E L E S A B E
Mais uma vez me sinto sozinha, mais uma vez sinto falta do que era antes, mais uma vez sinto que esse não é o meu lugar.
Olho ao redor e não consigo entender o que está acontecendo, não consigo entender o que estou fazendo aqui e não consigo entender o por quê das lagrimas insistirem em sair dos meus olhos.
Já se passará das 1 da manhã e eu sei que preciso dormir, mas minha cabeça parece que não quer desligar.
A conversa que tive com tio Patrick me deixou pior do que eu pensava que ficaria, mas nem tudo estava perdido.
Os quinze dias só começariam a valer depois que eu recebe-se uma intimação, o que ainda não aconteceu.
Tio Patrick disse que não iria deixar que eu perdesse o prédio, mas é fácil perder as esperanças quando tudo está a beira de um precipício sem volta.
A partir do momento em que eu enviasse o aviso de despejo aos outros moradores, seria tarde demais para tentar qualquer coisa.
Nós nunca acreditamos que vamos perder, até perdermos realmente.
E esse é o problema conosco, nós nunca acreditamos até ver acontecer.
Falta de fé talvez? Eu não sei.
Eu nunca fui muito religiosa mas, hoje é um dos dias em que me pego pedindo a Deus por ajuda. E não daquelas ajudas do tipo "faça com que meu problema suma" e sim aquela do tipo "Deus me ajuda a dormir, por favor"
Sentia que minha cabeça iria explodir, a dor parecia me consumir enquanto eu fitava o teto.
Me viro para lá e para cá no sofá da sala, na tentativa de encontrar uma posição confortável mas, nada.
A TV está ligada naquele documentário de elefante de novo, sem nenhum som sendo emitido da mesma, com o único objetivo de iluminar a sala.
Levanto e vou até o armário onde minha mãe deixava os remédios, procuro algo para dor de cabeça ou que pelo menos me ajude a dormir.
Pego um frasco de calmante e nem me dou ao trabalho de ver a validade antes de voltar para o sofá.
Odeio tomar remédios mas, preciso dormir.
Me jogo no sofá com o gosto ruim do remédio, que eu havia acabado de tomar, na boca.
Relutante, fecho meus olhos desejando que agora eu durma, infelizmente, não é isso que acontece.
A casa está silenciosa, mas na minha cabeça parece estar acontecendo a after party do desfile de fim de ano da victoria's secret.
Eu preciso dormir!
Tento pensar em coisa boas. Coisas boas.
Começo com uma memoria antiga de quando meus pais me levaram para o Empire State pela primeira vez, mas não lembro no que eu estava pensando anteriormente, quando a memória do beijo de Justin volta aos meus pensamentos.
Eu queria aquele beijo de novo, eu queria o corpo dele tão perto de novo, eu queria...
Meus olhos começam a pesar, me aconchego mais no sofá e sinto meu corpo finalmente relaxar, o remédio deve estar fazendo efeito agora.
▪▪▪
"Barulho irritante" penso sentindo um gosto ruim na boca.
O barulho começa a diminuir e quando penso que vai parar ele retorna mais auto.
Eu não dormi nem quatro horas direito.
Começo a abrir meus olhos e me arrependendo logo em seguida, quando sinto uma pontada de dor na minha cabeça.
Eu odeio esse processo de acordar depois de uma noite ruim.
Meu corpo parece pesar uma tonelada, minha cabeça parece que vai explodir e um furacão parece ter passado na minha sala de estar.
O celular volta a tocar sobre a mesinha de centro e eu o encaro por alguns segundo. Com certa preguiça estico meu braço e pego o mesmo, vendo a causa do barulho.
— Oi. — Digo e estranho o som da minha própria voz.
— Sel. — Diz Chaz do outro lado da linha. — Tudo bem com você?
— Ham... Sim. — Respondo me sentando no sofá e tirando o cabelo do rosto. — Por que?
— Nada. — Ele diz parecendo confuso. — Te acordei?
— Não. — Murmuro desligando a TV, que ainda estava ligada.
— Acredito. — Chaz diz irônico. — Bem, fica pronta que passo aí em vinte minutos.
— Do que você ta falando? — Indago confusa aumentando o tom de voz, que faz com que eu sinta outra ponta de dor.
— Hoje começa a seleção para a campanha da coca-cola, esqueceu? — Diz ele e eu fecho meus olhos fazendo uma careta por ter o dia cheio hoje.
— Ham, não. — Murmuro. — Mas...
— Depois eu te explico. — Ele me interrompe. — Agora vai se arrumar.
— Tá, então eu... — Começo a dizer mas Chaz desliga o celular na minha cara.
O que deu nele?
Saio do sofá com dificuldade e me arrasto até o banheiro para tomar banho.
Não posso dizer que foi um banho rápido, na verdade nem lembro quanto tempo perdi em baixo do chuveiro, só sei que estava terminando de me vestir quando ouvi as batidas na porta, me fazendo correr até a mesma para atender.
— Desde quando você sabe onde eu moro? — Questiono assim que abro a porta e Chaz entra na minha casa, como se já tivesse vindo aqui por diversas vezes.
— Eu tava na revista e a Hailee tem sua ficha, com endereço. — Ele diz se virando para mim e me olhando de cima a baixo. — Ta pronta?
— Sim, só deixa eu pegar minha bolsa. — Digo e ele me encara arqueando uma das sobrancelhas.
— E vestir os sapatos né, Selena. — Chaz diz me fazendo olhar para os meus pés.
Eu ainda estava descalça.
— E talvez, só talvez, secar o cabelo. — Digo e ele ri fraco balançando a cabeça negativamente como se não quisesse acreditar.
— Então vai logo. — Ordena Chaz, se jogando no sofá cheio de cobertas e começando a mexer no celular.
Demoro um pouco para secar meu cabelo e vestir meus sapato, por causa do sono e da dor de cabeça.
Termino de me arrumar e pego minha bolsa voltando para sala e encontrando Chaz falando no celular, enquanto encarava o frasco do remédio que eu havia tomado ontem.
— Relaxa, nós não vamos demorar. — Diz ele e em seguida percebe que estou na sala. — Até mais.
— Ta tudo bem? — Pergunto andando até ele e tirando o frasco de sua mão.
— Sim, só estamos atrasados. — Chaz diz se levantando do sofá e me seguindo até a cozinha.
Eu preciso tomar outro remédio antes de sair.
— Está doente? — Questiona ele enquanto eu abro o frasco do remédio tirando outra pílula.
— Não dormi direito. — Murmuro pegando um copo e enchendo com água da torneira para ajudar a engolir o remédio e Chaz faz uma careta. — Quem era no telefone?
— Justin. — Ele diz e eu quase engasgo com o remédio.
Tenho quase certeza que Justin conta tudo ao Chaz, o que me faz ficar curiosa para saber da conversa que eles estavam tendo.
— O que ele queria? — Tento não parecer tão interessada.
— Ligaram pra ele perguntando se houve algum problema, para estarmos tão atrasados. — Chaz diz quando começamos a sair do apartamento.
— E o que você disse? — Questionei trancando a porta.
— Que remarcasse para dezembro do ano que vem. — Ele diz debochado apertando o botão do elevador e eu o encaro incrédula. — Talvez até lá você já esteja pronta.
— Eu nem demorei tanto, assim. — Retruco.
— Imagina se demora-se. — Ele diz e dou um tapa leve em seu braço.
As portas do elevador se abrem e entramos no mesmo.
— Ash me disse que esse prédio é seu. — Chaz diz enquanto digita no celular.
— Por enquanto é. — Sorrio sem mostrar os dentes.
— Vai vender? — Chaz diz tirando a atenção do celular e a direcionando à mim.
— Vou perder, na verdade. — Murmuro e ele me encara sem entender.
Enquanto saímos do elevador e Chaz dirige para onde acontecerá a seleção, começo a explicar à ele tudo o que aconteceu para chegar ao ponto em que eu perco o prédio.
— Seu tio ta certo. — Diz Chaz estacionando o carro na frente de um grande edifício. — Nem tudo está perdido.
— Diga isso pra minha esperança e não pra mim. — Murmuro saindo do carro.
Olho para cima e percebo que estamos na frente do prédio da coca-cola.
Droga.
Chaz começa a entrar e eu o sigo.
Confesso que estou confusa pois Justin é o responsável por toda a campanha da Coca-Cola mas, ele não está aqui.
— Ah, adoro cheiro de Seleção, de manhã. — Diz Chaz suspirando, quando entramos no estúdio - não tão diferente do da Bieber's Magazine - repleto de modelos.
— Não vou nem tentar adivinhar o por quê. — Digo e ele sorri.
Chaz é um mulherengo.
A música do estúdio estava alta assim como ficava na revista e eu estava agradecendo a Deus pelo remédio já ter tido efeito.
Sigo Chaz, lado a lado, enquanto me sinto perdida observando as modelos mais lindas que já vi e por uma fração de segundo, fico feliz que Justin não tenha vindo hoje.
▪▪▪
Eu estava sentada a frente do notebook observando as fotos que Chaz estava tirando em tempo real.
A modelo era linda, assim como as outras, e posava com perfeição, eu nem precisava fazer esforço para à imaginar em todos os outdoors da cidade.
— Ótimo. — Ele diz para a linda morena e uma ultima foto surge na tela do notebook. — Vamos faz uma pausa, agora.
Chaz se senta ao meu lado e puxa o notebook da mesa para mais perto de si, vendo as fotos que tirou e a lista das modelos que faltava.
— Esquece a pausa. — Ele diz sorrindo e eu estranho. — Essa eu chamo.
Fico surpresa quando o vejo levantar para chamar a modelo, já que era eu que estava, praticamente, correndo atrás das outras.
— Taylor Hill! — Chama ele e a linda mulher de cabelos castanhos não demora a aparecer.
Agora eu sei porque ele iria chamar pessoalmente. Se eu estava achando fácil imaginar a ultima modelo em um outdoor, eu ainda não tinha visto Taylor Hill.
— Oi. — Ela diz abrindo um sorriso.
— Oi, Tay. — Chaz diz e eu conseguia perceber o clima entre os dois.
— Quanto tempo, não? — Ela diz.
— Muito. — Ele diz e em seguida pigarreia. — Ham.. Sel, essa é a Taylor e Tay, essa é a Selena. — Ele diz nos apresentando.
— Prazer em te conhecer. — Taylor diz simpática esticando a mão para me cumprimentar.
— Prazer em te conhecer, também. — Sorrio.
— E então Tay, quando você vai colaborar pra gente se pegar? — Chaz diz à ela e eu me seguro para não gargalhar na mesma hora.
— Quando você for mais bonito que a Selena. — Taylor diz sarcástica se aproximando de Chaz e ficando a centímetros do rosto dele, não consigo mais segurar minha risada.
— Podemos fazer um ménage, se quiser. — Ele diz sorrindo, parecia estar se divertindo com ela tão perto.
— Acredite em mim. — Taylor sussurra com um sorriso nos lábios. — O dia em que você me ter, não vai querer dividir.
Por um segundo posso jurar que ela iria beija-lo mas ela simplesmente desvia do corpo dele e caminha até a lona branca.
Gostei dela.
— Um dia ela ainda me mata. — Chaz diz suspirando e eu rio sem me atrever a dizer nenhuma palavra.
Chaz caminha em direção a lona branca mas do nada para e se vira para mim.
— Ah, Selena! — Ele diz e eu o encaro de imediato. — Não diga ao Justin que eu te coloquei entre um ménage, por favor.
Agora tenho certeza. Ele sabe do beijo.
〰〰〰
A FIC ENTROU NO RANKING!
MANO DO CÉU, É A PRIMEIRA VEZ QUE ISSO ME ACONTECE.
OBRIGADA A TODOS DE VERDADE SZ.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro