém para ficar."
- Someone to stay
●○●
O cabelo dele estava mais grisalho do que da última vez que o vi, seu corpo esbelto ainda era bem modelado, denotando o tanto de tempo que ele passava na academia.
— O que... — Balbuciei estática.
Ele se levantou, colocando as mãos para frente.
— Oi, filha.
Aquela simples palavra me fez acordar, uma raiva cega foi tomando conta de cada parte do meu corpo. Não o queria ali. Não queria vê-lo.
— O que ele está fazendo aqui? — As palavras foram dirigidas para minha mãe, que estava sentada.
Ela suspirou, demorou alguns segundos para falar e aquilo foi horrível para mim, sentia os olhos do meu pai me observando, certamente pensando no quanto eu tinha mudado nesses anos.
— (S/n)...eu precisei chamá-lo.
— Por quê?
Por qual motivo ela o chamaria?
— Porque eu não sabia mais o que fazer! — Ela balançou as mãos, destacando sua impotência e desespero. — Não estava mais sabendo lidar com essa situação.
Meu pai pigarreou, atraindo nossa atenção.
— Sua mãe me ligou, me contou o que estava acontecendo e como você está agindo. — Ele deu um passo à frente. — Você não atende minhas ligações, se recusa a falar comigo e ainda causa tantos transtornos para a sua mãe?
Desviei os olhos dele, focando nela.
— É isso que a senhora acha? Eu sou um transtorno?
Ela levantou na mesma hora e veio até mim, pegando em minhas mãos.
— Não, meu amor. Jamais. Só acho que estava na hora de mudarmos essa situação. — Declarou rápido, os olhos implorando para que eu a entendesse.
— Nós duas sozinhas podíamos resolver essa situação... — Sussurrei. — Não sei porque o chamou.
— Chega! — Bradou. — Eu sou o seu pai, pare de falar como se eu não estivesse aqui.
— Um pai é alguém que está presente, alguém que se esforça, cuida, protege, ama. Você não é isso. O fato de compartilhamos material genético não significa que você é meu pai. — Cuspi as palavras em um tom mais alto.
— (S/n)! Exijo respeito. — Reclamou irritado.
— Não estou faltando com o respeito, estou falando a verdade.
— Quer saber? — Ele ergueu as mãos para o alto. — Não vou discutir com você, depois dessa pequena cena tenho mais certeza ainda da minha decisão. Morar comigo vai ser o melhor para você.
— O que disse?
Senti meu corpo travar e congelar no mesmo instante.
Morar com ele?
Eu não queria isso. De forma alguma.
Meu pai morava do outro lado do país, longe de tudo que eu amava, longe de todos que eu amava.
Soltei as mãos da minha mãe e a olhei, sentia as lágrimas embaçando a minha visão.
— A s-senhora concorda com isso? Quer que eu vá?
Ela negou com a cabeça, parecia emocianada também, além de desnorteada.
— Eu quero o melhor para você, sempre. E já não sei mais se o melhor para você é estar comigo.
— Certo! Então é isso? — Minha voz saiu estridente. — Finalmente você conseguiu o que sempre quis.
— Do que está falando, (S/n)? — Ela tentou se aproximar, mas eu recuei.
— Eu sei! Sei de tudo. — Gritei.
Vi a cor sumir do seu rosto, enquanto meu pai permanecia calado, parecendo esperar para ver o que eu sabia ou até onde eu sabia.
— Filha...
— EU SEI QUE NÃO SOU SUA FILHA! — Senti as lágrimas quentes correndo pelas minhas bochechas. — Naquele dia! No dia em que me afoguei eu descobri tudo. Eu estava lá, eu ouvi a conversa de vocês por trás da porta...
Eles achavam que eu tinha descoberto apenas a traição do meu pai (o motivo para eu ter tentando nadar e esquecer o que me atormentava), mas não tinha sido só isso.
— Além de ter escutado vocês discutindo porque ele— Apontei para o meu pai. — te traiu enquanto estávamos na nossa viagem em família, eu ouvi que eu não sou sua filha biológica. — Aquele tinha sido o motivo real de desestabilização de uma garotinha de oito anos. — Eu ouvi claramente — Enxuguei meus olhos com a mão. — meu pai dizendo que quando casou com você eu já tinha mais de um ano. Mas sabe...quando eu acordei no hospital, depois de me afogar, e te vi la ao meu lado, te vi cuidando de mim e me chamando de princesa como sempre fazia, eu não ligava para mais nada...
Respirei fundo, tentando controlar o meu corpo, que parecia tremer.
— Tudo que importava para mim era que você me amava, eu não ligava que a porra do meu pai que não me visitava, que enquanto eu estava no hospital com um monte de fios me mantendo viva, estava com outra mulher, querendo outra família. Eu só ligava para uma pessoa. — Minha mãe chorava a minha frente, prendendo os lábios. — Só queria que você me aceitasse como sua filha e em todos esses anos eu tentei, tentei de todas as formas ser uma boa filha para que você me quisesse. Nunca quis saber da minha mãe biológica, nunca quis saber do meu pai, só queria que você me amasse. — Neguei com a cabeça. — Mas parece que quanto mais o tempo passa, mais a gente se afasta. Eu não quero ser um tormento para você, não quero ser um fardo que você tem que levar. Não se preocupe, já que deseja tanto eu sumo da sua vida!
— (S/n)...— Tentou falar em meio às lágrimas. — Filha, vamos conversar...
Mas eu já não estava mais ouvindo.
Subi as escadas correndo e me tranquei em meu quarto, querendo fugir dos meus pais e da realidade que eu vinha evitando a tanto tempo. Sempre tentei enterrar aquela história e parecia que tudo tinha caído sobre mim de uma vez.
Deitei na minha cama e abracei a pequena tartaruga de pelúcia, acostumada em sempre a procurar quando estava mal. Já conseguia sentir minha cabeça latejando.
Não conseguia acreditar que ele queria que eu fosse embora com ele.
Não queria ir. Não conseguia me imaginar longe dos meus amigos, longe da minha casa...longe de Taehyung.
Meu peito doía só de pensar nisso, acreditei que o fim da escola iria nos separar, mas ao que tudo indicava, seria meu pai.
Chorei alto, sentindo meu corpo ser esmagado.
Ouvi uma batida fraca na porta.
— (S/n), saia do quarto. Sua mãe está passando mal, vamos conversar direito, sem deixar a raiva ou o passado nos atrapalhar.
Não respondi, enfiei meu rosto entre os travesseiros, mal conseguia assimilar tudo que estava acontecendo.
Depois de algumas batidas na porta ele pareceu finalmente desistir.
Continuei deitada, aos poucos parei de chorar, mas meus olhos doíam.
Estava quase dormindo, sentindo meu corpo exausto, quando mais uma vez bateram na porta.
— Por favor...— Murmurei. — Não quero falar com ninguém agora.
— Nem com o seu apaixonado?
A voz de Taehyung soou do outro lado, foi como se uma corrente de alívio passasse por meu corpo e na mesma hora eu quisesse chorar novamente.
Desci da cama e andei até a porta.
— Você está sozinho?
Ainda não queria ver meus pais, não queria falar com eles.
— Estou.
Com essa confirmação eu abri a porta. O Kim estava parado do outro lado, usava uma calça de moletom e uma camiseta, suas sobrancelhas estavam tencionadas e quando me viu ele suspirou.
— Oh, meu amor... — Ele me puxou para os seus braços, me abraçando forte. Apertei seu corpo e senti algumas das minhas lágrimas molhando sua camisa. — Ei, não chore. Por favor. — Um beijo casto foi depositado em minha cabeça. — Estou aqui com você agora.
Ele me conduziu para dentro do quarto novamente e fechou a porta atrás de nós. Fomos até a cama e quando ele deitou, eu deitei ao seu lado, apoiando minha cabeça em seu peito.
Ficamos em silêncio por alguns segundos enquanto ele acariciava meus cabelos.
— Sua mãe me ligou dizendo que talvez eu fosse o único que você deixaria entrar no quarto.
— Bom, ao menos parece que ela me conhece. — Funguei.
— Fiquei preocupado quando ela disse que você tinha se trancado aqui. Quer me dizer o que aconteceu? Quem é aquele homem lá embaixo?
Suspirei apoiando minha mão em seu peito.
Sabia que ele seria a única pessoa com a qual eu conseguiria me abrir.
— Aquele homem lá embaixo é meu pai e depois de anos ele simplesmente apareceu aqui me dizendo que vou morar com ele. — Senti o corpo de Taehyung tensionar abaixo de mim e automaticamente ele me puxou para mais perto. —E não é só isso...— Murmurei.
— Tudo bem, estou aqui se você quiser falar mais, vou te ouvir. E também se não quiser falar nada agora não tem problema. — Levantei a cabeça um pouco para olhá-lo. — Eu sei, sou um ótimo apaixonado! — Sorriu.
Acabei sorrindo também e ele ergueu a mão para limpar minhas lágrimas.
— Vai continuar com isso? Você é muito bobo. Apaixonado...— Voltei a abaixar minha cabeça, aconchegando-a em seu peito.
— Posso ser bobo, mas você me ama exatamente assim. — Destacou convencido.
Fiquei calada, eu não podia negar.
O sorriso foi sumindo dos meus lábios quando a voz do meu pai ecoou na minha cabeça. "Morar comigo."
Abracei a cintura do Kim, o apertando.
Fiquei assim por alguns segundos antes de soltá-lo e me sentar na cama, ele também se sentou, ficando na minha frente.
— Sabe a minha mãe? — Ele confirmou com a cabeça. — Então... — Respirei fundo, não sabia como dizer. — Ela não é minha mãe biológica. — Fui direta.
Taehyung franziu o nariz confuso, mas não falou nada, incentivando-me a continuar.
— Lembra que eu te contei o motivo de ter medo do mar? Então, te contei o que aconteceu, mas não te falei o que eu tinha escutado meus pais conversando naquele dia. — Ele pegou em minhas mãos, acariciando meus dedos. — Quando eles estavam brigando e eu fui até o quarto deles, primeiro os ouvi discutindo da traição do meu pai. Parece que ela viu ele com uma das moças do hotel, ele gritaram e meu pai acabou confessando a traição, então minha mãe disse para ele ir embora e ele disse que iria, mas me levaria junto.
Pendi a cabeça para o lado e suspirei, era doloroso lembrar de tudo aquilo. O Kim apertou minha mão para que eu soubesse que ele estava ali.
— No momento em que minha mãe contrapôs, dizendo que eu ficaria com ela, ele fez questão de jogar na cara dela que eu não era sua filha biológica. Foi um choque para mim, eu fui embora no instante seguinte para a praia— Apertei meus olhos.— E o resto da história você sabe. — Dei de ombros. — Quando acordei e minha mãe disse que meu pai tinha ido embora, tinha me deixado ficar com ela, eu não quis dizer que eu sabia de tudo, não queria que ela fosse mais uma pessoa me rejeitando. Nunca quis conhecer minha mãe biológica, nunca quis mais ver o meu pai, só queria que ela me amasse...mas eu faço tudo errado e agora até ela quer me afastar. — Antes que eu pudesse controlar, as lágrimas começaram a cair.
— Não faça assim, marrentinha. — Taehyung pediu e me puxou para os seus braços, me apertando contra ele.
— Não quero ir embora, Tae. Não quero que ele me leve para longe de você, e apesar de tudo, também não quero ficar longe dela.
— Shh! — Ele me embalou em seus braços. — Você não vai ficar longe de mim, isso eu te garanto. Nem que eu me mude para onde você for, nem que eu precise dirigir horas até a sua casa nova todos os finais de semana, nem que eu tenha que me ajoelhar lá fora e pedir para o seu pai não te levar. — O Kim me afastou dele e beijou cada um dos meus olhos fechados. — Eu não vou ficar sem você na minha vida.
Abri meus olhos e enxuguei as lágrimas.
— Eu te amo.. — Sussurrei enquanto o olhava.
— Eu tambem te amo. — Ele sorriu, aquele sorriso que me fazia ter certeza de que tudo ficaria bem, e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Porém, como pessoa que te ama e só quer o seu bem, eu poderia fazer um pedido?
— Sim.
— Desça, vamos lá embaixo. Converse com eles, já está na hora. — Ele entrelaçou nossos dedos. — Eu vou estar com você, mas acho que chegou o momento de você falar como se sente e ouvir o que eles têm a dizer também.
Olhei para ele em dúvida, mas eu precisava acreditar que tudo ficaria bem.
Não sabia se estava preparada, mas agora não tinha mais como evitar essa situação.
Acabei concordando e o Kim me acompanhou até o andar de baixo.
Minha mãe estava sentada em uma das poltronas, as mãos na cabeça, enquanto meu pai andava de um lado para o outro.
Ele parou assim que me viu e fez menção de se aproximar, mas acabou parando.
Minha mãe ergueu os olhos, eles estavam avermelhados. Ela veio rápido até mim e fitou Taehyung, que estava logo atrás.
— Obrigada! Muito obrigada. — Murmurou para ele.
Soltei a mão do Kim e indiquei o sofá para ela, virei-me para Taehyung e ele apenas assentiu com a cabeça, garantindo-me que continuaria ali.
— Acho que precisamos conversar. — Destaquei quando nos sentamos no sofá.
Meu pai continuou em pé, ao lado de Taehyung, próximo a nós.
— Antes de qualquer coisa— Ela colocou a mão sobre a minha. — está na hora de você saber tudo, certo? — Concordei com a cabeça. — Conheci seu pai quando ele mudou aqui para a Coreia, você tinha só um ano e já era uma menina adorável! Quando nos casamos ele me contou que a sua mãe tinha falecido no parto e sendo assim eu decidi te adotar. — Seus dedos apertaram minha mão. — Foi a melhor decisão que eu tomei na minha vida, minha filha. Você é a pessoa mais importante para mim, eu te amo. E sei que foi um erro não ter te contado desde o começo toda a verdade...
— Então por quê? Se me ama como diz, por que me afastou de você todos esses anos? Por que quer me mandar para longe?
— Por medo! Sempre tive medo de você descobrir tudo, sempre temi que notasse algo e decidisse me odiar, nunca tive coragem de te repreender pelas coisas que fazia pois temia que ficasse com raiva de mim e eu não queria te perder! Achei que se permanecesse distante, se colocasse essa parede entre nós você nunca descobriria, sempre vivi com esse peso dentro de mim — Ela tirou os fios de cabelo da minha testa. — medo de que você descobrisse a verdade e não me quisesse mais como sua mãe.
— Com todo respeito mas a senhora ficou louca? — Funguei e a abracei no mesmo instante. — Mãe, eu te amo tanto...e a senhora é exatamente isso, minha mãe. Eu fiz tudo o que fiz esses anos porque sabia da verdade e ficava receosa em ser um fardo para você, não queria que se sentisse obrigada a cuidar de mim...
— Eu não me sinto! Amo cuidar de você.
— Eu só sentia falta da minha mãe. De ter alguém para conversar, rir e me apoiar quando fosse preciso.
— Desculpa, filha! — Ela passou a mão pelos meus cabelos e se afastou para ver o meu rosto. — Desculpa.
— Acho que no final das contas só precisávamos conversar. — Sorri ainda sentindo meu rosto molhado . — Agora, por favor, não me mande para longe.
— Não vou. — Garantiu.
Ouvi meu pai pigarrear mais uma vez (tinha esquecido dessa mania dele), chamando nossa atenção.
— Será que mereço uma conversa também?
Meus olhos foram direcionados para Taehyung em busca de ajuda, ele colocou a mão no meu ombro em conforto e afirmou com a cabeça, olhei para o meu pai, esperando que ele falasse.
As coisas com ele eram diferentes, não sabia o que achar ou o que pensar.
— Não quero ser o responsável por separar vocês. — Iniciou. — E legalmente vocês são mãe e filha tanto quanto eu e você somos pai e filha. Eu só queria te pedir uma chance, (S/n). Eu sei que fiz muitas coisas erradas, trai a sua mãe, te deixei naquele hospital e segui a minha vida, deixando você para trás. — Aquelas palavras doeram em mim. — Mas nos últimos anos eu estive repensando em tudo que se passou comigo, o quanto eu perdi da sua vida, o quanto você cresceu e eu nem vi. Só te peço uma chance, não quero que tenha o amor de uma filha por mim de uma hora para a outra, só peço que me deixe entrar no seu coração. — Ele mordeu a ponta do lábio, eu tinha herdado aquela mania dele? — Quero que você passe finais de semana comigo, quero que conheça a Yuna — Lembrava ser esse o nome da esposa atual dele.— quero ser um pai para você e espero que não seja tarde demais.
Aquelas palavras jamais apagariam tudo dos últimos anos, ele querer mudar agora não muda o que eu sofri ou a falta que senti dele quando foi embora.
Olhei de relance para minha mãe que parecia aliviada, fazia tempo que eu não a via daquele jeito, fazia tempo que eu não a via livre, como se nada a incomodasse.
Depois olhei para Taehyung, que me apoiava com os olhos firmes.
Aqueles dois ao meu lado eram as pessoa mais importantes na minha vida, tinham me ensinado o amor, a lutar pelas coisas que quero e a dar valor a minha vida, eu não queria decepciona-los.
Ergui os olhos para o meu pai.
— Tudo vai depender do tempo e das suas ações, não sei o quanto vai demorar para que eu me sentia bem estando ao seu lado novamente, mas estou disposta a tentar. — Vi um sorriso largo surgir em seus lábios.
— E o que posso fazer? Como posso recuperar você, minha filha?
Levantei-me e andei até a mesa de centro, abrindo a gaveta e estendendo para ele um dos panfletos que peguei de dentro.
— Esse aqui é o convite para a minha apresentação de dança, pode começar indo lá. Vai ser a primeira vez que me verá dançar... — Sorri minimamente.
Ele pegou o convite e apertou entre as mãos.
— Pode ter certeza que vou. — Garantiu. Ele olhou todos na sala e meneou a cabeça. — Acho melhor eu ir embora, foram muitas emoções... — Seus olhares ficaram fixos em mim. — Obrigado por me ouvir.
Apenas confirmei com a cabeça e minha mãe levantou.
Ela estava sorrindo.
Como era bom vê-la sorrindo...
— Vamos, eu o acompanho.
E com isso, os dois foram até a porta de saída.
Taehyung me puxou para perto dele, passando os braços ao redor da minha cintura. Ele depositou um beijo em minha testa.
— Estou orgulhoso de você. — Sussurrou.
Deitei minha cabeça em seu peito e suspirei o abraçando.
— Eu não vou embora.
— Você não vai. — Reafirmou. — Entenda, marrentinha. Estamos ligados, você está condenada a viver sempre pertinho de mim.
— Minha nossa..bem, se esse é a minha penitência, tenho que aceitá-la.
Seu corpo balançou em uma risada enquanto eu fechava os olhos, sentindo sua mão acariciar minha costas.
Era a primeira vez em muito tempo que eu não tinha minha cabeça girando, cheia de problemas e preocupações, agora estava tudo em paz.
— Então é isso? Estão namorando? — A voz da minha mãe me tirou do meu estado de torpor, me fazendo abrir os olhos. Ela estava parada perto de nós com um sorriso grande nos lábios. — Eu escolhi um ótimo genro.
— A senhora escolheu? — Arqueei a sobrancelha. — Acho que fui eu, não?
— Claro que não, eu já tinha o escolhido antes. Sempre suspeitei e vejam só..eu estava certa!
— Ela tem razão. — Taehyung confirmou.
Afastei-me do seu abraço e abri a boca indignada.
— Está de que lado? — Questionei surpresa.
— Da minha sogra —Falou a última palavra com destaque e um sorriso nos lábios.
— Garoto esperto. — Minha mãe colocou a mão na cintura rindo. — Vai ganhar um pedaço de bolo, venha aqui.
Ela foi em direção a cozinha e o Kim começou a segui-la.
— Vou ganhar bolo. — Ele virou-se para mim e sorriu.
— Traíra!
Os segui até a cozinha e acho que posso dizer que nunca estive tão feliz.
Queria saber mais da minha mãe biológica, talvez ver uma foto ou saber como ela era (sempre tive, lá no fundo, essa vontade), sabia também que ainda teria que conversar com a minha mãe sobre tudo, mas...não importava tanto assim, agora eu não tinha mais medo, não temia mais nada.
●○●
TCHARAM! Kkkkk
Oi, amores. Como vão?
Espero que tenham gostado do capítulo de hoje, a primeira aparição do pai da (S/n).
Estou até nervosa agora, faltam menos de oito capítulos para a Fanfic acabar e meu coração até dói, mas confesso que estou feliz por finalizar esse trabalho e ter a chance de começar outro.
Obrigada por estarem acompanhando e não se esqueçam de me contar nos comentários o que acharam!
Beijo! Amo vocês.
Ficamos por aqui. Até logo.
By: leticiaazeneth ❤️
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro