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"Eu vou te procurar
No tempo que parou
Não importa os obstáculos
Eu sempre acabo ao seu lado
Minha longa
Longa jornada
Termina e agora eu volto
Eu encontro meu caminho de volta para casa
Para você novamente."
- Way Back Home
●○●
— Isso é patético! — Jungkook afirmou enquanto balançava a mão.
— Eu não acho. — Jisoo retrucou.
Estávamos sentados na varanda da casa da família Jeon.
Uma tarde de sábado agradável e quente enquanto nos reuníamos nas cadeiras de balanço, viradas para a movimentação da rua.
— Qual a sua opinião sobre, (S/n)?
Yugyeom, que estava ao meu lado, questionou-me.
Jisoo e Jungkook discutiam pelo fato dela estar literalmente em uma caçada, em busca de algum garoto do último ano que a levasse ao baile.
O baile....
Aquilo só me fazia lembrar que a formatura estava chegando, que logo mais Jimin, Yoongi e...Taehyung acabariam a escola.
Eu ainda estava muito mal, desde ontem eu tinha ignorado todas as mensagens e ligações do Kim.
— Bom,— Comecei. — acho que você não tem que se esforçar tanto para ir ao baile esse ano, nem é a sua formatura. — Dei de ombros. — Você vai ano que vem! — Argumentei.
— É fácil para você falar. — Ela retrucou e cruzou os braços. — O Taehyung possivelmente vai te chamar e eu até falaria com o Jimin, mas acho que ele vai acabar chamando a Lisa ou alguma das milhares de amigas dele. — Revirou os olhos. — E o Yoongi? Acredito que ele nem vai para o baile. Ele disse que era algo muito "banal". — Ela ergueu as mãos, usando os dedos para fazer as aspas.
— Eu não vou para baile nenhum, muito menos com o Taehyung— Resmunguei.
Tinha ido para lá achando que não escutaria o nome do Kim, bem, eu estava enganada.
Ignorando minha última fala, Jisoo e Jungkook tinham voltado para a pequena discussão deles, enquanto o Jeon tentava convencê-la de que ir atrás de cada garoto do último ano, não era a melhor das ideias.
— (S/n).. — Yugyeom virou a cabeça em minha direção, usando o dedo para apontar algo ao meu lado. — Está tocando novamente.
Olhei para o lado, onde meu celular estava largado em cima de uma mesa de vidro.
O número de Taehyung brilhava na tela.
— É.. — Inclinei-me e peguei o aparelho na mão, uma hora ou outra eu tinha que atender. Não poderia ficar fugindo só porque eu estava magoada. — Vou atender, já volto.
Levantei-me e me afastei um pouco, garantindo que as vozes de Jisoo e Jungkook não atrapalhassem a conversa.
— Alô?
— (S/n)? — A voz do Kim soou do outro lado da linha. — Aish! Onde você está? Passei na sua casa e sua mãe disse que tinha saído, você não me atende e não responde minhas mensagens desde ontem.
— Desculpe por isso. Não foi intencional. — Menti.
— Você está bem? Parece estranha...
— Estou bem.
— Certo. — A voz dele parecia carregada de nervosismo. — Eu estou tentando falar com você desde que fui pegar minhas irmãs, queria que tivesse ido comigo, eu teria me sentindo bem melhor. — Aquele calor começou a surgir no meu peito, porém eu o mandei para longe. — Não sei bem como agir com elas ainda, você está muito ocupada? Poderia vir aqui em casa?
Olhei para trás, meus amigos estavam em alguma conversa empolgante, Jisoo contava algo enquanto Yugyeom ria e negava com a cabeça, Jungkook parecia um pouco confuso, as sobrancelhas erguidas.
— Não sei se posso agora..
— Por favor!
Suspirei e mordi a ponta do lábio.
— Tudo bem, só preciso pegar um táxi. Vou direto para a sua casa.
— É por isso que eu te amo! Até já. Não se esqueça que minhas irmãs não sabem que nosso namoro é falso.
E então, ele desligou.
Permaneci com o aparelho na orelha, sentindo como se alguém tivesse colocado uma faca no meu coração e simplesmente tivesse a deixado lá, batendo de vez em quando em seu cabo, para que a dor permanecesse, sem nunca cessar.
Lá estava eu, indo até um cara que tinha meu coração na mão e parecia fazer questão de esmaga-lo.
Mas eu não sou o tipo de garota que aguenta essa situação. Não mesmo!
Estava decidida, não importava o que sentia por ele, não importava todas as emoções que ele me causava...eu não iria me deixar sofrer.
Kim Taehyung queria fingimento?
Ele teria. Eu fingiria como tinha prometido.
Porém, quando a promessa chegasse ao fim, quando tudo aquilo acabasse, eu faria uma nova promessa, só que dessa vez seria comigo mesma.
Eu iria deixar Kim Taehyung, e toda a dor que eu estava sentindo, para trás.
●○●
Quando bati na porta da casa do Kim, em vez de vê-lo, fui surpreendida pela sua irmã, os cabelos presos em um rabo de cavalo e um sorriso radiante no rosto.
O sorriso dela e do irmão eram idênticos.
— (S/n)! — Ela largou a maçaneta da porta e se jogou sobre mim, me abraçando.
— Ah! Oi. — Retribui seu abraço.
— Yah. Que bom que você veio. — Jihyo se afastou um pouco, seus grades olhos castanhos me fitando. — Eu acho que o Tae já está quase pirando. — Ela sussurrou.
— Vocês estão dando tanto trabalho assim para ele? — Apertei os olhos em sua direção, a fazendo rir.
— Eu? Eu não. Sou muito comportada. — Ela sorriu pendendo a cabeça. — Já a Sun..bem, estou começando a achar que ela vai deixar ele com os cabelos brancos antes da hora.
— Ela deve ter puxado a ele. Melhor corremos antes que seja tarde demais.
Ela riu e afirmou com a cabeça.
Entramos e fomos para o andar de cima, e tenho que afirmar, a cena que vi foi a mais cômica de todas.
Sun estava vestida em um vestido azul marinho, os cabelos molhados estavam grudados em seu rosto enquanto ela corria pelo quarto, sendo seguida por Taehyung, que balançava uma escova de cabelo na mão.
— Olha aqui, se eu não pentear o seu cabelo ele vai ficar duro e cheio de nós. Vai ficar todo feio. — Ele ameaçou a garotinha.
Sun riu, mas parou de correr quando me viu parada na porta, ela abriu um sorriso largo, e em meio a passos desajeitados, correu até mim, abraçando minhas pernas.
— (S/n)! — Balbuciou meu nome. — A Sun tava com saudade.
Coloquei minha mão em cima da sua cabeça.
— Oi, princesa. Eu também estava com saudades de você.
Meus olhos se ergueram na direção do Kim, sentia meu peito doer um pouco ao ter que olhá-lo, de alguma forma aquilo era torturante e eu me sentia estranha por saber que ele era capaz de provar tantas coisas dentro de mim.
— Finalmente você chegou. — Ele sorriu aliviado.
— Kim Taehyung tendo problema com mulheres? — Questionei irônica.
Ele franziu os lábios e balançou a cabeça, indicando a sua irmã.
— Essa garota é algum tipo mutante de ser humano cheio de energia que foi criado para me enlouquecer. — Declarou.
Ri e peguei Sun no colo.
— Seu irmão é bem surtado, ein.
— Imao sutado! — Ela repetiu.
— Yah! (S/n)! Não ensine essas coisas para ela. — Riu e andou até mim. Ele se inclinou rapidamente, apenas para selar seus lábios com os meus.
Não tive tempo de desviar, mas queria ter conseguido, porque a sensação de desconforto logo surgiu no meu peito e eu tive que forçar para que um sorriso permanecesse nos meus lábios.
— Me dá essa escova. Deixa que agora eu assumo! — Garanti.
— Com prazer. — Ele me estendeu a escova de cabelo e depois se virou para Jihyo. — Eu e você vamos para a cozinha. — Ele cutucou o braço dela. — Vamos fazer algo para comer enquanto a (S/n) cuida da pequena fera.
— Vamos! — Jihyo concordou animada.
Não pude evitar de me sentir feliz ao observar a cena. Taehyung não parecia nenhum pouco com o garoto que eu tinha conhecido antes, agora ele parecia tão mais ele. Tão bem...
E Jihyo...acho que aquela garota nunca tinha estado tão feliz antes.
Balancei Sun em meus braços, a observando sorrir.
— Vamos pentear esse cabelo, mocinha?
— pentea! — Ela concordou afirmando com a cabeça.
Sentei junto à ela, conseguindo depois de alguns minutos, arrumar seus cabelos.
Quando descemos, Taehyung e Jihyo colocavam alguns doces e salgados em cima da mesa de centro da sala, enquanto a tv estava ligada na lista de canais de filmes.
— Pensei em fazermos uma tarde de filmes. O que acha, (s/n)? — Jihyo perguntou animada, ela terminava de arrumar um prato com salgadinhos.
— Acho uma ótima ideia.
Sun, que até aquele momento segurava em minha mão, a soltou e correu para os doces, os olhos brilhando em expectativa.
— Sun? É você? — Taehyung a olhou, fingindo surpresa.
— Sou eu! — As pequenas mãos dela já estavam cheias de doce.
— Quase não te reconheci com esse cabelo arrumado. — O Kim brincou, rindo logo em seguida. — Ei, vá com calma! Os doces não vão fugir. — Ele se aproximou dela e tirou algumas balas de sua mão, as devolvendo para o recipiente.
— Vou pegar os refrigerantes. — Jihyo avisou e no momento seguinte, sumiu pela porta.
Taehyung veio em minha direção, deixando a irmã distraída com seus doces.
Ele sorriu e agarrou em meu pulso, fazendo com que eu me sentasse ao seu lado no sofá, de frente para a tv.
— E então — Ele se sentou de lado, os olhos fixos em meu rosto. — Vai me contar o que está acontecendo?
— Hm? — Virei-me apenas o suficiente para conseguir olhá-lo de esgueira. — Não está acontecendo nada. — Dei de ombros.
— (S/n)! — Ele ergueu a mão, segurando em meu queixo e me obrigando a encara-lo. — Eu te conheço, marrentinha. — Um sorriso fino preenchia seus lábios.
— Voltei. — A voz animada de Jihyo preencheu a sala.
— Depois conversamos. — Taehyung afirmou com um sorriso e beijou minha testa.
Respiro fundo e concordei com a cabeça.
— E o que vamos assistir? — Desviei os olhos para Sun, que vinha em minha direção com a mão cheia de pipoca.
— Como Teinar o seu dagão! — Falou animada e colocou as pipocas em minha mão. — Para você.
— Ah, muito obrigada. — Pisquei para ela com um sorriso de escárnio nos lábios.
— Então vamos dar play no nosso filme. — Taehyung se levantou e ligou a Tv.
Ele se acomodou ao meu lado enquanto as duas meninas se sentaram no chão, próximas as guloseimas.
— Obrigada por ter vindo. — O Kim sussurrou quando o filme começou. Ele estendeu a mão e pegou a minha na sua, entrelaçando nossos dedos. — Significa muito para mim.
●○●
— Então você simplesmente não falou com ele? — A voz de Lalisa soou indignada do outro lado da linha
Eu estava deitada na minha cama, as pernas para o alto encostadas na parede enquanto o telefone estava sendo pressionado contra a minha orelha.
Ontem, eu tinha praticamente fugido da casa de Taehyung depois que o filme acabou e as meninas acabaram desmaiando de cansaço.
— Não. — Admiti. — Eu simplesmente não consegui, Lisa. Ele ficou lá dizendo sobre o fim de todo o fingimento entre nós e eu me senti péssima.
— Você precisa falar o que sente. — Insistiu.
— Não estou afim de levar um fora, ele vai me achar ridícula. Lalisa, eu me apaixonei por ele sabendo que tudo entre nós era só um acordo, que não passávamos de amigos. — Fechei os olhos. — Na verdade, nem éramos amigos antes. Nem ao menos nos suportávamos.
— Exatamente! — Eu conseguia vê-la revirando os olhos. — As coisas mudam, sentimentos mudam, pessoas mudam, (S/n)! Você não pode dizer por si própria o que ele sente, precisa falar com ele porra.
— Você é muito agressiva. — Ri baixo.
— Só vou repetir o que já te disse! Só não quero que se machuque, e talvez guardar tudo para você, vá machucar mais do que confessar o que sente e ser rejeitada.
Talvez, no fundo, fosse aquela a grande questão.
Eu tinha medo de ser rejeitada.
Tinha medo de dizer tudo para ele, o quanto ele tinha sido importante para mim, o quanto eu era apaixonada pelo seu sorriso e a forma como eu queria que ele continuasse na minha vida.
Eu sabia que Taehyung não era ruim, longe disso. Ele era uma pessoa muita boa, tinha um coração muito bom, mas ao mesmo tempo, nunca desmontou querer algo a mais comigo. Sempre deixou bem claro que tudo entre nós era apenas para um disfarce.
Mas, será que seria melhor falar tudo o que sinto em vez de nunca saber o que ele sente também?
E se ele quiser ser apenas meu amigo, eu me sentiria bem com isso?
— Tudo bem. — Me sentei. — Quando as irmãs dele forem embora, e tudo isso acabar, eu posso falar com ele. — Estava meio insegura com aquela ideia, lembrando dos meus pensamentos de mais cedo, da minha decisão de deixar tudo para trás.
— Isso aí, garota!
Ainda ao telefone, eu e Lalisa combinamos dela vir passar a noite na minha casa, quando ela desligou achei melhor permanecer no quarto, o clima estranho entre mim e minha mãe permanecia, ela parecia tentar fingir que nada tinha acontecido.
Taehyung tinha me pedido para encontrar com ele e as meninas hoje também, porém o convenci de que ele precisava passar um tempo com elas, sozinho. Eles precisavam criar e formar aquele laço, juntos.
Já era final da tarde quando desci as escadas e encontrei minha mãe sentada na sala, os olhos concentrados na Tv.
Parei na ponta do degrau e juntei meus pés, reconsiderando se eu subia novamente ou permanecia na sala.
Minha mãe, notando minha presença, ergueu a cabeça e abriu um sorriso.
— Finalmente saiu daquele quarto. — Ela abaixou o volume da tv.
— Fiquei arrumando algumas coisas.
— Lalisa vai vir para cá mesmo? Estava pensando em pedir uma pizza para nós, tudo bem?
— Tudo ótimo! — Sorri.
— Estou vendo aquela série de bolos, é cada coisa mais estranha que a outra. — Riu e franziu o pequeno nariz, tudo na minha mãe era proporcional, mas incrivelmente pequeno. — Venha aqui.
Concordei com a cabeça e fui até ela, me sentando ao seu lado.
— Queria ter um quarto do talento das pessoas que participam desse programa, eu sou um desastre na cozinha. — Afirmei.
— Você é incrível em muitas outras coisas, meu amor. — Ela colocou a mão sobre o meu joelho e o acariciou. — Mas confesso, na cozinha você é péssima, ao menos é melhor que eu. — Riu.
— Mamãe! — Reverberei indignada, porém acabei rindo. Ela tinha razão.
Enquanto estávamos ali, juntas, rindo e assistindo tv, tive a sensação de que poderíamos resolver as coisas entre nós.
Tudo na minha vida parecia simples, só era necessário apenas uma conversa, certo?
Todavia, ao mesmo tempo, era tão complicado.
Falar, para mim, era difícil, nunca fui boa em expressar meus sentimentos e dizer o que sinto, conversar sobre coisas que me assombravam parecia quase impossível.
As vezes, palavras machucavam mais que tapas e socos, palavras poderiam ser decisivas e cortantes.
E se minha boca deixasse jorrar para duas das pessoas mais importantes da minha vida e quando as palavras parassem, elas decidissem me deixar?
Eu podia afirmar para todos que gostava de ficar sozinha, que não ligava nenhum pouco em estar sem ninguém.
Mas na verdade, aquilo me aterrorizava.
●○●
Oi, amores! Tudo bem?
Aaaa chegamos ao fim de mais um capítulo! Espero que tenham gostado, não se esqueçam de me contar aqui nos comentários.
Tomara que eu tenha conseguido passar para vocês o que a (S/n) sente, o medo dela, a angústia, a dúvida e a simples ideia de ser abandonada e rejeitada que a assombra. Ela se mostra tão forte, tão independente, mas na verdade, ainda existem muitas coisas que a machucam.
Como foi o final de semana de vocês?
Ainda é segunda e eu já estou morta kkk
Bom, ficamos por aqui. Até depois.
Beijos
By: leticiaazeneth ❤️
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