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"Eu te vejo novamente
nesse caminho cheio de flores.
Eu me pergunto
se isso ficará em mim.
Eu me componho de meus sentimentos
nesse parque sobre o qual a Lua já passou.
Esta canção
É só para você
Ouça os sons suaves do filme
que é exibido pela Lua no céu."
-Scenery (Kim Taehyung)
●○●
POV's — Taehyung
Viver em um pesadelo, sempre se arrastando e pensando no dia de amanhã como se não valesse nada.
Foi assim que vivi, por pelo menos três longos e cansativos anos da minha vida.
Quando eu acordava na minha casa, olhava para aquele quarto e tudo parecia tão insignificante.
Descia as escadas e observava meus pais e as meninas sentados juntos na mesa e tudo parecia errado.
Ele me fazia tanta falta.
Todos os dias.
Todas as horas.
Sempre.
Todas as vezes que alguém afirmava não se dar bem com o irmão eu estranhava. Afinal de contas, eu e Junggyu éramos muito unidos mesmo que completos opostos.
Ele me ajudava quando eu chegava de madrugada sem me aguentar em pé, ou quando me machucava em uma briga. Eu tinha que ouvir suas lamentações sobre a péssima prova que tinha tido ou como estava ansioso para cursar a faculdade.
Saíamos juntos para ver jogos de beisebol, íamos na casa da nossa avó comer até não aguentar mais e até mesmo fugíamos de madrugada para o campo atrás da nossa casa, observar de cima de algumas pedras o mundo que se desdobrava a nossa frente.
Perdi a conta da quantidade de vezes que Junggyu jogou as bebidas que eu tinha embaixo da cama na privada e quantos sermões eu tive que ouvir.
Depois que ele se foi, todos pareciam ter se recuperado tão rápido enquanto apenas eu me afundava cada vez mais, talvez fosse a culpa me consumindo. Bem, eu era o culpado.
Todas as vezes que entrava em um carro, conseguia ouvir o barulho alto e a luz forte que me cegou naquele dia.
Acordar no hospital com o corpo todo dolorido não foi a pior das sensações.
Ainda lembro quando o médico entrou, minha mãe estava ao meu lado. Minha mente não consegue mais formar as palavras exatas que o médico disso, pois quando eu ouvi sobre a morte do Junggyu, meus olhos perderam a capacidade de enxergar o mundo como antes, meus ouvidos já não escutavam nada e minha boca esqueceu o que era falar.
Perdi a conta de quantos psicólogos minha mãe me forçou à ir. Todos pareciam ter o mesmo diagnóstico: depressão.
Eu não me dava bem na escola, não queria me aproximar de ninguém, não ligava para nada e por mim estava tudo bem.
Aquela era minha punição e eu tinha que viver com ela, não iria fugir da minha penitência.
Porém, quando o terceiro ano de morte de Junggyu chegou, eu percebi que não estava apenas me afundando, estava levando meus pais junto comigo, principalmente minha mãe.
Eles pareciam tristes todas as vez que me viam e os olhos opacos me fitavam quando eu aparecia para o café ou me retirava para dormir. Eles não aguentavam mais reclamações da diretoria, da ineficiência dos inúmeros remédios e da forma como eu os tratava.
Ouvi minha mãe chorando algumas vezes e meu pai gritou comigo outras muitas. Junggyu, seja lá onde estivesse, deveria estar decepcionado comigo.
Não os culpava, eu também não iria me querer por perto se fosse eles.
Apesar de me sentir culpado e me lastimar pela situação que minha família se encontrava, eu não podia fazer nada, estava afundado na minha própria perdição.
Decidi que o melhor seria me afastar, eu tinha causado tudo aquilo, eles precisavam seguir em frente e eu não os ajudava nem um pouco, eu era apenas mais um lembrete que eles tinham perdido um filho. Como meu pai costumava dizer: "Um filho que se tornaria um grande homem."
O que eu me tornaria?
Foi assim que cheguei à conclusão de me mudar. Minha mãe não questionou, nem um pouco, ela nunca questionava nada do que eu pedia, temendo que a negação me fizesse agir ainda pior e mesmo que meu pai fosse contra, eles me cederam uma casa. Um local para que eu pudesse viver sozinho com a minha amargura.
Iria me mudar para um bairro simples, tinha escutado boas recomendações dele, não que eu ligasse muito.
Em um final de semana eu peguei todas as minhas coisas, as coloquei dentro do carro e peguei a estrada.
Foi difícil, confesso, deixar para trás as únicas pessoas com as quais eu ainda me importava, todavia, sabia que aquela era a única forma de me redimir.
Jihyo tinha ficado triste e seus olhos magoados foram muito para mim quando ela me viu indo embora.
Enquanto os meus dedos batucavam no voltante do carro, me permiti refletir um pouco. Eu me sentia menos sufocado só em saber que não estaria mais vivendo com meus pais, um pouco mais leve ao saber que não teria que encontrar meus tios todos os finais de semana, e assim não seria bombardeado por seus olhares de julgamento.
Eu viveria da mesma forma, fazendo o que eu bem entendesse sem ligar para as consequências. Eu não me importava com nada e aquilo me fazia cometer atos impensáveis.
Porém, não esperava que a vizinhança escolhida por mim fosse habitada por uma garota geniosa e de temperamento tempestuoso.
Enquanto realizava minha mudança, foi surpreendente encarar a pequena figura em minha frente, ela parecia obstinada e sua falta de papas na língua arrancou um sorriso meu, algo que não era fácil de se obter há três anos. Ela era um pouco.. estranha? Parecia não ter filtro algum entre a cabeça e a boca.
Aquela vizinhança poderia ser mais inusitada do que eu esperava.
Assumi bem o papel que eu estava desempenhado a seguir nos dias que se passaram. Transava com qualquer garota que eu quisesse, qualquer mesmo, até a professora, mesmo que não tivesse nem uma emoção por minha parte. Perdi a conta de quantas festas realizei e quanto dinheiro gastei, era tudo tão fútil para mim.
Quando a direção me obrigou a dar aulas particulares, notei que tinha que me acalmar um pouco, ser expulso de mais uma escola não era uma opção e certamente meu pai não me deixaria passar mais nem um dia morando sozinho.
Fiquei um pouco surpreso ao descobrir que a vizinha geniosa seria minha aluna, não seria tão ruim assim. Eu gostava de provocá-la e ver a sua língua desatar em falar quando eu a irritava. Não é que ela me fazia esquecer de Junggyu, era só que..quando eu estava rindo do seu jeito ou da forma dramática que ela levava a vida, ele não tomava todos os meus pensamentos.
(S/n) não era como todas as pessoas que eu encontrava, ela não dava em cima de mim como todas as garotas, não me deixava dizer o que eu queria e muito menos agia como eu esperava.
Gostava de ter ela por perto, ter sua amizade um pouco controvérsia já que ela dizia me odiar.
Meu pais ainda ligavam todos os dias, Eubin tinha medo de que eu tivesse cometido alguma loucura enquanto estava longe.
As festas, as garotas e a falta de emoção da vida continuavam me perseguindo todos os dias, o estranho era que os poucos momentos em que eu estava com (S/n) eu me sentia um pouco melhor, talvez um pouco humano, ela não sabia, porém, todas as vezes que jogava uma verdade na minha cara me fazia bem. Ela era a única que não se lamentava pelo meu estado ou me tratava mal pela minha condição, bem, do jeito que ela é, não duvido que não tenha percebido.
Só fui notar o quanto as coisas estavam tomando um rumo que eu não controlava quando ela apareceu na minha festa naquela noite, toda arrumada na expectativa de se aproximar de Jimin.
Porém, nem tudo sai como planejado.
Quando a encontrei, entre as pessoas, (S/n) já tinha tomado boa quantidade de bebidas, o álcool corria a toda velocidade por seu corpo e sua boca estava mais sem freios do que em qualquer outro momento.
Me senti um pouco culpado mais uma vez. Eu permiti que ela entrasse ali, eu deixei ela sozinha e quando voltei ela estava se escorando em um cara qualquer.
(S/n) podia se desmontar forte e decidida, no entanto, eu conseguia ver o quão ingênua ela era.
Não esperava que seus lábios fossem tocar os meus naquele dia, foi uma sensação diferente. Eu já tinha beijado tantas bocas, por qual motivo a daquela garota era tão diferente?
Ainda assim, não consegui passar de mais do que um beijo trocado, eu não tinha direito de usá-la.
Depois daquele dia, eu ficava ansioso.
Não ligava tanto paras as festas ou me importava com as garotas que vinham atrás de mim. Apenas tentava imaginar como seria o meu próximo encontro com (S/n). Quando meus lábios poderiam tocar os seus novamente?
Eu estava sendo patético, eu sabia. Todavia, depois de três anos sem muitas motivações, era revigorante ter uma.
Gostava de irritá-la.
A forma como suas bochechas inflavam e seus olhos se apertavam em minha direção.
Gostava de provocá-la.
O jeito que ela ficava desconcertada e me esnobava afirmando não sentir nada mais que desprezo por mim.
Quando pedi a emancipação e meus pais negaram a assinar, temi que me levassem de volta. Eu sabia que era errado, sabia que precisava da minha penitência e sabia que precisava receber minhas punições pela morte de Junggyu. Me sentia péssimo ao perceber que eu não queria mais, eu gostava de morar ali, sem ter a culpa me consumindo todos os dias, gostava de estar com Jimin enquanto ele ,com seu jeito meigo e animado me fazia rir entre as aulas, estar com Yoongi que revirava os olhos e murmurava um "não ligo", quando na verdade era o que mais se importava. E claro, gostava de estar com a (S/n), por mais que na maioria das vezes ela me expulsasse e me mandasse embora, eu ia com um sorriso no rosto.
Eu não era tão amargurado quando estava com eles.
Foi então que a ideia de levá-la comigo ao evento dos meus pais surgiu em minha mente, (S/n) amenizava a pessoa ruim que eu era e talvez assim meus pais se convencessem de que eu estava bem e podia seguir daquela forma, sozinho.
A única coisa que me deixava inquieto, as vezes, era como (S/n) admirava Jimin.
Mesmo depois de tanto tempo comigo, mesmo depois de tantos beijos trocados, ela parecia encantada com ele.
Talvez aquela fosse mais uma das minhas penitências.
Eu não a merecia depois de tudo que tinha feito.
●○●
— Certo! E como foi na casa dos seus pais? — Sunni arrumou os óculos e cruzou as pernas, os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto.
Suspirei, estava ali, encarando o teto e batendo o dedo contra minha mão enquanto meu corpo permanecia estirado no pequeno sofá.
— Foi..estranho. — Afirmei e balancei a cabeça. — Tudo é estranho com a (S/n). — Sorri levemente.
— Um estranho bom? — Me questionou analítica.
— Acho que sim. — Soei pensativo. — Ela— Minha voz saiu duvidosa. — me convenceu a tentar conversar com meus pais.
— Ela fez isso? — Sunmi parecia supresa e um pouco maravilhada, a própria tentava aquilo a muito tempo e não conseguia.
— Sim. — Suspirei porque nem eu acreditava naquilo. — Minha mãe vai na minha casa levar os papéis da emancipação.
— Você ainda vai se emancipar? — Questionou cuidadosa.
— Não sei. Acho que sim.. — Dei de ombros e lembrei das palavras de (S/n). — Mas posso tentar falar mais com eles.
— Isso já é um ótimo começo. — Afirmou com seu sorriso doce já tão conhecido por mim. — E como está seu relacionamento com seus novos amigos?
— Gosto muito deles para ser sincero e talvez não demonstre muito isso. — Ri nasalado e cruzei meus dedos. — Yoongi é um pouco cabeça dura, porém, está sempre lá quando preciso. — Yoongi de todos, era o que mais sabia sobre os meus medos, inseguranças e boa porcentagem da minha vida. — Jimin, continua a pessoa doce que é. — Sorri levemente e suspirei.
— E a (S/n)? — Questionou subitamente.
Voltei a fitar o teto, não era simples falar dela, principalmente em voz alta.
— Passamos um bom tempo juntos ontem, ela descobriu bastante sobre mim. — Confessei.
— E como ela reagiu?
— Como eu esperava. — Um sorriso preencheu meus lábios. — Ela estava ali comigo e me ajudou. Não sei explicar. Fico feliz que ela tenha ido comigo, talvez eu não tivesse conseguido superar tudo o que passei naquela casa.
Pude ver Sunmi balançando positivamente com a cabeça.
— E vocês, tiveram algo? — Um sorriso sugestivo se espalhou por seus lábios.
Revirei os olhos e me sentei.
— Psicólogos são sempre intrometidos assim? — Questionei com a sobrancelha erguida e um sorriso acentuado.
— Talvez. — Ponderou.
Eu encontrava com Sunmi todos os sábados, no início da tarde há dois anos. Ela foi a primeira pessoa que me ouviu falar de Junggyu em muito tempo.
Ela tinha se tornado uma boa psicóloga e uma boa amiga, não me julgava.. na maioria das vezes.
— Sim! Nos beijamos.
Os olhos dela brilharam em expectativa fazendo eu revirar os meus com um sorriso discreto.
— E? — Me estimulou a continuar falando.
— E só! — Me apoiei no encosto do sofá. — Vou fazer como tinha prometido para ela.
— Como assim? — Sunmi juntou as sobrancelhas duvidosa.
— Você acha, Sun? — Desconversei mudando de assunto. — Acha que eu mereço me relacionar com alguém depois do que aconteceu com Junggyu?
Sunmi sorriu levemente, aquele sorriso maternal e carinhoso, ela se inclinou na sua cadeira e pegou minhas mãos entre as suas.
— Tae, você passou três anos. Você tem noção disso? Quando você chegou aqui seus olhos eram opacos, você vivia encarando o nada e mal falava comigo. Você se martirizou por três anos e não é pouco tempo. Não acha que ter (S/n) na sua vida foi para te mostrar que já está na hora de seguir em frente? Fazer o que você faz não vai trazer Junggyu de volta. — Suas mãos soltaram as minhas. — Mas lembre-se que isso também depende dela. — Me relembrou.
Suspirei e passei a mão por meus cabelos.
Eu era egoista?
Será que Junggyu me odiaria por estar tentando seguir em frente?
— Já deu a minha hora. — Avisei me levantando, sorri e coloquei as mãos nos bolsos. — Até semana que vem, Sunmi.
— Vai pensar no que eu disse?
— Talvez. — Sorri fazendo ela negar com a cabeça.
— E o que você vai fazer?
Dei as costas e fui andando em direção à porta, a abri e suspirei parando enquanto segurava a maçaneta.
— Não sei.
Puxei a porta e sai do consultório.
●○●
AAAAA VOCÊS PEDIRAM E EU TROUXE.
Já disse que pedido dos meus leitores é lei kkk
A pedido da hopellen e da jujuh_lima13
Fiz esse capítulo na visão do nosso amado Kim Taehyung.
Espero que tenham gostado.
Não se esqueçam de me contar aqui nos comentários.
E o sorteio? Já estão participando?
Amo vocês. Obrigada por tudo. E desculpa qualquer erro ;)
By: leticiaazeneth ♥️
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