thirty four ᯽⊰ I came to save you, dear
Oie, tudo bem? 🌈🦋
Amo vocês muitão ~ 🌈🙈
Quero que vocês peguem alguns detalhes ao decorrer de todos os capítulos, do primeiro até os próximos que virão, pois eles serão essenciais.
Quero muito aproveitar esse momento para dizer o quanto estou feliz por vocês lerem Toy e por darem tanto amor 🧡 vocês são maravilhosos(as)!
Votem e comentem bastante, ok? Também perdoem qualquer errinho de escrita. Sou muito desatenta e não consigo revisar tudo.
Tenha uma leitura proveitosa 🌈🧡
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ㅡ Acha que pode andar por aí falando do carro e da mãe dos outros, pirralho? - Jungkook apontou o dedo no peito do rapaz a sua frente, fazendo o mesmo rir de modo debochado.
ㅡ Eu falo o que eu bem entender. - cuspiu. ㅡ E se você não aguenta escutar, eu não posso fazer absolutamente nada, baby.
ㅡ Eu sempre soube, desde a primeira vez que apareceu em minha casa, que você é um desaforado petulante! - Jungkook estava vermelho de raiva, seus olhos faiscavam.
Taehyung e eu estávamos parados, enquanto víamos a cena que acontecia a nossa frente, ambos com certa confusão e hesitação sobre interferir ou não. Se as coisas se tornassem mais tensas, obviamente, iríamos nos envolver. No entanto, aquela discussão parecia não ter rumo de tomar maiores proporções.
As pessoas continuavam distraídas enquanto gritavam e cantavam animadamente as canções de SeokJin. Luzes roxas dançavam sobre a multidão, combinando com a imagem de uma galáxia no telão que ficava logo atrás do cantor.
ㅡ Jungkook-ssi? - Tae o chamou e o moreno o encarou com pouco caso. ㅡ Pare de brigar e aproveite o show do cantor que você tanto gosta.
ㅡ Você têm razão, Caramelo! - falou, convencido de que era o melhor a se fazer. ㅡ Eu não perderei o meu precioso tempo com pessoas tão petulantes como este tal de Park Jimin!
ㅡ Eu também acho que dar atenção ao show do meu irmão é muito mais proveitoso que brigar com um mimadinho como você. - Jimin disse e Jungkook teve uma crise vergonhosa de tosse.
Arregalei os olhos e, como uma fã desesperada e animada, me aproximei do rapaz.
ㅡ Você é mesmo irmão do Jin? - perguntei, desacreditada.
ㅡ Sim! - deu de ombros.
ㅡ Meu Deus! - quase gritei. ㅡ Você é o irmão mais novo que ele nunca mostrou para os fãs porque você mesmo pediu, assim como ele revelou naquela entrevista em Nova York?
ㅡ O próprio. - sorriu convencido.
ㅡ Eu amo o seu irmão! - falei animada e senti uma mão tocar a minha.
ㅡ Lou?
Virei o rosto e encontrei um Taehyung de lábios entreabertos e olhos suavemente arregalados. Retomei minha postura e pigarreei. Tae poderia ter levado aquela declaração para um termo romântico, então falei, consertando minhas próprias palavras:
ㅡ É um amor de fã. Eu não o amo romanticamente...
ㅡ Oh! - ele assentiu, um tanto envergonhado.
ㅡ Você está mentindo. - Jeon riu com escárnio, encarando o outro que também tinha os cabelos negros ㅡ Acha que eu tenho cara de idiota que acredita que você é irmão daquele homem maravilhoso?
ㅡ Por acaso estou ligando para o fato de você não acreditar? Foda-se, mimado!
ㅡ Eu não acredito em uma palavra sua, Jimin. Você é arrogante, idiota e o ser mais irritante da terra...
ㅡ Olha, para quem disse que não estava afim de perder tempo comigo, você até que está bem entusiasmado com toda essa história de me irritar, não acha? - se aproximou do meu amigo e eu poderia jurar que vi Jeon enrijecer o corpo.
ㅡ Você...Você não deveria ter falado da minha mãe e da minha caminhonete.
ㅡ Mas falei. - riu contido. ㅡ O quê irá fazer, Jungkook? Irá continuar me agredindo com palavras ou vai quebrar a minha cara? Eu não tenho medo, então você pode me agredir, só deixo um aviso bem claro; Eu também sei bater, baby.
ㅡ Eu só não bato em você agora, porque eu sei que você não aguentaria sequer um soco. - Jungkook sorriu, provocativo.
ㅡ Acha mesmo? - Jimin retrucou e, junto às palavras, empurrou o peitoral do meu amigo, fazendo o mesmo cambalear para trás.
ㅡ Não encoste em mim! - Jeon avisou, travando o maxilar. ㅡ Eu não quero brigar, Park.
ㅡ Eu também não quero, mas acho que seria divertido quebrar você aqui. Sabe, eu não fui muito com a sua cara, desde que eu fui entregar pizza na sua casa. Você parece ser um daqueles mimados, frescos que só pensam em si mesmo.
ㅡ Não pode me julgar sem me conhecer. Na verdade, ninguém pode julgar ninguém em momento algum. Julgamentos precoces são ainda mais odiosos, sabia? Porque eles demonstram o quão a pessoa que o faz é ignorante e insensível com a verdadeira personalidade daquele que passara por seu julgamento precipitado.
Jimin ficou em silêncio, abaixou o olhar e eu respirei alivada por ele parecer ter sido atingido pelas palavras tão sensatas de Jungkook. Me senti orgulhosa do meu amigo, ele tinha toda a razão naquele momento assim como em vários outros.
ㅡ Eu não o julguei! - O outro falou, desviando o olhar.
ㅡ Não? - Kook soltou uma risada seca. ㅡ Foi o que pareceu. Quer saber? Eu não ligo para os julgamentos, Jimin. Para nada eles me servem...
ㅡ Eu só não gostei da forma que você me tratou, tá, cara? - admitiu o menor. ㅡ Você foi estúpido comigo quando foi naquela pizzaria, chamando-me de mal educado. Eu me senti intimidado porque você é aparentemente rico e eu sei que muitas pessoas por aí gostam de diminuir trabalhos alheios apenas por não serem como os seus...
ㅡ Mas eu não-
ㅡ Confesso que eu fui idiota em achar que você fosse uma delas. Mas é que eu estou à muitos anos trabalhando na pizzaria e eu sei o que é ter que escutar palavras ruins gratuitamente e ser tratado como minoria.
ㅡ Mas não deveria ser assim. Eu sinto muito, Park Jimin! - me pronunciei e o garoto me encarou.
ㅡ Odeio lamentações, mas mesmo assim, obrigado! - sorriu.
ㅡ Eu não sou assim, okay? - Jungkook chamou sua atenção. ㅡ Eu falei aquelas coisas porque você também foi um grosso comigo quando foi entregar pizza em minha casa.
ㅡ Eu estava muito puto porque havia acabado de levar uma surra! Eu bati, mas também levei esfregão na cara, tá ligado?
ㅡ Mas precisava descontar em mim?
ㅡ Eu não descontei nada.
ㅡ Descontou sim!
Jeon estava claramente guardando uma mágoa daquele garoto. Respirei fundo e me segurei para não revirar os olhos ao perceber que a discussão havia começado novamente.
ㅡ Você me chamou de mal educado!
ㅡ Mas você realmente foi um.
ㅡ Eu não irei perder o meu tempo te dando explicações sobre aquele dia. - Jimin gritou. ㅡ Eu estou tentando dialogar agora, mas você não está colaborando.
ㅡ Dialogar? Você está apenas da defensiva! - Kook arregalou os olhos em incredulidade.
ㅡ Por favor, parem! - Gritei para os dois, fazendo os mesmos me encararem.
ㅡ Você viu, Lourence! Foi ele quem começou.
ㅡ Jungkook, eu não vi nada. Por favor, deixe Jimin e vamos aproveitar a nossa noite. Essa é a primeira vez que saímos juntos desde que nos mudamos, então vamos nos divertir, okay?
ㅡ Está do lado dele? - Jeon entreabriu os lábios, desacreditado. ㅡ Não irá me defender? O quê eu sou para você, ein? Uma uva-passa intrometida no arroz de natal? Uma salada no bolo de chocolate? Lourence, você...você...
ㅡ Pare de drama! - falei cautelosa. ㅡ Eu não estou do lado de ninguém. Apenas pedi para você dar atenção à Taehyung e eu nesta noite tão especial.
Jungkook pareceu se deixar convencer, então assentiu com um manear de cabeça e mirou o rapaz com quem brigava a pouco.
ㅡ Me desculpe, Jimin.... por eu ter dito aquelas....coisas.... - ele disse com dificuldade. Afinal não tinha facilidade em pedir desculpas.
ㅡ Eu te desculpo. - o outro pareceu fazer pouco caso do pedido de desculpas do meu amigo. ㅡ Espero que o destino nos mantenha bem longe um do outro, porque vê-se de longe que não compartilhamos as mesmas ideias. E eu não acredito nesta porra de "os opostos se atraem", baby.
ㅡ Eu também não acredito. E mesmo se os opostos realmente se atraíssem, eu não iria querer estar perto de você, Jimin.
ㅡ E você acha que eu iria querer estar perto de você, Jungkook? - riu debochado.
ㅡ Você pode até dizer que não, mas e se estiver mentindo? Sabe, eu ainda nem acredito piamente que você é mesmo irmão do meu neném SeokJin.
ㅡ Primeiro; Ele não é o seu neném. Segundo; eu sou sim, irmão do Jin.
ㅡ Ah é? E porquê você nunca apareceu nas revistas ou nos noticiários como irmão de uma celebridade?
ㅡ Porque eu não quero me encostar na fama do meu irmão e não preciso de holofotes em mim quando eu já brilho mais que o sol. Ser famoso não é um dos meus sonhos para a vida, baby.
ㅡ Para de me chamar de baby! - Jeon gritou, quase como uma criança do primario com raiva por ter tido o lanche capturado por outro colega de classe.
Tentei segurar o riso, mas não consegui. Kook me lançou um olhar furioso, mas o bico em seus lábios me fez rir ainda mais.
ㅡ Vocês dois são fofos discutindo! - Taehyung se pronunciou. ㅡ Jimin, você parece um algodão doce e o Jungkook é semelhante à um cupcake. Uma combinação perfeita...
ㅡ O QUÊ ? - os dois rapazes em questão o olharam, ambos incrédulos.
ㅡ Aish! Não diga besteiras, Caramelo.
ㅡ Eu percebi uma coisa em você agora, Jungkook-ssi!
ㅡ O quê, Tae?
ㅡ Que você perde toda a sua pose de garoto malvadinho quando está envergonhado.
ㅡ Que diabos você está falando?
ㅡ Desde que Jimin apareceu, suas bochechas apresentam uma tonalidade mais corada, seus olhinhos piscam sem parar e você não desuniu suas mãos um segundo sequer...
Jungkook encarou as próprias mãos e ao perceber que Taehyung falava a verdade, separou-as abruptamente. Jimin encarava o meu noivo com atenção, mas o seu cenho franzido demonstrava o quão o mesmo estava confuso com tudo aquilo.
ㅡ Deixe disso, homem! - Jeon falou e notei suas bochechas corarem ainda mais.
ㅡ Apaixonado. - Tae sorriu, sonhador. ㅡ Jungkook-ssi está apaixonado por Jimin! Ah, que fofo!
Arregalei os olhos e quase engasguei com o refrigerante que tomava. Jimin fez uma azeda e Jungkook piscou, estático.
ㅡ O problema é dele se estiver afim, porque eu não tenho culpa de ser irresistível. Mas, passar bem com os seus sentimentos que pouco me importam, Jeon Jungkook. - Park fez um som de descaso e apenas virou-se e sumiu por entre a multidão.
Pisquei aturdida diante de suas palavras carregadas de descaso. Preocupei-me quando vi Kook abaixar o rosto e dar alguns passos para longe, como se quisesse fugir do mundo.
ㅡ O quê eu disse foi errado? - Taehyung me olhou com aflição. ㅡ Lou, Jungkook-ssi parece triste e eu sou o culpado. - tremeu os lábios.
ㅡ Vai ficar tudo bem, meu amor! - tentei consolá-lo. ㅡ Você não fez por mal.
ㅡ Vamos atrás dele, neném! - puxou-me pelo salão.
ㅡ Tae, fique calmo! - pedi ao sentir sua mão trêmula contra a minha.
ㅡ Ele têm que me perdoar, Lou. Eu só faço coisas erradas. Só coisas que machucam as pessoas que me acolheram com tanto amor.
ㅡ Não diga coisas assim, por favor.
ㅡ Primeiro eu soltei o Clovis, o passarinho que ele tanto amava, depois eu o beijei e este beijo se tornou motivo para sua família excluí-lo ainda mais. Sem contar o vaso de cristal que eu quebrei, a cortina da sala que eu sujei de terra sem querer, e...
O barulho havia cessado à um bom tempo, pois o cantor deu uma pausa para agradecer a presença de todos e se despedir dos fãs que o assistiram àquela noite.
ㅡ Você não deve se preocupar tanto, Taehyung...
ㅡ Acha que ele irá me perdoar? - perguntou aflito.
ㅡ Claro que irá!
ㅡ Precisamos encontrá-lo, Lou.
Procuramos Jungkook pelo multidão, mas não o encontramos. Já nos encontrávamos preocupados com o seu sumiço, mas o alívio nos tomou quando o avistamos em um lugar afastado, onde havia algumas maquinas de refrigerante e portas de banheiros.
Ele estava sentado no chão enquanto segurava uma latinha de refrigerante e encarava a parede a sua frente, aparentemente perdido em seus próprios pensamentos. Tae soltou minha mão e caminhou em direção ao moreno. Fiz o mesmo.
ㅡ Eu não fiz por mal, Jungkook, me desculpe! - Taehyung disparou, abaixando-se ao lado do garoto.
Jeon o olhou assustado, só então notando a nossa presença ali. Paralisei quando vi o quão seus olhos estavam vermelhos e suas bochechas úmidas. Meu coração se apertou e eu senti a necessidade de consolá-lo.
ㅡ 'Tá tudo bem, Tae. - sussurrou, tentando esboçar um sorriso.
ㅡ Eu estou me sentindo horrível por ter te causado dor. Eu...eu não deveria ter dito que você estava apaixonadinho pelo Jimin. - O acastanhado soluçou. ㅡ Ele te tratou tão mal, Kookie.
ㅡ Eu já disse que está tudo bem. - suspirou, cansado. ㅡ Eu sei que você não fez por maldade. Também não se importe tanto com as minhas lágrimas... Eu estava chorando por vários motivos diferentes.
ㅡ Se você quiser conversar... - segurei em sua mão. ㅡ ...estamos aqui, Jungkook.
ㅡ Eu fiquei triste porque embora eu pareça forte e inquebrável as vezes, sou muito sensível e me deixo abalar facilmente por palavras. - desviou o olhar timidamente. ㅡ Me sinto envergonhado por ter dito que seria forte e que não ligaria para as opiniões alheias, quando na verdade eu sequer consigo segurar as lágrimas quando escuto alguma frase de rejeição.
ㅡ Céus! Você não deve se sentir envergonhado por isso, Kook. - falei com convicção. ㅡ Não pode simplesmente achar que deve suportar tudo sem demonstrar o quanto está abalado. Eu gostaria que as coisas fossem diferentes, mas palavras realmente machucam, no entanto você deve saber lidar com elas, deve tentar fazer com quê elas não cheguem em seu coração, assim como a sua mãe disse naquele dia que o seu pai o destratou.
ㅡ Jimin disse que não se importa com o quê eu sinto...
ㅡ Não ligue para aquele gar-
Interrompi minhas próprias palavras quando uma claridade atingiu minha mente. Em algum momento, eu havia pensado que Taehyung estava sendo equivocado sobre achar que Jungkook estava apaixonado pelo Park, mas aquela frase carregada de um tristeza quase palpável que o meu amigo dissera, era uma prova de que realmente havia algum sentimento surgindo em seu interior.
Aquela preocupação no timbre. Aquele olhar mergulhado em tristeza. Aquela fragilidade que o atingia demasiadamente. Eu não o reconhecia alí, mas não era algo ruím, ao contrário, eu estava vendo um lado que o mesmo sempre ocultara. Um lado sensível que o tornava transparente e legível.
ㅡ Quando começou a sentir algo por ele, Jungkook? - o questionei e suas bochechas se tornaram ainda mais rubras.
ㅡ Acho que desde que o vi pela primeira vez. - confessou, desviando o olhar dos meus a todo instante.
ㅡ Com exceção aos dias que fomos na pizzaria e que ele entregou a pizza em sua casa, você o viu outras vezes?
ㅡ Não. - respondeu com firmeza. Assenti com um manear de cabeça.
ㅡ Eu só não entendo você, Jungkook. - Taehyung, que até então estava calado, se pronunciou. ㅡ Não faz muito tempo que você disse que não se apaixonaria tão cedo por alguém. E que o amor era a última palavra do seu dicionário...
ㅡ Vai jogar na minha cara agora, piolhento? - Bufou o outro. ㅡ Eu vou te dar uns cascudo-
ㅡ Talvez seja apenas uma atração passageira, certo? Você o viu poucas vezes, então deve ter se encantado pelo jeitinho difícil dele. - o interrompi.
ㅡ Você têm razão, Lourence. - pigarreou.
ㅡ Tente esquecê-lo.
ㅡ E se o Jimin for o amor da vida do Jungkook-ssi, Lou? - Tae tombou a cabeça para o lado. ㅡ eles combinam.
ㅡ Aish! Aquele garoto não é o amor da minha vida, Taehyung. Eu ein!? Ele me esnobou e eu não irei mais me lamentar por gente que não se importa com os meus sentimentos. - Jeon levantou-se, parecia ter retomado todo o seu orgulho.
ㅡ Mas você gosta dele! - o meu noivo insistiu.
ㅡ Gosto. - estalou a língua no céu da boca e passou a mão livre pelo próprio cabelo. ㅡ Mas gosto muito mais de mim, entendeu?
ㅡ É assim que se fala, Kookie! - levantei-me também e esbocei um sorriso orgulhoso nos lábios.
ㅡ Eu entendi. - Tae também sorriu contente. ㅡ A sua felicidade é o mais importante.
ㅡ Eu prefiro sofrer pelo SeokJin. Sabe, ele nem sabe da minha existência, mas isso não me impede de amá-lo na mesma intensidade. Sem contar que, meu pai também nem sabe da minha existência, mas ainda assim eu amo aquele cara. - riu depois de refletir por um tempo. ㅡ Não ligo de amar. Amar é algo particular, então ame, embora não receba amor de alguns. Faça sempre a sua parte, mesmo que seja foda.
ㅡ Eu estou orgulhosa de você, meu amigo.
ㅡ Eu sei, Lourence.
Avistamos algumas pessoas saindo do salão. O show havia acabado.
ㅡ É muito tarde. - Taehyung olhou a tela de seu celular. ㅡ Vamos para casa!?
ㅡ Nada disso, Caramelo! Iremos em um barzinho beber algumas.
ㅡ Você sabe que eu não bebo, Jungkook. - avisei e o moreno deu de ombros.
ㅡ Você é muito chata! - revirou os olhos. ㅡ Nós vamos para o bar. Se você não quiser beber, não iremos te obrigar, ôh Lourence!
ㅡ Eu não gosto de beber. - Tae ciciou, fazendo-me o encarar. ㅡ Quero ir para casa.
ㅡ Devemos aproveitar este momento de lazer para bebermos nem que seja um pouquinho! - Jungkook protestou.
ㅡ Podemos sair outro dia... - o acastanhado uniu as mãos e notei as mesmas levemente trêmulas.
ㅡ Vamos para casa, Jungkook! - reforcei.
ㅡ Aish! Eu mereço amigos caretas! - Jeon exclamou, andando até a saida. ㅡ Vamos para casa então, porra!
Comecei a caminhar também, mas sem deixar de observar as reações de Taehyung. Algo o deixara aflito e eu precisava saber o que o feria naquele momento. Assim que chegamos na calçada, escutei um grito histérico do meu amigo:
ㅡ DESGRAÇADO!
ㅡ O que houve? - corri em sua direção, vendo-o de olhos arregalados.
ㅡ A JEONHINHA! - falou choroso e mirei o carro a nossa frente.
Os pneus haviam sido estraçalhados e os vidros quebrados.
Fiz uma feição incrédula enquanto me aproximava da caminhonete. De perto, vi diversos arranhões na lataria.
Suspirei de angustia assim que um soluço de Jeon ecoou pela rua que ficava cada vez mais deserta.
ㅡ O m-eu carro precioso! - falou em meio o choro compulsivo que o embalava. ㅡ Um dos poucos presente que o p-apai me deu...
Com o coração também partido, virei-me e dei alguns passos em sua direção. Ao alcançá-lo, o abracei com força. Suas mãos me apertavam e eu o sentia tremer e se render ainda mais às lágrimas.
Minutos mais tarde, andávamos pelas ruas frias. Jeon havia chamado um amigo que trabalhava em uma oficina próxima para buscar sua caminhonete, e depois de poucos minutos, ele apareceu e a levou para o conserto.
O moreno propôs que fôssemos à pé para casa, e embora Taehyung tenha demonstrado certa relutância, o convencemos a aceitar a proposta. E a madrugada estava agradável, um tanto fria, mas nada que destruísse aquele momento.
ㅡ Tenho certeza que foi aquele tal de Park. - Jungkook falou pela milésima vez. ㅡ Ele pensa que vai ficar assim? Espera só até eu colocar minhas mãos naquele rosto de boneco de porcelana dele. O desgraçado é bonito, mas não vale nadinha! Ugh! Eu estou fervendo de ódio, eu irei destruí-lo. DESTRUÍ-LO!
Outrora, eu sentia Tae distante, ainda que suas mãos estivessem unidas às minhas. O seu silêncio e olhos sempre perdidos monstravam todo o desconforto que o assolava.
ㅡ Aconteceu algo? - o questionei com cautela.
Ele sequer me deu atenção, parecia distraído, os olhos presos em algo no outro lado da rua. Olhei na mesma direção e não vi nada que pudesse estar sendo motivos dos seus devaneios repentinos.
ㅡ Taehyung? - o chamei firmemente e, como se fosse despertado de um transe, ele me fitou com surpresa.
ㅡ Sim? - ciciou, tenso.
ㅡ Você está me deixando aflita. - pisquei, tentando conter a minha frustração e medo. ㅡ Está tenso e estranho...
ㅡ Uma sensação ruím massacra o meu coração agora, Kate. - confessou então, fixando as íris expressivas nas minhas.
Havíamos parado de andar, mas Jeon ainda caminhava pela calçada, reclamando a plenos pulmões e xingando o garoto que havia destruído seu carro.
Um nó se formou em minha garganta e a apreensão se atenuou quando sua mão fria tocou o meu pulso e eu percebi o quão ele estava nervoso e prestes a desabar ali mesmo. Os lábios fartos tremiam e as órbes eram preenchidas por lágrimas de desespero.
ㅡ Como assim? - consegui perguntar.
ㅡ Eu estou com um aperto aqui, neném. - apontou para o próprio peito. ㅡ Mas não é uma dor causada por alguma doença, entende? É um pressentimento que me deixa angustiado e com a garganta seca.
ㅡ Você deve estar apenas cansado, amor. É madrugada e passamos a noite fora, sem contar que tivemos um dia exaustivo preparando a festa surpresa do Jungkook.
ㅡ Não! - murmurou. ㅡ Não é o cansaço, Lou. Eu sei que alguma coisa irá acontecer em breve. Eu só não sei quando.
ㅡ Você costuma sentir coisas assim? - me vi curiosa em saber.
ㅡ Raramente. - respondeu e logo após suspirou. ㅡ Mas a última vez antes dessa foi em um domingo de manhã, eu não entendi o porquê de ter aquele mal presságio, pois eu não recebi nenhuma notícia triste. Fiquei preocupado apenas porque você ficou um tempo sem falar comigo e sem me visitar, sequer mandou mensagens dizendo se estava bem...
Entreabri os lábios ao constatar que aquele domingo havia sido um dos mais angustiantes da minha vida. Senti vontade de chorar apenas por me lembrar do tapa e das palavras frias que recebi do meu pai. Taehyung havia pressentido que algo estava acontecendo e realmente estava.
A sua sensibilidade em sentir que algo acontecia com quem ele se importava, deixou-me totalmente emocionada. Eu nunca havia dito o que aconteceu naquele domingo de manhã, mas tal segredo que eu mesma guardava, não o impedira de ter o seu íntimo atingido por um sentimento desconfortável de aviso.
ㅡ Talvez tenha sido um falso aviso, não é? - sorri, tentando soar o mais sincera possível. ㅡ Então isso pode acontecer hoje novamente. Não se preocupe, Taehyung. Nada irá acontecer conosco.
ㅡ Eu não sei, neném! - falou, nada convencido. ㅡ Eu estou com a sensação de que estamos sendo vigiados a todo momento. - olhou para os lados rapidamente.
ㅡ Não deve ser nada...
ㅡ Não acredita no que eu sinto?
ㅡ Não é isso. Eu só estou tentan...
ㅡ Tentando dizer que tudo vai ficar bem? - interrompeu-me. ㅡ Estou sentindo que não está. Por favor, acredite em mim! - disparou.
ㅡ Eu acredito em você, Tae. - murmurei, um tanto desacreditada diante de suas falas. ㅡ Só estou querendo dizer que você não deve se preocupar tanto, porque esses sentimentos podem estar errados. Não estou dizendo que você não está com essa sensação estranha, meu anjo!
ㅡ Dói muito. - confessou, fechando os olhos e suspirando pesadamente.
ㅡ Isso vai passar. - me aproximei de si e depositei um beijo em sua bochecha. Taehyung abriu os olhos de modo lento e segurou ambas as laterais da minha cintura.
ㅡ Você me deixa tão calmo, Lou. - confidenciou, repousando a destra na lateral do meu pescoço. Arrepiei pelo contato de sua mão fria com a pele quente e sensível da área.
ㅡ Deixo? - apertei a sua jaqueta jeans com força, pois minhas mãos encontravam-se também em sua cintura.
Encarei os olhos brilhantes daquele que me deixava desarmada em todas as situações, encontrando uma imensidão cor de mel que guardava os mais sinceros e mais misteriosos desejos e anceios. Naquele instante, havia medo refletido neles, mas eu podia também notar a esperança de que tudo realmente ficasse bem.
ㅡ Sim. - uniu sua testa na minha. ㅡ Já viu como está o céu esta madrugada, Kate Lourence? - sussurrou lentamente e me afastei um pouco, apenas para olhar o céu que nos cobria, repleto de estrelas.
ㅡ Está tão estrelado. - falei e precisei conter o ímpeto de suspirar quando ele aproximou os lábios no meu ouvido.
ㅡ O quê você imagina quando as vê?
"As estrelas farão parte da nossa história de amor, Lou", recordei-me das palavras que me foram ditas na carroceria daquela caminhonete, enquanto nossos corpos clamavam um pelo outro e nossos corações batiam loucamente em nossos peitos.
Sorri sem perceber.
ㅡ Eu imagino a nossa história de amor, Taehyung. - o fitei, tragada pelo amor que me consumia dia após dia e que eu tinha certeza que jamais teria fim. ㅡ E você?
ㅡ Igualmente, Lou. Imagino também aquele amor que criamos juntos. Aquele que jamais terá fim.
ㅡ Eu te amo tanto. - o surpreendi com um beijo.
Tae logo retribuiu o ato, beijando-me verdadeiramente, envolvendo-me em seus braços fortes. Podiam se passar milhares de anos, mas eu ainda iria querer sempre mais do sabor de seus lábios, do aconchego e o frio na barriga que ele sempre me causava.
ㅡ Jungkook já deve ter percebido que paramos de acompanhá-lo. - riu contra minha boca.
ㅡ Acho que não, caso contrário já estaria armando o maior barraco. - brinquei e ele riu ainda mais.
ㅡ Não estou com ânimo para armar barracos neste frio, Lourence! - uma voz conhecida surgiu do além e revirei os olhos antes de me separar do meu noivo e ver Jungkook sentado em um banco que ficava ao lado de uma grande lixeira e um poste.
ㅡ Por quê você está sempre por perto? - o questionei, cruzando os braços.
O moreno apenas deu de ombros e encarou as próprias unhas antes de dizer, sarcástico:
ㅡ Não sou eu quem está sempre por perto, uh!? O problema aqui é a mania de vocês de não irem se pegar em uma mata distante, e ficarem se agarrando em ambientes em que eu estou.
ㅡ Desculpe se as vezes você é obrigado a ficar segurando vela, Kookie...
ㅡ As vezes? - riu incrédulo e pressinou a língua contra a bochecha. ㅡ Eu não seguro vela, casalzinho clichê! Eu sou a própria vela. Pensando bem, eu já nem sou mais vela, sou uma bela de uma tocha olímpica.
ㅡ ....Desculpa? - falei sem jeito.
ㅡ Ah, e eu não queria ser intrometido, mas como eu não preciso querer, pois já sou um, escutei toda a conversa de vocês. Taehyung, a sensação de estar sendo observado, bom... eu estava observando vocês à um tempão, então... - riu de suas próprias palavras.
ㅡ Aish! - ruminei.
ㅡ Vamos embora. - Jungkook se pôs de pé.
《xx🍒xx》
Depositei um beijo suave na testa de Taehyung antes de deslizar pelos lençóis e deixar a cama. Adentrei o banheiro e, preguiçamente, cuidei de cada detalhe da minha higiene matinal.
Já na cozinha, sentindo-me um pouco menos indisposta, fiz um café e fritei alguns ovos. Quando fui organizar a mesa, notei que os pães haviam acabado.
ㅡ Que horas são? - alguém surgiu na cozinha e quase gritei pelo susto.
Meus olhos se prenderam no garoto sem camisa, com o rosto amassado e cabelo revolto. Um bico enorme adornava os lábios vermelhos de Jungkook e embora ele estivesse acordado, seus olhos ainda encontravam-se quase totalmente fechados, demonstrando seu estado ainda sonolento.
Observei o mesmo ir até o armário e pegar um copo grande dentre as canecas devidamente organizadas na prateleira. Um bocejo escapou de sua boca e ele ficou alguns longos segundos parado, segurando o copo com força entre os dedos e com a respiração cada vez mais suavizada.
ㅡ São onze da manhã. - respondi assim que constatei as horas em meu celular.
ㅡ Hm...
ㅡ Jungkook? - o chamei, vendo-o erguer a mão livre até os lábios. Tentei segurar o riso quando o vi inserir o polegar em sua própria boca e dobrar o indicador bem abaixo de seu nariz, acariciando a área com lentidão.
Sim, Jungkook chupava o dedo quando dormia.
Descobri isso em um natal que passamos juntos na casa de sua mãe. A ceia havia sido maravilhosa, kookie e eu nos empanturramos de bolos, doces e chocolate quente enquanto nossas famílias conversavam civilizadamente na sala.
Naquela mesma noite, Jeon adormeceu no sofá durante as conversas que se seguiam. E por tê-lo ao meu lado, percebi quando o mesmo levou o polegar até a boca e, como um bebê chupando chupeta, se aconchegou no sofá e dormiu sem se importar com o amanhã.
Percebi que ninguém estava vendo o que eu estava, então, temendo algum desconforto de Jeon ao ser descoberto em sua mania peculiar ao dormir, o acordei discretamente. Ao despertar, ele agradeceu o meu gesto e pediu segredo assim como eu imaginei que pediria.
ㅡ JUNGKOOK? - o chamei mais uma vez e ele coçou os olhos preguiçosamente.
A mente de Kook sempre acordava meia hora depois do seu corpo despertar. Então ele sempre ficava lento por vários minutos, como se estivesse dormindo, embora estivesse acordado.
ㅡ Cadê a minha caneca de O Pequeno príncipe? Aquela que tem a raposa e a rosa do principezinho? - perguntou depois de um tempo.
ㅡ Está bem diante de você.
Ele fez um bico ainda maior, se possível, e abriu um pouco mais os olhos. Sorriu sem forças ao avistar a caneca bem ali, tão linda e perfeita. Capturou a mesma e esqueceu o copo que segurava antes, sobre o balcão.
ㅡ Não foi pra escola por quê? - sentou-se de forma desleixada na cadeira, apoiando os braços sobre a mesa de vidro.
ㅡ Estava muito cansada. Eu dormi muito também, pois ontem o dia realmente foi cansativo.
ㅡ Hm...
ㅡ Não irá para as aulas de aviação hoje? - questionei e o vi franzir o cenho.
ㅡ Aviação?
ㅡ Sim. Você faz aviação, Jungkook. - ri com respeito, pois eu compreendia o seu estado naquele momento.
ㅡ Hm...não sei...
ㅡ Preciso sair para comprar pães. Você pode terminar de organizar a mesa?
ㅡ Sair da mesa de pães? - Kook pareceu ainda mais confuso.
ㅡ Tudo bem. Eu arrumo quando voltar. - peguei a chave da casa que ficava pendurada perto da geladeira. ㅡ Não irei demorar. Tchau!
O deixei na cozinha e ao chegar na sala, avistei Taehyung descendo as escadas. Os cabelos úmidos repousados sobre a testa mostrava que ele havia tomado o seu banho. Ele vestia uma camisa amarela com um girassol enorme estampado na parte frontal e uma bermuda moletom na mesma cor.
ㅡ Bom dia, meu amor! - ele foi o primeiro a dizer.
ㅡ Bom dia, anjo! - falei e o esperei se aproximar.
Ele colou lábios aos meus em um beijo breve e sorriu assim que se afastou.
ㅡ Dormiu bem?
ㅡ Sim, e você?
ㅡ Oh sim! - deixou um beijinho casto na ponta do meu nariz. ㅡ Dormir com você na mesma cama significa dormir bem pelo resto da vida, Lou.
Minhas bochechas queimaram e eu tentei mudar de assunto para não dar atenção àquele rubor desconcertante.
ㅡ Irei comprar pães. Não irei demorar.
ㅡ Quer que eu vá com você, neném?
ㅡ Não. Fica aqui com o Jungkook. Ele precisa de alguém o monitorando quando acorda.
ㅡ Cuide-se! - pediu, preocupado.
ㅡ Sempre. - o tranquilizei.
Segundos mais tarde, antes que eu pudesse girar a maçaneta para sair de casa, o som da campainha ressoou. Abri a porta e senti como se o mundo diminuísse e o meu corpo se tornasse apenas matéria imóvel no espaço.
Os olhos pequenos e expressivos do rapaz fixaram-se nos meus e eu, ainda estática, tentei me manter calma diante do que via.
O cabelo que antes ostentava um tom azul como o oceano, agora era dono de um tom róseo, quase roxo. Na bochecha esquerda, havia a prova de que sim, ele era o rapaz que Taehyung sempre falara.
A tatuagem de cerejas.
Logo abaixo, no pescoço, uma borboleta azul e permanente marcava a pele pálida.
ㅡ Min Yoongi? - a voz trêmula de Taehyung surgiu atrás de mim.
Paralisei quando o Min abandonou meus olhos e encarou o garoto que chamara o seu nome. Testemunhei suas orbes serem tomadas por lágrimas e os lábios finos tremerem.
ㅡ T-Taeyung... - ele ciciou com dificuldade. As lágrimas já faziam um percurso por suas bochechas.
ㅡ Eu estou vendo coisas? - Taehyung se aproximou e eu me mantive apática diante da cena.
ㅡ Eu vim cumprir a minha promessa, Tae. - o de cabelo roséo falou em meio as lágrimas. Havia tanta tristeza nele que eu podia até tocá-la se quisesse.
ㅡ Yoongi...
ㅡ Eu vim te salvar, querido! - foi o que ele conseguiu dizer dentre os soluços que pareciam rasgar sua garganta.
Também escutei um soluço de Taehyung e eu percebi que ele também chorava muito. Meu corpo inteiro tremia e eu não sabia como agir, então permaneci sem mexer um músculo sequer.
Tudo o que vi foi Tae se aproximando do garoto e o abraçando como se houvesse encontrado um poço em um deserto depois de dias de seca.
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Referências ao poço encontrado no deserto em "O Pequeno Príncipe" 🌌🌙⭐
Bom, espero que vocês tenham gostado.
Votem, por favor ⭐⭐⭐⭐⭐
Até a próxima 🥺🌹 beijos!!!
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