19 - Um companheiro substituto.
☆Esse é o último capítulo revisado que eu tenho, então eu posso acabar demorando um pouquinho pra postar agora. Não desistam de mim vai dar certo. Boa leitura.
"Eu posso ser dura.
Eu posso ser forte.
Mas com você, não é assim.
Há uma menina,
Que se importa,
Atrás desta parede,
Que você simplesmente atravessa."
Avril Lavigne - I wish you were here
Suspirei pela milésima vez naquele dia. O tédio estava me consumindo, como se eu não estivesse mais acostumada a estar sozinha.
Esta manhã Jungkook tinha anunciado que precisaria viajar e passaria uma semana inteira longe, só voltaria no domingo, dois dias depois do meu aniversário. Nesse momento eu estava sozinha em casa olhando para as paredes, era como se um enorme vazio tomasse conta de tudo. Porra! O Jungkook nunca estava em casa, não era pra eu me sentir assim. Até porque depois do aniversário dele eu estava sendo consumida pela culpa e frustração e estava evitando contatos físicos e olhares desnecessários com ele. Eu não me sentia confortável, mesmo tendo admitido para mim mesma que talvez eu tivesse um interesse nele.
Pela forma como ele vinha me tratando nos posteriores dias, estava claro que ele não sabia que eu o tinha beijado, nem que era uma alma mais ou menos boa que tinha tido a dignidade de lhe desejar feliz aniversário. Ao contrário, ele decidiu viajar e só voltaria depois do meu aniversário, ou seja, ele estava se vingando!
Apesar de que se fosse analisar bem suas atitudes, ele estava bem mais simpático comigo e trocava meia dúzia de palavras durante o tempo em que estávamos em casa, o problema devia ser eu mesmo, eu estava ficando cada vez mais convicta disso.
Andei de um lado para o outro na casa vasculhando aleatoriamente suas coisas, ate chegar em nosso closet. Eu ri ao pensar na palavra "Nosso", quase com orgulho por admitir isso para mim mesma. Passei a mão em seus ternos caros analisando seu bom gosto para roupas, vasculhei nas gavetas suas coisas íntimas, suas inúmeras camisetas brancas e ate mesmo suas cuecas, me sentindo ridícula por estar me divertindo ao mexer despreocupadamente em suas roupas sem ser pega em flagrante.
Ali eu podia me sentir a vontade em vasculhar mais dele sem ser pega por ninguém, sem que ninguém pudesse saber do que eu secretamente estava sentindo dentro de mim. Peguei uma camiseta branca dele e vesti por cima do meu pijama, era tão grande pra mim que mais parecia um vestido, o Jungkook gostava mesmo de roupas largas. Inalei o cheiro do seu perfume debilmente, sentindo falta de ve-lo andar pelo quarto enquanto se arrumava para ir trabalhar.
Aliás era exatamente nesse momento, em que ele estava distraído que eu o espiava aproveitando para memorizar cada detalhe, cada mero detalhe, me sentindo atualmente muito encantada pela pinta em seu pescoço. Suspirei de novo. Gente o que eu estava fazendo com a minha vida?
Fechei a porta do closet e me joguei na cama segurando a foto que tiramos á três semanas atrás em seu aniversário. Eu não sabia aonde estava a outra foto, portanto apenas segurava a que eu tinha, tentando não perde-la. Era a única forma de acalmar o buraco negro dentro dessa casa vazia sem ele, olhar para o seu rosto. Droga! Eu estava mesmo muito encantada por ele. Já faziam dois meses que tínhamos casados ou só faziam dois meses? Parecia tanto tempo, mas pensando por outro lado não parecia ter passado quase tempo nenhum.
Encarei meu celular me perguntando se ele já tinha chegado em Hong Kong, pensei em ligar, mas não seria óbvio demais? Tipo eu não fazia essas coisas, sera que ele perceberia? Todas as vezes em que a tela do celular escurecia eu apertava no botão para iluminar de novo tentando criar coragem para ligar para ele.
A tela apagou de novo e antes que eu pudesse apertar no botão a tela acendeu me dando um susto, era uma chamada, quando enfim o nome dele apareceu na tela meu coração saltou tão extasiado que ao invés de atender eu desliguei. Eu finalizei a porra da chamada! Burra!
Suspirei frustrada, era provável que a minha rejeição impedisse que ele ligasse de novo, isso era pretexto suficiente para eu ligar? O telefone vibrou em minha mão me dando um novo susto, era ele de novo, não pude conter o riso satisfeito ao ver que ele estava ligando mais uma vez.
- Oi - falei o mais calma que pude, Mesmo me sentindo uma bagunça por dentro.
- Bin-a - sua voz era grossa e arrastada, me deixando satisfeita ao ouvir meu nome tão informal ao telefone. - Só estou ligando para relembrar a você de me mandar uma mensagem todos os dias Hmmm? - sua voz calma me trouxe uma sensação de aconchego e eu quis ouvir mais dele.
- Tudo bem, eu já estava indo enviar a de hoje - ele tinha me pedido antes de sair para mandar uma mensagem dizendo que eu estava bem e viva, porque ele era responsável por mim e precisava saber que tudo estava bem, pois ele tinha insistido muito para que eu fosse para a casa da minha mãe e eu tinha negado veementemente todas as vezes, a casa dos meus pais era o último lugar no mundo que eu queria ir. Mas tão ociosa e faltosa como eu estava eu tinha me esquecido de enviar a mensagem.
- Tudo bem, vou desligar. Boa noite - graças aos céus ele tinha aderido ao modo gentil comigo também, "Vou desligar" fazia parte da dúzia de palavras que trocávamos agora. Desligar na cara tinha sido superado por nós dois. E eu quis rir com isso, na verdade eu achava fofo.
- Hmmm, Boa noite - falei, e a ligação foi encerrada. Eu queria mais, queria muito mais, porém não tinha recursos para manter a ligação então apenas deixei que ele encerrasse. Suspirei pela vezes número... Qual era a vez Mesmo? A vez mais uma de muitas. Joguei o celular ao meu lado na cama e fechei os olhos.
Jeon Jungkook...
Jeon Jungkook...
Jeon Jungkook...
Era tudo no que eu pensava. Jeon Jungkook.
♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧♧
Durante toda a semana eu estive sozinha, e aquele buraco negro do primeiro dia agora consumia tudo. Deus uma semana nunca demorou tanto pra passar! E o pior ainda não tinha passado!
Eu nesse momento estava não portão do Colégio esperando o motorista que estava muito atrasado, coisa que nunca tinha acontecido. Uma mensagem em meu celular logo em seguida me explicou o que estava acontecendo.
- Jeon Eun Bin? - uma voz atrás de mim me chamou, me virei para encarar o lider dos segundos anos que estava com as mãos nos bolsos e sorria despretensiosamente para mim.
- Kim Taehyung - falei sorrindo de volta.
- O que ainda faz aqui? - ele perguntou se aproximando. Taehyung era o único dessa escola com quem eu tinha trocado algumas palavras nessas últimas semanas, ele era muito popular e sociável com todos, por isso não deixava eu me auto excluir de tudo.
- Estava esperando o motorista, mas ele acabou de mandar uma mensagem dizendo que o carro quebrou - dei de ombros.
- Quer uma carona? - perguntou.
- Não precisa, vou de táxi - falei.
- Vamos juntos, é mais divertido - ele tinha um ar enigmático que atraia as pessoas, era engraçado isso nele.
- Você esta de carro? - perguntei.
- Não, eu gosto de andar de metrô - sorriu. Metrô? Que espécie de carona era aquela?
- Metrô? - na real não parecia uma Boa ideia, mas eu estava entediada e definitivamente eu não morreria se fizesse algo diferente não é? - Tudo bem. - concordei. Ele começou a caminhar em direção a estação de metrô á poucas quadras da escola.
- Então... Você é casada não é? - perguntou enquanto caminhávamos depois de um breve momento em silêncio.
- Sou - respondi.
- Por quê ? - ninguém nunca tinha sido assim tão direto comigo sobre esse assunto e eu inicialmente não soube o que responder.
- É... Porque nossas famílias fizeram negócios. - fui sincera.
- Entendo... Bem típico. - ele deu de ombros. Chegamos a estação e acabei percebendo que eu não andava com dinheiro algum e não tinha como pagar o metrô com meu cartão Black.
- Eu... Não... Tenho... - falei envergonhada para ele.
- Uma das garotas mais ricas de Seoul não anda com dinheiro? - ele soltou uma gargalhada livre percebendo meu constrangimento. Suspirei sentindo o impacto da frase dele, eu não me sentia a mais rica naquele momento.
- É, não ando com dinheiro - eu ri.
- Tudo bem, eu pago, você fica me devendo uma passagem no metrô hein? - ele era uma pessoa muito agradável, não me admirava nada ser tão popular. - Por que seu marido não veio te buscar? - perguntou assim que tomamos nossos assentos.
- É... Ele esta viajando - percebi que minha frase saiu um pouco mais triste do que eu queria.
- Ô... que fofa, está sentindo falta dele - ele passou a mão no alto da minha cabeça como quem acaricia uma criancinha assanhando meu cabelo.
- Não... - falei. Depois deixei meus ombros caírem soltando um suspiro. - Estou - admiti, Mesmo sem entender porque estava fazendo isso justo com ele.
- Que fofa.
- Você já sentiu que perdeu uma guerra contra você Mesmo? - perguntei. A falta de alguém para conversar estava me consumindo.
- O que? Você não queria gostar do seu marido? - ele parecia me ler como um livro aberto, e percebi que eu estava sendo óbvia demais, será que o Jungkook também percebia isso?
- Eu não estou gostando dele - me defendi.
- Não? - indagou.
- Não? - esse questionamento era mais para mim mesma, eu estava interessada nele, curiosa, mas apaixonada? Não... Eu não estava apaixonada por ele. Não Mesmo!
- Acho que está - ele cantarolou.
- Acho que não - eu ri. - Ele é interessante, mas apaixonada? Não sei - Eu ri sem vontade, eu devia estar falando isso para ele? Não! Mas eu não conseguia mais conversar apenas com as paredes.
- À propósito... Feliz aniversário - ele disse de repente. - É hoje não é? Eu vi no formulário que eu sempre recebo. - eu tinha esquecido do meu próprio aniversário.
- É, é hoje sim - falei triste.
- Seu marido não vem? - perguntou. Balancei a cabeça negativamente.
- Ele esta fechando negócios importantes na China, só volta no domingo - minha resposta carregava uma clara tristeza.
- Por que você não vai ate ele? - nesse momento o metrô parou no meu ponto e eu me levantei.
- Obrigada por me acompanhar - falei. - A gente se vê segunda.
- Você devia ir ate ele. - insistiu.
- Por favor, mantenha essa conversa só entre nós pode ser? - perguntei, ele concordou e eu saí so metrô. Encarando a máquina de ferro e Kim Taehyung além das portas até que o mesmo desaparecesse do meu campo de visão.
Enquanto eu caminhava para fora da estação ouvi o choro de animal vindo de perto de algumas caixas de papelão do chão, um pequeno cachorro chorava parecendo perdido. Encarei ele sentindo meu coração pesar.
- Amiguinho... - falei pegando ele sem me preocupar se ele estava sujo ou não. - Você também esta sozinho? - falei com ele. Era um pequeno poodle que estava todo sujinho e aparentava ter pouco mais de 2 ou 3 meses de vida. Olhei para os lados e as pessoas que passavam por ali não pareciam ligar para o pequeno cão. Coloquei minha mochila na parte da frente do meu corpo, abri o zíper e coloquei o cachorro dentro tentando aquece-lo, eu o levaria para mim, mesmo sabendo que era provável que o Jungkook não fosse querer. Era meu presente de aniversário para mim mesma.
Minha mãe me esperava no saguão do prédio. Respirei fundo quando vi ela.
- O que faz aqui? - perguntei indo para o elevador sendo seguida por ela.
- É seu aniversário filha, vim ver você já que... Meu genro precisou viajar. - falou.
- Já viu? - perguntei não me sentindo de bom humor. Ela entrou no elevador comigo.
- Credo, o que é isso filha? - perguntou olhando para minha mochila que remexia, a cabeça do cachorro saiu para fora por uma fresta no zíper. - Onde arranjou isso? E se tiver alguma doença?
- Ele estava abandonado, com fome e frio, não pude simplesmente ignora-lo. Vou cuidar dele, preciso de um companheiro substituto - falei.
- Quê? - ela indagou.
Assim que entrei em casa fui direto para a cozinha arranjar um pouco de comida que a ahjuma sempre deixava pronta na geladeira e água para o pequeno cachorrinho, minha mãe tagarelava sobre várias coisas, enquanto jantávamos e até mesmo enquanto eu banhava o cachorro e secava ele com meu secador. Definitivamente amanhã precisaria leva-lo a um petshop.
Me sentia exausta e triste. As palavras do Taehyung não saiam da minha cabeça e minha mãe tagarelando piorava tudo. Quando enfim ela percebeu que eu estava cansada e só queria ir dormir ela se despediu e foi embora. Arranjei um lençol e formei uma caminha para meu novo amigo colocando ele lá ao lado da minha cama.
- Hmmm, você vai ficar bem essa noite? Que nome devemos dar a você amiguinho? - falei para o animal. Um peso no meu peito não me deixava quieta. - Queria que ele estivesse aqui para me ajudar a escolher um nome para você - passei a mão na cabeça do pequeno suspirando. Eu tinha que admitir Jungkook estava fazendo uma enorme falta e meu coração não se aquietava nem por um momento por causa da sua ausência. - Já sei - uma ideia me ocorreu. Eu colocaria o nome do cachorro me homenagem ao Jungkook, algo que só eu soubesse e ninguém mais. - Você vai se chamar Aiseu... - era um bonito nome se pensasse no que ele significava. - Gostou? - o Aiseu se aninhou no lençol parecendo satisfeito com a guinada em sua vida.
Suspirei, levando a mão ao peito, aquele peso me corroendo. Fui até a cozinha pegar um pouco de água antes de ir dormir... Enquanto bebia minha água digitei a habitual mensagem para o Jungkook.
"Tudo ok por aqui."
Eu não esperava que ele retornasse com uma mensagem de felicitações, ele sequer respondia as que eu mandava todas as noites durante toda essa semana. Um toque de celular que não era o meu soou pela casa silenciosa e com o susto deixei o copo cair no chão.
Um segundo depois Jeon Jungkook estava na minha frente segurando seu celular na mão com uma pequena bolsa de mão na outra. A imagem dele bem na minha frente era surreal e por um segundo pensei que estava imaginando ele bem ali diante de meus olhos. Meu coração foi de zero a mil em um segundo e eu quis chorar, o que ele fazia aqui? Ele só voltaria no domingo! Um misto de sensações se apossou de mim.
Segurei a enorme vontade de falar qualquer coisa e apenas respirei o aroma do seu perfume que inundou toda a cozinha, minhas narinhas, minha alma, me fazendo perceber instantaneamente, aquilo que aparentemente todos podiam facilmente ver em mim, mas que eu mesma não queria admitir, apesar de não conseguir mais lidar com isso e não conseguir mais fugir se forma nenhuma. Talvez eu nem quisesse mais fugir.
Sim eu estava apaixonada por Jeon Jungkook. E constatar isso fez eu me sentir uma derrotada. Travei o queixo ainda o encarando.
- Está... Tudo bem? - ele perguntou olhando para o copo quebrado no chão próximo aos meus pés com os olhos um pouco arregalados, da forma que deixava ele super fofo e inocente.
- O que faz aqui? - era o que mais eu queria saber nesse exato momento. Acabei sooando um pouco rude. Talvez porque não esperasse ve-lo aqui no dia do meu aniversário ou talvez porque eu estava com raiva por ele ter me ignorado todos esses dias sem dar notícias e agora aparecia bem na minha frente na maior cara de pau. Jeon Jungkook era um cara mau.
- Precisei de uns documentos - ele falou como se soubesse que eu ia perguntar isso, como se já tivesse ensaiado previamente essa fala. - E... é... É o seu aniversário. Quer ir á algum lugar? - ele perguntou parecendo hesitar diante das próprias palavras sua figura era tão bonita e me atingia de tantas maneiras.
De fato ainda eram 22 horas do dia 29 de Setembro, ainda era meu aniversário e sim, eu queria sair, queria ir a um lugar e queria muito que fosse com ele.
- Quero - falei prontamente. - Não aguento mais ficar aqui. - sozinha diga-se de passagem. - Preciso... Só me trocar - falei e no segundo seguinte percebi que sim, o Jungkook provavelmente percebeu como eu me sentia no momento em que entrou nesse cômodo, porque eu usava a porra da blusa dele. A mesma que usei durante toda a semana para dormir. A camiseta branca de tantas que ele tinha.
Agora eu desejava que o buraco negro aparecesse de novo, seria ótimo entrar nele e ir para uma dimensão onde eu não fosse tão ridiculamente óbvia. Ele me mediu com os olhos por um momento fazendo um calafrio percorrer por minha espinha, um sorriso ladinho sutil surgiu em seus lábios e ele acentiu. Ah droga! Ele percebeu. Estava óbvio que ele percebeu.
Praticamente corri para o quarto vestindo uma calça Jeans, resolvi permanecer com a camisa dele, ele já tinha percebido mesmo! Coloquei apenas um casaco por cima. Corri de volta para a cozinha aonde ele permanecia depois de ter juntado os cacos de vidro no chão.
- Aonde vamos? - ele perguntou calmamente.
- Me leve aonde eu posso desfrutar de um bom soju essa noite - ele franziu o cenho parecendo não acreditar.
Algo dentro de mim me dizia que todos os sentimentos e todo esse peso dentro de mim seriam aniquilados quando eu enfim pudesse desfrutar de uma bebida que me fizesse esquecer de tudo.
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