9 - Péssimos hábitos noturnos.
☆ Vamos alegrar a noite desse domingo? Quero agradecer imensamente a Kykai96 por ter indicado essa fic para os seus leitores. Tenham uma boa leitura.
"Não vamos nos apaixonar,
Ainda não nos conhecemos muito bem
Na verdade, estou um pouco assustado, me desculpe
Não vamos fazer promessas,
Você nunca sabe o que te espera amanhã."
Let's not fall in Love - Big Bang
Durante todo o jantar, comecei a pensar que talvez o Jungkook estivesse me punido por ter tido dois momentos desagradáveis por causa de mim. Todo aquele jeito agradável de falar comigo durante aquela refeição, estava me assustando. Poxa, ele não era legal e até o avô dele sabia disso! Não dava pra ele tentar agir normalmente como um cara que não é legal e que acabou de casar?
Estava na cara que ele não sabia como um homem casado deveria se comportar. E enquanto eu comia só conseguia pensar que talvez ele nunca tenha estado em um relacionamento como o que eu tive como o Jimin. Bom ele tinha dito que não sabia o que era amar e que não queria saber. Talvez ali estivesse a explicação para o jeito genérico dele nesse momento.
Mas a julgar pela forma resplandecente como o avô dele assistia ao neto sendo atencioso com a esposa, dava pra ver que o modo genérico dele tinha uma clara explicação. Jeon Jungkook queria agradar o avô. Mas por quê? Se o velho sabia que o neto tinha uma péssima personalidade, por que ia querer que ele agisse amavelmente com alguém? Isso não era forçar a barra demais? Eu teria pena do Mr. Picolé se não sentisse que tem mais coisa ai do que aparenta. Com certeza tem.
Jungkook percebeu que eu o encarava enquanto devaneava em pensamentos, e perguntou "o que?" sem falar nada. Apenas endireitei a postura direcionando minha visão para outro lugar.
- Quando pensam em me dar um bisneto? - engasgei de imediato com o punhado de comida que ia descendo pela minha garganta no momento em que o Sr. Jeon fez tal pergunta. Jungkook arregalou os olhos realmente surpreso com a pergunta. Peguei água para tomar e fazer a comida descer dando uma leve tossida.
- Estamos trabalhando para isso! - novamente engasguei de que agora com água e comida de uma vez só, eu virei uma bagunça. Porra Jungkook que merda de resposta era essa?
- Está tudo bem querida? - o velho me perguntou. Ascenti, usando um guardanapo pra limpar um pouco de arroz que caiu em cima de mim. Joguei um olhar sugestivo para o Mr. Picolé, querendo esgana-lo. Definitivamente ele estava me punido pelas situações constrangedoras. Agora eu não tinha mais dúvidas. - Que bom, você é jovem e viril, deve me dar muitos bisnetos - O Sr. riu. - Quantos filhos pensam em ter? - ele me encarou. Pisquei algumas vezes. Olhando do velho para o Jungkook. O que eu deveria responder? Isso era uma pergunta para um casal que conversa sobre, não para um casal que não conversa de jeito nenhum.
- Um - respondi no instinto.
- Três - O Jungkook falou ao mesmo tempo que eu. Nos encaramos. Que desastre. Olha nós provando para o mundo que sequer falávamos sobre isso! - Entre um e três - corrigiu.
- Me arrependo de ter tido um filho só... - o velho lamentou. - Tenham quantos puderem. A família tem que ser grande - ele sorriu dando um tapinha na mão do Jungkook que sorriu amarelo, claramente incomodando com a conversa.
O assunto morreu e eu pude enfim respirar aliviada por poder conseguir ao menos terminar de comer sem morrer engasgada com tantas assustos inapropriados. Depois de comermos eles foram para o escritório conversar sobre algo que provavelmente não seria interessante e eu sentei na sala vasculhando na internet algo que tirasse meu tédio. Fui tomada novamente pelas fortes dores de cólica que tinham me dado uma trégua. Levei a mão ao ventre esfregando. O calor sempre me ajudava a aliviar a dor.
Atrás de aplacar a dor que eu sentia nesse momento, deitei no sofá, mas só piorou, levantei e caminhei pela casa, mas não ajudou, vasculhei atrás de um remédio e tomei um analgésico, mas depois de algum tempo a dor não aliviou. Droga! Eu odiava cólicas. Senti minha cabeça girando. Outro sintoma dos meus períodos menstruais a pressão baixa. Não pensei duas vezes fui para o quarto.
Troquei de roupa, reforcei a proteção e me deitei na cama colocando um travesseiro entre as pernas. Nada passava a maldita cólica e o sono não vinha. Algumas lágrimas saíram involuntárias. Eu odiava isso.
Nesses dias, quando eu estava com muita dor, meu pai me ajudava colocando sua mão pesada e quente em cima do meu ventre até que eu dormisse. Não sei se era psicológico ou não, só sei que a dor passava e eu conseguia dormir. Era um truque que minha mãe tinha aprendido e que para mim realmente funcionava. Mas agora, como as coisas iam, eu não teria o meu pai aqui pra me ajudar, nem nenhum homem.
A porta do quarto abriu nesse exato momento, era o Jungkook. Eu tinha esquecido que hoje era o dia em que ele dormiria aqui. Me encolhi mais na cama, soltei um gemido involuntário com a dor, parecia que tinha um celular vibrando dentro do meu útero e a cada nova vibrada era uma onda de dor mais intensa. Me encolhi mais um pouco com os olhos fechados.
Meu Deus que dor infernal era aquela? Já não bastavam as humilhações de hoje? Senti a cama se mover um pouco e o Jungkook puxar um pouco a coberta para si. Sua respiração era pesada, me remexi na cama inquieta com toda aquela dor.
Uma ideia estúpida passou pela minha cabeça, mas era tão estúpida e tão idiota que eu tinha refugado lá no fundo do meu subconsciente antes mesmo de chegar a minha consciência, porém me sentindo desesperada com toda aquela dor que chegava a ser anormal, eu comecei a sentir que realmente era uma opção, era provável que eu estivesse delirando, mas eu já tinha tentando de tudo e nada tinha resolvido essa dor dos infernos, então...
Pigarrei. O silêncio no quarto era assombroso. O Jungkook estava a centímetros de mim, mas eu não podia senti-lo, apenas ouvia a sua respiração vez ou outra. Meu coração acelerou.
Nossa Eun você só pode estar muito desesperada mesmo pra pensar nisso! Jesus Cristo! Ele não vai topar. Tenho certeza!
Mas eu precisava tentar. So me faltava mesmo era coragem. Abri a boca umas 10 vezes pra falar, mas a voz não saiu. Me ajeitei de barriga pra cima na cama suspirando.
- Jung... Kook...? - finalmente falei depois de um longo período em silêncio.
- Hmmm...? - ele demorou a responder. Já estava dormindo? Eu demorei pra falar ou ele dormiu rápido demais?
- Você... - pigarrei de novo me sentindo uma idiota. - Você... Poderia me fazer um favor? - meu coração martelava no ouvido. Me preparei para o fora.
- O que? - ele estava de costas para mim e sua voz era carregada, ele já devia estar dormindo.
- Pode colocar sua mão em cima da minha barriga? - falei tudo rápido demais. - Eu estou com dor. - finalizei colocando súplica na voz pra ver se ele atendia meu pedido desesperado.
- Quê? - senti ele se ajeitando na cama ficando de barriga pra cima talvez.
- Meu pai... sempre fazia isso por mim quando a dor não passava... Ele não está aqui então... - meu Deus, eu acho que era assim que órfãos se sentiam quando falavam que os pais não estavam ali presentes naquele momento de maior necessidade. Era tão vergonhoso e embaraçoso pedir isso a ele que eu até chorei silenciosamente, mas nesse momento eu precisava. Ele demorou, talvez não acreditasse no meu pedido, ou estivesse ponderando se tinha sonhado, ou ate mesmo estava se preparando para dizer não, mas em uma atitude que até mesmo me surpreendeu um pouco, ele se moveu na cama ficando de frente para mim.
- Onde... - a voz dele estava bem próxima ao meu ouvido. Era grossa e quente. E me fez pensar que isso realmente era uma péssima ideia. Afinal eu não o conhecia direito e céus! Mesmo dividindo a cama com ele nesse momento eu realmente não sabia muito sobre ele. - Onde... Eu devo... - a voz dele era sonolenta.
- Me dá sua mão - a luz fraca do abajur no criado mudo me permitia ver a silhueta dele. A mão esquerda dele lentamente veio ao meu encontro pousando em minha barriga, aquele toque era tão estranho, mesmo por cima do lençol.
Coloquei minha mão em cima da dele e levei até meu ventre por cima do lençol, mas era óbvio que esse contato tinha que ser pele com pele pra funcionar, então ergui o lençol e coloquei a mão dele no local onde minha pele estava exposta, porque antes eu mesmo estava esfregando pra tentar aliviar a dor.
E o toque dele queimou. Queimou em minha pele como se tivessem brasas. O que diabos era aquela sensação quente?
Ele remexeu em seu lugar. Ele também sentiu esse calor que agora eu sentia onde as nossas peles se encontravam? O peso da mão dele era reconfortante e suspirei aliviada de ele não ter se negado a fazer isso por mim. Ele me devia, era o mínimo.
Não sei se por segurança, ou se pra ajudar a fazer mais peso no meu ventre, mas eu não tirei minha mão de cima da dele. Vai que ele queria se aproveitar? A dor aos poucos ia passando e estranhamente a respiração dele perto do meu ouvido, calma e pesada, estava me ajudando a relaxar. Mas eu não conseguia dormir. Aquela estranha presença dele que antes era apenas atravez de seu perfume ambarado nos lençóis e em todo o quarto, agora queimava como uma lareira, parecia fazer barulho perto de mim. Era pra eu perceber tanto assim essa presença?
Fechei os olhos e contei carneirinhos. Tentando afundar mais e mais no inconsciente.
♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧
Me remexi na cama não querendo realmente acordar. Eu queria voltar para o sonho que eu sonhava a pouco, mas eu não me lembrava direito que sonho tinha sido. Só sei que um toque sutil em minha pela era a lembrança mais recente desse sonho. Um toque bom. Um toque quente. Um toque que lembrava casa, aconchego, lar.
Me espreguiçei na cama ainda de olhos fechados. Ajeitei-me sentando na cama de repente lembrando que eu não tinha dormido a noite toda sozinha. Cocei os olhos, não tinha sido um sonho afinal, aquele toque quente tinha sido real.
A porta do quarto se abriu e o Jungkook passou por ela, me encarando com cara de poucos amigos antes de entrar no closet. Levantei da cama e fui até ele, eu precisava agradece-lo por isso, não era obrigação dele, mas ele tinha me ajudado.
Ele encarava suas roupas no closet.
- É... - seus olhos se voltaram para mim. Suas argolas brilhando sob a luz no teto. Era normal eu ter percebido nesse exato momento que ele tinha uma pintinha debaixo do lábio inferior? Desviei o olhar dele. - Obrigada... Por... Ontem - passei as mãos no cabelo me sentindo vulnerável.
- Preciso que você vá a um lugar comigo hoje - voltei a olhar para ele que me media.
- Onde? - perguntei de imediato.
- Tenho uma partida de tênis para hoje. Apesar de eu não ter descansado o que precisava, eu vou e preciso...
- Não dormiu bem na noite passada? - o interrompi me prendendo ao fato de ele ter falado que não dormiu bem na noite passada.
-Não - falou friamente.
-Por que? - Não me diga que foi porque pedi pra colocar a mão em mim? Se foi por isso e ele disser que foi por isso vou esgana-lo.
-Você... tem péssimos habitos noturnos - tacou a mão na minha cara umas 3 vezes, não sei como não está roxo! Sem contar que ficava direto com a perna em cima de mim. - Por isso a cara de poucos amigos assim que ele entrou no quarto?
- Quê? Eu durmo igual a um bebê - protestei.
- Filhote de britadeira só se for. Jesus! - ele colocou as mãos na cintura e sorriu ladino, realmente parecendo chateado. - Eu achei que estava tendo um terremoto! - ele arregalou os olhos ao me encarar, fiquei boquiaberta sem saber o que dizer. - Nossa primeira noite juntos definitivamente foi uma das piores da minha vida.
- Eu digo o mesmo! - eu sabia que tinha sido por causa da dor infernal que eu senti, mas eu não ia admitir. Cruzei os braços irritada. - E eu não vou com você a lugar nenhum! - mesmo desesperada pra sair de casa, nesse momento eu estava chateada e nem morta iria com ele.
- Você precisa ir. Tem alguém que insiste em te conhecer. E eu não posso ficar protelando pra sempre. - ele falou.
- Nem morta a filhote de britadeira aqui vai sair com você. - fiz birra. Ele segurou na barra da blusa insinuando que ia tirá-la.
- O quê... oque... o que você esta fazendo? - gaguejei, quando ele tirou a camisa. Ao que tudo indicava ele gostava de exibir a boa forma. Tentei desviar os olhos para não parecer que estava secando ele. Tentei, mas era difícil porque ele tinha o corpo realmente bonito.
- Vou tomar banho, mas você não sai daqui então...
- Era só ter avisado que eu saia - falei o interrompendo. Ele segurou na barra da calça, arregalei os olhos, ele ia mesmo ficar pelado na minha frente?
- Já avisei - ele parou o que estava fazendo e me encarou, girei nos calcanhares e sai quase batendo a cara na porta antes de fecha-la.
Idiota! Como ele era idiota! Um idiota exibido. A cada dia em que eu conhecia mais ele, mais eu me irritava com sua personalidade.
Eu quis gritar, irritada demais com ele, mas eu queria sair um pouco. Desde de que o Jimin estivera aqui que eu não tirava os pés de casa um minuto sequer. Tratei de tentar me acalmar. Sair com ele nesse momento era a melhor opção pra mim.
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